quinta-feira, 22 de junho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - A ORAÇÃO QUE AGRADA AO PAI

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1a Leitura - 2 Coríntios 11,1-11
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios.

11 1 Oxalá suportásseis um pouco de loucura de minha parte! Oh, sim! Tolerai-me. 2 Eu vos consagro um carinho e amor santo, porque vos desposei com um esposo único e vos apresentei a Cristo como virgem pura. 3 Mas temo que, como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim se corrompam os vossos pensamentos e se apartem da sinceridade para com Cristo. 4 Porque quando aparece alguém pregando-vos outro Jesus, diferente daquele que vos temos pregado, ou se trata de receber outro espírito, diferente do que haveis recebido, ou outro evangelho, diverso do que haveis abraçado, de boa mente o aceitais. 5 Mas penso que em nada tenho sido inferior a esses eminentes apóstolos! 6 Pois, embora eu seja de pouca eloqüência, não acontece o mesmo quanto à ciência: é o que em tudo e a cada passo vos temos manifestado. 7 Porventura cometi alguma falta, em vos ter pregado o Evangelho de Deus gratuitamente, humilhando-me para vos exaltar? 8 Para vos servir, despojei outras igrejas, recebendo delas o meu sustento. 9 Estando convosco e passando alguma necessidade, não fui pesado a ninguém, porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram o que me faltava. Em tudo me guardei e me guardarei de vos ser pesado. 10 Tão certo como a verdade de Cristo está em mim, não me será tirada esta glória nas regiões de Acaia. 11 E por quê? Será por que não vos amo? Deus o sabe!
Palavra do Senhor.

Salmo - 110/111
Vossas obras, ó Senhor, são verdade e são justiça.
Eu agradeço a Deus de todo o coração,
junto com todos os seus justos reunidos!
Que grandiosas são as obras do Senhor,
elas merecem todo amor e admiração!

Que beleza e esplendor são os seus feitos!
Sua justiça permanece eternamente!
O Senhor bom e clemente nos deixou
a lembrança de suas grandes maravilhas.

Suas obras são verdade e são justiça,
seus preceitos, todos eles, são estáveis,
confirmados para sempre e pelos séculos,
realizados na verdade e retidão.

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Evangelho - Mateus 6,7-15
Aleluia, aleluia, aleluia.

Recebestes um espírito de adoção, no qual clamamos Aba! Pai! (Rm 8,15).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 6 7 "Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8 Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. 9 Eis como deveis rezar: Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; 10 venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. 11 O pão nosso de cada dia nos dai hoje; 12 perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; 13 e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. 14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15 Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará".
Palavra da Salvação.
 
 Reflexão
 
Neste Evangelho Jesus nos ensina a oração perfeita que agrada ao Pai, com simplicidade e pureza de coração. Na maioria das vezes, nós nos confundimos e queremos que a nossa prece seja ouvida por Deus em vista das nossas palavras bonitas e eloquentes. Por isso, Jesus nos motiva a sermos objetivos no nosso relacionamento com o Pai usando a Sua Palavra como argumento, reconhecendo que Deus é Pai e, consequentemente, conhece as nossas reais necessidades. Leva-nos, portanto, a louvar a Santidade do Seu Nome, e a nos comprometer com a edificação do Seu reino, aqui na terra como no céu.  Jesus nos convida a pedir ao Pai o pão para prover as nossas carências a cada dia da nossa vida. O pão que alimenta o nosso corpo, mas também, o pão que nutre a nossa alma, o pão da Palavra, o pão da Eucaristia, o pão da Oração que nos fortalecem e nos exercitam para que possamos receber e oferecer o pão do perdão. Perdão de Deus para nós e o nosso perdão aos homens, nossos irmãos, porque somos filhos do mesmo Pai. No final, Jesus nos educa a pedir pela nossa maior necessidade em todos os dias: não cair em tentação do pecado e nos livrar do mal que é o demônio, inimigo de Deus. Se rezarmos a oração do Pai Nosso com convicção no que estamos proclamando, com certeza, a nossa vida será um autêntico testemunho de santidade. Portanto, a oração do Pai Nosso é a oração que mais agrada a Deus, quando é vivenciada por nós. – Você já experimentou rezar o Pai Nosso “do jeito” que Jesus nos ensinou? – Experimente fazê-lo, hoje, meditando em cada palavra e juntando a palavra à sua ação.  – Você deseja o perdão de Deus? – Você perdoa também a quem o (a) ofendeu?
 
 
 
 
 
Helena Serpa 

O QUE SIGNIFICAM OS GESTOS DE MÃO NOS ÍCONES CRISTÃOS?

A nossa iconografia soube empregar inteligentemente a tradição da retórica greco-romana.

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Você já se perguntou, olhando para os ícones religiosos, por que as figuras de Cristo e dos santos fazem certos gestos com a mão?
Cada gesto tem um significado específico, mas nem sempre conseguimos compreendê-los (para “piorar”, alguns deles vêm “legendados” em grego!)…
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De fato, os gregos e romanos empregavam um “código gestual” complexo, usado pelos oradores e pelos retóricos ao discursarem na ágora, no Senado, em reuniões particulares e até nas salas de aula. Esses gestos, mesmo sendo complexos, eram de amplo conhecimento público, e, portanto, quase todos compreendiam o seu significado. É precisamente por isso que eram usados: para reforçar e tornar ainda mais clara a mensagem transmitida pelos discursos.
Mas nós, dois mil anos depois, precisamos de uma ajudinha para decifrá-los.
Os primeiros ícones cristãos usavam esse repertório gestual greco-romano ao representarem Cristo, os santos e os anjos precisamente porque o seu sentido era entendido pela maior parte das pessoas. Há ícones da Anunciação, por exemplo, nos quais o Arcanjo Gabriel aparece de mão levantada tal como os retóricos romanos, indicando estar prestes a iniciar uma frase importante: é que este era o gesto que precedia o exórdio nos discursos clássicos. O significado era tão enraizado em Roma que esse mesmo gesto pode ser visto inclusive na mais antiga das imagens da Anunciação que chegaram até nós.
A mão levantada também está presente em ícones que retratam Jesus. Afinal, mais do que ninguém, Ele tem algo importante a dizer ao mundo, certo?
No caso da figura de Cristo, além disso, o simbolismo dos gestos da mão ganha novos significados. Em princípio, toda representação icônica ortodoxa ou católica bizantina de Cristo com a mão direita levantada procura ressaltar também a Sua benção. O gesto com este sentido se aplica ainda ao sacerdote diante dos fiéis – o que também explica a representação de santos sacerdotes com as mãos erguidas da mesma forma.
Na tradição ortodoxa, assim como na iconografia cristã primitiva, o gesto da mão abençoante é com frequência associado às letras IC XC, que abreviam o “Nome acima de todo nome”: Jesus (IHCOYC) Cristo (XPICTOC).
O gesto de bênção feito por Cristo tem ainda a finalidade de transmitir verdades doutrinais. Por exemplo, os três dedos que simbolizavam as letras I e X representavam a Santíssima Trindade, que é o mistério da Unidade de Deus em três Pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo. Ao se encostar o polegar e o dedo anelar, simbolizava-se a Encarnação, ou seja, a união das naturezas divina e humana na Pessoa de Cristo.
Certamente haverá mensagens que você poderá “ler” melhor da próxima vez em que vir um ícone – mesmo que estejam em grego!





Daniel R. Esparza 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - DEUS VÊ O CORAÇÃO

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1a Leitura - 2 Coríntios 9,6-11
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios. 9 6 Convém lembrar: "aquele que semeia pouco, pouco ceifará. Aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará". 7 Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus "ama o que dá com alegria". 8 Poderoso é Deus para cumular-vos com toda a espécie de benefícios, para que tendo sempre e em todas as coisas o necessário, vos sobre ainda muito para toda espécie de boas obras. 9 Como está escrito: "Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça subsiste para sempre". 10 Aquele que dá a semente ao semeador e o pão para comer, vos dará rica sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça. 11 Assim, enriquecidos em todas as coisas, podereis exercer toda espécie de generosidade que, por nosso intermédio, será ocasião de agradecer a Deus.
Palavra do Senhor.


Salmo - 111/112
Feliz aquele que respeita o Senhor!

Feliz o homem que respeita o Senhor
e que ama com carinho a sua lei!
Sua descendência será forte sobre a terra,
abençoada a geração dos homens retos!

Haverá glória e riqueza em sua casa,
e permanece para sempre o bem que fez.
Ele é correto, generoso e compassivo,
como luz brilha nas trevas para os justos.

Ele reparte com os pobres seus bens,
permanece para sempre o bem que fez,
e crescerão a sua glória e seu poder.
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Evangelho - Mateus 6,1-6.16-18
Aleluia, aleluia, aleluia.
Quem me ama realmente guardará minha palavra e meu Pai o amará e a ele nós viremos (Jo 14,23).
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 6 1 "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. 2 Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 3 Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. 4 Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á. 5 Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 6 Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á. 16 Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. 17 Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto. 18 Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á”.
Palavra da Salvação.

 Reflexão

A nossa carne fraca, nos impulsiona a querer ser vistos, admirados, elogiados e afagados e, por isso, se não estivermos atentos (as), ficaremos sempre esperando elogios, aplausos e nos entristeceremos quando fizermos algo de bom e as pessoas não vierem nos dar parabéns para agradar o nosso ego. Quando nos deixamos recompensar somente por Deus que está escondido no profundo do nosso ser, as nossas obras, mesmo que não sejam vistas pelos homens, têm um perfume agradável a Deus e, por elas, nós receberemos a Sua recompensa. Por isso, a esmola, a oração e o jejum são atos concretos que devem ser regidos pelo nosso coração e não pelo nosso exterior. Se agirmos por amor, Deus que vê o coração nos dará a recompensa. Do contrário, se fizermos com o intuito de sermos vistos pelos homens, teremos a recompensa dos homens, criaturas limitadas e que julgam pelas aparências. O Senhor nos conhece por inteiro e sabe de todos os motivos pelos quais agimos. A esmola que nós damos deverá ser colocada nas mãos do Senhor, por amor a Ele. Nada é nosso, o Senhor é o doador de tudo. A nossa oração deverá ser feita na intimidade com Ele que conhece a intenção pela qual estamos orando. Assim, a nossa oração terá valor, irá nos amadurecer e nos fazer dar frutos. O jejum que praticarmos deverá ser ofertado ao Senhor por amor e como um sacrifício de louvor a Ele  - O que você prefere: agradar a Deus ou aos homens?   –   Quando faz alguma boa ação você se preocupa em que todos saibam? – Qual é a sua atitude quando está jejuando? – Você gosta de provocar elogios? – As pessoas costumam elogiá-lo (a)? Como você se sente quando isso acontece?




Helena Serpa 

O CÉU É UM "LUGAR" OU É APENAS UM "ESTADO"?

A fé católica nos diz que o céu é um lugar. Saiba por quê.

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Há quem opine que o Céu, ou Paraíso, não seja um “lugar” em sentido físico, mas sim um “estado da alma”.
Este seria o caso se nós, humanos, fôssemos apenas espírito, como os anjos ou como o próprio Deus.
Mas não somos puro espírito: somos uma unidade de corpo físico e alma imortal – e essa unidade não é acidental, mas essencial; ela não é “passageira”, mas inerente à nossa humanidade; por isso mesmo, essa integração de corpo físico e alma imortal não pode ser “truncada” após a nossa morte física, já que, sem o corpo, deixaríamos de ser nós mesmos. Não somos almas “aprisionadas” num corpo, como hereticamente se chega a dizer de quando em quando ao longo da história do pensamento. “Somos” corpo – mas corpo e alma, juntos, em unidade. Faz parte da nossa natureza humana ser essa unidade de corpo e alma.
É por isso que, após o término da nossa vida terrena e fisicamente mortal, seremos ressuscitados para a vida eterna. O nosso corpo, misteriosamente, será tornado glorioso por Deus de uma forma que desconhecemos, mas que é necessária para continuarmos a ser nós mesmos na plenitude da vida definitiva. O nosso corpo não é “descartável”. Não é um “acessório”. O nosso corpo faz parte da nossa identidade, da nossa pessoalidade, do nosso ser. Ele é parte de quem somos – não apenas uma “circunstância” na qual “estamos”.
Subbotina Anna
O termo “Céu”, no sentido de “Paraíso”, significa para o católico o lugar e a condição da suprema bem-aventurança, da suprema felicidade. Se Deus não tivesse nos dotado de corpo físico, mas nos criado apenas como puros espíritos, então o Céu não “precisaria” ser um lugar: seria apenas como o estado dos anjos, que se regozijam na Presença de Deus, o Puro Bem, a Pura Felicidade, a Plenitude do Ser.
Mas acontece que o Céu é também um lugar porque nele estaremos de corpo e alma, na integridade do nosso ser. Lá encontramos a humanidade de Jesus, a bem-aventurada Virgem Maria, os anjos e as almas dos santos. Embora não saibamos dizer onde “fica” esse lugar, ou qual é a sua relação com o Universo, a Revelação não nos permite duvidar da sua existência.
Um puro espírito pode estar num lugar enquanto exerce uma ação sobre um corpo naquele lugar, mas, em si mesmo, o espírito vive numa ordem superior à do espaço. Já um ser “de fronteira”, feito ao mesmo tempo de corpo e de alma, está em um lugar devido à sua realidade que é também corpórea, física. É o caso específico do ser humano.
Ao falar do assunto em sua obra “L’Éternelle vie et la profondeur de l’âme” (1949), o teólogo e filósofo pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P., nos recorda a doutrina confirmada pelo Papa Bento XII:
“As almas de todos os santos estão no Céu antes da ressurreição dos corpos e do julgamento final. Eles veem a Essência Divina por uma visão que é intuitiva e facial, sem a intermediação de qualquer criatura. Por causa desta visão, na qual desfrutam da Essência Divina, eles são verdadeiramente bem-aventurados: têm a vida eterna e o repouso eterno” (Denzinger, nº 530).
O Concílio de Florença (cf. Denzinger, nº 693) reafirma que as almas em estado de graça, depois de purificadas, entram no Céu e veem o Deus Trino como Ele É em Si mesmo, mas com um grau maior ou menor de perfeição conforme os seus méritos durante a vida terrena.


terça-feira, 20 de junho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - AMARÁS O TEU PROXIMO...

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1a Leitura - 2 Coríntios 8,1-9
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios.
Irmãos, 8 1 desejamos dar-vos a conhecer, irmãos, a graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia.
2 Em meio a tantas tribulações com que foram provadas, espalharam generosamente e com transbordante alegria, apesar de sua extrema pobreza, os tesouros de sua liberalidade. 3 Sou testemunha de que, segundo as suas forças, e até além dessas forças, contribuíram espontaneamente 4 e nos pediam com muita insistência o favor de poderem se associar neste socorro destinado aos irmãos. 5 E ultrapassaram nossas expectativas. Primeiro deram-se a si mesmos ao Senhor e, depois, a nós, pela vontade de Deus. 6 De maneira que recomendamos a Tito que leve a termo entre vós esta obra de caridade, como havia começado. 7 Vós vos distinguis em tudo: na fé, na eloqüência, no conhecimento, no zelo de todo o gênero e no afeto para conosco. Cuidai de ser notáveis também nesta obra de caridade. 8 Não o digo como quem manda, mas, para exemplo do zelo dos outros, quisera pôr em prova a sinceridade de vossa caridade. 9 Vós conheceis a bondade de nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza.
Palavra do Senhor.

Salmo - 145/146
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Bendirei ao Senhor toda a vida,
cantarei ao meu Deus sem cessar!

É feliz todo homem que busca
seu auxílio no Deus de Jacó
e que põe no Senhor a esperança.
O Senhor fez o céu e a terra,
fez o mar e que neles existe.
O Senhor é fiel para sempre.

Faz justiça aos que são oprimidos;
ele dá alimento aos famintos,
é o Senhor quem liberta os cativos.

O Senhor abre os olhos aos cegos,
o Senhor faz erguer-se o caído,
o Senhor ama aquele que é justo.
É o Senhor quem protege o estrangeiro.

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Evangelho - Mateus 5,43-48
Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu vos dou novo preceito: que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado (Jo 13,34).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 5 43 "Tendes ouvido o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo’. 44 Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem. 45 Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. 46 Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? 47 Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? 48 Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito".
Palavra da Salvação.
 
 Reflexão
 
A sexta antítese refere-se ao maior dos mandamentos: o amor para com o próximo, já formulado no Levítico (19, 18). Todavia, no Antigo Testamento, o amor ao próximo limitava-se ao povo de Israel e àqueles que, de algum modo, tivessem sido integrados nele.
Jesus cita também o ódio aos inimigos: «odiarás o teu inimigo» (v. 43). É verdade que esse preceito não estava escrito em qualquer página da Bíblia. Mas estava presente nas franjas do judaísmo mais extremista. Em Qunran, prescrevia-se o ódio a todos os filhos das trevas.
Jesus torna universal o preceito do amor ao próximo. Se assim não fosse, os seus discípulos ficavam ao nível dos publicanos que, por solidariedade estavam unidos e se amavam uns aos outros; ou ao nível dos pagãos. Jesus, apoiando-se num princípio aceite pelos judeus – «deve imitar-se o comportamento de Deis» -, instaura o princípio do amor universal. Deus não faz distinções, faz erguer o Sol, e cair a chuva, para todos. Com esta afirmação, Jesus também deita por terra a pretensa preferência, e quase exclusividade, do amor de Deus para com eles.
É curioso o modo como Paulo introduz o discurso que a Liturgia hoje nos propõe: «Queremos dar-vos a conhecer, irmãos, a graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia» (v. 1). Esta «graça» é, nada mais, nada menos, que a generosidade em favor da igreja de Jerusalém. Ser generoso é uma graça! Numa primeira reação, poderíamos argumentar que não foi Deus que enviou recursos econômicos à igreja de Jerusalém. Foram, sim, os Macedônios, que deram da sua própria pobreza. Mas Paulo chama a este esforço de partilha generosa uma graça de Deus, invertendo em certo sentido a situação. Mas é esta a leitura mais profunda deste gesto, como de toda a ação generosa. Isto, por duas razões. Primeiro porque, o que deram, afinal, tinham-no recebido de Deus; Deus ofereceu-lhes a possibilidade de ser generosos, passando a outros os dons que lhes tinha dado; poder dar é uma graça de Deus; a vontade de dar também é graça de Deus. A segunda razão é que, dando desinteressadamente, recebem de verdade o dom de Deus. A graça concedida por Deus às igrejas da Macedônia é a de viver no amor de Deus, receber o amor de Deus, participar ativamente no seu amor. Não se pode receber o amor de Deus sem o transmitir a outros. Quem transmite o amor de Deus vive verdadeiramente nele, e recebe-o cada vez em maior grau. É este o sentido cristão da generosidade: união ao amor de Deus, condição para que este amor nos seja dado com uma generosidade cada vez maior, com aquela munificência de que fala Jesus no Evangelho, quando diz que o Pai faz surgir o sol para os bons e para os maus, e chover para os justos e injustos.
O fascinante projeto evangélico, que Jesus vai delineando, desafia os discípulos a uma perfeição semelhante à de Deus: «Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste» (v. 48). Este Pai está «no céu». Esta expressão simboliza a elevação, a pureza, o espaço alargado do Reino. Assim deve ser o amor dos discípulos: elevado, puro, largo. O discípulo não encerra ninguém nas categorias de próximo e inimigo, de aliado e perseguidor, de mau e bom, de amigo e irmão. Em todos vê, simplesmente, um filho do Pai que está no céu e, portanto, um irmão. Se alguém persiste em ser perseguidor, mau, o cristão não o julga tal, mas ama-o, reza por ele, faz-lhe bem. Jesus não generaliza. Aponta casos muito concretos de que devemos amar, para não corrermos o risco de dizer que amamos a todos, não amando ninguém.
Como religiosos, é nossa tarefa lutar contra a miséria, aliviá-la e, se houver irmãos que têm o carisma de partilhar efetivamente a vida dos "miseráveis", há que encorajá-los e ajudá-los o mais possível nessa difícil missão.
Mas o critério supremo da vida religiosa, como do cristianismo, não é a pobreza mas, sempre e só, a caridade. A pobreza evangélica é para libertar o religioso da escravidão da riqueza; mas também o liberta da escravidão da miséria. Para estar livre e se dedicar ao serviço da caridade, à oração, à atividade apostólica, o religioso não pode estar sujeito à preocupação diária de ganhar o pão, o vestuário, a digna habitação, meios de que não pode prescindir, enquanto vive nesta terra. Sem o necessário para viver, adeus liberdade! Afogar-se-ia fatalmente na luta pela sobrevivência, com todas as tensões e complicações, também psicológicas, que daí derivam. A vida religiosa, entre outras coisas, deve ser testemunho da verdadeira pobreza cristã, isto é, de um nível de vida digno da pessoa humana, que não é certamente o nível da indigência e da miséria. Os primeiros cristãos julgaram justamente um dever que entre eles não houvesse alguém «necessitado» (cf. At 4, 34). No texto da primeira leitura, Paulo, ao solicitar ajuda para a igreja de Jerusalém, anota: «Não se trata de, ao aliviar os outros, vos fazer entrar em apuros, mas sim de que haja igualdade». (2 Cor 8, 13). Que todos tenham, pelo menos, o necessário para viver. «Que haja igualdade!».
Ó Jesus, ensina-me a contemplar o Coração benevolente e generoso do Pai, para que o meu próprio coração se abra generoso para com todos os que passam por necessidades de pão, de presença amiga, de palavra confortante, de ajuda para acreditar no seu amor sem limites.
Ajuda-me a agradecer a misericórdia que sempre usa para comigo, quando sou bom e quando sou mau. Ajuda-me a ser reconhecido para com todos os que me amam e fazem o bem. Pacifica em relação a mim todos os que me perseguem e odeiam.
Que reconheça, cada vez mais, a graça com que, de rico, te fizeste pobre para me enriquecer com a tua pobreza. Amém.




Dehonianos

O QUE É A COMUNHÃO ESPIRITUAL?

O Concílio de Trento ensina que podemos receber o Santíssimo Sacramento de três modos.

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A respeito da comunhão espiritual, apresentamos o seguinte texto de São Leonardo de Porto Maurício (1676-1751), em “As Excelências da Santa Missa”.
___
Quanto à maneira de fazer a comunhão espiritual de que falei antes, é preciso conhecer a doutrina do santo Concílio de Trento, o qual ensina que se pode receber o Santíssimo Sacramento de três modos:
  • Sacramentalmente;
  • Espiritualmente;
  • Sacramentalmente e espiritualmente ao mesmo tempo.
Não se fala aqui do primeiro modo, que se verifica também nos que comungam em estado de pecado mortal, como fez Judas; nem do terceiro, comum a todos os que comungam em estado de graça; mas trata-se aqui do segundo, adequado àqueles que, tomando as palavras do santo Concílio, impossibilitados de receber sacramentalmente o Corpo de Nosso Senhor, “o recebem em espírito, fazendo atos de fé viva e ardente caridade, e com um grande desejo de se unirem ao soberano Bem, e, por meio disto, se põem em estado de obter os frutos do Divino Sacramento” – “Qui voto propositum illum caslestem panem edentes fide viva quae per dilectionem operatur, fructum ejus et utilitatem sentium” (Sess. XIII, c.8.).
Para facilitar-vos tão excelente prática, pesai bem o que vou dizer-vos. No momento em que o sacerdote se dispõe a comungar, na Santa Missa, recolhei-vos no vosso íntimo, tomando a mais modesta posição; formulai em seguida, em vosso coração, um ato de sincera contrição e, batendo humildemente no peito, em sinal de que vos reconheceis indignos de tão grande graça, fazei todos os atos de amor, oferecimento, humildade e os demais que costumais fazer quando comungais sacramentalmente: desejai, então, vivamente receber o adorável Jesus, oculto por vosso amor, no Santíssimo Sacramento.
Para excitar em vós o fervor, imaginai que a Santíssima Virgem ou um de vossos santos padroeiros vos dá a santa comunhão: suponde recebê-la realmente e, estreitando Jesus em vosso coração, repeti-Lhe muitas e muitas vezes com ardente amor: “Vinde, Jesus adorável, vinde ao meu pobre coração; vinde saciar meu desejo; vinde meu adorado Jesus, vinde ó dulcíssimo Jesus!” E depois ficai em silêncio, contemplando vosso Deus dentro de vós, e, como se tivésseis todos os atos que habitualmente fazeis depois da comunhão sacramental.
Ora, sabei que esta santa e bendita comunhão espiritual, tão pouco praticada pelos cristãos de nossos dias, é um tesouro que cumula a alma de bens incalculáveis; e, no sentir de muitos autores, é de tal modo eficaz que pode produzir as mesmas graças que a comunhão sacramental. Com efeito, se vê que a comunhão sacramental, na qual se recebe a santa Hóstia, seja por sua natureza de maior proveito, porque como sacramento age “ex operare operato”, é possível, no entanto, que uma alma faça a comunhão espiritual com tanta humildade, amor e fervor, que obtenha mais graças que não obteria outra, comungando sacramentalmente, mas com disposição menos perfeita.
Nosso Senhor, outrossim, ama tanto este modo de fazer a comunhão espiritual, que muitas vezes se dignou atender com milagres visíveis os piedosos desejos de seus servos, dando-lhes a comunhão ou por sua própria Mão, como fez à bem-aventurada Clara de Montefalco, a Santa Catarina de Sena, e a Santa Lidvina; ou pela mão dos santos anjos, como aconteceu a São Boaventura e aos santos bispos Honorato e Firmino; ou ainda, mais frequentemente, por meio da augusta Mãe de Deus, que se dignou dar a comunhão ao bem aventurado Silvestre.
Não vos admireis desta condescendência tão terna, pois a comunhão espiritual abrasa a alma no Amor a Deus, une-a Ele, e dispõe-na a receber as graças mais insignes.
Se refletísseis, portanto, nestas coisas, seria possível permanecerdes frios e insensíveis? Que desculpa poderíeis invocar para isentar-vos de tão devota prática? Tomai a resolução de vos habituardes a ela; e notai que a comunhão espiritual tem sobre a sacramental esta vantagem, que esta só se pode fazer uma vez ao dia, enquanto aquela podeis fazê-la em todas as Missas que quiserdes, e ainda, de manhã, à tarde, o dia todo ou de noite, em casa como na igreja, sem necessitar permissão de vosso confessor.
Em resumo, quantas vezes fizerdes a comunhão espiritual, outras tantas vos enriquecereis de graças, de méritos e de toda sorte de bens.
Ora, o fim deste pequeno livro é despertar no coração de todos os que o lerem um santo ardor para que se introduza entre os fiéis o costume de assistir todo dia piedosamente à Santa Missa e de fazer ai a comunhão espiritual. Oh, que felicidade, se fosse obtido este resultado! Teria, então, a esperança de ver refletir em toda a Terra este santo fervor que se admirava na Idade de ouro da primitiva Igreja. Nesse tempo os fiéis assistiam diariamente ao Santo Sacrifício, e diariamente recebiam a comunhão sacramental. Se dignos não sois de imitá-los, ao menos assisti a todas as Santas Missas que puderdes e comungai espiritualmente. Se eu tivesse a dita de persuadir-vos, creria ter ganho o mundo inteiro, e daria por bem recompensados os meus débeis esforços.
Enfim, para desfazer todos os pretextos que se apresentam ordinariamente, a fim de não assistir à Santa Missa, darei nos capítulos seguintes diversos exemplos que interessam a toda sorte de pessoas. Por aí cada um compreenderá que, se se priva de tão grande bem, é por sua culpa, por sua preguiça e seu pouco zelo pelas coisas santas, e que assim se prepara amargo arrependimento na hora da morte.







São Leonardo de Porto Maurício, em “As Excelências da Santa Missa” 
Aleteia Brasil

segunda-feira, 19 de junho de 2017

LITURGIA DIÁRIA - OLHO POR OLHO

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1a Leitura - 2 Coríntios 6,1-10
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios.
6 1 Na qualidade de colaboradores seus, exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão.
2 Pois ele diz: “Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação”. Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação.
3 A ninguém damos qualquer motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja criticado.
4 Mas em todas as coisas nos apresentamos como ministros de Deus, por uma grande constância nas tribulações, nas misérias, nas angústias,
5 nos açoites, nos cárceres, nos tumultos populares, nos trabalhos, nas vigílias, nas privações;
6 pela pureza, pela ciência, pela longanimidade, pela bondade, pelo Espírito Santo, por uma caridade sincera,
7 pela palavra da verdade, pelo poder de Deus; pelas armas da justiça ofensivas e defensivas,
8 através da honra e da desonra, da boa e da má fama.
9 Tidos por impostores, somos, no entanto, sinceros; por desconhecidos, somos bem conhecidos; por agonizantes, estamos com vida; por condenados e, no entanto, estamos livres da morte.
10 Somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes; indigentes, porém enriquecendo a muitos; sem posses, nós que tudo possuímos!
Palavra do Senhor.


Salmo - 97/98
O Senhor fez conhecer a salvação.

Cantai ao Senhor Seus um canto novo,
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo
alcançaram-lhe a vitória.

O Senhor fez conhecer a salvação
e, às nações, sua justiça;
recordou o seu amor sempre fiel
pela casa de Israel.

Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
alegrai-vos e exultai!
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Evangelho - Mateus 5,38-42
Aleluia, aleluia, aleluia.

Vossa palavra é uma luz para os meus passos e uma lâmpada luzente em meu caminho (Sl 118,105).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 5 38 disse Jesus: “Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.
40 Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa.
41 Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.
42 Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado”.
Palavra da Salvação.
 
 Reflexão
 
A quinta antítese consiste na chamada «lei de Talião» (Ex 21, 24; Lv 14, 19s.; Dt 19, 21). Essa lei, que já encontramos no Código de Hamurabi (séc. XVIII a. C.), foi necessária numa cultura em que a vingança não tinha limite. Baseava-se no princípio da retribuição e na exigência de reparação. Quando foi dada, era uma lei «progressista», pois punha freio à retorsão (cf. Gn 4, 23s.). Não deve ser julgada à luz do Evangelho. Os próprios judeus se sentiam embaraçados perante tão horrendo princípio. Por isso, em vez de a aplicarem à letra, substituíam-na por sanções pecuniárias.
Jesus ensina a ser longânimes, a não responder com a vingança ou com a intolerância às ofensas. Assim se quebra a espiral da violência e da prepotência. Isto vale também quando é posta em causa a nossa integridade física e a integridade dos nossos bens, a começar pelo tempo: a capa (v. 40) servia para se defender das intempéries e para cobrir o corpo durante as horas de repouso; a milha (v. 41) era o caminho permitido em dia de sábado. Paulo retomará este ensinamento de Cristo e escreverá: «Não pagueis a ninguém o mal com o mal… Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem» (Rm 12, 17.21).
Estas exigências de Jesus não são contrárias à ordem que deve existir na sociedade. Ele próprio dá o exemplo: pede explicações a quem lhe bateu (Mc 14, 48; Jo 18, 23) e sofre a humilhação; Paulo, para se defender da injustiça, invoca a sua qualidade de cidadão romano, recorrendo mesmo ao supremo tribunal, a César. Uma coisa é a defesa dos próprios direitos, outra é a violência, a intolerância.
Paulo apresenta-se como um homem de contrastes, simultaneamente lutador e hipersensível. Os seus escritos são, por vezes, bastante difíceis de compreender exactamente por causa da insistência nos contrastes, nos paradoxos, com que não só procura evidenciar o aspecto desconcertante do mistério de Cristo, mas também como apresenta a sua vida de discípulo e de apóstolo. No texto que escutamos aparecem-nos vários desses contrastes referentes à sua vida e acção apostólica: somos tidos por impostores e, no entanto, verdadeiros; por desconhecidos e, no entanto, bem conhecidos; por agonizantes e, no entanto, eis-nos com vida; por condenados e, no entanto, livres da morte; por tristes, nós que estamos sempre alegres; por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo (vv. 8-10). É assim a vida do cristão, particularmente daquele que mais directamente se empenha no apostolado. O temperamento de Paulo era especialmente adequado para ilustrar a situação extraordinária do cristão neste mundo, situação tantas vezes marcada por contrastes e oposições. Em todas essas situações, o Apóstolo revela transparência, sabedoria, tolerância, sinceridade, amor. É o estilo do homem evangélico vencedor, capaz de perder algo de si mesmo, ou que lhe pertence, para beneficiar a muitos. É a “cultura” do discípulo de Jesus, que sabe carregar a cruz como momento favorável, como dia de salvação.
No evangelho, Jesus convida os discípulos a viveram de modo desconcertante. Em vez de responderem ao mal com o mal, que é a reacção mais espontânea, até codificada no Antigo Testamento (“Olho por olho, dente por dente”), os discípulos devem contrapor ao mal o bem. É o contraste fundamental. «Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra» (v. 39). Pode parecer uma atitude estúpida. Mas é profundamente cristã. S. Paulo vê-a como coisa divina.
«Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pedir emprestado» (v. 42). Quando damos algo aos outros, não o retiramos da nossa riqueza. Poderíamos orgulhar-nos ou fazer pesar a nossa “generosidade” sobre aqueles a quem damos. Damos da nossa pobreza. Assim mantemo-nos humildes, pois, se ajudamos os outros, é por graça de Deus que o fazemos. É o paradoxo da vida apostólica e espiritual. O Senhor deixa-nos na nossa pobreza, na nossa humildade. Mas é aí, em mais uma situação paradoxal, que se manifesta o seu poder! Embora «pobres, enriquecemos a muitos», porque deixamos Deus actuar na nossa pobreza. Quem é pobre, não é pobre só porque reduz ao mínimo as suas exigências, mas porque tem muito para dar aos outros. A generosidade do dom é a medida da nossa pobreza. Permanecer pobres, usando muitos bens, é o testemunho de muitos santos, que realizaram obras grandiosas; é um dos testemunhos mais necessários na nossa sociedade de
bem-estar, onde a abundância dos bens, em vez de abrir os corações à generosidade, muitas vezes os fecha, encerrando cada vez mais os homens no seu egoísmo.
Há religiosos que, por especial vocação, se sentem impelidos a servir Cristo Pobre, partilhando a condição social dos pobres (cf. Cst 50), e contentando-se com o que os pobres têm. Partilhando a vida dos sem recursos, a sua insegurança, as suas privações, demonstram que nenhuma situação social é pobre de bens espirituais e que a bondade de Deus até se inclina sobre os pobres com predilecção. Realiza-se, deste modo, a palavra do Senhor: «Bem-aventurados, vós, os pobres…» (Lc 6, 20). Será um anúncio credível e convincente, se o religioso que o proclama, demonstra, com a sua pobreza, que é bem-aventurado, porque é testemunho vivo de Cristo Pobre, que tem predilecção pelos pobres e se faz uma só coisa com eles. «A nossa predilecção irá para aqueles que têm maior necessidade de ser considerados e amados: estamos todos solidários com os nossos irmãos que se consagram ao seu serviço» (Cst 51).
 
 
 
 
Dehonianos