Sua proclamação pública também é heroica, pois o islã pune severamente quem abandona essa religião
O jornalista Sohrab Ahmari nasceu em Teerã, mas aos
13 anos, passou a viver e estudar nos Estados Unidos. Especialista em
política internacional e autor de um livro sobre dissidentes na
Primavera Árabe, Sohrab Ahmari publicou nesta quarta-feira em sua conta
no Twitter:
#EusouJacquesHamel: Este é o momento certo para anunciar que eu estou me convertendo ao Catolicismo Romano.
A breve e significativa postagem chamou grande atenção – mas o
jornalista a apagou do microblog porque, inicialmente, ela também
continha uma hashtag mencionando um oratório de Londres conhecido pela abundância de missas, inclusive em latim. Ahmari explicou:
“Aos novos seguidores: apaguei o meu tuíte que anunciava a minha
conversão para não atrair a atenção dos loucos da internet para a minha
igreja. Fora isso, sejam bem-vindos”.
Perguntado se mantém a sua conversão, ele responde com toda a firmeza:
“É claro que sim. Só não quero que milhares de usuários do Twitter poluam e baguncem a conta do oratório”.
O martírio do pe. Jacques: sangue de mártires, semente de cristãos
Sohrab Ahmari, que trabalha na edição europeia do influente periódico norte-americano The Wall Street Journal, indica em sua conta no Twitter uma série de artigos sobre o pe. Jacques Hamel,
martirizado na França por dois covardes jihadistas do Estado Islâmico. O
brutal assassinato do sacerdote, perpetrado na véspera do anúncio da
conversão de Ahmari, acabou encorajando o jornalista a proclamar em
público a sua decisão, num ato que também é heroico: é que o islã pune
com severidade quem abandona explicitamente essa religião, e a sua
“apostasia” pode atrair a sanha de outros fanáticos contra ele próprio.
A coragem de Sohrab Ahmari ao proclamar em público a sua fé católica
ligando a decisão ao sacrifício do pe. Jacques dá testemunho de uma
antiquíssima e sempre atual constatação dos primeiros anos do
cristianismo, quando os seguidores de Cristo eram sanguinariamente
perseguidos, torturados e assassinados pelo Império Romano: “Sangue de mártires, semente de cristãos“.
Primavera?
Em 2012, Ahmari publicou o livro “Sonhos da Primavera Árabe“,
sobre dissidentes e ativistas do histórico fenômeno social que agitou
países muçulmanos da África ao Oriente Médio e desencadeou um grande
impacto político em toda a região – embora com poucos resultados
positivos para a população até o momento.
No livro, o jornalista também relata episódios pessoais, como a
ocasião em que, quando criança no Irã, foi interrogado pela polícia por
ter levado à escola uma fita com um dos filmes da saga “Star Wars”
– produções ocidentais eram proibidas no país. Os agentes o
sobrecarregaram de perguntas sobre seus pais e o castigaram na escola.
Ahmari finaliza o relato comentando o quanto apreciou o contraste de
liberdade entre o seu país e os Estados Unidos, para onde se mudou em
1998.
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Aleteia Team A partir de informações de Religión en Liberdad
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