terça-feira, 16 de janeiro de 2018

LITURGIA DIÁRIA - QUAL A LEI QUE REGE AS NOSSAS AÇÕES?

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1a Leitura - 1 Samuel 16,1-13
Leitura do primeiro livro de Samuel.
16 1 O Senhor disse-lhe: “Até quando chorarás tu Saul, tendo-o eu rejeitado da realeza de Israel? Enche o teu corno de óleo. Vai; envio-te a Isaí de Belém, porque escolhi um rei entre os seus filhos”.
2 Samuel respondeu: “Como hei de ir? Se Saul souber, matar-me-á”. O Senhor disse: “Levarás contigo uma novilha e dirás que vais oferecer um sacrifício ao Senhor.
3 Convidarás Jessé ao sacrifício, e eu te mostrarei o que deverás fazer. Ungirás para mim aquele que eu mandar”.
4 Fez Samuel como o Senhor queria. Ao chegar a Belém, os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, inquietos: “É de paz a tua vinda?”, perguntaram-lhe.
5 “Sim”, disse ele; “venho oferecer um sacrifício ao Senhor; purificai-vos para a cerimônia”. Ele mesmo purificou Jessé e seus filhos e os convidou ao sacrifício.
6 Logo que entraram, Samuel viu Eliab e pensou consigo: “Certamente é esse o ungido do Senhor”.
7 Mas o Senhor disse-lhe: “Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração”.
8 Jessé chamou Abinadab e fê-lo passar diante de Samuel. “Não é tampouco este”, pensou Samuel, “que o Senhor escolheu”.
9 Jessé fez passar Sama. Não é ainda este que escolheu o Senhor, pensou Samuel.
10 Jessé mandou vir assim os seus sete filhos diante do profeta, que lhe disse: “O Senhor não escolheu nenhum deles”.
11 E ajuntou: “Estão aqui todos os teus filhos?” “Resta ainda o mais novo”, confessou Jessé, “que está pastoreando as ovelhas”. Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos poremos à mesa antes que ele esteja aqui”.
12 E Jessé mandou buscá-lo. Ele era louro, de belos olhos e mui formosa aparência. O Senhor disse: “Vamos, unge-o: é ele”.
13 Samuel tomou o corno de óleo e ungiu-o no meio dos seus irmãos. E, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi. Samuel, porém, retomou o caminho de Ramá.
Palavra do Senhor.

Salmo - 88/89
Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor. 

Outrora vós falastes em visões a vossos santos:
“Coloquei uma coroa na cabeça de um herói
e do meio deste povo escolhi o meu eleito”.

Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor,
e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado.
Estará sempre com ele minha mão onipotente,
e meu braço poderoso há de ser a sua força.

Ele, então me invocará: `Ó Senhor, vós sois meu Pai,
sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontra a salvação!´
e por isso farei dele o meu filho primogênito,
sobre os reis de toda a terra farei dele o rei altíssimo.

Evangelho - Marcos 2,23-28
Aleluia, aleluia, aleluia. Que o Pai do Senhor Jesus Cristo vos dê do saber o Espírito; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança! (Ef 1,17s) 
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Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
2 23 Num dia de sábado, o Senhor caminhava pelos campos e seus discípulos, andando, começaram a colher espigas.
24 Os fariseus observaram-lhe: "Vede! Por que fazem eles no sábado o que não é permitido?" Jesus respondeu-lhes:
25 "Nunca lestes o que fez Davi, quando se achou em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros?
26 Ele entrou na casa de Deus, sendo Abiatar príncipe dos sacerdotes, e comeu os pães da proposição, dos quais só aos sacerdotes era permitido comer, e os deu aos seus companheiros."
27 E dizia-lhes: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado;
28 e, para dizer tudo, o Filho do homem é senhor também do sábado."
Palavra da Salvação.

O homem é a criatura a quem Deus mais tem apreço e todas as coisas foram criadas para ele, por amor. Toda lei que tira do homem o direito de viver com dignidade, de prover a sua existência e sobrevivência é maldita e não está conforme a vontade de Deus. Neste Evangelho Jesus quer nos ensinar a colocar a caridade como lei primeira nas ações da nossa vida. A lei que Deus imprimiu no nosso coração é a lei do amor, portanto, o que nos faz mal e prejudica a nossa vida é justamente, o desamor. Tudo o que não é regido pelo amor e não tem como objetivo a vivência do amor, não é eficaz para o nosso crescimento. 

 

Às vezes nos prendemos aos preceitos, às regras e não percebemos que estamos sendo injustos e infratores da Lei de Deus. Tudo o que o Pai criou, Ele o fez em favor do homem, objeto do Seu Amor, portanto, dizer que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” significa que a nossa sobrevivência e a caridade conosco mesmos e com os nossos irmãos estão acima das normas que, apesar de estabelecidas para o homem, muitas vezes se voltam contra o próprio homem.  Jesus é o Senhor de tudo o que foi criado, e, tudo foi criado por Ele, por amor ao homem. Os campos de trigo, os rios, os mares, as aves, as árvores existem para estar à disposição do homem a fim de que este perceba o olhar e a atenção de Deus para si. Jesus, Senhor da criação, é o Senhor do sábado, porém, Ele precisa ser também Senhor dos nossos “sábados”, isto é, daqueles dias em que não achamos conveniente servir a alguém ou “perder” o tempo de lazer ou de trabalho para dar de comer a alguém que está com fome. 

 

O dia de sábado a que Jesus se refere pode ser também para nós aquele dia que destinamos para o nosso deleite, para curtição, para realizar os nossos planos pessoais e, sem menos esperar somos convocados para alguma outra missão. Aí, então, alegamos a nossa impossibilidade porque “hoje é sábado” e o sábado está destinado a outras experiências. Neste caso a lei do amor ficou de lado e imperou em nosso coração a lei do egoísmo e da indiferença. – Jesus é o Senhor dos “sábados” da sua vida? - Você tem alimentado a alguém necessitado em “dia de sábado”? – Você é capaz de sacrificar um dia de lazer e de descanso para ajudar a algum discípulo de Jesus? – Em Nome de quem você tem feito caridade?  - O que você aprendeu mais com esse Evangelho?

 

 

 

 

 

Helena Serpa


AS MORTIFICAÇÕES PARA ALCANÇAR A PACIÊNCIA

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Que tal escolher um só item da lista para praticar esta semana?

Há vários meios de viver a paciência: ir além de suportar, saber esperar, saber calar, saber falar. Hoje trataremos do último meio: as mortificações para alcançar paciência.
Algumas dessas mortificações que podemos oferecer diariamente a Deus:
  • Fazer o esforço de escutar pacientemente a todos (ao menos durante um tempo prudencial), sem deixar que se apague o sorriso dos lábios, nem fazer expressão de tédio ou indiferença;
  • Não andar comentando a toda hora e com todos, sem razão plausível nem necessidade, as nossas dores e mal estares; propondo-nos firmemente a não nos queixarmos da saúde, do calor, do frio, do abafamento no ônibus lotado, do tempo que levamos sem comer nada…;
  • Renunciar decididamente a utilizar frases típicas do dicionário da impaciência: ”Você sempre faz isso”, ”De novo, já é a terceira vez que você faz isso”, ”Outra vez!”, ”Já estou cansado”;
  • Evitar cobranças insistentes e antipáticas e prontificar-nos a ajudar os outros;
  • Não implicar com pequenos maus hábitos dos outros;
  • Saber repetir calmamente as nossas explicações a quem não as entender;
  • Aceitar as contrariedades com alegria;
  • Não reclamar;
  • E tantas outras!
Após identificar as situações que nos impacientam, devemos esforçar-nos por ser pacientes justamente nessas situações específicas. Na maior parte das vezes teremos de dar mais do que o nosso 100%. E justamente por isso a mortificação é um sacrificar-se.

Um pequeno caso

Uma mãe impaciente tornou-se <>. Uma mulher de nervos frágeis tinha se proposto rezar a Nossa Senhora a jaculatória: ”Mãe de Misericórdia, rogai por nós (por mim e por esse moleque danado!)” a cada grito das crianças. Quando começava a ferver uma crise conjugal, tinha igualmente preparada uma oração própria que dizia: ”Meu Deus, que eu veja aí a cruz e saiba oferecer-Vos essa contrariedade! Rainha da Paz, rogai por nós!” E quando ia ficando enervada e ríspida, rezava: ”Maria…., vida, doçura e esperança nossa, rogai por mim!”. Depois, comentava com certo espanto: – Sabe que dá certo? Fico mais calma!. E ficava mesmo, conta o padre Francisco Faus.
“Recomendo que tenhas calma com os filhos, que não lhes dês uma bofetada por uma ninharia. Os filhos ficam irritados, tu aborreces-te, sofres porque gostas muito deles e, ainda por cima, tens de te acalmar. Tem um bocadinho de paciência, chama-lhes a atenção quando já te tiver passado a irritação, e sem ninguém por perto. Não os humilhes diante dos irmãos. Fala com eles apresentando algumas razões, para que se dêem conta de que devem atuar de outra maneira, porque assim agradam a Deus”. (São Josemaria Escrivá)
Quando começamos a meditar sobre as nossas impaciências, descobrimos que a única coisa que as pessoas nos estão pedindo a toda a hora (mesmo quando não nos pedem nada) é precisamente o nosso amor. Na realidade, todos os exercícios de paciência consistem em exercícios de amor.
Padre Francisco Faus diz que ”é possível que, ao voltarem a casa com toda a carga do cansaço do dia, se vá rezando o terço no trânsito ou carreguem consigo um livro de pensamentos espirituais, para lerem e meditarem uma ou outra frase ao pararem no semáforo demorado ou no engarrafamento incontornável. Ao mesmo tempo, vão espremendo os seus cansados miolos, tentando concretizar: “Que iniciativa, que detalhe, que palavra posso preparar para que a minha chegada a casa seja um motivo de alegria para a minha mulher, ou para o meu marido, e para os meus filhos?” E, assim, homens e mulheres cujo retorno ao lar era antes soturno e irritado, tornam-se – em virtude do amor a Deus e aos outros, que se esforçam por cultivar – corações pacientes, que espalham a paz e a alegria à sua volta.”
Como diz Santo Tomás de Aquino, ”manifestum est quod patientia a caritate causatur”: ”é evidente que a paciência é causada pelo amor”, ou, por outras palavras, ”só o amor é causa da paciência”.  Esse grande amor que, com a ajuda da graça divina, nos dá forças para aceitar, sorrindo e com os olhos fixos em Jesus, as pequenas contrariedades e também as grandes dores. Esse grande amor que nos dá energia para sermos fiéis e persistir pacientemente na luta um dia após outro, é o mesmo amor que acende na alma os grandes ideais e nos impele a realizá-los com a maior vibração e prontidão possíveis.
A mesma paciência que aceita,  torna-se divinamente impaciente em seus desejos de amar. Não se atira atabalhoadamente à ação, mas quer andar, como dizia São Josemaria Escrivá, “ao passo de Deus”, ao ritmo das graças e das oportunidades que o Senhor dá, sem nada perder, sem nada atrasar. Tem uma serena e enérgica prontidão em se doar e aceitar aquilo que o Senhor manda.
”A paciência! Não é por certo a virtude que no decorrer do dia se oferece com maior freqüência à mãe de família, qual fruto esplêndido e fecundo? Colhei este fruto celeste avidamente e fazei penetrar até o íntimo da vossa alma. Ele vos fará morrer para vós mesmas! O exercício dessa virtude mudará de fato o curso de vossa vida, para reconduzi-la ao domínio do Pai Celeste. (…) Ah! como a vida das mães, geralmente sobrecarregadas de trabalho e renúncia, tonar-se-ia doce e até mesmo jubilosa, se elas vivessem o seu cristianismo! A dificuldade do momento, longe de ser um obstáculo à sua ascensão, passaria a ser, em vez disso, como um sorriso de Deus, um apelo para o Alto, um motivo a mais de esperança infinita!” (G. Joannés)
O cultivo da paciência é um exercício diário. Muitas vezes, o processo é lento, mas nem por isso devemos desanimar. Deus é extremamente paciente com as nossas limitações. Cabe a nós uma vontade firme de seguir adiante, não importa quão difícil ou quanto demore! A graça de Deus vem sempre em nosso auxílio! Peçamos incessantemente ao bom Deus que nos dê um coração dócil, terno, ”manso e humilde”, semelhante ao de Nosso Senhor.



Referências

São Josemaria Escrivá, Bell-lloc del Plá (Gerona), 24-XI-1972
A paciência, padre Francisco Faus
Padre Paulo Ricardo
Suma Teológica, Santo Tomás de Aquino

(via Lírios entre espinhos)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

LITURGIA DIÁRIA - QUEBRA AS TRADIÇÕES!

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1a Leitura - 1 Samuel 15,16-23
Leitura do primeiro livro de Samuel.
15 16 Samuel disse-lhe: “Basta! vou cientificar-te do que o Senhor me disse esta noite”. “Fala”, disse Saul.
17 E Samuel: “Por pequeno que foste aos teus próprios olhos, acaso não te tornaste o chefe das tribos de Israel, e não te consagrou o Senhor, rei de Israel?
18 O Senhor te havia dado uma ordem, e te havia dito que votasses ao interdito esses pecadores, os amalecitas, combatendo-os até o completo extermínio.
19 Por que não ouviste a sua voz? Por que te lançaste sobre os despojos fazendo o mal aos olhos do Senhor?”
20 “Mas eu obedeci à voz do Senhor”, replicou Saul; “fui pelo caminho que ele me traçou, trouxe Agag, rei de Amalec, e votei ao interdito os amalecitas.
21 O povo somente tomou dos despojos algumas ovelhas e bois, à guisa de primícias do interdito, para os sacrificar ao Senhor, teu Deus, em Gálgala”.
22 Samuel replicou-lhe: “Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros.
23 A rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado de idolatria. Pois que rejeitaste a palavra do Senhor, também ele te rejeita e te despoja da realeza!”
Palavra do Senhor.


Salmo - 49/50
A todo homem que procede retamente 
eu mostrarei a salvação que vem de Deus. 

Eu não venho censurar teus sacrifícios,
pois sempre estão perante mim teus holocaustos;
não preciso dos novilhos de tua casa
nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

Como ousas repetir os meus preceitos
e trazer minha aliança em tua boca?
Tu, que odiaste minhas leis e meus conselhos
e deste as costas às palavras dos meus lábios!

Diante disso que fizeste, eu calarei?
Acaso pensas que eu sou igual a ti?
É disso que te acuso e repreendo
e manifesto essas coisas aos teus olhos.

Quem me oferece um sacrifício de louvor,
este, sim, é que me honra de verdade.
A todo homem que procede retamente
eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

Evangelho - Marcos 2,18-22
Aleluia, aleluia, aleluia. A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração (Hb 4,12). 
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 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
2 18 Ora, os discípulos de João e os fariseus jejuavam. Por isso, foram-lhe perguntar: "Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?"
19 Jesus respondeu-lhes: "Podem porventura jejuar os convidados das núpcias, enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não lhes é -possível jejuar.
20 Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão.
21 "Ninguém prega retalho de pano novo em roupa velha; do contrário, o remendo arranca novo pedaço da veste usada e torna-se pior o rasgão.
22 E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho os arrebentará e perder-se-á juntamente com os odres mas para vinho novo, odres novos."
Palavra da Salvação.

Nós cristãos temos a petulância de fazermos a nossa vontade valer a todo custo. Não importa com os outros. Damos mais valor às coisas do mundo do que às coisas de Deus. Colocamos acima de tudo certas doutrinas criadas para sucumbir  o homem às trevas  e não abrimos para o novo de um mundo melhor. Preferimos viver na estupidez a ouvir a verdadeira justiça.
         Foi o que aconteceu com Jesus. Seus discípulos estavam colhendo espigas de trigo num sábado enquanto caminhavam, pois estavam com fome. Diante dos olhos tanta comida não poderia permanecer alheia, por ser no dia de sábado.  Mas pela Lei Judaica era proibido. Não se poderia fazer esta atividade neste dia. Jesus não teve dúvidas. Voltou-se para os fariseus e disse em bom tom: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o filho do homem é senhor também do sábado” (Mc 2, 27-28)
         Jesus afirmou  para os fariseus que nenhuma lei deve ser seguida cegamente, pois todas as leis devem estar a serviço do homem e não ao contrário. Quando a lei impede o homem de se mover a fim de uma ação justa, deixa de ser uma lei justa e passa a ser um estorvo na vida das pessoas. A liberdade do homem está acima de qualquer coisa que possa negligenciar o sujeito. Logo, a lei deve ser observada  e adequada para satisfazer o homem ao longo de sua vida na terra.
         O homem não deve ser escravo de capricho de outro e nem deve reter para si normas e leis que  engrandeçam  que as fazem. As leis precisam ajustar para o novo. O novo trazido por Jesus contém uma  lei que desmonta a lei preservada pelo velho: “todo o projeto de Deus é a favor do homem. No caso concreto das espigas, Jesus  ensina que nenhuma lei pode impedir a pessoa faminta encontre meios para se alimentar” (Euclides Martins).
         Na verdade os fariseus estão fazendo críticas sobre o que os discípulos estão fazendo. A prática  é que incomoda. Por que Jesus come com os pecadores? Por que os discípulos não jejuam? Por que colhem espigas em dias de sábados? Por que Jesus cura em dia de sábado?
         O sábado era o dia muito importante para os judeus, pois os identificava e os distinguia dos pagãos. A violação do sábado era motivo até para a pena de morte, tanto que os doutores da Lei enumeravam 39 trabalhos que não podiam ser feitos no sábado, inclusive preparar alimentos para comer. Neste caso, os fariseus acusam os discípulos de estar violando o sábado nesse item: esfregar espigas para debulhar era considerado como preparação de alimentos.
         Sabiamente Jesus recorre a uma passagem do Antigo Testamento (1Sm 21,2-7) quando Davi e seus amigos, por estarem famintos, puderam comer os pães sagrados reservados aos sacerdotes, assim também os seus discípulos, estando com fome, podem debulhar espigas de trigo para se alimentar.
         Enfim, quando está com Jesus os grilhões das Leis e das tradições podem quebrar-se, pois o novo ditam regras acessíveis para serem seguidas sem proibições. Fazemos a vontade de Deus e seguimos o seu caminho para ganhar a salvação. Amém.
 
 
 
                 
Claudinei M. Oliveira

COMO VENCER A PROCRASTINAÇÃO,,,AGORA

Apenas faça isso e supere este grande desafio

 

Procrastinação (do latino procrastinare: “pro” significa avançar, e “crastinus” refere ao futuro), postergação ou adiamento, é a ação ou hábito de adiar atividades ou situações que precisam ser enfrentadas, substituindo-as por outras coisas que são menos importantes e/ou mais agradáveis.
Este é um transtorno de comportamento da vontade, que é causado pela associação da tarefa pendente com mudança, dor ou estresse. O desconforto ou esforço que procuramos evitar pode ser psicológico (sob a forma de ansiedade ou frustração), físico (como o que se experimenta durante ações que exigem trabalho árduo ou exercício vigoroso) ou intelectual.
A procrastinação é comumente causada pelo sentimento de ansiedade que experimentamos diante de uma tarefa pendente, que nos falta a força de vontade para completar. A tarefa adiada pode ser percebida como esmagadora, desafiadora, perturbadora, perigosa, difícil, tediosa ou chata – isto é, estressante de alguma maneira. Consequentemente, justificamos o nosso adiamento para um futuro indefinido – uma decisão que muitas vezes subordina o que é importante (mas não tão urgente) para o que é urgente (mas não tão importante).
Características
A procrastinação pode nos levar a nos refugiarmos em atividades não relacionadas ao nosso dever. O hábito de adiar as atividades pode estar conectado com uma dependência de vários elementos externos, como navegar na internet, jogar games, fazer compras, comer compulsivamente, ou deixar-se ser absorvido excessivamente pela rotina de trabalho, entre outras coisas, que são usadas como um pretexto para evitar alguma responsabilidade, ação ou decisão.
Este problema – que é um problema de saúde psicológica – não é necessariamente ligado à depressão ou à baixa autoestima. O perfeccionismo extremo e o medo do fracasso também são fatores que podem levar a adiar eventos que exigem a tomada de decisões. Existem dois tipos de indivíduos que se envolvem nesse comportamento:
  • Procrastinadores ocasionais, cuja ação evasiva não é repetida habitualmente; e
  • Procrastinadores crônicos, cujo comportamento evasivo é constante e repetido ao longo do tempo.
Esses últimos são aqueles que geralmente são considerados como tendo um verdadeiro distúrbio de comportamento, como descrito acima. Hoje em dia, existem comportamentos viciantes que contribuem para este transtorno de evasão, como assistir à televisão, usar excessivamente o computador, games, internet, celular etc.
Os fundamentos da procrastinação em psicologia e personalidade
William Knaus, em seu livro Do It Now! Break the Procrastination Habit, lista uma série de traços de personalidade que são características de pessoas com tendência a procrastinar:
  • Crenças irracionais: ter uma imagem empobrecida de si mesmo leva a se ver inadequado ou incompetente.
  • O perfeccionismo e o medo do fracasso: adiar uma tarefa e justificar as consequências com base na falta de tempo é uma desculpa para evitar o risco de falha no caso de tarefas cujo sucesso não é garantido.
  • Ansiedade e excesso de dramatização: uma acumulação de trabalho causa uma escalada correlativa de ansiedade. A dificuldade em tomar decisões e buscar garantias de sucesso antes de iniciar uma tarefa pode levar a excesso de dramatização e sentimentos pessimistas.
  • Raiva e impaciência: expectativas irrealistas e desproporcionais e excesso de dramatização criam raiva e impaciência, que se transformam em agressividade.
  • Necessidade de se sentir amado(a): o desejo de realizar tarefas motivadas por recompensas na forma de amor ou aceitação de outras pessoas pode nos fazer adiar tarefas sem recompensas.
  • Sentindo-se sobrecarregado: o trabalho se acumula, e você se sente incapaz de estabelecer prioridades; isso causa sentimentos de ansiedade, sobrecarga, estresse, angústia, indecisão, impotência e falha, criando um círculo vicioso que você não pode escapar.
Passos para evitar a procrastinação
  1. Tente evitar o uso de linguagem negativa para se referir a coisas que você precisa fazer.
  2. Divida tarefas que são complicadas para você. Siga a técnica de seguir pequenos passos para alcançar seu objetivo.
  3. Pense nas motivações para fazer a tarefa. Quando procrastinamos, é porque os benefícios da atividade estão no futuro, e os custos estão no presente. Se você conseguir trazer os benefícios do futuro para o presente, você terá dado um excelente passo para vencer a procrastinação.
  4. Quando você fizer uma tarefa desagradável, dê a você mesmo uma recompensa. Aprecie os pequenos resultados incrementais que você consegue para se motivar a continuar nesse caminho.
  5. Elimine distrações quando chegar a hora de realizar uma tarefa. Você sabe o que são. Você deve decidir não cair no que você sabe que não irá ajudá-lo, e você precisa ser concreto em relação ao que você precisa fazer.
  6. Dê o primeiro passo: “Apenas faça”. Depois de dar um passo, a força desse movimento se prolongará e tornará mais fácil continuar trabalhando.
A vida nos ensina que muitas das coisas que nos acontecem dependem muito da nossa decisão firme de lutar para alcançar nossos objetivos. Nem tudo está em nossas mãos, mas não vamos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje.




Javier Fiz Pérez 

domingo, 14 de janeiro de 2018

2 DOMINGO DO TEMPO COMUM - JESUS, O CORDEIRO DE DEUS

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1a Leitura - 1 Samuel 3,3-10.19
Leitura do primeiro livro de Samuel.
3 3 e a lâmpada de Deus ainda não se apagara. Samuel repousava no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus.
4 O Senhor chamou Samuel, o qual respondeu: “Eis-me aqui”.
5 Samuel correu para junto de Heli e disse: “Eis-me aqui: chamaste-me”. “Não te chamei, meu filho, torna a deitar-te”. Ele foi e deitou-se.
6 O Senhor chamou de novo Samuel. Este levantou-se e veio dizer a Heli: “Eis-me aqui, tu me chamaste”. “Eu não te chamei, meu filho, torna a deitar-te”.
7 Samuel ainda não conhecia o Senhor; a palavra do Senhor não lhe tinha sido ainda manifestada.
8 Pela terceira vez o Senhor chamou Samuel, que se levantou e foi ter com Heli: “Eis-me aqui, tu me chamaste”. Compreendeu então Heli que era o Senhor quem chamava o menino.
9 “Vai e torna a deitar-te”, disse-lhe ele, “e se ouvires que te chamam de novo, responde: ‘Falai, Senhor; vosso servo escuta!’” Voltou Samuel e deitou-se.
10 Veio o Senhor pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: “Samuel! Samuel! Falai”, respondeu o menino; “vosso servo escuta!”
19 Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. Ele não negligenciava nenhuma de suas palavras.
Palavra do Senhor.


Salmo - 39/40
Eu disse: “Eis que venho, Senhor!”
Com prazer faço a vossa vontade.

Esperando, esperei no Senhor
e, inclinando-se, ouviu meu clamor.
Canto novo ele pôs em meus lábios,
um poema em louvor ao Senhor.

Sacrifício e oblação não quisestes,
mas abristes, Senhor, meus ouvidos;
não pedistes ofertas nem vítimas,
holocaustos por nossos pecados.

E então eu vos disse: “Eis que venho!”
Sobre mim está escrito no livro:
“Com prazer faço a vossa vontade,
guardo em meu coração vossa lei!”

Boas novas de vossa justiça
anunciei numa grande assembléia;
vós sabeis: não fechei os meus lábios!

2a Leitura - 1 Coríntios 6,13-15.17-20
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios.
6 13 Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos: Deus destruirá tanto aqueles como este. O corpo, porém, não é para a impureza, mas para o Senhor e o Senhor para o corpo:
14 Deus, que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.
15 Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? De modo algum!
17 Pelo contrário, quem se une ao Senhor torna-se com ele um só espírito.
18 Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo.
19 Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?
20 Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.
Palavra do Senhor.

Evangelho - João 1,35-42
Aleluia, aleluia, aleluia.
Encontramos o Messias, Jesus Cristo, de graça e verdade ele é pleno; de sua imensa riqueza graças, sem fim, recebemos (Jo 1,41.17). 

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 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
1 35 No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos.
36 E, avistando Jesus que ia passando, disse: “Eis o Cordeiro de Deus”.
37 Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.
38 Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?” Disseram-lhe: “Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?”
39 Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.
40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido.
41 Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: “Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo)”.
42 Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: “Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)”.
Palavra da Salvação.

Na PRIMEIRA LEITURA Deus chamou Samuel por três vezes e Samuel não percebeu a presença do Senhor e pensou que quem o chamava era Eli. Quantas e quantas vezes Deus já nos chamou e não entendemos nada, não ouvimos sua voz, e por isso não respondemos ao seu chamado e seguimos a nossa vida segundo o nosso egoísmo?         
Porém isso aconteceu porque Samuel ainda não conhecia o Senhor, ainda não havia sido tocado pela sua palavra.  Cabe a nós conhecedores da palavra de Deus, tocar os nossos irmãos levando a eles a palavra, para que quando Deus os chamar, eles percebam a voz do Senhor.         
E quanto a nós, é bom que fiquemos atentos ao chamado de Deus que pode nos vir a qualquer instante: Através de um fato, de uma tragédia, de uma pessoa.         
A cada coisa que nos acontece, devemos perguntar: Senhor, és tu? És tu que me falas? O queres que eu faça? O que estás me dizendo com isso que me está acontecendo? Fala-me Senhor que estou pronto para ouvir-te! Fala que o teu servo escuta! Fala meu Deus pois quero ouvi-Lo e segui-Lo!
Pelo  SALMO 39 Deus não está exigindo ou pedindo sacrifícios, ofertas, holocaustos nem vítimas pelos nossos pecados. Mas sim, que façamos a sua vontade. Ele está pedindo que guardemos e pratiquemos a sua palavra, sua lei e sua justiça. Mas não guardemos somente para nós, mas sim que a anunciemos aos nossos irmãos e irmãs.
Na SEGUNDA LEITURA, Paulo nos lembra que o nosso corpo NÃO foi feito para a imoralidade, e que quando usamos o nosso corpo para nos divertir, estamos falhando com o Plano de Deus, o qual nos deu um corpo para ser habitado pelo Espírito Santo. E também que o nosso corpo não nos pertence. A nossa própria vida não nos pertence. Estão enganados ou iludidos aqueles ou aquelas que dizem aos jovens: O corpo é seu. Faça dele o que bem quiser!
Uma prova de que estas frases compõem uma grande mentira, uma enganação, são as consequências  advindas do mau uso da nossa liberdade com relação ao nosso corpo. Aqueles que vivem para o corpo pelo corpo e com o corpo, colhem frutos desastrosos com o passar do tempo. Todos que intoxicam os seus corpos com bebidas ou substâncias químicas alucinógenas com o objetivo de se divertirem de forma ilimitada, mais cedo ou mais tarde percebem tarde demais que destruíram suas vidas, destruíram a vida de seus corpos.         
A sexualidade foi colocada em nossos corpos para a preservação da espécie, mas muitos a usam egoisticamente e somente para a diversão. E é decorrente desta libertinagem  que colhemos frutos de tragédias, morte do corpo e da alma, e a nossa própria condenação!  Será que valeu a pena?  "Crescei e multiplicai-vos" está sendo interpretado de forma distorcida pela humanidade sem limites contaminada pelo mundo sem Deus!         
Os nossos corpos são membros de Cristo e templo de Deus. Portanto, felizes são aqueles e aquelas que respeitam a presença do Espírito de Deus em seus corpos. Felizes são todos que oferecem os seus corpos para o serviço do Reino de Deus. Felizes são os que fogem de toda imoralidade e de todas as ocasiões de pecado!         
Por outro lado, nos tempos atuais por mais santos que sejamos, fica muito difícil do ponto de vista humano, fugir de toda imoralidade, fugir de toda essa sensualidade que aí está.  Somente com Deus, com Eucaristia, e muita oração é que podemos vencer toda essa avalanche de pornografia,  que nos cercam e podem nos arrastar como as águas das chuvas fortes. Por toda parte avistamos corpos desnudos, cenas, palavras, frases, convites, cantadas, e todo tipo de tentação que pode  nos conduzir a queda.          
O CELIBATO está sendo discutido. Rezemos para que o Espírito Santo nos ilumine para que percebemos que com o celibato estamos perdendo padres e perdendo fiéis por causa dos escândalos, provocados não pelo desequilíbrio e fraqueza dos nossos ministros, mas pela farta e constante tentação em volta deles.  O espírito está preparado mas a carne é fraca! O espírito é forte, a fé e a vontade de servir ao Reino é grande, porém a carne é fraca diante de tantas sugestões de prazer!
Por isso precisamos encontrar um meio de resolver, DE ADMINISTRAR o celibato nos tempos atuais. Será que ele poderia mesmo ser  OPCIONAL? COMO  SANAR A QUESTÃO ECONÔMICA e FAMILIAR DO PADRE CASADO? Esta situação parece muito complicada!  Mas a realidade é que estamos necessitados de mais padres.

Ao ver Jesus passar, João disse: "Eis o Cordeiro de Deus!".  O cordeiro era o animal preferido para o holocausto, onde era queimado em oferenda a Deus.  Todos os demais animais davam muito trabalho na captura, e faziam muito barulho após serem pegos. O Cordeiro, sofria e morria sem dar um só gemido. Ele suportava tudo sem reclamar.  Jesus foi assim!         
João Batista, como profeta iluminado, sabia que Jesus era o cordeiro de Deus, era a vítima que seria imolada, a oferenda dirigida ao Pai pelo perdão dos nossos pecados.
Quando falamos assim, a impressão de que se tem, é que Jesus ao morrer pelos nossos pecados, nos deixou completamente  purificados e assim não precisamos mais nos preocupar com O SACRAMENTO DA CONFISSÃO. Tem até gente que diz: O padre é um homem qualquer.  Eu confesso direto a Deus.
         
Errado. Pois Jesus disse aos primeiros padres: "Aqueles a quem vocês perdoarem serão perdoados. E aqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados."            
Jesus morreu pelos nossos pecados.  Isso significa que O Filho de Deus ao mesmo tempo que provou sua divindade através dos milagres, Ele anunciou o Evangelho para que seguindo-o seremos salvos, e também nos deixou através da Igreja e dos sacerdotes, tudo o que precisamos para nos purificar periodicamente dos nossos pecados e assim alcançaremos um dia a glória eterna.         
Ao fazer isso, ao enfrentar os líderes judaicos que o considerou um impostor, e ao combater as injustiças, Jesus foi condenado injustamente a morte de cruz. Portanto, Ele deu sua vida por nós. Deu sua vida ao lutar para que tivéssemos acesso à salvação através dos seus ensinamentos e dos meios que Ele deixou ao nosso dispor: Absolvição, Eucaristia, Batismo, Crisma, entre outros, os quais estão disponíveis a quem procurar, no seio da Igreja.
         
Jesus disse a Simão Pedro: 'Tu és Simão, filho de João;
tu serás chamado Cefas' (que quer dizer: Pedra).
         
Pedro foi a primeira pedra do alicerce o qual foi edificado a Igreja de Jesus Cristo. Outras igrejas surgiram depois, pois muitas são as cabeças, muitos são os modos de pensar. Respeitamos a todas, não nos julgamos os únicos candidatos a vida eterna pelo fato de pertencermos à Igreja fundada pelo filho de Deus, porém, a verdade é que a Igreja Católica é a única que foi fundada pelo próprio Jesus, o Filho de Deus vivo.         
Somos todos filhos de Deus, e nunca devemos pensar que somos privilegiados, especiais, por sermos ricos, bonitos, inteligentes, e missionários.




José Salviano

sábado, 13 de janeiro de 2018

LITURGIA DIÁRIA - VIM PARA CHAMAR OS PECADORES

 Imagem relacionada
1a Leitura - 1 Samuel 9,1-4.17-19; 10,1
Leitura do primeiro livro de Samuel.
9 1 Havia um homem de Benjamim, chamado Cis, filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filho de Afia, de família benjaminita, que era um homem valente.
2 Tinha um filho chamado Saul, que era jovem e belo. Não havia em Israel outro mais belo do que ele; dos ombros para cima sobressaía a todo o povo.
3 Tendo-se perdido as jumentas de Cis, pai de Saul, disse aquele ao seu filho: “Toma um servo contigo e vai procurar as jumentas”.
4 Saul atravessou a montanha de Efraim e entrou na terra de Salisa, sem nada encontrar; percorreu a terra de Salim, mas em vão. Na terra de Benjamim não as encontrou tampouco.
17 Quando Samuel viu Saul, Deus disse-lhe: “Eis o homem de quem te falei: este reinará sobre o meu povo”.
18 Saul aproximou-se de Samuel à porta da cidade e disse-lhe: “Rogo-te que me digas onde é a casa do vidente”.
19 “Sou eu mesmo o vidente”, respondeu Samuel; “sobe na minha frente ao lugar alto; comereis hoje comigo. Amanhã te deixarei partir, depois de ter revelado a ti tudo o que tens no coração”.

10 1 Samuel tomou um pequeno frasco de óleo e derramou-o na cabeça de Saul; beijou-o e disse: “O Senhor te confere esta unção para que sejas chefe da sua herança”.
Palavra do Senhor.

Salmo - 20/21
Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra. 

Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra;
quando exulta de alegria em vosso auxílio!
O que sonhou seu coração, lhe concedestes;
não recusastes os pedidos de seus lábios. 

Com bênção generosa o preparastes;
de ouro puro coroastes sua fronte.
A vida ele pediu e vós lhe destes,
longos dias, vida longa pelos séculos. 

É grande a sua glória em vosso auxílio;
de esplendor e majestade o revestistes.
Transformastes o seu nome numa bênção
e o cobristes de alegria em vossa face.

Evangelho - Marcos 2,13-17
Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho (Lc 4,18). 
 Resultado de imagem para Marcos 2,13-17
  Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
 
2 13 Jesus saiu de novo para perto do mar e toda a multidão foi ter com ele, e ele os ensinava.
14 Quando ia passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto da arrecadação e disse-lhe: "Segue-me." E Levi, levantando-se, seguiu-o.
15 Em seguida, pôs-se à mesa na sua casa e muitos cobradores de impostos e pecadores tomaram lugar com ele e seus discípulos; com efeito, eram numerosos os que o seguiam.
16 Os escribas, do partido dos fariseus, vendo-o comer com as pessoas de má vida e publicamos, diziam aos seus discípulos: "Ele come com os publicamos e com gente de má vida?"
17 Ouvindo-os, Jesus replicou: "Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores."
Palavra da salvação. 


Jesus surpreendeu aos representantes do judaísmo local, em suas atividades e decisões.Naquele dia em que todos os presentes esperavam que Jesus condenasse e autorizasse o apedrejamento daquela pecadora, Ele surpreendeu com uma declaração inesperada. “Quem de vós não tiver nenhum pecado, começa a atirar as pedras”. E o final daquele episódio foi com a absolvição daquela mulher, com uma condição: Não peques mais...Jesus incomodava os que se apresentavam como perfeitos, indo comer com os pecadores. E isso os irritou ainda mais com a sua resposta: ...aqueles que estão com saúde não precisam de médicos...Jesus continua nos surpreendendo ainda hoje. 

 Tomemos como ponto de reflexão, a carreira desse magnífico PADRE MERCELO ROSSI,  com sua voz belíssima, e todos os seus talentos dados por Deus, é claro!Ele, em sua humildade, quase não fazia questão de mostrar a sua bela voz. Se empenhava muito mais em animar, do que em cantar. Repetia a letra da canção, e não soltava a sua voz. Notamos isso principalmente no seu primeiro CD.Depois, talvez por pressão dos seus amigos, padre Marcelo finalmente solta a sua voz e canta nos encantando, e nos santificando, pois suas canções, são verdadeiras orações.E a sua última música linda, foi aquela em que ele pede a Deus Pai que lhe faça um milagre. Faça um milagre em mim.  

Linda demais. A gente ouve, e ouve, e se arrepia e ouve outras muitas vezes.E eis que o seu pedido parece que foi atendido. Faça um milagre em mim...De repente, o Pe. Marcelo aparece todo magro, desfigurado, e aparentemente todo acabado. E aí? O que lhe teria acontecido? Ele cometeu algum pecado grave e foi castigado? É o que muitos perguntam.  O que foi aquilo? Meu Deus! dizem outros. Ouvi um sujeito dizer em um restaurante em que a TV mostrou o pe. Marcelo: Ele está com AIDS!Até parece AIDS!... Mas pelo que se sabe, Pe. Marcelo sofreu um acidente na esteira rolante, e teve de tomar muitos anti-inflamatórios, o que lhe afetou gravemente os rins provocando aquele grande inchaço generalizado.

Mas o que lhe teria causado depois aquele estado de profunda magreza?Sabemos que ele foi muito admirado, assim como foi invejado. Sabemos também que foi do mesmo modo muito tentado. Tentações e inveja não lhe faltaram!Certa vez em uma ordenação sacerdotal, o bispo no final iniciou o seu discurso assim: Ele olhou para os novos padres, saídos do forno ainda quentinhos, e disse: O DIABO ODEIA VOCÊS.Com toda certeza, o demônio não era fã de Padre Marcelo Rossi, como nós o somos.E, portanto, deve ter lhe preparado muitas armadilhas. Porém, eu pessoalmente não creio que o Pe. Marcelo tenha cometido nenhum pecado grave.Tentando olhar a trajetória desse maravilhoso padre, com os olhos de Deus, podemos chegar a uma conclusão, aos olhos do Evangelho e entender que:O sucesso de Pe. Marcelo Rossi é diferente do sucesso de Elvis Presley. 

O Elvis, chegou aos píncaros da glória, mas de modo estritamente pessoal.Enquanto que Marcelo Rossi, o seu sucesso é o sucesso do Reino de Deus, e não da sua pessoa.  Portanto, em vez de o considerarmos um ícone, um astro da música religiosa, devemos vê-lo como instrumento para a GLÓRIA DE DEUS PAI.Desse modo, fica mais fácil entender que a sua doença, acontecida em pleno pico de sua carreira, não foi um castigo de Deus, mas sim, para que ele, antes de terminar a sua missão, tivesse a sua alma salva de todas as ambições terrenas, tentações, e de toda inveja. Um triste fim? Não, se olharmos com os olhos de Deus.Pe. Marcelo brilhou? Sim! 
Mas é indispensável entender que esse brilho não é necessariamente seu, mas sim da GLÓRIA DE DEUS.Estamos tristes com esse fim? Claro que estamos, infelizmente, pois não deveríamos estar! Porque precisamos entender que é a  vontade do Pai que dever se realizar, e não a nossa.Padre Marcelo. Desculpe se escrevi coisas imprecisas, ou indevidas. Sempre fui e serei seu fã. Tenho usado suas lindas músicas nos meus vídeos no You Tube. Por favor, não me pressione pelos direitos autorais!  




José Salviano

NÃO NOS PERTUBEMOS COM OS NOSSOS DEFEITOS


1. Dois sinais do bom e do mau arrependimento
“A tristeza que é segundo Deus, afirma São Paulo, produz um arrependimento que leva à salvação; ao passo que a tristeza do mundo produz a morte. (2Cor 7,10). A tristeza do arrependimento pode, pois, ser boa ou má, conforme os efeitos que produz em nós. Mas, em geral, produz mais efeitos maus que bons, porque os bons são apenas dois: a misericórdia – o pesar pelo mal dos outros – e a penitencia – a dor de ter ofendido a Deus -; ao passo que os maus são seis: medo, preguiça, indignação, ciúme, inveja e impaciência. Por isso diz o sábio: A tristeza mata a muitos e nela não há utilidade alguma (Eclo 30,25), já que, para dois riachos de águas límpidas que nascem do manancial da tristeza, nascem seis de águas poluídas”.
É por isso que o demônio faz grandes esforços para produzir em nós essa má tristeza, e, a fim de desanimar e desesperar a alma, começa a perturbá-la. Não lhe custa muito sugerir pretextos para isso. Ora, não deveríamos afligir-nos por ter ofendido a Majestade divina, ultrajado a Beleza infinita e ferido o coração de Deus, o mais terno dos pais? “Com certeza, responde São Francisco de Sales, devemos entristecer-nos, mas com um verdadeiro arrependimento, não com uma dor aflita, cheia de mágoa e indignação. O verdadeiro arrependimento, como todo o sentimento inspirado pelo bom Espírito, é sempre calmo: O Senhor não está na perturbação (1Rs 19,11). Onde principiam a inquietação e a perturbação, a tristeza má passa a ocupar o lugar da tristeza boa.
“A má tristeza, insiste o nosso Santo, perturba a alma, inquieta, incute temores desmedidos, tira o gosto pela oração, atordoa e fatiga o espírito, impede de tirar proveito dos bons conselhos, de tomar resoluções, de formar juízos, de ter coragem e abate as forças. Numa palavra: é como um inverno rigoroso que queima toda a formosura da terra e entorpece todos os animais, porque priva a alma de toda a suavidade, deixa-a paralítica, tornando-a tolhida e inibida de todas as suas faculdades”.
2. Sinais de uma alma que se perturba após suas quedas
Muitas almas hão de reconhecer nestes sintomas a perturbação em que se deixaram envolver após as suas faltas e os estragos que essa perturbação lhes causou. Tinham começado a levar a sério a vida espiritual e seguiam resolutamente os passos do Mestre no caminho do dever, pelo rude caminho do Calvário. Mas eis que sobrevém uma queda e, com ela, eis a perturbação! A alma levanta-se sob o amparo do arrependimento e da absolvição sacramental, que tudo vem reparar. Mas nem por isso sossega. Olha, examina ansiosamente, conta as feridas mal cicatrizadas, sonda-as com receio e acaba infectando-as ainda mais por querer curá-las com despeito e impaciência, “porque não há nada que sirva mais para manter os nossos defeitos do que a inquietude e a pressa em querer expurgá-los”.
Enquanto isso, o passo vai afrouxando. Já não se corre; anda-se a custo. Arrasta-se, descontente de si e quase que do próprio Deus, perde-se a confiança na oração e aproxima-se dos sacramentos com receio. Até que, afinal, uma circunstância especial, uma confissão excepcionalmente bem feito ou um retiro, restitui a esta alma, por um certo período, o fervor que tivera a princípio. Mas, passado algum tempo após essa renovação, se a alma não elimina essa intranquilidade, uma nova queda, ou simplesmente a lembrança das faltas passadas, provocará nela um surto de redobrada melancolia; e, então, ao invés da rapidez com que se corria, voltará ao passo lento e cansado – e queria Deus que, à força de hesitações e delongas, não termine por cair numa inércia quase irreparável.
Pobres almas, quem veio paralisar assim os vossos esforços? Corríeis tanto! Quem vos fez parar? (Gl 5,7) pergunta o Apóstolo. “A perturbação”, responde São Francisco de Sales: “Se não vos tivésseis inquietado na primeira vez que tropeçastes, mas tivésseis calma, tomando suavemente o coração nas mãos, não teríeis caído uma segunda vez.”

3. Paciência com as nossas imperfeições
Por isso o bom Santo multiplicava os seus conselhos, desejoso de comunicar aos outros “a paz tão desejada que é a mais querida, fiel e perpétua hóspede do coração”, e por isso recomendava insistentemente a serenidade e a paciência, primeiramente para com nós mesmos.
“Não nos perturbemos à vista das nossas imperfeições! Livremo-nos das precipitações e dos desassossegos, pois não há nada que mais no atrapalhe o passo no caminho da perfeição”.
“O que fazem os pássaros e outros animais quando ficam presos a uma rede? Debatem-se desordenadamente no esforço de se libertarem, e assim só conseguem embaraçar-se cada vez mias… Não é perdendo a serenidade de espírito que conseguiremos desfazer-nos dos laços que nos armam algumas imperfeições; ao contrário, dessa forma mais nos embaraçamos nelas”.
“É preciso sofrer com paciência a lentidão com que nos vamos aperfeiçoando e não deixar de fazer o quanto pudermos para progredir, sempre com boa vontade”. “Aguardemos, pois, com paciência o nosso progresso e, em vez de nos inquietarmos por termos feito tão pouco no passado, procuremos com empenho fazer mais no futuro”.
“Não nos aflijamos por sempre nos vermos principiantes no exercício das virtudes, porque no ‘Mosteiro da Vida Devota’ cada um considera-se sempre noviço e esforça-se ao longo de toda a vida por dar provas da sua humildade. O contrário disso, isto é, o sinal mais evidente de não somente ser um mau noviço, mas até de merecer ser expulso e reprovado do ‘Mosteiro’, é julgar-se e ter-se a si mesmo como professos. Pois, conforme a regra desta Ordem, não é a solenidade dos votos, mas cumprimento deles que torna os noviços professos; e os votos não se julgam cumprido enquanto houver alguma coisa a fazer para a observância deles. A obrigação de lutar por servir a Deus e de progredir no amor divino dura até a morte.
“Bem, alguém me dirá, mas como posso não me afligir e não me entristecer se vejo que e por minha culpa que não avanço no caminho da virtude? Já o disse na Introdução à Vida Devota e agora volto a dizê-lo de bom grado, porque nunca é demais: é justo entristecer-se pelos erros cometidos com um arrependimento que seja sereno, constante e tranquilo; porém, com um arrependimento agitado, inquieto, desanimador, nunca”.
4. Serenidade por ocasião das quedas
Vê-se por estas citações, e há de ver-se melhor ainda pelas que se seguem, que o santo Doutor não recomenda a serenidade e a paciência consigo mesmo somente às almas justas e inocentes, mas também – e sobretudo – às que tiveram a infelicidade de cair em faltas.
“Se vos suceder alguma vez perder a paciência, não vos perturbeis, mas procurai tranquilizar-vos rapidamente e com serenidade”. “Preocupam-vos excessivamente os ímpetos do amor-próprio, sem dúvida frequentes; mas estes nunca serão perigosos se, sem vos aborrecerdes pela sua importunidade e sem vos admirardes da sua frequência, disserdes tranquilamente: Não! Caminhai com simplicidade, não estejais tão ansiosa pelo sossego do espírito, e assim o tereis com certeza”.
“Tende paciência com todos, mas sobretudo convosco, isto é, não vos perturbeis por causa das vossas imperfeições, mas tende sempre a coragem de vos emendar delas. Gostaria muito que não cansais de recomeçar todos os dias, porque não há melhor meio de prosseguir bem na vida espiritual do que sempre recomeçando e não pensando nunca já ter feito muito.”
“Podemos mortificar a carne, mas não tão perfeitamente a ponto de não haver nenhuma rebelião. Nossa atenção será frequentemente interrompida por distrações. Será, por isso, preciso se inquietar, perturbar e se afligir? Certamente não”.
5. Suportar os próprios defeitos com uma aflição tranquila e corajosa
“Não vos aflijais nem vos admireis de sentir ainda vivas em vossas almas as imperfeições que me contastes; porque, ainda que seja necessário combate-las e detestá-las para que assim possais retificá-las, não é bom que vos aflijais dessa forma tão inquieta, mas sim que tenhais uma aflição corajosa e tranquila, que vos inspire um propósito firme e seguro de emenda”.
“É preciso fugir do mal? Pois fujamos, mas calmamente e sem perturbações. Se assim não for pode acontecer que, fugindo, acabemos por cair e por dar ocasião ao inimigo… Até na penitência há de haver sossego e serenidade. Eis que a minha amaríssima amargura está em paz, diz Isaías (Is 38,17)”. “Só o pecado deve aborrecer e afligir; e mesmo ele, no extremo da sua amargura, ainda deveria fazer despontar uma santa e consoladora alegria”.
“Quem vive em Deus nunca se entristece, a não ser por ter oferecido a Deus; mas a sua tristeza está alicerçada numa profunda, tranquila e serena humildade e submissão, após a qual se levanta pela bondade divina por uma doce e perfeita confiança, sem pesar nem mágoa”.
“Em suma palavra: não vos aborreceis ou, pelo menos, não vos perturbeis por vos terdes perturbado, não vos abaleis por vos terdes abalado, não vos inquieteis por vos terdes inquietado por causa desses impulsos incômodos; mas retomai o domínio do vosso coração e colocai-o suavemente nas mãos de Nosso Senhor”. “Dominais e refreais o quanto puderes o vosso coração, até ficardes em paz com vós mesmo, ainda que vos saibais miserável…”.
“Sempre que virdes o vosso coração amargurado, limitai-vos simplesmente a apanhá-lo com a ponta dos dedos, não de punho fechado, bruscamente. É necessário ter paciência consigo mesmo e afagar o coração, animando-o; e quando ele estiver muito inquieto, é preciso segurá-lo como a um cavalo desembestado, firmemente, sem o deixar correr à solta atrás dos sentimentos”.
“Tomai muito cuidado para não perder a serenidade quando cometerdes alguma falta, mas humilhai-vos logo que possível na presença de Deus, e isto com uma humildade amorosa e doce, que vos conduza à confiança de recorrer imediatamente à sua bondade, na certeza de que Ele vos ajudará a emendar-vos… Se vierdes a cair em algum pecado, seja qual for, perdi serenamente perdão ao Senhor, dizendo-lhe que estais bem certos de que Ele vos ama muito e vos perdoará. E isto fazei-o sempre com simplicidade e serenidade”.




Retirado do livro: “A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas”. Joseph Tissot. Ed. Cléofas e Cultor de Livros.