terça-feira, 2 de agosto de 2022

18ª Semana do Tempo Comum - Santidade, uma obra da graça.

 3 de agosto de 2021 –terça-feira da 18ª Semana do Tempo Comum- Jesus  caminha sobre a água, e Pedro com ele. – Paróquia São Luis – Faro

Primeira Leitura (Jr 30,1-2.12-15.18-22)

Leitura do Livro do Profeta Jeremias.

1Palavra que foi dirigida a Jeremias, da parte do Senhor: 2“Isto diz o Senhor, Deus de Israel: Escreve para ti, num livro, todas as palavras que te falei. 12Isto diz o Senhor: Incurável é tua ferida, maligna tua chaga; 13não há quem conheça teu diagnóstico; uma úlcera tem remédio, mas em ti não se produz cicatrização.

14Todos os teus amigos te esqueceram, não te procuram mais; eu te causei uma ferida, como se fosses inimigo, como um castigo cruel: por causa do grande número de maldades que te fez endurecer no pecado.

15Por que gritas em teu sofrimento? É insanável a tua dor. Eu te tratei com rudeza por causa das tuas inúmeras maldades e por causa do teu endurecimento no pecado. 18Isto diz o Senhor: Eis que eu mudarei a sorte das tendas de Jacó e terei compaixão de suas moradias, a cidade ressurgirá das suas ruínas e a fortaleza terá lugar para suas fundações; 19de lá sairão cânticos de louvor e sons festivos. Hei de multiplicá-los, eles não diminuirão, hei de glorificá-los, eles não serão humilhados. 20Teus filhos serão felizes como outrora, e sua Comunidade, estável na minha presença; e agirei contra todos os que os molestarem.

21Para chefe será escolhido um dos seus, e o soberano sairá do seu meio; eu o incitarei, e ele se aproximará de mim. Quem dará a vida em penhor da sua aproximação de mim? – diz o Senhor. 22Sereis meu povo e eu serei vosso Deus.

- Palavra do Senhor.- Graças a Deus.

Responsório (Sl 101)

— O Senhor olhou a terra do alto céu.

— O Senhor olhou a terra do alto céu.

— As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.

— Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

— Assim também a geração dos vossos servos terá casa e viverá em segurança, e ante vós se firmará sua descendência. Para que cantem o seu nome em Sião e louve ao Senhor Jerusalém, quando os povos e as nações se reunirem e todos os impérios o servirem.

Evangelho (Mt 14,22-36)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Depois que a multidão comera até saciar-se, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”

28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir a teu encontro, caminhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram na barca, o vento se acalmou.

33Os que estavam na barca, prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” 34Após a travessia desembarcaram em Genesaré. 35Os habitantes daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a ele todos os doentes; 36e pediam que pudessem, ao menos, tocar a barra de sua veste. E todos os que tocaram, ficaram curados.

— Palavra da Salvação — Glória a vós, Senhor.

 Reflexão

Assistimos no Evangelho de hoje a S. Pedro, rocha firme da Igreja, afundar nas águas do mar de Tiberíades. O evangelista que nos narra essa cena algo “patética”, na qual se põe em evidência a ousadia nem sempre inteligente de Simão, é o mesmo que, dois capítulos à frente, recordará aquelas palavras elogiosas com que Jesus irá conferir a este filho de Jonas o primado de governo na Igreja então nascente: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18). Aqui, o Senhor louva a fé de Pedro, em quem a graça do Pai celeste, e não carne ou sangue (cf. Mt 16, 17), pôde realizar aquela confissão, à qual o Coração de Nosso Senhor jamais ficaria indiferente: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (Mt 16, 16). De um lado, portanto, vemos Jesus fundar a Igreja sobre Pedro, como sobre uma rocha firme e inamovível; de outro, vemos o mesmo Pedro naufragar vergonhosamente, por ser um “homem fraco na fé” (Mt 14, 31). Como entender, afinal, essa aparente discordância entre dois episódios tão próximos dentro da narrativa de S. Mateus? Pedro é ou não é firme na fé, a ponto de poder ser fundamento da Igreja de Cristo? Não, se o abandonamos às suas forças e ímpetos humanos; sim, quando o vemos abandonar-se à ação da graça divina. Porque a santidade de Pedro, assim como a dos outros santos, não é obra dos homens, mas de Deus. A graça, é verdade, não destrói a natureza; aperfeiçoa-a, tomando como substrato as virtudes naturais que com tempo e esforço todos podemos adquirir. Mas o heroísmo dos santos só é possível pela intervenção direta de Deus, que estende sua mão benfazeja aos que, apoiados em si mesmos, afundam no mar das próprias misérias e fraquezas, medos e desconfianças. Deus quer, pois, salvar-nos de nós mesmos; quer que o deixemos fazer de nós os santos, com a nossa cooperação e apesar do nosso nada, que Ele tanto deseja formar. Que os fracassos de Pedro, elevado por Cristo a tão alta dignidade, nos recordem as baixezas de que somos capazes sem o auxílio da graça: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5).

 

https://padrepauloricardo.org

Nenhum comentário: