sábado, 12 de agosto de 2023

18ª Semana do Tempo Comum - A cura de um menino.

 Homem Cego de Nascença Fala do Poder Curador de Cristo

Primeira Leitura (Dt 6,4-13)

Leitura do Livro do Deuteronômio.

Moisés falou ao povo, dizendo: 4“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. 5Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. 6E trarás gravadas em teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. 7Tu as repetirás com insistência aos teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em tua casa, ou andando pelos caminhos, quando te deitares, ou te levantares.8Tu as prenderás como sinal em tua mão e as colocarás como um sinal entre os teus olhos; 9tu as escreverá nas entradas da tua casa e nas portas da tua cidade.

10Quando o Senhor te introduzir na terra que prometeu com juramento a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó, que te daria, com cidades grandes e belas que não edificaste, 11casas cheias de toda espécie de bens que não acumulaste, cisternas já escavadas que não cavaste, vinhas e oliveiras que não plantaste; e quando comeres e te fartares, 12então, cuida bem de não esqueceres o Senhor que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 13Temerás o Senhor teu Deus, a ele servirás e só pelo seu nome jurarás”.

- Palavra do Senhor. Graças a Deus.

Responsório Sl 17(18),2-3a.3bc-4.47 e 51ab (R. 2)

— Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.

— Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.

— Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, minha rocha, meu refúgio e Salvador! Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, minha força e poderosa salvação.

— Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, sois meu escudo e proteção: em vós espero! Invocarei o meu Senhor: a ele a glória! E dos meus perseguidores serei salvo!

— Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo! E louvado seja Deus, meu Salvador! Concedeis ao vosso rei grandes vitórias e mostrais misericórdia ao vosso Ungido.

Evangelho (Mt 17,14-20)

— Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis. (cf. 2Tm 1,10)

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15“Senhor, tem piedade de meu filho. Ele é epiléptico, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!”

17Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. 18Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. 19Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?”

20Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”.

— Palavra da Salvação — Glória a vós, Senhor.

 Reflexão

Estamos diante de um texto que nos revela o quanto é importante ter fé. Em Mateus encontramos muitas passagens em que Jesus insistentemente fala da necessidade de ter fé para operar curas e milagres.

“Quando eles chegaram perto da multidão, um homem aproximou-se dele e lhe disse, caindo de joelhos: Senhor, tem piedade de meu filho: ele é lunático e sofre muito; cai muitas vezes no fogo ou na água. Embora eu o tenha trazido a teus discípulos, ele não o puderam curar.

O próprio Jesus nos garante que se tivermos fé mesmo que seja bem pequenininha como uma semente de mostarda, poderemos fazer proezas, coisas que nos parecem impossíveis. Durante a nossa vida e no nosso dia a dia estamos sempre tendo oportunidade para exercitamos a fé que nós recebemos no nosso Batismo. Muitas pessoas que buscam a Jesus se aproximam de nós porque somos instrumentos do Seu amor e da Sua salvação.

A fé com que nós acolhemos o povo que é carente, doente, sofredor e que, por isso, precisa de Jesus é o termômetro para que tenhamos ou não sucesso no nosso ministério. Vale muito mais a fé com que nós oramos pelas pessoas do que mesmo aquilo que as pessoas esperam de nós. Somos apenas portadores da graça de Deus e precisamos acreditar que Ele age por meio de nós. Não podemos duvidar por que aí então o Senhor dirá também a cerca de nós: “Ó gente sem fé e perversa!”

Os discípulos de Jesus só poderão ajudar os homens a discernir a realidade(ouvir) e dizer a palavra transformadora (falar) se estiverem plenamente convictos de que Deus quer realizar uma sociedade justa. A oração exprime a união íntima com Deus e com o seu plano, porque Deus pode desalienar o homem, vencendo o mal.

Você acredita no poder de Jesus quando você ora por alguém? – A oração que você faz por alguém é em Nome de Jesus ou baseada na sua fraqueza humana? – Você tem tido coragem de orar pedindo cura e libertação para aqueles que se aproximam de você? – Por quem você precisa orar neste momento atual?

Pai, vem em meu auxílio e reforça minha fé a fim de que eu possa pôr em prática a missão recebida, realizando as tarefas que Jesus me confiou para o serviço do Reino.
 
 

Pe. Bantu Mendonça katchipwi Sayla

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Santa Clara, virgem - Memória - Amor com amor se paga.

 O milagre eucarístico de Santa Clara de Assis

Estes são os santos que receberam a bênção do Senhor e a misericórdia de Deus, seu salvador. É a geração dos que buscam a Deus (Sl 23,5s).

Clara nasceu na Itália em 1193 e lá faleceu em 1253. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver o ideal de pobreza de São Francisco de Assis. Com o espírito imerso na piedade, na penitência e na caridade, fundou a fraternidade feminina conhecida como Clarissas, cuja espiritualidade é voltada para a pobreza, a oração e a ajuda aos necessitados. Seu exemplo nos anime a ser, no mundo, um sinal visível da presença de Cristo.

Primeira Leitura: Deuteronômio 4,32-40

Leitura do livro do Deuteronômio – Moisés falou ao povo, dizendo: 32“Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, e investiga de um extremo ao outro dos céus se houve jamais um acontecimento tão grande ou se ouviu algo semelhante. 33Existe, porventura, algum povo que tenha ouvido a voz de Deus falando-lhe do meio do fogo, como tu ouviste, e tenha permanecido vivo? 34Ou terá vindo algum Deus escolher para si um povo entre as nações por meio de provações, de sinais e prodígios, por meio de combates, com mão forte e braço estendido, e por meio de grandes terrores, como tudo o que por ti o Senhor teu Deus fez no Egito, diante de teus próprios olhos? 35A ti foi dado ver tudo isso, para que reconheças que o Senhor é, na verdade, Deus e que não há outro Deus fora ele. 36Do céu, ele te fez ouvir sua voz para te instruir e, sobre a terra, te fez ver o seu grande fogo; e do meio do fogo ouviste suas palavras, 37porque amou teus pais e, depois deles, escolheu seus descendentes. Ele te fez sair do Egito por seu grande poder, 38para expulsar, diante de ti, nações maiores e mais fortes do que tu e para te introduzir na terra deles e dá-la a ti como herança, como tu estás vendo hoje. 39Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima do céu e cá embaixo na terra e que não há outro além dele. 40Guarda suas leis e seus mandamentos que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e vivas longos dias sobre a terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 76(77)

Penso em vossas maravilhas, ó Senhor!

1. Recordando os grandes feitos do passado, / vossos prodígios eu relembro, ó Senhor; / eu medito sobre as vossas maravilhas / e sobre as obras grandiosas que fizestes. – R.

2. São santos, ó Senhor, vossos caminhos! / Haverá deus que se compare ao nosso Deus? / Sois o Deus que operastes maravilhas, / vosso poder manifestastes entre os povos. – R.

3. Com vosso braço, redimistes vosso povo, / os filhos de Jacó e de José. / Como um rebanho, conduzistes vosso povo / e o guiastes por Moisés e Aarão. – R.

Evangelho: Mateus 16,24-28

Aleluia, aleluia, aleluia.

Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, / porque o Reino dos Céus há de ser deles! (Mt 5,10) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 24Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. 28Em verdade vos digo, alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com o seu Reino”. – Palavra da salvação.

Reflexão
 

Celebramos hoje a Memória de Santa Clara de Assis. O que levou esta mulher a se entregar completamente a Cristo pobre, seguindo os passos do poverello de Assis, São Francisco?

Para entender a entrega em que consiste a vida religiosa, há que compreender que, antes de tudo, existe uma profunda experiência do amor de Cristo.

Quando São Francisco de Assis fez a experiência do amor de Cristo, foi arrebatado por esse amor, e é exatamente essa experiência o que o levou a querer amar de volta. Por isso, na sociedade medieval, na qual a nobreza ainda tinha o seu fascínio e a burguesia começava a surgir, colocando no dinheiro toda a sua esperança e felicidade no mundo, São Francisco compreendeu que Deus, em sua majestade infinita, se humilhou e se fez pequenino.

Portanto, a majestade de Deus, nós a vemos no pequeno Menino da manjedoura, Jesus no presépio; a riqueza de Deus, nós a vemos na pobreza dos trapos do Menino Jesus. Daí o fascínio de Francisco de Assis por Jesus, que se esvaziou por amor a nós.

Pois bem, isso contagiou verdadeiramente a juventude da época, de forma tal, que levou seus companheiros e Clara a deixar tudo para viver por Cristo, para responder a Ele, o Esposo. Assim, Clara, junto com as clarissas, se fechou em clausura para se dedicar à vida de oração e de penitência, para se entregar em oblação de amor.

Quando o mundo vê a vida enclausurada das monjas clarissas, uma vida de penitência, de hábito rude, um burel grosseiro, quando o mundo olha para isso e diz: “Que triste!”, o diz porque não conhece a perfeita alegria, que consiste no fato de, pela experiência da fé, nos sabermos amados infinitamente pelo Deus que se fez pobre, se fez nada, se fez miserável por nós.

Como não amar de volta um amor assim? Há alegria em ter sido escolhido para o amar de volta! Há alegria em poder retribuir um pouco os favores do Esposo! Esse é o fascínio da vida das clarissas. Se não enxergamos a chama de amor que arde no coração de cada uma delas, dificilmente compreenderemos a vida que escolheram.

Por isso, neste dia de Santa Clara, façamos festa, porque Clara e suas filhas, ao longo dos séculos, têm respondido ao Amor.

São Francisco, que foi visto a chorar tantas vezes pelo seu irmão, Frei Leão, e dizer: “O Amor não é amado, o Amor não é amado”, certamente se sentia consolado de saber que um punhado de mulheres fechadas em clausura amava de volta aquele que nos amou infinitamente.

 

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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

São Lourenço, diácono e mártir.

 Martírio, a vocação do cristão

São Lourenço entregou-se a si mesmo ao serviço da Igreja. Foi digno de sofrer o martírio e de subir com alegria para junto do Senhor Jesus.

Lourenço nasceu na Itália em 225 e lá faleceu em 258. Prestou auxílio ao papa Sisto 2º e administrou os tesouros da Igreja. Quando se agravaram as perseguições contra os cristãos, recolheu todos os bens, vendeu-os e distribuiu o dinheiro aos mais necessitados. Seu nome é lembrado na 1ª Oração Eucarística. No exemplo desse mártir, padroeiro dos diáconos, busquemos as forças necessárias para enfrentar as adversidades do cotidiano.

Primeira Leitura: 2 Coríntios 9,6-10
 
Leitura da segunda carta de São Paulo aos Coríntios – Irmãos, 6“quem semeia pouco colherá também pouco, e quem semeia com largueza colherá também com largueza”. 7Dê cada um conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois Deus “ama quem dá com alegria”. 8Deus é poderoso para vos cumular de toda sorte de graças, para que, em tudo, tenhais sempre o necessário e ainda tenhais de sobra para toda obra boa, 9como está escrito: “Distribuiu generosamente, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre”. 10Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará o pão como alimento, ele mesmo multiplicará as vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 111(112)

Feliz o homem caridoso e prestativo.

1. Feliz o homem que respeita o Senhor / e que ama com carinho a sua lei! / Sua descendência será forte sobre a terra, / abençoada a geração dos homens retos! – R.

2. Feliz o homem caridoso e prestativo, / que resolve seus negócios com justiça. / Porque jamais vacilará o homem reto, / sua lembrança permanece eternamente! – R.

3. Ele não teme receber notícias más: / confiando em Deus, seu coração está seguro. / Seu coração está tranquilo e nada teme, / e confusos há de ver seus inimigos. – R.

4. Ele reparte com os pobres os seus bens, † permanece para sempre o bem que fez, / e crescerão a sua glória e seu poder. – R.

Evangelho: João 12,24-26

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aquele que me segue não caminha entre as trevas, / mas terá a luz da vida (Jo 8,12). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24″Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto. 25Quem se apega à sua vida perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Hoje, a Igreja celebra com os olhos postos na justiça e misericórdia divinas a festa de um de seus mais notórios mártires. São Lourenço, diácono em Roma durante as perseguições do imperador Valeriano, foi amigo e fiel servidor do Pontífice reinante à época, São Sisto II, assassinado por ódio à fé cristã três dias antes do seu santo companheiro. Nascido na província de Hispânia na primeira metade do século II d.C., Lourenço foi morto na Cidade Eterna em 258, com apenas 33 anos, idade bastante simbólica e expressiva para um espírito cheio de caridade como o dele, após ter sido obrigado a entregar às autoridades romanas as riquezas que a Igreja então possuía. Lourenço, para espanto dos que lhe haviam de tirar a vida, apresentou os grandes e verdadeiros tesouros que um cristão deve estimar: os pobres e os doentes, os mendigos e os desabrigados, as viúvas e os órfãos, todos enfim por cuja eterna salvação o Senhor derramou o próprio sangue.

Por causa disso, o imperador ordenou aos carrascos que, pondo-o sobre uma gralheira, matassem a Lourenço num braseiro ardente. Sustentado, porém, pelo Espírito Santo em meio a tão atroz suplício, São Lourenço, sem deixar de rezar por seus torturadores, pôde dizer-lhes com alegre simplicidade: "Virai-me, pois este lado já está bem assado". Rezemos, pois, a esta santa testemunha da única e vera fé; que São Lourenço, sempre fidelíssimo à sua função no Corpo de Cristo, implore ao Senhor que dê à madre Igreja ministros dignos e comprometidos com a verdade e que não receiem tudo dar e tudo padecer por amor ao Evangelho e a Jesus, vencedor da morte.

 
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quarta-feira, 9 de agosto de 2023

18ª Semana do Tempo Comum - Jesus e a mulher cananeia.

 Paróquia de Santo Antônio de Volta Redonda-RJ - UMA FÉ PERSEVERANTE Mt  15,21-28 Depois de Jesus ter andado a espalhar pela Galiléia junto dos seus  a chegada do Reino dos Céus, ele

Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, não tardeis mais (Sl 69,2.6).

Não raro as pessoas esquecem as maravilhas que Deus opera em seu benefício; então se rebelam contra ele ou dele se afastam. De nossa parte, busquemos com fé o socorro do Senhor em todo tempo e em qualquer circunstância.

Primeira Leitura: Números 13,1-2.25-14,1.26-30.34-35

Leitura do livro dos Números – Naqueles dias, 1o Senhor falou a Moisés no deserto de Farã, dizendo: 2“Envia alguns homens para explorar a terra de Canaã, que vou dar aos filhos de Israel. Enviarás um homem de cada tribo, e que todos sejam chefes”. 25Ao fim de quarenta dias, eles voltaram do reconhecimento do país 26e apresentaram-se a Moisés, a Aarão e a toda a comunidade dos filhos de Israel, em Cades, no deserto de Farã. E, falando a eles e a toda a comunidade, mostraram os frutos da terra 27e fizeram a sua narração, dizendo: “Entramos no país ao qual nos enviastes, que de fato é uma terra onde corre leite e mel, como se pode reconhecer por estes frutos. 28Porém, os habitantes são fortíssimos e as cidades, grandes e fortificadas. Vimos lá descendentes de Enac; 29os amalecitas vivem no deserto do Negueb; os hititas, jebuseus e amorreus, nas montanhas; mas os cananeus, na costa marítima e ao longo do Jordão”. 30Entretanto Caleb, para acalmar o povo revoltado, que se levantava contra Moisés, disse: “Subamos e conquistemos a terra, pois somos capazes de fazê-lo”. 31Mas os homens que tinham ido com ele disseram: “Não podemos enfrentar esse povo, porque é mais forte do que nós”. 32E, diante dos filhos de Israel, começaram a difamar a terra que haviam explorado, dizendo: “A terra que fomos explorar é uma terra que devora os seus habitantes: o povo que aí vimos é de estatura extraordinária. 33Lá vimos gigantes, filhos de Enac, da raça dos gigantes; comparados com eles, parecíamos gafanhotos”. 14,1Então, toda a comunidade começou a gritar e passou aquela noite chorando. 26O Senhor falou a Moisés e Aarão e disse: 27“Até quando vai murmurar contra mim esta comunidade perversa? Eu ouvi as queixas dos filhos de Israel. 28Dize-lhes, pois: ‘Por minha vida, diz o Senhor, juro que vos farei assim como vos ouvi dizer! 29Neste deserto ficarão estendidos os vossos cadáveres. Todos vós que fostes recenseados, da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim 30não entrareis na terra na qual jurei, com mão levantada, fazer-vos habitar, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. 34Carregareis vossa culpa durante quarenta anos, que correspondem aos quarenta dias em que explorastes a terra, isto é, um ano para cada dia; e experimentareis a minha vingança. 35Eu, o Senhor, assim como disse, assim o farei com toda essa comunidade perversa, que se insurgiu contra mim: nesta solidão será consumida e morrerá'”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 105(106)

Lembrai-vos de nós, ó Senhor, / segundo o amor para com vosso povo!

1. Pecamos como outrora nossos pais, / praticamos a maldade e fomos ímpios; / no Egito nossos pais não se importaram / com os vossos admiráveis grandes feitos. – R.

2. Mas bem depressa esqueceram suas obras, / não confiaram nos projetos do Senhor. / No deserto deram largas à cobiça, / na solidão eles tentaram o Senhor. – R.

3. Esqueceram-se do Deus que os salvara, / que fizera maravilhas no Egito; / no país de Cam fez tantas obras admiráveis, / no mar Vermelho, tantas coisas assombrosas. – R.

4. Até pensava em acabar com sua raça, / não se tivesse Moisés, o seu eleito, / interposto, intercedendo junto a ele, / para impedir que sua ira os destruísse. – R.

Evangelho: Mateus 15,21-28

Aleluia, aleluia, aleluia.

Um grande profeta surgiu entre nós / e Deus visitou o seu povo, aleluia (Lc 7,16). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 21Jesus retirou-se para a região de Tiro e Sidônia. 22Eis que uma mulher cananeia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!” 23Mas Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: “Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós”. 24Jesus respondeu: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel”. 25Mas a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus e começou a implorar: “Senhor, socorre-me!” 26Jesus lhe disse: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos”. 27A mulher insistiu: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!” 28Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!” E desde aquele momento sua filha ficou curada. – Palavra da salvação.

Reflexão
 

Hoje, o Evangelho nos coloca diante daquele belo e ao mesmo tempo desconcertante episódio em que uma piedosa mãe cananeia recorre confiadamente Àquele que é, por natureza, fonte de toda a piedade: belo, por um lado, porque retrata uma mulher que, com zelo materno, não receia reconhecer a sua condição de filha do Senhor; desconcertante, por outro, porque nos mostra a piedade de Cristo "resistir" de início à piedade daquela boa mãe. Apesar dos seus muitos apelos, diz-nos o Evangelista, Jesus "não lhe respondeu palavra nenhuma". Ora, qual a razão deste silêncio inicial? Por que só depois de muito insistir pôde aquela pagã conseguir do Senhor o favor que tanto Lhe vinha pedindo? Justamente por muito haver insistido; à "negativa" de Jesus ela soube responder com as virtudes que Ele, de sua parte, lhe pedia sem dizer palavra: fé e humildade. Fé, em primeiro lugar, na verdade do que há pouco lhe revelara o Mestre: "Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel"; humildade, por fim, ao saber de sua indignidade: "Os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!" Rebaixando-se, pois, à condição de cachorrinho, ela manifesta a confiança e a fidelidade típicas de um filho de Deus.

Essa passagem de São Mateus também nos recorda que, para termos uma autêntica vida espiritual, é imprescindível que nos rebaixemos com humildade diante de Deus. Para orarmos, e orarmos com proveito, temos de nos despojar da nossa vaidade, do nosso orgulho, do nosso apego às aparências, aos nossos próprios critérios. Gravemos bem na memória aquelas nunca assaz repetidas palavras da Escritura: "Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no tempo oportuno" (1 Pd 5, 5s; Tg 4, 6.10; Pr 3, 34). A exemplo dessa mãe cananeia, confiemos ao Coração amabilíssimo dAquele que tem cuidado de nossas preocupações (cf. 1 Pd 5, 7); façamo-lo, porém, não com a soberba dos que se pensam "credores" do Senhor, mas como quem, com espírito simples e confiante, sabe não ser mais do que um cachorrinho, que não tem direito de exigir do seu dono nem sequer as migalhas que caem de sua mesa. Que a Virgem Santíssima, Virgo fidelis, nos ajude por sua intercessão a ter retas disposições — de fé e humildade — em nossa vida corrente e, de modo bastante especial, em nossa vida de oração.

 

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terça-feira, 8 de agosto de 2023

São Domingos, presbítero - Santidade, uma obra da graça.

 Jesus Anda Sobre As Águas - Thaisa Fernandes

Estes são os santos que receberam a bênção do Senhor e a misericórdia de Deus, seu salvador. É a geração dos que buscam a Deus (Sl 23,5s).

Domingos nasceu na Espanha em 1170 e faleceu na Itália em 1221. Ordenado presbítero, dedicou-se aos estudos de filosofia e teologia e às práticas de piedade. Estudioso da Bíblia e grande pregador, fundou a Ordem dos Pregadores, os Dominicanos, com a finalidade de anunciar a Boa-nova ao mundo. Foi entusiasta da oração popular do rosário. A seu exemplo, proponhamo-nos anunciar, com coragem e dignidade, o Evangelho da salvação.

Primeira Leitura: Números 12,1-13

Leitura do livro dos Números – Naqueles dias, 1Maria e Aarão criticaram Moisés por causa de sua mulher etíope. 2E disseram: “Acaso o Senhor falou só através de Moisés? Não falou, também, por meio de nós?” E o Senhor ouviu isso. 3Moisés era um homem muito humilde, mais do que qualquer outro sobre a terra. 4Então o Senhor disse a Moisés, Aarão e Maria: “Ide todos os três à tenda da reunião”. E eles foram. 5O Senhor desceu na coluna de nuvem, parou à entrada da tenda e chamou Aarão e Maria. Quando se aproximaram, ele lhes disse: 6“Escutai minhas palavras! Se houver entre vós um profeta do Senhor, eu me revelarei a ele em visões e falarei com ele em sonhos. 7O mesmo, porém, não acontece com o meu servo Moisés, que é o mais fiel em toda a minha casa! 8Porque a ele eu falo face a face; é às claras, e não por figuras, que ele vê o Senhor! Como, pois, vos atreveis a rebaixar o meu servo Moisés?” 9E, indignado contra eles, o Senhor retirou-se. 10A nuvem que estava sobre a tenda afastou-se e, no mesmo instante, Maria se achou coberta de lepra, branca como a neve. Quando Aarão olhou para ela e a viu toda coberta de lepra, 11disse a Moisés: “Rogo-te, meu Senhor! Não nos faças pagar pelo pecado que tivemos a insensatez de cometer. 12Que Maria não fique como morta, como um aborto que é lançado fora do ventre de sua mãe, já com metade da carne consumida pela lepra”. 13Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Ó Deus, eu te suplico, dá-lhe a cura!” – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 50(51)

Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!

1. Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! / Na imensidão de vosso amor, purificai-me! / Lavai-me todo inteiro do pecado / e apagai completamente a minha culpa! – R.

2. Eu reconheço toda a minha iniquidade, / o meu pecado está sempre à minha frente. / Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, / e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! – R.

3. Mostrais assim quanto sois justo na sentença / e quanto é reto o julgamento que fazeis. / Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade / e pecador já minha mãe me concebeu. – R.

4. Criai em mim um coração que seja puro, / dai-me de novo um espírito decidido. / Ó Senhor, não me afasteis de vossa face / nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! – R.

Evangelho: Mateus 14,22-36

Aleluia, aleluia, aleluia.

Mestre, tu és o Filho de Deus, / és rei de Israel! (Jo 1,49) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Depois que a multidão comera até saciar-se, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram na barca, o vento se acalmou. 33Os que estavam na barca prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” 34Após a travessia, desembarcaram em Genesaré. 35Os habitantes daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a ele todos os doentes; 36e pediam que pudessem, ao menos, tocar a barra de sua veste. E todos os que a tocaram ficaram curados. – Palavra da salvação.

Reflexão

 Assistimos no Evangelho de hoje a S. Pedro, rocha firme da Igreja, afundar nas águas do mar de Tiberíades. O evangelista que nos narra essa cena algo “patética”, na qual se põe em evidência a ousadia nem sempre inteligente de Simão, é o mesmo que, dois capítulos à frente, recordará aquelas palavras elogiosas com que Jesus irá conferir a este filho de Jonas o primado de governo na Igreja então nascente: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18). Aqui, o Senhor louva a fé de Pedro, em quem a graça do Pai celeste, e não carne ou sangue (cf. Mt 16, 17), pôde realizar aquela confissão, à qual o Coração de Nosso Senhor jamais ficaria indiferente: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (Mt 16, 16). De um lado, portanto, vemos Jesus fundar a Igreja sobre Pedro, como sobre uma rocha firme e inamovível; de outro, vemos o mesmo Pedro naufragar vergonhosamente, por ser um “homem fraco na fé” (Mt 14, 31). Como entender, afinal, essa aparente discordância entre dois episódios tão próximos dentro da narrativa de S. Mateus? Pedro é ou não é firme na fé, a ponto de poder ser fundamento da Igreja de Cristo? Não, se o abandonamos às suas forças e ímpetos humanos; sim, quando o vemos abandonar-se à ação da graça divina. Porque a santidade de Pedro, assim como a dos outros santos, não é obra dos homens, mas de Deus. A graça, é verdade, não destrói a natureza; aperfeiçoa-a, tomando como substrato as virtudes naturais que com tempo e esforço todos podemos adquirir. Mas o heroísmo dos santos só é possível pela intervenção direta de Deus, que estende sua mão benfazeja aos que, apoiados em si mesmos, afundam no mar das próprias misérias e fraquezas, medos e desconfianças. Deus quer, pois, salvar-nos de nós mesmos; quer que o deixemos fazer de nós os santos, com a nossa cooperação e apesar do nosso nada, que Ele tanto deseja formar. Que os fracassos de Pedro, elevado por Cristo a tão alta dignidade, nos recordem as baixezas de que somos capazes sem o auxílio da graça: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5).

 

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