quarta-feira, 22 de novembro de 2017

NESTA HORA NÃO SE PODE MENTIR!

Nesta hora tremenda não se mente. A desilusão das coisas terrenas e a eternidade que se aproxima obrigam o homem a ser sincero. 
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A hora da verdade, sabes qual é? A hora da morte. Nesta hora tremenda não se mente. A desilusão das coisas terrenas, a eternidade que se aproxima obrigam o homem a ser sincero. Nesta hora muito ímpio chamou por Deus. A morte ensina muita coisa que não se quis aprender na vida. E é triste ir aprender só na hora extrema o que se devia ter já aprendido em vida, para evitar tanto pecado, tanta vaidade e orgulho, tanta maldade!
Enquanto a vida corre bem na fartura, na prosperidade, muitos vivem longe de Deus e até se esquecem que têm alma. E como desejam pecar, negam a existência do próprio Deus. Assim dizia Joseph de Maistre: Ninguém deixou de crer em Deus se não teve primeiro necessidade de desejar que Deus não existisse.
A hora da morte, porém, diz a verdade. Nos Estados Unidos, caiu enferma a filha de um general conhecido pela sua impiedade e ódio à Religião.
— Meu pai, diz a moça, estou para morrer! Diga-me, por favor, devo crer no que me ensinou o senhor, isto é, que Deus não existe e não há céu nem inferno, ou no que me ensinou minha saudosa mãe que fora tão piedosa e santa?
O general ficou silencioso e triste. Refletiu uns instantes e disse à filha entre soluços: — Minha filha! não creias no que te ensinei, mas no que te ensinou tua mãe. Nesta hora não se pode mentir!
“La muerte del niño”, de Lorenzo Albarrán Sánchez.
Sim, realmente, a hora da morte é a hora da verdade.
Quanta coisa que nossa vaidade, nosso orgulho e o demônio nos punham diante dos olhos, numa sedução louca, não se desvanece na hora extrema! Hora da verdade, hora das realidades!
A vela que se coloca na mão do agonizante, ilumina muitas almas e lhes diz muitas verdades que durante toda a vida não quiseram ver, nem delas ouvir falar. Mas que adianta compreender estas verdades quando já não há mais tempo e é preciso partir? Não nos iludamos com a mentira do pecado, e pensemos na hora da verdade!




Mons. Ascânio Brandão 
Referências
  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 28s.

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