sexta-feira, 27 de julho de 2018

Liturgia Diária - A situação em que se encontra o nosso terreno

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1a Leitura - Jeremias 3,14-17
Leitura do livro do profeta Jeremias.
3 14 “Voltai, filhos rebeldes - oráculo do Senhor -, pois que sou vosso Senhor. Eu vos tomarei, um de cada cidade e dois de cada família e vos reconduzirei a Sião.
15 Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com inteligência e sabedoria.
16 Quando vos multiplicardes e numerosos vos tornardes na terra, naqueles dias - oráculo do Senhor - não mais se falará da Arca da Aliança do Senhor; nem mais se pensará nela, perdendo-se a lembrança e a saudade; nem a ela se há de referir.
17 Naquele tempo, Jerusalém será chamada trono do Senhor e todas as nações lá se reunirão em nome do Senhor, sem mais persistir na obstinação do seu coração perverso”.
Palavra do Senhor.


Salmo - Jr 31
O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.
Ouvi, nações, a palavra do Senhor
e anunciai-a nas ilhas mais distantes:
“Quem dispersou Israel, vai congregá-lo,
e o guardará qual pastor a seu rebanho!” 

Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó,
e o libertou do poder do prepotente.
Voltarão para o monte de Sião,
entre brados e cantos de alegria
afluirão para as bênçãos do Senhor. 

Então a virgem dançará alegremente,
também o jovem e o velho exultarão;
mudarei em alegria o seu luto,
serei consolo e conforto após a guerra.

Evangelho - Mateus 13,18-23
Aleluia, aleluia, aleluia.
Felizes os que observam a palavra do Senhor de reto coração e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes (Lc 8,15).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
13 18 Disse Jesus: “Ouvi, pois, o sentido da parábola do semeador:
19 quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho.
20 O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com alegria a palavra ouvida,
21 mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda.
22 O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutuosa.
23 A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um”.
Palavra da Salvação.
 
Reflexão
A semente que é semeada dentro do nosso coração é a Palavra de Deus, que dará frutos, conforme a situação em que se encontra o nosso terreno. Por isso, não basta apenas ouvi-la, mas acolhe-la, apreende-la, digeri-la, a fim de que seja vivenciada. Os frutos aparecerão na medida em a compreendermos e dermos testemunho da sua ação. Compreender a palavra é o primeiro estágio para que saibamos saber se o terreno está ou não preparado. No entanto, para que possamos compreendê-la é preciso que tenhamos uma alma simples e aberta, desejosa de realmente acolhe-la. Quando escutamos a palavra apenas superficialmente, isto é, com os nossos ouvidos e não temos um coração contrito vem o maligno e, carrega para longe, aquelas palavras que à primeira vista nos pareceram tão “bonitas”! No entanto, voltamos à estaca zero e nada acontece. O terreno duro e pedregoso é aquele que não tem raiz, é superficial, é de momento, não se aprofunda e por qualquer motivo, na hora de sofrimento e provação se decepciona e não consegue acolher a graça e o consolo que a palavra produz. 
O terreno cheio de espinhos é o coração da pessoa cheia de preocupações com a vida e iludida pela riqueza que lhe tiram o foco de Deus, porquanto está muito envolvida com as “coisas mundanas”.  Aquele (a), porém, que tem um coração disposto e submisso aos ensinamentos de Deus, pode ser considerado terreno bom para que a semente germine e dê muitos frutos. Podemos deduzir, então, que é a partir do nosso desejo de encontrar a Deus e da nossa abertura para acolher a semente que nós poderemos compreender a Palavra e produzir  frutos cem, sessenta ou trina por um.  – Você tem dificuldade de compreender a Palavra de Deus? – As coisas do mundo, as suas preocupações dificultam o seu entendimento? – Você acha muito difícil também vivenciar esta Palavra? – Como está atualmente o terreno do seu coração?
 
 
 
 
 
Helena Serpa

É verdade que a nossa fé é cega?


Por Vladimir Gjorgiev/Shutterstock




A nossa fé católica é cega? Ela nos é imposta pela Igreja? Somos por acaso proibidos de investigar os fundamentos de nossa fé?

“O católico brasileiro já não raciocina com a cabeça alheia, já não aceita o regime da fé cega, imposta pela Igreja, que nega até o direito de procurar-lhe os fundamentos”.
Não é certamente a declaração de um verdadeiro e sincero católico brasileiro, mas desses católicos que o são apenas de nome, e que na realidade são espíritas, isto é, anticatólicos. Temos aí três acusações a serem tomadas em consideração: a) que a nossa fé católica é cega; b) que ela nos é imposta pela Igreja; e c) que somos proibidos de investigar os fundamentos de nossa fé. Vejamos tudo isso.
Primeira acusaçãoÉ cega a fé dos católicos? Pode esta cegueira ou obscuridade referir-se a duas coisas: ou ao objeto de fé, ou aos seus motivos. Se os espíritas querem dizer que é cega a nossa fé porque cremos sem motivos suficientes, então estão erradíssimos e mostram grande ignorância. Falaremos logo mais sobre isso. Mas se eles pensam que a nossa fé é cega porque é obscuro seu objeto, aí eles têm razão. Isso, todavia, de modo nenhum pode ser censurado. É essencial à fé.
É por isso que o crer se contrapõe ao ver. Quantas coisas nós cremos sem ver e só por testemunho humano! Irrazoável, blasfemo e pecaminoso seria não crer na palavra de Deus, apesar de saber que Deus falou e que é infinitamente sábio e veraz.
Segunda acusaçãoA fé nos é imposta pela Igreja? Absolutamente não! A Igreja apenas continua a missão de Cristo e dos Apóstolos: “Ide, ensinai a todas as gentes a observar tudo o que vos tenho mandado” (Mt 28, 20); “quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado” (Mc 16, 16).

Cumprindo esta sua missão, a Igreja propõe a doutrina e os mandamentos de Cristo. O ato de fé deve ser sempre livre e espontâneo da parte de quem o aceita. Queres salvar-te? — pergunta a Igreja ao homem. — Então crê o que Cristo ensinou. Não queres crer? Não te obrigo contra tua vontade; mas não te salvarás…  “Quem não crer será condenado”. É palavra de Cristo, do Salvador e não da Igreja. Ela apenas repete.
Terceira acusaçãoSomos proibidos de procurar os fundamentos de nossa fé?  Isso é repetido mil vezes pelos espíritas, ou porque são ignorantes, ou porque querem caluniar.
Dizem que nós não pensamos nem estudamos; que nós cremos sem nada examinar, sem verificar o conteúdo da nossa fé; que qualquer indagação um pouco mais aprofundada dos nossos dogmas teria como resultado uma mão cheia de verdades quebradas, desconexas, contraditórias, irracionais etc.; que, portanto, nós aceitamos as ideias mais abstrusas, não nos preocupando nem com a lógica, nem com o bom senso, nem tendo a menor ideia das recentes descobertas feitas pelas ciências exatas; que nós nos entrincheiramos pertinazmente atrás dos dogmas, tendo um pavor imenso de qualquer pessoa que sabe pensar e cerrando obstinadamente os olhos para não ver os resultados dos estudos modernos.
Assim podemos ler em Leão Denis que a Igreja Romana, durante quinze séculos, sufocou o pensamento; que ela sempre se esforçou por impedir o homem de usar do direito de pensar; que ela se nos apresenta despoticamente com as palavras “crê e não raciocines; ignora e submete-te; fecha os olhos e aceita o jugo” (Cristianismo e Espiritismo, 50.ª ed., p. 126s).
Mas a verdade é que a Igreja, desde o princípio, tem favorecido de todos os modos o estudo sério e aprofundado das verdades da fé.

Homens houve, inteligentes, sérios e santos, em todos os tempos, que, amparados e fomentados pela Igreja, dedicaram a vida inteira ao estudo das verdades da fé. A ciência que se dedica a este estudo chama-se teologia. E só o ignorante em história pode repetir as acusações ineptas de Denis.
Nunca a Igreja proibiu ou impediu a investigação séria da fé. Os livros para estudar as bases da fé católica estão à disposição de todos. E a Igreja insiste mesmo nestes estudos. Pois ela bem conhece a admoestação do Príncipe dos Apóstolos: “Guardai santamente em vossos corações a Cristo Senhor, sempre prontos a satisfazer a quem quer que vos peça razões da esperança que vos anima” (1Pd 3, 15).
quanto mais penetramos nas verdades que Deus se dignou nos revelar, tanto mais nos sentimos seguros de abraçar a verdade; quanto mais estudamos sobre os dados da fé, tanto mais exultamos na santa alegria de filhos de Deus; quanto mais enfrentamos as objeções que a impiedade e o orgulho dos homens sem fé nos lança em rosto, tanto mais nos vemos confirmados naquilo que Deus realmente nos falou.
Não! Não temos motivos para envergonhar-nos da nossa fé, nem precisamos temer os ataques da incredulidade. Não é a verdadeira ciência que conduz os homens à apostasia: é a falta de estudos sérios, é a vida desregrada, é o coração desprendido de Deus e demasiadamente apegado aos bens passageiros que leva à perda da fé e à incredulidade.

A inteligência esclarecida, o coração reto e a vida imaculada só podem levar a Deus e à fé em Deus. Não, a nossa fé não é irracional nem nos proíbe o raciocínio. Não, a Igreja não impede o estudo, nem cremos que algum dos nossos leitores jamais terá recebido semelhante proibição.
Se há católicos que não mostram interesse por sua fé; se existem até intelectuais que se dizem católicos e que desconhecem as noções mais elementares de sua fé, a culpa não será da Igreja que lhes proibiu esse estudo ou lhes sonegou os necessários livros, mas a culpa será deles mesmos: o seu desinteresse pelas coisas santas e a sua negligência em se instruir é que são os únicos responsáveis.
Um última acusaçãoMas a Igreja proíbe até a leitura da Bíblia! Falsíssimo. Semelhante afirmação, além de implicar uma injuriosa calúnia, é outro atestado de grande ignorância. A Igreja até recomenda vivamente a leitura diária da Sagrada Escritura.
Eis algumas recomendações de alguns Papas: “Os mais preciosos serviços”, diz Bento XV, “são prestados à causa católica por aqueles que, em diferentes países, puseram e põem ainda o melhor de seu zelo em editar, sob formato cômodo e atraente, e em difundir os livros do Novo Testamento e uma seleção dos livros do Antigo” [1]. E um pouco antes dissera: “Nunca cessaremos de exortar todos os cristãos a fazerem sua leitura cotidiana principalmente dos santíssimos Evangelhos de Nosso Senhor” [2].
E Pio XII admoesta aos Bispos que “favoreçam e auxiliem as associações que têm por fim difundir entre os fiéis exemplares da Sagrada Escritura, particularmente dos Evangelhos, e procurar que nas famílias cristãs se leiam regularmente todos os dias com piedade e devoção” [3].






Referências

  1. Bento XV, Encíclica “Spiritus Paraclitus”, de 15 set. 1920: “Eodem in genere optime de re catholica merentur illi e variis regionibus viri, qui omnes Novi Testamenti et selectos e Vetere libros commoda ac nitida forma edendos et evulgandos perdiligenter curarunt et in praesenti curant” (AAS 12 [1920] 406).
  2. Id., ibid: “[…] Christifideles omnes […] cohortari numquam desinemus, ut sacrosancta praesertim Domini Nostri Evangelia […] cotidiana lectione pervolutare […] studeant” (AAS 12 [1920] 405-406).
  3. Pio XII, Encíclica “Divino Afflante Spiritu”, de 30 set. 1943, n. 26: “Faveant igitur atque auxilium praestent piis illis consociationibus, quibus propositum sit Sacrarum Litterarum, Evangeliorum potissimum, edita exemplaria inter fideles diffundere, eorumque cotidiana lectio studiosissime curare ut in christianis familiis rite sancteque fiat” (AAS 35 [1943] 321).

Notas

  • Extraído e levemente adaptado de Fr. Boaventura Kloppenburg, Resposta aos Espíritas. Rio de Janeiro: Vozes, 1954, pp. 9-12.
(via Pe. Paulo Ricardo)

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Liturgia Diária - Felizes são vossos olhos

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1a Leitura - Eclesiástico 44,1.10-15
Leitura do livro do Eclesiástico.
44 1 Façamos o elogio dos homens ilustres, que são nossos antepassados, em sua linhagem.
10 Os primeiros, porém, foram homens de misericórdia; nunca foram esquecidas as obras de sua caridade.
11 Na sua posteridade permanecem os seus bens.
12 Os filhos de seus filhos são uma santa linhagem, e seus descendentes mantêm-se fiéis às alianças.
13 Por causa deles seus filhos permanecem para sempre, e sua posteridade, assim como sua glória, não terá fim.
14 Seus corpos foram sepultados em paz, seu nome vive de século em século.
15 Proclamem os povos sua sabedoria, e cante a assembléia os seus louvores!
Palavra do Senhor.


Salmo - 131/132
O Senhor vai dar-lhe o trono
de seu pai, o rei Davi. 

O Senhor fez a Davi um juramento,
uma promessa que jamais renegará:
“Um herdeiro que é fruto do teu ventre
colocarei sobre o trono em teu lugar!” 

Pois o Senhor quis para si Jerusalém
e a desejou para que fosse sua morada:
“Eis o lugar do meu repouso para sempre,
eu fico aqui: este é o lugar que preferi!” 

“De Davi farei brotar um forte herdeiro,
acenderei ao meu ungido uma lâmpada.
Cobrirei de confusão seus inimigos,
mas sobre ele brilhará minha coroa!”

Evangelho - Mateus 13,16-17
Aleluia, aleluia, aleluia. Esperavam estes pais a redenção de Israel, e o Espírito do Senhor estava sobre eles (Lc 2,25).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
13 16 Disse Jesus aos seus discípulos: “Quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem!
17 Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram”.
Palavra da Salvação.

Reflexão

Jesus disse aos seus discípulos que “ Felizes são os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.
Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.
Realmente, era grande a glória daqueles discípulos pelo fato de estar na companhia de Jesus Cristo, o filho de Deus. Muito embora ainda pairasse alguma sombra de dúvida nas mentes de alguns deles, Jesus os lembra desse imenso privilégio de estar convivendo com  o próprio Deus vivo no meio deles.
Jesus afirma que muitos profetas e justos, desejaram ver  o que eles, os discípulos, estavam vendo.
Essas palavras de Jesus podem levar a muitos de pouca fé, a entrarem um vazio, em um desânimo e ficar num vaco de dúvida, pensando ou dizendo: E nós? Como ficamos? Nós que não vemos e nem ouvimos nada da boda de Jesus, como vamos crer?
Caríssimas e caríssimos. Nós somos muito mais felizes do que aqueles que viram e ouviram Jesus em sua ação pela construção da Igreja viva, pela construção do Reino de Deus.
E sabe como sabemos disso? Pelas palavras do próprio Jesus. Quando ele viu a reação do até então incrédulo Tomé  que após tocar as cicatrizes das suas chagas exclamou: Meu Senhor e meu Deus!
Jesus imediatamente teve outra reação, e a expressou em palavras: “Tomé, tu acreditastes por que me vistes. Felizes são aqueles que vão acreditar sem me ter visto”  
Você viu só? Então nós, que nunca vimos nem ouvimos a Jesus, somos muito mais felizes que aqueles e aquelas que viveram na sua companhia, ouvindo e vendo a sua pessoa maravilhosa.
Nós somos aqueles a que Jesus se referiu, nas suas palavras a Tomé.  Nós acreditamos e sem ter visto nada. Nós acreditamos sem ter ouvido uma palavra dita pela boca de Jesus.
Porque nós temos fé, que foi um presente de Deus. Porque nós cultivamos essa fé, porque praticamos os ensinamentos de Jesus.
Isso é o fenômeno psicológico da FÉ! Acreditar no invisível! Acreditar mesmo sem ter visto e sem ter ouvido, sem ter estado lá junto com Ele!
Vamos aumentar a nossa fé. Vamos ler, vamos rezar, vamos rezar o credo diariamente, vamos mentalizar a cada momento os muitos milagres de Jesus...
Para crer, é preciso conhecer as escrituras, principalmente as cartas e o Evangelho. Porém, somente crer não basta. Temos de crer e praticar.
 
 

José Salviano

Nossa Senhora, corredentora? (III)

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A que conclusões chegaram os estudiosos em Chestochowa?

Neste terceiro artigo da série, continuamos o debate em torno do pedido de ser Nossa Senhora definida, de forma solene, como Corredentora da humanidade.
A que conclusões chegaram os estudiosos em Chestochowa? – Os estudiosos reunidos para o XII Congresso Mariológico Internacional, realizado, em agosto de 1996, em Chestochowa (Polônia), atenderam a um especial pedido da Santa Sé e estudaram “a possibilidade e a oportunidade” da definição dos títulos marianos de “Medianeira”, “Corredentora” e “Advogada”. Era uma Comissão de quinze teólogos, peritos em Mariologia, vindos de diversas regiões e universidades do mundo católico, além de alguns poucos membros de outras comunidades cristãs: anglicanos, luteranos e ortodoxos.

Eles chegaram às seguintes conclusões: 1) Os títulos propostos podem não ter sentido devidamente claro a todos, de modo que correriam o risco de serem compreendidos de maneiras diversas pelo Povo de Deus; 2) Deve-se manter a linha do Concílio Vaticano II que não quis definir nenhum desses títulos, mas, ao contrário, os usou de modo muito sóbrio na Lumen Gentium (n. 62); 3) Desde o Papa Pio XII, o título de “Corredentora” não é usado em documentos papais de grande relevo doutrinário; 4) Quanto ao título de “Medianeira”, a Comissão recordou que, desde os primeiros decênios do século XX, a Santa Sé o estudou por meio de três comissões diferentes e acabou por abandonar a questão; 5) Mesmo se houvesse conteúdo doutrinário para definir esses títulos de Nossa Senhora agora, essa definição não seria teologicamente acertada, pois o assunto requer um aprofundamento na perspectiva da Trindade, da Eclesiologia e da Antropologia, e 6) os teólogos não católicos, bem como alguns católicos, viram na definição desse dogma, pontos de maiores dificuldades ao diálogo ecumênico (cf. L’Osservatore Romano, 24/06/1997; PR, p. 450).

Como entender, então, a questão da cooperação singular de Nossa Senhora na obra salvífica de Seu Filho Jesus Cristo? – Devemos entender como algo muito lógico a cooperação de Maria Santíssima na obra de salvação dos homens e mulheres, conforme bem expôs o Papa Paulo VI a título não dogmático, mas de ensino ordinário do Magistério da Igreja, na Exortação Apostólica Signum Magnum, n. 1: “A Virgem continua agora no céu a exercer a sua função materna, cooperando para o nascimento e o desenvolvimento da vida divina em cada uma das almas dos homens redimidos. É esta uma verdade muito reconfortante, que, por livre disposição de Deus sapientíssimo, faz parte do mistério da salvação dos homens; por conseguinte, deve ser objeto da fé de todos os cristãos” (PR, p. 449).

Em vez de corredenção é melhor dizer cooperação de Nossa Senhora na obra de seu Filho e no lugar de Medianeira usar Mãe de Deus? Por quê? – A resposta à questão acima é positiva, segundo Dom Estêvão Bettencourt, OSB: “Ao invés de Corredenção, pode-se falar, sem os mesmos riscos de ambiguidade e desvios doutrinários, de Cooperação de Maria na obra da salvação do gênero humano. Tal vocábulo se encontra na Lumen Gentium n. 53. 56. 61. 63. Já S. Agostinho utilizava o termo cooperatio em sua obra De Sancta Virginitate 6. O Papa João Paulo II, em sua catequese de 6/4/1997, falou amplamente da cooperação de Maria na obra da salvação”.
“Em lugar de Medianeira, recomenda-se o recurso ao título de Mãe de Deus (Theotókos) e Mãe dos homens (cf. Jo 19,25-27): Jesus quis confiar o gênero humano à tutela e à intercessão de Maria Ssma. (cf. Lumen Gentium n. 53-56. 58. 61. 63. 65. 67. 69). Na qualidade de Mãe, Maria intercede em favor dos homens desde a sua gloriosa Assunção até a consumação da história da humanidade” (PR, p. 448).



Vanderlei de Lima 

Cristianismo e Maçonaria: uma equação impossível?

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O bispo da Diocese de Fréjus-Toulon é autor do livro ‘Can We Be a Christian and Freemason?’ (‘Podemos ser cristãos e maçons?’)

Aleteia: existem muitos obstáculos entre a Maçonaria e a Igreja Católica?
Bispo Rey: Sim, entre a Maçonaria e o ensinamento da Igreja Católica existem muitos pontos de dissonância. O primeiro é o esoterismo. Com os maçons, a doutrina é transmitida apenas a um pequeno círculo de iniciados. Já no século 2, Santo Irineu condenou a heresia do gnosticismo, uma doutrina segundo a qual a salvação passa por um conhecimento de Deus adquirido através da iniciação em práticas esotéricas. Na Maçonaria, o iniciado é obrigado ao segredo absoluto.
Na Igreja Católica, não existe um ensino assim tão secreto. A Bíblia, o Catecismo, os textos do Concílio Vaticano e o ensinamento de papas e bispos são acessíveis a todos. O Evangelho é destinado a todos e cada homem e mulher, sem restrições e sem distinção de castas ou posição. A Igreja também é uma instituição visível, aberta a todos, “um sinal e instrumento de salvação” (Vaticano II).
Os rituais também são um ponto central de atrito. A Maçonaria usa um simbolismo com códigos e ritos próprios (símbolos nas roupas, durante as assembleias e para iniciações particulares). Na Igreja, a iniciação é ordenada para a vida sacramental e para a economia da graça.
E o relativismo?
O relativismo filosófico e moral também estão incluídos. Para a Maçonaria, nenhuma verdade é definitiva, intangível ou absoluta. De fato, de seu ponto de vista, a verdade sempre nos escapa ou é chamada a ser construída pelo homem e para o homem; o dogma é, em princípio, contrário à liberdade humana.
A fé, pelo contrário, ensina-nos que a verdade tem o rosto de Cristo que se identificou com ela: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Esta verdade é acessível à razão humana e é proclamada na Igreja pelo Credo, que inclui os dogmas principais, isto é, as certezas que nossa fé confessa sobre a Trindade, a Encarnação, a Ressurreição, a Maternidade Divina da Virgem Maria… Os dogmas constituem tantas “janelas” que o Apocalipse abre para o mistério de Deus.
A Igreja também desafia o relativismo religioso professado pela Maçonaria, em nome da tolerância e da autonomia da Razão, colocando todas as convicções religiosas em igualdade. Por outro lado, respeitando a liberdade de consciência de todos, a Igreja vê em Cristo a chave para o entendimento final do mistério do homem e do seu destino: “Não há salvação em nenhum outro” senão Jesus Cristo (Atos 4,12).
A maçonaria frequentemente está associada a alguma forma de elitismo. Isso também é uma diferença fundamental?
Claro! Nascido na pobreza em uma manjedoura, morto crucificado, Cristo identificou-se com os pobres ao longo de sua vida. É para eles que anunciou a Boa Nova da Salvação. Por sua vez, a Igreja, em sua pastoral, exerce uma opção preferencial pelos pobres. Sua mensagem universal exclui todo o elitismo. Esta posição evangélica está em contradição com o recrutamento por indicação e a seleção de membros na Maçonaria, de acordo com os critérios pelos quais algumas pessoas pressionam para influenciar melhor as mudanças políticas e sociais no mundo.
E quanto ao secularismo?
A Igreja reconhece a autonomia das realidades terrestres governadas por suas próprias leis. No entanto, ela também enfatiza que estas não podem ser separados de Deus a qualquer preço. A palavra “leigo” aparece na tradição cristã desde o início. Alguns discursos dos responsáveis ​​pela Maçonaria, no entanto, parecem promover um secularismo que nega a expressão pública da fé e afasta a fé para a esfera privada. De certa forma, eles estão tentando fazer do secularismo uma religião estatal.
A Maçonaria pede aos seus membros que acreditem em um “Grande Arquiteto do Universo”. Isso dá a aparência de liberdade religiosa. Para um cristão, esse grande arquiteto do universo não seria simplesmente Deus?
Existe dentro da Maçonaria uma multiplicidade de crenças sobre a relação com os religiosos, desde o ateísmo declarado até as lendas de “maçonaria cristã”. Alguns, como o Grand National Lodge da França, falam do “Grande Arquiteto do Universo”. Esse reconhecimento de uma dimensão divina, inacessível ao homem, não pode ser equiparado ao encontro do homem com um Deus pessoal, manifestado em Cristo, que vem para nos encontrar para revelar a plenitude do seu amor (Col 1,26-28). Nossa fé não se limita à crença na existência de Deus, mas nos revela a salvação que Ele opera através da redenção de Cristo, cuja graça nos faz participar da natureza divina (2 Pedro 1,4).
A Maçonaria de alguma forma compete com a Igreja?
O objetivo oficial da Maçonaria é trabalhar para a melhoria material e moral da humanidade, bem como o seu aperfeiçoamento intelectual e moral. Nesse sentido, ela compartilha a preocupação da Igreja em trabalhar por um mundo melhor. Ao longo dos tempos, houve um desejo de alguns dos líderes da Maçonaria de construir uma nova humanidade a partir das ruínas da Igreja Católica, derrubando a fé que ela ensina. Albert Lantoine, membro do Supremo Conselho do Rito Escocês da França do século XX, disse: “A Maçonaria é a única religião humana”.
Na posição da Igreja Católica, como devemos interpretar o cânone 2335 do antigo Código de Direito Canônico (1917)? Ali se diz “aqueles que dão seu nome à seita maçônica, ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra as potestades civis legítimas, incorrem ipso facto em excomunhão simplesmente reservada à Sede Apostólica”.
Como o ex-grande mestre do Grande Oriente da França, Paul Gourdeau, afirmou: “Essas duas culturas, uma baseada no Evangelho e outra na tradição histórica do humanismo republicano, são fundamentalmente opostas: a verdade é revelada e intangível, apontando para um Deus na origem de todas as coisas, ou então a verdade encontra seu fundamento nas construções do Homem, sempre em questão porque ele é infinitamente perfeito” (Humanisme Magazine, n° 193, outubro de 1990). Como resultado, “registrar-se na Maçonaria significa separar-se do cristianismo” (Leão XIII). Sem mencionar uma conspiração geral contra a Igreja. Alguns ex-maçons, que deixaram a maçonaria depois de descobrirem Cristo, não hesitam em mencionar em alguns círculos o ódio dos Maçons à Igreja Católica no que ela é e o que ela promove. Penso no último livro-testemunho de Serge Abad-Gallardo, com o título evocativo de I unwittingly served Lucifer (Servi involuntariamente ao Diabo).
A declaração romana da Congregação para a Doutrina da Fé assinada pelo Cardeal Ratzinger em 1983 afirma que “o julgamento negativo da Igreja sobre as associações maçônicas permanece inalterado no novo Código de Direito Canônico, porque seus princípios sempre foram considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja, e juntar-se a essas associações permanece proibido pela Igreja”. Essa é uma reafirmação para evitar qualquer confusão?
O Magistério da Igreja não mudou em sua doutrina desde a primeira condenação por Clemente XII em 1738, mas sua atitude pastoral evoluiu. É parte de uma lógica promovida pelo Concílio Vaticano II, durante o qual a Igreja iniciou o caminho do diálogo com “todos os homens de boa vontade”, independentemente das suas opiniões ou crenças. Como recorda o Papa Francisco, a firmeza dos princípios pode acompanhar a benevolência para com aqueles que não os compartilham.
Se a Igreja reconhecesse a possibilidade de ser maçom e cristão, não seria um novo “campo de evangelização”?
Como cristãos, temos uma verdadeira missão de evangelização a realizar. A atração pela Maçonaria destaca algumas deficiências pastorais dentro da Igreja: insuficiência na formação doutrinal e moral dos cristãos, falta de interioridade e vida de oração, falta de fraternidade e lugares de reflexão ou compartilhamento, qualidade insuficiente em sua vida litúrgica e na expressão de sua ritualidade, que é tão rica, a necessidade de evangelização das elites… Tantas áreas para explorar e investir para trazer respostas eclesiais relevantes. Mas é na Igreja e para a Igreja que a evangelização é concebida e expressa através dos pobres instrumentos que somos. Podemos testemunhar a nossa fé somente recorrendo constantemente à fonte da graça divina que Cristo faz surgir continuamente em sua Igreja. É uma vida convertida que converte os outros. É a exemplaridade de uma vida tomada por Cristo que vem às suas expectativas mais profundas.
A maçonaria também é uma rede de influência e poder em muitos setores da sociedade. Apenas nesse ponto, por que não podemos nos juntar a um maçom?
O fim não justifica os meios, e o homem não deve trair suas convicções (e, para um cristão, o seu compromisso batismal) para o bem-estar material ou profissional. “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16,26). No discurso das bem-aventuranças (Mt 5,3-12), Jesus nos adverte que o cristão, que rema contra a corrente do “espírito do mundo”, será necessariamente “um sinal de contradição” (Lc 2,35). O Evangelho exige que nos juntemos ao mundo sem nos tornarmos do mundo, mas sim trazendo uma palavra profética crítica e cheia de misericórdia.
Que atitude você tem em relação aos maçons?
Várias atitudes parecem necessárias. Em primeiro lugar, não devemos nos concentrar no “enredo maçônico” exagerando a influência da Maçonaria, ou vê-la em todos os lugares. Em segundo lugar, não se pode subestimar a sua influência devido ao tamanho da sua rede. Muitos observaram que na França, em questões de sociedade, bioética, família ou escolas católicas, o programa das principais lojas maçônicas da França tinha sido parcialmente ou completamente realizado. Finalmente, não devemos demonizar os membros da Maçonaria: entre eles há muitas pessoas de integridade e generosidade qualificadas e comprometidas com o serviço do bem comum e com um genuíno humanismo. Os cristãos compartilham com eles os valores do progresso, humanismo e liberdade, e isso é o que nos permite dialogar na verdade e na caridade.



Agnès Pinard Legry