domingo, 9 de abril de 2023

Domingo da Páscoa - Ressurreição do Senhor.

 Evangelho de hoje - (Jo 20, 2-28) - Egídio Serpa | Egídio Serpa - Diário do  Nordeste

(branco, glória, sequência, creio, prefácio da Páscoa I – 1ª semana do saltério)

Ressuscitei, ó Pai, e sempre estou contigo: pousaste sobre mim a tua mão, tua sabedoria é admirável, aleluia! (Sl 138,18.5s).

Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos, celebrando o acontecimento central de nossa fé: a ressurreição de Cristo. Vencedor da morte, Jesus permanece conosco para sempre. A Eucaristia é para nós, que acreditamos, a força para testemunhar ao mundo a vida nova que recebemos do Ressuscitado.

Primeira Leitura: Atos 10,34.37-43

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: 37“Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: 38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele. 39E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz. 40Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se 41não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos. 42E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu juiz dos vivos e dos mortos. 43Todos os profetas dão testemunho dele: ‘Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados'”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 117(118)

Este é o dia que o Senhor fez para nós: / alegremo-nos e nele exultemos!

1. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! / “Eterna é a sua misericórdia!” / A casa de Israel agora o diga: / “Eterna é a sua misericórdia!” – R.

2. A mão direita do Senhor fez maravilhas, / a mão direita do Senhor me levantou. / Não morrerei, mas, ao contrário, viverei / para cantar as grandes obras do Senhor! – R.

3. A pedra que os pedreiros rejeitaram / tornou-se agora a pedra angular. / Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: / que maravilhas ele fez a nossos olhos! – R.

Segunda Leitura: Colossenses 3,1-4

Leitura da carta de São Paulo aos Colossenses – Irmãos, 1se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, 2onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. 3Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. 4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. – Palavra do Senhor.

Evangelho: João 20,1-9

Aleluia, aleluia, aleluia.

O nosso Cordeiro pascal, / Jesus Cristo, já foi imolado. / Celebremos, assim, esta festa / na sinceridade e verdade (1Cor 5,7s). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. 3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. 6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. 9De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos. – Palavra da salvação.

Reflexão

Não é possível compreender o que é a salvação que celebramos na Páscoa, sem antes entendermos a perdição em que entrou o homem pelo pecado. Não se pode entender a dinâmica da vida sem entender o que significa a morte.

Em sua dimensão física, como se sabe, a morte veio ao mundo como castigo. Ela não estava prevista no plano original do Criador, mas entrou na vida do homem por uma realidade muito mais trágica: o pecado, que tem como consequência terrível e irremediável a morte eterna. De fato, muito pior que a alma separar-se do corpo pela morte é que ela se separe de Deus eternamente. Por isso, São Roberto Belarmino chama o inferno de “morte imortal”:

“Ó vida mortífera! Ó morte imortal! Se és vida, como matas? Se és morte, como duras? Assim, pois, nem de morte nem de vida podes ser chamada, porque ambos esses momentos algum bem possuem: a vida tem a quietude e a morte tem fim. Tu, porém, nem a quietude nem o fim possuis.” [1]

Só quem se dá conta da gravidade que tem essa segunda morte é capaz de compreender o verdadeiro sentido da morte física: Deus a permite — bem como as doenças, misérias e sofrimentos deste mundo — para que o homem se humilhe, tome consciência de sua condição e se volte para o Pai. Não se trata de um castigo de condenação, mas de uma pedagogia de salvação.

O Verbo encarnado venceu ambas as mortes do homem: a física, unindo o Seu corpo e a Sua alma, na Ressurreição; e a espiritual, unindo de modo inquebrantável a Sua divindade à Sua humanidade, através do mistério da união hipostática. Participar definitivamente dessa vitória da Ressurreição só nos será possível no fim dos tempos, quando acontecer a ressurreição da carne, a qual confessamos na oração do Credo. Neste exato momento, porém, já podemos participar da vitória de Cristo sobre a morte, unindo a nossa alma com Deus através da .

Para tanto é preciso, em primeiro lugar, estar em estado de graça. Quem ainda não foi batizado, receba o Batismo; quem já é católico mas caiu na desgraça do pecado mortal, reconcilie-se com Deus pelo sacramento da Confissão. Antes de qualquer coisa, portanto, volte o filho pródigo para a casa de seu pai.

Depois, é preciso exercitar a virtude da fé. O Evangelho deste domingo diz que São João, apenas entrando no sepulcro vazio, “viu e acreditou” (v. 8). Mesmo não tendo ainda compreendido as Escrituras, eles tiveram fé. Mesmo não tendo ainda visto o Cristo Ressuscitado, eles creram. Trata-se, na verdade, de uma constante de todo o tempo da Páscoa, que Jesus Se disfarce diante de Seus discípulos: na ausência do túmulo, no aspecto do jardineiro, no caminho de Emaús, na beira do lago operando mais uma pesca milagrosa etc. Age assim o Senhor porque quer dos homens a fé, e esta — preleciona São Gregório Magno — “é sem mérito quando a razão humana e a experiência lhe servem de provas” [2].

Também hoje o Cristo Ressuscitado espera de nós a fé. A festa da Páscoa não é só a passagem de Cristo da morte à ressurreição, mas a Sua visita em nossa casa, o suave toque de Sua graça em nossa vida, mormente através do sacramento da Eucaristia. Timeo Deum transeuntem et non redeuntem: Santo Agostinho dizia temer o Deus que passa e não volta mais. Não permitamos que esta Páscoa seja como outra qualquer. Ao comungarmos neste domingo do corpo e sangue do Senhor, façamos um fervoroso ato de fé na presença de Cristo na Eucaristia e nos unamos Àquele que venceu a morte para nos dar a vida imortal. Amém.

 

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Referências

  1. De arte bene moriendi, II, 3.
  2. Citado por Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 55, a. 5.

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