sexta-feira, 17 de novembro de 2017

LITURGIA DIÁRIA - O DIA DO FILHO DO HOMEM

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1a Leitura - Sabedoria 13,1-9
Leitura do livro da Sabedoria.
13 1 São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerando suas obras.
2 Tomaram o fogo, ou o vento, ou o ar agitável, ou a esfera estrelada, ou a água impetuosa, ou os astros dos céus, por deuses, regentes do mundo.
3 Se tomaram essas coisas por deuses, encantados pela sua beleza, saibam, então, quanto seu Senhor prevalece sobre elas, porque é o criador da beleza que fez estas coisas.
4 Se o que os impressionou é a sua força e o seu poder, que eles compreendam, por meio delas, que seu criador é mais forte;
5 pois é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor.
6 Contudo, estes só incorrem numa ligeira censura, porque, talvez, eles caíram no erro procurando Deus e querendo encontrá-lo:
7 vivendo entre suas obras, eles as observam com cuidado, e porque eles as consideram belas, deixam-se seduzir pelo seu aspecto.
8 Ainda uma vez, entretanto, eles não são desculpáveis,
9 porque, se eles possuíram luz suficiente para poder perscrutar a ordem do mundo, como não encontraram eles mais facilmente aquele que é seu Senhor?
Palavra do Senhor.


Salmo - 18A/19
Os céus proclamam a glória do Senhor!

os céus proclamam a glória do Senhor,
e o firmamento, a obra de suas mãos;
o dia ao dia transmite essa mensagem,
a noite à noite publica essa notícia.

Não são discursos nem frases ou palavras,
nem são vozes que possam ser ouvidas;
seu som ressoa e se espalha em toda a terra,
chega aos confins do universo a sua voz.
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Evangelho - Lucas, 17,26-37
Aleluia, aleluia, aleluia.

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 26“Como aconteceu nos dias de Noé, assim também acontecerá nos dias do Filho do Homem. 27Eles comiam, bebiam, casavam-se e se davam em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então chegou o dilúvio e fez morrer todos eles. 28Acontecerá como nos dias de Ló: comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam. 29Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, Deus fez chover fogo e enxofre do céu e fez morrer todos. 30O mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado. 31Nesse dia, quem estiver no terraço, não desça para apanhar os bens que estão em sua casa. E quem estiver nos campos não volte para trás. 32Lembrai-vos da mulher de Ló. 33Quem procura ganhar a sua vida vai perdê-la; e quem a perde vai conservá-la. 34Eu vos digo: nessa noite, dois estarão numa cama; um será tomado e o outro será deixado. 35Duas mulheres estarão moendo juntas; uma será tomada e a outra será deixada. 36Dois homens estarão no campo; um será levado e o outro será deixado”. 37Os discípulos perguntaram: “Senhor, onde acontecerá isso?” Jesus respondeu: “Onde estiver o cadáver, aí se reunirão os abutres”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
 
 
Neste Evangelho Jesus nos alerta para que estejamos atentos e alertas aos Seus sinais e às manifestações de Deus por meio dos fatos e acontecimentos do nosso dia a dia, aos quais, muitas vezes, relegamos e os deixamos passar sem dar a devida atenção. Somos chamados (as) para participar do reino dos céus a todo instante, mas, vivemos absortos (as) nos nossos projetos e em suas realizações e nos esquecemos de que a figura desse mundo irá passar. Erroneamente imaginamos que podemos dar um jeito na nossa vida e, que, na hora H nós conseguiremos fugir de Deus. Queremos ser independentes e fazer da nossa existência o que a nossa vontade nos apontar. Entretanto, Jesus vem nos ensinar a estar vigilantes porque o reino de Deus acontece em nós a qualquer momento e quem estiver de prontidão, de coração aberto, conseguirá alcançá-lo. Cada um de nós tem o seu dia e a sua hora e as coisas não acontecem em série, nem igualmente para todos, como se fôssemos marcados para o mesmo momento. As nossas ações, o nosso objetivo, o nosso ideal, nortearão o nosso futuro. “Quem procura ganhar a sua vida vai perdê-la; e quem a perde, vai conservá-la”. Não podemos fazer justiça com as nossas próprias mãos, nem são os nossos méritos que nos darão a salvação, porém as nossas atitudes, quanto mais forem elas, atos de amor, de confiança e de entrega à vontade Deus, mais estaremos perto de alcançar o nosso sonho, que é a vida nova que Jesus veio nos presentear. O Senhor pode chegar a qualquer momento, e, vivos ou mortos, a Ele pertencemos, portanto, estejamos atentos (as) aos Seus sinais. - Você tem o coração vigilante para que aconteça  o que o Senhor quiser? – Você se acha uma pessoa boa, merecedora de um bom lugar nesta vida e também depois, na outra? -  Você percebe os sinais de Deus nos acontecimentos da sua vida?  




Helena Serpa

É VERDADE QUE OS MORTOS FICAM "DORMINDO" À ESPERA DO JUÍZO FINAL? NÃO, NÃO É!

Aquela interpretação contraria a clara doutrina do Novo Testamento e é incompatível com a fé na Ressurreição e Ascensão de Cristo

Uma recorrente objeção protestante à intercessão dos santos, inclusive à de Nossa Senhora, é a interpretação de que, após a morte, ficamos “dormindo” até o Juízo Final. A propósito desta afirmação incompatível com a fé na Ressurreição e na Ascensão de Cristo, compartilhamos o seguinte e claro texto de dom Henrique Soares da Costa, bispo da diocese de Palmares, no Estado brasileiro de Pernambuco.
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No Antigo Testamento, antes da Vinda do Cristo, pensava-se que quem morria ficava no sheol (mansão dos mortos), à espera da Vinda do Senhor, quando se dariam a Ressurreição dos mortos e o Juízo Final. Até lá, o sheol era igual para todo mundo, bons e maus: era o reino da morte para todos! Os mortos ficavam numa situação de espera até à consumação final.
Aos poucos, porém, foi nascendo a ideia de que, mesmo no sheol, havia diferença entre os bons e os maus; basta pensar na parábola do rico epulão e do pobre Lázaro: os dois estão no sheol (no seio de Abraão), mas um está feliz enquanto o outro pena (cf. Lc 16,19-26).
Em resumo: segundo os textos mais antigos do Antigo Testamento, os mortos ficavam “dormindo” no sheol até a ressurreição final, quando o Messias viesse; nos textos mais recentes, os judeus já não pensavam que os mortos ficavam dormindo, numa sentido de inconsciência, mas num estado de espera, bom para os justos e tormentoso para os maus, até que o Messias viesse para o julgamento definitivo.
No Novo Testamento, com a chegada do Messias, tudo muda!
Com Cristo, que é o Messias esperado, os mortos não mais ficarão esperando, pois chegaram os últimos tempos! Recordemos aquela passagem de Lucas 23,42s, do Bom Ladrão:
“E falou: ‘Jesus, lembra-Te de mim quando vieres como Rei’. E Jesus lhe respondeu: ‘Eu te asseguro: ainda hoje estarás Comigo no paraíso’”.
O ladrão, como os judeus da época de Jesus, esperava a Ressurreição no final dos tempos, quando o Senhor viria em Glória: “Lembra-Te de mim, quando vieres com Teu Reino!”. Mas o Reino já chegou; com a Ressurreição de Jesus chegaram os tempos finais. Por isso mesmo, Jesus responde: “Hoje mesmo estarás comigo”!
Agora que Ele chegou, que venceu a morte, não há mais o que ficar esperando: com Cristo, os mortos não têm mais o que esperar: já chegou o dia do julgamento! O futuro esperado torna-se hoje, torna-se presente em Cristo: a salvação definitiva não é uma realidade meramente futura, mas surte efeitos imediatos para quem parte desta vida na comunhão com Cristo; o paraíso, estado final da bem-aventurança, é estar com Cristo, “já”, “agora”! A morte de Cristo abre as portas do paraíso, de modo que a morte do cristão é entrada na Vida eterna.
Por isso mesmo, São Paulo afirma preferir ausentar-se desta vida terrena para ir estar com Cristo:
“Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos do corpo para morar junto do Senhor” (2Cor 5,8).
Aqui aparece claramente que o término da existência terrena leva imediatamente a habitar junto do Senhor. Não tem essa de ficar dormindo: morrer é ir estar imediatamente com o Senhor; por isso Paulo prefere morrer logo! Os que morreram antes da Vinda de Cristo na glória vivem já com o Senhor. O Apóstolo acrescenta, em outra carta:
“Para mim viver é Cristo e a morte, lucro. Entretanto, se o viver na carne ainda me permitir um trabalho frutuoso, não sei o que escolher. Estou como que na alternativa. Pois de um lado desejo partir para estar com Cristo, o que é muito melhor” (Fl 1,21ss).
Note-se que aqui o importante é que “o viver é Cristo”: a morte não é um lucro em si mesmo, mas somente se for um partir para estar logo com Cristo. Uma morte que fosse separação de Cristo ou que interrompesse a comunhão com Ele não seria “lucro” para Paulo. A morte somente é desejável porque permite a entrada na plenitude da comunhão com Cristo, que constitui o objetivo último da esperança cristã.
Em mais sete textos paulinos a expressão “com Cristo” aparece com este significado. Por exemplo:
“Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que Nele morrerem. Depois nós, os vivos, que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. Assim estaremos sempre com o Senhor” (1Ts 4,14.17);
“Pois Deus não nos destina à ira mas à salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós a fim de que, vivos ou mortos, fiquemos unidos a ele” (1Ts 5,10).
Outros textos são 2Cor 4,14; 13,4; Rm 6,8; 8,32.
Estar com o Senhor exprime a firme certeza da comunhão com Cristo logo após a morte! Se o estar com Cristo fosse possível somente na Parusia (=Vinda de Cristo), o melhor para Paulo não seria partir! Partir para ficar dormindo?! Partir somente é bom porque é para estar com Cristo!
Resumindo: aparece claríssimo no Novo Testamento que logo após a morte “partimos para estar com Cristo”. Então, erram aqueles que afirmam que, após a morte, ficamos dormindo até à ressurreição final! Afirmar que, após a morte ficamos dormindo, é esquecer que Cristo ressuscitou, que, com Ele, ressuscitamos para a Vida! Erram também gravemente os reencarnacionistas, que pensam que, após a morte, ficamos à toa, zanzando num além, até reencarnarmos novamente! Isso seria desconhecer que nem a morte, nem a vida, nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Cristo (cf. Rm 8,39).
Para terminar, cito um importante texto do Magistério da Igreja, a constituição Benedictus Deus, do Papa Bento XII, no século XIV, que ensinou claramente e de modo infalível:
“Nós, com a força da autoridade apostólica, definimos que, segundo a geral disposição de Deus, as almas de todos os santos que deixaram este mundo antes da paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, e aquelas dos santos apóstolos, dos mártires, dos confessores, das virgens e dos outros fieis que morreram após receber o santo Batismo de Cristo, e nos quais não há mais nada para purificar quando morreram, e não haverá também no futuro, quando morrerem, ou caso tenham algo para purificar, uma vez purificado, já que foram purificados após a sua morte (…) imediatamente após a morte e a purificação – se disto tinham necessidade -, mesmo antes de reassumirem os seus corpos e do juízo universal, após a Ascensão do nosso Senhor Jesus Cristo ao Céu, estavam, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no celeste paraíso, com Cristo…”
A doutrina da Igreja é clara: aqueles que já estão purificados de seus pecados, imediatamente após a morte, mesmo antes do Juízo Final, estarão no paraíso, que é estar com Cristo.
E isto por quê? Porque Jesus já ressuscitou e já subiu ao Céu. Na Sua Ascensão, já nos abriu o Coração do Pai! Repito: quem nega que logo após a morte vamos estar com Cristo está desconhecendo que Cristo ressuscitou; está ainda no Antigo Testamento!
E o Juízo Final? Na Vinda do Senhor nossos corpos ressuscitarão e tudo quanto fizemos de bom ou de mal, nossos atos e omissões aparecerão, com suas consequências para toda a humanidade!




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Dom Henrique Soares da Costa
Bispo de Palmares, PE

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

LITURGIA DIÁRIA - O REINO DE DEUS É JESUS

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1a Leitura - Sabedoria 7,22-8,1
Leitura do livro da Sabedoria.
7 22 Há nela, com efeito, um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo,
23 livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis.
24 Mais ágil que todo o movimento é a Sabedoria, ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza.
25 Ela é um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela.
26 É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de sua bondade.
27 Embora única, tudo pode; imutável em si mesma, renova todas as coisas. Ela se derrama de geração em geração nas almas santas e forma os amigos e os intérpretes de Deus,
28 porque Deus somente ama quem vive com a sabedoria!
29 É ela, com efeito, mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros. Comparada à luz, ela se sobreleva,
30 porque à luz sucede a noite, enquanto que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece.
8 1 Ela estende seu vigor de uma extremidade do mundo à outra e governa todas as coisas com felicidade.
Palavra do Senhor.

Salmo - 118/119
É eterna, ó Senhor, vossa palavra!

É eterna, ó Senhor, vossa palavra,
ela é tão firme e estável como céu.

De geração em geração, vossa verdade
permanece como a terra que firmastes.

Porque mandastes, tudo existe até agora;
todas as coisas, ó Senhor, vos obedecem!

Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina,
ela dá sabedoria aos pequeninos.

Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo
e ensinai-me vossas leis e mandamentos!

Possa eu viver e para sempre vos louvar;
e que me ajudem, ó Senhor, vossos conselhos!
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Evangelho - Lucas 17,20-25
Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu sou a videira verdadeira e vós sois os ramos; um fruto abundante vós haveis de dar (Jo 15,5).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 17 20 os fariseus perguntaram um dia a Jesus quando viria o Reino de Deus. Respondeu-lhes: “O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo”.
21 Nem se dirá: “Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós”.
22 Mais tarde ele explicou aos discípulos: “Virão dias em que desejareis ver um só dia o Filho do Homem, e não o vereis.
23 Então vos dirão: ‘Ei-lo aqui; e: Ei-lo ali’. Não deveis sair nem os seguir.
24 Pois como o relâmpago, reluzindo numa extremidade do céu, brilha até a outra, assim será com o Filho do Homem no seu dia.
25 É necessário, porém, que primeiro ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração”.
Palavra da Salvação.

O reino de Deus consiste em ter o próprio Jesus como Rei da nossa vida, sendo o Mestre das nossas ações e luz para os nossos pensamentos. Jesus continua vivo, no meio de nós e o Seu Espírito Santo habita no mais profundo do nosso ser nos fazendo ter comunhão íntima com o Pai e o Filho.  Por isso, nunca poderemos nos esquecer de que o reino de Deus não está na pregação das pessoas ou nas coisas que acontecem extraordinariamente e que chamam a nossa atenção, mas acontece dentro do nosso coração.  Quando disserem: “alguém está fazendo milagres, corramos”, não se apresse, pois, esse milagre pode está acontecendo também na sua vida, dentro de você, na sua casa e no meio onde você vive. Jesus aí está para renovar o seu coração, dar à sua vida um novo sentido e levar você a viver uma conversão verdadeira transformando os seus valores humanos em riquezas evangélicas. Se não conseguirmos “ver” Jesus dentro de nós, fora de nós é que nunca o perceberemos, pois, Ele é espírito e o mundo espiritual nós só o vislumbramos quando mergulhamos dentro de nós mesmos (as). No mundo, através das pessoas, nós só podemos perceber os sinais e acenos de Deus como mensagem para o nosso crescimento espiritual e humano a fim de que cada vez mais fiquemos convencidos da Sua presença no nosso coração. – Você agora entende onde está o reino de Deus? – Como Ele tem acontecido em você? - Você é daquelas pessoas que correm quando ouvem falar que alguém está fazendo milagres? - Você tem percebido os milagres que acontecem dentro de si? - Você nota alguma mudança nos seus valores e na maneira de ver as coisas e as pessoas? - Jesus já reina na sua vida?




Helena Serpa

PREGUIÇOSO NÃO ENTRA NO CÉU

 A preguiça leva a todos os vícios, à miséria neste mundo e à condenação eterna no outro.
Preguiçoso não entra no Céu
A Sagrada Escritura diz que a ociosidade é a mãe de todos os vícios, porque ensina muita maldade (cf. Eclo 33, 29).
Comentando esta passagem, escreve S. Bernardo:
O ferro se enferruja quando não se usa. O ar se corrompe e gera doenças quando não é agitado por muito tempo. A água sem correnteza torna-se fétida e nela se desenvolvem os insetos. Assim também o corpo que se corrompe pela preguiça torna-se uma sede de todas as más inclinações.
A ociosidade é má conselheira. Por isto um Padre da Igreja dizia: “Um homem ocupado só tem um demônio para o tentar. O preguiçoso tem cem”.
A preguiça é um grande mal. É mãe de todos os males. Preguiçoso não entra no céu. O Reino dos Céus padece violência. Só quem luta o alcança.
Nosso Senhor no Evangelho nos fala tanto da luta, da penitência, da cruz, do sacrifício, da guerra às paixões. Como seguir o Mestre de braços cruzados, na ociosidade?
O preguiçoso não pode se salvar. A preguiça leva a todos os vícios, à miséria neste mundo e à condenação eterna no outro.
Cuidado! Há uma preguiça espiritual verdadeiramente desastrada na piedade. É o mal dos nossos dias.
"Uma leitura interessante", de Miguel Jadraque y Sánchez Ocaña.
Muitos cristãos não perseveram na virtude por uma preguiça que os domina quando se trata das coisas eternas, do sacrifício, da luta pelo bem.
E queres saber quando nos domina esta preguiça espiritual? Eis os sinais:
  • Infidelidades contínuas à voz da consciência.
  • Um desprezo secreto das pessoas piedosas.
  • Distrações voluntárias e contínuas na oração.
  • Sacramentos recebidos com frieza e sem fruto.
  • Aborrecimento das coisas santas.
  • Inúmeras faltas repetidas e ausência de qualquer esforço para se corrigir.
Como sair deste triste estado?
Só há dois recursos: — Trabalho e Mortificação.



 Mons. Ascânio Brandão

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, do Padre Ascânio Brandão, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 49s.

A LAMBORGHINI DO PAPA

O Papa Francisco foi presenteado nesta quarta-feira com um modelo especial da marca de automóveis de luxo Lamborghini, de cor branca, que será leiloado para financiar projetos humanitários, informou o Vaticano.
AFP PHOTO - OSSERVATORE ROMANO - Handout
 
O pontífice benzeu o carro e assinou o capô, diante de diretores da marca presentes no Vaticano. O automóvel será vendido pela casa Sotheby’s.
O preço do modelo gira em torno de 200 mil euros, mas se espera que o carro do Papa seja arrematado por um valor mais alto.
O Papa determinou que o dinheiro arrecadado seja usado para financiar um projeto de reconstrução de residências, locais de culto e infraestrutura pública na planície de Nínive, Iraque, a fim de ajudar os cristãos que fugiram da guerra a recuperar “suas raízes e sua dignidade”, indicou a Santa Sé.
O Lamborghini do Papa também irá financiar uma associação italiana que ajuda vítimas de redes de prostituição, bem como duas associações italianas atuantes na África, entre elas um grupo internacional de cirurgiões.
O Papa, que costuma receber presentes curiosos, já havia leiloado, com fins de caridade, uma motocicleta Harley Davidson.


(AFP)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

LITURGIA DIÁRIA - O SENHOR SABE O QUE EU PRECISO

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1a Leitura - Sabedoria 6,1-11
Leitura do livro da Sabedoria.
6 1 Ouvi, pois, ó reis, e entendei; aprendei vós que governais o universo!
2 Prestai ouvidos, vós que reinais sobre as nações e vos gloriais do número de vossos povos!
3 Porque é do Senhor que recebestes o poder, e é do Altíssimo que tendes o poderio; é ele que examinará vossas obras e sondará vossos pensamentos!
4 Se, ministros do reino, vós não julgastes eqüitativamente, nem observastes a lei, nem andastes segundo a vontade de Deus,
5 ele se apresentará a vós, terrível, inesperado, porque aqueles que dominam serão rigorosamente julgados.
6 Ao menor, com efeito, a compaixão atrai o perdão, mas os poderosos serão examinados sem piedade.
7 O Senhor de todos não fará exceção para ninguém, e não se deixará impor pela grandeza, porque, pequenos ou grandes, é ele que a todos criou, e de todos cuida igualmente;
8 mas para os poderosos o julgamento será severo.
9 É a vós, pois, ó príncipes, que me dirijo, para que aprendais a Sabedoria e não resvaleis,
10 porque aqueles que santamente observarem as santas leis serão santificados, e os que as tiverem estudado poderão justificar-se.
11 Anelai, pois, pelas minhas palavras, reclamai-as ardentemente e sereis instruídos.
Palavra do Senhor.


Salmo - 81/82
Levantai-vos, ó Senhor, julgai a terra! 

“Fazei justiça aos indefesos e aos órfãos,
ao pobre e ao humilde absolvei!
Libertai o oprimido, o infeliz,
da mão dos opressores arrancai-os!”

Eu disse: “Ó juízes, vós sois deuses,
sois filhos todos vós do Deus Altíssimo!
E, contudo, como homens morrereis,
caireis como qualquer dos poderosos!”
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Evangelho - Lucas 17,11-19
Aleluia, aleluia, aleluia.
Em tudo Dai graças, pois esta é a vontade de Deus para convosco, em Cristo o Senhor (1Ts 5,18),
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
 
17 11 Sempre em caminho para Jerusalém, Jesus passava pelos confins da Samaria e da Galiléia.
12 Ao entrar numa aldeia, vieram ao encontro de Jesus dez leprosos, que pararam ao longe e elevaram a voz, clamando:
13 “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”
14 Jesus viu-os e disse-lhes: “Ide, mostrai-vos ao sacerdote”. E quando eles iam andando, ficaram curados.
15 Um deles, vendo-se curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.
16 Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano.
17 Jesus lhe disse: “Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove?
18 Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?!”
19 E acrescentou: “Levanta-te e vai, tua fé te salvou”.
Palavra da Salvação.
 

Será que os leprosos pediram para que Jesus os curasse? Será que havia esperança em alguém tão doente em ver de volta a cura de seus males? Isso fica subtendido na interpretação de cada coração que lê esse evangelho.A Lepra, mais que uma doença visível e mutiladora, era uma doença social. As pessoas dadas como leprosas eram “condenadas” a vagar longe da sociedade sendo assim, era comum encontrá-los em grupos, pois tentavam assim não ficar só. Em grupos tentavam também se manter e se ajudar, pois a fome era a maior inimiga dos doentes.Jesus passava por uma região que era repudiada pelos judeus. Região “impura” de onde judeu algum deveria guardar “a terra das sandálias”. Nesse local, Jesus é abordado por pessoas, que talvez sedentas ou famintas, vinham em busca de algo que as ajudasse. Jesus poderia como no episódio da moeda dentro do ventre do peixe (Mateus 17, 26), dar algum dinheiro para que lhes fartasse a fome, mas como a palavra mesmo diz: Jesus sabe o que REALMENTE precisamos.“(…) Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus”. (Romanos 8, 26-27)Mas algo de extraordinário aconteceu: “(…) Quando iam pelo caminho foram curados”.Muitas pessoas que vem ao encontro de Jesus já começam seu processo de mudança pelo caminho. Creio que até mesmo durante o percurso já são libertadas do que REALMENTE era necessário que fosse tratado. No entanto, muitos de nós, velhos de caminhada ainda não compreendemos isso ao nos debulhar em pedidos se o mais importante é que a Palavra chegue ao nosso coração.Mesmo aquele que veio e não voltou é preciso crer que a Palavra não volta sem cumprir o que era para ser feito em nós. Ele pode ter partido e não testemunhado, mas se a porta estava aberta, com certeza a semente foi lançada.“(…) Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Isaias 55, 10-11)Reparemos que Jesus determinou algo na vida daquele que voltou. Jesus atestou o dom da fé em alguém que ninguém esperava (além de leproso, samaritano). Ele poderia ter voltado a viver depois de tanto tempo de exclusão social, mas primeiro soube agradecer a Deus em seguida assumiu um compromisso de ação. Quando volta, ele abandona um paradigma humano – a ingratidão.Quando disse que os dez vinham à procura de algo material (dinheiro, comida, água) é uma exortação a todos aqueles que só procuram Deus quando a água começa a subir. Sim, creio que Deus vai operar (até mesmo pelo caminho) pela misericórdia em todos nós, mas precisamos deixar que Deus opere em nós o que REALMENTE precisamos e ao voltar pra casa, possamos ver as nossas lepras indo embora e não sejamos ingratos, pois não conseguimos o que achávamos que queríamos.Repita assim “Senhor o Senhor sabe o que eu preciso”.Um imenso abraço fraterno. 

 

 

 

Alexandre Soledade

OS FUNDAMENTOS DA ESCRAVIDÃO À VIRGEM SANTÍSSIMA

 O culto de escravidão sintetiza todos os cultos que devemos a Nossa Senhora, como Rainha que ela é de todo o universo.
Os fundamentos da escravidão à Virgem Santíssima

Além do culto de veneração, de amor, de gratidão, de invocação e de imitação, à Virgem SS. é devido, como Rainha de todo o universo, um culto de escravidão. É este último ato de culto mariano que sintetiza todos os demais.
  • O escravo fiel à sua Rainha, se realmente o é, venera-a antes de tudo, reconhecendo sua singular excelência.
  • Em segundo lugar, ama-a e faz tudo o que a agrada, evitando tudo o que possa aborrecê-la.
  • Enche-se de gratidão por Ela, devido aos grandes favores que dela recebeu.
  • Está cheio de confiança em sua Rainha, se sabe que Ela conhece, pode e quer socorrê-lo em todas as suas necessidades.
  • O servo fiel à sua Rainha, enfim, se o é realmente, trata de imitá-la, uma vez que reconhece nEla o seu modelo ideal.
Eis aqui, portanto, como o ato de escravidão sintetiza todos os outros atos do culto singular que devemos a Maria SS., Mãe de Deus, Mãe dos homens, Corredentora do gênero humano, dispensadora de todas as graças divinas, modelo insuperável de nossa vida.

No conhecido Salmo 44, em que se celebram as núpcias do Rei messiânico, o autor inspirado não se esquece de ressaltar o culto de servidão tributado ao Rei incomparável e à Rainha, sua esposa, representada à sua direita. Diz-se do Rei que a ele se submeterão os povos (v. 6); põe-se de relevo a homenagem que lhe tributam suas filhas (v. 9). Depois, referindo-se à Rainha, o hagiógrafo nota como os habitantes de Tiro, uma das cidades ricas de então, vêm a Ela com seus presentes, e como os próceres do povo tratam de conquistar o seu favor (v. 13). Em outra parte, a Rainha é representada com um cortejo de virgens à sua volta, companheiras e servas suas, símbolo evidente daquela inumerável corte de almas — todas as almas verdadeiramente cristãs — que haveriam de servi-la.
Em outro lugar, prediz-se que todos os povos hão de servir o Rei messiânico: “Omnes gentes servient ei” (Sl 72, 11). Ora, não deveria dizer-se o mesmo da Rainha, Mãe e Esposa sua? Assim como Ela compartilha com Ele o domínio real sobre todas coisas, assim também deve compartilhar com Ele o culto de escravidão que lhe temos de tributar todos nós, já que o Rei e a Rainha constituem uma única pessoa moral.

O primeiro dos Padres da Igreja que se declarou expressamente “servo de Maria” foi, ao que parece, o diácono S. Efrém, o Sírio (306-373), chamado de “sol dos Sírios”, “harpa do Espírito Santo”, “o cantor de Maria”. Depois de proclamá-la “Senhora de todos os mortais”, S. Efrém se declara humildemente um “indigno servo seu”. Em seu primeiro canto de louvor a Maria, o santo lhe dirige esta ardente oração:
Ó Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, Rainha do universo, esperança dos mais desesperados, gloriosíssima, ótima e honorabilíssima Senhora Nossa! Ó grande Princesa e Rainha, incomparável Virgem, puríssima e castíssima Senhora de todos os senhores, Mãe de Deus, nós nos entregamos e consagramos ao vosso serviço desde nossa infância. Levamos o nome de servos vossos.

Não permitais, pois, que Satanás, o espírito maligno, nos arraste para o inferno. Enchei de agora em diante a minha boca, ó Santa Senhora, com a doçura da vossa graça. Aceitai, ó Virgem Santa, que o teu humílimo servo vos louve e vos diga: Saúdo-vos, ó vaso magnifico e precioso de Deus! Saúdo-vos, Maria, Soberana minha cheia de graça! Saúdo-vos, Soberana de todas as criaturas! Saúdo-vos, cântico dos querubins, doce harmonia dos anjos! Saúdo-vos, hino dos solitários! Saúdo-vos, Soberana, que tendes em mãos o cetro sobre os vossos fiéis servos!
Fundamentos racionais. O fundamento último do culto mariano de singular servidão apóia-se no domínio completamente singular que a bem-aventurada Virgem exerce sobre todas as criaturas, como Rainha do universo. “O servo”, observa o Angélico, “diz relação a seu Senhor”. Onde há, pois, uma especial razão de senhorio e de domínio, haverá também uma razão especial de servidão.
Ora, que na Virgem SS. exista uma especial razão de domínio e de senhorio sobre todas as coisas, é algo que se segue de sua universal realeza. Podemos, portanto, concluir com Dionísio, o Cartuxo: “Ela domina e pode mandar em todas as criaturas, no céu e na terra”; ou com S. Bernardino de Sena: “Tantas são as criaturas que servem a Maria quantas são as que servem a SS. Trindade”.

O servo fiel de qualquer rainha da terra está contínua e habitualmente perto dela, sem nunca abandoná-la. É isto que tem de fazer, de modo análogo, o servo fiel da Rainha dos céus. Deve estar sempre junto dEla, não perdê-la nunca de vista, ou seja, deve ter o seu pensamento constantemente nEla. Pensar habitualmente em Maria SS. lhe tornará mais fácil pensar habitualmente em Deus. Viver, pois, na presença de Maria é viver, com maior facilidade, na presença de Deus.
Ora, o meio mais eficaz para vivermos assim, continuamente — tanto quanto for possível —, na presença de Maria, é estar profundamente persuadido de que a Virgem SS., de uma maneira misteriosa, está sempre presente em cada um de nós, com o pensamento, com o afeto, com as ações. Ela está conosco
  • pelo pensamento, já que continuamente nos vê em Deus;
  • pelo afeto, pois está presente ali onde está o seu amor, e a Virgem SS. nos ama a todos com um amor inefável de Mãe; e
  • pelas ações, uma vez que todas as graças que preservam e fazem desabrochar a nossa vida sobrenatural passam, como por um canal, pelas mãos de Maria.

 

 

 

Referências

  • Transcrito e adaptado da obra La Madre de Dios según la Fe y la Teología. Trad. esp. de Eduardo Espert. 2.ª ed., Madrid: Apostolado de la Prensa, 1958, vol. 2, pp. 363-389.