domingo, 31 de dezembro de 2023

Festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José.

 A APRESENTAÇÃO DO MENINO JESUS NO TEMPLO – LUCAS 2,22-40

Os pastores foram às pressas e encontraram Maria e José e o recém-nascido deitado na manjedoura (Lc 2,16).

Neste domingo, último dia do ano civil, celebremos com alegria a festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Felizes por procurarmos trilhar os caminhos do Senhor, acolhamos os valores herdados da família de Nazaré e, em comunhão com nossas famílias, participemos unidos desta Eucaristia.

Primeira Leitura: Eclesiástico 3,3-7.14-17

Leitura do livro do Eclesiástico3Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. 4Quem honra o seu pai alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração quotidiana. 5Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. 6Quem honra o seu pai terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. 7Quem respeita o seu pai terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. 14Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. 15Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita a teu pai não será esquecida, 16mas servirá para reparar os teus pecados 17e, na justiça, será para tua edificação. – Palavra do Senhor.

Leitura opcional: Gênesis 15,1-6; 21,1-3.

Salmo Responsorial: 127(128)

Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

1. Feliz és tu se temes o Senhor / e trilhas seus caminhos! / Do trabalho de tuas mãos hás de viver, / serás feliz, tudo irá bem! – R.

2. A tua esposa é uma videira bem fecunda / no coração da tua casa; / os teus filhos são rebentos de oliveira / ao redor de tua mesa. – R.

3. Será assim abençoado todo homem / que teme o Senhor. / O Senhor te abençoe de Sião / cada dia de tua vida. – R.

Salmo opcional: Sl 104(105),1-6.8-9 (R. 7-8).

Segunda Leitura: Colossenses 3,12-21

Leitura da carta de São Paulo aos Colossenses – Irmãos, 12vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, 13suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. 14Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição. 15Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. 16Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. 17Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele, dai graças a Deus, o Pai. 18Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. 19Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. 20Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. 21Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem. – Palavra do Senhor.

Leitura opcional: Hebreus 11,8.11-12.17-19.

Evangelho: Lucas 2,22-40 ou 22.39-40

[A forma breve está entre colchetes.]

Aleluia, aleluia, aleluia.

Que a paz de Cristo reine em vossos corações / e ricamente habite em vós sua Palavra! (Cl 3,15s) – R.

Proclamação do santo Evangelho segundo Lucas[22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor.] 23Conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. 24Foram também oferecer o sacrifício – um par de rolas ou dois pombinhos -, como está ordenado na Lei do Senhor. 25Em Jerusalém havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. 27Movido pelo Espírito, Simeão foi ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29“Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel”. 33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. 36Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. [39Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.]Palavra da salvação.

Reflexão:

sábado, 30 de dezembro de 2023

6º Dia na Oitava de Natal - A esperança da profetisa.

 Evangelho do Dia

Quando um tranquilo silêncio envolvia todas as coisas e a noite chegava ao meio do seu curso, a vossa palavra onipotente, Senhor, desceu do céu, do vosso trono real (Sb 18,14s).

Os cristãos vivem no mundo, porém são convidados a não se deixar arrastar pelas seduções mundanas. Pois as coisas do mundo passam; só permanece para sempre “aquele que faz a vontade de Deus”, servindo-o mediante o exercício cotidiano do amor.

Primeira Leitura: 1 João 2,12-17

Leitura da primeira carta de São João 12Eu vos escrevo, filhinhos: os vossos pecados foram perdoados por meio do seu nome. 13Eu vos escrevo, pais: vós conheceis aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevo, jovens: vós vencestes o maligno. 14Já vos escrevi, filhinhos: vós conheceis o Pai. Já vos escrevi, jovens: vós sois fortes, a Palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno. 15Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. 16Porque tudo o que há no mundo – as paixões da natureza, a concupiscência dos olhos e a ostentação da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo. 17Ora, o mundo passa, e também a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 95(96)

O céu se rejubile e exulte a terra!

1. Ó família das nações, dai ao Senhor, † ó nações, dai ao Senhor poder e glória, / dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! – R.

2. Oferecei um sacrifício nos seus átrios, † adorai-o no esplendor da santidade, / terra inteira, estremecei diante dele! – R.

3. Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” † Ele firmou o universo inabalável, / e os povos ele julga com justiça. – R.

Evangelho: Lucas 2,36-40

Aleluia, aleluia, aleluia.

Um dia sagrado brilhou para nós: / nações, vinde todas adorar o Senhor, pois hoje desceu grande luz sobre a terra! – R.

Proclamação do santo Evangelho segundo Lucas – Naquele tempo, 36havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele. –  Palavra da salvação.

Reflexão
 

Estamos na Oitava de Natal, e o Evangelho de hoje nos leva até Jerusalém, onde os pais de Jesus — a Mãe, Nossa Senhora, e S. José, pai adotivo e virginal — apresentam o Menino no Templo. No meio daquele vai-e-vem na esplanada do Templo, abarrotada de pessoas, aquele casal simples, com um par de pombinhas nas mãos para oferecer em sacrifício, não passou despercebido. Uma profetisa, Ana, os notou, e o Espírito Santo lhe iluminou o coração para perceber que ali, nos braços de Maria, estava o Messias de Israel, o Prometido ao longo dos séculos. O povo de Israel há muito esperava pelo Messias, e o que seria normal? Ora, o normal foi o que de fato aconteceu: as pessoas esperavam pelo Messias, mas esta espera tornou-se uma espécie de “esquecimento”. Sabiam que o Messias viria; mas, no fundo, nada faziam para alimentar essa esperança. Nós, que estamos vivendo o tempo do Natal, devemos fazer um exame de consciência e perguntar como está a nossa virtude da esperança; como está a esperança dentro de nós; se nós, de fato, temos aquela esperança da profetisa Ana, que, como diz o Evangelho, pôs-se a louvar a Deus e falar do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

De forma bem concreta: nós celebramos o Natal, e eu sei que você crê em Jesus, eu sei que você crê que Ele não é somente um Menino, que não estamos celebrando o aniversário de uma personagem da história; eu sei que você crê que Ele é o próprio Deus feito homem. Ora, acontece que ter fé e, logo em seguida, se esquecer significa ter fé mas sem esperança no coração. Não à toa, muita gente de fé, que vai à igreja, que reza, que celebrou o Natal, vive no dia a dia certo desânimo, vive cabisbaixa, quase arrastando os pés. Por quê? Sim, é gente que crê que Deus é amor, que Deus veio ao nosso encontro; mas é necessário, para ter verdadeira esperança, guardar este crer na memória e, durante o dia, ir-se recordando, fazendo memoria Dei, ou seja: recordar-se de Deus constantemente, recordar-se da visita do Emanuel, Deus conosco, o tempo todo. É assim que surgirá dentro do nosso coração a virtude da esperança. Olhemos para o caso concreto da profetisa Ana. Ela estava já na casa dos 84 anos e não saía do Templo, passava dia e noite servindo a Deus. Que quer dizer isso? Quer dizer que eu, concretamente, eu preciso seguir esse exemplo e não sair do Templo, nem de dia nem de noite. O Templo, claro, é o meu coração, ou seja, de dia e noite eu preciso estar diante da presença de Deus, aonde quer que eu vá, onde quer que eu esteja. Talvez estejamos aproveitando o feriado em algum lugar diferente, mas já nos teremos esquecido de Deus tão rápido assim? Jesus nasceu há poucos dias, e nós, tão mundanos, já estamos esquecidos? Não é de admirar, pois, que o desânimo tome conta de nossa vida. Afinal, não estamos alimentando a virtude da esperança. Se cremos na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, se cremos em Deus e temos fé verdadeira, fé sólida, fé católica, mas só nos lembramos disso quando vamos rezar, continuaremos abatidos e desanimados. Se nós, ao contrário, em oração, em nossa vida sacramental, confessando, comungando etc., desejamos unir-nos a Cristo cada vez mais e levamos este desejo para o nosso dia a dia, como uma recordação constante no trabalho, na rua, em casa, onde quer que estejamos — noite e dia sem sair do Tempo —, então somos um daqueles que esperam realmente a libertação de Jerusalém. Temos a virtude da esperança, e Deus, que é sempre Deus conosco, não deixará que os seus esperem inutilmente.

 
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sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

5º Dia na Oitava de Natal - O Menino que nasceu para a morte.

 LEITURA ORANTE: Lc 2,22-35 - Jesus no Templo: "um Deus por nós!"

Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16).

Estamos na oitava de Natal e continuamos a saborear a grandeza da presença de Jesus, nosso Salvador, entre nós. Movidos pelo Espírito que nos reúne, sigamos o Senhor, a “luz verdadeira”, conscientes de que “quem ama o seu irmão permanece na luz e não corre perigo de tropeçar”.

Primeira Leitura: 1 João 2,3-11

Leitura da primeira carta de São João – Caríssimos, 3para saber que conhecemos Jesus, vejamos se guardamos os seus mandamentos. 4Quem diz: “Eu conheço a Deus”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. 5Naquele, porém, que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado. O critério para saber se estamos com Jesus é este: 6quem diz que permanece nele deve também proceder como ele procedeu. 7Caríssimos, não vos comunico um mandamento novo, mas um mandamento antigo, que recebestes desde o início; este mandamento antigo é a palavra que ouvistes. 8No entanto, o que vos escrevo é um mandamento novo – que é verdadeiro nele e em vós -, pois que as trevas passam e já brilha a luz verdadeira. 9Aquele que diz estar na luz, mas odeia o seu irmão, ainda está nas trevas. 10O que ama o seu irmão permanece na luz e não corre perigo de tropeçar. 11Mas o que odeia o seu irmão está nas trevas, caminha nas trevas e não sabe aonde vai, porque as trevas ofuscaram os seus olhos. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 95(96)

O céu se rejubile e exulte a terra!

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, † cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! / Cantai e bendizei seu santo nome! – R.

2. Dia após dia anunciai sua salvação, † manifestai a sua glória entre as nações / e, entre os povos do universo, seus prodígios! – R.

3. Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus: † diante dele vão a glória e a majestade, / e o seu templo, que beleza e esplendor! – R.

Evangelho: Lucas 2,22-35

Aleluia, aleluia, aleluia.

Sois a luz que brilhará para os gentios / e para a glória de Israel, o vosso povo (Lc 2,32). – R.

Proclamação do santo Evangelho segundo Lucas22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23Conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. 24Foram também oferecer o sacrifício – um par de rolas ou dois pombinhos -, como está ordenado na Lei do Senhor. 25Em Jerusalém havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. 27Movido pelo Espírito, Simeão veio ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29“Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. 33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. – Palavra da salvação.

Reflexão

A Apresentação no Templo. — O contexto em que o Evangelho de hoje se insere é o quarto mistério gozoso do Rosário: a Apresentação do Senhor no Templo. Oito dias após nascer, o Menino Jesus, segundo os preceitos da Lei, foi circuncidado; no quadragésimo dia depois do parto, a Virgem bendita dirigiu-se ao Templo de Jerusalém, tanto para cumprir o preceito de pureza legal (cf. Lv 12) como para apresentar seu Filho ao Senhor. Nesta ocasião, Jesus foi reconhecido pelo velho Simeão como Salvador de Israel e pela profetisa Ana como Redentor do mundo. Ora, uma vez que Cristo, como nosso Salvador e Mestre, quis assemelhar-se em tudo a seus irmãos (cf. Hb 2, 17), exceto no pecado, convinha que Ele se submetesse ao rito da circuncisão, em virtude do qual os hebreus passavam a fazer parte do povo de Deus e se tornavam, assim, destinatários da Aliança que Yahweh estabelecera com Abraão e a sua descendência (cf. Gn 17, 11). A circuncisão externa do corpo, com efeito, era um símbolo e sinal da mortificação interna da concupiscência, além de um sacramento da Antiga Lei por força do qual, e em atenção à fé no futuro Messias, os membros do povo eleito eram purificados da culpa original. Trinta e dois dias após a circuncisão, a Sagrada Família foi ao Templo e, à Porta de Nicanor, que ficava entre o átrio das mulheres e o dos israelitas, a Virgem SS. foi benzida pelo sacerdote em turno e purificada da impureza prescrita por Moisés. Realizada a cerimônia, os pais do Menino entregaram como oferta um par de rolas, pois eram muito pobres e não podiam oferecer em holocausto um cordeiro de um ano (cf. Lv 12, 6). Nem Jesus nem Maria, obviamente, tinham necessidade de obedecer a tais preceitos da Lei; quiseram cumpri-los, não obstante, a fim de nos dar um exemplo admirável de humildade e da obediência que devemos prestar aos ritos da nossa religião.

A profecia de Simeão. — Ora, havia no Templo um homem chamado Simeão. Era ele justo e piedoso (gr. εὐλαβὴς = temente) aos olhos de Deus e esperava a consolação do povo de Israel, isto é, o advento do Cristo, que consolaria todos os aflitos de Sião (cf. Is 61, 2). O Espírito Santo estava sempre com ele, seja pela graça santificante, seja pelo dom da profecia, e lhe havia anunciado, por uma revelação especial, que ele não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. Movido pelo mesmo Espírito, Simeão entrou no Templo ao ver os pais de Jesus e, aproximando-se da Família, tomou o menino nos braços, bendisse a Deus a agradeceu-lhe o privilégio não só de ver o Cristo, mas inclusive de poder abraçá-lo ternamente. Inspirado por Deus, o santo ancião, fazendo eco aos antigos profetas e consumando a fé dos Patriarcas, cantou as glórias do Messias e, dirigindo-se-lhe à Mãe, revelou o seguinte: “Quanto a ti uma espada te traspassará a alma” (v. 35). Essa espada de dor não se refere, como pensava Orígenes, a uma suposta dúvida que a Virgem Maria teria experimentado aos pés da cruz acerca da divindade de Cristo, mas a uma verdadeira dor espiritual que lhe transpassou a alma ao contemplar Jesus, a quem ela tanto amava como seu Filho e adorava como seu Deus, torturado e rejeitado pelo povo que Ele viera salvar. A profecia de Simão, além disso, recorda que todo o mistério da Encarnação se ordena ao triunfo redentor da cruz, de forma que se pode dizer que o Menino cujo nascimento festejamos ao longo da Oitava de Natal nasceu verdadeiramente para morrer: toda a sua vida neste mundo, com efeito, tinha por finalidade consumir-se até o extremo no Calvário, por meio de uma morte redentora que seria para muitos, tanto fora como dentro de Israel (cf. 1Cor 1, 23), um sinal perene de contradição (v. 34).

 

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Festa -Os Santos Inocentes, mártires.

 A fugida para o Egito - A Matança dos inocentes Mt 2,13-18 » Cidade News  Online

Primeira Leitura (1Jo 1,5–2,2)

Leitura da Primeira Carta de São João.

Caríssimos, a mensagem que ouvimos de Jesus Cristo e vos anunciamos é esta: Deus é luz e nele não há trevas. Se dissermos que estamos em comunhão com ele, mas andamos nas trevas, estamos mentindo e não nos guiamos pela verdade. Mas, se andamos na luz, como ele está na luz, então estamos em comunhão uns com os outros, e o sangue de seu Filho Jesus nos purifica de todo pecado.

Se dissermos que não temos pecado estamo-nos enganando a nós mesmos, e a verdade não está dentro de nós. Se reconhecermos nossos pecados, então Deus se mostra fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda culpa. 10 Se dissermos que nunca pecamos, fazemos dele um mentiroso e sua palavra não está dentro de nós. 2,1 Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro.

- Palavra do Senhor.

Graças a Deus.

Responsório Sl 123(124),2-3.4-5.7b-8 (R. 7a)

— Nossa alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador.

— Nossa alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador.

— Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, quando os homens investiram contra nós, com certeza nos teriam devorado no furor de sua ira contra nós.

— Então as águas nos teriam submergido, a correnteza nos teria arrastado, e então, por sobre nós teriam passado essas águas sempre mais impetuosas.

— O laço arrebentou-se de repente, e assim nós conseguimos libertar-nos. O nosso auxílio está no nome do Senhor, do Senhor que fez o céu e fez a terra.

Evangelho (Mt 2,13-18)

— Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos; vos louva o exército dos vossos Santos Mártires!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

13 Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. 14 José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. 15 Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. 16 Quando Herodes percebeu que os magos o haviam enganado, ficou muito furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, de dois anos para baixo, exatamente conforme o tempo indicado pelos magos. 17 Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18 “Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais”.

Palavra da Salvação.

Glória a vós, Senhor.

Vendo que os magos do Oriente o haviam enganado, por terem desobedecido à ordem de referir-lhe, tão logo voltassem de Belém, onde havia nascido o Cristo, Herodes ficou muito furioso e, por causa do nascimento do verdadeiro rei de Israel, cujo trono ele vinha ocupando impunemente havia muito tempo, encheu-se de temor. Por isso, mandou alguns de seus soldados à cidade de Davi, para que ali trucidassem todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo indicado pelos magos, não porque — como querem alguns — o Senhor já contasse dois anos de idade, mas porque — como observa S. João Crisóstomo — a fúria e o medo do rei preferiram precaver-se, ajuntando mais tempo ao nascimento de Cristo, a fim de que não houvesse o perigo de alguma criança escapar à sua ambição assassina. Deste modo, conclui o evangelista, foi cumprido o vaticínio anunciado por boca do profeta Jeremias: “Ouve-se em Ramá uma voz, lamentos e amargos soluços. É Raquel que chora os filhos, recusando ser consolada, porque já não existem” (Jr 31, 15). O profeta apresenta a nação judaica sob a imagem de Raquel, sepultada perto de Belém (cf. Gn 35, 19), que chora em Ramá a deportação de seus filhos para o exílio babilônico (cf. Jr 40, 1). Esse lamento do povo judeu, portanto, era tipo e figura do luto que se abateria sobre as mães dos santos inocentes de Belém celebrados hoje pela Igreja.

Herodes enche-se de ira, porque deseja preservar o seu reinado humano. No seu coração, trava-se a mesma luta que teve início outrora, no princípio do mundo, quando Adão e Eva, enganados pela serpente e levados pela soberba, levantaram-se contra Deus e os direitos dele. “Vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses” (Gn 3, 5), ludibriou-os o diabo, e os nossos primeiros pais, despojados da inocência original, passaram a ver Deus como um inimigo atemorizante: “O Senhor Deus chamou o homem e perguntou-lhe: ‘Onde estás?’ E ele respondeu: ‘Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me’” (Gn 3, 9-10). Tiveram medo, porque sentaram num trono que sabiam não ser seu. Assim também nós, à semelhança de Herodes, temos medo e raiva de Deus, porque receamos que ele nos venha tirar do trono que usurpamos e exigir que o deixemos guiar a nossa vida e ser, como só Ele é, conhecedor do que é realmente bom e mau. Temos medo e raiva de Deus, porque não desejamos renunciar ao cetro nem confiar a Ele a condução dos nossos assuntos e a realização ou não dos nossos desejos e projetos. Temos medo e raiva de Deus, porque ainda em nós soa, como um sussurro infernal, aquela desgraçada sedução de Satanás: “Sereis como deuses!...”. Não nos deixemos, porém, enganar pelo diabo. Voltemos o olhar para o presépio e, com um coração de criança semelhante aos dos santos inocentes, digamos confiadamente ao Menino Jesus:

Oração. — Senhor Jesus Cristo, confesso-vos como Rei universal. Tudo o que foi feito para vós foi feito. Exercei sobre mim todos os vossos direitos. Renovo os meus votos de Batismo, renunciando a Satanás, às suas pompas e às suas obras, e prometo viver como um bom cristão. E, acima de tudo, obrigo-mo a trabalhar tanto quanto me for possível para fazer triunfar os direitos de Deus e os da vossa Igreja. Ó divino Coração de Jesus, ofereço-vos as minhas pobres ações, a fim de obter que todos os corações reconheçam a vossa sagrada realeza e que, assim, se estabeleça por toda a redondeza da terra o reino da vossa paz. Amém.

 

 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Festa - São João, Apóstolo e Evangelista

 PARÓQUIA DIVINO ESPÍRITO SANTO: Evangelho de hoje, terça-feira, 27/12/2016

Este é João, que na ceia reclinou a cabeça sobre o peito do Senhor; feliz o apóstolo a quem foram revelados os mistérios celestes e que anunciou, no mundo inteiro, as palavras da vida.

João, irmão de Tiago, o Maior, pertenceu ao grupo dos doze apóstolos. Foi testemunha ocular de vários episódios da vida de Jesus, entre os quais a transfiguração, a cura da filha de Jairo, a agonia no horto das Oliveiras. É identificado como o “discípulo amado”, presente aos pés da cruz e um dos primeiros a reconhecer o Cristo ressuscitado. A seu exemplo, esforcemo-nos para seguir o Divino Mestre em qualquer circunstância.

Primeira Leitura: 1 João 1,1-4

Início da primeira carta de São João – Caríssimos, 1o que era desde o princípio, o que nós ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida – 2de fato, a Vida manifestou-se e nós a vimos, e somos testemunhas, e a vós anunciamos a vida eterna, que estava junto do Pai e que se tornou visível para nós -, 3isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos, para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. 4Nós vos escrevemos estas coisas para que a nossa alegria fique completa. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 96(97)

Ó justos, alegrai-vos no Senhor!

1. Deus é rei! Exulte a terra de alegria, / e as ilhas numerosas rejubilem! / Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, / que se apoia na justiça e no direito. – R.

2. As montanhas se derretem como cera / ante a face do Senhor de toda a terra; / e assim proclama o céu sua justiça, / todos os povos podem ver a sua glória. – R.

3. Uma luz já se levanta para os justos, / e a alegria, para os retos corações. / Homens justos, alegrai-vos no Senhor, / celebrai e bendizei seu santo nome! – R.

Evangelho: João 20,2-8

Aleluia, aleluia, aleluia.

A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos; / vos louva o exército dos vossos santos mártires! – R.

Proclamação do santo Evangelho segundo João – No primeiro dia da semana, 2Maria Madalena saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. 3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. 6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. – Palavra da salvação.

Reflexão
Logo no início da Oitava do Natal, celebramos a festa do Apóstolo S. João, o discípulo amado, que, entre todos os evangelistas, foi decerto o mais profundo, justamente por ter sido o mais íntimo de Cristo, em cujo peito — in sinu Iesu — reclinou a cabeça durante a Última Ceia. E o Evangelho de hoje nos fala daquele momento decisivo em que João, abatido pela morte do Senhor, entra no sepulcro ao amanhecer do domingo de Páscoa e, vendo dobradas a um lado as faixas de linho que recobriram o santíssimo corpo de Cristo, acreditou na ressurreição anunciada por Maria Madalena: “Viu e acreditou”, escreve ele sobre sua experiência. Celebrar pois a festa de S. João com este precioso Evangelho, no contexto da Oitava do Natal, é contemplar em grande escala o sentido último da vida de Nosso Senhor: Ele veio a este mundo para entregar-se por nós ou, como diz em frase lapidar o discípulo amado, Ele, “como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou” (Jo 13, 1). E a vitória de Cristo sobre o pecado e o demônio na cruz se manifesta, gloriosa, inabalável, no domingo de manhã, naquele sepulcro vazio, prova de que Ele está vivo, agora e para sempre, e mais vivo do que nós, porque ressuscitou para nunca mais morrer. É por isso que, quando vamos ao sacrário reclinar nossa cabeça no peito de Cristo, quando vamos à Missa comungar o seu santíssimo Corpo na Eucaristia, podemos ter certeza de que estamos na presença de um homem vivo, um homem que é, pelo mistério da Encarnação, a divina pessoa do Filho de Deus. Disso nos fala, enfim, a primeira leitura de hoje, extraída da primeira epístola de S. João, na qual o Apóstolo nos testemunha, quase num hino atravessado da mais doce caridade: “Caríssimos, o que era desde o princípio, o que nós ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida […], isso que vimos e ouvimos, nós vos anunciamos, para que estejais em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Nós vos escrevemos estas coisas para que a nossa alegria fique completa” (1Jo 1.3-4). Renovando hoje a nossa fé no testemunho dos santos Apóstolos, roguemos ao evangelista S. João que nos alcance a graça de, crendo mais profundamente na verdade da Encarnação do Verbo, termos com Nosso Senhor um relacionamento íntimo e confiante de amizade, de entrega, de doação completa de tudo o que temos e somos. 


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terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Festa Santo Estêvão, o Primeiro Mártir.

 Stream Homilia Diária.727: Festa de Santo Estêvão, Primeiro Mártir by Padre  Paulo Ricardo | Listen online for free on SoundCloud

Abriram-se as portas do céu para Santo Estêvão, que foi o primeiro dos mártires e por isso, coroado, triunfa no céu.

Estêvão viveu no 1º século. Foi um dos sete diáconos escolhidos pelos apóstolos para o serviço da comunidade. Homem “cheio de fé e do Espírito Santo”, por sua fidelidade a Jesus Cristo, foi apedrejado, tornando-se o primeiro mártir – protomártir – da Igreja. Seu exemplo de fortaleza e coragem nos incentive a permanecermos firmes no seguimento do Senhor Jesus.

Primeira Leitura: Atos 6,8-10; 7,54-59

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 8Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. 9Mas alguns membros da chamada Sinagoga dos Libertos, junto com cirenenses e alexandrinos e alguns da Cilícia e da Ásia, começaram a discutir com Estêvão. 10Porém não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. 7,54Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estêvão. 55Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus. 56E disse: “Estou vendo o céu aberto e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus”. 57Mas eles, dando grandes gritos e tapando os ouvidos, avançaram todos juntos contra Estêvão; 58arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. 59Enquanto o apedrejavam, Estêvão clamou, dizendo: “Senhor Jesus, acolhe o meu espírito”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 30(31)

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

1. Sede uma rocha protetora para mim, / um abrigo bem seguro que me salve! / Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; / por vossa honra, orientai-me e conduzi-me! – R.

2. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, / porque vós me salvareis, ó Deus fiel! / Vosso amor me faz saltar de alegria, / pois olhastes para as minhas aflições. – R.

3. Eu entrego em vossas mãos o meu destino; / libertai-me do inimigo e do opressor! / Mostrai serena a vossa face ao vosso servo / e salvai-me pela vossa compaixão! – R.

Evangelho: Mateus 10,17-22

Aleluia, aleluia, aleluia.

Bendito o que vem em nome do Senhor. / Nosso Deus é o Senhor, ele é a nossa luz (Sl 117,26s). – R.

Proclamação do santo Evangelho segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: 17“Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. 18Vós sereis levados diante de governadores e reis por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados em como falar ou com o que dizer. Então, naquele momento, vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós. 21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Começamos hoje a Oitava de Natal. Após termos celebrado o nascimento do Filho de Deus, lembramo-nos neste sábado do primeiro daqueles que, por amor ao santo nome de Jesus, derramariam o próprio sangue: o protomártir Santo Estêvão. De fato, Cristo veio ao mundo para trazer-nos a verdadeira paz; mas, ao dar-no-la, Ele nos pôs ao mesmo tempo em pé de guerra com o mundo. A paz do Senhor é, pois, um espada que separa esposo de esposa, irmãos de irmãs, os que desejam amar a Deus dos que preferem rejeitá-lo. Com efeito, diz Nosso Senhor aos seus discípulos, se "o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós" (Jo 15, 18), porque o "servo não é maior do que o seu senhor" (Jo 15, 20). Eis aqui a "tragédia" da Encarnação: a Paz e o Amor fizeram-se carne, e nós os crucificamos; a Luz veio para o que era seu, mas os seus não a receberam (cf. Jo 1, 11); o Verbo, que fez mundo, veio ao mundo, e o mundo, odiando-o, pregou-o a uma cruz, entre dois ladrões.

Por isso, se o mundo odiou Aquele que, por amor, o criou, com maior razão haveria de odiar aqueles que dariam testemunho desse mesmo amor. Se, por um lado, os que são do mundo desprezam Aquele a quem pertencem, os que não são do mundo chegam ao heroísmo de entregar a própria vida por Aquele cujas palavras se comprometem a guardar (cf. Jo 15, 20). Essa parresía, essa coragem típica dos corações mártires está belamente plasmada no exemplo de Santo Estêvão. Sem preparar nenhum discurso, antes se deixando guiar pelo Espírito Santo, conforme o mandamento do Senhor, Estêvão transcendeu a prudência e lógica humanas: o seu discurso diante dos sumos sacerdotes, se sob uma perspectiva meramente terrena se assemelha a um suicídio, sob a perspectiva de Deus, ao contrário, é um verdadeiro nascimento. Nascimento de Estêvão para a vida eterna; nascimento de inúmeros cristãos, cuja esperança é regada pelo sangue de mártires como ele.

Que o seu exemplo nos inspire a abraçar este Amor que se esquece de si e vem aos homens para abrir-lhes as portas do Céus. Que este Amor nos dê as forças necessárias para o professarmos diante do mundo e, se for preciso, pagarmos com a vida o preço deste amor, desta fé, desta entrega.

 
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segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo - Solenidade - Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Diocese de Limeira

Nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável (Is 9,5).

As promessas de Deus se cumprem: sua salvação chegou até nós na pessoa do menino Jesus. Celebremos o Esplendor da glória do Pai, a Luz que ilumina os caminhos da humanidade, a Palavra que se fez carne e habitou entre nós.

Primeira Leitura: Isaías 52,7-10

Leitura do livro do profeta Isaías 7Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação, e diz a Sião: “Reina teu Deus!” 8Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz, estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião. 9Alegrai-vos e exultai ao mesmo tempo, ó ruínas de Jerusalém; o Senhor consolou seu povo e resgatou Jerusalém. 10O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 97(98)

Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. – R.

2. O Senhor fez conhecer a salvação, / e às nações, sua justiça; / recordou o seu amor sempre fiel / pela casa de Israel. – R.

3. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus. / Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / alegrai-vos e exultai! – R.

4. Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa / e da cítara suave! / Aclamai, com os clarins e as trombetas, / ao Senhor, o nosso rei! – R.

Segunda Leitura: Hebreus 1,1-6

Leitura da carta aos Hebreus 1Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus outrora aos nossos pais pelos profetas; 2nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo. 3Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas. 4Ele foi colocado tanto acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o nome deles. 5De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”? Ou ainda: “Eu serei para ele um Pai, e ele será para mim um filho”? 6Mas, quando faz entrar o Primogênito no mundo, Deus diz: “Todos os anjos devem adorá-lo!” – Palavra do Senhor.

Evangelho: João 1,1-18 ou 1-5.9-14

[A forma breve está entre colchetes.]

Aleluia, aleluia, aleluia.

Despontou o santo dia para nós: / ó nações, vinde adorar o Senhor Deus, / porque hoje grande luz brilhou na terra! – R.

Proclamação do santo Evangelho segundo João[1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. 2No princípio estava ela com Deus. 3Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.] 6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9daquele que [era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. 10A Palavra estava no mundo – e o mundo foi feito por meio dela -, mas o mundo não quis conhecê-la. 11Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. 12Mas, a todos os que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13pois estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade.] 15Dele João dá testemunho, clamando: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim”. 16De sua plenitude, todos nós recebemos graça por graça. 17Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18A Deus ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer. – Palavra da salvação.

RReflexão

A alegria do Natal é a resposta de Deus à tristeza do homem. Cumprindo as promessa feitas à Abraão e à sua descendência (cf. Lc 1, 55), Ele visita hoje o povo que, segundo o Seu beneplácito, escolheu para Si; fá-lo, porém, para além de tudo quanto o coração humano possa esperar: cheio de bondade e ternura, o Pai de misericórdias (cf. 2Cor 1, 3) envia-nos numa carne (cf. 1Jo 4, 2) em tudo semelhante à nossa, menos no pecado (cf. Hb 4, 15), o Seu "Filho bem-amado" (Mc 1, 11). Deus hoje Se encarna, faz-Se presente aos que por tanto tempo fugiram à Sua presença. Escondido na humildade de um recém-nascido, Jesus Cristo assume hoje todas as perfeições e delicadezas por que quis ser prefigurado e anunciado aos nossos pais na fé: a inocência de um Abel, a pureza de um José, a mansidão de um Moisés—tudo isto se encarna hoje, sob a doçura frágil de um menino, n'Aquele que Se faz carne por amor ao homem. É o mesmo Senhor que, permanecendo o que era e assumindo o que não era, faz tremer a humanidade diante do mistério de Sua presença e da presença deste tão grande Mistério.

A alegria do Natal é, pois, a resposta de um Amor que, vendo a solidão e o sofrimento humanos, quis sofrer conosco, quis vir a este desterro para tirar-nos a nós, degredados da glória celeste, da nossa solidão terrena. Assumindo a nossa natureza, Ele nos chama a participar da Sua; padecendo as nossas dores, Ele nos convida a gozar as Suas alegrias. O Filho de Homem, contudo, não tem hoje onde reclinar a cabeça (cf. Mt 8, 20): Ele nos deu tudo o que temos e Se priva agora de tudo o que, por direito, poderia ter. Ele, que é muito mais do que sequer podemos conceber, faz-Se servo dos que deseja chamar amigos. Deus é, de hoje em diante, Deus conosco, o Emanuel há tanto esperado! Porque só Ele poderia vir, só Ele poderia transpor o abismo que existe entre a nossa indigência e solidão e a plenitude de amor e comunhão de que goza a Trindade Santa pelos séculos sem fim.

Que este Natal seja de profunda e sentida gratidão pela forma maravilhosa por que o Pai quis salvar-nos, reconciliando-nos Consigo, e dar-nos a conhecer o Seu amor por nós, vivido até o extremo da Cruz por Aquele que não nos desprezou, não teve nojo de nós—antes, preferiu ser Ele mesmo desprezado e rejeitado pelos que eram Seus (cf. Jo 1, 11), para que todo o que n'Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (cf. Jo 3, 18). Demos graças ao Senhor pela única e verdadeira boa notícia que nos foi anunciada: hoje nasceu para nós um Salvador, que é o Cristo Senhor! Não estamos mais a sós! Glória e honra a Ele por todos os séculos dos séculos. Amém.

 

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