sábado, 21 de janeiro de 2017

LITURGIA DIÁRIA - JESUS TAMBÉM PASSOU PELO CRIVO DOS HOMENS

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1a Leitura - Hebreus 9,2-3.11-14
Leitura da carta aos Hebreus.
Irmãos, 9 2 consistia numa tenda: a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa com os pães da proposição; chamava-se Santo. 3 Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos.
11 Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo), 12 sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna. 13 Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos, 14 quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo?
Palavra do Senhor.

Salmo - 46/47
Por entre aclamações Deus se elevou,
o Senhor subiu ao toque da trombeta. 

Povos todos do universo, batei palmas,
gritai a Deus aclamações de alegria!
Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo,
o soberano que domina toda a terra.

Por entre aclamações Deus se elevou,
o Senhor subiu ao toque da trombeta.
Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa,
salmodiai, ao som da harpa, ao nosso rei!

Porque Deus é o grande rei de toda a terra,
ao som da harpa acompanhai os seus louvores!
Deus reina sobre todas as nações,
está sentado no seu trono glorioso.

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Evangelho - Marcos 3,20-21
Aleluia, aleluia, aleluia.
Abri-nos, ó Senhor, o coração, para ouvirmos a palavra de Jesus! (At 16,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
3 20 Jesus e seus discípulos dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento.
21 Quando os seus o souberam, saíram para o reter; pois diziam: "Ele está fora de si."
Palavra da Salvação.



Mesmo os parentes de Jesus tinham uma visão limitada da obra de Deus na vida dos homens e não alcançavam a grandiosidade da Sua Missão. Eles não entendiam que Jesus viera ao mundo revelar a glória e o poder de Deus e inaugurar o tempo da graça e libertação dos cativos, por isso, todos os que tinham fome de Deus O procuravam e eram atraídos a Ele. Hoje, também as pessoas que se dedicam a evangelização, ao anúncio do reino dificilmente são entendidas, na sua própria casa, na sua família e pela sociedade. Quando nós nos voltamos para as coisas do céu e começamos a desvalorizar as coisas terrenas as pessoas nos criticam porque “perdemos muito tempo” em coisas que não nos dão lucro. Dizem que somos fanáticos, carolas, alienados (as), quando saímos pelo mundo pregando o Evangelho e queremos ajudar a tanta gente que sofre. Do contrário, se aderimos às coisas que o mundo nos oferece e entramos na roda dos que valorizam os prazeres efêmeros, se nos detemos em ganhar dinheiro para ter sucesso, aí então, nós somos aplaudidos (as) e incensados (as).  Isso acontece porque nós humanos, temos a nossa visão restrita e superficial e não nos deixamos esclarecer pelo Espírito de Deus que mora em nós. Fazemos coisas erradas, por ignorância e não entendemos a profundidade de Deus, ficamos no superficial e imaginamos esta vida como o objetivo central da nossa existência. Jesus também passou pelo crivo dos homens.   – E você? Como tem sido o seu julgamento diante do mundo? Você é considerada uma pessoa normal que vive como a maioria? – Ou você também já foi apelidado (a) de exagerado (a) por causa do reino de Deus? – O que dizem de você os seus amigos, suas amigas, quando você deixa algum lazer para ir à Igreja ou ao Grupo de Oração?  






Helena Serpa

HUMILDADE, O QUE É?

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Sim, pois, conforme ensina São Tiago em sua epístola, "Deus resiste aos soberbos e dá sua graça aos humildes" (Tg 4, 6). Uma vez que a graça é necessária para salvar-se, concluímos facilmente que a humildade é conditio sine qua non para obter a eterna bem-aventurança.
Mas, o que vem a ser propriamente a humildade? É a virtude que nos leva a reconhecer que a única coisa que possuímos são nossas faltas, e se algo de bom fizemos, foi por iniciativa e inspiração divina: "É Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar" (Fl 2, 13). Ela "nos inclina a coibir o desordenado desejo da própria excelência, dando-nos o conhecimento acertado de nossa pequenez e miséria principalmente em relação a Deus". 2
A humildade nada tem de hipocrisia. Ela é "luz, conhecimento, verdade; não fingimento nem negação das boas qualidades que se recebeu de Deus. Por isso dizia admiravelmente Santa Teresa que a humildade é andar na verdade", 3 aponta o Pe. Royo Marin. Enfim, é a humildade como uma tocha acesa que incessantemente deita seus fulgores sobre as almas, como observa Afonso Maria de Ligório: "os orgulhosos [estão] às escuras, pois mal conhecem o seu nada; a humildade é a luz que dissipa essas horríveis trevas". 4

Quem se humilhar será exaltado

No Evangelho, encontramos narrada a célebre parábola do fariseu e do publicano. Ambos sobem ao Templo para rezar. O fariseu, inflado de orgulho, aproxima-se do altar e começa a dizer: "Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens, ladrões, injustos, e adúlteros; nem como o publicano que está ali" (Lc 18, 11). O publicano, no entanto, permanecendo à distância, batia no peito, nem sequer ousava erguer os olhos aos céus, e depositava a esperança de seu coração em Deus. 5 Bem podemos imaginar que o fariseu, no fundo de sua consciência, injuriava o publicano. Este, porém, reconhecia suas faltas e certamente rezava por aqueles que o perseguiam...

O publicano não estava preocupado com o que diriam a seu respeito, muito pelo contrário: ocultamente batia no peito, pedindo perdão a Deus, consciente de que tinha andado mal. É esta uma das características da humildade, como afirma São Tomás: "A humildade reprime o apetite, para que ele não busque grandezas além da reta razão". 6 E mais adiante: "É próprio, pois, da humildade, como norma e diretriz do apetite, conhecer as próprias deficiências". 7
Nosso Senhor conclui a parábola dizendo que o publicano voltou para sua casa justificado. Ainda que aos olhos dos outros ele continuasse sendo um cobrador de impostos, ladrão e até mesmo corrupto, aos olhos de Deus estava livre de qualquer mancha. Quanto ao fariseu... "Pobre fariseu! Não se dava conta dos males que despencavam sobre ele, pelo fato de procurar a glória onde não existia". 8
Assim, por mais pecador que alguém seja e que tudo pareça estar perdido, olhar para o Céu e reconhecer-se miserável é o grande passo que atrai o beneplácito de Deus, pois "o Senhor ama o seu povo, e dá aos humildes a honra da vitória" (Sl 149, 4).
Por Irmã Ariane da Silva Santos, EP
 
 
 
 
 
 
 
 


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1 ROYO MARÍN. Teología de la salvación. Op. cit. p. 115.
2 ROYO MARÍN, Antonio. Teologia de la perfección cristiana. 11. ed. Madrid, BAC, 2006, p. 612: "nos inclina a cohibir el desordenado apetito de la propia excelencia, dándonos el justo conocimiento de nuestra pequeñez y miseria principalmente con relación a Dios". (Tradução da autora)
3 Ibid. p. 613: "La humildad es luz, conocimiento, verdad; no gazmoñería ni negación de las buenas cualidades que se hayan recibido de Dios. Por eso decía admirablemente Santa Teresa que la humildad es andar en verdad". (Tradução da autora)
4 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. A selva. Porto: Fonseca, 1928, p. 91.
5 Cf. CLÁ DIAS. João Scognamiglio. O pedido de perdão deve ser nosso frontispício de todas as nossas orações. Homilia. São Paulo, 21 mar. 2009 (Arquivo IFTE).
6 SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. II-II, q. 161,a.1,ad 3.
7 Ibid. a. 2.
8 CLÁ DIAS. Quando é inútil rezar? In: O inédito sobre os Evangelhos. Op. cit. v. VI, p. 429.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

LITURGIA DIÁRIA - PARA BEM ESCOLHER

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1a Leitura - Hebreus 8,6-13
Leitura da carta aos Hebreus.
Irmãos, 8 6 ao nosso Sumo Sacerdote, entretanto, compete ministério tanto mais excelente quanto ele é mediador de uma aliança mais perfeita, selada por melhores promessas.
7 Porque, se a primeira tivesse sido sem defeito, certamente não haveria lugar para outra. 8 Ora, sem dúvida, há uma censura nestas palavras: "Eis que virão dias - oráculo do Senhor - em que estabelecerei, com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova.9 Não coma a aliança que fiz com os seus pais no dia em que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito. Como eles não permaneceram fiéis ao pacto, eu me desinteressei deles - oráculo do Senhor. 10 Mas esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel depois daqueles dias: imprimirei as minhas leis no seu espírito e as gravarei no seu coração. Eu serei seu Deus, e eles serão meu povo. 11 Ninguém mais terá que ensinar a seu concidadão, ninguém a seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor’, porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior. 12 Eu lhes perdoarei as suas iniqüidades, e já não me lembrarei dos seus pecados".
13 Se Deus fala de uma aliança nova é que ele declara antiquada a precedente. Ora, o que é antiquado e envelhecido está certamente fadado a desaparecer.
Palavra do Senhor.


Salmo - 84/85
A verdade e o amor se encontrarão.

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,
Concedei-nos também vossa salvação!
Está perto a salvação dos que o temem,
E a glória habitará em nossa terra.

A verdade e o amor se encontrarão,
A justiça e a paz se abraçarão;
Da terra brotará a fidelidade,
E a justiça olhará dos altos céus.

O Senhor nos dará tudo o que é bom,
E a nossa terra nos dará suas colheitas;
A justiça andará na sua frente
E a salvação há de seguir os passos seus.
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Evangelho - Marcos 3,13-19
Aleluia, aleluia, aleluia.
Em Cristo, Deus reconciliou consigo mesmo a humanidade; e a nós ele entregou esta reconciliação (2Cor 5,19).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 3 13 Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a ele.
14 Designou doze dentre eles para ficar em sua companhia.
15 Ele os enviaria a pregar, com o poder de expulsar os demônios.
16 Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro;
17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer "Filhos do Trovão".
18 Ele escolheu também André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador;
19 e Judas Iscariotes, que o entregou.
Palavra da Salvação.

Reflexão

Jesus chamou somente doze para segui-Lo embora fossem muitos os que costumavam acompanha-Lo. Pode-se entender, então, que Jesus não fazia nada para impressionar nem provocar elogios, pois tinha somente um objetivo: fazer a vontade do Pai para que não se perdesse ninguém. Talvez, se tivesse chamado muita gente, para agradar, ou para fazer justiça aos olhos do mundo, o trabalho do reino não teria sido eficaz. Assim sendo, Ele chamou aqueles que Ele quis para subir o monte com Ele. Nem todos poderiam subir.  A metodologia de Jesus é muito simples e profunda, Ele chamou aqueles que poderiam ficar muito perto de si, gozando da sua intimidade, recebendo um ensinamento partilhado concretamente para que fosse frutuoso e depois eles pudessem lançar sementes em terra boa. Jesus sabia que, na Sua Missão, teria que enfrentar dificuldades também com os Seus escolhidos. Sabia que estaria lidando com homens cheios de defeitos, mas mesmo assim não desistiu e foi com eles, até o fim. Para nós, esse é um valioso ensinamento, quando tivermos que fazer opções e usar critérios de escolha nas nossas realizações. Precisamos procurar descobrir com Jesus, na sua Palavra e em oração, qual é a vontade de Deus nas diversas circunstâncias da nossa vida. Quantas vezes nós nos atordoamos e nos confundimos porque queremos ser agradáveis ou então, seguimos os nossos sentimentos de afeição e fazemos escolhas erradas.  Precisamos também estarmos firmes e convictos em tudo quanto nos for revelado pelo Pai, em oração. A Sua Palavra é a garantia para confirmar o que Ele nos confidenciar durante a oração. Não tenhamos medo de confiar na força do Espírito Santo quando precisarmos de orientação. Jesus é o nosso modelo, o nosso Mestre e com Ele nós aprendemos a viver, sem temor, o que Deus nos mandar fazer.   – E você, como é o seu critério quando tem que escolher alguém para uma missão específica? – Você quer agradar alguém ou ser agradado na sua escolha? – Você se revolta quando não é escolhido (a) para um lugar importante ou espera a hora de Deus para você?




Helena Serpa

UMA RESPOSTA CATÓLICA ÀS INDIGNIDADES DO HOMEM MODERNO

Em uma sociedade atingida pela desumanização cada vez maior da pessoa, nada como recordar a vida e o magistério do Papa São João Paulo II.


"Perdendo o sentido de Deus, tende-se a perder também o sentido do homem, da sua dignidade e da sua vida." (Evangelium Vitae, 21)

 
Por Brian Kranick — Muitos podem ficar perplexos, mas é fato histórico que Adolf Hitler, um dos mais prolíficos genocidas em massa que o mundo já conheceu, foi também um vegetariano a quem causava horror a crueldade com os animais. Esse mesmíssimo e peculiar enigma foi revisitado quando a organização PETA (sigla em inglês para "Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais") lançou a peça publicitária "Holocausto no seu prato" (Holocaust on Your Plate), em 2003, comparando animais confinados para consumo a prisioneiros judeus em campos de concentração nazistas. Como notou Richard Weikart, ironicamente ambos os grupos, os nazistas e o PETA, caíram na falácia do antropomorfismo, obscurecendo a distinção que existe entre humanos e animais. Esses são exemplos extremos, mas que lançam luz sobre uma profunda confusão filosófica da era moderna a respeito da dignidade da vida humana. Subjacente a essa desvalorização do homem está uma negação implícita da personalidade.
Essa visão misantrópica infelizmente está em ascensão na cultura ocidental. Para se ter uma ideia do problema, basta olhar para a grande onda de indignação e repúdio às mortes do leão Cecil e do gorila Harambe. O outro lado da supervalorização da vida animal pode ser, muitas vezes, o desprezo pela vida humana; o escândalo por causa de Cecil e Harabe contrasta fortemente com a complacência de nossa cultura em relação ao aborto, à eutanásia, à eugenia, ao suicídio e ao suicídio assistido. Essa "cultura de morte" é a dimensão negativa do esforço moderno por remodelar o ser humano simplesmente como um animal ordinário, não mais dotado de uma dignidade ontológica ou de um propósito teleológico dados por Deus. A vida humana se torna dispensável, em comparação com o reconhecido bem maior da sociedade ou do Estado, ou com o capricho do indivíduo. O valor da pessoa humana hoje se tornou obscuro.
Como chegamos a esse ponto?
A mistura da dignidade do homem e do animal não é senão sintoma de uma outra confusão, mais geral e sutil. O crescente desapreço pelo fato de o homem ser especial atravessa os séculos, tendo como incremento subversões filosóficas às bases do verdadeiro conhecimento.
O núcleo dessa crise está na epistemologia. A amplitude e a profundidade do conhecimento humano foram sacrificadas nos altares do ceticismo e do materialismo. Esse erro epistemológico moderno gira em torno da negação de nossa verdadeira natureza humana como seres compostos, de corpo e alma. Como consequência dessa separação, os primeiros passos em falso foram dados na filosofia.
Alguns traçam os erros do secularismo moderno até Guilherme de Ockham, no século XIV, para quem essências universais, como a humanidade, não eram reais, mas apenas extrapolações nominais em nossas mentes. A teoria de Ockham era de que não existiam formas universais, apenas formas individuais. Isso minou parte de nossa habilidade de explicar a realidade objetiva. Se não há nenhuma forma humana universal, ou natureza humana, então estamos privados de satisfazer os fins de nossa natureza e o nosso propósito teleológico. Uma vez que essas coisas se foram, não é difícil imaginar uma confusão de personalidade e uma perda de ética.
Na era do Iluminismo, empiristas como Locke e Hume propuseram que apenas o fenômeno de uma coisa podia ser conhecida, não a coisa em si. Assim como Ockham, eles rejeitaram o conhecimento abstrato dos universais em favor simplesmente da experiência sensível. Em outras palavras, eles trocaram nosso conhecimento intelectual e espiritual por um semelhante ao dos animais. Kant, de modo similar, só admitia que conhecêssemos "as coisas tal como se conheciam", tal como interpretadas pela mente, mas não "as coisas em si mesmas". Esse "geocentrismo epistemológico", como o chamava o padre Stanley Jaki, impede-nos de conhecer a Deus, a alma e a natureza completa da realidade.
Mas talvez o golpe mais devastador ao entendimento de nossa natureza composta venha do materialismo biológico, na forma do darwinismo do século XIX. A teoria de Darwin tornou o materialismo biológico estrito e o cientificismo os únicos conhecimentos predominantemente "aceitáveis". Não mais era necessária uma criação especial do homem por Deus, ou uma alma intelectual e imaterial. O homem seria apenas um primata evoluído, criado através de forças cegas, erros genéticos e graças à sobrevivência dos mais fortes. A separação de corpo e alma, iniciada em filosofias dos séculos anteriores, estava agora completa. Como notou Chesterton, " o que a evolução nega em especial não é a existência de Deus, mas a existência do homem". O homem não era mais um ente composto espiritual, mas apenas uma criatura física.

O mundo que o materialismo forjou


Esse reducionismo materialista teve grandes repercussões na visão de mundo moderna e na desumanização do homem. Quando os materialistas finalmente tomaram o poder, os regimes comunistas, de Stálin, Mao e Pol Pot, mataram cerca de 100 milhões de pessoas. Também o darwinismo social se infiltrou no pensamento do Ocidente, espalhando a ideia de que havia pessoas "aptas" e "inaptas", bem como raças "superiores" e "inferiores". Isso se tornou notável na Alemanha nazista, onde noções racistas eram supostamente "provadas" e "justificadas" pela ciência. Hitler abraçou completamente essa ideia da ética evolucionista em sua marcha rumo à guerra e ao genocídio.
A evidência do século passado mostra como a ética evolucionista é, na verdade, ética nenhuma. Ela mina nossa segurança em relação à moralidade, tornando-a subjetiva e, no espírito dos nossos tempos, relativista. O reducionismo material alterou a visão das pessoas sobre a santidade da vida humana, desvalorizando o que significa ser humano. A alma se tornou meramente um epifenômeno da matéria. Nesse sentido, o Cristianismo está em desacordo com o materialismo darwinista estrito, tal como oposto à teoria geral da evolução, com a qual, na verdade, não existe conflito algum. Esse materialismo dogmático nega a priori até mesmo a possibilidade de causalidade final no homem. Ela reprime falsamente a razoabilidade da fé em Deus, de nossos princípios morais e o conhecimento de nós mesmos como seres espirituais.
Infelizmente, esse reducionismo epistemológico não tem só persistido, mas também aumentado, até o presente. Ainda que haja algum progresso contra a cultura da morte, ainda permanece uma espécie de amnésia, persistindo em nossa psiquê cultural, acerca da dignidade humana. Não surpreendentemente, também tem acontecido um simultâneo afastamento da fé, como evidenciam os números recorde de não-religiosos e ateus em entrevistas recentes (i.e., o "crescimento dos Nenhum", que assinalam "nenhuma" preferência religiosa).

Uma resposta católica

Como nós, católicos, devemos reagir a tudo isso? Comecemos reafirmando que existem muitas razões boas, intelectuais e multifaces para crer. O Cristianismo e a fé em Deus são perfeitamente razoáveis, não obstante os protestos dos materialistas científicos modernos e dos ateístas. Ciência e teologia, fé e razão não são opostas uma à outra, mas são "como duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade" [1]. De fato, nunca antes se teve disponíveis tantos registros científicos avançados que apontam para um Criador. Que melhor comprovação poderia haver, por exemplo, do argumento cosmológico de Santo Tomás para Deus como o "primeiro motor", que o Big Bang e a sua última evidência: radiação cósmica de fundo em micro-ondas?
O Cristianismo foi construído sobre a revelação, é claro, mas também sobre a razão. Jesus mandou-nos amar a Deus com todo o nosso entendimento (cf. Mt 22, 37). A tradição intelectual do Ocidente e a sua ciência empírica são, no fim das contas, frutos de nossa civilização cristã. A disputa com o secularismo moderno só surge com a negação materialista de Deus e da alma humana, por serem uma negação de nosso próprio ser. O ateísmo sofre de um defeito epistemológico, que é o de negar a personalidade. Como afirma o Papa Leão XIII em sua encíclica Rerum Novarum, de 1891, "o que em nós se avantaja, o que nos faz homens, nos distingue essencialmente do animal, é a razão ou a inteligência" [2]. Devemos abraçar a ideia da personalidade e a filosofia do personalismo como parte de nossa ética e visão de mundo, e como um bastião contra as filosofias desumanizadoras de nosso tempo.
Um dos grandes proponentes da moderna filosofia do personalismo foi o Papa São João Paulo II. Quando era apenas Karol Wojtyla, ele testemunhou em primeira mão essas forças desumanizadoras do materialismo na Polônia, inicialmente sob a ocupação nazista e, depois, debaixo do comunismo soviético. Ele esteve no epicentro de ambas as sanhas totalitárias e observou o que chamava de "pulverização" da pessoa humana. Foi em reação a essas ideologias destruidoras e às tiranias políticas subsequentes que ele ajudou a liderar um novo movimento filosófico e uma teologia moral focada na dignidade absoluta da pessoa humana.
Wojtyla defendia um "personalismo tomista", uma filosofia focada na dignidade transcendente de cada pessoa. O seu personalismo em particular era fundado na metafísica clássica de Santo Tomás de Aquino, bem como na visão cosmológica do ser humano como um ente apartado do resto da criação por seu intelecto e por sua natureza racional.
Wojtyla procurou ir além disso, no entanto, a fim de explicar a "totalidade da pessoa". Ele reconhecia a grande importância, para a experiência humana, da perspectiva interior. Esta ele a chamava de "subjetividade", experimentada na consciência de cada pessoa, da qual não poderia sequer haver duas iguais. Cada pessoa, então, é absolutamente irrepetível, insubstituível, incomunicável e irredutível.
O Papa João Paulo falava disso em termos práticos, em seu "princípio personalista", dizendo que o ser humano deve sempre ser tratado como um fim em si mesmo, sem jamais ser submetido a outrem como meio para atingir um fim. Internalizar esse princípio produziria inevitavelmente aplicações práticas concretas, tais como ir contra a escravidão e o tráfico humano. Mas também poderia ajudar a colocar a sociedade atual contra a normalização dessa cultura de morte, com seus impulsos de descaracterizar a pessoa humana, como se viu recentemente na Holanda — onde praticaram a eutanásia com um homem por ele ser alcóolatra — e no discurso de Peter Singer — o ético utilitarista de Princeton que pediu pelo fim da vida de crianças deficientes.

Cada ser humano é único

Como católicos, nós devemos sempre defender a dignidade inviolável da pessoa humana, princípio que remonta ao próprio Gênesis, é claro, onde lemos que "Deus criou o homem à sua imagem" ( Gn 1, 27). O Magistério faz eco disso ao chamar cada um de nós de "sinal do Deus vivo, ícone de Jesus Cristo" [3]. Temos uma transcendência interior em comum com nosso Criador. Nós, humanos, somos relacionais e seres sociais, feitos em conformidade com Deus, uma trindade de Pessoas intrarrelacionais.
Por ser imagem de Deus, há algo de especial no homem, que o separa de todo o resto da criação. Nós, sozinhos, podemos dizer "Eu". Nenhum outro animal, por mais belo que pareça, pode pronunciar algo assim. Eles estão limitados pelo instinto. Mesmo nos mais elevados primatas, como no caso fascinante de Koko, a gorila que se comunica por sinais, a disparidade continua sendo imensa. Nas palavras do Papa João Paulo, é preciso dar "um salto ontológico" para atravessar o "grande abismo" que separa pessoa e não-pessoa. Só o ser humano é capaz de pensamento racional e abstrato, livre arbítrio, autoconsciência, ação moral, linguagem complexa, progresso tecnológica, propósito elevado, altruísmo, amor, criatividade, oração e adoração. O ser humano é diferente em grau e em substância, porque Deus formou cada pessoa da infinitude de Si mesmo [4].
No Novo Testamento, Jesus dá-nos o coração do personalismo com seu mandamento de "amar ao próximo como a si mesmo". Porque, como ele revela noutro lugar, "o que tiverdes feito ao menor destes meus irmãos, foi a Mim que o fizestes". Ao abraçar essa noção personalista em nossas vidas, nós nos livramos de nosso próprio egoísmo e frieza em relação ao próximo. Tornamo-nos capazes de ver a face de Deus no outro. Essa é a nossa vacina contra a desumanização da pessoa, juntamente com a adoção de uma cultura da vida que resista a séculos de ceticismo e materialismo e nos atraia a um conhecimento mais completo. O materialismo é apenas parcialmente verdadeiro. Ele nega a natureza mais elevada de nosso ser espiritual. Ao reconhecer a imagem de Deus em cada um, vemos o valor universal ontológico de cada pessoa, mesmo dos aparentemente menores e mais fracos de nós. Assim podemos, à luz do sacrifício de Cristo, contemplar "quão precioso aos olhos de Deus e quão inestimável é o valor da sua vida" com "a dignidade quase divina de cada homem" [5] — e agir de acordo com essa verdade. 










Fonte: Crisis Magazine | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Papa São João Paulo II, Carta Encíclica Fides et Ratio (14 de setembro de 1998), n. 1.
  2. Papa Leão XIII, Carta Encíclica Rerum Novarum (15 de maio de 1891), n. 5.
  3. Papa São João Paulo II, Carta Encíclica Evangelium Vitae (25 de março de 1995), n. 84.
  4. Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2258.
  5. Papa São João Paulo II, Carta Encíclica Evangelium Vitae (25 de março de 1995), n. 25.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

LITURGIA DIÁRIA - UMA BARCA PARA JESUS

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Primeira Leitura (Hb 7,25–8,6)
Leitura da Carta aos Hebreus.
Irmãos, 25Jesus é capaz de salvar para sempre aqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus. Ele está sempre vivo para interceder por eles.
26Tal é precisamente o sumo sacerdote que nos convinha: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus. 27Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios em cada dia, primeiro por seus próprios pecados e depois pelos do povo. Ele já o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo.
28A Lei, com efeito, constituiu sumos sacerdotes sujeitos à fraqueza, enquanto a palavra do juramento, que veio depois da Lei, constituiu alguém que é Filho, perfeito para sempre. 8,1O tema mais importante da nossa exposição é este: temos um sumo sacerdote tão grande, que se assentou à direita do trono da majestade, nos céus. 2Ele é ministro do Santuário e da Tenda verdadeira, armada pelo Senhor, e não por mão humana.
3Todo sumo sacerdote, com efeito, é constituído para oferecer dádivas e sacrifícios; portanto, é necessário que tenha algo a oferecer. 4Na verdade, se Cristo estivesse na terra, não seria nem mesmo sacerdote, pois já existem os que oferecem dádivas de acordo com a Lei. 5Estes celebram um culto que é cópia e sombra das realidades celestes, como foi dito a Moisés, quando estava para executar a construção da Tenda. “Vê, faze tudo segundo o modelo que te foi mostrado sobre a montanha”.
6Agora, porém, Cristo possui um ministério superior. Pois ele é o mediador de uma aliança bem melhor, baseada em promessas melhores.


Responsório (Sl 39)
Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!
Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!
Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, e então eu vos disse: “Eis que venho!”
Sobre mim está escrito no livro: “Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!”
Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembleia; vós sabeis: não fechei os meus lábios!
Mas se alegre e em vós rejubile todo ser que vos busca, Senhor! Digam sempre: “É grande o Senhor!” os que buscam em vós seu auxílio.
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Evangelho (Mc 3,7-12)

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. 8E também muita gente da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão, para que não o comprimisse.
10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: “Tu és o Filho de Deus!” 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.

 Reflexão

Jesus pediu aos Seus discípulos que lhe providenciassem uma barca por causa da multidão que O comprimia e se retirou com eles para a beira do mar. A multidão que O seguia buscava cura e libertação porque ouvira falar das obras que ele fazia, no entanto, não apreendia os Seus ensinamentos, pois era agitada pelo mal. Apesar de serem curados, eles não usufruíam da intimidade com Jesus. Os Seus discípulos, porém, mantinham-se perto de Jesus e apreendiam o que Ele lhes ensinava. A mesma coisa também acontece quando seguimos Jesus no meio da multidão. Não temos a oportunidade nem a chance de aprender com Ele, porque somos influenciados (as) pelas pessoas e visamos apenas cura e consolo para nossos males. Somente os discípulos puderam experimentar verdadeiramente de tudo quanto Jesus tinha para ensinar e com Ele aprendiam também a partilhar com o outro. Somos hoje seus discípulos e discípulas, por isso, precisamos nos retirar e nos colocar na barca com Jesus para que ele se assente conosco, e, pessoalmente nos toque, nos cure, nos alente e nos ensine tudo de que precisamos entender para segui-Lo fielmente. Para seguir Jesus carecemos de ser libertados das cargas que pesam sobre nossos ombros e nos sentir livres da influência dos outros e de nós mesmos, a fim de ajudar àqueles que ainda estão no meio da multidão.  A barca pode ser o momento que providenciamos para ficar a sós com Ele, em oração e adoração. Somente na oração nós conseguiremos que Jesus entre no nosso coração, sozinho e, aos poucos, nos cure das nossas enfermidades, das nossas feridas, dos nossos desencantos e sentimentos de frustrações e medo.  Assim fazendo poderemos sair do meio da multidão para segui-Lo de verdade   – A multidão ( o mundo, as pessoas) tem impedido você de seguir Jesus? –  Você tem tentado sair do meio da multidão para ficar a só com Jesus? – Você acha que precisa ser curado (a) de alguma coisa? – Providencie a barca para Jesus e entre com Ele. Só assim você será curado (a).





Helena Serpa 

VOCÊ ME SALVOU QUANDO EU JÁTINHA DESISTIDO DE MIM.

 Ela foi resgatada e agora escreve uma carta emocionante.

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Querido Deus,
Esta é uma carta de agradecimento para o Senhor, que foi Aquele me amou primeiro. Meus olhos já marejam só de procurar as palavras que irei te dizer. Procuro em mim e afundo dentro do peito atrás de versos que digam um pouco daquilo que nem mesma eu entendo, pois apenas sei que é um amor que aqueceu minha alma gelada, que trouxe de volta as esperanças que eu havia perdido pelo caminho e me deu uma nova chance quando eu tive a certeza de que tudo tinha chegado ao fim.
Você me deu recomeços quando eu não me sentia pertencente a lugar nenhum, quando eu estava vagando pelo mundo sem saber quem eu era e do que eu era feita, me sentia tão perdida, tão sem rumo, e a única coisa que o caos não levou foi um pedaço de um coração quebrado que continuava te amando. E foi esse amor que me restaurou quando eu estava desfeita em pedacinhos que se recusavam a serem juntados, porque eu não suportava a ideia de ser eu de novo, com toda aquela tristeza ainda morando em mim, me aprisionando no passado e não me deixando sair dos dias tristes que me derrubaram.
Eu estava olhando para o nada ainda tentando entender o que havia me acontecido, estava assimilando onde eu havia caído e como eu iria me reerguer porque a queda tinha sido de um lugar muito alto. Mas você me estendeu a mão quando ninguém me via escondida no escuro, porque a vergonha, a tristeza, a dúvida e a mágoa fizeram eu me esconder de todos. Porém, você me viu, me acolheu e me chamou pelo nome mesmo eu não aguentando ouvir o som da sua voz.
Eu sei que nunca te mereci. Não era preciso você me reconstruir, me refazer, mas você quis trabalhar em uma obra que outros já haviam abandonado e que muitos nem faziam ideia dos serviços que não tinham sido terminados, porque eu não deixava ninguém saber que eu era na verdade um montão de ruínas prestes a desabar em cima de alguma coisa ou alguém. Mas você viu algum potencial no meio do lixo, parecia que enxergava pérolas onde só havia areia, viu propósitos de vida onde tinha apenas o vento levando outra tempestade.
Parecia que nada de ruim que eu fiz, o problema que eu era e os traumas que eu tinha foram capazes de afastar você de mim. Quanto mais eu ia para longe mais você ia me buscar e como via que eu estava cansada de correr para longe você me trazia nos braços, ainda sussurrando uma canção de ninar que acalmava o tremor do meu corpo e desespero que queria me inundar. Eu só queria me esconder, proteger você de mim, não era justo os seus sacrifícios para me resgatar, eu não merecia as coisas boas que você fazia por mim e era menos digna ainda das promessas que me deu.
Mas não adiantava eu lançar sobre ti os meus temores, questionamentos e enumerar os meus tantos defeitos, você sempre dizia que me amava e que só queria que eu te deixasse entrar na minha vida para me mudar e me fazer uma nova pessoa. Eu não entendia como essa mudança iria acontecer já que eu era um caso perdido, praticamente estava sozinha, sem apoio da família e amigos porque eles não sabiam dos meus problemas, mas você não se assustou com tamanha obscuridade, pois em vez de me condenar você disse que eu seria cuidada e que cada traço de dor sumiria logo.
Você disse que iria apagar da minha mente aquelas lembranças que consumiam minha felicidade e paz, que iria me dar motivos para sorrir e agradecer por estar viva. Mas eu não sabia como iria acontecer, até não acreditei no começo, mas quando você começou sua obra em mim tudo foi mudando. Aquilo que era cinza ganhou cor, as lágrimas foram dando lugar a gargalhadas, a solidão sendo preenchida por sua presença, e as minhas mãos foram ungidas para falar de ti a pessoas que sofreram de forma semelhante a minha.
Não fazia sentido uma pessoa como eu tão pecadora ser capaz de ser um canal as pessoas, mas você sempre diz que usa aqueles que não são nada para impressionar aqueles que se acham alguma coisa, faz alguém levantar do pó e se assentar com gente de importância. Mas logo eu? Por que eu? Tem certeza de que quer a mim? Tem tanta gente por aí, posso te dar uma lista enorme! Mas você me quer, não é? Mesmo sabendo do meu passado e que continuarei errando no futuro você ainda me escolheu, me chamou e capacitou porque o que eu irei fazer por seu intermédio é algo grande demais, maior do que jamais pude imaginar. E só tenho a agradecer por ter me limpado, curado, restaurado e me ter feito sua para proclamar o seu amor que me salvou quando eu mesma já tinha desistido de mim.






Escrito por: Tatielle Katluryn, Autora do blog www.elajafoiverao.ga

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

LITURGIA DIÁRIA - ESTENDE A MÃO

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1a Leitura - Hebreus 7,1-3.15-17
Leitura da carta aos Hebreus.
7 1 Este Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da derrota dos reis e o abençoou, 2 ao qual Abraão ofereceu o dízimo de todos os seus despojos, é, conforme seu nome indica, primeiramente "rei de justiça" e, depois, "rei de Salém", isto é, "rei de paz". 3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, a sua vida não tem começo nem fim; comparável sob todos os pontos ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.
15 Isto se torna ainda mais evidente se se tem em conta que este outro sacerdote, que surge à semelhança de Melquisedec, 16 foi constituído não por prescrição de uma lei humana, mas pela sua imortalidade. 17 Porque está escrito: "Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec".
Palavra do Senhor.

Salmo - 109/110
Tu és sacerdote eternamente
segundo a ordem do rei Melquisedeque!

Palavra do Senhor ao meu Senhor:
“Assenta-te ao lado meu direito
até que eu ponha os inimigos teus
como escabelo por debaixo de teus pés!”

O Senhor estenderá desde Sião
vosso cetro de poder, pois ele diz:
“Domina com vigor teus inimigos.

Tu és príncipe desde o dia em que nasceste;
na glória e esplendor da santidade,
como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!”

Jurou o Senhor e manterá sua palavra:
“Tu és sacerdote eternamente,
segundo a ordem do rei Melquisedeque!”
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Evangelho - Marcos 3,1-6
Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus pregava a boa-nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo (Mt 4,23).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 3 1 entrou Jesus na sinagoga e achava-se ali um homem que tinha a mão seca.
2 Ora, estavam-no observando se o curaria no dia de sábado, para o acusarem.
3 Ele diz ao homem da mão seca: "Vem para o meio."
4 Então lhes pergunta: "É permitido fazer o bem ou o mal no sábado? Salvar uma vida ou matar?" Mas eles se calavam.
5 Então, relanceando um olhar indignado sobre eles, e contristado com a dureza de seus corações, diz ao homem: "Estende tua mão!" Ele estendeu-a e a mão foi curada.
6 Saindo os fariseus dali, deliberaram logo com os herodianos como o haviam de perder.
Palavra da Salvação.

Reflexão

O Pai deseja que todos nós tenhamos uma vida digna de ?filhos e filhas. Portanto, a nossa cura e libertação são questões primordiais para o Plano que Ele traçou. Os fariseus não entendiam e colocavam empecilhos para que o plano de Deus se realizasse. Nesta passagem do Evangelho nós distinguimos um Jesus desafiador, que não se dobrava diante dos acordos nem dos juízos dos homens quando queria fazer o bem, mesmo que fosse em “dia de sábado”.  Por isso, dirigiu-se ao homem da mão seca e disse: “Estende a mão”. Jesus ainda hoje não escolhe dia para curar as nossas “mãos secas”!  Há sempre algo em nós que precisa do olhar de Jesus, da sua atenção e do seu incentivo. Jesus continua desafiando o mundo a fim de nos curar e tirar a nossa cegueira espiritual, que muitas vezes é a nossa falta de caridade com o próximo, é a nossa impotência diante do pecado, é a nossa indiferença, egoísmo, o medo, indecisão, incredulidade, enfim, tudo o que nos torna defeituosos (as que enfeia a nossa alma, porque distorce as nossas boas ações. Esta  também é a ordem que Ele nos dá: apresenta o teu defeito, revela a tua dificuldade, abre a tua boca, confessa o teu pecado e eu te curarei e te libertarei. Para que sejamos curados (as), oirém, precisamos reconhecer que temos defeitos e que necessitamos de cura e de libertação. Muitas vezes, queremos fugir de nós mesmos e nos refugiamos sob uma capa protetora para não reconhecermos as nossas deficiências. Talvez seja por isso que não conseguimos cura e continuamos, como aquele homem da mão seca, perdidos no meio da multidão e preocupados com o que poderão dizer de nós quando souberem das nossas limitações. – Faça isso: Apresente-se hoje a Jesus, ponha-se no centro da sala e admita as suas dificuldades e as suas limitações. Ele quer curá-lo (a)! Será que existe algum dia em que não nos é permitido fazer o bem?    



Helena Serpa