terça-feira, 23 de agosto de 2016

NAS TREVAS DA NOITE, A BATALHA ENTRE A MORTE E A PROVIDÊNCIA DIVINA.

Uma antiga história que convida à reflexão

noite


Nossa cultura irreverente e cada vez mais cética deixou de lado as histórias piedosas que, de geração em geração, transmitiam mensagens de fé e convidavam à reflexão. Esta é uma das histórias que se contavam décadas atrás, sobre um caso que teria acontecido durante a grande crise econômica mundial da década de 1930, em Chicago, nos Estados Unidos.
Era ainda madrugada quando o Dr. Braun foi despertado pelo seu telefone, que não parava de tocar. Sonolento, ele atendeu e ouviu uma voz suplicante:
– O senhor é o Dr. Braun?
– Sim, sou eu.
– Por favor, venha depressa! É muito urgente, um caso de vida ou morte!
– Onde o senhor mora?
– Alan Street, número 17. Venha logo, por favor!
O Dr. Braun se vestiu depressa, pegou sua bolsa de médico e se dirigiu à rua indicada. Sozinho, guiou seu carro pelas ruas escuras da cidade. A região para onde ia era distante do centro, num bairro em que nem sequer durante o dia os habitantes se sentiam seguros.
A casa ficava num beco um tanto isolado. Estranhando não ver nenhuma luz acesa, o Dr. Braun bateu à porta. Depois de uma pausa, bateu novamente e, de novo, não recebeu resposta. Quando bateu pela terceira vez, alguém perguntou com voz grossa:
– Quem é?
– Sou o Dr. Braun. Recebi uma chamada de emergência.
– Ninguém chamou o senhor. É melhor que o senhor desapareça logo daqui!
Afastando-se, o Dr. Braun pensou ter anotado o número errado. Já de volta em casa, como não chegasse um segundo telefonema, esqueceu-se do acontecimento até que recebeu, algumas semanas mais tarde, uma nova ligação. Desta vez ela veio durante o dia e era do serviço de emergência do hospital. A enfermeira explicava que um certo John Turner, a ponto de morrer por causa de um acidente grave, queria falar urgentemente com o Dr. Braun. E ela acrescentou:
– Dr. Braun, por favor, venha depressa, pois o homem já está para morrer e não quer nos dizer por que insiste tanto em falar com o senhor.
O Dr. Braun prometeu chegar logo, embora tivesse a certeza de não conhecer nenhum John Turner. O próprio moribundo lhe confirmou:
– Dr. Braun, o senhor não me conhece, mas eu devo conversar com o senhor antes de morrer para pedir perdão. O senhor com certeza se lembra de um telefonema durante a noite, algumas semanas atrás.
– Sim, mas…
– Fui eu. Estava sem trabalho. Vendi todas as coisas preciosas da casa e, mesmo assim, não consegui alimentar a minha família. Não conseguia mais suportar os olhares suplicantes dos meus filhos, que estavam passando fome. No meu desespero, resolvi chamar um médico durante a noite. Eu queria matá-lo, roubar o seu dinheiro e vender seus instrumentos.
O Dr. Braun ficou paralisado de terror. Ainda assim, perguntou:
– Mas eu fui até lá. Por que o senhor não me matou?
– Pensei que o senhor chegaria sozinho, mas quando vi aquele jovem grande e forte ao seu lado, fiquei com medo. Perdoe-me, por favor!
– Claro que vou perdoar, murmurou o Dr. Braun, boquiaberto.
O fato é que o médico tinha mesmo ido sozinho. Ou, pelo menos, era isto o que ele pensava.
Foi na saída do hospital que ele ouviu de uma enfermeira um comentário que lançou luz sobre aquele mistério. A enfermeira, que nada sabia da história, lhe disse:
– Como são admiráveis os caminhos de Deus, não é mesmo, doutor? Quantas vezes nossos anjos nos protegem de perigos iminentes, sem que nós sequer estejamos conscientes!
– Por que está dizendo isso, enfermeira?
– Porque os filhos deste homem que acaba de falecer estiveram a ponto de morrer de fome, sozinhos em casa, quando foram encontrados por uma senhora.
– Não entendi a relação.
– A senhora foi até a casa deles porque um jovem grande e forte lhe pediu o favor de entregar lá um pacote. O pacote continha comida e o endereço de uma tia das crianças com quem tinham perdido o contato. E nem a tia, nem a senhora, nem as crianças conheciam nenhum jovem grande e forte. Se não era um anjo, quem mais poderia ser?





Aleteia

LITURGIA DIÁRIA - JESUS É O NOSSO TESOURO!

1a Leitura - 2 Coríntios 10,17-11,2
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios.
Irmãos, 10 17 quem se gloria, glorie-se no Senhor.
18 Pois merece a aprovação não aquele que se recomenda a si mesmo, mas aquele que o Senhor recomenda.
11 1 Oxalá suportásseis um pouco de loucura de minha parte! Oh, sim! Tolerai-me.
2 Eu vos consagro um carinho e amor santo, porque vos desposei com um esposo único e vos apresentei a Cristo como virgem pura.
Palavra do Senhor.

Salmo - 148
Vós, jovens, vós, moças e rapazes, louvai todos o nome do Senhor!
Louvai o Senhor Deus nos altos céus,
Louvai-o no excelso firmamento!
Louvai-o, anjos seus, todos louvai-o,
Louvai-o, legiões celestiais.

Reis da terra, povos todos, bendizei-o,
E vós, príncipes e todos os juízes;
E vós, jovens, e vós, moças e rapazes,
Anciãos e criancinhas, bendizei-o!
Louvem o nome do Senhor, louvem-no todos.

A majestade e esplendor de sua glória
Ultrapassam em grandeza o céu e a terra.
Ele exaltou seu povo eleito em poderio,
Ele é o motivo de louvor para os seus santos.
É um hino para os filhos de Israel,
Este povo que ele ama e lhe pertence. 

Evangelho - Mateus 13,44-46
Aleluia, aleluia, aleluia.
Ficai em meu amor, assim fala o Senhor; quem em mim permanece e no qual permaneço, esse dá muito fruto! (Jo 15,9.5)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 13 44 disse Jesus: “O Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.
45 O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas.
46 Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra”.
Palavra da Salvação.

 Reflexão

Vivemos numa incessante busca, busca de algo que nos satisfaça verdadeiramente, que responda aos nossos anseios! Já estamos cansados de sermos enganados  pelas  propostas  de quem não tem compromisso com a vida, que quer apenas se beneficiar do povo.
 Em  meio a este barulho ensurdecedor deste mundo, a  esta poluição sonora daqueles que anseiam pelo o poder, pessoas descomprometido com a vida, Jesus insiste com a sua proposta de vida nova, proposta,  de um Reino diferente destes reinos que estão por aí, reinos da mentira, da enganação... 
Jesus nos propõe um  Reino de amor,  de paz e de justiça, Reino acessível a todos e que já podemos vivê-lo no aqui e no agora!
No evangelho que a liturgia de hoje coloca diante de nós, Jesus nos convida  a priorizarmos os bens eternos! A vida nova que Deus nos oferece por meio de Jesus não pode ser sacrificada por nenhum outro "valor", pois é nesta vida nova que se encontra o nosso maior tesouro que é Jesus!
A porta de entrada para esta vida nova, que Jesus dá  o nome  de Reino dos céus, é Ele próprio, Jesus é a porta de entrada para  o reino dos céus, Ele é o caminho que nos conduz à felicidade plena, o tesouro que estava escondido, mas que fora encontrado!
Jesus ainda compara o reino dos céus com um comprador, que procura pérolas preciosas, chamando a nossa atenção para a importância de buscarmos o bem maior, o bem maior que carregamos dentro de nós, mas que às vezes, não nos damos conta do seu real valor!
A pérola preciosa, que procuramos tão distante, se encontra embrulhada dentro de nós, basta um passo a mais na fé, para que possamos descobri-la, desembrulhar este presente,  o maior presente de Deus que é Jesus!
 Quem encontra dentro de si, esta pérola preciosa que é Jesus, se realiza,  toma posse da maior riqueza, consciência de que não há outro bem maior!
Tanto na parábola do Tesouro escondido, quanto na parábola do comprador de pérolas, Jesus quer nos dizer, que só encontra o reino dos céus, quem o procura, quem o procura dentro de si!
O  Reino dos Céus é uma oferta do amor do Pai a toda humanidade, fazer parte deste Reino, é fazer parte da família de Deus, é usufruir dos bens celestes já aqui na terra, é estar no mundo sem pertencer ao mundo!
Encontrar este Reino é encontrar a verdadeira  felicidade, o que não significa encontrar um oásis para repousar, pelo contrário, quem encontra o Reino dos céus, troca a comodidade por uma paz inquietante!  É esta paz inquietante  que nos desinstala, que nos tira do comodismo e nos coloca em movimento! Encontrar o Reino dos céus é nascer de Novo, é morrer para o pecado, é enxergar o outro com os olhos de Jesus!
Quem encontrou o Reino dos céus, encontrou um Tesouro de valor incalculável, encontrou Jesus, a pérola mais preciosa que existe e não a troca por nada deste mundo!
Jesus é um tesouro que devemos partilhar com o outro, a pérola preciosa que não pode ficar escondida!
 
 

Olívia Coutinho

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

"DEUS PREPAROU MEU CORAÇÃO", ASSEGURA PROTAGONISTA DE GESTO QUE COMOVEU O MUNDO NA RIO2016

rio2016


O site ACI Digital publicou hoje (18/08/2016) que a Olimpíada Rio 2016 está cheia de momentos memoráveis, mas até agora nenhum supera a emoção protagonizada por duas atletas na primeira fase eliminatória da corrida de 5000 metros rasos.
Na primeira fase eliminatória, a corredora Nikki Hamblin da Nova Zelândia tropeçou e causou sem querer a queda de Abbey D’Agostino, dos Estados Unidos. D’Agostino ajudou a Hamblin a levantar-se e alguns metros depois a americana esteve a ponto de abandonar a corrida, mas a neozelandesa – em vez de voltar a competir a prova – a encorajou para que cruzasse a linha de chegada.
A queda causou graves sequelas em ambas e foram as últimas a completar a prova sendo ovacionadas. D’Agostino sofreu uma lesão grave e depois que cruzou a linha de chegada foi levada na cadeira de rodas para receber os primeiros socorros.
Em uma declaração publicada na página USA Track & Field, Abbey D’Agostino assinalou que, “embora minhas ações fossem instintivas naquele momento, a única forma na qual pude racionalizá-lo é que Deus preparou meu coração para responder dessa maneira”.
“Todo este tempo aqui Ele deixou claro que a minha experiência no Rio iria além de somente meu desempenho nas corridas; e no momento que vi a Nikki se levantar compreendi que era isso”, explicou.
Hamblin agradeceu o gesto de D’Agostino. “Independentemente da corrida e o resultado no painel, é um momento que nunca esquecerei pelo resto da minha vida, essa garota sacudindo meu ombro, como se me dissesse: ‘Vamos, levante-se’”, disse a atleta neozelandesa à mídia.
D’Agostino é conhecida pela sua profunda fé cristã. Cresceu no seio de uma família muito católica e em uma entrevista, comentou que se tivesse uma máquina do tempo “adoraria conhecer a Madre Teresa. Isso faria. Seria especial poder conversar com ela”.
Naquela ocasião, ao ser questionada se sua fé era importante para o atletismo, D’Agostino respondeu que “sim, absolutamente. Cresci em uma família católica e estive cercada por alunos de fé no colégio, mas estava na universidade quando ingressei em grupos cristãos no campus, que ocorreu em mim a mudança da mente ao coração”.
“Correr era parte integral dessa experiência. Até quando comecei a sentir a pressão e percebi que se não tivesse um propósito eterno nisso, então o que eu realmente estava fazendo?”, continuou.
“Isto – prosseguiu – foi um aspecto enorme na minha experiência e mais ainda quando compartilhei com os companheiros da minha equipe. Uma das minhas melhores amigas da equipe me encorajou a participar das reuniões de grupos cristãos e estou muito agradecida por isso”.
Em suas redes sociais, a atleta expressou várias vezes sua fé e há alguns meses compartilhou uma frase de Santo Agostinho na qual estava refletindo: “As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas, e, no entanto, elas passam por si mesmas sem se admirarem”.
Embora seus tempos não foram suficientes para participar da final, os juízes decidiram passá-las direto, pelo grande gesto que tiveram durante a corrida.
Abbey D’Agostino anunciou que não participará devido à lesão que sofreu. Na final, a grande favorita é a etíope Almaz Ayana, que há alguns dias, no Rio de Janeiro, bateu o recorde mundial dos 10 mil metros rasos.




Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/deus-preparou-meu-coracao-assegura-protagonista-de-gesto-que-comoveu-o-mundo-na-rio2016-22104/

LITURGIA DIÁRIA - ALEGREM-SE!

1a Leitura - Isaías 9,1-6
Leitura do livro do profeta Isaías.
9 1 O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz.
2 Vós suscitais um grande regozijo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos.
3 Porque o jugo que pesava sobre ele, a coleira de seu ombro e a vara do feitor, vós os quebrastes, como no dia de Madiã.
4 Porque todo calçado que se traz na batalha, e todo manto manchado de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão presa das chamas;
5 porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.
6 Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos.
Palavra do Senhor.




Salmo - 112/113
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e por toda a eternidade!

Louvai, louvai, ó servos do Senhor,
louvai, louvai o nome do Senhor!
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e por toda a eternidade.

Do nascer do sol até o seu ocaso,
louvado seja o nome do Senhor!
O Senhor está acima das nações,
sua glória vai além dos altos céus.

Quem pode comparar-se ao nosso Deus,
ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono
e se inclina para olhar o céu e a terra?

Levanta da poeira o indigente
e do lixo ele retira o pobrezinho,
para fazê-lo assentar-se com os nobres,
assentar-se com os nobres do seu povo.
Evangelho - Lucas 1,26-38
Aleluia, aleluia, aleluia. 
Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo; 
és bendita entre todas as mulheres da terra! (Lc 1,28)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
1 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27 a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
28 Entrando, o anjo disse-lhe: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo".
29 Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
30 O anjo disse-lhe: "Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
32 Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
33 e o seu reino não terá fim".
34 Maria perguntou ao anjo: "Como se fará isso, pois não conheço homem?"
35 Respondeu-lhe o anjo: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
36 Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
37 porque a Deus nenhuma coisa é impossível".
38 Então disse Maria: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra". E o anjo afastou-se dela.
Palavra da Salvação.


Reflexão

O evangelista Lucas nos relata a Anunciação do Anjo Gabriel a Virgem Maria quando ela foi escolhida para ser Mãe de Jesus! Nós também, como Maria, podemos nos considerar escolhidos e eleitos para conceber Jesus no nosso coração e levá-Lo ao mundo. E a primeira recomendação que o anjo nos faz é que nos alegremos, isto é, saiamos da desolação, da murmuração e da desesperança, porque o Senhor está conosco! Por isso, as palavras dirigidas a Maria pelo anjo Gabriel são hoje, para nós, um convite a que abramos o coração a fim de acolher o mistério da Encarnação de Jesus pelo poder do Espírito Santo. Assim como recomendou a Maria, o anjo também nos encoraja: “não tenhas medo, encontraste graça diante de Deus”. Isto significa que somos amados por Deus e que o poder do Seu amor nos cobre e realiza em nós a transformação interior que é o sinal da presença do Menino Jesus em nós. Contudo, isso só pode acontecer a partir do nosso sim e da nossa adesão ao projeto do Senhor. Deus não nos invade e nada faz sem a nossa permissão. O Senhor nos propõe, chama e nos atrai, mas o nosso Sim é o que O faz realizar a obra.  O anjo do Senhor vive batendo à nossa porta com a expectativa do nosso sim que é também uma resposta positiva para fazer em nós maravilhas.  A atitude de Maria é um modelo a ser seguido por cada um de nós! Muito embora estivesse assustada pela manifestação de Deus através do anjo Gabriel (Teofania) ela soube parar para escutá-lo, soube meditar sobre as palavras dele, soube dialogar para entender melhor a vontade de Deus, soube confiar nas Suas promessas sem questionar e por fim assumiu humildemente a condição de ser Mãe do Salvador da humanidade, sabedora de que o poder vinha do alto e que a ela só competia mesmo dar uma resposta. Que possamos também como Maria, responder ao anjo do Senhor dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”.  -  Você também  tem sido chamado (a) por Deus para uma missão específica? – Qual é a sua resposta? – Você sabe parar para escutar, meditar, dialogar com Deus, assumindo as Suas promessas e confiando no chamado que Ele lhe faz? – Se você fosse Maria qual teria sido a sua atitude diante do anjo Gabriel?







Helena Serpa

domingo, 21 de agosto de 2016

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM - SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


Celebramos hoje – nesta solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria – o último mistério da vida terrena da Mãe de Deus e nossa Mãe.
Terminada a sua vida mortal, foi conduzida em corpo e alma, desta vida mortal ao mundo da imortalidade, revestida de glória.
Perante este acontecimento único, extraordinário, multiplicam-se as nossas perguntas: como se passou este mistério? Por que razão e com que finalidade o quis Deus?
Unamo-nos à alegria com que os bem-aventurados do Céu cantam os louvores da Mãe de Jesus e nossa Mãe.
Preparemo-nos para acolher a Palavra de Deus que nos ajudará a responder a todas estas perguntas.

Primeira Leitura: Apocalipse 11,19a 12, 1-6a.10ab
Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da Liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria -«membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade… sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):
4-5 - «O Dragão colocou-se diante da mulher…»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».
6 - «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

Segunda leitura: 1 Coríntios 15, 20-27
É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.
20-23 - São Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos já falecidos (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex. 28; Lv. 23,10-14; Nm. 15,20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (excetuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº. 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

Evangelho: Lucas 1,39-56
Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.
46Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes.53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”.
56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.
Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc. 1,43 com 2Sm. 6,9 e Lc. 1,56 com 2Sm. 6,11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc. 1,42 com Jd. 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc. 1,52 e Est. 1–2).
39 - «Uma cidade de Judá». A tradição documentada a partir do séc. IV diz que é Ain Karem (fonte da vinha), uma povoação a uns 6 km. a oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de caminho em caravana desde Nazaré (130 Km.). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».
42 - «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.
43-44 - «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.
46-55 - O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (DANTE, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1Sm. 2,1-10) e dos Salmos (35,9; 31,8; 111,9; 103,17; 118,15; 89,11; 107,9; 98,3); cf. também Hb. 3,18; Gn. 29,32; 30,13; Ez. 21,31; Si. 10,14; Mi. 7,20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº. 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

Sugestões para a homilia
A Assunção de Maria é um dogma solenemente definido por Pio XII em 1 de Novembro de 1950, segundo o qual Nossa Senhora, no termo da sua vida mortal, foi elevada ao céu em corpo e alma.
Definido o dogma só em nossos dias, a sua festa começou logo no princípio da Igreja, a seguir à sua Assunção ao Céu.
A Assunção da Virgem Santa Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos (Catecismo da Igreja Católica, n.º 966).
Os Orientais celebram este mistério desde o século V com o nome de «Dormição de Maria». No calendário da Igreja latina celebra-se, com a categoria de solenidade, a 15 de agosto.
1. Maria, Sinal do Amor de Deus
Ao terminar a Sua missão na terra, Maria, a Imaculada Mãe de Deus, «foi elevada em corpo e alma à glória do céu» (Pio XII), sendo assim a primeira criatura humana a alcançar a plenitude da salvação.
Esta glorificação de Maria é uma consequência natural da Sua Maternidade divina: Deus «não quis que conhecesse a corrupção do túmulo Aquela que gerou o Senhor da vida».
É também o fruto da íntima e profunda união existente entre Maria e a Sua missão e Cristo e a Sua obra salvadora. Plenamente unida a Cristo, como Sua Mãe e Sua serva humilde, associada, estreitamente a Ele, na humilhação e no sofrimento, não podia deixar de vir a participar do mistério de Cristo ressuscitado e glorificado, numa conformação levada até às últimas consequências. Por isso, Maria é «elevada ao Céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha, para assim Se conformar mais plenamente com Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte» (Concílio Vaticano II,Lumen Gentium n.º 59).
Este privilégio, concedido à Virgem Imaculada, preservada e imune de toda a mancha da culpa original, é «Sinal» de esperança e de alegria para todo o Povo de Deus, que peregrina pela terra em luta com o pecado e a morte, no meio dos perigos e dificuldades da vida. Com efeito, a Mãe de Jesus, «glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro» (LG. 68).
O triunfo de Maria, mãe e filha da Igreja, será o triunfo da Igreja, quando, juntamente com a humanidade, atingir a glória plena, da qual Maria já está a gozar.
A Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma, é a garantia de que o homem se salvará todo: também o nosso corpo ressuscitará! É o penhor seguro de que o homem triunfará da morte!
a) A Virgem do Apocalipse.
«Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.»
O texto do Apocalipse emprega uma linguagem simbólica:
– Uma mulher revestida de sol. Maria é «a cheia de graça», como nome próprio, como A tratou o Arcanjo. Está revestida com o sol da graça. Encontramos aqui uma alusão à Imaculada Conceição, à Mulher do Apocalipse que venceu o dragão.
– Com a lua debaixo dos pés. Maria é Rainha de toda a criação, porque é a Mãe do Rei.
– E uma coroa de doze estrelas na cabeça. As doze estrelas aparecem como alusão às doze tribos de Israel. Em última análise, alude-se à Igreja, Povo de Deus da nova Aliança.
Maria é o grande sinal que apareceu no céu da nossa vida, enviado por Deus:
– Sinal da onipotência divina à nossa disposição para nos ajudar nas dificuldades da vida. Maria é a onipotência suplicante. Quando pedimos o que está em conformidade com a vontade de Deus, Maria alcança-no-lo.
– Sinal do Amor e da benevolência de Deus em nosso favor. Há uma tendência nas pessoas para ver em tudo ameaças de Deus. O Senhor não ameaça; atrai com o Seu Amor perseverante e paciente, esperando a nossa resposta generosa. Em qualquer momento que o desejemos, Ele acolhe-nos.
(Com quanto solicitude nos avisou Nossa Senhora de que não entraríamos em guerra! A irmã Lúcia e a beata Alexandrina foram as mensageiras desta carícia da Mãe).

b) Maria, nossa Advogada.
«Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com cetro de ferro.»
Deus quis dar-nos em Maria, nossa Mãe, a melhor das advogadas. Ao contemplá-la na sua maternidade, compreendemos melhor o amor misericordioso de Deus para conosco.
Por isso, a Igreja canta: «Lembrai-vos, ó Virgem-Mãe, quando estiverdes diante de Deus, de Lhe dizer coisas boas em nosso favor.»
Nós invocamo-l’A como medianeira, não porque Ela se oponha à vontade de Deus, para nos favorecer. Pelo contrário, como Mãe desvelada, ajuda-nos a cumprir a vontade do Senhor e alcança-nos as graças para o conseguirmos fazer.
Valemo-nos da sua intercessão, porque é a Mãe do Rei (são Luís Maria de Monforte explica-nos deste modo a mediação de Maria. Se um lavrador resolve oferecer uma cesta de maçãs ao rei e lhas faz chegar pela mão da Rainha, esta prepara-as, enriquecendo a sua aparência e torna-as mais agradáveis ao Rei pela simpatia que a rainha goza junto dele. Assim são as nossas boas obras, quando as apresentamos pelas mãos imaculadas de Maria).
Por isso aproximemo-nos cheios de confiança do trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia.

c) Ela vencerá!
«E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: ‘Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido‘.»
Quando olhamos para os acontecimentos desta vida apenas com os olhos do corpo e o pobre raciocínio que se vê incapaz de explicar tantos mistérios, corremos o risco de nos tornarmos pessimistas.
A vitória de Deus – na qual tomaremos parte – está prometida e garantida. A única interrogação é se queremos ou não participar nela por uma vida limpa e apostólica.
Não há, pois, lugar para pessimismos ou complexos de inferioridade. O importante é não deixarmos de fazer aquilo que nos está confiado. Foi esta negligência dos cristãos que deixou o mundo resvalar até às posições absurdas que se assumem nas nossas leis.
A confiança na vitória de Maria não pode justificar a nossa preguiça. É verdade que sofremos, desde sempre, uma tentação: esperar que Deus faça tudo, para podermos continuar a dormir.
Quando o Senhor nos pede colaboração para o bem não é porque se veja incapaz de o fazer, mas porque nos quer enriquecer num trabalho de mãos dadas com Ele, intensificando cada vez mais a nossa vida em comunhão.
Confiança Em Deus, por Maria, e trabalho generoso é, pois, o que o Senhor nos pede nesta solenidade da Assunção de Maria.
2. O itinerário de Maria para a glorificação
No cântico do Magnificat entoado por Maria em casa de Isabel e que a Igreja não se cansa de repetir, encontramos a indicação do itinerário que Nossa Senhora nos ensina para alcançarmos a glória final.

a) Caridade ardente.
«Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá.»
O Arcanjo revela a Nossa Senhora, na Anunciação, que Zacarias e Isabel iam ver realizado o maior sonho da sua vida: ter um filho.
Dois pensamentos a fazem parir para a sua casa: felicitá-la por este dom de Deus e oferecer-lhe os seus préstimos no serviço domésticos, nos últimos tempos da gravidez.
O Evangelho descreve a sua ida como sendo feita apressadamente. Esta palavra sugere-nos a prontidão da caridade e a alegria com que se desempenha desta missão.
Uma das dimensões essenciais da vida do cristão é o amor aos outros que se exprime também em partilhar a alegria e oferecer uma ajuda.
Não é fácil viver esta exigência, porque fomos crescendo num cristianismo individualista que nada tem a ver com os ensinamentos de Jesus. O «salve-se quem puder» não faz sentido na vida cristã. Deus chama as pessoas uma a uma, dentro da família que é a Igreja, para que nos ajudemos mutuamente.
E, de facto, a visita de Nossa Senhora produz frutos admiráveis. «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo». Leva a alegria àquela família – de tal modo que o menino exultou de alegria no seio de Isabel – e possibilita que Jesus, concebido no momento da Anunciação, santifique João Baptista.
Maria permanece ali até ao nascimento do Precursor, realizando os trabalhos humildes de uma dona de casa e enchendo de alegria aquela família.

b) Humildade profunda.
«Maria disse então: ‘A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome.’»
Maria não quer negar a grandeza a que o Senhor A elevou. A humildade é a verdade. Mas proclama com toda a simplicidade que tudo o que aconteceu se deve à misericórdia do Altíssimo.
Não devemos negar as qualidades que recebemos e as graças que o Senhor nos tem concedido. O erro poderia estar em olharmos para tudo isto como se fosse devido exclusivamente ao nosso esforço pessoal, sem nenhuma referência a Deus.
É muito importante que nesta solenidade da glorificação de Maria a Igreja nos lembre a virtude da humildade.
Deus conta connosco para a viver em todos os momentos.
– Na vida pessoal. Devemos afastar-nos de dois extremos, ambos fruto do orgulho: o pessimismo, como se contássemos só connosco, cultivando uma visão pessimista e nós mesmos; e um optimismo néscio, como se tudo se devesse aos nossos méritos.
– Na vida com os outros. Se não podemos ter complexos de inferioridade para connosco, também não havemos de ter complexos de superioridade em relação aos outros.
Não há duas classes de pessoas: uma de primeira escolha e outra de segunda. Há uma só raça: a dos filhos de Deus.
Esta verdade há-de levar-nos a um profundo respeito pelos outros, sabendo compreender as suas limitações. Só Deus sabe os talentos que deu a cada um.

c) Tudo para glória de Deus! «É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés.»
Maria foi glorificada pelos méritos de Jesus Cristo, seu Filho. Foi em atenção a eles que o Pai antecipou a glorificação de Maria, pela sua ressurreição, logo que terminou a vida na terra.
Na Ressurreição de Cristo encontramos a garantia da nossa. Se Ele quis glorificar a Sua Mãe, não esperando para o fim dos tempos, foi pelo carinho infinito que lhe dedica.
Mas podemos ver neste facto mais uma razão: ao ver ressuscitar Jesus Cristo, poderíamos cair na tentação de pensar que a Sua Ressurreição era somente para Ele, porque é Deus. Ao glorificar Maria – a primeira criatura a assumir em corpo e alma a glorificação definitiva – aviva a nossa esperança, porque se trata de uma criatura como nós.
Para que a nossa ressurreição final fosse possível, Jesus deixou-nos um penhor e força infinita na Santíssima Eucaristia.
Por isso, a Igreja insiste com solicitude para que participemos da Missa Dominical e comunguemos com as necessárias disposições.
Seguindo o caminho de Maria, chegaremos à glorificação final.