domingo, 5 de fevereiro de 2023

5º Domingo do Tempo Comum - A vocação do cristão: sal e luz.

 Temos de ser sal e luz - SSVP | CMBH

Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6s).

Reunimo-nos para celebrar o Cristo crucificado e ressuscitado, fundamento da nossa fé e do nosso testemunho. A liturgia nos convida a renovar o compromisso de sermos sal e luz, discípulos e discípulas que dão sabor e sentido à vida do próximo. Louvemos ao Pai pelo seu amor, manifestado em toda ação que expulsa do mundo as trevas da opressão e da injustiça.

Primeira Leitura: Isaías 58,7-10

Leitura do livro do profeta Isaías – Assim diz o Senhor: 7“Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o e não desprezes a tua carne. 8Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro e ele dirá: “Eis-me aqui”. Se destruíres teus instrumentos de opressão e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 111(112)

Uma luz brilha nas trevas para o justo, / permanece para sempre o bem que fez. 

1. Ele é correto, generoso e compassivo, / como luz brilha nas trevas para os justos. / Feliz o homem caridoso e prestativo, / que resolve seus negócios com justiça. – R. 

2. Porque jamais vacilará o homem reto, / sua lembrança permanece eternamente! / Ele não teme receber notícias más: / confiando em Deus, seu coração está seguro. – R. 

3. Seu coração está tranquilo e nada teme. / Ele reparte com os pobres os seus bens, / permanece para sempre o bem que fez / e crescerão a sua glória e seu poder. – R. 

Segunda Leitura: 1 Coríntios 2,1-5

Leitura da primeira carta de São Paulo aos Coríntios – 1Irmãos, quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana. 2Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado. 3Aliás, eu estive junto de vós com fraqueza e receio, e muito tremor. 4Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, 5para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria dos homens. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Mateus 5,13-16

Aleluia, aleluia, aleluia. 

Pois eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor; / e vai ter a luz da vida quem se faz meu seguidor (Jo 8,12). – R. 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 13“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde brilha para todos os que estão na casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Dirigindo-se a nós, cristãos, de modo todo particular, Jesus chama-nos hoje a ser "sal da terra" e "luz do mundo". Se o sal é, por sua própria natureza, aquilo que dá sabor aos alimentos, o cristão deve ser, de modo análogo, uma pessoa sábia, ou seja, que é capaz de saborear, à luz da fé e sob o influxo da caridade, todas as realidades dignas de serem amadas. Ora, além de conhecer o justo valor de cada coisa, o cristão é também aquele que, à semelhança do sal, dá sabor a tudo: ao trabalho e ao descanso, às rotinas humanas e aos empreendimentos apostólicos, à família e aos amigos. Um espírito revestido de Cristo sabe "temperar" a vida com o amor a Deus; nada lhe é insosso, nada lhe parece de pouca monta, porque tudo, se condimentado com a caridade sobrenatural, se lhe afigura ocasião e circunstância de amar a Deus e, por amor a Ele, amar também os irmãos.

O cristão, porém, não vive só para si; se deseja ser fiel à sua vocação de batizado, tem de ser também "luz do mundo", isto é, testemunho vivo da graça de Nosso Senhor. E deve ser testemunho não apenas com o exemplo, senão também por meio da palavra e da luz da verdadeira doutrina católica. Ser luz do mundo, para um cristão, implica sobretudo levar a luz da fé onde grassam as trevas da ignorância e do pecado, da estultice e da mundanidade. O fiel "sal da terra" é sábio e, portanto, chamado a portar a chama dessa sabedoria às almas obscurecidas pelo erro, porque "ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa." Vivamos, pois, a sabedoria do Evangelho e levemos a sua luz a todos quantos ainda se encontram afastados de Cristo, Sol de Justiça.

 
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sábado, 4 de fevereiro de 2023

4ª Semana do Tempo Comum - O Coração de Deus.

 Vangelo Mc 6, 30-34: «Venite in disparte, voi soli, in un luogo deserto, e  riposatevi un po'». - Io resto con Gesù

Primeira Leitura (Hb 13,15-17.20-21)

Leitura da Carta aos Hebreus.

Irmãos, 15por meio de Jesus, ofereçamos a Deus um perene sacrifício de louvor; isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome. 16Não vos esqueçais das boas ações e da comunhão, pois estes são os sacrifícios que agradam a Deus.

17Obedecei aos vossos líderes e segui suas orientações, porque eles cuidam de vós como quem há de prestar contas. Que possam fazê-lo com alegria, e não com queixas, que não seriam coisa boa para vós.

20O Deus da paz, que fez subir dentre os mortos aquele que se tornou, pelo sangue de uma aliança eterna, o grande pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus, 21vos torne aptos a todo bem, para fazerdes a sua vontade; que ele realize em nós o que lhe é agradável, por Jesus Cristo, ao qual seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém!

- Palavra do Senhor.

Responsório Sl 22(23),1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)

— O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

— O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

— O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

— Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

— Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

Evangelho (Mc 6,30-34)

— Aleluia, aleluia, aleluia.

— Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem. (Jo 10,27)

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos. 

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. 32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Reflexão

O Evangelho deste sábado nos mostra a ternura e delicadeza humanas de Nosso Senhor. Ao ver os discípulos cansados e sem tempo sequer para se alimentarem, Cristo os chama sozinhos a um lugar afastado, para que ali, longe das turbas, possam repousar um pouco. Saem então os Doze para um bem merecido descanso, e o que encontram do outro lado senão as mesmas e numerosas multidões, "como ovelhas sem pastor"? Diante disso, o dulcíssimo Coração de Jesus se enche de compaixão, pois vê a sede que o povo, sempre à procura de justiça e verdade, tem por Ele, pão descido dos céus e fonte perene de água viva.

Vislumbramos neste episódio a singular beleza com que Deus expressa de forma humana todo o amor que, desde a eternidade, circula em seu divino coração de Pai. Fazendo-se homem como nós, o Filho eterno de Deus comunica à sua santa humanidade "seu próprio modo de existir pessoal na Trindade" (CIC, 470). Por isso, as pulsações do seu coração humano e de carne são a expressão visível e encarnada daquele mesmo "amor com o qual o divino Redentor", imagem do Deus invisível (cf. Col 1, 15), "ama continuamente o Pai Eterno e todos os homens" (Pio XII, Haurietis Aquas).

Este Evangelho também nos desperta para o carinho que Jesus manifesta a quantos se dedicam à evangelização. Com um olhar compassivo, o Senhor vê os cansaços, a fome, as doenças, as contrariedades e as vigílias dos que se entregam, de corpo e alma, a pregar e difundir a Boa-nova. Pois Cristo não é de modo nenhum um Deus "estoico", imóvel numa como que indiferente imperturbabilidade; é, ao contrário, um Deus que move as próprias vísceras ('σπλαγχνίζομαι'), que se deixa tocar por uma compaixão sincera e profundamente humana por sua ovelhas perdidas. Tocado, assim, desde dentro, Jesus deseja dar aos pastores da sua grei o merecido descanso; aos que tudo entregaram pelo rebanho, aos que, esquecidos de si, deram a própria vida para anunciar este amor que leva Deus a se sacrificar por nós, o Senhor tem reservados os mais doces repousos do seu sacratíssimo Coração.

 

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

4ª Semana do Tempo Comum - Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre.

A vaidade de Herodes 

Primeira Leitura (Hb 13,1-8)

Leitura da Carta aos Hebreus.

Irmãos, 1perseverai no amor fraterno. 2Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber. 3Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! 4O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros.

5Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”. 6De modo que podemos dizer, com ousadia: “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?” 7Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. 8Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade.

- Palavra do Senhor - Graças a Deus.

Responsório Sl 26(27),1.3.5.8b-9abc (R. 1a)

— O Senhor é minha luz e salvação!

— O Senhor é minha luz e salvação!

— O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a Proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

— Se contra mim um exército se armar, não temerá meu coração; se contra mim uma batalha estourar, mesmo assim confiarei.

— Pois um abrigo me dará sob o seu teto nos dias da desgraça; no interior de sua tenda há de esconder-me e proteger-me sobre a rocha.

— Senhor, é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! Não afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio! Não me esqueçais nem me deixeis abandonado.

Evangelho (Mc 6,14-29)

— Aleluia, aleluia, aleluia.

— Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15)

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. 15Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”.

16Ouvindo isto, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” 17Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado.

18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava.

21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu te darei”. 23E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”.

24Ela saiu e perguntou à mãe: “Que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”.

26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Reflexão

O capítulo 13 da Epístola aos Hebreus inicia-se com uma série de conselhos práticos para a nossa vida de fé. Agora que sabemos que o nosso destino é o céu, precisamos pôr os meios para lá chegar, o que não será possível se não arder em nossos corações o mesmo Espírito que arde no Coração de Cristo. Pois bem, uma vez que recebemos de Deus a vida sobrenatural da graça, temos a responsabilidade de a cultivar com todo o cuidado, perseverando no amor fraterno (v. 1), não esquecendo a hospitalidade (v. 2), lembrando-nos dos encarcerados (v. 3), honrando a castidade e a fidelidade matrimonial (v. 4), moderando o desejo de bens terrenos, sobretudo das riquezas (v. 5), e obedecendo às autoridades constituídas, especialmente aos Pastores da Igreja (v. 7). 

O primeiro ponto — a perseverança no amor fraterno — aponta para o mandamento: “Amar o próximo como a si mesmo por amor de Deus”, e recorda-nos que, em Cristo, somos todos irmãos e membros de um só Corpo, o que não exclui — antes, pelo contrário, exige-o — que devemos amar também os que estão distantes, por não pertencerem ainda à Santa Igreja de Deus. Como o bom samaritano, devemos fazer-nos próximos dos que estão distantes, e é por isso que o autor sagrado exorta em seguida: “Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber”. No entanto, não só os nossos atos externos e visíveis de caridade fraterna, mas também os nossos atos mais íntimos e secretos têm valor e serão julgados por Deus. Eis porque, além da hospitalidade e do cuidado dos prisioneiros, devemos também ter em alta conta a moral sexual e a pureza de coração: “O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros”.

 Além disso, devemos lutar contra a tendência quase hipnótica da sociedade em que vivemos, independentemente de orientação ideológica, a buscar única e exclusivamente os bens deste mundo: “Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes”, porque o Senhor nos disse: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei” (Dt 31, 6), de modo que podemos dizer sem medo: “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?” (Sl 117, 6). Por fim, não nos devemos esquecer de rezar pelos que foram postos por Deus à nossa frente como dirigentes e Pastores, porque não há autoridade legítima que dele não proceda: “Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé”. A razão de todos esses conselhos, o autor sagrado a resume nesta verdade firmíssima: a figura deste mundo passará, enquanto Jesus Cristo, nosso Deus amado, “é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade” (v. 8). A Ele poder, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém. 

 

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

4ª Semana do Tempo Comum - Apresentação do Senhor.

 Evangelho de hoje (Lc 2,22-40) - Egídio Serpa | Egídio Serpa - Diário do  Nordeste

De origem oriental, a “festa das Luzes” estendeu-se, no século 4º, ao Ocidente, com o nome de “Encontro”. Caracterizando-se pela solene bênção das velas e procissão, tornou-se conhecida também como “festa da Candelária”. Neste dia mundial da vida consagrada, celebremos em sintonia com os religiosos, religiosas e consagrados seculares, pessoas que dia a dia se põem inteiramente a serviço do Senhor.

Exortação

Irmãos e irmãs, há quarenta dias celebrávamos com alegria o Natal do Senhor. E hoje chegou o dia em que Jesus foi apresentado ao templo por Maria e José. Conformava-se assim à Lei do Antigo Testamento, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel. Impulsionados pelo Espírito Santo, o velho Simeão e a profetisa Ana foram também ao templo. Iluminados pelo mesmo Espírito, reconheceram o seu Senhor naquela criança e o anunciaram com júbilo. Também nós, reunidos pelo Espírito Santo, vamos nos dirigir à casa de Deus, ao encontro de Cristo. Nós o encontraremos e reconheceremos na fração do pão, enquanto esperamos a sua vinda na glória.

Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio de vosso templo. Vosso louvor se estende, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos (Sl 47,10s).

Primeira Leitura: Malaquias 3,1-4 ou Hebreus 2,14-18

Leitura da profecia de Malaquias – Assim diz o Senhor: 1Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2e quem poderá fazer-lhe frente no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos. – Palavra do Senhor.

OU

Leitura da carta aos Hebreus – Irmãos, 14visto que os filhos têm em comum a carne e o sangue, também Jesus participou da mesma condição, para assim destruir, com a sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo, 15e libertar os que, por medo da morte, estavam a vida toda sujeitos à escravidão. 16Pois, afinal, não veio ocupar-se com os anjos, mas com a descendência de Abraão. 17Por isso, devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e digno de confiança nas coisas referentes a Deus, a fim de expiar os pecados do povo. 18Pois, tendo ele próprio sofrido ao ser tentado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a tentação. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 23(24)

O rei da glória é o Senhor onipotente!

1. “Ó portas, levantai vossos frontões! † Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, / a fim de que o rei da glória possa entrar!” – R.

2. Dizei-nos: “Quem é este rei da glória?” † “É o Senhor, o valoroso, o onipotente, / o Senhor, o poderoso nas batalhas!” – R.

3. “Ó portas, levantai vossos frontões! † Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, / a fim de que o rei da glória possa entrar!” – R.

4. Dizei-nos: “Quem é este rei da glória?” † “O rei da glória é o Senhor onipotente, / o rei da glória é o Senhor Deus do universo.” – R.

Evangelho: Lucas 2,22-40 ou 22-32

[A forma breve está entre colchetes.]

Aleluia, aleluia, aleluia.

Sois a luz que brilhará para os gentios / e para a glória de Israel, o vosso povo (Lc 2,32). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – [22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor, 23conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. 24Foram também oferecer o sacrifício – um par de rolas ou dois pombinhos -, como está ordenado na Lei do Senhor. 25Em Jerusalém havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. 27Movido pelo Espírito, Simeão veio ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29“Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo, Israel”.] 33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. 36Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele. – Palavra da salvação.

Reflexão 

Hoje, quarenta dias depois do Natal, festejamos a Apresentação de Nosso Senhor no Templo de Jerusalém. Ao celebrarmos essa festa, fazemos memória daquele momento em que a Virgem SS. e o bem-aventurado José, cumprido o prazo estabelecido pela Lei de Moisés, levaram o Menino Jesus à Cidade Santa para lá o consagrarem a Deus. À imitação da Sagrada Família, também nós, de velas nas mãos, nos dirigimos hoje ao templo de Deus, que são as nossas igrejas, para lá, em união com o sacerdote, oferecermos ao Pai o Cristo que se nos ofereceu a nós. Mas, se na vigília da Páscoa as velas simbolizam o Cristo ressuscitado, aqui elas representam a inocência luminosa do Menino Deus: a cera é o seu corpo virginal e puro, formada pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe; o pavio é a sua alma santíssima e guarnecida de todos os tesouros da graça; e a chama é a sua divindade, eterna e onipotente. Eis o dom preciosíssimo que no dia de hoje Maria SS. e S. José levam ao Templo como primícia única de seu castíssima e virginal união. Por outro lado, a profecia do justo Simeão nos ajuda a recordar que essa festa aponta ao mesmo tempo para duas noites e duas outras celebrações: de um lado, a noite santa do Natal, porque Jesus é “luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”; de outro, a noite santa de Páscoa, porque Cristo “será um sinal de contradição”, imolado na cruz — blasfêmia para os judeus, loucura para os gentios — e, por sua dolorosíssima Paixão, causa de muitas angústias para o Coração de sua Mãe: “Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. Também nós, nesta festa que complementa os mistérios da divina infância de Cristo e anuncia, de alguma forma, o mistério do Calvário, nos apresentemos a Deus, oferecendo-nos e sacrificando-nos a Ele em desagravo dos nossos pecados, sempre por meio de seu Filho encarnado e pelas mãos de Maria SS. reparadora.  


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4ª Semana do Tempo Comum - “E admirou-se com a falta de fé”

 4ª Semana Comum – Quarta-feira 01/02/2017 – Paróquia Porciúncula de Santa'na

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47).

Por trás do mistério do sofrimento, somos convidados a perceber a mão de Deus, que não nos abandona; ao contrário, serve-se de todas as circunstâncias para nos conduzir pelos seus caminhos. Acolhamos o Senhor e sua sabedoria.

Primeira Leitura: Hebreus 12,4-7.11-15

Leitura da carta aos Hebreus – Irmãos, 4vós ainda não resististes até o sangue na vossa luta contra o pecado 5e já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: “Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando ele te repreende; 6pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho”. 7É para a vossa educação que sofreis, e é como filhos que Deus vos trata. Pois qual é o filho a quem o pai não corrige? 11No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados. 12Portanto, “firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos; 13acertai os passos dos vossos pés”, para que não se extravie o que é manco, mas antes seja curado. 14Procurai a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; 15cuidai para que ninguém abandone a graça de Deus. Que nenhuma raiz venenosa cresça no meio de vós, tumultuando e contaminando a comunidade. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 102(103)

O amor do Senhor por quem o respeita / é de sempre e para sempre.

1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / e todo o meu ser, seu santo nome! / Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / não te esqueças de nenhum de seus favores! – R.

2. Como um pai se compadece de seus filhos, / o Senhor tem compaixão dos que o temem. / Porque sabe de que barro somos feitos / e se lembra que apenas somos pó. – R.

3. Mas o amor do Senhor Deus por quem o teme / é de sempre e perdura para sempre; / e também sua justiça se estende † por gerações, até os filhos de seus filhos, / aos que guardam fielmente sua Aliança. – R.

Evangelho: Marcos 6,1-6

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam minha voz; / eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isso? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele. 4Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. 5E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando. – Palavra da salvação.

Reflexão

"E admirou-se com a falta de fé deles." É com essas palavras que o Evangelista São Marcos registra os sentimentos de Cristo, rejeitado pelos que lhe eram mais próximos, desprezado por seus conterrâneos e familiares. Não se admira o Senhor com a pouca fé dos nazarenos, senão com a total falta dela. O próprio texto grego, aliás, faz questão de o ressaltar: Jesus fica perplexo diante da ἀπιστία (apistia) daqueles que, embora o conhecessem desde pequenino, na verdade nunca chegaram a conhecê-lo de fato, porque não estavam dispostos a crer nele. Mas o que significa, na prática, esse não ter fé? Vejamos, antes de mais, em que consiste a fé cristã. Trata-se, com efeito, de um dom de Deus derramado em nossos corações: é, noutras palavras, "uma virtude sobrenatural infundida por Ele" (CIC, 153) em nossas almas. Nesse sentido, podemos dizer que, se alguém tem fé, tem-na apenas porque Deus lha concedeu. Ora, se tal é assim, não estariam escusados os nazarenos? Afinal, que culpa teriam eles por um ato a que, por si sós, não têm direito e do qual, deixados às próprias forças, são incapazes?

Sucede porém que a fé é um dom que o Senhor quer dar a todos os homens, pois a todos deseja a salvação: Ele "não quer que ninguém pereça", escreve o Príncipe dos Apóstolos, "mas que todos cheguem ao arrependimento" (2Pd 3, 9). Ele a todo momento nos fala ao coração, convida-nos à conversão, inspira-nos a abraçar a fé em seu Filho, Jesus Cristo. "Eis que estou à porta, e bato", diz-nos todos os dias; "se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo" (Ap 3, 20). Qual, então, a nossa desculpa? De que modo, pois, nos poderíamos excusar de não crer? Não manda Deus graças mais do que suficientes para escutarmos o seu apelo, para assentirmos à sua Palavra? Por que então, ensoberbecidos como os nazarenos de hoje, nos fechamos à fé em Cristo? Acaso julgamos os nossos preconceitos, as nossas tolices e a nossa "ciência", provinciana e de curtas vistas, superiores ao Verbo eterno do Pai? Acaso pensamos ser Deus um enganador, um embusteiro que não merece sequer a mais simplória e frágil das confianças humanas?

O Concílio Vaticano I nos recorda que Deus não se engana e, sendo Ele a suma verdade, não nos pode enganar. Por isso, ao Deus que se revela temos de prestar o obséquio da nossa mais filial e firme obediência; à Verdade que nos fala devemos o mais sincero e humilde ato de fé, pois não é uma pessoa qualquer que se dirige a nós, mas aquele que não mente, nem pode mentir. Se, portanto, podemos estar certos das verdades que Ele nos atesta, pela mesma razão podemos escutar aquele que Ele mesmo enviou, o "seu Filho bem-amado" (Mc 1, 11), que disse: "Crede em Deus, crede em mim também (Jo 14, 1). Que o Senhor nos incremente a fé, fazendo-a amadurecer cada dia mais. Confiantes na bondade e veracidade de Deus, abramos o peito ao único que viu ao Pai, ao único que, por isso mesmo, no-lo pode dar a conhecer (cf. Jo 6, 46; Mt 11, 27).

 

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