domingo, 23 de julho de 2017

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM - CUIDADO COM O JOIO

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A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir o Deus paciente e cheio de misericórdia, a quem não interessa a marginalização do pecador, mas a sua integração na comunidade do “Reino”; e convida-nos, sobretudo, a interiorizar essa “lógica” de Deus, deixando que ela marque o olhar que lançamos sobre o mundo e sobre os homens.
A primeira leitura fala-nos de um Deus que, apesar da sua força e onipotência, é indulgente e misericordioso para com os homens – mesmo quando eles praticam o mal. Agindo dessa forma, Deus convida os seus filhos a serem “humanos”, isto é, a terem um coração tão misericordioso e tão indulgente como o coração de Deus.
O Evangelho garante a presença irreversível no mundo do “Reino de Deus”. Esse “Reino” não é um clube exclusivo de “bons” e de “santos”: nele todos os homens – bons e maus – encontram a possibilidade de crescer, de amadurecer as suas escolhas, de serem tocados pela graça, até ao momento final da opção definitiva.
A segunda leitura sublinha, doutra forma, a bondade e a misericórdia de Deus. Afirma que o Espírito Santo – dom de Deus – vem em auxílio da nossa fragilidade, guiando-nos no caminho para a vida plena.

LEITURA I – Sab 12,13.16-19
Leitura do Livro da Sabedoria
Não há Deus, além de Vós, que tenha cuidado de todas as coisas; a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente.
O vosso poder é o princípio da justiça e o vosso domínio soberano torna-Vos indulgente para com todos.
Mostrais a vossa força aos que não acreditam na vossa onipotência e confundis a audácia daqueles que a conhecem.
Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade e governais-nos com muita indulgência, porque sempre podeis usar da força quando quiserdes.
Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo que o justo deve ser humano e aos vossos filhos destes a esperança feliz de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento.

AMBIENTE
O “Livro da Sabedoria” é o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento (aparece durante a primeira metade do séc. I a.C.). O seu autor – um judeu de língua grega, provavelmente nascido e educado na Diáspora (Alexandria?) – exprimindo-se em termos e concepções do mundo helênico, faz o elogio da “sabedoria” israelita, traça o quadro da sorte que espera o justo e o ímpio no mais-além e descreve (com exemplos tirados da história do Êxodo) as sortes diversas que tiveram os pagãos (idólatras) e os hebreus (fiéis a Jahwéh). O seu objetivo é duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), convida-os a redescobrirem a fé dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pagãos, convida-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jahwéh, o verdadeiro e único Deus… Para uns e para outros, só Jahwéh garante a verdadeira “sabedoria” e a verdadeira felicidade.
O texto que nos é proposto pertence à terceira parte do livro (cf. Sab 10,1-19,22). Nessa parte, recorrendo, sobretudo, à técnica do midrash, o autor faz a comparação entre os castigos que Deus lançou contra os “ímpios” (os pagãos) e a salvação reservada aos “justos” (o Povo de Deus).
O autor começa por mostrar como a “sabedoria” de Deus se manifestou na história de Israel (cf. Sab 10,1-11,14). Em contraste, vai descrever como é que Deus tratou os egípcios (cf. Sab 11,15-20) e os idólatras cananeus (cf. Sab 12,3-19). O texto que nos é proposto faz parte desta última perícopa.
Os cananeus eram, na perspectiva dos israelitas, uma raça maldita e perversa, que cometiam crimes especialmente hediondos: “praticavam obras detestáveis, ritos ímpios, e eram cruéis assassinos dos seus filhos” (Sab 12,4-5). Deus podia tê-los eliminado rapidamente (cf. Sab 12,9); no entanto, retardou o mais possível o castigo (cf. Sab 12,8), dando-lhes várias oportunidades de se arrependerem e de mudarem de vida (cf. Sab 12,10).

MENSAGEM
Nessas circunstâncias, Jahwéh deu provas de extrema moderação e manifestou a sua bondade, a sua misericórdia, a sua justiça. Deus não tinha que provar nada a ninguém, pois ninguém lhe podia pedir contas; se agiu dessa forma equilibrada e moderada, é porque é um Deus justo. A “justiça” não é, no Antigo Testamento, a estrita aplicação da lei; mas é, sobretudo, a fidelidade à própria essência. Ora, a essência de Deus é amor, bondade e misericórdia; por isso, ser justo equivale, para Deus, a revelar amor, benevolência e bondade na sua atitude para com os homens.
O que é mais significativo aqui é que a “justiça de Deus” não se exerce sobre o Povo de Deus, mas sobre um povo “de má estirpe” e de “maldade congênita” (Sab 12,10): é a universalidade da salvação que assim é sugerida.
Por outro lado, o autor vê neste comportamento “justo” de Deus uma lição para Israel. Que é que, desta forma, Deus ensina ao seu Povo?
Ensina, em primeiro lugar, que Deus não quer a morte do pecador, mas sim que ele se converta e viva; por isso, “fecha os olhos” diante do pecado do homem, a fim de o convidar ao arrependimento.
Ensina, em segundo lugar, que “o justo deve ser amigo dos homens” (Sab 12,19): se a lógica de Deus é uma lógica de perdão e de misericórdia, o Povo de Deus deve adoptar a mesma lógica e assumir atitudes de bondade, de amor, de misericórdia, de tolerância, nas suas relações comunitárias. Mais: a bondade e a compreensão não devem ser reservadas para aqueles que são bons, mas também para aqueles que fazem insistentemente o mal.

ATUALIZAÇÃO
Para a reflexão e atualização da Palavra, podem tomar-se as seguintes indicações:
• O nosso texto apresenta-nos um Deus tolerante e justo, em quem a bondade e a misericórdia se sobrepõem à vontade de castigar. Ele não quer a destruição do pecador, mas a sua conversão; Ele ama todos os homens que criou, mesmo aqueles que praticam acções erradas. Ora, todos nós conhecemos bem este quadro de Deus, pois ele aparece-nos a par e passo na Palavra revelada… Mas já o interiorizámos suficientemente?
• Interiorizar esta “fotografia” de Deus significa “empapar-nos” da lógica do amor e da misericórdia e deixar que ela transpareça em gestos para com os nossos irmãos. Isso acontece realmente? Qual a nossa atitude para com aqueles que nos fizeram mal, ou cujos comportamento
os nos desafiam e incomodam? Faz sentido catalogar os homens em bons e maus e defendermos uma justiça implacável para com aqueles que praticam ações erradas?
• Muitas vezes, percebemos certos males que nos incomodam como “castigos” de Deus pelo nosso mau proceder. No entanto, este texto deixa claro que Deus não está interessado em castigar os pecadores… Quando muito, procura fazer-nos perceber, com a pedagogia de um pai cheio de amor, o sem sentido de certas opções e o mal que nos fazem certos caminhos que escolhemos.

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 85 (86)
Refrão: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.
Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para com todos os que Vos invocam.
Ouvi, Senhor, a minha oração, atendei a voz da minha súplica. Todos os povos que criastes virão adorar-vos, Senhor, e glorificar o vosso nome, porque Vós sois grande e operais maravilhas, Vós sois o único Deus.
Senhor, sois um Deus bondoso e compassivo, paciente e cheio de misericórdia e fidelidade.
Voltai para mim os vossos olhos e tende piedade de mim.

LEITURA II – Rom 8,26-27
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos Irmãos:O Espírito Santo vem em auxilio da nossa fraqueza,porque não sabemos que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos em conformidade com Deus.

AMBIENTE
Há já alguns domingos que Paulo nos vem propondo uma catequese sobre o caminho a seguir para poder acolher a salvação que Deus oferece. A salvação é um dom de Deus, dom gratuito que é fruto da bondade e do amor de Deus (cf. Rom 3,21-5,11). Essa salvação chega-nos através de Jesus Cristo (cf. Rom 5,12-8,39); e atua em nós pelo Espírito que Jesus derrama sobre aqueles que aderem ao seu projeto e entram na sua comunidade (cf. Rom 8,1-39) – a comunidade do Reino.
No passado domingo, Paulo convidava os crentes a decidirem-se pela vida “segundo o Espírito”. Dizia-nos que essa opção terá uma dimensão cósmica e que ajudará a vencer os desequilíbrios e desarmonias que destroem a criação de Deus. Trata-se, no entanto, segundo Paulo, de um caminho difícil, que exige padecimentos, renúncias, purificações, renovação da vida.
Como é que o cristão pode fazer essa opção? Como é que ele percebe, claramente, qual é o caminho? Donde recebe ele a força para viver “segundo o Espírito”?

MENSAGEM
É Deus que nos dá a força de viver “segundo o Espírito”. No entanto, devemos continuamente pedir a Deus, nosso Pai, essa graça.
Na verdade, nem sempre sabemos o que devemos pedir, pois nem sempre conseguimos discernir entre a vida “segundo a carne” e a vida “segundo o Espírito”. No entanto, o próprio Espírito Santo “vem em auxílio da nossa fraqueza” (vers. 26a). O que é que Ele faz? Como é que Paulo entende a intervenção do Espírito a este propósito?
O texto não é explícito. Segundo uma interpretação, nós temos dificuldade em articular devidamente os nossos desejos e necessidades e é o Espírito que se encarrega de formulá-los em nosso lugar. Segundo outra interpretação, o Espírito junta a sua intercessão “inefável” aos nossos gemidos, fazendo com que a nossa oração chegue até Deus.
Num e noutro caso, o Espírito faz de mediador eficaz no nosso diálogo com Deus. Ele é nosso “intérprete” e intercessor, elevando-nos ao Deus que conhece o coração. E esta oração (que o Espírito dirige em nosso lugar, ou que o Espírito “apoia”) é sempre acolhida por Deus, pois está em conformidade com os planos e os projetos de Deus (vers. 27).

ATUALIZAÇÃO
Na reflexão, considerar as seguintes linhas:
• Antes de mais, há neste texto um convite implícito a tomarmos consciência do amor que Deus nos dedica e da sua preocupação com a nossa salvação, com a nossa realização plena. Não somos minúsculos grãos de areia abandonados ao sabor das tempestades cósmicas num universo sem fim; somos filhos amados de Deus, a quem Ele não desiste de indicar, todos os dias, os caminhos da felicidade e da vida definitiva. Nos momentos de crise, de derrota, de falência, é preciso conservar os olhos postos nesta certeza: Deus ama-nos; por isso, oferece-nos, de forma gratuita e incondicional, a salvação.
• O Espírito de Deus, vivo e atuante na história do mundo e na vida de cada homem ou mulher é a “prova provada” do amor de Deus por nós. O Espírito oferece-nos cada dia a vida de Deus, leva-nos ao encontro de Deus, faz com que a nossa voz chegue ao coração de Deus. É preciso, no entanto, disponibilidade para o acolher e atenção aos sinais através dos quais Ele nos conduz ao encontro de Deus. Acolher o Espírito é sair do egoísmo, do orgulho, da suficiência e procurar descobrir, com humildade e simplicidade, os caminhos de Deus, os desafios de Deus.
• O ritmo da vida moderna é estonteante… As exigências profissionais, os problemas familiares, o inferno do trânsito, a necessidade de ganhar a vida atiram-nos de corrida em corrida, sempre ocupados, sempre cansados, sempre carregados de stress, prisioneiros de uma máquina que nos desumaniza e que não nos deixa centrar a nossa atenção no essencial, reequacionar os nossos valores e prioridades. É preciso, no entanto, encontrar tempo e espaço para refletir, para redefinir o sentido da nossa existência, para perceber se estamos a conduzir a nossa vida “segundo a carne” ou “segundo o Espírito”.
• O verdadeiro crente é o que vive em comunhão com Deus. Não prescinde desses momentos de diálogo, de partilha, de escuta, de louvor a que chamamos oração. É nesse diálogo intenso, verdadeiro, diário que o crente, através do Espírito, intui a lógica de Deus, a sua verdade, o projeto que Ele tem para cada homem e para o mundo. Esforço-me por encontrar espaço para o diálogo com Deus e para fortalecer a minha intimidade com Ele?
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ALELUIA – cf. Mt 11,25
Aleluia. Aleluia.
Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.
 
EVANGELHO – Mt 13,24-43

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: “O reino dos Céus pode comparar -se a um homem que semeou boa semente no seu campo.
Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora.
Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio.
Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo?
Donde vem então o joio?
Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’.
Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’
‘Não! – disse ele –
não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo.
Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’“.
Jesus disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo.
Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos”.
Disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado”.
Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: “Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo”.
Jesus deixou então as multidões e foi para casa.
Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe: “Explica-nos a parábola do joio no campo”.
Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo.
A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Demónio.
A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos.
Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes.
Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai.
Quem tem ouvidos, oiça”.

AMBIENTE
Continuamos em contacto com as “parábolas do Reino”. O Evangelho deste domingo apresenta-nos mais um bloco de três imagens ou comparações (“parábolas”) que pretendem revelar aos discípulos e às multidões que rodeiam Jesus, a realidade do “Reino”.
Já vimos, no passado domingo, porque é que Jesus pregava por “parábolas”: porque a linguagem parabólica é uma linguagem rica, expressiva, questionante; porque a “parábola” é uma excelente arma de controvérsia, muito útil em contextos polêmicos; porque a “parábola” faz as pessoas pensar e incita-as à procura da verdade. Por tudo isto, as “parábolas” são uma linguagem privilegiada para apresentar o Reino, para incitar as pessoas a descobrir o Reino e para as levar a aderir ao Reino.
Das três parábolas que nos são hoje propostas, duas (o grão de mostarda e o fermento) procedem da tradição sinótica; a outra (a parábola do trigo e do joio) só aparece em Mateus (além de aparecer também numa antiga coleção de “ditos” de Jesus, conhecida como “Evangelho de Tomé”).
Também desta vez percebe-se – tanto nas parábolas, como nas explicações que as acompanham – a preocupação “pastoral” de Mateus: ele não é um jornalista a transcrever o que Jesus disse; mas é um “pastor” que procura exortar, animar, ensinar e fortalecer a fé dessa comunidade cristã a que o Evangelho se dirige.

MENSAGEM
A primeira parábola que nos é proposta é a parábola do trigo e do joio (vers. 24-30). Trata-se de um quadro da vida quotidiana: há um “senhor” que semeia boa semente no seu campo, um “inimigo” que semeia o joio (nome de uma erva gramínea que nasce entre o trigo e o danifica) e “servos” dedicados, preocupados com o futuro da colheita. Tudo parece normal; o anormal é a reação do “senhor” à “crise”: dá ordens para que deixem crescer trigo e joio lado a lado e que só na altura da ceifa seja feita a selecção do bom e do mal, do que é para queimar e do que é para guardar nos celeiros.
A parábola deve ser entendida no contexto do ministério de Jesus. Ele conviveu com os pecadores, com os marginais, com os que levavam vidas moralmente condenáveis. Sentou-se à mesa com gente desclassificada, deixou-se tocar por pecadoras públicas, convidou um publicano a integrar o seu grupo de discípulos… Com esse comportamento “escandaloso”, Ele quis dizer a todos esses que a religião oficial excluía, que Deus os amava e que os convidava a fazer parte da sua família, a integrar a comunidade da salvação, a serem membros de pleno direito da comunidade do “Reino”.
Os fariseus consideravam inaceitável a atitude de Jesus. Para eles, quem não cumpria a Lei tinha de ser excluído do Povo santo de Deus e não tinha o direito de fazer parte do “campo” de Deus. A “lógica” dos fariseus condiz com a “lógica” de Deus?
Nesta parábola, Jesus pretende dar-nos uma lição sobre a “lógica” de Deus. Sugere que a “lógica” de Deus não é uma “lógica” de destruição, de segregação, de exclusão, mas é uma “lógica” de amor, de misericórdia, de tolerância. O Deus de Jesus Cristo é um Deus paciente e misericordioso, lento para a ira e rico de misericórdia, que dá sempre ao homem todas as oportunidades para refazer a existência e para integrar plenamente a comunidade do “Reino”. Ele tem um plano de salvação e de graça que oferece gratuitamente a todos os homens, bons e maus; depois, no tempo oportuno, ver-se-á quem são os maus e quem são os bons. De resto, não é muito fácil separar o bom e o mau, porque as duas realidades coexistem em todos os “campos”, em todos os corações.
O “senhor” da parábola é esse Deus paciente, que dá ao homem todas as oportunidades, que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
Os “servos” com excesso de zelo são os crentes (que trabalham no campo do “senhor”) rígidos e intolerantes, incapazes de olhar o mundo e o coração dos homens com a bondade, a serenidade e a paciência de Deus.
O “campo” é o mundo e a história, onde coexistem
o trigo (os sinais de esperança, de vida, de amor que tornam este mundo mais belo e mais feliz) e o joio (os sinais de morte, responsáveis pelo sofrimento, pela opressão, pela escravidão). É também o coração de cada homem e de cada mulher, capaz de opções de vida e capazes de opções de morte.
Jesus garante: os métodos de Deus não passam pelo castigo imediato, pela intolerância face às opções dos homens, pela incompreensão dos erros dos seus filhos; os métodos de Deus passam por deixar os homens crescer em liberdade, integrando a comunidade dos filhos de Deus.
Nos vers. 36-43, temos a aplicação que Mateus faz da parábola do trigo e do joio à vida da sua comunidade.
Nesta “explicação”, o eixo central da parábola original passa a ser outro. A problema já não é se na “lógica” de Deus o trigo e o joio podem crescer juntos, mas é a questão do “juízo” que espera bons e maus: Mateus insiste que, no “dia da colheita” (imagem que, nos profetas, se identifica com o dia do “juízo de Deus” sobre os homens e o mundo), os bons receberão a recompensa e os maus receberão o castigo.
Estamos nos finais do séc. I (década de 80). Já passou o entusiasmo dos primeiros anos; a vida das comunidades cristãs é marcada pela monotonia, pela falta de entusiasmo e empenho, pela mediocridade, pelo laxismo. Os cristãos aburguesaram-se e nem sempre vivem de forma empenhada e comprometida a sua fé. Como despertar de novo nos crentes o entusiasmo inicial?
Mateus vai usar os métodos dos pregadores do seu tempo… Recorrendo à linguagem e aos símbolos da apocalíptica, Mateus lembra aos cristãos da sua comunidade o juízo futuro de Deus. Os símbolos utilizados (o joio queimado no fogo, a fornalha ardente, o choro e o ranger de dentes) destinam-se a impressionar os crentes, a obrigá-los a infletir os seus esquemas de vida e a voltar à fidelidade ao Evangelho. Portanto, não temos aqui uma descrição de como será o “fim do mundo”; o que temos aqui é um convite urgente e emocionado à conversão, ao aprofundamento do compromisso com Jesus e com o Evangelho.
O Evangelho deste domingo propõe-nos ainda duas outras parábolas: a parábola do grão de mostarda (vers. 31-32) e a parábola do fermento (vers. 33). São duas parábolas muito semelhantes, quer quanto ao conteúdo, quer quanto à forma.
Numa e noutra, o quadro é o mesmo: sublinha-se a desproporção entre o início e o resultado final. O grão de mostarda é uma semente muito pequena, que no entanto pode dar origem a um arbusto de razoáveis dimensões; o fermento apresenta um aspecto perfeitamente insignificante, mas tem a capacidade de fermentar uma grande quantidade de massa. Estas duas comparações servem para apresentar o dinamismo do “Reino”. O “Reino” anunciado por Jesus compara-se ao grão de mostarda e ao fermento: parece algo insignificante, que tem inícios muito modestos e humildes, mas contém potencialidades para encher o mundo, para o transformar e renovar. Trata-se de um dinamismo de vida nova que começa como uma pequena semente lançada à terra numa província obscura e insignificante do império romano, mas que vai lançar as suas raízes, invadir história dos homens e potenciar o aparecimento de um mundo novo.
Com estas parábolas, Jesus responde às objecções daqueles que não acreditavam que da mensagem de um carpinteiro de Nazaré, pudesse surgir uma proposta de vida, capaz de fermentar o mundo e a história. Ele garante-nos que o “Reino” é uma realidade irreversível, que veio para ficar e para transformar o mundo. Escutar estas parábolas é receber uma injecção de ânimo e de esperança, capaz de levar a um compromisso mais sério e mais exigente com o “Reino”.

ATUALIZAÇÃO
A reflexão pode fazer-se a partir dos seguintes dados:
• O Evangelho deste domingo garante-nos, antes de mais, que o “Reino” é uma realidade irreversível, que está em processo de crescimento no mundo. É verdade que é difícil perceber essa semente a crescer ou esse fermento a levedar a massa, quando vemos multiplicarem-se as violências, as injustiças, as prepotências, as escravidões… É difícil acreditar que o “Reino” está em processo de construção, quando o materialismo, a futilidade, o comodismo, a procura da facilidade, o efêmero sobressaem, de forma tão marcada, na vida de grande parte dos homens e das mulheres do nosso tempo… A Palavra de Deus convida-nos, contudo, a não perder a confiança e a esperança. Apesar das aparências, o dinamismo do “Reino” está presente, minando positivamente a história e a vida dos homens.
• Na verdade, falar do “Reino” não significa falarmos de um “condomínio fechado”, ao qual só tem acesso um grupo privilegiado constituído pelos “bons”, pelos “puros”, pelos perfeitos”, e de onde está ausente o mal, o egoísmo e o pecado… Falar do “Reino” é falar de uma realidade em processo de construção, onde cada homem e cada mulher têm o direito de crescer ao seu ritmo, de fazer as suas escolhas, de acolher ou não o dom de Deus, até à opção final e definitiva. É falarmos de uma realidade onde o amor de Deus, vivo e atuante, vai introduzindo no coração do homem um dinamismo de conversão, de transformação, de renascimento, de vida nova.
• Neste Evangelho temos também uma lição muito sugestiva sobre a atitude de Deus face ao mal e aos que fazem o mal. Na parábola do trigo e do joio, Jesus garante-nos que os esquemas de Deus não prevêem a destruição do pecador, a segregação dos maus, a exclusão dos culpados. O Deus de Jesus Cristo é um Deus de amor e de misericórdia, sem pressa para castigar, que dá ao homem “todo o tempo do mundo” para crescer, para descobrir o dom de Deus e para fazer as suas escolhas. Não percamos nunca de vista a “paciência” de Deus para com os pecadores: talvez evitemos ter de carregar sentimentos de culpa que oprimem e amarguram a nossa breve caminhada nesta terra.
• A “paciência de Deus” com o joio convida-nos também a rejeitarmos as atitudes de rigidez, de intolerância, de incompreensão, de vingança, nas nossas relações com os nossos irmãos. O “senhor” da parábola não aceita a intolerância, a impaciência, o radicalismo dos “servos” que pretendem “cortar o mal pela raiz” e arrancar o mal (correndo o risco de serem injustos, de se enganarem e de meterem mal e bem no mesmo saco). Às vezes, somos demasiados ligeiros em julgar e condenar, como se as coisas fossem claras e tudo fosse, sem discussão, claro ou escuro… A Palavra de Deus convida-nos a moderar a nossa dureza, a nossa intolerância, a nossa intransigência e a contemplar os irmãos (com as suas falhas, defeitos, diferenças, comportamentos religiosa ou socialmente incorretos) com os olhos benevolentes, compreensivos e pacientes de Deus.
• Convém termos sempre presente o seguinte: não há o mal quimicamente puro de um lado e o bem quimicamente puro do outro… Mal e bem misturam-se no mundo, na vida e no coração de cada um de nós. Dividir as nações em boas (as que têm uma política que serve os nossos interesses) e más (as que têm uma política que lesa os nossos interesses), os grupos sociais em bons (os que defendem valores com os quais concordamos) e maus (os que defendem valores que não são os nossos), os indivíduos em bons (os amigos, aqueles que nos apoiam e que estão sempre de acordo conosco) e maus (aqueles que nos fazem frente, que nos dizem verdades que são difíceis de escutar, que não concordam conosco)… é uma atitude simplista, que nos leva frequentemente a assumir atitudes injustas, que geram exclusão, marginalização, sofrimento e morte. Mais uma vez: saibamos olhar para o mundo, para os grupos, para as pessoas sem preconceitos, com a mesma bondade, compreensão e tolerância que Deus manifesta face a cada homem e a cada mulher, independentemente das suas escolhas e do seu ritmo de caminhada.





Dehonianos

sábado, 22 de julho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - QUEM PROCURA, ENCONTRA.

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1a Leitura - Cântico 3,1-4
Leitura do livro do Cântico dos Cânticos.
3 1 "Durante as noites, no meu leito, busquei aquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar.
2 Vou levantar-me e percorrer a cidade, as ruas e as praças, em busca daquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar. 3 Os guardas encontraram-me quando faziam sua ronda na cidade. ‘Vistes acaso aquele que meu coração ama?’ 4 Mal passara por eles, encontrei aquele que meu coração ama. Segurei-o, e não o largarei antes que o tenha introduzido na casa de minha mãe, no quarto daquela que me concebeu".
Palavra do Senhor.


Salmo - 62/63
A minha alma tem sede de vós, Senhor!

Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!
Desde a aurora ansioso vos busco!
A minha alma tem sede de vós,
minha carne também vos deseja
como terra sedenta e sem água!

Venho, assim, contemplar-vos no templo
para ver vossa glória e poder.
vosso amor vale mais do que a vida,
e por isso meus lábios vos louvam.

Quero, pois, vos louvar pela vida
e elevar para vós minhas mãos!
A minha alma será saciada
como em grande banquete de festa;
cantará a alegria em meus lábios
ao cantar para vós meu louvor!

Para mim fostes sempre um socorro;
de vossas asas à sombra eu exulto!
Minha alma se agarra em vós;
com poder vossa mão me sustenta.
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Evangelho - João 20,1-2.11-18
Aleluia, aleluia, aleluia.

Responde-nos, ó Maria, no teu caminho o que havia? Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado!
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
20 1 No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.
2 Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: "Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!" 11 Entretanto, Maria se conservava do lado de fora perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do sepulcro. 12 Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 Eles lhe perguntaram: "Mulher, por que choras?" Ela respondeu: "Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram". 14 Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu. 15 Perguntou-lhe Jesus: "Mulher, por que choras? Quem procuras?" Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: "Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar". 16 Disse-lhe Jesus: "Maria!" Voltando-se ela, exclamou em hebraico: "Rabôni!" (que quer dizer Mestre). 17 Disse-lhe Jesus: "Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes: ‘Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus’". 18 Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado.
Palavra da Salvação.
 
 Reflexão
 
Uma grande realidade na nossa vida é que todo aquele que procura, encontra e quem mais cedo começa a buscar, com certeza, mais cedo também encontrará o que busca. O Evangelho de hoje nos relata a busca de Maria Madalena, pelo corpo de Jesus. Quando, bem de madrugada, ainda estava escuro e ela dirigiu-se ao túmulo de Jesus. O seu grande amor por Ele fez com que ela saísse ainda cedo do dia à Sua procura inconformada com tudo o que tinha acontecido. O que ela poderia querer encontrar? Talvez ela tenha sido movida por algum desejo de encontrar Jesus com vida e constatar que tudo não passara de um pesadelo. Apenas uma motivação! No entanto, porque não ficou parada na sua dor, mas caminhou em busca de algum sinal de vida, ela também foi a primeira pessoa a encontrar Jesus ressuscitado. A esperança e o amor motivaram-na a ir à busca de Jesus e fizeram-na encontrá-Lo. Na sua humanidade, no entanto, Maria Madalena, mesmo depois de encontrar Jesus, não O reconheceu e chorava lamentando por não ter encontrado o Seu corpo inanimado. Contudo, mesmo movida pela Esperança Madalena procurava um morto e Jesus se apresentava a ela, vivo e ressuscitado. Assim também acontece com cada um de nós quando buscamos a Deus, e nos apoiamos apenas na nossa pobre humanidade.  Às vezes não entendemos as Suas manifestações e, por isso, choramos. Sofremos pela nossa incapacidade de “enxergar” as coisas de Deus.  Não conseguimos distinguir a Deus que se apresenta diante de nós nas mais diferentes formas e circunstâncias as quais  não esperávamos. Mesmo que tentemos desde cedo da nossa vida a nossa humanidade atrapalha o nosso conhecimento real do que é divino. Procuramos, mas não reconhecemos e confundimos os sinais de Deus com os acenos dos homens. Maria Madalena buscou a Jesus de coração e, por isso, Ele se revelou a ela. É Seu intuito também manifestar-se a cada um de nós que O buscamos de coração. Jesus   deseja ser encontrado por nós vivo e ressuscitado atuando na nossa vida  a fim de que O anunciemos a todos. Não podemos reter o Jesus a quem encontramos somente para nós. Quanto mais dermos testemunho de que O vimos, mais Ele irá permanecer conosco.  O Senhor está perto, precisamos ter consciência disso. Quando descobrimos esta verdade nós não ficamos parados e somos motivados a dar testemunho da Sua presença na nossa vida. - Você tem dado testemunho ao mundo de que Jesus está muito perto e age na sua vida? - Você já viu o Senhor?    – Relembre a sua experiência!  – Você já correu para contá-la a alguém?– Você tem encontrado no caminho, mais mortos ou vivos? – Você tem percebido a quem o seu coração procura?
  
 
 
 
Helena Serpa

MARIA MADALENA, UMA GRANDE SANTA ESCONDIDA SOB LENDAS INFUNDADAS

Ela é uma das pessoas mais importantes da história do cristianismo, mas muitos cristãos só conhecem versões erradas a seu respeito.

No ano passado, a pedido do Papa Francisco, a memória de Santa Maria Madalena foi elevada ao grau de festa. O documento que oficializa a mudança tem a data de 3 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

Justos motivos de reconhecimento

O secretário do dicastério responsável pelo culto na Igreja, o arcebispo dom Arthur Roche, observa que São João Paulo II já tinha dedicado “grande atenção não apenas à importância das mulheres na missão de Cristo e da Igreja, mas também à peculiar função de Maria Madalena como a primeira testemunha do Ressuscitado e a primeira mensageira da Ressurreição do Senhor. Esta importância prossegue hoje na Igreja, que quer acolher sem nenhuma distinção homens e mulheres de toda etnia, povo, língua e nação para anunciar a Boa Nova do Evangelho”. Santa Maria Madalena é exemplo da “verdadeira e autêntica evangelização”, que anuncia “a alegre mensagem central da Páscoa”.
O Papa Francisco tomou essa decisão durante o Jubileu da Misericórdia, explicou dom Roche, para ressaltar “a relevância desta mulher que demonstrou um grande amor a Cristo e que foi tão amada por Cristo”.
Maria Madalena fazia parte do grupo dos discípulos de Jesus, seguiu-o até a Cruz e, no jardim em que se encontrava o sepulcro, foi a primeira testemunha da ressurreição. O Evangelho de João a descreve chorando porque não tinha encontrado o corpo do Senhor no sepulcro: “Jesus teve misericórdia dela ao se deixar reconhecer como Mestre e transformar as suas lágrimas em alegria pascal”, recordou dom Roche, acrescentando: “Cristo tem uma espécie de consideração e misericórdia para com esta mulher, que manifesta o seu amor por Ele procurando-o no jardim com angústia e sofrimento”; com as lágrimas que Santo Anselmo definiu como “lágrimas da humildade”. São Tomás a chamou de “apóstola dos apóstolos” porque foi ela quem anunciou aos discípulos atemorizados e trancados no cenáculo o que eles teriam que anunciar por todo o mundo.
Finaliza dom Roche:
“Por isso, é justo que a celebração litúrgica desta mulher tenha o mesmo grau de festa outorgado às celebrações dos apóstolos no Calendário Romano Geral, ressaltando a especial missão desta mulher que é um exemplo e modelo para todas as mulheres na Igreja”.

Confusões comuns em torno a Maria Madalena e outras mulheres

O cardeal Gianfranco Ravasi escreveu a respeito dela:
“A tradição, repetida mil vezes na história da arte e que perdura até os nossos dias, fez de Maria uma prostituta. Isto aconteceu somente porque na página evangélica precedente (o capítulo 7 de Lucas) é narrada a história da conversão de uma anônima ‘pecadora conhecida naquela cidade’, aquela que havia untado os pés de Jesus com óleo perfumado, quando hóspede na casa de um conhecido fariseu; molhou-os com suas lágrimas e secou-os com seus cabelos. E assim foi identificada Maria Madalena, sem nenhuma relação textual real, com aquela prostituta sem nome. Pois bem: este mesmo gesto de veneração será repetido com Jesus por outra Maria, a irmã de Marta e Lázaro, em outra ocasião (Jo 12, 1-8). E consumou-se com isto mais um equívoco em relação a Maria Madalena: algumas tradições populares a identificam com esta Maria de Betânia, depois de já ter sido confundida com a prostituta da Galileia”.

Relação entre Maria Madalena e Jesus: lendas sem base histórica

A partir dos relatos do Evangelho, percebe-se que Maria Madalena sentia um grande amor por Jesus. Ela tinha sido livrada por Ele de sete demônios, seguia-o como discípula, assistia-o com seus bens (Lc 8, 2-3) e esteve com Maria, a Mãe de Jesus, e as outras mulheres quando Jesus foi crucificado (Mc 15, 40-41).
Ela foi, segundo os Evangelhos, a primeira pessoa a quem Jesus apareceu após a Ressurreição, depois de buscá-lo entre lágrimas (Jo 20, 11-18). Daí a veneração que ela recebeu na Igreja como testemunha do Ressuscitado.
Dessas passagens não se pode deduzir nem que ela foi pecadora, nem muito menos que foi “a mulher de Jesus”, como diriam os fãs de “O Código Da Vinci“. Os que defendem que ela foi esposa de Jesus se baseiam no testemunho de alguns evangelhos apócrifos: todos eles, talvez com exceção apenas do evangelho de Tomé, são posteriores aos evangelhos canônicos e não têm caráter histórico, sendo, antes, instrumentos para transmitir ensinamentos gnósticos.
Segundo estas obras, que, apesar do nome, não são evangelhos propriamente, mas revelações particulares de Jesus aos seus discípulos após a Ressurreição, Maria Madalena é quem melhor entende tais revelações. Por isso, é a preferida de Jesus e a que recebe uma revelação especial.
Alguns textos (Evangelho de Tomé, Diálogos do Salvador, Pistis Sophia, Evangelho de Maria) mostram certa oposição dos apóstolos em relação a Maria Madalena pelo fato de ela ser mulher, e isso reflete a concepção negativa que alguns gnósticos tinham do feminino e da condição de Maria como discípula importante.
No entanto, alguns pretendem ver nesta oposição um reflexo do que chamam de “postura oficial” da Igreja de então, que seria supostamente contra a liderança espiritual da mulher. Nada disso é demonstrável. Esta oposição poderia ser entendida como um conflito de doutrinas: a de Pedro e dos demais apóstolos diante da doutrina desses grupos gnósticos, expostas em nome de uma certa “Mariam”, que seria a Madalena.
Em todo caso, o fato de recorrerem a Maria é uma tentativa de justificar sua abordagem gnóstica. Em outros evangelhos apócrifos, especialmente no de Felipe, “Mariam” é modelo do ser gnóstico, precisamente pela sua feminilidade. Ela é um símbolo espiritual do seguimento de Cristo e de união perfeita com Ele. Nesse contexto, tais escritos falam de um beijo entre Jesus e Maria, simbolizando uma espécie de sacramento superior ao Batismo e à Eucaristia.
É muito relevante observar que nem sequer esses textos apócrifos atribuem conotações sexuais a tais símbolos, a ponto de que nenhum estudioso sério os interpreta como “testemunho histórico” de suposta relação sexual entre Jesus e Maria Madalena. Esta é uma suposição sem qualquer fundamento histórico: nem mesmo os cristãos da época se viram obrigados a polemizar a respeito, pois é uma tese relativamente recente – e que ganha força de tempos em tempos, em particular quando se pretende vender livros de ficção.






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Com informações históricas a partir de texto de Juan Chapa (cf. Aleteia, abril de 2014)

sexta-feira, 21 de julho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - EM BUSCA DA VIDA EM ABUBDÂNCIA

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1a Leitura - Êxodo 11,10-12,14
Leitura do livro do Êxodo.
11 10 Moisés e Aarão tinham operado todos esses prodígios em presença do faraó. Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, que não permitiu aos israelitas partirem de sua terra.
12 1 O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
2 “Este mês será para vós o princípio dos meses: tê-lo-eis como o primeiro mês do ano. 3 Dizei a toda a assembléia de Israel: no décimo dia deste mês cada um de vós tome um cordeiro por família, um cordeiro por casa. 4 Se a família for pequena demais para um cordeiro, então o tomará em comum com seu vizinho mais próximo, segundo o número das pessoas, calculando-se o que cada um pode comer. 5 O animal será sem defeito, macho, de um ano; podereis tomar tanto um cordeiro como um cabrito. 6 E o guardareis até o décimo quarto dia deste mês; então toda a assembléia de Israel o imolará no crepúsculo. 7 Tomarão do seu sangue e pô-lo-ão sobre as duas ombreiras e sobre a verga da porta das casas em que o comerem. 8 Naquela noite comerão a carne assada no fogo com pães sem fermento e ervas amargas. 9 Nada comereis dele que seja cru, ou cozido, mas será assado no fogo completamente com a cabeça, as pernas e as entranhas. 10 Nada deixareis dele até pela manhã; se sobrar alguma coisa, queimá-la-eis no fogo. 11 Eis a maneira como o comereis: tereis cingidos os vossos rins, vossas sandálias nos pés e vosso cajado na mão. Comê-lo-eis apressadamente: é a Páscoa do Senhor. 12 ‘Naquela noite, passarei através do Egito, e ferirei os primogênitos no Egito, tanto os dos homens como os dos animais, e exercerei minha justiça contra todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor’. 13 O sangue sobre as casas em que habitais vos servirá de sinal (de proteção): vendo o sangue, passarei adiante, e não sereis atingidos pelo flagelo destruidor, quando eu ferir o Egito. 14 Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o com uma festa em honra do Senhor: fareis isso de geração em geração, pois é uma instituição perpétua.
Palavra do Senhor.


Salmo - 115/116B
Elevo o cálice da minha salvação,

invocando o nome santo do Senhor.

Que poderei retribuir ao Senhor Deus

por tudo aquilo que ele fez em meu favor?

Elevo o cálice da minha salvação,

invocando o nome santo do Senhor.

É sentida por demais pelo Senhor

a morte de seus santos, seus amigos.

Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,

vosso servo que nasceu de vossa serva;

mas me quebrastes os grilhões da escravidão1

Por isso oferto um sacrifício de louvor,

invocando o nome santo do Senhor.

Vou cumprir minhas promessas ao Senhor

na presença de seu povo reunido.
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Evangelho - Mateus 12,1-8
Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

Naquele tempo, 12 1 Jesus atravessava os campos de trigo num dia de sábado. Seus discípulos, tendo fome, começaram a arrancar as espigas para comê-las. 2 Vendo isto, os fariseus disseram-lhe: "Eis que teus discípulos fazem o que é proibido no dia de sábado". 3 Jesus respondeu-lhes: "Não lestes o que fez Davi num dia em que teve fome, ele e seus companheiros, 4 como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição? Ora, nem a ele nem àqueles que o acompanhavam era permitido comer esses pães reservados só aos sacerdotes. 5 Não lestes na lei que, nos dias de sábado, os sacerdotes transgridem no templo o descanso do sábado e não se tornam culpados? 6 Ora, eu vos declaro que aqui está quem é maior que o templo. 7 Se compreendêsseis o sentido destas palavras: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’ não condenaríeis os inocentes. 8 Porque o Filho do Homem é senhor também do sábado".
Palavra da Salvação.

Reflexão

Deus deseja matar a fome do homem e não se importa de se oferecer como alimento para a nossa fome espiritual não implicando o dia nem a hora.  Ele não age conforme nós pensamos e pregamos! Por isso, Jesus Cristo, neste Evangelho quer nos mostrar que a misericórdia do Pai não se prende a fórmulas, conceitos ou regras humanas. Ela é o maior motivo para que demos passos aqui na terra em busca da vida em abundância.   Porque sonda o nosso coração e conhece os nossos desejos mais profundos, o Senhor não impõe condições para nos saciar. Mas, ele precisa de nós, homens e mulheres, como Seus instrumentos. Os homens impõem um jugo pesado, cheio de regras e limitações, mas para Deus a Misericórdia é a norma que pode ser vivenciada a todo dia e a qualquer hora na nossa vida. Jesus nos chama para alimentar o Seu povo, mesmo que seja em dia de sábado. Muitas vezes a desculpa do “dia de sábado” esconde uma má disposição para que não fazer o bem e usar de misericórdia, por acomodação, preguiça e falta de interesse. Preferimos oferecer a Deus sacrifícios baratos, oferendas sem sentido do que ocupar o nosso tempo em dar atenção a quem necessita do nosso olhar, da nossa compreensão, do nosso apoio ou mesmo de uma simples palavra ou de um ouvido para escutar.   Jesus nos ensina que as leis foram feitas para nos orientar e não para nos consumir e que a nossa vida está muito acima e vale muito mais do que os conceitos que nós mesmos adotamos para a nossa acomodação. – Você é muito ligado (a) a regras e preconceitos? – Quando você encontra alguém com “fome” o que você faz? – Você espera uma oportunidade melhor para ajudar às pessoas ou você o faz em qualquer circunstância?






Helena Serpa

JESUS, CASADO COM MARIA MADALENA?

Parte dessa lenda se escora num manuscrito apócrifo do ano 570.

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Foi lançado em 2014 um dos vários livros que tratam da suposta relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena e da família que eles teriam constituído. Os autores de “The Lost Gospel” disseram, na época, ter descoberto um documento do ano 570 segundo o qual Jesus teria se casado e tido filhos com Maria Madalena. Um dos filhos, grande seguidor de Cristo, teria presenciado os momentos da crucificação e da descoberta do sepulcro vazio. Esse manuscrito tinha sido composto em siríaco, língua usada no Oriente Médio entre os séculos IV e XVIII, com trechos em aramaico, a língua de Jesus.

José e Aseneth

O livro, escrito por Barrie Wilson, professor canadense de estudos religiosos, e Simcha Jacobovici, escritor israelense, suscitou muitas polêmicas. Após anos de estudos, os autores afirmaram que existiria parte de verdade naquele manuscrito que, durante anos, ficou nos arquivos da British Library de Londres. Os dois personagens principais, José e Aseneth, seriam Jesus e Maria Madalena.

Dois filhos

O texto descreve um casamento que durou sete dias e que teve a bênção do faraó do Egito. Olhando para Aseneth, o faraó teria declarado: “Bem-aventurada pelo Senhor Deus de José, porque ele é o primogênito de Deus, e serás chamada a Filha do Deus Altíssimo e a esposa de José, agora e para sempre”. Nos anos sucessivos, Aseneth teria concebido dois filhos: Manasseh e Ephraim. Segundo Jacobovici, depois que o imperador romano Constantino ordenou destruir todos os evangelhos, sobraram apenas os de Marcos, Lucas, Mateus e João. Dos demais que havia não se tem mais traços – e justamente nesses outros haveria relatos sobre Jesus e Maria Madalena.

O estado civil do Messias

O padre Rinaldo Fabris, biblista, declarou a Aleteia que “a ausência de informações sobre a infância de Jesus e sobre o seu estado civil instigou a fantasia de muitos narradores cristãos e não cristãos. Esse mesmo vazio dá origem a todos os textos apócrifos”. Por “apócrifos”, a propósito, entende-se um grupo de textos de caráter religioso que se referem à figura de Jesus Cristo, mas que não foram reconhecidos como canônicos.
“Na verdade – prossegue o padre Fabris – o problema da dificuldade em aceitar um casamento de Jesus não depende de motivos dogmáticos. Se Ele tivesse sido casado e tivesse tido dois filhos, não haveria nada de estranho à fé cristã: casar-se e ter filhos é a história da maior parte dos seres humanos”. E o casamento e a família estão entre os mais excelsos valores defendidos pelos cristãos. Se a Igreja não reconhece tal suposto casamento de Jesus, não é porque tenha algo contra o casamento: é simplesmente porque não existe fundamentação histórica alguma que possa ser levada a sério no sentido de embasar tal hipótese. O alegado “casamento de Jesus” nunca foi documentado, a não ser nesses textos que, segundo o biblista, até podem conservar alguns dados históricos, mas contam algo muito isolado e incompatível com a grande maioria dos relatos históricos mais amplamente aceitos sobre o estado civil do Messias. Além disso, o manuscrito do ano 570 apresenta consideráveis acrobacias fantasiosas ao tratar do relacionamento entre Jesus e Maria Madalena.

A verdadeira Madalena

Um dos muitos equívocos que persistem no tocante a Maria Madalena é a interpretação de que ela tenha sido prostituta. “É um mito ocidental”, corrige o padre Fabris. Quem decifra a história de maneira fiel são os textos gregos. “Ela era uma pessoa próspera, que estava doente e foi curada por Jesus. Junto com outras mulheres prósperas, ela ‘financia’ Jesus em dados momentos, para ajudar os pobres, comprar um cordeiro para a Páscoa etc. O oitavo capítulo do Evangelho de Lucas menciona este assunto. Essas mulheres apoiavam os discípulos em suas obras”.





Gelsomino Del Guercio 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - JESUS PEDE APENAS NOSSA ADESÃO À SUA MISERICÓRDIA

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1a Leitura - Êxodo 3,13-20
Leitura do livro do Êxodo.
3 13 Moisés disse a Deus: “Quando eu for para junto dos israelitas e lhes disser que o Deus de seus pais me enviou a eles, que lhes responderei se me perguntarem qual é o seu nome?”
14 Deus respondeu a Moisés: “EU SOU AQUELE QUE SOU”. E ajuntou: “Eis como responderás aos israelitas: (Aquele que se chama) ‘EU SOU’ envia-me junto de vós.”
15 Deus disse ainda a Moisés: “Assim falarás aos israelitas: ‘É JAVÉ, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, quem me envia junto de vós. Este é o meu nome para sempre, e é assim que me chamarão de geração em geração”.
16 “Vai, reúne os anciãos de Israel e dize-lhes: ‘o Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó apareceu-me. E disse-me: eu vos visitei, e vi o que se vos faz no Egito,
17 e disse: tirar-vos-ei do Egito onde sois oprimidos, para fazer-vos subir para a terra dos cananeus, dos hiteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus, terra que mana leite e mel’.
18 Eles ouvirão a tua voz. Irás então com os anciãos de Israel à presença do rei do Egito e lhe direis: ‘o Senhor, o Deus dos hebreus, nos apareceu. Deixa-nos, pois, ir para o deserto, a três dias de caminho, para oferecer sacrifícios ao Senhor, nosso Deus’.
19 Eu sei que o rei do Egito não vos deixará partir, se ele não for obrigado pela força.
20 Mas estenderei a mão e ferirei o Egito com toda sorte de prodígios que farei no meio deles. Depois disso, o faraó vos deixará partir".
Palavra do Senhor.


Salmo - 104/105
O Senhor se lembra sempre da aliança.
 
Dai graças ao Senhor, gritai seu nome,

anunciai entre as nações seus grandes feitos!

Lembrai as maravilhas que ele fez,

seus prodígios e as palavras de seus lábios!
 
Ele sempre se recorda da aliança,

promulgada a incontáveis gerações;

da aliança que ele fez com Abraão

e do seu santo juramento a Isaac.

Deus deu um grande crescimento a seu povo

e o fez mais forte que os próprios opressores.

Ele mudou seus corações para odiá-lo,

e trataram com má-fé seus servidores.

Então mandou Moisés, seu mensageiro,

e igualmente Aarão, seu escolhido;

por meio deles realizou muitos prodígios

e, na terra do Egito, maravilhas.
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Evangelho - Mateus 11,28-30
Aleluia, aleluia, aleluia.

Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor (Mt 11,28)
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: 11 28 "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.
29 Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.
30 Porque meu jugo é suave e meu peso é leve."
Palavra da Salvação.
 
 Reflexão
 
Jesus nos chama e não podemos deixar de aceitar o Seu convite, pois ele é conforto e segurança para nós. “Vinde a mim”! Este é o chamado que Deus nos faz por meio de Jesus quando estamos cansados (a), fatigados (a) com o peso da vida, das circunstâncias, cansados de nós mesmos (as) dos nossos desenganos e fracassos. Os nossos fardos pesam, mas quando os colocamos sob o domínio de Jesus eles se tornam leves e suaves. Ele quer nos ensinar a viver confiando na Sua proteção para que encontremos descanso para a nossa alma.  O nosso fardo mais pesado é justamente o pecado que nos encurva e tenta nos escravizar. A nossa humanidade decaída é uma carga pesada, e, por mais que nos esforcemos, na maioria das vezes, leva de vencida e nos derruba. É o nosso temperamento, a nossa maneira de ser e de agir, as nossas irreverências, a nossa rebeldia, impaciência, egoísmo e desamor que ocasionam o nosso cansaço. O fardo de Jesus é leve. Ele não exige mais do que podemos oferecer a Ele. Ele pede apenas a nossa adesão à Sua Misericórdia. O jugo é a lei e a Sua lei é a Lei do Amor.  “Aprendei de mim “ disse Ele , “porque sou manso e humilde de coração e vós encontrareis descanso”.  Está bem claro que só teremos descanso quando aprendermos com Jesus a sermos também mansos e humildes de coração.  O coração de Jesus é manso e humilde, por isso Ele é vitorioso. Por isso Ele é poderoso.   -  O que tem angustiado e feito você infeliz? – Como está a sua disposição, você sente-se cansado (a)? -  Como é o fardo do Senhor para você? – Você sente peso quando vive as coisas de Deus? –  Deus é pesado para você?  - Você também, às vezes se cansa de si mesmo (a)?
 
 
 
 
 
 
 
Helena Serpa