sexta-feira, 18 de maio de 2018

Pentecostes é o acolhimento, no amor de Deus

Pentecostes : festa do acolhimento na comunhão do amor de Deus .
A igreja cristã é, ao mesmo tempo,  comunhão “de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7.9) e comunhão na “unidade do Espírito” (Ef 4.3).  No Pentecostes, são reconciliados os povos e as línguas separados em Babel (At 2.4,5; Gn 11.9).  Em Babel, houve desencontro e dispersão (Gn 11.7-9).  No Pentecostes, houve reconciliação e reunião: “ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus” (At 2.11).  Em Babel, surgiram as nações e as línguas – mas também a inimizade e a guerra entre as nações.  No Pentecostes, o evangelho de Cristo foi pregado nas línguas das nações.  Todos ouviram, cada um em sua própria língua, a palavra da reconciliação: “Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22.17).

O Pentecostes é a festa da reconciliação e do reencontro de todos os que, no evangelho da graça de Deus em Cristo, são “chamados numa só esperança” e reunidos no “vínculo da paz”.   O Pentecostes é a festa da igreja que, na “unidade do Espírito”, confessa “um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Ef 4.3-6). 
A igreja é a reunião de muitos (diversidade) na comunhão com Cristo (unidade).  Paulo descreve essa diversidade na unidade ao corpo, feito de muitos membros, mas unido na cabeça, que é Cristo (Ef 4.15).  Jesus descreveu a igreja como os ramos unidos à Videira Verdadeira (Jo 15.1) ou como ovelhas que seguem a voz do Bom Pastor (Jo 10.14).  Pedro descreve a igreja como templo feito de pedras vivas cujo fundamento ou Pedra Angular é Cristo (1 Pe 2.4-7).
Na vinda de Cristo, a igreja será essa grande reunião de pessoas de todos os povos, tribos, línguas, etnias e nações unidas no mesmo Espírito.   A igreja, até o último dia, continuará a missão que lhe foi confiada: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15); “fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). À igreja foi confiado o “ministério da reconciliação”, para anunciar a todos os povos do mundo que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2 Co 5.18,19).  As promessas do Antigo Testamento foram cumpridas e, agora, as boas novas da salvação são anunciadas em todas as línguas, a todos os povos, sem distinção.


O Pentecostes é a festa do acolhimento e da integração dos que, antes, eram estranhos, mas agora, pela pregação do evangelho de Cristo, foram recebidos como filhos de Deus (Ef 2.19; 1 Pe 2.10; Gl 2.28).  Na Carta aos Efésios, Paulo resume o significado do Pentecostes como acolhimento na comunhão com Deus: “por ele [o Filho de Deus, Jesus Cristo], ambos [judeus e gregos] temos acesso ao Pai em um Espírito” (Ef 2.18).  Da mesma forma, o Apóstolo escreve, na Carta aos Romanos: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo  (…) porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5.1,5).

Não há melhor descrição do Pentecostes do que esta: o dia em que o amor de Deus foi derramado nos corações para nos reconciliar com Deus e uns com os outros.  A pregação do evangelho em todas as línguas e a todos os povos anuncia o amor de Deus a cada um de nós, pois a morte de Cristo na cruz é a vitória do amor de Deus: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). 
A igreja, que prega o evangelho do amor de Deus em Cristo, é a comunhão dos que foram acolhidos no amor de Deus, “na unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.3).  Deus enviou seu Filho ao mundo para que nos acolher em seu amor: “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1.12).  Somos acolhidos no amor de Deus, quando em comunhão com o Filho, Jesus, recebemos “o Espírito de adoção”, e oramos, com Cristo, “Aba, Pai” (Rm 8.15).  Quando ouvimos o evangelho do amor de Deus, o Espírito Santo gera em nós a fé, gerando-nos como filhos de Deus, acolhendo-nos na comunhão de amor que une o Pai Celestial e seu Filho Unigênito, Jesus Cristo: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito do seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4.6).  
Essa comunhão de amor do Pai e do seu Filho Unigênito, na unidade do Espírito Santo, é indestrutível.  A morte não pode roubar de Cristo o amor do Pai e, assim, também, nada “poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.39).
Pentecostes é o acolhimento, no amor de Deus, para a vida eterna: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo  no meu trono, assim como também venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 3.20-22).
 
 
 
 
 
Pe Emilio Carlos

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