sexta-feira, 18 de agosto de 2017

LITURGIA DIÁRIA - UMA SÓ CARNE

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1a Leitura - Josué 24,1-13
Leitura do livro de Josué.
24 1 Josué convocou a Siquém todas as tribos de Israel, seus anciãos, seus chefes, seus juízes e seus oficiais. Eles apresentaram-se diante de Deus,
2 e Josué disse a todo o povo: Eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: outrora, vossos ancestrais, Taré, pai de Abraão e de Nacor, habitavam além do rio e serviam a deuses estrangeiros. 3 Tomei vosso pai Abraão do outro lado do Jordão e conduzi-o à terra de Canaã. Multipliquei sua descendência e dei-lhe Isaac, 4 ao qual dei Jacó e Esaú, e dei a este último a montanha de Seir; Jacó, porém, e seus filhos desceram ao Egito. 5 Depois mandei Moisés e Aarão e feri o Egito com tudo o que fiz no meio dele; e em seguida vos tirei de lá. 6 Fiz sair vossos pais do Egito e, quando chegastes ao mar, os egípcios perseguiram vossos pais com carros e cavaleiros até o mar Vermelho. 7 Os israelitas clamaram ao Senhor, o qual pôs trevas entre vós e os egípcios, e fez vir o mar sobre eles, cobrindo-os. Vistes com os vossos olhos o que fiz aos egípcios, e depois disso habitastes muito tempo no deserto. 8 Conduzi-vos em seguida à terra dos amorreus, que habitavam além do Jordão. Eles combateram contra vós, mas eu os entreguei em vossas mãos; tomastes posse de sua terra e eu os exterminei diante de vós. 9 Balac, filho de Sefor, rei de Moab, combateu contra Israel. Mandou chamar Balaão, filho de Beor, para vos amaldiçoar. 10 Mas eu não quis ouvir Balaão, e ele teve de vos abençoar; e tirei-vos da mão de Balac. 11 Passastes o Jordão e chegastes a Jericó. Combateram contra vós os homens dessa cidade, bem como os amorreus, os ferezeus, os cananeus, os hiteus, os gergeseus, os heveus e os jebuseus, e eu os entreguei todos nas vossas mãos. 12 Mandei adiante de vós vespas que expulsaram os dois reis dos amorreus, não com a vossa espada, nem com o vosso arco. 13 Desse modo, dei-vos uma terra que não lavrastes, cidades que não construístes, onde agora habitais, vinhas e oliveiras que não plantastes, das quais comeis agora os frutos.
Palavra do Senhor.


Salmo - 135/136
Eterna é a sua misericórdia!

Demos graças ao Senhor, porque ele é bom:

porque eterno é seu amor!

Demos graças ao Senhor, Deus dos deuses:

porque eterno é seu amor!

Demos graças ao Senhor dos senhores:

porque eterno é seu amor!

Ele guiou pelo deserto o seu povo:

porque eterno é seu amor!

E feriu por causa dele grandes reis:

porque eterno é seu amor!

Reis poderosos fez morrer por causa dele:

porque eterno é seu amor!

Repartiu a terra deles como herança:

porque eterno é seu amor!

Como herança de Israel, seu servido:

porque eterno é seu amor!

De nossos inimigos libertou-nos:

porque eterno é seu amor!
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Evangelho - Mateus 19,3-12
Aleluia, aleluia, aleluia. Acolhei a palavra de Deus não como palavra humana, mas como mensagem de Deus, o que ela é, em verdade! (1Ts 2,13)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 19 3 os fariseus vieram perguntar a Jesus para pô-lo à prova: “É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?”
4 Respondeu-lhes Jesus: “Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: 5 ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne’? 6 Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu”. 7 Disseram-lhe eles: “Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?” 8 Jesus respondeu-lhes: “É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. 9 Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério”. 10 Seus discípulos disseram-lhe: “Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!” 11 Respondeu ele: “Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. 12 Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda”.
Palavra da Salvação.

Reflexão


 O Evangelho de hoje nos conduz a refletir dobre o divórcio, esta praga social que destrói as nossas famílias feito um vírus de difícil controle, causando a infelicidade para todos principalmente para os filhos que não pediram para virem ao mundo.
O divórcio é uma doença social que  atinge diretamente as famílias, as poucas famílias que ainda existem, pois a moda ditada pela mídia é apenas se acasalar, botar filhos no mundo, depois se separar.
"...desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!"
O divórcio é um crime social contra a lei de Deus expressada por Jesus, e contra a  lei natural. Isto porque a natureza é modificada. Basta ver e conviver com os filhos de pais separados os quais são transformados em jovens problemas revoltados contra tudo e contra todos. A nossa sociedade é a favor de leis que pretende romper o contrato livremente consentido pelos esposos de viver um com o outro até a morte como nos ensinou o Mestre da vida. O divórcio é um câncer da sociedade moderna e lesa a aliança de salvação da qual o matrimônio sacramental é o sinal. As leis apóiam  a separação do casal sem se preocupar com os filhos frutos daquela união que no início parecia tão feliz. O fato de contrair nova união, mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura, pois este lamentável remendo não resolve a questão da busca da felicidade, pelo contrário, produz mais infelicidade, pois o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de adultério público e permanente.
"Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério."  Palavra da salvação do casal.
Mas infelizmente, os casais não estão preocupados em nenhum tipo de salvação, pois suas mentes estão corrompidas  pelos meios de comunicação e por satanás.
Como disse Jesus, se o marido, depois de se separar de sua mulher, se aproximar de outra mulher, se torna adúltero, porque faz essa mulher cometer adultério; e a mulher que habita com ele é adúltera, porque atraiu a si o marido de outra.
Foi o que aconteceu com aquele lindo casal de jovens com uma filha alegre e feliz. Ele conheceu outra mulher pela internet e durante cinco meses viveu uma vida dupla tentando levar ou contornar a situação. Porém, sua esposa percebeu que o marido já não era o mesmo com ela e com a filha, até que num dia, tudo veio a tona, e aquele lindo casal hoje é mais uma família separada e infeliz.
Quem é o culpado ou os culpados de tudo isso? Como vimos, vivemos em uma sociedade sem Deus, e tudo está girando em torno da satisfação dos prazeres egoístas sem que ninguém se importe com as suas conseqüências. Assim o caráter imoral do divórcio deriva da desordem causada pelo vírus que se introduz na célula familiar e na sociedade, causando graves danos: para o cônjuge que fica abandonado; para os filhos, traumatizados pela separação dos pais, e muitas vezes disputados entre eles (cada um dos cônjuges querendo os filhos para si); e seu efeito de contágio, que faz dele uma verdadeira praga social.
Que fazer? Parece que estamos sem forças para combater tamanho problema. Não é mesmo?  Não se esqueça da força de Jesus que disse: "estarei com vocês até o fim dos tempos e as portas dos infernos não se prevalecerão contra vocês que são os meus escolhidos, continuadores do meu trabalho, que são a Igreja, a minha Igreja, presença de Deus no mundo.  Portanto, ousamos fazer alguma coisa, como:  Grupos de orações pela união das famílias, palestras, pastoral da família, conscientização dos jovens na catequese sobre a importância da família, mostrar a eles o estrago causado nas famílias destruídas pelo divórcio, e muito mais que a inspiração do Espírito Santo irá nos iluminar. O que não devemos é ficar de braços cruzados, apenas rezando de forma egoísta apenas pela nossa família, sem  reconhecer que o divórcio é um problema que afeta a sociedade inteira e não somente aos professores que têm de tolerar os alunos problemas na sala de aula.
 
 
 
 
jose salviano

A VERDADEIRA RAZÃO PELA QUAL CATÓLICOS NÃO PODEM SER MAÇONS

Três séculos após a fundação da primeira Grande Loja Maçônica, os princípios dessa instituição continuam frontalmente incompatíveis com a doutrina católica.

Por Ed Condon [*] — O antagonismo recíproco entre a Igreja Católica e a Maçonaria está bem firmado e é de longa data. Durante a maior parte dos últimos 300 anos, as duas instituições têm sido reconhecidas, mesmo pela mentalidade secular, como implacavelmente opostas uma à outra. Em décadas recentes, a animosidade entre elas tem-se apagado da consciência pública em grande medida, devido ao menor envolvimento direto da Igreja em assuntos civis e à derrocada dramática da Maçonaria, tanto em números quanto em importância. Mas, por ocasião dos 300 anos da Maçonaria, vale a pena rever o que sempre esteve no "núcleo" da absoluta oposição da Igreja a esse grupo. Aparentemente, a Maçonaria pode não passar de um clube esotérico masculino, mas ela já foi, e continua sendo, um movimento filosófico altamente influente — e que impactou de modo dramático, ainda que sutil, a sociedade e a política modernas no Ocidente.
A história da Franco-maçonaria preenche, por si só, vastas páginas. A sua gradual transformação de guildas de pedreiros medievais em uma rede de sociedades secretas, com uma filosofia e um rito gnósticos próprios, pode ser lida com grande interesse. A versão mais recente da Franco-maçonaria teve início com a formação da Grande Loja da Inglaterra, em 1717, em um bar chamado Goose & Gridiron, próximo à Catedral londrina de São Paulo Apóstolo. Nos primeiros anos, antes que a Igreja fizesse qualquer pronunciamento formal sobre o assunto, muitos católicos já faziam parte da associação e a "diáspora" dos católicos e jacobitas ingleses foi crucial para espalhar a Franco-maçonaria na Europa continental. Ela chegou a se tornar, em alguns lugares, tão popular entre os católicos que o Rei Francisco I da Áustria serviu de protetor formal da instituição.
Mesmo assim, a Igreja se converteu na maior inimiga das lojas maçônicas. Entre o Papa Clemente XII, em 1738, e a promulgação do primeiro Código de Direito Canônico, em 1917, oito papas ao todo escreveram condenações explícitas à Franco-maçonaria. Todas previam a mais estrita pena eclesiástica para quem se associasse: excomunhão automática reservada à Sé Apostólica.
Mas o que a Igreja entendia, e entende hoje, por Franco-maçonaria? Que características fizeram com que ela merecesse uma tal condenação?
É comum ouvirmos dizer que a Igreja se opôs à Franco-maçonaria por causa do caráter supostamente revolucionário ou sedicioso das lojas. Está relativamente difundida a ideia de que as lojas maçônicas eram células essencialmente políticas para republicanos e outros reformistas, e a Igreja se opunha a elas para defender o velho regime absolutista, ao qual ela estava institucionalmente atrelada. No entanto, embora a sedição política eventualmente se sobressaísse na oposição da Igreja à Maçonaria, essa não era, em hipótese alguma, a razão originária de sua rejeição. O que Clemente XII denunciou originalmente não era uma sociedade republicana revolucionária, mas um grupo que propagava o indiferentismo religioso: a ideia de que todas as religiões (e nenhuma delas) têm igual validade, e que na Maçonaria estão todas unidas para servirem a um entendimento comum e mais elevado da virtude. Os católicos, como membros, deveriam colocar sua adesão à loja acima de sua pertença à Igreja. Em outras palavras, a proibição rigorosa da Igreja devia-se não a motivos políticos, mas ao cuidado com as almas.
Desde o princípio, a preocupação primária da Igreja foi a de que a Maçonaria submete a fé de um católico à da loja, obrigando-o a colocar uma fraternidade secularista fundamental acima da comunhão com a Igreja. A linguagem legal e as penalidades aplicadas nas condenações à Franco-maçonaria eram, na verdade, muito similares àquelas usadas na supressão dos albigenses: a Igreja vê a Franco-maçonaria como uma forma de heresia. Ainda que os próprios ritos maçônicos contenham um material considerável que pode ser chamado de herético — e até de explicitamente anticatólico, em alguns casos —, a Igreja sempre esteve muito mais preocupada com a filosofia geral da Franco-maçonaria do que com a ostentação de seus rituais.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a Igreja Católica e o seu lugar de privilégio no governo e na sociedade de muitos países europeus tornaram-se objeto de crescente oposição secular e até mesmo de violência. Existem, é verdade, poucas evidências históricas — se é que as há — de que as lojas maçônicas tenham desempenhado um papel ativo no início da Revolução Francesa. De qualquer modo, a causa dos horrores anticlericais e anticatólicos da Revolução pode ser encontrada na mentalidade secularista descrita pelas várias bulas papais que condenam a Maçonaria. As sociedades maçônicas foram condenadas não porque pretendessem ameaçar as autoridades civis e eclesiásticas, mas porque uma tal ameaça, na verdade, constituía a consequência inevitável de sua existência e crescimento. A revolução era o sintoma, não a doença.
A coincidência de interesses entre Igreja e Estado, e o ataque a elas empreendido por sociedades secretas revolucionárias, foram mais claros nos Estados Papais da Península Itálica, onde a Igreja e o Estado eram uma só coisa. Assim que começou o século XIX, ganhou notoriedade uma imitação da Franco-maçonaria, de caráter revolucionário explícito e oposição declarada à Igreja: eles se chamavam de Carbonari ("carbonários", palavra italiana para "carvoeiros") e, em sua campanha por um governo constitucional secular, praticavam tanto o assassinato quanto a insurreição armada contra os vários governos da Península Itálica, sendo identificados como uma ameaça imediata à fé, aos Estados Papais e à própria pessoa do Pontífice Romano.
A ligação entre a ameaça passiva da filosofia secreta maçônica e a conspiração ativa da Carbonária foi explicada na Constituição Apostólica Ecclesiam a Jesu Christo, do Papa Pio VII, promulgada em 1821. Mesmo tratando e condenando a oposição aberta e declarada dos Carbonari à governança temporal dos Estados Papais, ainda assim era claro que a mais grave ameaça colocada por essas células violentamente revolucionárias era a sua filosofia secularista.
Ao longo de todas as várias condenações papais à Franco-maçonaria, mesmo quando as lojas financiavam ativamente campanhas militares contra o papa, como fizeram com a conquista de Garibaldi e a unificação da Itália, o que sempre constituiu a primeira objeção da Igreja à Loja foi a ameaça que ela representava à fé dos católicos e à liberdade da Igreja de agir em sociedade. O fato de os ensinamentos da Igreja serem minados nas lojas, e a sua autoridade em matéria de fé e moral ser questionada, era repetidamente descrito como uma conspiração contra a fé, tanto nos indivíduos quanto em sociedade.
Um cartum de 1891 mostra o Papa Leão XIII combatendo a Maçonaria.

 
Na encíclica Humanum Genus, o Papa Leão XIII descreveu a agenda maçônica como sendo a exclusão da Igreja da participação em assuntos públicos e a perda gradual de seus direitos como um membro institucional da sociedade. Durante o seu tempo como papa, Leão escreveu um grande número de condenações à Franco-maçonaria, tanto no âmbito pastoral quanto no âmbito legislativo. Ele sublinhou em detalhes o que a Igreja considerava ser a agenda maçônica, agenda esta que, lida com um olhar contemporâneo, ainda é de uma relevância surpreendente.
Ele se referiu especificamente ao objetivo de secularizar o Estado e a sociedade. Ressaltou em particular a exclusão do ensino religioso das escolas públicas e o conceito de que "o Estado, que deve ser absolutamente ateu, tem o inalienável direito e dever de formar o coração e os espíritos de seus cidadãos" ( Dall'Alto dell'Apostolico Seggio, n. 6). Também denunciou abertamente o desejo maçônico de tirar da Igreja qualquer forma de controle ou influência sobre escolas, hospitais, instituições de caridade públicas, universidades e qualquer outra associação que servisse ao bem comum. Também deu um destaque específico ao impulso maçônico de repensar o matrimônio como um mero contrato civil, promover o divórcio e apoiar a legalização do aborto.
É praticamente impossível ler esta agenda e não reconhecer nela a base de quase todo o nosso discurso político contemporâneo. O fato de muitos de nossos principais partidos políticos, se não todos, apoiarem tranquilamente essas ideias, e o próprio conceito de Estado secular e suas consequências sobre a sociedade ocidental, incluindo a pervasiva cultura do divórcio e a disponibilidade quase universal do aborto, tudo isso é uma vitória da agenda maçônica. E isso levanta questões canônicas muito sérias sobre a participação católica no atual processo político secular.
Ao longo de séculos de condenações papais à Franco-maçonaria, era normal que cada papa incluísse nomes de novas sociedades que compartilhavam da filosofia e da agenda maçônicas e que, por isso, também deveriam ser entendidas pelos católicos, nos termos da lei canônica, como "maçônicas". No século XX, isso chegou a incluir partidos políticos e movimentos como o comunismo.
Quando o Código de Direito Canônico foi reformado, após o Vaticano II, o cânon específico que proibia os católicos de aderirem a "seitas maçônicas" foi revisado. No novo código, promulgado em 1983 por São João Paulo II, a menção explícita à Franco-maçonaria foi retirada completamente. O novo cânon 1374 refere-se somente a associações "que maquine[m] contra a Igreja". Muitos entenderam essa mudança como um indicativo de que a Franco-maçonaria não mais era considerada má aos olhos da Igreja. Na verdade, os membros do comitê responsável pela reforma esclareceram que eles queriam se referir não apenas aos franco-maçons, mas a muitas outras organizações; a conspiração da agenda secularista maçônica tinha-se espalhado para tão além das lojas que continuar usando um termo abrangente como "maçônico" seria confuso. O então Cardeal Ratzinger emitiu um esclarecimento da nova lei em 1983, no qual deixou claro que o novo cânon havia sido formulado para encorajar uma interpretação e uma aplicação mais abrangentes.
Dado o entendimento cristalino, no ensinamento da Igreja, do que a conspiração ou a agenda maçônica incluem — a saber, o matrimônio como um mero contrato civil aberto ao divórcio à vontade; o aborto; a exclusão do ensino religioso das escolas públicas; a exclusão da Igreja do provimento de bem-estar social ou do controle de instituições de caridade —, parece-nos impossível não perguntar: quantos de nossos partidos políticos no Ocidente não estariam agora sob a proibição do cânon 1374? A resposta talvez não agrade muito aqueles que querem ver um fim para a chamada "guerra cultural" dentro da Igreja.
Mais recentemente, o Papa Francisco tem falado repetidas vezes de sua grave preocupação com uma infiltração maçônica na Cúria e em outras organizações católicas. Ao mesmo tempo, ele alertou contra a Igreja se tornar uma mera ONG em seus métodos e objetivos — perigo que vem diretamente dessa mentalidade secularista a que a Igreja sempre chamou "filosofia maçônica".
A infiltração maçônica na hierarquia e na Cúria tem sido tratada há muito tempo como uma espécie de versão católica do "bicho-papão" embaixo da cama, ou da paranoia macarthista com infiltrados comunistas. De fato, quando se conversa com pessoas que trabalham no Vaticano, rapidamente se descobre que, para cada dois ou três que riem dessa história, há pelo menos um que deparou diretamente com esse fato. Eu mesmo conheço pelo menos duas pessoas que, durante o tempo em que trabalharam em Roma, foram abordadas para se associarem. O papel das lojas maçônicas como ponto de encontros confidencial para pessoas com ideias e agendas heterodoxas mudou pouco desde a França pré-revolucionária até o Vaticano de hoje. 300 anos após a fundação da primeira Grande Loja Maçônica, o conflito entre a Igreja e a Franco-maçonaria nunca esteve tão vivo. 




Fonte: Catholic Herald | Tradução: Equipe CNP
[*] Ed Condon é canonista e escreveu sua dissertação de doutorado sobre a história das sanções legais da Igreja contra os franco-maçons.

POR QUE VEMOS A SOLIDÃO COMO ALGO NEGATIVO?

Você precisa se sentir bem consigo mesmo para conseguir se sentir bem ao lado de outra pessoa.

 

Quando falamos sobre a solidão, logo nos deparamos com pensamentos negativos. Estar sozinho é sinônimo de mediocridade. As pessoas veem a solidão como algo completamente catastrófico. Afinal, ninguém gosta da ideia de passar uma vida sozinha (o), não é mesmo?
Sempre buscamos estar em companhia do outro, seja ele um namorado, amigo ou alguma pessoa de nosso convívio.
Sempre escuto pessoas dizendo: “E agora, o que será da minha vida sem ele (a)?”; “Sem você minha vida não tem sentido!” (Antes de conhecê-lo (a) a sua vida também não tinha sentido então?). Quem nunca soltou essa: “Se você não for, eu não vou!”.
São frases como essas que me levaram a observar, juntamente com o relato e a experiência de alguns atendimentos, algumas conclusões. São elas:
JULGAMENTO:
Ter medo do que o outro vai pensar ao me ver sozinho (a). Não posso estar sozinho, o que vão pensar de mim? Que não tenho ninguém? (Mas qual o problema de não ter alguém?).
ENFRAQUECIMENTO DOS LAÇOS AFETIVOS:
Uma pessoa com laços familiares afetivos enfraquecidos, principalmente na infância (pai/mãe ou figura paterna-materna que a represente), pode adquirir a necessidade de ter uma figura que lhe preencha esse “vazio”.
EXPERIÊNCIAS NEGATIVAS:
Pessoas que vivenciam ou vivenciaram experiências negativas podem ter o que a psicologia cognitiva comportamental chama de “crenças centrais” negativas, ou seja, criar a sua própria visão das coisas como forma negativa e distorcida da realidade, desenvolvendo interpretações errôneas sobre vários aspectos da vida, fazendo com que se sintam inseguras, incapazes de fazer algo sozinhas, e outros sentimentos negativos que as fazem ter a necessidade da reafirmação do outro.
APARÊNCIA E STATUS:
É muito comum, principalmente em redes sociais como o facebook, encontrar o “status de relacionamento sério” no perfil. Diariamente pessoas postam fotos aparentemente “felizes” (será que estão felizes mesmo?). Tudo isso para “mostrar para o outro” ou passar a imagem de uma pessoa que não está sozinha. Claro que não podemos generalizar. Realmente existem pessoas que fazem isso e que são muito felizes, e que não fazem isso somente para passar uma imagem positiva para alguém. Mas esse tipo de comportamento nada assertivo, dito anteriormente, é muito mais comum do que imaginamos.
PRESSÃO DA SOCIEDADE:
Sabemos que, desde a antiguidade, a mulher tem o papel de “procriadora”. Enquanto o homem trabalhava, a mulher ficava em casa cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos (o que mudou muito desde a atualidade). Sabemos que antigamente a pressão era enorme para que a mulher se casasse e tivesse filhos. Os paradigmas nesse sentido diminuíram muito, porém, existem aquelas pessoas que se sentem pressionadas, muitas vezes, pelos próprios membros da família para que se casem. Não só para as mulheres, mas para os homens também, isso mesmo!
Não podemos ignorar o fato de que esses pensamentos ainda se refletem em nossa sociedade. Sabe quando você vai a uma festa e aquela tia te pergunta se já está namorando? Sabemos muito bem não é? Esse é um bom exemplo. Não estou dizendo que estar sozinho (a) não é ruim, todos precisamos uns dos outros, mas gostaria de colocar a solidão não somente como algo negativo.
Existem sim pessoas que vivem sozinhas e são felizes. Estar só não significa que você seja solitário. Como já dizia Jean-Paul Sartre: “Se você sente tédio quando está sozinho, é porque está em péssima companhia.”
Se você está na lista dos que se sentem sozinhos, não se sinta mal por isso. Aproveite para realizar aquele sonho. Invista em sua carreira, vá viajar, faça uma caminhada, cuide do seu corpo e principalmente da sua mente. É preciso cuidar da causa, para que assim possamos driblar nossas maiores angústias e conseguirmos viver bem com a nossa melhor companhia: nós mesmos!




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terça-feira, 15 de agosto de 2017

LITURGIA DIÁRIA - QUEM É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS?

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1a Leitura - Deuteronômio 31,1-8
Leitura do livro do Deuteronômio.
31 1 Moisés dirigiu ainda a todo o Israel o discurso seguinte:
2 "Eis-me hoje com a idade de cento e vinte anos; não posso mais ir e vir, e o Senhor disse-me que eu não passaria o Jordão. 3 O Senhor, teu Deus, passará diante de ti; ele mesmo exterminará essas nações para que possuas a sua terra. E Josué vos conduzirá, como o declarou o Senhor. 4 O Senhor fará a esses povos como fez a Seon e a Og, reis dos amorreus, e à sua terra, aniquilando-os. 5 O Senhor vo-los entregará, e vós os tratareis exatamente como vos ordenei. 6 Coragem! E sede fortes. Nada vos atemorize, e não os temais, porque é o Senhor vosso Deus que marcha à vossa frente: ele não vos deixará nem vos abandonará". 7 Moisés chamou em seguida Josué e disse-lhe em presença de todo o Israel: "Mostra-te varonil e corajoso, porque entrarás com esse povo na terra que o Senhor jurou a seus pais dar-lhes, e a repartirás entre eles. 8 O Senhor mesmo marchará diante de ti, e estará contigo, e não te . deixará nem te abandonará. Nada temas, e não te amedrontes".
Palavra do Senhor.


Salmo - Dt 32
A porção do Senhor é o seu povo.

O nome do Senhor vou invocar;

vinde todos e dai glória ao nosso Deus!

Ele é a rocha: suas obras são perfeitas.

Recorda-te dos dias do passado

e relembra as antigas gerações;

pergunta, e teu pai te contará,

interroga, e teus avós te ensinarão.

Quando o Altíssimo os povos dividiu

e pela terra espalhou os filhos de Adão,

as fronteiras das nações ele marcou

de acordo com o número de seus filhos.

Mas a parte do Senhor foi o seu povo,

e Jacó foi a porção de sua herança.

O Senhor, somente ele, foi seu guia,

e jamais um outro deus com ele estava.
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Evangelho - Mateus 18,1-5.10.12-14
Aleluia, aleluia, aleluia.
Tomai meu jogo sobre vós e aprendei de mim, que sou de coração humilde e manso! (Mt 11,29)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
18 1 Neste momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: “Quem é o maior no Reino dos céus?”
2 Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse:
3 “Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus.
4 Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus.
5 E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe..
10 Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus.
12 Que vos parece? Um homem possui cem ovelhas: uma delas se desgarra. Não deixa ele as noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela que se desgarrou?
13 E se a encontra, sente mais júbilo do que pelas noventa e nove que não se desgarraram.
14 Assim é a vontade de vosso Pai celeste, que não se perca um só destes pequeninos”.
Palavra da Salvação.
 
 Reflexão
 
Muitos podem estar acreditando que pelo fato de ser ministro da Eucaristia, ou da palavra, ou catequista e mesmo ministro ordenado, já têm o direito a entrar no Reino dos céus.
Jesus neste Evangelho nos adverte. Nos desperta para a realidade dos fatos, e nos aconselha a buscar a conversão diária. Em cada gesto, em cada palavra, em cada atitude com os nossos irmãos, devemos ter na consciência, as palavras de Jesus.
Precisamos nos converter de verdade, conversão de fato e não uma conversão teórica. Conversão é mudança de rumo. Mudar o rumo da nossa vida. A nossa trajetória, a nossa caminhada pode não estar de fato nos encaminhando para a eternidade.
Ah! Mas eu sou coordenadora de todas as pastorais, e comungo diariamente. Cuidado! Muito cuidado!
Pois as palavras de Jesus são duras!  “se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus”.
Criança é inocente,  e inocente não tem pecado algum. Criança é portanto pura, sem maldade, sem malícia, sem sentimento de vingança, sem a força da sensualidade que tanto nos arrasta para longe de Deus.
A professora sabe que existem crianças difíceis de se lidar com elas. Porém, se existem crianças problemas, é por que os pais são problemas. Uma criança que vive em um lar desfeito pelo desamor, pelo egoísmo, assistindo brigas diariamente, um lar onde não se vê ninguém rezar, nem tão pouco dizer o nome de Jesus ou de Deus, esse lar vai produzir uma criança desajustada, uma criança infeliz, que vai querer descontar em qualquer um ou uma que se puser em sua frente, pretendendo ser seu modelo de vida, pretendendo lhe ditar regras de conduta, pretendendo lhe ensinar... É por isso que tais crianças são difíceis, é por isso que os professores as chamam de crianças problemas, pois ela descontam  neles, o que gostariam de fazer com seus pais.
A criança é pura, a menos que seja proveniente de um lar problema.
Jesus aqui está se referindo às crianças não contaminadas pelas desavenças do lar, pelas brigas dos seus pais, etc.
Prezados irmãos, e irmãs. Busquemos pois ser como estas crianças, para merecermos um dia entrar no Reino dos Céus, como nos promete Jesus.
O nosso lado humano nos impulsiona para sermos o maior na comunidade. Para dar uma impressão de santidade, para ter um ar de importância, uma postura tal que todos nos vejam como o maior, a maior o mais santo, a mais santa, e assim por diante.
E vem Jesus hoje a nos lembrar que: Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.
Quem for humilde, manso, puro, tolerante com os defeitos dos demais, quem não ficar criticando, discriminando, ignorando, quem não for arrogante, quem não se mostrar melhor que os outros, quem não tem receio de pedir desculpas e perdão quando reconhece os seus erros, e assim por diante, este ou esta está se esforçando para ser como uma criança.  ESTA OU ESTE SERÁ O MAIOR NO REINO DO CÉUS. PROMESSA DE JESUS!  
 
 
 
 
 
  José Salviano.

TIPOS DE ANSIEDADE MAIS COMUNS: TODOS PODEM SER COMBATIDOS

Conheça melhor um dos grandes males da nossa época.

Paulius Brazauskas/Shutterstock

 

A ansiedade é um dos grandes males do nosso tempo. Tanto é assim que já existem diversos tipos de ansiedade referenciados e continuam aparecendo classificações cada vez mais extensas. Não é pra menos se considerarmos que os tempos em que vivemos são, às vezes, muito exigentes, e o equilíbrio, tanto o próprio quanto o que temos com outras pessoas, é potencialmente dinâmico.
A ansiedade é uma das caras do medo. Mas diferente do medo propriamente dito, aqui não existe um estimulo específico que a provoque. O medo é normal quando se encara uma ameaça específica e percebemos que a nossa integridade pode estar em perigo. Mas a ansiedade é uma forma de medo que muitas vezes não tem uma causa definida, de modo que não é fácil intervir sobre a origem dessa ansiedade ou sobre os fatores que a tornam recorrente.
“O temor aguça os sentidos. A ansiedade os paralisa.”
-Kurt Goldstein-
Você percebe que a ansiedade está ao seu redor porque você se sente inquieto, inseguro ou preocupado com “alguma coisa” imprecisa ou por algo específico que não sabe como enfrentar. Como se você estivesse dentro de um avião em queda livre, mesmo que na verdade você esteja sentado na sala da sua casa assistindo televisão. Você sente uma inquietação interna que não o deixa em paz, que faz você se sentir agitado, irritado, desconfortável, mas não consegue identificar o porquê.
São vários os tipos de ansiedade frequente. Algumas pessoas preferem simplesmente chamá-las de “estresse” ou “preocupação”, mas se examinadas com lupa são formas de ansiedade muito fortes. O bom é que qualquer um desses tipos de ansiedade pode ser superado. Para conseguir isso a primeira coisa a fazer é procurar conhecê-los um pouco mais.

A ansiedade generalizada e a ansiedade social

O transtorno da ansiedade generalizada se define como um estado de preocupação constante, sem que exista uma razão específica para que isto aconteça. Precisa ter uma duração superior a 6 meses e, em geral, vem acompanhado de dificuldades para dormir, irritabilidade, problemas de concentração e fadiga geral.
A ansiedade social, por sua vez, é uma condição na qual uma pessoa vivencia medo ou angústia em todas aquelas situações onde precise interagir socialmente com os outros. Trocando em miúdos, a pessoa tem medo do contato com os outros. Grande parte desta ansiedade é antecipatória, isto é, acontece antes que o contato social temido aconteça.
Ambas as condições deterioram significativamente a qualidade de vida de uma pessoa. São estados que não se curam por si só, com o passar do tempo, já que costumam ser retroalimentados com diferentes condutas de evasão. Não são momentos ruins, mas situações que requerem tratamento profissional.
Na maioria dos casos é suficiente uma terapia curta para que as emoções voltem a ficar sob controle. Em outras situações são necessárias intervenções mais longas, mas a probabilidade de superar essas condições, em todo caso, é muito alta.

Os transtornos obsessivos e o estresse pós-traumático

Os transtornos obsessivos são de vários tipos, mas todos têm em comum o fato de que existe uma ideia persistente e intrusiva que provoca temor e angústia. Então, por mais que a pessoa procure tirar essa ideia da cabeça, não consegue. Essas obsessões podem chegar a invadir a personalidade e provocar uma paralisia existencial.
O estresse pós-traumático é aquele estado de angústia que vem depois de viver uma experiência traumática. Manifesta-se como inquietude, dificuldade para dormir e, principalmente, com uma fantasia recorrente de que o acontecido irá se repetir novamente. Faz com que a pessoa se mantenha em estado de alerta e alimente a insegurança e o isolamento.
Em ambos os casos, e dependendo da severidade dos sintomas, existem diferentes formas de superar o problema. A prática de algum método de relaxamento pode contribuir significativamente para diminuir a ansiedade e aumentar a capacidade de concentração. Se estes métodos não forem eficazes, a terapia profissional é uma excelente alternativa, com grandes possibilidades de sucesso.

A agorafobia e hipocondria

A agorafobia se transformou em um dos tipos de ansiedade mais comuns atualmente. É um medo difuso e incerto de todas aquelas situações onde parece não haver escapatória, ou nas quais não existe a possibilidade de receber ajuda, se a pessoa sofrer um ataques de pânico. Em outras palavras, a pessoa pensa que pode vir a ter um ataque de pânico e que, em certas circunstâncias, não poderá escapar ou receber ajuda. De certo modo, é uma forma de medo do medo.
A cada dia é maior o número de consultas por agorafobia e quem dela padece sofre muito e sente grandes limitações para levar uma vida normal. Algo semelhante acontece com os hipocondríacos que interpretam de forma catastrófica qualquer sinal do seu corpo. Suspeitam que têm doenças graves e sentem que sua condição pode piorar a qualquer momento, sem que possam fazer qualquer coisa a respeito.
Em ambos casos é recomendável a prática de algum tipo de relaxamento. Estes contribuem para reduzir ou desativar o aumento da ansiedade e identificar melhor os sinais que o corpo manda. Também produzem um maior autocontrole. O exercício físico regular também ajuda neste sentido. Como em outros casos, se isto não for suficiente, a ajuda de um profissional sempre será a alternativa mais confiável.





(via Mente Maravilhosa)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

LITURGIA DIÁRIA - NÃO NOS ESQUIVAR DAS OBRIGAÇOES E COMPROMISSOS QUE O MUNDO NOS IMPÓEM

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1a Leitura - Deuteronômio 10,12-22
Leitura do livro do Deuteronômio.
Moisés falou ao povo, dizendo: 10 12 "E agora, ó Israel, o que pede a ti o Senhor, teu Deus, senão que o temas, andando nos seus caminhos, amando-o e servindo-o de todo o teu coração e de toda a tua alma,
13 observando os mandamentos do Senhor e suas leis, que hoje te prescrevo, para que sejas feliz? 14 Vê: ao Senhor, teu Deus, pertencem os céus e os céus dos céus, a terra e tudo o que nela se encontra. 15 Não obstante, só a teus pais se apegou o Senhor com amor, e elegeu a sua posteridade, depois deles, a vós, dentre todas as nações, como o vedes presentemente. 16 Cortai, pois, o prepúcio de vosso coração, e cessai de endurecer vossa cerviz; 17 porque o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz distinção de pessoas, nem aceita presentes. 18 Ele faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, ao qual dá alimento e vestuário. 19 Também vós, amai o estrangeiro, porque fostes estrangeiros no Egito. 20 Temerás o Senhor, teu Deus, e o servirás. Estarás unido a ele, e só pelo seu nome farás os teus juramentos. 21 Ele é a tua glória e o teu Deus, que fez por ti estas grandes e terríveis coisas que viste com os teus olhos. 22 Quando os teus pais desceram ao Egito eram em número de setenta pessoas, e agora o Senhor, teu Deus, multiplicou-te como as estrelas do céu".
Palavra do Senhor.

Salmo - 147/147B
Glorifica o Senhor, o Jerusalém.

Glorifica o Senhor, Jerusalém!

Ó Sião, canta louvores ao teu Deus!

Pois reforçou com segurança as tuas portas

e os teus filhos, em teu seio, abençoou.

A paz em teus limites garantiu

e te dá como alimento a flor do trigo.

Ele envia suas ordens para a terra,

e a palavra que ele diz corre veloz.

Anunciai a Jacó sua palavra,

seus preceitos e suas leis a Israel.

Nenhum povo recebeu tanto carinho,

a nenhum outro revelou os seus preceitos.
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Evangelho - Mateus 17,22-27
Aleluia, aleluia, aleluia. Pelo Evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de nosso Senhor Jesus Cristo (2Ts 2,14).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
17 21 Enquanto caminhava pela Galiléia, Jesus lhes disse: “O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos homens.
22 Matá-lo-ão, mas ao terceiro dia ressuscitará”. E eles ficaram profundamente aflitos. 23 Logo que chegaram a Cafarnaum, aqueles que cobravam o imposto da didracma aproximaram-se de Pedro e lhe perguntaram: “Teu mestre não paga a didracma?” 24 “Paga sim”, respondeu Pedro. Mas quando chegaram à casa, Jesus preveniu-o, dizendo: “Que te parece, Simão? Os reis da terra, de quem recebem os tributos ou os impostos? De seus filhos ou dos estrangeiros?” 25 Pedro respondeu: “Dos estrangeiros”. Jesus replicou: “Os filhos, então, estão isentos. 26 Mas não convém escandalizá-los. Vai ao mar, lança o anzol, e ao primeiro peixe que pegares abrirás a boca e encontrarás um estatere. Toma-o e dá-o por mim e por ti”.
Palavra da Salvação.


 Reflexão

Ao entregar-se por amor à humanidade e se deixar crucificar, mesmo sem ter nenhuma culpa, Jesus nos deu um grande exemplo, pois sabia que o Seu sacrifício seria a chave para a redenção do homem. Como homem, Jesus também nos ensinou que embora sejamos livres, filhos de Deus, nós temos encargos e obrigações sociais as quais temos o dever de cumpri-las, como pagar impostos e taxas. Algumas vezes quando estamos cheios de razão batemos o pé e não aceitamos as imposições. Jesus, porém, diante da cobrança dos cobradores do imposto do templo não se revoltou nem tampouco alegou ser Ele Filho de Deus, mas humildemente, recebeu da providência divina a “moeda” para cumprir com a Sua obrigação diante dos homens. O cristão verdadeiro segue o modelo de Jesus: para não escandalizar, paga  o que lhe é cobrado para o bem estar social. A nossa fé também se manifesta por meio da abertura do nosso “bolso”. Os discípulos de Jesus ficaram tristes quando Ele lhes falou que seria entregue nas mãos dos homens, pois ainda não tinham percebido que, neste mundo, todos nós estamos sujeitos às leis, às regras e exigências dos homens. Nós também precisamos ter consciência de que não podemos nos esquivar das obrigações, dos compromissos e até mesmo do sofrimento que o mundo nos impõe, pois, a figura deste mundo passa. Deus proverá para nós tudo de quanto precisarmos para cumprir com os nossos compromissos sociais. O seguimento a Jesus não nos isenta de também participarmos do crescimento e conservação da obra criada por Deus. – Você tem consciência de que mesmo sendo livre,  filho de  Deus, você tem obrigações para com os homens? -  Você costuma pagar os seus compromissos sociais sem murmurar? -  O que Jesus o (a) ensinou neste Evangelho?






Helena Serpa 

DECÁLOGO PARA LER A BÍBLIA

10 dicas infalíveis para ler a Sagrada Escritura de maneira eficaz.

1. Nunca ache que você é a primeira pessoa a ler a Bíblia. Muitas, muitíssimas pessoas, ao longo dos séculos, leram, meditaram, viveram e transmitiram a Sagrada Escritura. Os melhores intérpretes da Bíblia são a Igreja e os santos. Deixe-se guiar por eles também.
2. A Bíblia é o livro da comunidade eclesial. Nossa leitura, ainda que seja a sós, jamais poderá ser solitária. Para ler com proveito, é preciso inserir-se na grande corrente eclesial, conduzida e guiada pelo Espírito Santo.
3. A Bíblia é “Alguém”. Por isso, lemos e celebramos ao mesmo tempo. A melhor leitura da Bíblia é aquela feita na liturgia, especialmente na missa.
4. No centro da Bíblia está Cristo; por isso, tudo precisa ser lido sob o olhar de Jesus e cumprido em Jesus. Ele é a chave interpretativa da Santa Escritura.
5. Nunca se esqueça de que na Bíblia encontramos fatos e ditados, obras e palavras intimamente unidos; as palavras anunciam e iluminam os fatos, e os fatos realizam e confirmam as palavras.
6. Uma maneira prática e proveitosa de ler a Bíblia é começar com os Evangelhos, continuar com os Atos dos Apóstolos, as cartas do Novo Testamento, e ir alternando isso com algum livro do Antigo Testamento. Não tente ler o livro do Levítico de uma vez, por exemplo, será mais difícil. Os Salmos podem ser seu livro de oração. Os profetas são a alma do Antigo Testamento e também merecem um estudo especial.
7. A Bíblia é conquistada como a cidade de Jericó: dando voltas. Por isso, é bom ler os lugares paralelos – um texto esclarece o outro, como o que ensina Santo Agostinho: “O Antigo Testamento fica patente no Novo, e o Novo está latente no Antigo”.
8. A Bíblia precisa ser lida e meditada com o mesmo espírito com que foi escrita, ou seja, o Espírito Santo é seu principal autor e intérprete. É preciso invoca-lo sempre antes de começar a lê-la e, no final, agradecer.
9. Nunca utilize frases da Santa Bíblia para criticar ou condenar as pessoas.
10. Todo texto bíblico tem um contexto histórico no qual se originou e um contexto literário no qual foi escrito. Um texto bíblico, fora do seu contexto histórico e literário, é um pretexto para manipular a Palavra de Deus. Isso é usar o nome de Deus em vão.






Por Mario De Gasperín Gasperín (bispo de Querétaro)

domingo, 13 de agosto de 2017

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM - SENHOR, SALVA-ME

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A liturgia do 19º domingo do tempo comum tem como tema fundamental a revelação de Deus. Fala-nos de um Deus apostado em percorrer, de braço dado com os homens, os caminhos da história.
A primeira leitura convida os crentes a regressarem às origens da sua fé e do seu compromisso, a fazerem uma peregrinação ao encontro do Deus da comunhão e da Aliança; e garante que o crente não encontra esse Deus nas manifestações espetaculares, mas na humildade, na simplicidade, na interioridade.
O Evangelho apresenta-nos uma reflexão sobre a caminhada histórica dos discípulos, enviados à “outra margem” a propor aos homens o banquete do Reino. Nessa “viagem”, a comunidade do Reino não está sozinha, à mercê das forças da morte: em Jesus, o Deus do amor e da comunhão vem ao encontro dos discípulos, estende-lhes a mão, dá-lhes a força para vencer a adversidade, a desilusão, a hostilidade do mundo. Os discípulos são convidados a reconhecê-l’O, a acolhê-l’O e a aceitá-l’O como “o Senhor”.
A segunda leitura sugere que esse Deus, apostado em vir ao encontro dos homens e em revelar-lhes o seu rosto de amor e de bondade, tem uma proposta de salvação que oferece a todos. Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece.
1ª Leitura – 1 Reis 19,9a.11-13ª - AMBIENTE
A nossa leitura situa-nos no Reino do Norte (Israel), durante o reinado de Acab (873-853 a.C.). No país multiplicam-se os lugares sagrados onde se adoram deuses estrangeiros. De acordo com 1Re. 16,31-33, o próprio rei – influenciado por Jezabel, a sua esposa fenícia – erige altares a Baal e Asserá e presta culto a esses deuses. Por detrás deste quadro está, provavelmente, a tentativa de Acab em abrir Israel a outras nações, a fim de facilitar o intercâmbio cultural e comercial. Mas essas razões políticas não são entendidas nem aceites pelos círculos religiosos de Israel.
Contra estes desvios à fé tradicional, levanta-se o profeta Elias. Ele aparece como o representante desses israelitas fiéis, que recusam a substituição de Jahwéh por deuses estranhos ao universo religioso de Israel. Num episódio dramático cuja memória é conservada no primeiro livro dos Reis, o próprio Elias desafia os profetas de Baal para um duelo religioso, que termina com o massacre de quatrocentos profetas de Baal, no monte Carmelo (cf. 1Re. 18). Esse episódio é, certamente, uma representação teológica dessa luta sem tréguas que se trava entre os fiéis a Jahwéh e os que abrem o coração às influências culturais e religiosas de outros povos.
O texto que nos é proposto como primeira leitura aparece, precisamente, na seqüência do massacre do Carmelo. Jezabel, informada da morte dos profetas de Baal, promete matar Elias; e o profeta foge para o sul, a fim de salvar a vida. Atravessa o Reino do Sul (Judá), passa por Beer-Sheva e dirige-se para o deserto, em direção ao monte Horeb/Sinai (cf. 1Re 19,1-8). É aí que o nosso texto nos situa.
MENSAGEM
A peregrinação de Elias ao Sinai/Horeb é uma espécie de regresso aos inícios. Com Elias, é todo o Israel – esse Israel infiel à aliança, que se deixou seduzir pelos cultos cananeus – que regressa às suas origens, ao lugar do seu compromisso inicial com Deus. Israel precisa de se encontrar de novo com Jahwéh e redescobrir a sua vocação de Povo da Aliança.
A cena descrita pelo texto que nos é proposto contém uma clara alusão à revelação de Deus a Moisés (cf. Ex. 19,16-17; 33,18-23; 34,5-8): assim como Deus Se revelou a Moisés no Sinai/Horeb, assim também Se revela a Elias no mesmo lugar. Dessas revelações resulta, para um e para outro, um compromisso com a Aliança… Depois de receber a revelação de Jahwéh, Moisés torna-se o instrumento através do qual Deus propõe ao Povo uma Aliança; e Elias, depois de receber a revelação de Jahwéh, torna-se o instrumento através do qual Deus relança uma Aliança ameaçada de ruptura, devido à infidelidade do Povo.
Há, no entanto, uma diferença significativa… A Moisés, Deus revelou-Se no meio de fenômenos naturais aterrorizadores (“trovões e relâmpagos”, uma “pesada nuvem”, o “fumo” que envolvia toda a montanha, o “fogo”, o terremoto que fazia a montanha tremer – Ex. 19,16-17). A Elias, Deus não Se revelou nos elementos típicos das manifestações teofânicas (o vento forte que “fendia as montanhas e quebrava os rochedos”, o terremoto, o fogo); mas revelou-Se na “brisa ligeira”. Diante da manifestação de Deus, Elias cumpriu o ritual adequado: “cobriu o rosto com o manto”, já que o homem não pode contemplar face a face o mistério de Deus.
A intenção dos autores deuteronomistas não parece ser polemizar contra a catequese tradicional das manifestações de Deus… Parece ser, antes, distanciar Jahwéh de Baal, considerado na mitologia cananéia o deus do trovão e da tempestade, que fazia a terra tremer com a sua voz poderosa. A intenção fundamental do autor seria mostrar que Jahwéh não Se manifesta em fenômenos assombrosos e espetaculares, mas sim na intimidade, na tranqüilidade, no silêncio que ecoa no coração de quem procura a comunhão com Deus.
O encontro com esse Deus que Se manifesta no silêncio, na intimidade, na simplicidade, na humildade, na interioridade do coração do homem leva à ação (num desenvolvimento que o texto que nos é hoje proposto pela liturgia não apresenta, Jahwéh confia a Elias uma missão profética – cf. 1Re. 19,15-18): o encontro com Deus conduz sempre o homem a um empenho concreto e a um compromisso com o mundo.
Com Elias, Israel é convidado a voltar aos inícios, a redescobrir as suas raízes de Povo de Deus, a reencontrar o rosto de Jahwéh (que é muito diferente dos rostos desses deuses que, todos os dias, seduzem o Povo e o afastam dos seus compromissos), a renovar a sua Aliança com Ele, a escutar a voz de Deus que ecoa no coração de cada membro da comunidade, a aceitar dar testemunho de Deus e dos seus projetos no meio do mundo.
ATUALIZAÇÃO
• Quem é Deus? Como é Deus? É possível provar, sem margem para dúvidas, a existência de Deus? Estas e outras perguntas já as fizemos, certamente, a nós próprios ou a alguém. Todos nós somos pessoas a quem Deus inquieta: há um “qualquer coisa” no coração do homem que o projeta para o transcendente, que o leva a interrogar-se sobre Deus e a tentar descobrir o seu rosto… No entanto, Deus não é evidente. Se confiarmos apenas nos nossos sentidos, Deus não existe: não conseguimos vê-l’O com os nossos olhos, sentir o seu cheiro ou tocá-l’O com as nossas mãos. Mais ainda: nenhum instrumento científico, nenhum microscópio eletrônico, nenhum radar espacial detectou jamais qualquer sinal sensível de Deus. Talvez por isso o soviético Yuri Gagarin, o primeiro homem do espaço, mal pôs os pés na terra apressou-se a afirmar que não tinha encontrado na estratosfera qualquer marca de Deus… O texto que nos é proposto convida todos aqueles que estão interessados em Deus, a descobri-l’O no silêncio, na simplicidade, na intimidade… É preciso calar o ruído excessivo, moderar a atividade desenfreada, encontrar tempo e disponibilidade para consultar o coração, para interrogar a Palavra de Deus, para perceber a sua presença e as suas indicações nos sinais (quase sempre discretos) que Ele deixa na nossa história e na vida do mundo… Tenho consciência de que preciso encontrar tempo para “buscar Deus”? De acordo com a minha experiência de procura, onde é que eu O encontro mais facilmente: na agitação e nos gestos espetaculares, ou no silêncio, na humildade e na simplicidade?
• Hoje como ontem, há outros deuses, outras propostas de felicidade, que nos procuram seduzir e atrair… Há deuses que gritam alto (em todos os canais de televisão?) a sua capacidade de nos oferecer uma felicidade imediata; há deuses que, como um terremoto, fazem tremer as nossas convicções e lançam por terra os valores que consideramos mais sagrados; há deuses que, com a força da tempestade, nos arrastam para atitudes de egoísmo, de prepotência, de injustiça, de comodismo, de ódio… O nosso texto convida-nos a uma peregrinação ao encontro das nossas raízes, dos nossos compromissos batismais… Temos, permanentemente, de partir ao encontro do Deus que fez conosco uma Aliança e que nos chama todos os dias à comunhão com Ele… Aceito percorrer este caminho de conversão? Encontro tempo para redescobrir o Deus da Aliança com quem me comprometi no dia do meu batismo? Quais são os falsos deuses que, às vezes, me afastam da comunhão com o verdadeiro Deus?
• Na história de Elias (e na história de qualquer profeta), a descoberta de Deus leva ao compromisso, à ação, ao testemunho… Depois de encontrar o Deus da Aliança, aceito comprometer-me com Ele? Estou disposto a cumprir a missão que Ele me confia no mundo? Estou disponível para O testemunhar no meio dos meus irmãos?
2ª Leitura – Rm. 9,1-5 - AMBIENTE
Depois de apresentar, nos primeiros oito capítulos da carta aos Romanos, uma catequese sobre a salvação (apesar do pecado que submerge todos os homens e desfia o mundo Deus, na sua bondade, oferece gratuitamente a todos os homens, através de Jesus Cristo, a salvação), Paulo vai referir-se, agora, a um problema particular, mas que o preocupa a ele e a todos os cristãos: que acontecerá a Israel que, apesar de ser o Povo eleito de Deus e o Povo da Promessa, recusou essa salvação que Cristo veio oferecer? Israel ficará, devido a essa recusa, definitivamente à margem da salvação? Na verdade, Deus jurou ao seu Povo, em vários momentos da história, libertá-lo e salvá-lo; ora, se Israel ficar excluído da salvação, podemos dizer que Deus falhou? Podemos continuar a confiar na sua Palavra? É a estas questões que, genericamente, Paulo procura responder nos capítulos 9-11 da carta aos Romanos.
O texto que nos é proposto como segunda leitura deste domingo é a introdução a esta questão.
MENSAGEM
Pelo texto perpassa a grande tristeza e dor que a questão levanta no coração de Paulo. O problema da salvação de Israel incomoda-o tanto que ele até aceitaria tornar-se “anátema” (no Antigo Testamento, o que era “anátema” devia ser totalmente destruído; no Novo Testamento, “anátema” equivale a “maldito” e implicava, quer a exclusão da comunidade do Povo de Deus, quer a maldição divina) e ser separado de Cristo, se isso servisse para que o Povo judeu aceitasse a salvação que Deus lhe oferece. Trata-se de expressões que são para levar a sério? Digamos, apenas, que são afirmações excessivas, mas que dão bem a idéia do sofrimento de Paulo e da sua preocupação com a sorte do seu Povo.
Na verdade, Israel foi adotado por Deus, é o Povo da Aliança, da Lei, do culto, das Promessas, dos antepassados que escutaram Deus e viveram em comunhão com Ele… Israel é, até, o Povo do qual nasceu Cristo; ora, esse Cristo que “está acima de todas as coisas” deixará o seu Povo “segundo a carne” entregue à morte?
A leitura que nos é hoje proposta não vai mais além; mas, no conjunto da sua reflexão sobre esta questão (cf. Rm. 9,1-11,36), Paulo mostrará que Deus é eternamente fiel às suas promessas e que nunca falha… Ele tem os seus planos; e a desobediência atual de Israel deverá fazer parte dos planos de Deus. Paulo acabará, no final da secção, por manifestar a sua convicção de que a misericórdia de Deus se derramará também sobre Israel.
ATUALIZAÇÃO
• Uma das coisas que impressiona, neste texto, é a forma como Paulo sente a infelicidade do seu Povo. A obstinação de Israel em recusar a salvação fá-lo sentir “uma grande tristeza e uma dor contínua” no coração. Todos nós conhecemos irmãos – mesmo batizadas – que recusam a salvação que Deus oferece ou que, pelo menos, vivem numa absoluta indiferença face à vida plena que Deus lhes quer dar. Como nos sentimos diante deles? Ficamos indiferentes e achamos que não é nada conosco? Deixamo-nos contaminar por essa indiferença e escolhemos, como eles, caminhos de egoísmo e de auto-suficiência? Ou sentimos que é nossa responsabilidade continuar a testemunhar diante deles os valores em que acreditamos e que conduzem à vida plena e verdadeira?
• Este texto propõe-nos também uma reflexão sobre as oportunidades perdidas… Israel, apesar de todas as manifestações da bondade e do amor de Deus que conheceu ao longo da sua caminhada pela história, acabou por se instalar numa auto-suficiência que não lhe permitiu acompanhar o ritmo de Deus, nem descobrir os novos desafios que o projeto da salvação de Deus faz, em cada fase, aos homens. O exemplo de Israel faz-nos pensar no nosso compromisso com Deus… Em primeiro lugar, mostra-nos a importância de não nos instalarmos num esquema de vivência medíocre da fé e sugere que o “sim” a Deus do dia do nosso batismo precisa de ser renovado em cada dia da nossa vida… Em segundo lugar, sugere que o cristão não pode instalar-se nas suas certezas e auto-suficiências, mas tem de estar atento aos desafios, sempre renovados, de Deus… Em terceiro lugar, sugere que o ter o nome inscrito no livro de registros da nossa paróquia não é um certificado de garantia de salvação (a salvação passa sempre pela adesão sempre renovada aos dons de Deus).
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Evangelho – Mt. 14,22-33 - AMBIENTE

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
Glória a vós, Senhor.
Depois da multiplicação dos pães, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho.
24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.
25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar.
26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo.
27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”.
29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus.
30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!”
31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”
32Assim que subiram no barco, o vento se acalmou.
33Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

 
No passado domingo, Jesus foi-nos apresentado como o novo Moisés, que conduz “ao deserto” um povo de coração escravo. Aí, liberta-o da opressão do egoísmo, ao mostrar-lhe que os bens são um dom de Deus, destinados a ser partilhados com todos os homens. Nasce, assim, a comunidade do Reino – isto é, essa comunidade fraterna de amor e de partilha, que se senta à mesa de Deus e que d’Ele recebe vida em abundância (cf. Mt 14,13-21).
O texto do Evangelho que hoje nos é proposto vem na seqüência desse episódio. Mateus começa por observar que, depois desses sucessos, Jesus “obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão” (Mt. 14,22). Esta nota pode indicar que Jesus quis arrefecer o entusiasmo excessivo dos discípulos (o autor do quarto Evangelho, a propósito do mesmo episódio, refere que Jesus Se retirou sozinho para o monte, pois sabia que “viriam arrebatá-l’O para O fazerem rei” – Jo 6,15).
O episódio situa-nos na área do lago de Tiberíades ou da Genesaré, esse lago de água doce com 21 quilômetros de comprimento e 12 de largura situado na Galileia e que é o grande reservatório de água doce da Palestina.
Para os judeus, o mar – e o lago de Tiberíades ou de Genesaré é considerado, para todos os efeitos, um “mar” – era o lugar onde habitavam os monstros, os demônios e todas as forças que se opunham à vida e à felicidade do homem. Na perspectiva da teologia judaica, no mar o homem estava à mercê das forças demoníacas; e só o poder de Deus podia salvá-lo…
Recordemos, ainda, que o nosso texto está incluído numa secção (cf. Mt. 13,1-17,27) do Evangelho segundo Mateus, a que poderíamos chamar “instrução sobre o Reino”. Aí, Mateus põe Jesus a dirigir-Se sobretudo aos discípulos e a instruí-los sobre os valores e os mistérios do Reino. É neste contexto de catequese sobre o Reino que devemos situar o episódio que hoje nos é proposto.
Lembremos, finalmente, que o Evangelho segundo Mateus – escrito durante a década de 80 – se destina a uma comunidade cristã que já esqueceu o seu entusiasmo inicial por Jesus e pelo seu Evangelho e que vive uma fé cômoda, instalada, pouco exigente. Para os crentes, avizinham-se grandes contrariedades e perseguições… A comunidade só poderá subsistir se confiar em Jesus, na sua presença, na sua proteção.
MENSAGEM
Depois de despedir a multidão e de obrigar os discípulos a embarcar para a outra margem, Jesus “subiu a um monte para orar, a sós”. Mateus só se refere à oração de Jesus por duas vezes: aqui e no episódio do Getsêmani (cf. Mt. 26,36): em ambos os casos, a oração precede um momento de prova para os discípulos.
Enquanto Jesus está em diálogo com o Pai, os discípulos estão sozinhos, em viagem pelo lago. Essa viagem, no entanto, não é fácil nem serena… É de noite; o barco é açoitado pelas ondas e navega dificilmente, com vento contrário. Os discípulos estão inquietos e preocupados, pois Jesus não está com eles…
O quadro refere-se, certamente, à situação da comunidade a que Mateus destina o seu Evangelho (e que não será muito diferente da situação de qualquer comunidade cristã, em qualquer tempo e lugar). A “noite” representa as trevas, a escuridão, a confusão, a insegurança em que tantas vezes “navegam” através da história os discípulos de Jesus, sem saberem exatamente que caminhos percorrer nem para onde ir… As “ondas” que açoitam o barco representam a hostilidade do mundo, que bate continuamente contra o barco em que viajam os discípulos… Os “ventos contrários” representam a oposição, a resistência do mundo ao projeto de Jesus – esse projeto que os discípulos testemunham… Quantas vezes, na sua viagem pela história, os discípulos de Jesus se sentem perdidos, sozinhos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as tempestades que as forças da morte e da opressão (o “mar”) lançam contra eles…
É aí, precisamente, que Jesus manifesta a sua presença. Ele vai ao encontro dos discípulos “caminhando sobre o mar” (v. 26). No contexto da catequese judaica, só Deus “caminha sobre o mar” (Job. 9,8b; 38,16; Sl. 77,20); só Ele faz “tremer as águas e agitarem-se os abismos” (Sl. 77,17); só Ele acalma as ondas e as tempestades (cf. Sl. 107,25-30). Jesus é, portanto, o Deus que vela pelo seu Povo e que não deixa que as forças da morte (o “mar”) o destruam. A expressão “sou Eu” reproduz a fórmula de identificação com que Deus se apresenta aos homens no Antigo Testamento (cf. Ex. 3,14; Is. 43,3.10-11); e a exortação “tende confiança, não temais” transmite aos discípulos a certeza de que nada têm a temer porque Jesus, o Deus que vence as forças da morte e da opressão acompanha a par e passo a sua caminhada histórica e dá-lhes a força para vencer a adversidade, a solidão e a hostilidade do mundo.
Depois, Mateus narra uma cena exclusiva, que não é apresentada por nenhum outro evangelista: a do diálogo entre Pedro e Jesus (vs. 28-33). Tudo começa com o pedido de Pedro: “se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas”. Pedro sai do barco e vai, de fato, ao encontro de Jesus; mas, assustando-se com a violência do vento, começa a afundar-se e pede a Jesus que o salve. Assim acontece, embora Jesus censure a sua pouca fé e as suas dúvidas.
Pedro é, aqui, o porta-voz e o representante dessa comunidade dos discípulos que vai no barco (a Igreja). O episódio reflete a fragilidade da fé dos discípulos, sempre que têm de enfrentar as forças da opressão, do egoísmo, da injustiça. Jesus comunicou aos seus o poder de vencerem todos os poderes deste mundo que se opõem à vida, à libertação, à realização, à felicidade dos homens. No entanto, enquanto enfrentam as ondas do mundo hostil e os ventos soprados pelas forças da morte, os discípulos debatem-se entre a confiança em Jesus e o medo. Mateus refere-se, desta forma, à experiência de muitos discípulos (da sua comunidade e das comunidades cristãs de todos os tempos e lugares) que seguem a Jesus de forma decidida, mas que se deixam abalar quando chegam as perseguições, os sofrimentos, as dificuldades… Então, começam a afundar-se e a ser submergidos pelo “mar” da morte, da frustração, do desânimo, da desilusão… No entanto, Jesus lá está para lhes estender a mão e para os sustentar.
Finalmente, a desconfiança dos discípulos transforma-se em fé firme: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus” (v. 33). É para aqui que converge todo o relato. Esta confissão reflete a fé dos verdadeiros discípulos, que vêem em Jesus o Deus que vence o “mar”, o Senhor da vida e da história que acompanha a caminhada dos seus, que lhes dá a força para vencer as forças da opressão e da morte, que lhes estende a mão quando eles estão desanimados e com medo e que não os deixa afundar.
Quando é que os discípulos fizeram a descoberta de que Jesus era o Deus vencedor do pecado e da morte? Naturalmente, após a Páscoa, quando perceberam plenamente o mistério de Jesus (perceberam que Ele não era “um fantasma”), sentiram a sua presença no meio da comunidade reunida, experimentaram a sua ajuda nos momentos difíceis da caminhada, sentiram que Ele lhes transmitia a força de enfrentar as adversidades e a hostilidade do mundo, sentiram que Ele estava lá, estendendo-lhes a mão, nos momentos de fraqueza, de dificuldade, de falta de fé. É esta mesma experiência que Mateus nos convida também a fazer.
ATUALIZAÇÃO
• O Evangelho deste domingo é, antes de mais, uma catequese sobre a caminhada histórica da comunidade de Jesus, enviada à “outra margem”, a convidar todos os homens para o banquete do Reino e a oferecer-lhes o alimento com que Deus mata a fome de vida e de felicidade dos seus filhos. Estamos dispostos a embarcar na aventura de propor a todos os homens o banquete do Reino? Temos consciência de que nos foi confiada a missão de saciar a fome do mundo? Aqueles que são deixados à margem dessa mesa onde se jogam os interesses e os destinos do mundo, que têm fome e sede de vida, de amor, de esperança, encontram em nós uma proposta credível e coerente que aponta no sentido de uma realidade de plenitude, de realização, de vida plena?
• A caminhada histórica dos discípulos e o seu testemunho do banquete do Reino não é um caminho fácil, feito no meio de aclamações das multidões e dos aplausos unânimes dos homens. A comunidade (o “barco”) dos discípulos tem de abrir caminho através de um mar de dificuldades, continuamente batido pela hostilidade dos adversários do Reino e pela recusa do mundo em acolher os projetos de Jesus. Todos os dias o mundo nos mostra – com um sorriso irônico – que os valores em que acreditamos e que procuramos testemunhar estão ultrapassados. Todos os dias o mundo insiste em provar-nos – às vezes com agressividade, outras vezes com comiseração – que só seremos competitivos e vencedores quando usarmos as armas da arrogância, do poder, do orgulho, da prepotência, da ganância… Como nos colocamos face a isto? É possível desempenharmos o nosso papel no mundo, com rigor e competência, sem perdermos as nossas referências cristãs e sem trairmos o Reino?
• Para que seja possível viver de forma coerente e corajosa na dinâmica do Reino, os discípulos têm de estar conscientes da presença de Jesus, o Senhor da vida e da história, que as forças do mal nunca conseguirão vencer nem domesticar. Ele diz aos discípulos, tantas vezes desanimados e assustados face às dificuldades e às perseguições: “tende confiança. Sou Eu. Não temais”. Os discípulos sabem, assim, que não há qualquer razão para se deixarem afundar no desespero e na desilusão. Mesmo quando a sua fé vacila, eles sabem que a mão de Jesus está lá, estendida, para que eles não sejam submergidos pelas forças do egoísmo, da injustiça, da morte. Nada nem ninguém poderá roubar a vida àqueles que lutam para instaurar o Reino. Jesus, vivo e ressuscitado, não deixa nunca que sejamos vencidos.
• A oração de Jesus (que em Mateus antecede os momentos de prova) convida-nos a manter um diálogo íntimo com o Pai. É nesse diálogo que os discípulos colherão o discernimento para perceberem os caminhos de Deus, a força para seguir Jesus, a coragem para enfrentar a hostilidade do mundo.
 
 
 
 
 
 
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho