domingo, 5 de maio de 2024

6º Domingo da Páscoa - Unidos para uma alegria completa.

 Evangelho do Dia

Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os confins da terra: O Senhor libertou o seu povo, aleluia! (Is 48,20)

Deus nos ama e nos deu a conhecer sua Palavra e sua salvação. Como comunidade de batizados, somos convidados a permanecer no amor de Cristo, nossa Páscoa. Animados pelo Espírito Santo, celebremos esta Eucaristia buscando nos fortalecer no amor e na doação em favor de nossos irmãos e irmãs.

Primeira Leitura: Atos 10,25-26.34-35.44-48

Deus revela seu amor a todos; derrama seu Espírito sobre a comunidade para que ela, guardando os mandamentos de Jesus, supere os preconceitos e produza abundantes frutos de amor.

Leitura dos Atos dos Apóstolos – 25Quando Pedro estava para entrar em casa, Cornélio saiu-lhe ao encontro, caiu a seus pés e se prostrou. 26Mas Pedro levantou-o, dizendo: “Levanta-te. Eu também sou apenas um homem”. 34Então, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença”. 44Pedro estava ainda falando quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra. 45Os fiéis de origem judaica, que tinham vindo com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo fosse derramado também sobre os pagãos. 46Pois eles os ouviam falar e louvar a grandeza de Deus em línguas estranhas. Então Pedro falou: 47“Podemos, por acaso, negar a água do batismo a estas pessoas que receberam, como nós, o Espírito Santo?” 48E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Eles pediram, então, que Pedro ficasse alguns dias com eles. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 97(98)

O Senhor fez conhecer a salvação / e revelou sua justiça às nações.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. – R.

2. O Senhor fez conhecer a salvação, / e às nações, sua justiça; / recordou o seu amor sempre fiel / pela casa de Israel. – R.

3. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus. / Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / alegrai-vos e exultai! – R.

Segunda Leitura: 1 João 4,7-10

Leitura da primeira carta de São João – Caríssimos, 7amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8Quem não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor. 9Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. – Palavra do Senhor.

Evangelho: João 15,9-17

Aleluia, aleluia, aleluia.

Quem me ama realmente guardará minha palavra, / e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,23). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. 14Vós sois meus amigos se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Jesus continua se despedindo dos seus discípulos. No texto de hoje ele insiste que permaneçamos no Seu amor. E propõe como mandamento novo o amor. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando.

Assim como Ele por amor se tornou nosso amigo de verdade, assim nos convida a fazer o mesmo. Que todos continuemos unidos à Ele por meio do Seu próprio amor. E nele e por ele, a sermos amigos uns dos outros, a amar-nos uns aos outros. E é importante lembrar que amar uns aos outros não é apenas em palavras.

Como discípulo devo levar à frente a missão que me dá Jesus Cristo: o amor. Em que consiste este amor? Como vivê-lo num mundo em que é muito forte o egoísmo, o individualismo, e que a outra pessoa, muitas vezes é uma ameaça. Devo começar pela conversão. Devo orientar minhas energias para ir contra a corrente. Os bispos, na Conferência de Aparecida, concluíram: “A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e agoniado pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria.” (DA,32).

Por isso devemos rezar, pedir à Jesus como os discípulos de Emaús: Fica conosco Senhor para que a nossa alegria seja completa. Fica conosco, Senhor, acompanha-nos ainda que nem sempre tenhamos sabido reconhecer-te.Fica conosco, porque ao redor de nós as mais densas sombras vão se fazendo, e Tu és a Luz; em nossos corações se insinua a falta de esperança, e tu os faz arder com a certeza da Páscoa. Estamos cansados do caminho, mas tu nos confortas na fração do pão para anunciar a nossos irmãos que na verdade tu tens ressuscitado e que nos tem dado a missão de ser testemunhas de tua ressurreição.

Fica conosco, Senhor, quando ao redor de nossa fé católica surgem as névoas da dúvida, do cansaço ou da dificuldade: tu, que és a própria Verdade como revelador do Pai, ilumina nossas mentes com tua Palavra; ajuda-nos a sentir a beleza de crer em ti.

Fica em nossas famílias, ilumina-as em suas dúvidas, sustenta-as em suas dificuldades, consola-as em seus sofrimentos e no cansaço de cada dia, quando ao redor delas se acumulam sombras que ameaçam sua unidade e sua natureza. Tu que és a Vida, fica em nossos lares, para que continuem sendo ninhos onde nasça a vida humana abundante e generosamente, onde se acolha, se ame, se respeite a vida desde a sua concepção até seu término natural.

Fica, Senhor, com aqueles que em nossas sociedade são os mais vulneráveis; fica com os pobres e humildes, com os indígenas e afro-americanos, que nem sempre encontram espaços e apoio para expressar a riqueza de sua cultura e a sabedoria de sua identidade. Fica, Senhor, com nossas crianças e com nossos jovens, que são a esperança e a riqueza de nosso Continente, protege-os de tantas armadilhas que atentam contra sua inocência e contra suas legítimas esperanças. Oh bom Pastor, fica com nossos anciãos e com nossos enfermos! Fortalece a todos em sua fé para que sejam teus discípulos e missionários! Estando conosco, a nossa alegria será plena!

 

Pe. Bantu Mendonça katchipwi Sayla

sábado, 4 de maio de 2024

5ª Semana da Páscoa - “O mundo vos odeia”

 Nossa luta é contra o mundo

Com Cristo fostes sepultados no batismo; com ele também fostes ressuscitados, por meio da fé no poder de Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos, aleluia (Cl 2,12).

Discípulos e discípulas do Ressuscitado, nossa vocação é ser sinais de contradição, pela fidelidade aos valores cristãos, como a humildade, o serviço e a compaixão. Mesmo quando incompreendidos pela sociedade, seguimos buscando na Palavra e na Eucaristia a força para gerar nova humanidade, por meio da vivência e do anúncio do Evangelho.

Primeira Leitura: Atos 16,1-10

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 1Paulo foi para Derbe e Listra. Havia em Listra um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia, crente, e de pai grego. 2Os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho de Timóteo. 3Paulo quis então que Timóteo partisse com ele. Tomou-o consigo e circuncidou-o, por causa dos judeus que se encontravam nessas regiões, pois todos sabiam que o pai de Timóteo era grego. 4Percorrendo as cidades, Paulo e Timóteo transmitiam as decisões que os apóstolos e anciãos de Jerusalém haviam tomado. E recomendavam que fossem observadas. 5As Igrejas fortaleciam-se na fé e, de dia para dia, cresciam em número. 6Paulo e Timóteo atravessaram a Frígia e a região da Galácia, pois o Espírito Santo os proibira de pregar a Palavra de Deus na Ásia. 7Chegando perto da Mísia, eles tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu. 8Então atravessaram a Mísia e desceram para Trôade. 9Durante a noite, Paulo teve uma visão: na sua frente, estava de pé um macedônio que lhe suplicava: “Vem à Macedônia e ajuda-nos!” 10Depois dessa visão, procuramos partir imediatamente para a Macedônia, pois estávamos convencidos de que Deus acabava de nos chamar para pregar-lhes o Evangelho. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 99(100)

Aclamai o Senhor, ó terra inteira.

1. Aclamai o Senhor, ó terra inteira, † servi ao Senhor com alegria, / ide a ele, cantando jubilosos! – R.

2. Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, † ele mesmo nos fez e somos seus, / nós somos seu povo e seu rebanho. – R.

3. Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, † sua bondade perdura para sempre, / seu amor é fiel eternamente! – R.

Evangelho: João 15,18-21

Aleluia, aleluia, aleluia.

Se com Cristo ressurgistes, procurai o que é do alto, / onde Cristo está sentado, à direita de Deus Pai (Cl 3,1). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. 19Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia. 20Lembrai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior que seu senhor’. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. 21Tudo isso eles farão contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou”. – Palavra da salvação.

Reflexão
 
O servo, diz Jesus no Evangelho de hoje, não é maior do que o seu senhor; por isso, se perseguiram e maltrataram a Cristo, a quem servimos e obedecemos, também nos hão de perseguir e maltratar a nós; se o mundo odeia Aquele cuja palavra confessamos, também há de odiar os que a confessam e proclamam. Isto significa que a Igreja, cuja divina Cabeça foi coroada de espinhos e humilhações por aqueles mesmos que viera salvar, contará sempre com opositores e inimigos, e nós, como membros deste Corpo Místico, encontraremos, nesta ou naquela pessoa, alguma barreira aos nossos esforços de evangelização. Isso, porém, não deve nem nos desanimar no nosso apostolado nem fazer diminuir a nossa fé, já que é motivo de grande alegria poder configurar-se ao Cristo rejeitado, ao Amor infinito cuja bondade foi tão ingratamente correspondida com calúnias, blasfêmias e, enfim, a tortura da Cruz. Mantenhamo-nos firmes e fiéis ao Evangelho de Nosso Senhor e peçamos ao Espírito Santo o dom da sabedoria, a fim de podermos saborear com sentido sobrenatural o desprezo e a rejeição do mundo e pagarmos com amor o amor dAquele que nos amou crucificado.


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sexta-feira, 3 de maio de 2024

5ª Semana da Páscoa - Festa de São Filipe e São Tiago.

 Stream Homilia Dominical.371: 29.º Domingo do Tempo Comum - Dar a Deus o  que é de Deus by Padre Paulo Ricardo | Listen online for free on SoundCloud

Estes são homens santos que o Senhor escolheu com verdadeiro amor; deu-lhes a glória eterna, aleluia.

Celebramos hoje dois apóstolos de Cristo: Filipe e Tiago. “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Filipe?”, assim questionava Jesus ao discípulo que queria ver o Pai, estando justamente diante da plena revelação de Deus, o seu Filho. Tiago, chamado Menor, era parente de Jesus e foi grande líder da comunidade cristã em Jerusalém. Ambos morreram mártires, doando a vida pela causa do Evangelho. Festejando-os, renovemos nosso compromisso de discípulos do Ressuscitado e rezemos pelos projetos de evangelização em nossas comunidades.

Primeira Leitura: 1Coríntios 15,1-8

Leitura da primeira carta de São Paulo aos Coríntios – 1Irmãos, quero lembrar-vos o Evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão. 3Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 18(19)

Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.

1. Os céus proclamam a glória do Senhor, / e o firmamento, a obra de suas mãos; / o dia ao dia transmite esta mensagem, / a noite à noite publica esta notícia. – R.

2. Não são discursos nem frases ou palavras, / nem são vozes que possam ser ouvidas; / seu som ressoa e se espalha em toda a terra, / chega aos confins do universo a sua voz. – R.

Evangelho: João 14,6-14

Aleluia, aleluia, aleluia.

Sou o caminho, a verdade e a vida, diz Jesus; / Filipe, quem me vê, igualmente vê meu Pai! (Jo 14,6.9) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me, eu estou no Pai, e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa dessas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que estas, pois eu vou para o Pai. 13E o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei”. – Palavra da salvação.

Reflexão
 
Hoje, celebramos a festa dos Apóstolos S. Filipe e S. Tiago, celebrados juntos por estarem enterrados juntos na mesma igreja em Roma, chamada Basílica dos Doze Apóstolos. Os dois entregaram a vida, derramando o próprio sangue, para testemunhar Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa é a beleza de celebrar os Apóstolos, a quem temos de valorizar como os maiores entre os vários santos da Igreja. No céu, os Apóstolos estão sentados em tronos altíssimos, por causa do grau de santidade que tiveram. Mas como temos certeza de que eles são tão santos assim? Nós sabemos, antes de tudo, que a fonte da santidade é o próprio Jesus, e se eles estiveram em contato constante com Ele, não há dúvida de que foram particularmente tocados pela graça. Embora tenham fraquejado na hora da Paixão (a maior parte deles saiu correndo, S. Pedro negou Cristo três vezes, somente João permaneceu aos pés da cruz), sabemos que, através dessa provação e, mais tarde, graças ao dom do Espírito Santo derramado em Pentecostes, os onze se tornaram santos de sétima morada. A partir dali, por causa de seu empenho, de sua entrega, de sua obra de evangelização, eles foram crescendo cada vez mais em caridade, no amor a Jesus Cristo. É por causa deles que, hoje, podemos professar a fé na Igreja una, santa, católica e apostólica. A Igreja é apostólica porque está fundada na fé dessas doze testemunhas de Cristo. E quando falamos de testemunhas, falamos de mártires. Segundo a tradição, S. Filipe foi martirizado por crucificação e apedrejamento. S. Tiago Menor, bispo de Jerusalém e parente de Nosso Senhor, foi jogado do alto do Templo, quebrou as pernas e depois, no chão, teve o crânio esmagado a pauladas por seus cruéis assassinos. Derramaram o próprio sangue para testemunhar Cristo, a ressurreição de Jesus e o fato de que Ele é Deus feito homem, descido dos céus pela nossa salvação. A grandeza dos Apóstolos é de fato enorme. Deveríamos ter por eles uma grande devoção. Hoje em dia, as pessoas têm devoção a santos que podem, é certo, ser grandes, mas que parecem mais “simpáticos” ou “próximos”, como S. Teresinha, o Padre Pio etc. São santos mais conhecidos. No entanto, é preciso ter pelos Apóstolos um apreço especialíssimo porque são o fundamento da Igreja, a base em cima da qual tudo está edificado. Durante séculos, a Igreja teve essa consciência, e é por isso que na Oração eucarística I — chamada também Cânon Romano, a única Oração eucarística do rito latino por muitos séculos —, os doze Apóstolos são mencionados um por um. Durante vinte séculos, a Igreja, todos os dias, em cada Eucaristia, em todos os lugares do mundo, mencionou os Apóstolos um por um. A devoção a eles estava, pois, muito arraigada no coração dos fiéis. Também nós precisamos aprender a venerá-los. Mas o que podemos fazer concretamente para manifestar nossa fé nos Apóstolos? A primeira coisa é conhecê-los, conhecer a história de cada um deles. Sim, é verdade que essa história nem sempre é contada em detalhes, e há nela muita coisa que pertence mais a tradições não comprovadas que aos fatos. Contudo, é parte do amor que temos às pessoas o querer conhecê-las. Se Nosso Senhor escolheu esses doze homens como seus Apóstolos, é porque eles têm algo de especial na eleição da graça. Alguém poderá dizer: “Mas, padre, e Judas? Como fica?” Judas poderia ter sido um deles. Eis, portanto, o tamanho da traição de Judas! Poderíamos ter um S. Judas Iscariotes, e não o temos… Ele recebeu todas as graças necessárias para tornar-se um grande Apóstolo, mas virou as costas, desprezou os auxílios sobrenaturais e acabou substituído por S. Matias, que agora é contado no coro dos Apóstolos. É preciso conhecê-los, amá-los e ter grande fidelidade à fé por eles transmitida. Afinal, todo o edifício da Igreja está baseado nisso. Estamos unidos a Jesus graças à vida desses doze homens. Reflitamos um pouco. Todos temos acesso a Jesus através de um instrumento, um ministro, uma pessoa. É o padre — por exemplo, o nosso pároco. É ele quem batiza, é ele quem celebra a Eucaristia, é ele quem perdoa nossos pecados etc. Naturalmente, todo bom católico deve ser grato ao sacerdote, que lhe traz a graça de Cristo e lhe permite ter contato com Jesus por meio dos sacramentos. Não é assim? Ora, que gratidão não devemos ter aos doze homens que estão na base de tudo isso, sem os quais jamais teríamos recebido nada? Com efeito, sem os Apóstolos, sem a sucessão apostólica, não teríamos o Espírito Santo, não teríamos os evangelhos, não teríamos a doutrina de Cristo, não teríamos os sacramentos… Tudo, tudo, absolutamente tudo na santa Igreja de Deus se teria perdido. Não teríamos notícia sequer de que Deus veio a esse mundo, encarnou-se e morreu por nós na cruz. Tudo o que de bom, tudo o que de graça recebemos em nossas vidas, nós o recebemos pelas mãos dos Apóstolos. É impossível dar dignas ações de graças a Deus pelo dom de sua misericórdia que são os Apóstolos! Tudo o que mais amamos, tudo o que somos espiritualmente, nós o recebemos deles. Por isso, ainda que desconheçamos os detalhes da vida dos Doze, quando celebramos a festa deles, o nosso coração deve cantar: cantar a alegria que é ser membro da Igreja apostólica, cantar a alegria de saber que Jesus, ao subir aos céus, deixou esses encarregados e agraciados pelo Espírito Santo para nos transmitir todos os instrumentos necessários à nossa salvação, ao nosso crescimento espiritual, à nossa santificação. Se um dia, no céu, formos admitidos entre aqueles que irão cantar para sempre as glórias do Cordeiro, é porque tivemos à nossa frente esses doze anciãos, hoje com suas coroas de virtude diante do trono do Cordeiro, louvando-o sem cessar.


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quinta-feira, 2 de maio de 2024

5ª Semana da Páscoa - Se Deus ama a Cristo, por que o entregou à morte?

 Evangelho do dia – Página: 89 – Diocese de Blumenau

No meio da Igreja o Senhor abriu os seus lábios, encheu-o com o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu com um manto de glória, aleluia (Eclo 15,5).

Atanásio viveu no Egito, no século 4º. Bispo de Alexandria, foi corajoso defensor da doutrina cristã em tempos de heresias que negavam a divindade de Cristo. Por isso, acabou sofrendo perseguições e exílios, que se tornaram inspiração para novos tratados teológicos. Ao celebrarmos a memória deste que é um dos quatro grandes doutores da Igreja oriental, pedimos a graça de, imitando seus passos, permanecer no amor de Deus revelado em Jesus.

Primeira Leitura: Atos 15,7-21

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 7depois de longa discussão, Pedro levantou-se e falou aos apóstolos e anciãos: “Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu do vosso meio para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e acreditassem. 8Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como o deu a nós. 9E não fez nenhuma distinção entre nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé. 10Então, por que vós agora colocais Deus à prova, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos tivemos força para suportar? 11Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos ser salvos, exatamente como eles”. 12Houve então um grande silêncio em toda a assembleia. Depois disso, ouviram Barnabé e Paulo contar todos os sinais e prodígios que Deus havia realizado, por meio deles, entre os pagãos. 13Quando Barnabé e Paulo terminaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: “Irmãos, ouvi-me: 14Simão acaba de nos lembrar como, desde o começo, Deus se dignou tomar homens das nações pagãs para formar um povo dedicado ao seu nome. 15Isso concorda com as palavras dos profetas, pois está escrito: 16‘Depois disso, eu voltarei e reconstruirei a tenda de Davi que havia caído; reconstruirei as ruínas que ficaram e a reerguerei, 17a fim de que o resto dos homens procure o Senhor com todas as nações que foram consagradas ao meu nome. É o que diz o Senhor, que fez essas coisas, 18conhecidas há muito tempo’. 19Por isso, sou do parecer que devemos parar de importunar os pagãos que se convertem a Deus. 20Vamos somente prescrever que eles evitem o que está contaminado pelos ídolos, as uniões ilegítimas, comer carne de animal sufocado e o uso do sangue. 21Com efeito, desde os tempos antigos, em cada cidade Moisés tem os seus pregadores, que o leem todos os sábados nas sinagogas”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 95(96)

Anunciai as maravilhas do Senhor / entre todas as nações.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, † cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! / Cantai e bendizei seu santo nome! – R.

2. Dia após dia anunciai sua salvação, † manifestai a sua glória entre as nações / e entre os povos do universo seus prodígios! – R.

3. Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” † Ele firmou o universo inabalável, / pois os povos ele julga com justiça. – R.

Evangelho: João 15,9-11

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam minha voz, / minha voz estão elas a escutar; / eu conheço, então, minhas ovelhas, / que me seguem, comigo a caminhar (Jo 10,27). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”. – Palavra da salvação.

Reflexão
Após falar aos discípulos da necessidade de estarmos unidos a Ele para termos vida, por ser Ele a videira e nós, os ramos, Nosso Senhor Jesus Cristo pronuncia hoje uma de suas falas mais sentidas do Evangelho, e também uma das mais misteriosas, se a lermos à luz do que acontecerá poucas horas depois do fim deste discurso no Cenáculo, lá em cima no monte Calvário: “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei”. Ora, sabemos que Cristo, por ser o Filho natural de Deus, é amado pelo Pai desde toda a eternidade, com aquele amor infinito que é o Espírito Santo. Mas como entender que, sendo Ele o Filho amado, em quem Deus pôs toda a sua complacência, o Pai o tenha entregado à morte? Como harmonizar aquele: “Como o Pai me amou”, que Cristo pronuncia momentos antes de padecer, com o decreto eterno, iníquo e cruel à primeira vista, com que o mesmo o Pai o quis entregar a seus inimigos? Não há dúvida, por certo, de que Deus é “Deus de lealdade, não de iniquidade” (Dt 32, 4), e por isso não podemos dizer que tenha sido nem injusto nem cruel por parte dele entregar Nosso Senhor à morte, senão que, ao contrário, nisto mesmo se manifesta o imenso amor que o Pai lhe devota e com que o Filho lhe corresponde: o Pai ama ao Filho escolhendo-o para a mais alta missão que jamais houve — redimir o gênero humano —, e o Filho ama ao Pai obedecendo-lhe em tudo, até a morte na cruz. Ao entregar, pois, seu Filho à morte, o Pai expressa ao mesmo tempo (a) a sua severidade (cf. Rm 11, 22), por não ter querido perdoar-nos sem a devida satisfação, e por isso “não poupou seu próprio Filho” (Rm 8, 32), e também (b) a sua bondade (cf. Rm 11, 22), por ter proporcionado aos homens quem os pudesse redimir, e por isso “o entregou por todos nós” (Rm 8, 32). E, apesar dos horrores do Calvário, o Pai não deixou de predestinar Cristo a uma glória sem comparação, permitindo que Ele, uma vez rebaixado sob as nossas mãos, fosse mais tarde exaltado acima de todos (cf. Fp 2, 9). Assim, por ter-se entregado à morte, mereceu Ele ser ressuscitado, como primícias dentre os mortos (cf. 1Cor 15, 20); por ter descido aos infernos, enquanto seu corpo jazia no sepulcro, mereceu ascender aos céus (cf. Ef 4, 9-10); por ter sido humilhado e confundido, mereceu sentar-se à direita do Pai, como glória e majestade; e por ter-se submetido ao poder dos homens, mereceu o direito de os julgar a todos. Foi assim “como o Pai me amou”, inspirando-me o desejo de por todos sofrer e morrer, a fim de a todos salvar, destruída de uma vez para sempre o poder da morte. E é assim que o Filho, escolhido com amor pelo Pai, hoje nos escolhe com o mesmo amor: “Assim também eu vos amei”, para que saibamos que a nossa vida é luta, é muitas vezes padecer e, a olhos humanos, ser derrotado vergonhosamente; mas é uma vida que, se combatida com fé, é já uma vitória, porque Ele mesmo já reina, vivo e triunfante no céu: “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33).


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quarta-feira, 1 de maio de 2024

5ª Semana da Páscoa - Como ramos unidos à videira.

 SEM MIM NADA PODEIS FAZER – 5º Domingo da Páscoa | Mater Dei

Vosso louvor é transbordante em minha boca, a alegria cantará sobre meus lábios, aleluia (Sl 70,8.23).

Na alegria de estarmos na casa do Senhor, como comunidade chamada a viver no diálogo e na fraternidade, renovamos nosso desejo de permanecer unidos a Cristo, verdadeira videira. De sua Palavra podemos colher a seiva necessária para nos fortalecermos no anúncio das maravilhas que Deus realiza em nossa história.

Primeira Leitura: Atos 15,1-6

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 1chegaram alguns da Judeia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: “Vós não podereis salvar-vos se não fordes circuncidados, como ordena a Lei de Moisés”. 2Isso provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos. 3Depois de terem sido acompanhados pela comunidade, Paulo e Barnabé atravessaram a Fenícia e a Samaria. Contaram sobre a conversão dos pagãos, causando grande alegria entre todos os irmãos. 4Chegando a Jerusalém, foram recebidos pelos apóstolos e anciãos e narraram as maravilhas que Deus tinha realizado por meio deles. 5Alguns dos que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé levantaram-se e disseram que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar a Lei de Moisés. 6Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 121(122)

Que alegria quando ouvi que me disseram: / “Vamos à casa do Senhor!”

1. Que alegria quando ouvi que me disseram: / “Vamos à casa do Senhor!” / E agora nossos pés já se detêm, / Jerusalém, em tuas portas. – R.

2. Jerusalém, cidade bem edificada / num conjunto harmonioso; / para lá sobem as tribos de Israel, / as tribos do Senhor. – R.

3. Para louvar, segundo a lei de Israel, / o nome do Senhor. / A sede da justiça lá está / e o trono de Davi. – R.

Evangelho: João 15,1-8

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ficai em mim e eu em vós ficarei, diz Jesus; / quem em mim permanece há de dar muito fruto (Jo 15,4s). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto, ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira, e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. – Palavra da salvação.

Reflexão
 
Damos início nesta quarta-feira à leitura do décimo quinto capítulo do Evangelho segundo São João, que nos situa no contexto da Última Ceia e nos apresenta a conhecida parábola dos ramos da videira. Assim como os ramos recebem da vide de que brotam toda a sua seiva e vitalidade, assim também nós, para termos vida em abundância, temos de permanecer unidos a Cristo, Nosso Senhor. E não é senão pelo dom sobrenatural da fé que nos vinculamos e unimos a Jesus, como ramos à videira, como membros ao corpo. Ora, este laço místico que nos associa a Cristo Cabeça, embora possa dar-se nos que, já crendo, não foram ainda regenerados pelo Batismo, só se torna estável pela recepção deste sacramento e se estreita com mais firmeza à medida em que exercemos, efetivamente, a virtude da fé, seja ao longo do dia, em frequentes elevações de coração a Deus, seja em nosso momento de oração, quando recorremos ao Senhor para que nos conceda, não consolações sensíveis e passageiras, mas a luz permanente de sua verdade. Busquemos, pois, unir-nos cada dia mais a Cristo, no qual, pela graça, temos a alegria de crer e por cuja verdade o Pai nos faz frutificar em amor e santidade.


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