segunda-feira, 7 de agosto de 2023

18ª Semana do Tempo Comum - Cristo, o nosso maná.

 Milagres de Jesus - A multiplicação dos pães e peixes - YouTube

Primeira Leitura (Nm 11,4b-15)

Leitura do Livro dos Números.

Naqueles dias, 4bos filhos de Israel começaram a lamentar-se, dizendo: “Quem nos dará carne para comer? 5Vêm-nos à memória os peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos e os melões, as verduras, as cebolas e os alhos. 6Aqui nada tem gosto ao nosso paladar, não vemos outra coisa a não ser o maná”.

7O maná era parecido com a semente do coentro e amarelado como certa resina. 8O povo se dispersava para o recolher e o moía num moinho, ou socava num pilão. Depois o cozinhavam numa panela e faziam broas com gosto de pão amassado com azeite.

9À noite, quando o orvalho caía no acampamento, caía também o maná. 10Moisés ouviu, pois, o povo lamentar-se em cada família, cada um à entrada de sua tenda. 11Então o Senhor tomou-se de uma cólera violenta, e Moisés, achando também tal coisa intolerável, disse ao Senhor: “Por que maltrataste assim o teu povo? Por que gozo tão pouco do teu favor, a ponto de descarregares sobre mim o peso de todo este povo? 12Acaso fui eu quem concebeu e deu à luz todo este povo, para que me digas: ‘Carrega-o ao colo, como a ama costuma fazer com a criança; e leva-o à terra que juraste dar a seus pais!’? 13Onde conseguirei carne para dar a toda esta gente? Pois se lamentam contra mim, dizendo: ‘Dá-nos carne para comer!’ 14Já não posso suportar sozinho o peso de todo este povo: é grande demais para mim. 15Se queres continuar a tratar-me assim, peço-te que me tires a vida, se achei graça a teus olhos, para que eu não veja mais tamanha desgraça”.

- Palavra do Senhor.- Graças a Deus.

Responsório Sl 80(81),12-13.14-15.16-17 (R. 2a)

— Exultai no Senhor nossa força!

— Exultai no Senhor nossa força!

— Mas meu povo não ouviu a minha voz, Israel não quis saber de obedecer-me. Deixei, então, que eles seguissem seus caprichos, abandonei-os a seu duro coração.

— Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos! Seus inimigos, sem demora, humilharia e voltaria minha mão contra o opressor.

— Os que odeiam o Senhor o adulariam, seria este seu destino para sempre; eu lhe daria de comer a flor do trigo, e com o mel que sai da rocha o fartaria.

Evangelho (Mt 14,13-21) — Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— O homem não vive somente de pão mas de toda palavra da boca de Deus. (Mt 4,4b)
 

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. 14Ao sair da barca, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. 15Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” 16Jesus porém lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!” 17Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. 18Jesus disse: “Trazei-os aqui”. 19Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões. 20Todos comeram e ficaram satisfeitos, e dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios. 21E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

— Palavra da Salvação — Glória a vós, Senhor.

 Reflexão

Na primeira multiplicação dos pães (cf. Mc 6, 30-44; Lc 9, 10-17; Jo 6, 1-15), podemos perceber uma clara alusão ao episódio do Êxodo. De fato, assim como o povo de Israel, peregrinando pelo deserto em direção à terra prometida, não tinha o que comer e era alimentado pelo maná que Deus fazia cair do céu (cf. Ex 16, 14s), assim também nós, peregrinos neste mundo, dirigimo-nos à pátria celeste e, até lá chegarmos, precisamos ser sustentados e fortalecidos pelo pão da vida (cf. Jo 6, 35). A nossa existência nesta terra, com efeito, não é mais do que uma travessia — uma Páscoa —, e o alimento de que necessitamos para chegar inteiros ao termo da viagem, só o podemos receber daqueles a quem o Senhor disse: "Dai-lhe vós mesmos de comer", ou seja, dos sacerdotes, capazes de confeccionar o sacramento da Eucaristia. Nestas palavras, pois, vemos em que consiste a principal missão de um padre: alimentar com o Corpo de Cristo os que deu à luz no Batismo e curou na Confissão.

O Senhor, cuja Igreja é uma família bem ordenada, em que os que estão em baixo obedecem aos que estão em cima, e estes vivem para servir aqueles, deu aos que participam de seu sacerdócio o encargo de dar de comer aos fiéis o pão do caminho — o viático —, para não desfalecerem enquanto se dirigem à casa do Pai. Mas para que este pão, alimento da alma, seja verdadeira refeição espiritual e produza em nós todo o seu efeito, temos de o receber com as disposições adequadas e, acima de tudo, com uma fé viva, transida de adoração e gratidão por aquele que, embora oculto sob as espécies sacramentais, está nele realmente presente, como Deus e homem verdadeiro, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Procuremos, pois, com todo o nosso empenho fazer da comunhão um encontro íntimo e frutuoso com o Ressuscitado. Não desperdicemos o tempo em que o temos dentro de nós com distrações e conversas fúteis. Recolhidos e prostrados aos seus pés, rendamos-lhe a devida ação de graças e deixemo-nos abrasar pelo fogo de seu Coração Eucarístico.

 

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domingo, 6 de agosto de 2023

Festa da Transfiguração do Senhor.

 Por causa de um certo Reino: REFLEXÃO PARA A FESTA DA TRANSFIGURAÇÃO DO  SENHOR (MATEUS 17,1-9)

 O Espírito Santo apareceu na nuvem luminosa, e a voz do Pai se fez ouvir: Este é o meu Filho amado, nele depositei todo o meu amor. Escutai-o (Mt 17,5).

No monte Tabor, Jesus se manifesta aos discípulos em todo o esplendor de sua vida divina, antecipando a glória de sua ressurreição. Nesta festa, somos convidados a nos deixarmos alcançar pela face luminosa do Filho amado de Deus, a ouvir sua voz e seguir seus passos. Na primeira semana deste mês vocacional, recordamos a vocação para o ministério ordenado: diáconos, padres e bispos. Celebremos em gratidão pelo nosso pároco e por todos os padres, neste seu dia, tendo presente também a Jornada Mundial da Juventude, que se encerra hoje em Portugal.

Primeira Leitura: Daniel 7,9-10.13-14

Leitura da profecia de Daniel – 9Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. 13Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 96(97)

Deus é rei, é o Altíssimo, / muito acima do universo.

1. Deus é rei! Exulte a terra de alegria, / e as ilhas numerosas rejubilem! / Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, / que se apoia na justiça e no direito. – R.

2. As montanhas se derretem como cera / ante a face do Senhor de toda a terra; / e assim proclama o céu sua justiça, / todos os povos podem ver a sua glória. – R.

3. Porque vós sois o Altíssimo, Senhor, † muito acima do universo que criastes, / e de muito superais todos os deuses. – R.

Segunda Leitura: 2 Pedro 1,16-19

Leitura da segunda carta de São Pedro – Caríssimos, 16não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas, sim, por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Efetivamente, ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando do seio da esplêndida glória se fez ouvir aquela voz que dizia: “Este é o meu Filho bem-amado, no qual ponho o meu benquerer”. 18Esta voz, nós a ouvimos, vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo. 19E assim se nos tornou ainda mais firme a palavra da profecia, que fazeis bem em ter diante dos olhos, como lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Mateus 17,1-9

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eis meu Filho muito amado, nele está meu benquerer, / escutai-o, todos vós! (Mt 17,5). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 1Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 5Pedro ainda estava falando quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” 6Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”. 8Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do homem tenha ressuscitado dos mortos”. – Palavra da salvação.

Reflexão

 Circunstâncias (Mt 17, 1; Mc 9, 2; Lc 9, 28). — V. 1. Seis dias depois do colóquio com os discípulos em Cesaréia de Filipe, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, seu irmão, os mesmos que admitira como testemunhas da ressurreição da filha de Jairo (cf. Mc 5, 37; Lc 8, 51) e havia de admitir na agonia do Horto (cf. Mt 26, 37). Quanto ao número de dias, estão de acordo Mateus e Marcos, mas Lucas escreve: Passados uns oito dias, o que alguns explicam dizendo que o evangelista numera o termo a quo e o termo ad quem, enquanto os outros não. Talvez o mais adequado seja dizer, com Maldonado, que Lucas não indica o tempo de maneira precisa, mas confusa, e por isso diz “uns”, isto é, “cerca de”.

E os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha, para que Ele se entregasse à oração e eles contemplassem a sua glória. Muito disputam os autores sobre o monte em que se deram estes acontecimentos. — a) Uma antiga tradição, de que são testemunhas Orígenes (cf. In Ps. 88, 13: PL 12, 1547), S. Cirilo de Jerusalém (cf. Catech. 12, 16: PL 33, 744), S. Jerônimo (Epist. 46, 12 e 108, 13: PL 22, 491) etc., afirma que se trata do monte Tabor (hoje Djebel el-Tor, a 321m acima da planície circundante e 615m acima do Mar Mediterrâneo), opinião defendida ainda hoje por bons autores [1]. — b) Há no entanto quem rejeite esta tradição como infundada e opine que o monte da Transfiguração foi algum cômoro do Antilíbano ou, mais provavelmente, o grande Hérmon (hoje Djebel el-Sheikh) [2]. As principais razões em que se baseia esta sentença são: 1.ª) segundo Políbio (Hist. V 70, 6), no tempo de Antíoco, o Grande, em 218 a.C., no sopé do monte Tabor (Itabyrium ou Atabyrium) havia uma cidade, que Antíoco conquistara e fortificara. Embora não seja certo que ela ainda existisse no tempo de Cristo, Flávio Josefo (cf. Bell. jud. IV 1, 8) afirma que, no ano 67 d.C., havia ali uma planície amuralhada e habitantes que “não tinham outra água além da chuva”. Isso porém não parece concordar com a narração evangélica, que supõe um lugar deserto. 2.ª) Os evangelistas situam o fato da Transfiguração imediatamente após o colóquio em Cesaréia de Filipe, sem fazer menção alguma a um possível retorno à Galiléia; sinal, portanto, de que tanto uma coisa com outra aconteceram na mesma região.

Resposta: Estas razões não têm peso suficiente para obrigar-nos a rejeitar a tradição. Com efeito, à 1.ª pode-se muito bem responder que Flávio Josefo, na obra citada e em sua Vita, não chama ao Tabor nem “cidade” nem “aldeia”, nomes com que designa, nas mesmas passagens, outros locais habitados, mas “monte”. Além disso, não seria de estranhar que, em tempos de rebelião, os habitantes daquela zona o tenham-se refugiado no topo do monte, nas ruínas de uma antiga cidade. A melhor resposta à 2.ª é que Cristo e seus discípulos poderiam, sem nenhum dificuldade, ter percorrido o caminho de volta num espaço de seis dias; de fato, os próprios evangelistas parecem supor que Cristo estava retornando à Galiléia, já que o descrevem, ao descer do monte, rodeado de turbas e escribas (cf. Mt 17, 14; Mc 9, 14; Lc 9, 37) e, ao sair dali, já percorrendo a Galileia (cf. Mt 17, 21; Mc 9, 28).

2. Cristo se transfigura (cf. Mt 17, 2-9; Mc 9, 3-9; Lc 9, 29-36). — V. 2. E foi transfigurado (μετεμορφώθη) diante deles (Lucas diz: Enquanto orava, transformou-se o seu rosto); como tenha sido essa transmutação, declara-se logo em seguida: O seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como neve (em grego, ὡς τὸ φῶς: como luz), isto é, apareceu envolto de claridade celeste. — É mais vívida a descrição de Marcos: Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas.

V. 3. Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Lucas acrescenta: Que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele (τὴν ἔξοδον αὐτοῦ), isto é, do êxodo ou partida dele deste mundo, pela morte, ressurreição e ascensão, que se havia de cumprir em Jerusalém, isto é, falavam da morte de Cristo como fim e complemento da Lei e dos Profetas. “Por Moisés é significada a Lei, por Elias são significados os Profetas, pelo Senhor é significado o Evangelho: Cristo apareceu, pois, entre Moisés e Elias, como se o Evangelho fôra confirmado pela Lei e os Profetas” (S. Agostinho, In Joan., tract. XVII, 3). Lucas complementa a narração: Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono (donde talvez se possa inferir que tudo sucedera à noite); ao despertarem (διαγρηγορήσαντες, isto é, resistindo ainda ao sono, ou acordados do sono), viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia.

V. 4. Então Pedro, sem saber o que dizia (cf. Lc 9, 33), isto é, fora de si por causa de grande alegria, tomou a palavra e disse: Senhor, é bom, isto é, grato e prazeroso, ficarmos aqui. Se queres, vamos fazer (em grego, ποιήσω: vou fazer) aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias, para nos deliciarmos sem cessar com este espetáculo, ou para que ponhas neste monte, com Moisés e Elias, o trono de tua glória. De resto, com efeito, não seria difícil construir as tendas com ramos de terebinto e carvalho, abundantes no monte Tabor. — Nota S. Marcos que os Apóstolos estavam sobremaneira atemorizados, isto é, com aquela reverência e aquele pavor de que são tomados os homens ao verem coisas extraordinárias. Tal pavor, contudo, não excluía a alegria e o gozo.

V. 5. Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa, sinal e símbolo da presença divina (cf. Ex 16, 10; 19, 9.16 etc.), os cobriu, a saber: a Jesus, Moisés e Elias, tirando-os da vista dos Apóstolos, com sua sombra; e da nuvem uma voz dizia: Este é o meu Filho amado [3], no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o, isto é, obedecei-lhe como Legislador e crede nele como Mestre.

V. 6-8. Aterrorizados pela aparição da nuvem e pelo som da voz celeste, caíram os Apóstolos com o rosto em terra, até que Jesus se aproximasse e os tocasse com a mão, como também nós fazemos quando desejamos acordar alguém sonolento. Tendo os discípulos voltado a si, desapareceu a visão celeste e, olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Os Apóstolos então ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus.

V. 9. Ao descerem do monte, Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém, provavelmente nem aos demais Apóstolos, o que viram antes da Ressurreição: até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos. A proibição de divulgar este fato tem o mesmo motivo que outras ordens semelhantes de Cristo após a realização de um milagre, isto é, para não acirrar ainda mais o ânimo de seus inimigos e evitar que o povo o procure mais pelo desejo de ver maravilhas que pela doutrina da salvação.

Marcos nota que os discípulos não entenderam o que queria dizer: ser ressuscitado dentre os mortos.

Reflexão. — 1) Por que Cristo quis transfigurar-se? a) Para corroborar em nós a fé na Ressurreição. b) Para erguer e confirmar nossa esperança. c) Para acender em nós o fogo da caridade divina. d) Para consolar com a luz da glória a sua Igreja, peregrina pelas trevas do mundo. e) Para mostrar-nos quem de fato Ele é: Deus encarnado. f) Para dar ao seu Corpo místico ocasião de festa e alegria espirituais, muito distintas dos excessos e bacanais do mundo. — 2) As quatro transfigurações do homem: a) a desfiguração, do estado de graça para o de pecado; b) a recriação, do estado de pecado para o de graça; c) a condenação, dos prazeres do mundo para os suplícios da geena; d) e a glorificação, das misérias desta vida para o descanso da pátria celeste [4].

Referências

  1. Na Igreja grega, a festa da Transfiguração (6 de ago.) é conhecida como τὸ θαβώριον.
  2. Assim pensavam Calmet, Patrizi, Fillion, Le Camus, Plummer etc.
  3. Cristo é Filho de Deus não somente κατ’ εξοχήν, isto é, por excelência ou mais do que os outros (pela plenitude infinita da graça habitual), mas também por ser Filho único, unigênito, por consubstancialidade, como sempre entendeu a Tradição e claramente se deduz da aposição de “amado” (dilectus, ὁ ἀγαπητός = caríssimo, termo com que a Septuaginta frequentemente traduz o hebraico יָחִיד, “único” (cf. Gn 22, 2.12.16; Jr 6, 26; Am 8, 10; Zc 12, 10; Pr 4, 3); é, portanto, Filho natural, eterno, único, coigual.
  4. Esta homilia é uma tradução levemente adaptada de H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 4.ª ed., iterum recognita a J. Prado. Marietti, 1930, vol. 1, pp. 403–405, n. 280–281.

sábado, 5 de agosto de 2023

17ª Semana do Tempo Comum - “É João Batista, que ressuscitou dos mortos!”

 PE. JOÃO CARLOS - BLOG DA MEDITAÇÃO DA PALAVRA: O MEDO NÃO PODE NOS  PARALISAR

Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa; é ele que dá força e poder a seu povo (Sl 67,6s.36).

Deus se preocupa com o bem-estar de seus filhos e filhas e os quer livres e libertos de todo sistema e poder promotores de morte. Podemos unir-nos ao salmista, que engrandece o Senhor, proclamando: “Os povos governais com retidão e guiais, em toda a terra, as nações”.

Primeira Leitura: Levítico 25,1.8-17

Leitura do livro do Levítico – 1O Senhor falou a Moisés no monte Sinai, dizendo: 8“Contarás sete semanas de anos, ou seja, sete vezes sete anos, o que dará quarenta e nove anos. 9Então farás soar a trombeta no décimo dia do sétimo mês. No dia da Expiação, fareis soar a trombeta por todo o país. 10Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação para todos os habitantes do país: será para vós um jubileu. Cada um de vós poderá retornar à sua propriedade e voltar para a sua família. 11O quinquagésimo ano será para vós um ano de jubileu: não semeareis, nem colhereis o que a terra produzir espontaneamente, nem colhereis as uvas da vinha não podada; 12pois é um ano de jubileu, sagrado para vós, mas podereis comer o que produziram os campos não cultivados. 13Nesse ano de jubileu, cada um poderá retornar à sua propriedade. 14Se venderes ao teu conterrâneo ou dele comprares alguma coisa, que ninguém explore o seu irmão; 15de acordo com o número de anos decorridos após o jubileu, o teu conterrâneo fixará para ti o preço de compra e, de acordo com os anos de colheita, ele fixará o preço de venda. 16Quanto maior o número de anos que restarem após o jubileu, tanto maior será o preço da terra; quanto menor o número de anos, tanto menor será o seu preço, pois ele te vende de acordo com o número de colheitas. 17Não vos leseis uns aos outros entre irmãos, mas temei o vosso Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 66(67)

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, / que todas as nações vos glorifiquem.

1. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, / e sua face resplandeça sobre nós! / Que na terra se conheça o seu caminho / e a sua salvação por entre os povos. – R.

2. Exulte de alegria a terra inteira, / pois julgais o universo com justiça; / os povos governais com retidão / e guiais, em toda a terra, as nações. – R.

3. A terra produziu sua colheita: / o Senhor e nosso Deus nos abençoa. / Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, / e o respeitem os confins de toda a terra! – R.

Evangelho: Mateus 14,1-12

Aleluia, aleluia, aleluia.

Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, / porque o Reino dos Céus há de ser deles! (Mt 5,10) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – 1Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. 2Ele disse a seus servidores: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”. 3De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. 4Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. 5Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. 6Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos e agradou tanto a Herodes, 7que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. 8Instigada pela mãe, ela disse: “Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”. 9O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. 10E mandou cortar a cabeça de João no cárcere. 11Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça, e esta a levou para a sua mãe. 12Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus. – Palavra da salvação.

Reflexão
 
 No Evangelho de hoje, S. Mateus introduz, no meio de sua narrativa do ministério galilaico de Cristo, uma reminiscência sobre a ocasião em que foi assassinado o Precursor do Messias. Jesus estava pregando o Evangelho e realizando milagres em diversas cidades, e a sua fama, que se estendia a passos rápidos, começou a levar as pessoas a se perguntarem pela identidade do novo profeta. Também Herodes ouviu falar dos feitos de Jesus e, atormentado pelo remorso de haver mandado matar S. João Batista, começa a delirar pensando que este voltara dos mortos para se vingar. Mais por fraqueza do que por impiedade, Herodes assassinou o Precursor de Cristo, e é por isto que noutra ocasião o Senhor lhe chama raposa, indicando assim que o patético tetrarca possuía uma ira cruel, mas traiçoeira, porque lhe faltava coragem de enfrentar o inimigo. Como as raposas, Herodes age sorrateiramente, à socapa, e foi por ser traiçoeiro que ele mesmo acabou caindo numa armadilha, montada por Herodíades para que ele se visse no impasse de decidir entre desonrar-se diante da corte ou fazer o que lhe pedia a mulher. João Batista, com efeito, não foi morto porque Herodes quisesse livrar-se dele, mas porque Herodes amava mais a própria imagem do que a justiça e a vida dos outros. Herodes é fraco como as raposas, pois não tem força interior para encarar a verdade sobre si mesmo e decidir-se por ela; não consegue dar o passo doloroso de reconhecer o próprio pecado e dispor-se a mudar, por ter finalmente enxergado a miséria em que vive. São como ele, infelizmente, os que adiam sua conversão ou não chegam nunca a converter-se. Somos como ele quando urdimos pretextos para atenuar as nossas faltas, e não é de espantar que, com consciência assim tão agravada, passemos a ser assombrados pelos fantasmas dos nossos pecados, que nos lembram dia e noite que, se não nos convertermos enquanto temos tempo, morreremos com eles para toda a eternidade: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos!”
 
 
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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

São João Maria Vianney - São João Maria Vianney é uma resposta do Céu!

 São João Maria Batista Vianney - Carisma - Franciscanos Carisma - Província  Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com inteligência e sabedoria (Jr 3,15).

João Maria nasceu na França em 1786 e lá faleceu em 1859. Ordenado presbítero, foi enviado à aldeia de Ars, onde se tornou imagem viva do Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Dedicou-se à pregação e à conversão não somente junto a seus conterrâneos, mas também em favor de outras regiões, cujos habitantes compareciam para ouvir suas orientações e dele receber o sacramento do perdão. Foi proclamado pela Igreja padroeiro dos sacerdotes. A celebração de sua memória nos anime a vivenciar os valores cristãos na família e na sociedade.

Primeira Leitura: Levítico 23,1.4-11.15-16.27.34-37

Leitura do livro do Levítico – 1O Senhor falou a Moisés, dizendo: 4“São estas as solenidades do Senhor em que convocareis santas assembleias no devido tempo: 5no dia catorze do primeiro mês, ao entardecer, é a Páscoa do Senhor. 6No dia quinze do mesmo mês é a festa dos Ázimos, em honra do Senhor. Durante sete dias comereis pães ázimos. 7No primeiro dia, tereis uma santa assembleia, não fareis nenhum trabalho servil; 8oferecereis ao Senhor sacrifícios pelo fogo durante sete dias. No sétimo dia haverá uma santa assembleia, e não fareis também nenhum trabalho servil”. 9O Senhor falou a Moisés, dizendo: 10“Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: ‘Quando tiverdes entrado na terra que vos darei e tiverdes feito a colheita, levareis ao sacerdote um feixe de espigas como primeiros frutos da vossa colheita. 11O sacerdote elevará esse feixe de espigas diante do Senhor, para que ele vos seja favorável: e fará isso no dia seguinte ao sábado. 15A partir do dia seguinte ao sábado, desde o dia em que tiverdes trazido o feixe de espigas para ser apresentado, contareis sete semanas completas. 16Contareis cinquenta dias até o dia seguinte ao sétimo sábado e apresentareis ao Senhor uma nova oferta. 27O décimo dia do sétimo mês é o dia da Expiação. Nele tereis uma santa assembleia, jejuareis e oferecereis ao Senhor um sacrifício pelo fogo. 34No dia quinze desse sétimo mês, começa a festa das Tendas, que dura sete dias, em honra do Senhor. 35No primeiro dia haverá uma santa assembleia e não fareis nenhum trabalho servil. 36Durante sete dias oferecereis ao Senhor sacrifícios pelo fogo. No oitavo dia, tereis uma santa assembleia e oferecereis ao Senhor um sacrifício pelo fogo. É dia de reunião festiva: não fareis nenhum trabalho servil. 37Estas são as solenidades do Senhor, nas quais convocareis santas assembleias para oferecer ao Senhor sacrifícios pelo fogo, holocaustos e oblações, vítimas e libações, cada qual no dia prescrito'”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 80(81)

Exultai no Senhor, nossa força.

1. Cantai salmos, tocai tamborim, / harpa e lira suaves tocai! / Na lua nova soai a trombeta, / na lua cheia, na festa solene! – R.

2. Porque isso é costume em Jacó, / um preceito do Deus de Israel; / uma lei que foi dada a José / quando o povo saiu do Egito. – R.

3. Em teu meio não exista um deus estranho, / nem adores a um deus desconhecido! / Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, / que da terra do Egito te arranquei. – R.

Evangelho: Mateus 13,54-58

Aleluia, aleluia, aleluia.

A Palavra do Senhor permanece eternamente, / e esta é a Palavra que vos foi anunciada (1Pd 1,25). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 54dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? 55Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?” 57E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” 58E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé. – Palavra da salvação.

Reflexão

Celebramos hoje a Memória do extraordinário Cura d’Ars, São João Maria Vianney, o Padroeiro dos párocos. Por que a Igreja escolheu este homem para ser o Padroeiro dos párocos, quando existiram milhares de sacerdotes santos ao longo desses dois mil anos de Igreja? Porque São João Maria Vianney é um raio de luz no meio das trevas que inauguraram os tempos modernos.

Sim, o mundo como nós o conhecemos foi moldado pela Revolução Francesa, e São João Maria Vianney é uma resposta do Céu a esta revolução.

Em que sentido? O mundo da Revolução Francesa é um mundo que se tornou cada vez mais materialista, ou seja, a resposta para a felicidade do homem está aqui nesta terra; Deus é alienação, simplesmente uma fábula, uma ideologia, um “jogo linguístico” — diríamos nós hoje — para escravizar as pessoas. Assim, vemos que as pessoas começam a se comportar como animais.

Ars, à qual São João Maria Vianney chegou, uma cidade abandonada, sem cuidado pastoral nem padres, era verdadeiramente um lugar em que as pessoas estavam reduzidas à animalidade muito mais do que nós possamos suspeitar. Então, qual foi a resposta de São João Maria Vianney? Alguns de nós responderiam com manifestações de poder, através de propaganda, de palavras de ordem, de força, de “ideologia contra ideologia”.

Não foi isso o que São João Maria Vianney fez. Ele simplesmente viveu o Evangelho na sua radicalidade. O verdadeiro sacerdote católico compreende que, se quiser ser sacerdote, só pode sê-lo como Jesus o foi, a saber, sendo vítima. Sim, São João Maria Vianney se ofereceu a Deus em sacrifício e penitências, em obras de amor e caridade aos pobres, num engajamento de sua própria pessoa, oferecida em holocausto a Deus pela salvação das almas.

Nós, certamente, diante de outra Revolução Francesa, que tratasse a Igreja como uma instituição de poder, estimularíamos a luta pelo poder. A resposta de São João Maria Vianney, porém, é a resposta de Cristo: ao invés de se manifestar como um sacerdócio de poder, ele se manifesta como um sacerdote que é vítima.

O Concílio Vaticano II tentou responder a essas acusações de que a Igreja quer poder e de que o sacerdócio é um instrumento de poder; mas a resposta não é a que alguns miseravelmente dão, não por causa do Concílio, mas por sua própria conta: laicizar os padres, transformando-os em funcionários públicos, leigos iguais aos outros.

A resposta aos que acusam a Igreja de ser uma instituição de poder é mostrar que, sim, nós temos um poder, mas é o poder da Cruz; nós temos um poder, mas é o poder de quem ama até o desprezo de si mesmo, de quem ama a Deus e assim consegue edificar a única cidade que é objeto de missão da Igreja, a cidade do Céu.

Santo Agostinho dizia com toda a clareza que existem duas cidades: uma que vai do amor de si até o desprezo de Deus (que é justamente a que Revolução Francesa e o mundo moderno buscaram edificar); e outra, a cidade do Céu, edificada por São João Maria Vianney, que parte do desprezo de si, porque é nele que está fundado o amor de Deus: do amor de Deus até o desprezo de si mesmo.

Eis aí como ele, sacerdote e vítima, entregou-se com uma eficácia tremenda, a tal ponto que o governo francês obrigou-se a construir uma estrada de ferro para levar os milhares de peregrinos que iam até a desconhecida Ars. Para ver o quê? Um padre santo, que se oferecia como vítima a Deus.

 

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quarta-feira, 2 de agosto de 2023

17ª Semana do Tempo Comum - A pérola de grande valor.

 Icona Cristo Libro chiuso dipinta a mano 22x30 cm - 1300062 -  Russoraffaele.it

Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa; é ele que dá força e poder a seu povo (Sl 67,6s.36).

A luz que brilha no rosto de Moisés é imagem de outra, mais perene, que resplandece na face de Cristo, doador do Reino. Deixemo-nos banhar pelo conforto da luz do Senhor que nos vem da Palavra e da Eucaristia.

Primeira Leitura: Êxodo 34,29-35

Leitura do livro do Êxodo – 29Quando Moisés desceu da montanha do Sinai, trazendo nas mãos as duas tábuas da Aliança, não sabia que a pele do seu rosto resplandecia por ter falado com o Senhor. 30Aarão e os filhos de Israel, vendo o rosto de Moisés resplandecente, tiveram medo de se aproximar. 31Então Moisés os chamou, e tanto Aarão como os chefes da comunidade foram para junto dele. E, depois que lhes falou, 32todos os filhos de Israel também se aproximaram dele, e Moisés transmitiu-lhes todas as ordens que tinha recebido do Senhor no monte Sinai. 33Quando Moisés acabou de lhes falar, cobriu o rosto com um véu. 34Todas as vezes que Moisés se apresentava ao Senhor para falar com ele, retirava o véu, até a hora de sair; depois saía e dizia aos filhos de Israel tudo o que lhe tinha sido ordenado. 35E eles viam a pele do rosto de Moisés resplandecer; mas ele voltava a cobrir o rosto com o véu, até o momento em que entrava para falar com o Senhor. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 98(99)

Santo é o Senhor nosso Deus!

1. Exaltai o Senhor nosso Deus † e prostrai-vos perante seus pés, / pois é santo o Senhor nosso Deus! – R.

2. Eis Moisés e Aarão entre os seus sacerdotes. † E também Samuel invocava seu nome, / e ele mesmo, o Senhor, os ouvia. – R.

3. Da coluna de nuvem falava com eles. † E guardavam a lei e os preceitos divinos / que o Senhor nosso Deus tinha dado. – R.

4. Exaltai o Senhor nosso Deus † e prostrai-vos perante seu monte, / pois é santo o Senhor nosso Deus! – R.

Evangelho: Mateus 13,44-46

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu vos chamo meus amigos, / pois vos dei a conhecer o que o Pai me revelou (Jo 15,15). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44“O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 45O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. 46Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola”. – Palavra da salvação.

Reflexão

No Evangelho de hoje, o Senhor estabelece duas belas comparações com o Reino dos Céus: ele é como um tesouro escondido no campo e como uma pérola de grande valor. Um detalhe importante que não podemos deixar despercebido é o fato de Jesus dirigir estas palavras, não às multidões, como está escrito no Lecionário, mas aos discípulos. É o próprio Evangelista quem o nota, quando escreve pouco versículos antes que o Senhor, tendo despedido a turba, entrou em casa, e seus discípulos agruparam-se ao redor dEle para perguntar-Lhe privadamente o sentido da parábola do joio no campo (cf. Mt 13, 36). Ele, que falava ao povo por meio de figuras (cf. Mt 13, 34), explica tudo de forma clara e aberta aos que O seguem de perto, visto que já começaram a crer como convém e a conhecê-lO na intimidade. É por isto, aliás, que depois de estabelecer as duas comparações referidas acima, Ele pergunta aos discípulos: "Compreendestes tudo isto?", que Lhe respondem sem demora: "Sim, Senhor" (Mt 13, 51).

Pois os que se aproximam de Cristo de coração sincero e se deixam iluminar pela fé tornam-se capazes, como escribas instruídos nas coisas do Reino dos Céus (cf. Mt 13, 52), de enxergar a presença do Senhor em cada passagem das Sagradas Escrituras; vêem-nO escondido em todo o Antigo Testamento, como um tesouro enterrado no campo, e O reconhecem como uma jóia de inestimável valor, pela qual vale a pena entregar tudo com alegria. Peçamos-Lhe hoje o dom da fé e a graça de O termos sempre bem perto, como um Amigo íntimo, a fim de podermos dizer um dia com São Paulo: "Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com Ele" (Fl 3, 8). Façamos também nesta quarta-feira o propósito de dedicarmos a partir de hoje um pouco mais de tempo à oração pessoal, na qual temos a alegria de encontrar-nos com Aquele que tem direito ao nosso amor e à nossa atenção contínua.

 

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