quarta-feira, 26 de julho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - FELIZES SOIS VÓS POR QUE ME VÊEM

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1a Leitura - Eclesiástico 44,1.10-15
Leitura do livro do Eclesiástico.
44 1 Façamos o elogio dos homens ilustres, que são nossos antepassados, em sua linhagem.
10 Os primeiros, porém, foram homens de misericórdia; nunca foram esquecidas as obras de sua caridade. 11 Na sua posteridade permanecem os seus bens. 12 Os filhos de seus filhos são uma santa linhagem, e seus descendentes mantêm-se fiéis às alianças. 13 Por causa deles seus filhos permanecem para sempre, e sua posteridade, assim como sua glória, não terá fim. 14 Seus corpos foram sepultados em paz, seu nome vive de século em século. 15 Proclamem os povos sua sabedoria, e cante a assembléia os seus louvores!
Palavra do Senhor.


Salmo - 131/132
O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi.
O Senhor fez a Davi um juramento,
uma promessa que jamais renegará:
“Um herdeiro que é fruto do teu ventre
colocarei sobre o trono em teu lugar!”

Pois o Senhor quis para si Jerusalém
e a desejou para que fosse sua morada:
“Eis o lugar do meu repouso para sempre,
eu fico aqui: este é o lugar que preferi!”

“De Davi farei brotar um forte herdeiro,
acenderei ao meu ungido uma lâmpada.
Cobrirei de confusão seus inimigos,
mas sobre ele brilhará minha coroa!”

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Evangelho - Mateus 13,16-17
Aleluia, aleluia, aleluia. Esperavam estes pais a redenção de Israel, e o Espírito do Senhor estava sobre eles (Lc 2,25).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
13 16 Disse Jesus aos seus discípulos: “Quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem!
17 Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram”.
Palavra da Salvação.

 Reflexão

Jesus disse aos seus discípulos o quanto eles eram felizes por estar vendo e ouvindo o que muitos desejariam ver e ouvir, ou seja, desfrutar a sua presença no meio deles.
Se tivermos fé de verdade, sabemos e perceberemos que Jesus está o tempo todo no meio de nós, especialmente no sacrário e na sana missa, e não damos o  merecido valor a esta realidade, mistério da nossa fé.
Não só Jesus, mas Trindade Santa está o tempo todo presente em nosso caminhar, e muitos de nós ignoramos isso, e praticamos coisas contrárias a vontade do Pai. Pecamos bem na presença de Deus uno e trino.
Muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram.
Esta semana estava eu fazendo uma palestra sobre a Santíssima Trindade, quando no final, no momento de responder as perguntas, uma menina acho que da sétima série, disse: Professor. Eu não acredito em Jesus. Um homem com um vestido dizer que era Deus?...
Respondi: Em primeiro lugar não era um vestido, e sim uma túnica. E não era só Jesus que usava túnica, mais sim todos daquele lugar naqueles tempos. Portanto, isso não significa que Jesus não fosse necessariamente um homem. Era o costume. Imagine se aquela gente viesse visitar o Brasil hoje, eles talvez pensassem como você. O que pensariam de nós? Nossa! Estas mulheres são todas homens? Pois todas vestem calças de homem. Minha jovem. Cristo era Deus e sabemos disso pelas suas obras, seus feitos espetaculares, ou seja, os milagres, como acabei de explicar agora há pouco. Eu sei que um dia você vai se convencer disto, e passará a acreditar em Deus e em seu Filho Deus e homem, Jesus Cristo.
Parece que algumas pessoas têm dificuldade em acreditar no que não vê. Inclusive eu disse àquela jovem que questionou os fatos históricos referentes a Jesus. Você acredita em Duque de Caxias? Em Getúlio Vargas e em Dom Pedro? Ela respondeu que sim. Perguntei-lhe. Como você sabe se eles realmente existiram e se fizeram o que a História diz? Você estava lá? 
Naquele momento, notei em seu semblante, uma certa dose de reconhecimento, de aceitação naquelas palavras que no momento exato o Espírito de Deus colocou em minha boca. Acrescentei que a figura de Jesus Cristo é a mesma coisa do ponto de vista histórico. Porém Ele é algo muito mais. Pois Ele era o próprio Deus que se fez homem.
Jesus neste Evangelho afirma que os discípulos foram privilegiados por terem visto e ouvido o Filho de Deus. Hoje, nós que acreditamos em Jesus sem tê-lo visto somos mais felizes ainda, como foi dito a Tomé pelo Mestre.
Prezados irmão irmãos. Não sejamos incrédulos, mas sim acreditemos!
 
 
 
 
 
 
 
José Salaviano

COMO ENTENDER O QUE DEUS QUER?

Quando existe vocação à vida religiosa, a pessoa sente alegria ao imaginar-se vivendo este caminho de santidade

Pergunta
Caro Padre Angelo:
Sou uma garota de vinte e (…) anos e acompanho assiduamente o seu lindo site, encontrando sempre interessantes assuntos de reflexão e respostas abrangentes para as perguntas mais diversificadas.

Resolvi lhe escrever porque não sei mais como fazer para livrar-me de um distúrbio espiritual que me aflige há anos. Em 2005, após uma adolescência problemática, me reaproximei de Deus (de quem tinha me distanciando no início da adolescência), e já são muitos anos que participo cotidianamente da santa Missa e rezo o terço. Confesso-me com frequência, pelo menos uma vez a cada dois meses.

Mas ainda me sinto inquieta: embora eu tenha uma vida normal aos olhos dos outros e seja considerada uma garota tranquila e radiante como poucas, na verdade, frequentemente desejo morrer, sofro de crises de choro e insatisfação porque não sei o que fazer na vida… Em breve começarei a trabalhar, um bom lugar de trabalho inerente aos estudos que fiz e ainda sinto sempre que esta não é a minha estrada, que tem alguma coisa que não entendo na minha vida, e não consigo entender se isso significa uma possibilidade vocacional à vida religiosa (não me sinto chamada ao matrimônio e, de fato, nunca tive um namorado), ou ao contrário, seja uma estranha forma de depressão…

As crises são frequentes, mas breves, e quando passam me esqueço um pouco, até a próxima chegar… Rezar, ir à Missa e participar da adoração eucarística, infelizmente ainda parecem não ter me libertado. O que posso fazer para entender o que o Senhor quer de mim? Porque às vezes não sei se esta minha situação possa depender do fato de eu talvez não estar fazendo aquilo que o Senhor gostaria de mim…
Muito obrigada pela atenção.
Resposta do sacerdote
Caríssima:
1. A vocação, para que seja tal, não pode apoiar-se somente no fato do não sentir-se plenamente satisfeito pela via de condução da vida. Poderia ser um início, mas sozinho, é um início muito pobre.
2. De fato, a vocação se baseia antes de tudo em uma atração real por um certo tipo de vida. Quando existe vocação, se sente alegria somente no pensamento de se ver realizado por aquela estrada. Enfim, a vocação se baseia na disposição natural e de graça que permitem dizer: esta é a minha estrada.
3. Pode ser que a fragilidade psicológica que você traz seja devido ao vazio da vida cristã que marcou alguns anos da sua adolescência. Por isso, confio que a perseverança nas práticas religiosas que vive lhe conduzirá sempre mais e com maior serenidade cada situação da sua vida.
4. Do momento que vive na graça, te aconselho a desfrutar da presença do Senhor na sua alma. É o tesouro mais lindo que você possui. Esta união lhe permite viver suavemente cada evento que lhe pode acontecer no progresso da sua vida cristã. São Paulo nos lembra que “tudo coopera para o bem dos que temem a Deus” (Rm 8, 28). Em tudo aquilo que lhe acontece de belo, ou de feito, deve colher o projeto de bem da parte de Deus. A consciência de que o Senhor, ao menos por um instante, quis ou permitiu que se encontre em uma determinada situação, deveria ser suficiente para distanciar qualquer pensamento de depressão.
5. Você me disse que vai à Missa todos os dias. A Missa faz a cada dia a oferta de si mesma. Esta oferta, você a renova na oração do santo terço. Assim, transfere a oferta que faz de si mesma no concreto das suas ações: seja em toda parte e sempre “um sacrifício perene agradável a Deus”. Seja um sacrifício de adoração da sua vontade, um sacrifício de agradecimento e de louvor pelos seus benefícios, um sacrifício de oferta em expiação dos seus pecados e os do mundo inteiro, um sacrifício de súplica por você mesma e por todos.
6. Quanto aos pensamentos de tristeza, busque afastá-los da sua mente assim que os encontrar. O mínimo que se pode dizer é que não vêm de Deus. Se você os permite entrar, fica dependente deles. Tenha sempre presente o princípio que Dom Bosco dava aos jovens: “Tudo aquilo que perturba e leva a paz embora não vem de Deus”. O pensamento da vocação, de modo algum pode ser acompanhado de similar pensamento triste.
7. Se me permite dar um conselho: intensifique a Confissão. Para uma garota que vai à Missa todos os dias e que reza cotidianamente o santo terço, a Confissão pelo menos quinzenal seria de grande vantagem.







Deus a abençoe!
Padre Angelo

terça-feira, 25 de julho de 2017

PODEREIS BEBER DO MEU CÁLICE?

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1a Leitura - 2 Coríntios 4,7-15
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios.

Irmãos, 4 7 temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós. 8 Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. 9 Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. 10 Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. 11 Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal. 12 Assim em nós opera a morte, e em vós a vida. 13 Animados deste espírito de fé, conforme está escrito: "Eu cri, por isto falei", também nós cremos, e por isso falamos. 14 Pois sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará também a nós com Jesus e nos fará comparecer diante dele convosco. 15 E tudo isso se faz por vossa causa, para que a graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para glória de Deus.
Palavra do Senhor.

Salmo - 125/126
Os que lançam as sementes entre lágrimas
ceifarão com alegria.

Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,
parecíamos sonhar;
encheu-se de sorriso nossa boca,
nossos lábios, de canções.
Entre os gentios se dizia: “Maravilhas
fez com eles o Senhor!”
Sim, maravilhas fez conosco o Senhor,
exultemos de alegria!
 Mudai a nossa sorte, ó Senhor,
como torrentes no deserto.
Os que lançam as sementes entre lágrimas
ceifarão com alegria.
Chorando de tristeza sairão,
espalhando suas sementes;
cantando de alegria voltarão,
carregando os seus feixes!
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Evangelho - Mateus 20,20-28
Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, assim disse o Senhor (Jo 15,16).
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

Naquele tempo, 20 20 aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica. 21 Perguntou-lhe ele: "Que queres?" Ela respondeu: "Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda". 22 Jesus disse: "Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber?" "Sim", disseram-lhe. 23 "De fato, bebereis meu cálice. Quanto, porém, ao sentar-vos à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim vo-lo conceder. Esses lugares cabem àqueles aos quais meu Pai os reservou". 24 Os dez outros, que haviam ouvido tudo, indignaram-se contra os dois irmãos. 25 Jesus, porém, os chamou e lhes disse: "Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. 26 Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. 27 E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. 28 Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão".
Palavra da Salvação.
 
 Reflexão
 
Somos dotados da ânsia de ser importantes. Queremos sempre dar a melhor impressão, gostamos sempre de sermos reconhecidos como pessoas importantes. Uns mais que outros.
Porém, nos esquecemos ou não o sabemos, que É BOM SER IMPORTANTE, PORÉM É IMPORTANTE QUE PRIMEIRO SEJAMOS BONS, sejamos caridosos, honestos...
Aquela mulher pediu quase ordenando a Jesus: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda".
Veja só que audácia! Assim, do nada, ela queria o melhor para os seus filhos, queria que seus rebentos fossem sem mais sem menos, pessoas muito importantes!
Nós somos assim! Queremos aparecer lá no altar, queremos sentar a direita e à esquerda do sacerdote, queremos que nos vejam com bons olhos, queremos ser amados pelos nossos alunos, pelos nossos compatriotas, pelos eleitores, pelos nossos amigos e familiares.
Ser importante diante dos homens e das mulheres, não é importante para nós. Para a nossa salvação. O importante, é ser importante diante de Deus.
Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?"
Para ser importante diante de Deus, é necessário que bebemos do cálice amargo da renúncia, do combate ao nosso egoísmo, e viver sem pecados.
"Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam". "Mas, entre vós, não deve ser assim"...
         
Com essas palavras, o Filho de Deus  quis dizer aos seus discípulos e a nós, continuadores da missão de levar a salvação ao mundo, que a disputa de poder, a tirania, a opressão, a inveja, a competição desleal, a perseguição dos oponentes, dos mais competentes que nós, acontecem no mundo todo, principalmente na política. Mas que entre nós, os escolhidos para divulgação do Reino de Deus, a coisa é diferente. Entre nós, não pode haver nada disso. E que precisamos controlar os nossos impulsos egoístas, a nossa mania de grandeza própria da nossa natureza humana, e proceder EXATAMENTE O CONTRÁRIO DO QUE FAZEM O RESTO DO MUNDO!  AQUELE OU AQUELA QUE QUISER SER O MELHOR ENTRE NÓS, O MAIOR DE TODOS, QUE SEJA O SERVIDOR DE TODOS. E ISSO DEVEMOS FAZER NUMA ATITUDE ALEGRE DE QUEM IMITA O CORDEIRO DE DEUS O QUAL "não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos".                    
        
Muitos disputam os primeiros lugares na sociedade. Muitos querem ser importantes, muitos querem ser "os bons" aos olhos de todos, sem se importar de que É BOM, SER  IMPORTANTE, MAS É MAS IMPORTANTE PRIMEIRO SER BOM, SER CARIDOSO, SER CRISTÃO AUTÊNTICO, VIVER A FÉ.  E isso é o que importa aos olhos de Deus.
        
Para Deus o homem mais importante não é aquele que tem mais habilidades para ganhar dinheiro, não é o mais esperto que engana os humildes com promessas mentirosas, nem são aqueles que ultrapassando e passando todos para trás, na corrida desta vida, alcançam o pódio e levantam a taça que significa o suor dos coitados que não tendo para onde correr, nem para quem reclamar, trabalham de sol a sol enfrentando todo tipo de desconforto e de perigo para conseguir uma migalha de salário. Aquela taça é representante do grande mérito de ser o maior diante de todos, mas no fundo não passa de um grande pilantra, hipócrita, corrupto um LAVA A JATO A MAIS, que veio para botar a mão no dinheiro que deveria ser empregado na educação, na saúde, na aposentadoria dos trabalhadores de verdade, em melhor qualidade de vida para o povo, em cuidados com a juventude, para ela não se entrega aos vícios degradantes da sua vida e da sua salvação eterna.
       
Não seja você um desses. Seja aquela pessoa que primeiro pensa em servir a Deus e ao irmão. Ajudando-o na medida do possível, acolhendo-o, e acima de tudo, evangelizando-o com o seu exemplo e ou com a palavra.
José Salviano

CONTOS EDIFICANTES: A HASTE DA CRUZ

"O dia chegará em que seremos vítimas das mutilações feitas na haste da nossa cruz".


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 © Clément SACCOMANI / CIRIC
Vista nocturna de gente rezando en el Barrio de la Ensenada de la ciudad de Lima (Perú)
Conta‑nos uma lenda de antanho que a um homem a quem cumpria fazer grande jornada deram a carregar pesada cruz, dizendo‑lhe que ela o levaria à salvação.
Tendo feito pequena parte do trajeto, vencido e desanimado pelo cansaço, deliberou ele cortar um pedaço da longa haste de sua carga.
Mais aligeirado, pôs‑se de novo a caminho e jornadeou até o ponto em que a estrada subia por uma encosta longa e pedregosa. Ali sentiu que se lhe agravava o peso da cruz. Doíam‑lhe os ombros, tinha as pernas trôpegas, arfava e transudava.
Na irreflexão da impaciência, põe por terra o seu fardo e outra vez o mutila em sua haste.
Parte. Alcança o sopé do outeiro e se vê às margens de um rio sem ponte.
Só então observou que outros viajantes ali chegados levavam, também, pesadas cruzes de longas hastes e, mais resistentes e tolerantes, conservaram‑nas intactas.
Estes as estenderam de margem a margem e, fazendo‑as de pontilhões, atingiram o lado oposto e lá se foram.
Aquele, porém, que encurtara a haste de sua cruz viu que ela não lhe poderia prestar o mesmo auxílio. Tentando meter‑se rio adentro, desapareceu levado pelos redemoinhos da correnteza.
É límpida a lição da fábula. Todos os que vivemos a cortar, com golpes arbitrários, em nossos deveres e obrigações para com Deus, podemos levar, por algum tempo, vida mundanamente fácil, mas sempre enganosa. O dia chegará em que seremos vítimas das mutilações feitas na haste da nossa cruz.







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A partir de texto de Malba Tahan em “Lendas do Céu e da Terra” (Ed. Borgoi. São Paulo ‑ SP /1ª edição ‑ 1939, págs. 16 e 17)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - DEUS SINALIZA O SEU AMOR EM NOSSO CORAÇÃO

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1a Leitura - Êxodo 14,5-18
Leitura do livro do Êxodo.
Naqueles dias, 14 5 quando se anunciou ao rei do Egito que o povo tinha fugido, o coração do faraó e de seus servos voltou-se contra o povo: “Que fizemos, disseram eles, deixando partir Israel e renunciando assim ao seu serviço!”
6 O faraó mandou preparar seu carro e levou com ele suas tropas. 7 Escolheu seiscentos carros dos melhores e todos os carros egípcios com homens de guerra em cada um deles. 8 O Senhor endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e este se pôs a perseguir os filhos de Israel. Eles haviam partido de cabeça erguida. 9 Puseram-se os egípcios a persegui-los e alcançaram-nos em seu acampamento à beira do mar: todos os cavalos dos carros do faraó, seus cavaleiros e seu exército alcançaram-nos perto de Fiairot, defronte de Beelsefon. 10 Aproximando-se o faraó, os israelitas, ao levantarem os olhos, viram os egípcios que vinham ao seu encalço. Foram tomados de espanto e invocaram o Senhor, clamando em alta voz. 11 E disseram a Moisés: “Não havia, porventura, túmulos no Egito, para que nos conduzisses a morrer no deserto? Por que nos fizeste isso, tirando-nos do Egito? 12 Não te dizíamos no Egito: ´deixa-nos servir os egípcios! É melhor ser escravos dos egípcios do que morrer no deserto´.” 13 Moisés respondeu ao povo: “Não temais! Tende ânimo, e vereis a libertação que o Senhor vai operar hoje em vosso favor. Os egípcios que hoje vedes, não os tornareis a ver jamais. 14 O Senhor combaterá por vós; quanto a vós, nada tereis a fazer.” 15 O Senhor disse a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que se ponham a caminho. 16 E tu, levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e fere-o, para que os israelitas possam atravessá-lo a pé enxuto. 17 Vou endurecer o coração dos egípcios, para que se ponham ao teu encalço, e triunfarei gloriosamente sobre o faraó e sobre todo o seu exército, seus carros e seus cavaleiros. 18 Os egípcios saberão que eu sou o Senhor quando tiver alcançado esse glorioso triunfo sobre o faraó, seus carros e seus cavaleiros.”
Palavra do Senhor.


Salmo - Ex 15
Ao Senhor quero cantar,

pois fez brilhar a sua glória!

Ao Senhor quero cantar, pois fez brilhar a sua glória:

precipitou no mar Vermelho o cavalo e o cavaleiro!

O Senhor é minha força, é a razão do meu cantar,

pois foi ele, neste dia, para mim, libertação!

Ele é meu Deus e o louvarei, Deus de meu pai e o honrarei.

O Senhor é um Deus guerreiro, o seu nome é “onipotente”:

os soldados e os carros do faraó jogou ao mar.

Seus melhores capitães afogou no mar Vermelho.

Afundaram como pedras e as ondas os cobriram.

Ó Senhor, o vosso braço é duma força insuperável!

Ó Senhor, o vosso braço esmigalhou os inimigos!

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Evangelho - Mateus 12,38-42
Aleluia, aleluia, aleluia. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 12 38 alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: "Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre".
39 Respondeu-lhes Jesus: "Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas: 40 do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra. 41 No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas. 42 No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão".
Palavra da Salvação.

 Reflexão

Nós também vivemos esperando por sinais porque queremos testar o poder de Deus na nossa vida.  Neste Evangelho, no entanto, Jesus nos exorta a tomar consciência de que o grande sinal é o sinal do Seu Amor na Cruz. O sinal de Jonas, quando esteve três dias e três noites no ventre da baleia, prefigura para nós o sinal da Fé na Morte e Ressurreição de Jesus e é a prova maior do Amor de Deus por nós.  Os sinais do amor de Deus por nós são a vida, a liberdade, a misericórdia, a esperança, a motivação e se manifestam em nós pelo poder do Espírito Santo. Não precisamos de outros sinais para reconhecer que Jesus Cristo é o Senhor da nossa vida, pois se entregou por nós e na Cruz derramou o Seu precioso Sangue para nos dar uma vida nova no Espírito. O Senhor nos mostra que o Seu Amor é a garantia de que necessitamos para usufruir de uma vida harmoniosa conosco mesmo e com as outras pessoas. O amor de Deus age em nós e através de nós. Por isso, quando nos deixamos motivar pela presença amorosa de Deus, nós encontramos sentido para a nossa existência e compreendemos qual é a nossa missão aqui na terra. Este Amor é como uma força interior que possuímos, porém não sabemos de onde vem, apenas sentimos que provém de uma fonte inesgotável. Não esperemos por sinais exteriores.  Deus sinaliza o Seu amor dentro do nosso coração e, por isto, não precisamos enxergar nem tocar ou ouvir, mas somente perceber a sua intensidade e a sua eficácia em nós – Você precisa  de evidências para acreditar no poder de Deus na sua vida? – Você tem esperado por sinais mais claros ou você já reconhece que Jesus já trouxe a sua salvação? – Você tem fé em Jesus Cristo? – Para você o que representa o SINAL DA CRUZ?






Helena Serpa 

QUAL A DIFERENÇA ENTRE VALORES E VIRTUDES?

Entenda por que, para buscar a perfeição cristã, não basta ter valores: é preciso cultivar as virtudes.

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As virtudes são hábitos bons que nos levam a fazer o bem. Podemos tê-las desde que nascemos ou adquiri-las depois. São um meio muito eficaz para colaborar com Deus, pois implicam em decidir, livre e voluntariamente, fazer o bem, ou seja, cumprir o plano de Deus.
O objetivo de uma vida virtuosa é chegar a ser semelhantes a Cristo. Não se trata de perfeccionismo, no qual a pessoa elimina defeitos porque considera que não deve ter tal ou qual falha; isso seria vaidade apenas. Tampouco é um narcisismo de ver-se bem, ou que todos pensem que você é o máximo. A virtude não é uma higiene moral, pela qual você “limpa” sua pessoa.

Os valores, por outro lado, estão orientados ao crescimento pessoal por um convencimento intelectual: sabemos que, se estivermos limpos, seremos mais aceitos pelos outros; sabemos que, mantendo nossas coisas em ordem, poderemos encontrá-las com mais facilidade ao procurá-las.

Os valores são bens que a inteligência do homem conhece, aceita e vive como algo bom para ele como pessoa. O valor é tudo aquilo que se “valoriza” como bom, desejável, necessário para a vida. Para uma pessoa, um valor pode ser ter um belo carro, enquanto, para outra, isso não significa nada.

Neste sentido, podemos dizer que os valores são mais ambíguos, pois nem todas as pessoas consideram as mesmas realidades como valores. As virtudes têm um caráter mais universal, pois o que é uma virtude em uma pessoa também o é em outra.

Estabelecidas as diferenças, é importante reconhecer que, na vida de fé, sempre há propostas feitas por Jesus que, quando comparadas com o que o mundo nos apresenta, tendem a parecer semelhantes, mas não o são necessariamente. Vejamos alguns exemplos.
A Bíblia nos ensina a necessidade do jejum como remédio eficaz contra a concupiscência e como mecanismo de domínio de si; o mundo nos propõe a dieta como método eficaz para manter o controle do peso corporal e de uma saúde adequada. Primeira conclusão: jejuar não é a mesma coisa que fazer dieta, e menos ainda passar fome. Ainda que semelhantes na forma, não são iguais no fundo.
Jesus convida à castidade como maneira de entender a sexualidade e o corpo humano como instrumentos de santificação e de oblação a Deus e ao cônjuge, enquanto muitos optam pela abstinência sexual como forma de liberdade interior para alcançar outros fins que consideram mais nobres. Então, ser casto não é a mesma coisa que ser abstinente, e menos ainda ser assexuado.
Enquanto a dieta e a abstinência sexual podem chegar a ser considerados como valores para alguns, o jejum e a castidade são, em si, virtudes de caráter espiritual para todos. É importante saber, além disso, que os valores não precisam da graça de Deus, já que, pelo fato de possuírem uma ponderação intelectual, são vividos a partir da racionalidade.
Já as virtudes, por buscarem colaborar no plano de Deus e na semelhança com Cristo, requerem a ajuda do Senhor, um auxílio especial de sua magnificência, já que o ser humano, por suas próprias forças, não pode alcançá-las.
É possível ser abstinente sem ser casto e fazer dieta sem jejuar. O sentido de cada prática difere muito segundo sua finalidade. Os cristãos não estão chamados apenas a ter valores (necessários em todo ser humano), mas a preencher suas vidas de virtudes, tanto cardeais como teologais.
Se aprofundarmos mais, poderemos encontrar muitos outros valores que têm semelhança com as virtudes e, por isso, tendem a ser confundidos com elas. Há pessoas que acham que fanatismo é sinônimo de fé, que estar apaixonado é amar, que estar entusiasmado é ter esperança, que timidez é o mesmo que prudência etc.Todos os seres humanos possuem valores. Todos nós atribuímos valor a certas coisas. Há coisas pelas quais certas pessoas chegam a dar a vida. Mas, para alcançar a perfeição cristã, não bastam os valores: as virtudes são necessárias.




Juan Ávila Estrada

domingo, 23 de julho de 2017

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM - CUIDADO COM O JOIO

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A liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir o Deus paciente e cheio de misericórdia, a quem não interessa a marginalização do pecador, mas a sua integração na comunidade do “Reino”; e convida-nos, sobretudo, a interiorizar essa “lógica” de Deus, deixando que ela marque o olhar que lançamos sobre o mundo e sobre os homens.
A primeira leitura fala-nos de um Deus que, apesar da sua força e onipotência, é indulgente e misericordioso para com os homens – mesmo quando eles praticam o mal. Agindo dessa forma, Deus convida os seus filhos a serem “humanos”, isto é, a terem um coração tão misericordioso e tão indulgente como o coração de Deus.
O Evangelho garante a presença irreversível no mundo do “Reino de Deus”. Esse “Reino” não é um clube exclusivo de “bons” e de “santos”: nele todos os homens – bons e maus – encontram a possibilidade de crescer, de amadurecer as suas escolhas, de serem tocados pela graça, até ao momento final da opção definitiva.
A segunda leitura sublinha, doutra forma, a bondade e a misericórdia de Deus. Afirma que o Espírito Santo – dom de Deus – vem em auxílio da nossa fragilidade, guiando-nos no caminho para a vida plena.

LEITURA I – Sab 12,13.16-19
Leitura do Livro da Sabedoria
Não há Deus, além de Vós, que tenha cuidado de todas as coisas; a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente.
O vosso poder é o princípio da justiça e o vosso domínio soberano torna-Vos indulgente para com todos.
Mostrais a vossa força aos que não acreditam na vossa onipotência e confundis a audácia daqueles que a conhecem.
Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade e governais-nos com muita indulgência, porque sempre podeis usar da força quando quiserdes.
Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo que o justo deve ser humano e aos vossos filhos destes a esperança feliz de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento.

AMBIENTE
O “Livro da Sabedoria” é o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento (aparece durante a primeira metade do séc. I a.C.). O seu autor – um judeu de língua grega, provavelmente nascido e educado na Diáspora (Alexandria?) – exprimindo-se em termos e concepções do mundo helênico, faz o elogio da “sabedoria” israelita, traça o quadro da sorte que espera o justo e o ímpio no mais-além e descreve (com exemplos tirados da história do Êxodo) as sortes diversas que tiveram os pagãos (idólatras) e os hebreus (fiéis a Jahwéh). O seu objetivo é duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), convida-os a redescobrirem a fé dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pagãos, convida-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jahwéh, o verdadeiro e único Deus… Para uns e para outros, só Jahwéh garante a verdadeira “sabedoria” e a verdadeira felicidade.
O texto que nos é proposto pertence à terceira parte do livro (cf. Sab 10,1-19,22). Nessa parte, recorrendo, sobretudo, à técnica do midrash, o autor faz a comparação entre os castigos que Deus lançou contra os “ímpios” (os pagãos) e a salvação reservada aos “justos” (o Povo de Deus).
O autor começa por mostrar como a “sabedoria” de Deus se manifestou na história de Israel (cf. Sab 10,1-11,14). Em contraste, vai descrever como é que Deus tratou os egípcios (cf. Sab 11,15-20) e os idólatras cananeus (cf. Sab 12,3-19). O texto que nos é proposto faz parte desta última perícopa.
Os cananeus eram, na perspectiva dos israelitas, uma raça maldita e perversa, que cometiam crimes especialmente hediondos: “praticavam obras detestáveis, ritos ímpios, e eram cruéis assassinos dos seus filhos” (Sab 12,4-5). Deus podia tê-los eliminado rapidamente (cf. Sab 12,9); no entanto, retardou o mais possível o castigo (cf. Sab 12,8), dando-lhes várias oportunidades de se arrependerem e de mudarem de vida (cf. Sab 12,10).

MENSAGEM
Nessas circunstâncias, Jahwéh deu provas de extrema moderação e manifestou a sua bondade, a sua misericórdia, a sua justiça. Deus não tinha que provar nada a ninguém, pois ninguém lhe podia pedir contas; se agiu dessa forma equilibrada e moderada, é porque é um Deus justo. A “justiça” não é, no Antigo Testamento, a estrita aplicação da lei; mas é, sobretudo, a fidelidade à própria essência. Ora, a essência de Deus é amor, bondade e misericórdia; por isso, ser justo equivale, para Deus, a revelar amor, benevolência e bondade na sua atitude para com os homens.
O que é mais significativo aqui é que a “justiça de Deus” não se exerce sobre o Povo de Deus, mas sobre um povo “de má estirpe” e de “maldade congênita” (Sab 12,10): é a universalidade da salvação que assim é sugerida.
Por outro lado, o autor vê neste comportamento “justo” de Deus uma lição para Israel. Que é que, desta forma, Deus ensina ao seu Povo?
Ensina, em primeiro lugar, que Deus não quer a morte do pecador, mas sim que ele se converta e viva; por isso, “fecha os olhos” diante do pecado do homem, a fim de o convidar ao arrependimento.
Ensina, em segundo lugar, que “o justo deve ser amigo dos homens” (Sab 12,19): se a lógica de Deus é uma lógica de perdão e de misericórdia, o Povo de Deus deve adoptar a mesma lógica e assumir atitudes de bondade, de amor, de misericórdia, de tolerância, nas suas relações comunitárias. Mais: a bondade e a compreensão não devem ser reservadas para aqueles que são bons, mas também para aqueles que fazem insistentemente o mal.

ATUALIZAÇÃO
Para a reflexão e atualização da Palavra, podem tomar-se as seguintes indicações:
• O nosso texto apresenta-nos um Deus tolerante e justo, em quem a bondade e a misericórdia se sobrepõem à vontade de castigar. Ele não quer a destruição do pecador, mas a sua conversão; Ele ama todos os homens que criou, mesmo aqueles que praticam acções erradas. Ora, todos nós conhecemos bem este quadro de Deus, pois ele aparece-nos a par e passo na Palavra revelada… Mas já o interiorizámos suficientemente?
• Interiorizar esta “fotografia” de Deus significa “empapar-nos” da lógica do amor e da misericórdia e deixar que ela transpareça em gestos para com os nossos irmãos. Isso acontece realmente? Qual a nossa atitude para com aqueles que nos fizeram mal, ou cujos comportamento
os nos desafiam e incomodam? Faz sentido catalogar os homens em bons e maus e defendermos uma justiça implacável para com aqueles que praticam ações erradas?
• Muitas vezes, percebemos certos males que nos incomodam como “castigos” de Deus pelo nosso mau proceder. No entanto, este texto deixa claro que Deus não está interessado em castigar os pecadores… Quando muito, procura fazer-nos perceber, com a pedagogia de um pai cheio de amor, o sem sentido de certas opções e o mal que nos fazem certos caminhos que escolhemos.

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 85 (86)
Refrão: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.
Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para com todos os que Vos invocam.
Ouvi, Senhor, a minha oração, atendei a voz da minha súplica. Todos os povos que criastes virão adorar-vos, Senhor, e glorificar o vosso nome, porque Vós sois grande e operais maravilhas, Vós sois o único Deus.
Senhor, sois um Deus bondoso e compassivo, paciente e cheio de misericórdia e fidelidade.
Voltai para mim os vossos olhos e tende piedade de mim.

LEITURA II – Rom 8,26-27
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos Irmãos:O Espírito Santo vem em auxilio da nossa fraqueza,porque não sabemos que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos em conformidade com Deus.

AMBIENTE
Há já alguns domingos que Paulo nos vem propondo uma catequese sobre o caminho a seguir para poder acolher a salvação que Deus oferece. A salvação é um dom de Deus, dom gratuito que é fruto da bondade e do amor de Deus (cf. Rom 3,21-5,11). Essa salvação chega-nos através de Jesus Cristo (cf. Rom 5,12-8,39); e atua em nós pelo Espírito que Jesus derrama sobre aqueles que aderem ao seu projeto e entram na sua comunidade (cf. Rom 8,1-39) – a comunidade do Reino.
No passado domingo, Paulo convidava os crentes a decidirem-se pela vida “segundo o Espírito”. Dizia-nos que essa opção terá uma dimensão cósmica e que ajudará a vencer os desequilíbrios e desarmonias que destroem a criação de Deus. Trata-se, no entanto, segundo Paulo, de um caminho difícil, que exige padecimentos, renúncias, purificações, renovação da vida.
Como é que o cristão pode fazer essa opção? Como é que ele percebe, claramente, qual é o caminho? Donde recebe ele a força para viver “segundo o Espírito”?

MENSAGEM
É Deus que nos dá a força de viver “segundo o Espírito”. No entanto, devemos continuamente pedir a Deus, nosso Pai, essa graça.
Na verdade, nem sempre sabemos o que devemos pedir, pois nem sempre conseguimos discernir entre a vida “segundo a carne” e a vida “segundo o Espírito”. No entanto, o próprio Espírito Santo “vem em auxílio da nossa fraqueza” (vers. 26a). O que é que Ele faz? Como é que Paulo entende a intervenção do Espírito a este propósito?
O texto não é explícito. Segundo uma interpretação, nós temos dificuldade em articular devidamente os nossos desejos e necessidades e é o Espírito que se encarrega de formulá-los em nosso lugar. Segundo outra interpretação, o Espírito junta a sua intercessão “inefável” aos nossos gemidos, fazendo com que a nossa oração chegue até Deus.
Num e noutro caso, o Espírito faz de mediador eficaz no nosso diálogo com Deus. Ele é nosso “intérprete” e intercessor, elevando-nos ao Deus que conhece o coração. E esta oração (que o Espírito dirige em nosso lugar, ou que o Espírito “apoia”) é sempre acolhida por Deus, pois está em conformidade com os planos e os projetos de Deus (vers. 27).

ATUALIZAÇÃO
Na reflexão, considerar as seguintes linhas:
• Antes de mais, há neste texto um convite implícito a tomarmos consciência do amor que Deus nos dedica e da sua preocupação com a nossa salvação, com a nossa realização plena. Não somos minúsculos grãos de areia abandonados ao sabor das tempestades cósmicas num universo sem fim; somos filhos amados de Deus, a quem Ele não desiste de indicar, todos os dias, os caminhos da felicidade e da vida definitiva. Nos momentos de crise, de derrota, de falência, é preciso conservar os olhos postos nesta certeza: Deus ama-nos; por isso, oferece-nos, de forma gratuita e incondicional, a salvação.
• O Espírito de Deus, vivo e atuante na história do mundo e na vida de cada homem ou mulher é a “prova provada” do amor de Deus por nós. O Espírito oferece-nos cada dia a vida de Deus, leva-nos ao encontro de Deus, faz com que a nossa voz chegue ao coração de Deus. É preciso, no entanto, disponibilidade para o acolher e atenção aos sinais através dos quais Ele nos conduz ao encontro de Deus. Acolher o Espírito é sair do egoísmo, do orgulho, da suficiência e procurar descobrir, com humildade e simplicidade, os caminhos de Deus, os desafios de Deus.
• O ritmo da vida moderna é estonteante… As exigências profissionais, os problemas familiares, o inferno do trânsito, a necessidade de ganhar a vida atiram-nos de corrida em corrida, sempre ocupados, sempre cansados, sempre carregados de stress, prisioneiros de uma máquina que nos desumaniza e que não nos deixa centrar a nossa atenção no essencial, reequacionar os nossos valores e prioridades. É preciso, no entanto, encontrar tempo e espaço para refletir, para redefinir o sentido da nossa existência, para perceber se estamos a conduzir a nossa vida “segundo a carne” ou “segundo o Espírito”.
• O verdadeiro crente é o que vive em comunhão com Deus. Não prescinde desses momentos de diálogo, de partilha, de escuta, de louvor a que chamamos oração. É nesse diálogo intenso, verdadeiro, diário que o crente, através do Espírito, intui a lógica de Deus, a sua verdade, o projeto que Ele tem para cada homem e para o mundo. Esforço-me por encontrar espaço para o diálogo com Deus e para fortalecer a minha intimidade com Ele?
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ALELUIA – cf. Mt 11,25
Aleluia. Aleluia.
Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.
 
EVANGELHO – Mt 13,24-43

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: “O reino dos Céus pode comparar -se a um homem que semeou boa semente no seu campo.
Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora.
Quando o trigo cresceu e deu fruto, apareceu também o joio.
Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo?
Donde vem então o joio?
Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’.
Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’
‘Não! – disse ele –
não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo.
Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’“.
Jesus disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo.
Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos”.
Disse-lhes outra parábola: “O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado”.
Tudo isto disse Jesus em parábolas, e sem parábolas nada lhes dizia, a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta, que disse: “Abrirei a minha boca em parábolas, proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo”.
Jesus deixou então as multidões e foi para casa.
Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe: “Explica-nos a parábola do joio no campo”.
Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem e o campo é o mundo.
A boa semente são os filhos do reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o Demónio.
A ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os Anjos.
Como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do homem enviará os seus Anjos, que tirarão do seu reino todos os escandalosos e todos os que praticam a iniquidade, e hão-de lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes.
Então, os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai.
Quem tem ouvidos, oiça”.

AMBIENTE
Continuamos em contacto com as “parábolas do Reino”. O Evangelho deste domingo apresenta-nos mais um bloco de três imagens ou comparações (“parábolas”) que pretendem revelar aos discípulos e às multidões que rodeiam Jesus, a realidade do “Reino”.
Já vimos, no passado domingo, porque é que Jesus pregava por “parábolas”: porque a linguagem parabólica é uma linguagem rica, expressiva, questionante; porque a “parábola” é uma excelente arma de controvérsia, muito útil em contextos polêmicos; porque a “parábola” faz as pessoas pensar e incita-as à procura da verdade. Por tudo isto, as “parábolas” são uma linguagem privilegiada para apresentar o Reino, para incitar as pessoas a descobrir o Reino e para as levar a aderir ao Reino.
Das três parábolas que nos são hoje propostas, duas (o grão de mostarda e o fermento) procedem da tradição sinótica; a outra (a parábola do trigo e do joio) só aparece em Mateus (além de aparecer também numa antiga coleção de “ditos” de Jesus, conhecida como “Evangelho de Tomé”).
Também desta vez percebe-se – tanto nas parábolas, como nas explicações que as acompanham – a preocupação “pastoral” de Mateus: ele não é um jornalista a transcrever o que Jesus disse; mas é um “pastor” que procura exortar, animar, ensinar e fortalecer a fé dessa comunidade cristã a que o Evangelho se dirige.

MENSAGEM
A primeira parábola que nos é proposta é a parábola do trigo e do joio (vers. 24-30). Trata-se de um quadro da vida quotidiana: há um “senhor” que semeia boa semente no seu campo, um “inimigo” que semeia o joio (nome de uma erva gramínea que nasce entre o trigo e o danifica) e “servos” dedicados, preocupados com o futuro da colheita. Tudo parece normal; o anormal é a reação do “senhor” à “crise”: dá ordens para que deixem crescer trigo e joio lado a lado e que só na altura da ceifa seja feita a selecção do bom e do mal, do que é para queimar e do que é para guardar nos celeiros.
A parábola deve ser entendida no contexto do ministério de Jesus. Ele conviveu com os pecadores, com os marginais, com os que levavam vidas moralmente condenáveis. Sentou-se à mesa com gente desclassificada, deixou-se tocar por pecadoras públicas, convidou um publicano a integrar o seu grupo de discípulos… Com esse comportamento “escandaloso”, Ele quis dizer a todos esses que a religião oficial excluía, que Deus os amava e que os convidava a fazer parte da sua família, a integrar a comunidade da salvação, a serem membros de pleno direito da comunidade do “Reino”.
Os fariseus consideravam inaceitável a atitude de Jesus. Para eles, quem não cumpria a Lei tinha de ser excluído do Povo santo de Deus e não tinha o direito de fazer parte do “campo” de Deus. A “lógica” dos fariseus condiz com a “lógica” de Deus?
Nesta parábola, Jesus pretende dar-nos uma lição sobre a “lógica” de Deus. Sugere que a “lógica” de Deus não é uma “lógica” de destruição, de segregação, de exclusão, mas é uma “lógica” de amor, de misericórdia, de tolerância. O Deus de Jesus Cristo é um Deus paciente e misericordioso, lento para a ira e rico de misericórdia, que dá sempre ao homem todas as oportunidades para refazer a existência e para integrar plenamente a comunidade do “Reino”. Ele tem um plano de salvação e de graça que oferece gratuitamente a todos os homens, bons e maus; depois, no tempo oportuno, ver-se-á quem são os maus e quem são os bons. De resto, não é muito fácil separar o bom e o mau, porque as duas realidades coexistem em todos os “campos”, em todos os corações.
O “senhor” da parábola é esse Deus paciente, que dá ao homem todas as oportunidades, que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
Os “servos” com excesso de zelo são os crentes (que trabalham no campo do “senhor”) rígidos e intolerantes, incapazes de olhar o mundo e o coração dos homens com a bondade, a serenidade e a paciência de Deus.
O “campo” é o mundo e a história, onde coexistem
o trigo (os sinais de esperança, de vida, de amor que tornam este mundo mais belo e mais feliz) e o joio (os sinais de morte, responsáveis pelo sofrimento, pela opressão, pela escravidão). É também o coração de cada homem e de cada mulher, capaz de opções de vida e capazes de opções de morte.
Jesus garante: os métodos de Deus não passam pelo castigo imediato, pela intolerância face às opções dos homens, pela incompreensão dos erros dos seus filhos; os métodos de Deus passam por deixar os homens crescer em liberdade, integrando a comunidade dos filhos de Deus.
Nos vers. 36-43, temos a aplicação que Mateus faz da parábola do trigo e do joio à vida da sua comunidade.
Nesta “explicação”, o eixo central da parábola original passa a ser outro. A problema já não é se na “lógica” de Deus o trigo e o joio podem crescer juntos, mas é a questão do “juízo” que espera bons e maus: Mateus insiste que, no “dia da colheita” (imagem que, nos profetas, se identifica com o dia do “juízo de Deus” sobre os homens e o mundo), os bons receberão a recompensa e os maus receberão o castigo.
Estamos nos finais do séc. I (década de 80). Já passou o entusiasmo dos primeiros anos; a vida das comunidades cristãs é marcada pela monotonia, pela falta de entusiasmo e empenho, pela mediocridade, pelo laxismo. Os cristãos aburguesaram-se e nem sempre vivem de forma empenhada e comprometida a sua fé. Como despertar de novo nos crentes o entusiasmo inicial?
Mateus vai usar os métodos dos pregadores do seu tempo… Recorrendo à linguagem e aos símbolos da apocalíptica, Mateus lembra aos cristãos da sua comunidade o juízo futuro de Deus. Os símbolos utilizados (o joio queimado no fogo, a fornalha ardente, o choro e o ranger de dentes) destinam-se a impressionar os crentes, a obrigá-los a infletir os seus esquemas de vida e a voltar à fidelidade ao Evangelho. Portanto, não temos aqui uma descrição de como será o “fim do mundo”; o que temos aqui é um convite urgente e emocionado à conversão, ao aprofundamento do compromisso com Jesus e com o Evangelho.
O Evangelho deste domingo propõe-nos ainda duas outras parábolas: a parábola do grão de mostarda (vers. 31-32) e a parábola do fermento (vers. 33). São duas parábolas muito semelhantes, quer quanto ao conteúdo, quer quanto à forma.
Numa e noutra, o quadro é o mesmo: sublinha-se a desproporção entre o início e o resultado final. O grão de mostarda é uma semente muito pequena, que no entanto pode dar origem a um arbusto de razoáveis dimensões; o fermento apresenta um aspecto perfeitamente insignificante, mas tem a capacidade de fermentar uma grande quantidade de massa. Estas duas comparações servem para apresentar o dinamismo do “Reino”. O “Reino” anunciado por Jesus compara-se ao grão de mostarda e ao fermento: parece algo insignificante, que tem inícios muito modestos e humildes, mas contém potencialidades para encher o mundo, para o transformar e renovar. Trata-se de um dinamismo de vida nova que começa como uma pequena semente lançada à terra numa província obscura e insignificante do império romano, mas que vai lançar as suas raízes, invadir história dos homens e potenciar o aparecimento de um mundo novo.
Com estas parábolas, Jesus responde às objecções daqueles que não acreditavam que da mensagem de um carpinteiro de Nazaré, pudesse surgir uma proposta de vida, capaz de fermentar o mundo e a história. Ele garante-nos que o “Reino” é uma realidade irreversível, que veio para ficar e para transformar o mundo. Escutar estas parábolas é receber uma injecção de ânimo e de esperança, capaz de levar a um compromisso mais sério e mais exigente com o “Reino”.

ATUALIZAÇÃO
A reflexão pode fazer-se a partir dos seguintes dados:
• O Evangelho deste domingo garante-nos, antes de mais, que o “Reino” é uma realidade irreversível, que está em processo de crescimento no mundo. É verdade que é difícil perceber essa semente a crescer ou esse fermento a levedar a massa, quando vemos multiplicarem-se as violências, as injustiças, as prepotências, as escravidões… É difícil acreditar que o “Reino” está em processo de construção, quando o materialismo, a futilidade, o comodismo, a procura da facilidade, o efêmero sobressaem, de forma tão marcada, na vida de grande parte dos homens e das mulheres do nosso tempo… A Palavra de Deus convida-nos, contudo, a não perder a confiança e a esperança. Apesar das aparências, o dinamismo do “Reino” está presente, minando positivamente a história e a vida dos homens.
• Na verdade, falar do “Reino” não significa falarmos de um “condomínio fechado”, ao qual só tem acesso um grupo privilegiado constituído pelos “bons”, pelos “puros”, pelos perfeitos”, e de onde está ausente o mal, o egoísmo e o pecado… Falar do “Reino” é falar de uma realidade em processo de construção, onde cada homem e cada mulher têm o direito de crescer ao seu ritmo, de fazer as suas escolhas, de acolher ou não o dom de Deus, até à opção final e definitiva. É falarmos de uma realidade onde o amor de Deus, vivo e atuante, vai introduzindo no coração do homem um dinamismo de conversão, de transformação, de renascimento, de vida nova.
• Neste Evangelho temos também uma lição muito sugestiva sobre a atitude de Deus face ao mal e aos que fazem o mal. Na parábola do trigo e do joio, Jesus garante-nos que os esquemas de Deus não prevêem a destruição do pecador, a segregação dos maus, a exclusão dos culpados. O Deus de Jesus Cristo é um Deus de amor e de misericórdia, sem pressa para castigar, que dá ao homem “todo o tempo do mundo” para crescer, para descobrir o dom de Deus e para fazer as suas escolhas. Não percamos nunca de vista a “paciência” de Deus para com os pecadores: talvez evitemos ter de carregar sentimentos de culpa que oprimem e amarguram a nossa breve caminhada nesta terra.
• A “paciência de Deus” com o joio convida-nos também a rejeitarmos as atitudes de rigidez, de intolerância, de incompreensão, de vingança, nas nossas relações com os nossos irmãos. O “senhor” da parábola não aceita a intolerância, a impaciência, o radicalismo dos “servos” que pretendem “cortar o mal pela raiz” e arrancar o mal (correndo o risco de serem injustos, de se enganarem e de meterem mal e bem no mesmo saco). Às vezes, somos demasiados ligeiros em julgar e condenar, como se as coisas fossem claras e tudo fosse, sem discussão, claro ou escuro… A Palavra de Deus convida-nos a moderar a nossa dureza, a nossa intolerância, a nossa intransigência e a contemplar os irmãos (com as suas falhas, defeitos, diferenças, comportamentos religiosa ou socialmente incorretos) com os olhos benevolentes, compreensivos e pacientes de Deus.
• Convém termos sempre presente o seguinte: não há o mal quimicamente puro de um lado e o bem quimicamente puro do outro… Mal e bem misturam-se no mundo, na vida e no coração de cada um de nós. Dividir as nações em boas (as que têm uma política que serve os nossos interesses) e más (as que têm uma política que lesa os nossos interesses), os grupos sociais em bons (os que defendem valores com os quais concordamos) e maus (os que defendem valores que não são os nossos), os indivíduos em bons (os amigos, aqueles que nos apoiam e que estão sempre de acordo conosco) e maus (aqueles que nos fazem frente, que nos dizem verdades que são difíceis de escutar, que não concordam conosco)… é uma atitude simplista, que nos leva frequentemente a assumir atitudes injustas, que geram exclusão, marginalização, sofrimento e morte. Mais uma vez: saibamos olhar para o mundo, para os grupos, para as pessoas sem preconceitos, com a mesma bondade, compreensão e tolerância que Deus manifesta face a cada homem e a cada mulher, independentemente das suas escolhas e do seu ritmo de caminhada.





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