segunda-feira, 29 de abril de 2024

5ª Semana da Páscoa - O Deus que habita em nós.

Deus está em todos os corações? (Homilia Diária.1470)

Esta é uma das virgens sábias e prudentes, que foi ao encontro de Cristo com sua lâmpada acesa, aleluia.

Catarina nasceu na Itália em 1347 e lá faleceu no ano 1380. Aos 16 anos, abandonou o luxo da nobreza e ingressou na Ordem Terceira de São Domingos, na qual levou uma vida austera de serviço aos doentes e encarcerados. Tendo aprendido a escrever apenas na idade adulta, ditava suas cartas e as enviava ao papa, a bispos e reis, gerando mudanças sociais e políticas. Muito se empenhou pelo retorno do papa de Avinhão, na França, para Roma. Embalada por sua íntima união com Deus, deixou-nos grandes escritos místicos. Aprendamos com essa santa doutora a aplicar nossos talentos em favor do dinamismo da Igreja.

Primeira Leitura: Atos 14,5-18

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, em Icônio, 5pagãos e judeus, tendo à frente seus chefes, estavam dispostos a ultrajar e apedrejar Paulo e Barnabé. 6Ao saberem disso, Paulo e Barnabé fugiram e foram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e seus arredores. 7Aí começaram a anunciar o Evangelho. 8Em Listra havia um homem paralítico das pernas, que era coxo de nascença e nunca fora capaz de andar. 9Ele escutava o discurso de Paulo. E este, fixando nele o olhar e notando que tinha fé para ser curado, 10disse em alta voz: “Levanta-te direito sobre os teus pés”. O homem deu um salto e começou a caminhar. 11Vendo o que Paulo acabara de fazer, a multidão exclamou em dialeto licaônico: “Os deuses desceram entre nós em forma de gente!” 12Chamavam a Barnabé Júpiter e a Paulo Mercúrio, porque era Paulo quem falava. 13Os sacerdotes de Júpiter, cujo templo ficava defronte à cidade, levaram à porta touros ornados de grinaldas e queriam, com a multidão, oferecer sacrifícios. 14Ao saberem disso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as vestes e foram para o meio da multidão, gritando: 15“Homens, o que estais fazendo? Nós também somos homens mortais como vós e vos estamos anunciando que precisais deixar esses ídolos inúteis para vos converterdes ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 16Nas gerações passadas, Deus permitiu que todas as nações seguissem o próprio caminho. 17No entanto, ele não deixou de dar testemunho de si mesmo através de seus benefícios, mandando do céu chuvas e colheitas, dando alimento e alegrando vossos corações”. 18E assim falando, com muito custo, conseguiram que a multidão desistisse de lhes oferecer um sacrifício. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 113B(115)

Não a nós, ó Senhor, não a nós, / ao vosso nome, porém, seja glória.

1. Não a nós, ó Senhor, não a nós, † ao vosso nome, porém, seja a glória, / porque sois todo amor e verdade! / Por que hão de dizer os pagãos: / “Onde está o seu Deus, onde está?” – R.

2. É nos céus que está o nosso Deus, / ele faz tudo aquilo que quer. / São os deuses pagãos ouro e prata, / todos eles são obras humanas. – R.

3. Abençoados sejais do Senhor, / do Senhor que criou céu e terra! / Os céus são os céus do Senhor, / mas a terra ele deu para os homens. – R.

Evangelho: João 14,21-26

Aleluia, aleluia, aleluia.

O Espírito Santo, o Paráclito, / haverá de lembrar-vos de tudo o que tenho falado, aleluia! (Jo 14,26) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21“Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. 22Judas – não o Iscariotes – disse-lhe: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?” 23Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Encontramo-nos hoje no Cenáculo, onde Jesus, dirigindo suas últimas palavras aos Apóstolos antes de entregar-se à morte, diz como há de ser a nossa vida após sua gloriosa Ascensão aos céus: “Se alguém me ama, guardará minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e nele estabeleceremos nossa morada”. Neste breve versículo, ecoado em muitas outras passagens do Novo Testamento (cf. 1Jo 4, 16; 1Cor 3, 16s; 6, 19; 2Cor 6, 16; 2Tm 1, 14), está condensado o que em teologia espiritual se costuma chamar “inabitação trinitária”, ou seja, a presença real das divinas pessoas da SS. Trindade na alma em estado de graça. Para entendermos mais a fundo esse mistério insondável, convém ler o Evangelho de hoje de baixo para cima, isto é, vendo nos últimos versículos as condições que possibilitarão o que, nos trechos iniciais, corresponde a essa habitação íntima que Deus faz nas almas justas.

Em primeiro lugar, é preciso que o Pai, em nome do Filho ressuscitado, envie do alto do céu o Paráclito, o Espírito Santo, que, derramado como óleo de unção sobre o Cristo Cabeça, escorre pelos membros de seu Corpo, que é a Igreja. É do Pai, através do Filho, que recebemos o Espírito Santo, de maneira que todos os toques do Paráclito em nossa alma são também toques do Senhor ressuscitado. Ora, esses toques suaves da graça, que nos vão ensinando e recordando tudo o que Jesus fez e disse, nos dão força para cumprir os Mandamentos e amar a Deus de todo coração. Esse amor, obra do Espírito consolador, nos torna semelhantes ao Filho, a quem o Pai, cheio de contentamento, passa agora a enxergar nos membros da Igreja. Ao que assim se encontrar, como imagem de Cristo, o Pai pode então dizer: “Eis o meu Filho amado” (cf. Mt 3, 17), e nele fazer a sua morada. Porque o Pai está sempre onde está o Filho, e onde estão o Pai e o Filho, ali está sempre o Espírito de Amor.

Que possamos abrir nosso coração à ação da graça divina, a fim de prepararmos a Deus uma morada menos indigna de sua majestade. Por isso, imploremos hoje que o Espírito Santo desça às nossas almas, dê-nos a sua força, impila-nos a amar ardentemente e a reconhecer o grandioso mistério que se opera dentro nós quando temos a dita de estar em graça. Confiemo-nos também, de modo particular, à intercessão de S. Elisabete da Trindade, que viveu e experimentou profundamente o mistério dessa divina inabitação.

 

 https://padrepauloricardo.org

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