quinta-feira, 13 de maio de 2021

Liturgia Diária - “Já não me vereis”.

 O verdadeiro discípulo é aquele que se identifica com Cristo – 27/02/2019 >  Nossa Senhora de Fátima

Leitura (Atos 18,1-8)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

18 1 Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto.
2 Encontrou ali um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, e sua mulher Priscila. Eles pouco antes haviam chegado da Itália, por Cláudio ter decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo uniu-se a eles.
3 Como exercessem o mesmo ofício, morava e trabalhava com eles. (Eram fabricantes de tendas.)
4 Todos os sábados ele falava na sinagoga e procurava convencer os judeus e os gregos.
5 Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à pregação da palavra, dando aos judeus testemunho de que Jesus era o Messias.
6 Mas como esses contradissessem e o injuriassem, ele, sacudindo as vestes, disse-lhes: “O vosso sangue caia sobre a vossa cabeça! Tenho as mãos inocentes. Desde agora vou para o meio dos gentios”.
7 Saindo dali, entrou em casa de um prosélito, chamado Tício Justo, cuja casa era contígua à sinagoga.
8 Entretanto Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com todos os da sua casa. Sabendo disso, muitos dos coríntios, ouvintes de Paulo, acreditaram e foram batizados.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 97/98

O Senhor fez conhecer seu poder salvador
perante as nações.


Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo
alcançaram-lhe a vitória.

O Senhor fez conhecer a salvação
e, às nações, sua justiça;
recordou o seu amor sempre fiel
pela casa de Israel.

Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor Deus, ó terá inteira,
alegrai-vos e exultai!

Evangelho (João 16,16-20)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu não vos deixarei órfãos: eu irei, mas voltarei, e o vosso coração muito há de se alegrar (Jo 14,18).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

16 16 Jesus disse: “Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai”.
17 Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: “Que é isso que ele nos diz: ‘Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver?’ E que significa também: ‘Eu vou para o Pai?’”
18 Diziam então: “Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer”.
19 Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: “Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: ‘Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver’.
20 Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria”.

Palavra da Salvação.

 Reflexão

São enigmáticas as palavras com que Nosso Senhor principia o Evangelho de hoje: "Ainda um pouco de tempo, e já não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver"; tão enigmáticas, que até os Apóstolos começaram a perguntar-se o que Jesus lhes estava dizendo. Sem poder encontrar resposta, tiveram de confessar: "Não entendemos o que Ele quer dizer". Mas se lermos este trecho à luz do mistério da Ascensão, as coisas talvez se tornem um pouco mais claras: "Vou para junto do Pai".

Nós, com efeito, vivemos sem ter Jesus sob os olhos, tal como O tiveram os discípulos. Ele voltou para o Pai e, embora permaneça sempre conosco, não se dá a conhecer de forma visível. Vemo-lO, no entanto, na obscuridade da fé. Os Apóstolos O tinham ao lado; nós O temos no coração. Os Doze tiveram a graça de O tocar; nós, de por Ele sermos tocados na Eucaristia. Nesse sentido, podemos dizer que somos mais ricos e afortunados do que os Apóstolos. Felizes somos nós, que cremos sem nunca termos visto (cf. Jo 20, 21)! Por isso, Jesus nos garante: ainda que não tenhamos a dita de O contemplar por ora face a face, o mérito da nossa fé transformará esta tristeza da obscuridade na alegria da visão beatífica: "A vossa tristeza se há de transformar em alegria".

Trabalhemos, portanto, o nosso coração na fé. Apercebamo-nos de que o Senhor, de modos quase sempre delicados e imperceptíveis, põe-se sempre ao nosso lado e assiste-nos com a sua graça: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28, 20). Tenhamos, pois, esta certeza fiel de que, com ajuda de Deus, poderemos um dia ver cara a cara Aquele que, pela fé, cremos estar sempre e intimamente unido a nós: "A vossa tristeza se há de transformar em alegria"!

 

 https://padrepauloricardo.org/episodios/ja-nao-me-vereis

Nossa Senhora de Fátima.

 Patronos - Instituto Enchei-vos do Espírito Santo

No dia 5 de maio de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV convidou os católicos do mundo inteiro para se unirem em uma cruzada de orações para obter a paz com a intercessão de Nossa Senhora. Oito dias depois, a Beatíssima Virgem dava aos homens a sua resposta, aparecendo a 13 de maio a três pastorinhos portugueses, Lúcia de 10 anos, Francisco de 9 e Jacinta de 7. A Senhora marcou com eles encontro naquele mesmo lugar, um lugar espaçoso e descampado denominado Cova da Iria, para o dia 13 de todo mês. Lúcia, a maiorzinha, recomendou aos priminhos para não contarem nada em casa. Mas Jacinta não soube guardar o segredo e no dia 13 de junho, os três pastorinhos não estavam mais sozinhos no encontro. No dia 13 de julho Lúcia hesitou em ir ao encontro porque os pais a haviam maltratado, mas depois se deixou convencer por Jacinta e foi precisamente durante a terceira aparição que Nossa Senhora prometeu um milagre para que o povo acreditasse na história das três crianças. A 13 de agosto os três videntes, fechados no cárcere, não puderam ir à Cova da Iria. A 13 de outubro, último encontro, setenta mil pessoas lotavam o lugar das aparições e foram testemunhas do milagre anunciado: o sol parecia mover-se medrosamente, como se estivesse para destacar-se do firmamento, crescendo entre as chamas multicores.

Nossa Senhora, em momentos sucessivos, ia aumentando os prodígios para persuadir da sua mensagem, para dar a sua resposta que empenha todos os cristãos: “Rezem o terço todos os dias; rezem muito e façam sacrifícios pelos pobres pecadores; são muitos os que vão para o inferno por não haver quem se preocupe em rezar e fazer sacrifícios por eles… A guerra logo vai acabar, mas se não pararem de ofender ao Senhor, não passará muito tempo para vir outra pior. Abandonem o pecado de suas próprias vidas e procurem eliminá-lo da vida dos outros, colaborando com a Redenção do Salvador”. Ao constatar-se o fato da Segunda Guerra Mundial, os cristãos lembraram-se da mensagem de Fátima. Em 1946, na presença do cardeal legado, no meio de uma multidão de oitocentos mil pessoas, houve a coroação da estátua de Nossa Senhora de Fátima. Em 1951, Pio XII estabeleceu que o encerramento do Ano Santo fosse celebrado no Santuário de Fátima. A 13 de maio de 1967, pelo 50º aniversário das aparições de Nossa Senhora, o Papa Paulo VI chegou a Fátima, onde o aguardava, juntamente com um milhão de peregrinos, que haviam passado a noite ao relento, Lúcia, a vidente Lúcia.

 

Prof. Felipe Aquino

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Liturgia Diária - Sem o Espírito, nada entendemos.

 LADAINHA AO DIVINO ESPÍRITO SANTO | Raios Luminosos

Leitura (Atos 17,15.22-18,1)

Leitura dos Atos dos apóstolos.

17 15 Os que conduziam Paulo levaram-no até Atenas. De lá voltaram e transmitiram para Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível.
22 Paulo, em pé no meio do Areópago, disse: “Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos.
23 Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: ‘A um Deus desconhecido’. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!
24 O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas.
25 Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.
26 Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação.
27 Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós.
28 Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: Nós somos também de sua raça...

29 Se, pois, somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra lavrada por arte e gênio dos homens.
30 Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, convida agora a todos os homens de todos os lugares a se arrependerem.
31 Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-lo ressuscitado dentre os mortos”.
32 Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: “A respeito disso te ouviremos outra vez”.
33 Assim saiu Paulo do meio deles.
34 Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros.
18 1 Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 148

Da vossa glória estão cheios o céu e a terra.

Louvai o Senhor Deus nos altos céus, 
louvai-o no excelso firmamento!
Louvai-o, anjos seus, todos louvai-o,
louvai-o, legiões celestiais!

Reis da terra, povos todos, bendizei-o,
e vós, príncipes e todos os juízes;
e vós, jovens, e vós moças e rapazes,
anciãos e criancinhas, bendizei-o!

Louvem o nome do Senhor, louvem-no todos,
porque somente o seu nome é excelso!
A majestade e esplendor de sua glória
ultrapassam em grandeza o céu e a terra.

Ele exaltou seu povo eleito em poderio,
ele é o motivo de louvor para os seus santos.
é um hino para os filhos de Israel,
este povo que ele ama e lhe pertence.

Evangelho (João 16,12-15)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Rogarei ao meu Pai e ele há de enviar-vos um outro paráclito, que há de permanecer eternamente convosco (Jo 14,16).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

16 12 Assim falou Jesus: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.
13 Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.
14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.
15 Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará”.
Palavra da Salvação.

Reflexão

Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora”, sem a luz do Espírito que Eu vos enviarei de junto do Pai.

No Evangelho de hoje, o Senhor nos diz que precisamos da luz do Espírito Santo para compreender os seus ensinamentos: “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora”, porque ainda não recebestes o Espírito que conduz à plena verdade. Tudo isso significa que, mesmo nas mãos do melhor Mestre, a nossa inteligência pouco pode se não for iluminada do alto. Assim aconteceu com os discípulos, como consta claramente no Evangelho: eles viram a Cristo, creram em sua palavra e, até certo ponto, a entenderam; mas, abandonados às próprias forças, não eram capazes de ir mais a fundo e captar o sentido dos mistérios de que lhes falava o Senhor. Era necessário, pois, que Ele morresse, ressuscitasse, ascendesse aos céus e de lá nos enviasse o seu Espírito, a fim de acender em nós a luz necessária para enxergarmos a verdade de Deus. Antes de Pentecostes, os discípulos já tinham fé, é verdade; tratava-se, porém, de uma fé imatura, de raízes superficiais, que se aprofundaria e robusteceria imensamente depois daquela noite no Cenáculo. Também nós, na nossa caminhada espiritual, temos de passar por essas fases de amadurecimento na fé, ou seja, de progressiva compreensão do que o Senhor nos deseja comunicar por sua palavra. Por isso, peçamos frequentemente — todos os dias, se possível — a luz do Espírito Santo, sem cujo auxílio permaneceremos nos limites estreitos de nossa compreensão humana de verdades que superam sem medida a nossa pobre inteligência criada.
 
 
https://padrepauloricardo.org/episodios/sem-o-espirito-nada-entendemos

terça-feira, 11 de maio de 2021

Liturgia Diária - Por que Jesus devia partir?

  Costumes Bíblicos: Jesus como Mestre dos discípulos
Leitura (Atos 16,22-34)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

16 22 O povo insurgiu-se contra eles. Os magistrados mandaram arrancar-lhes as vestes para açoitá-los com varas.
23 Depois de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.
24 Este, conforme a ordem recebida, meteu-os na prisão inferior e prendeu-lhes os pés ao cepo.
25 Pela meia-noite, Paulo e Silas rezavam e cantavam um hino a Deus, e os prisioneiros os escutavam.
26 Subitamente, sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Abriram-se logo todas as portas e soltaram-se as algemas de todos.
27 Acordou o carcereiro e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou da espada e queria matar-se.
28 Mas Paulo bradou em alta voz: “Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui”.
29 Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trêmulo aos pés de Paulo e Silas.
30 Depois os conduziu para fora e perguntou-lhes: “Senhores, que devo fazer para me salvar?”
31 Disseram-lhe: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família”.
32 Anunciaram-lhe a palavra de Deus, a ele e a todos os que estavam em sua casa.
33 Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família.
34 Em seguida, ele os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua casa por haver crido em Deus.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 137/138

Ó Senhor, me estendeis o vosso braço e me ajudais.

Ó Senhor, de coração eu vos dou graças,
porque ouvistes as palavras dos meus lábios
Perante os vossos anjos vou cantar-vos
e ante o vosso templo vou prostrar-me.

Eu agradeço vosso amor, vossa verdade,
porque fizestes muito mais que prometestes;
naquele dia em que gritei, vós me escutastes
e aumentastes o vigor da minha alma.

Estendereis o vosso braço em meu auxílio
e havereis de me salvar com vossa destra.
Completai em mim a obra começada;
ó Senhor, vossa bondade é para sempre!
eu vos peço: não deixeis inacabada
esta obra que fizeram vossas mãos.

Evangelho (João 16,5-11)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu hei de enviar-vos o Espírito da verdade; ele vos conduzirá a toda a verdade (Jo 16,7.13).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

16 5 Disse Jesus: “Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’
6 Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração.
7 Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei.
8 E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo.
9 Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim.
10 Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis;
11 ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado”.

Palavra da Salvação.

Reflexão

Era necessário que Cristo, a quem tanto quer o coração humano, ainda que o ignore, partisse deste mundo para inaugurar do alto do Céu uma nova forma de estar presente entre nós.

 "É bom para vós que Eu parta", diz o Senhor a seus discípulos no Evangelho desta terça-feira. Qual, porém, a razão que torna proveitosa essa ausência, que enche de tristeza o coração dos Apóstolos? Por que afinal devia Jesus voltar para Aquele que O enviara? A fé, auxiliada pelas forças naturais da razão, no-lo explica pela conveniência de que a humanidade de Cristo, uma vez glorificada após a Ressurreição, se tornasse junto ao Pai a nossa intercessora e inaugurasse uma nova forma de Ele estar presente entre nós por seu Espírito: "Se Eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se Eu me for, Eu vo-lO mandarei". Também em virtude da Ascensão, pela qual o Senhor já não se encontra submetido às limitações do tempo e do espaço, temos agora um meio mais íntimo e profundo de entrar em contato com Ele, quer dizer, pela . É Ele mesmo quem o diz noutro lugar: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28, 20); está conosco, não só por fazer-se substancialmente presente sob o véu do Santíssimo Sacramento, mas ainda por estar fisicamente no Céu, donde pode por sua força e graça ilimitadas tocar a nossa alma sempre que dela se produz um ato de fé. Peçamos hoje ao Espírito Santo que mova as entranhas do nosso ser a se abrirem à presença dAquele que, embora não se nos faça visível, é o mais presente dos nossos amigos, pois é o único que pode doar-se a si mesmo do infinito tesouro de sua bondade e amor.

 

https://padrepauloricardo.org/episodios/por-que-jesus-devia-partir 

Santa Maria, Mãe de Deus.

“Donde me vem a dita que a Mãe de meu Senhor venha visitar-me?” (Lc 1,43)

O título “Théotokos” (Mãe de Deus) foi dado à Maria durante o Concílio de Éfeso (431), na Ásia Menor. A heresia de negar a maternidade divina de Nossa Senhora é muito anterior aos protestantes. Ela nasceu com Nestório, então Bispo de Constantinopla. Os protestantes retomaram esta heresia já sepultada pela Igreja de Cristo. Este é um problema de Cristologia e não de Mariologia. Vamos demonstrar através dos exemplos abaixo a autenticidade da doutrina católica.

Maria é Mãe de Deus, porque é Mãe de Jesus que é Deus

Se perguntarmos a alguém se ele e filho de sua mãe, se esta verdadeiramente for a mãe dele, de certo nos lançará um olhar de espanto. E teria razão. O homem como sabemos é composto de corpo, alma e espírito. A minha mãe me deu meu corpo, a parte material deste conjunto trinitário que eu sou; sendo minha alma e espírito dados por Deus. E minha mãe que me deu a luz não é verdadeiramente minha mãe?

Apliquemos, agora, estas noções de bom senso ao caso da Maternidade divina de Nossa Senhora. Há em Nosso Senhor Jesus Cristo duas naturezas: a humana e a divina, constituindo uma só pessoa, a pessoa de Jesus. Nossa Santa Mãe é mãe desta pessoa, dando a ela somente a parte material, como nosso mãe também o faz. O Espírito e Alma de Cristo também vieram de Deus. Nossa mãe não é mãe do nosso corpo, mas mãe de nossa pessoa. Assim também Maria é Mãe de Cristo. Ela não é a Mae da Divindade ou da Trindade, mas é mãe de Cristo a segunda pessoa da Santíssima Trindade, que também é Deus. Sendo Jesus Deus, Maria é Mãe de Deus.

Basta um pequeno raciocínio para reconhecer como necessária a maternidade Divina da Santíssima Virgem. Nosso Senhor morreu como homem na Cruz (pois Deus não morre), mas nos redimiu como Deus, pelos seus méritos infinitos. Ora, a natureza humana de Nosso Senhor e a natureza divina não podem ser separadas, pois a Redenção não existiria se Nosso Senhor tivesse morrido apenas como homem. Logo, Nossa Santa Mãe, Mãe de Nosso Senhor, mesmo não sendo mãe da divindade é Mãe de Deus, pois Nosso Senhor é Deus. Se negarmos a maternidade de Nossa Senhora, negaremos a redenção do gênero humano.

A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, uma negação ao ensino dos Apóstolos de Cristo.

Provas da Sagrada Escritura

A Igreja Católica sendo a única Igreja Fundada por Cristo, confirmada pelos Apóstolos e seus legítimos sucessores; sendo Ela a escritora, legitimadora e guardiã da Bíblia, jamais poderia ensinar algo que estivesse contra o Ensino da Bíblia.

Vejamos o que a Sagrada Escritura ensina sobre a Maternidade Divina de Nossa Senhora:

O profeta Isaías escreveu: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel [Deus conosco]” (Is 7,14). Claramente o profeta declara que o filho da virgem será divino, portanto a maternidade da virgem também é divina, o que a faz ser Mãe de Deus.

O Arcanjo Gabriel disse: “O Santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). Se ele é filho de Deus, ele tb é Deus e Maria é sua Mãe, portanto Mãe de Deus. Isaías também escreveu o mesmo em Is 7,14.

Cheia do Espírito Santo, Santa Izabel saudou Maria dizendo: “Donde a mim esta dita de que a mãe do meu Senhor venha ter comigo?” (Lc 1,43). E Mãe de meu Senhor quer dizer Mãe do meu Deus, portanto Mãe de Deus..

São Paulo ainda escreveu: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4,4). São Paulo claramente afirma que uma mulher foi a Mãe do filho de Deus, portanto Mãe de Deus.

Tendo a Sagrada Escritura seu berço na Igreja – portanto sendo menor que Ela -, vemos como está de acordo com o ensino da mesma.

A Doutrina dos Santos Padres

Será que os Apóstolos de Cristo concordavam com a Maternidade Divina de Nossa Senhora? Pois segundo os protestantes, a Igreja Católica inventou a maternidade divina de Maria no séc V durante o Concílio de Éfeso.

Vejamos o que diz o Apóstolo Santo André: “Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu” (Sto Andreas Apost. in trasitu B. V., apud Amad.).

Veja agora o testemunho de São João Apóstolo: “Maria, é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu a luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido a carne humana” (S. João Apost. Ibid).

São Tiago: “Maria é Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus” (S. Jac. in Liturgia).

São Dionísio Areopagita: “Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes” (S. Dion. in revel. S. Brigit.).

Orígenes escreveu: “Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe” (Orig. Hom I, in divers. – Sec. II).

Santo Atanásio diz: “Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta” (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.).

Santo Efrém: “Maria é Mãe de Deus sem culpa” (S. Ephre. in Thren. B.V.).

São Jerônimo: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus” (S. Jerôn. in Serm. Ass. B.V.).

Santo Agostinho: “Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus” (S. Agost. in orat. ad heres.).

Todos os Santos Padres afirmaram em amor e veneração a maternidade divina por Nossa Senhora. Me cansaria em citar todos os testemunhos primitivos.

Agora uma surpresa para os protestantes. Lutero e Calvino sempre veneraram a Santíssima Virgem. Veja abaixo a testemunho dos pais da Reforma:

“Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis monarcas da Terra, comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar o suficiente, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade” (Martinho Lutero no comentário do Magnificat – cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista Jesus vive e é o Senhor).

“Não há honra, nem beatitude, que se aproxime sequer, por sua elevação, da incomparável prerrogativa, superior a todas as outras, de ser a única pessoa humana que teve um Filho em comum com o Pai Celeste” (Martinho Lutero – Deutsche Schriften, 14,250).

“Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus” (Calvino – Comm. Sur I’Harm. Evang., 20).

A negação da Maternidade divina de Nossa Senhora é uma negação à Verdade, é negar a Divindade de Cristo, é negar o ensino dos Apóstolos de Cristo.

O Concílio Ecumênico de Éfeso

Quando o heresiarca Ario divulgou o seu erro, negando a divindade da pessoa de Jesus Cristo, a Providência Divina fez aparecer o intrépido Santo Atanásio para confundi-lo, assim como fez surgir Santo Agostinho para suplantar o herege Pelágio, e São Cirilo de Alexandria para refutar os erros de Nestório, que haviam semeado a pertubação e a indignação no Oriente.

Em 430, o Papa São Celestino I, num concílio de Roma, examinou a doutrina de Nestório que lhe fora apresentada por São Cirilo e condenou-a anti-católica, herética.

São Cirilo formulou a condenação em doze proposições, chamadas os doze anátemas, em que resumia toda a doutrina católica a este respeito.

Pode-se resumi-la em três pontos:

Em Jesus Cristo, o Filho do homem não é pessoalmente distinto do Filho de Deus;
A Virgem Santíssima é verdadeiramente a Mãe de Deus, por ser a Mãe de Jesus Crito, que é Deus;
Em virtude da união hipostática, há comunicações de idiomas, isto é; denominações, propriedades e ações das duas naturezas em Jesus Cristo, que podem ser atribuídas à sua pessoa, de modo que se pode dizer: Deus morreu por nós, Deus salvou o mundo, Deus ressuscitou.

Para exterminar completamente o erro, e restringir a unidade de doutrina ao mundo, o Papa resolveu reunir o Concílio de Éfeso (na Ásia Menor), em 431, convidando todos os bispos do mundo.

Perto de 200 bispos, vindos de todas as partes do orbe, reuniram-se em Éfeso. São Cirilo presidiu a assembléia em nome do Papa. Nestório recusou comparecer perante aos bispos unidos.


Desde a primeira sessão a heresia foi condenada. Sobre um trono, no centro da assembléia, os bispos colocaram o Santo Evangelho, para representar a assistência de Jesus Cristo, que prometera estar com a sua Igreja até a consumação dos séculos, espetáculo santo e imponente que desde então foi adotado em todos os concílios.

Os bispos cercando o Evangelho e o representante do Papa, pronunciaram unânime e simultaneamente a definição proclamando que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Nestório deixou de ser, desde então, bispo de Constantinopla.

Quando a multidão anciosa que rodeava a Igreja de Santa Maria Maior, onde se reunia o concílio, soube da definição que proclamava Maria Mãe de Deus, num imenso brado ecoou a exclamação: “Viva Maria, Mãe de Deus! Foi vencido o inimigo da Virgem! Viva a grande, a augusta, a gloriosa Mãe de Deus!”

Em memória desta solene definição, o concílio juntou à saudação angélica estas palavras simples e expressivas: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”.

 

Alessandro Lima
Fonte: www.veritatis.com.br