sexta-feira, 22 de julho de 2022

16ª Semana do Tempo Comum - A transformação de Maria Madalena.

 Evangelho de hoje (Jo 20,1-2.11-18 - Egídio Serpa | Egídio Serpa - Diário  do Nordeste

Primeira Leitura: Cântico 3,1-4

Leitura do livro do Cântico dos Cânticos – Eis o que diz a noiva: 1“Em meu leito, durante a noite, busquei o amor de minha vida: procurei-o e não o encontrei. 2Vou levantar-me e percorrer a cidade, procurando, pelas ruas e praças, o amor de minha vida: procurei-o e não o encontrei. 3Encontraram-me os guardas que faziam a ronda pela cidade. ‘Vistes porventura o amor de minha vida?’ 4E logo que passei por eles, encontrei o amor de minha vida”. – Palavra do Senhor.

Leitura opcional: 2 Coríntios 5,14-17.

Salmo Responsorial: 62(63)

A minha alma tem sede de vós, Senhor!

1. Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! / Desde a aurora, ansioso vos busco! / A minha alma tem sede de vós, † minha carne também vos deseja, / como terra sedenta e sem água! – R.

2. Venho, assim, contemplar-vos no templo / para ver vossa glória e poder. / Vosso amor vale mais do que a vida, / e por isso meus lábios vos louvam. – R.

3. Quero, pois, vos louvar pela vida / e elevar para vós minhas mãos! / A minha alma será saciada, / como em grande banquete de festa; / cantará a alegria em meus lábios / ao cantar para vós meu louvor! – R.

4. Para mim fostes sempre um socorro; / de vossas asas à sombra eu exulto! / Minha alma se agarra em vós; / com poder vossa mão me sustenta. – R.

Evangelho: João 20,1-2.11-18

Aleluia, aleluia, aleluia.

Responde-nos, ó Maria, / no teu caminho o que havia? / Vi Cristo ressuscitado, / o túmulo abandonado! – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. 11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isso, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”. 16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou em hebraico: “Rabunni” (que quer dizer mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!” e contou o que Jesus lhe tinha dito. – Palavra da salvação.

Reflexão

Jesus, como nos narra o evangelista S. João, aparece hoje a Maria Madalena. De todas as aparições do Ressuscitado, este encontro entre o Senhor e aquela santa mulher tem algo de extraordinário, capaz de tocar mais a fundo o nosso coração. A razão disso, em boa medida, é a transformação radical que vemos ser operada na alma de Maria. Ela, que de acordo com o Evangelho segundo S. Lucas é a mulher da qual Jesus expulsou sete demônios, vivera como um pecadora, buscando no mundo um amor que o mundo não lhe podia dar. Mas, ao descobrir a Cristo, ela transforma-se em modelo de desapego de todas as realidades terrenas: para ela, com efeito, o seu tudo só pode ser Jesus. A aparição que hoje meditamos indica-o com toda clareza. Antes de ver a Cristo ressuscitado, ela vira anjos, testemunhas da maravilha que acabara de acontecer no sepulcro, e nada disso, porém, pôde consolá-la da tristeza de estar longe do seu Senhor: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. É um coração como esse, desapegado e apaixonado por Jesus, que temos de pedir continuamente a Deus em nossas orações. Nada mais nos deveria importar, a não ser Cristo; nada nos deveria consolar, se estivermos sem Ele; nada mais nos deveria ocupar os pensamentos, senão o amor que o Mestre nos tem. Que Ele, vivo e glorioso, nos dê a graça de vivermos em sua presença amorosa, escondida na obscuridade da fé, mas nem por isso menos real, profunda e eficaz. Sim, Ele permanece conosco, por sua graça, em sua Igreja e em todos os sacrários da terra. Que possamos perseverar na fé, até o dia em que, rasgado o véu, contemplaremos face a face o rosto daquele que aprendemos a amar sem tê-lo visto.  


https://padrepauloricardo.org

quinta-feira, 21 de julho de 2022

16ª Semana do Tempo Comum - Por que Jesus ensinava em parábolas?

 A dieta de Jesus e de seus discípulos – A/1739 – Recanto do Escrito

Primeira Leitura: Jeremias 2,1-3.7-8.12-13

Leitura do livro do profeta Jeremias 1A palavra do Senhor foi-me dirigida, dizendo: 2“Vai e grita aos ouvidos de Jerusalém. Isto diz o Senhor: Lembro-me de ti, da afeição da jovem, do amor da noiva, de quando me seguias no deserto, numa terra inculta. 3Israel, consagrado ao Senhor, era como as primícias de sua colheita; todos os que dele comiam pecavam; males caíam sobre eles”, diz o Senhor. 7“Eu vos introduzi numa terra de pomares, para que gozásseis de seus melhores produtos, mas, apenas chegados, contaminastes o país e tornastes abominável minha herança. 8Os sacerdotes nem perguntaram onde está o Senhor. Os versados na Lei não me reconheceram e os chefes do povo voltaram-me as costas, os profetas profetizaram em nome de Baal e correram atrás de coisas que para nada servem. 12Ó céus, espantai-vos diante disso, enchei-vos de grande horror”, diz o Senhor. 13“Dois pecados cometeu meu povo: abandonou-me a mim, fonte de água viva, e preferiu cavar cisternas, cisternas defeituosas que não podem reter água”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 35(36)

Em vós está a fonte da vida, ó Senhor!

1. Vosso amor chega aos céus, ó Senhor, / chega às nuvens a vossa verdade. / Como as altas montanhas eternas / é a vossa justiça, Senhor. – R.

2. Quão preciosa é, Senhor, vossa graça! † Eis que os filhos dos homens se abrigam / sob a sombra das asas de Deus. / Na abundância de vossa morada, / eles vêm saciar-se de bens. / Vós lhes dais de beber água viva / na torrente das vossas delícias. – R.

3. Pois em vós está a fonte da vida, / e em vossa luz contemplamos a luz. / Conservai aos fiéis vossa graça, / e aos retos, a vossa justiça! – R.

Evangelho: Mateus 13,10-17

Aleluia, aleluia, aleluia.

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, / pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, / escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 10os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que tu falas ao povo em parábolas?” 11Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não é dado. 12Pois à pessoa que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem será tirado até o pouco que tem. 13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque, olhando, eles não veem e, ouvindo, eles não escutam nem compreendem. 14Desse modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir sem nada entender. Havereis de olhar sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’. 16Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, desejaram ouvir o que ouvis e não ouviram”. – Palavra da salvação.

Reflexão

O Senhor explica-nos hoje o porquê de Ele falar em parábolas às multidões, mas com clareza aos discípulos. E a razão por que Jesus, em seu ministério público, ocultava alguns ensinamentos sob a roupagem de parábolas não era outra senão a dureza de coração das turbas que O seguiam: "O coração deste povo", refere-se o Senhor às palavras de Isaías, "se tornou insensível" (cf. Is 6, 10). As multidões que acorrem apressadas para ouvi-lO, mais curiosas do que bem dispostas, ainda são indignas e incapazes de receber abertamente o que o Deus encarnado lhes tem a ensinar: "Eles ouviram com má vontade", cita outra vez o profeta, "e fecharam seus olhos" (cf. Is 6, 10). Nem mesmo os milagres são o bastante; antes, pelo contrário, parecem contribuir para obcecar o coração daquela gente blasfema, que chega a atribuí-los à ação de Beelzebul (cf. Lc 11, 15). É por isso que Cristo, escreve Santo Tomás, "ensinava algumas coisas ocultamente às turbas, servindo-se de parábolas para falar de mistérios espirituais, porque os ouvintes ou não eram capazes ou não eram dignos de os entender" (S. Th. III, q. 42, a. 3, co.).

Mas até nisto, continua o Angélico, o Senhor manifesta a sua entranhável misericórdia, já que era melhor para as multidões "ouvir a doutrina espiritual sob o véu das parábolas do que serem dela inteiramente privadas" (ibid.). Nós, porém, não sejamos como essas turbas incrédulas e curiosas. Disponhamo-nos interiormente, pelo arrependimento e pela retidão de intenção, às verdades que Jesus quer-nos transmitir. Abramo-nos à fé, com humildade e docilidade, que é necessária para abraçar e compreender os mistérios do Reino dos Céus. Pois Deus, cuja vontade é conduzir todos à salvação e ao conhecimento da verdade (cf. 1Tm 2, 4; Ex 18, 23), por pura bondade fez chegar até nós a sua Palavra. Como pecadores chamados agora à penitência (cf. Lc 5, 31), acolhamo-la em nosso coração e imploremos todos os dias o incremento da fé, fundamento da esperança e certeza a respeito do que não se vê (cf. Hb 11, 1). — Santa Maria, Virgem fiel, rogai por nós!

 

 https://padrepauloricardo.org

quarta-feira, 20 de julho de 2022

16ª Semana do Tempo Comum - A semente da Palavra.

 Semeadura | Centro Espírita Amor e Caridade Santarritense

Leitura (Jeremias 1,1.4-10)

Início do livro do profeta Jeremias.

1Palavras de Jeremias, filho de Helcias, um dos sacerdotes de Anatot, da tribo de Benjamim. 4Foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5“Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações”. 6Disse eu: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo”. 7Disse-me o Senhor: “Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás, e tudo que eu te mandar dizer, dirás. 8Não tenhas medo deles, pois estou contigo para defender-te”, diz o Senhor. 9O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse-me: “Eis que ponho minhas palavras em tua boca. 10Eu te constituí hoje sobre povos e reinos com poder para extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar”.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 70/71

Minha boca anunciará vossa justiça.

Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:

que eu não seja envergonhado para sempre!

Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!

Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

 

Sede uma rocha protetora para mim,

um abrigo bem seguro que me salve!

Porque sois a minha força e meu amparo,

† o meu refúgio, proteção e segurança!

Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

 

Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,

em vós confio desde a minha juventude!

Sois meu apoio desde antes que eu nascesse,

desde o seio maternal, o meu amparo.

 

Minha boca anunciará todos os dias

vossa justiça e vossas graças incontáveis.

Vós me ensinastes desde a minha juventude,

e até hoje canto as vossas maravilhas.

Evangelho (Mateus 13,1-9)

Aleluia, aleluia, aleluia.

A semente é de Deus a Palavra, o Cristo é o semeador; todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. 2Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. 3E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. 4Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. 5Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. 7Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. 8Outras sementes, porém, caíram em terra boa e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9Quem tem ouvidos ouça!”

Palavra da salvação.

Reflexão

Eis que saiu o semeador a semear a Palavra de Deus, diz Cristo Jesus no Evangelho de hoje. Ora, assim como quatro são os tipos de terreno em que pode cair o grão de trigo, assim também são quatro os corações com que pode deparar a pregação evangélica. Parte dos grãos, diz o Senhor, caiu à beira do caminho, isto é, nos corações que, embora deem ouvido à Palavra divina, não chegam nem a compreendê-la nem a dar os primeiros frutos; mal o grão toca o solo, vêm os pássaros do céu para comê-lo e levá-lo embora. Outra parte, porém, caiu em terreno pedregoso e seco, ou seja, naquele coração que, embora tenha fé, não a tem bem enraizada; por isso, ainda que brotem algumas sementes, o calor do sol — quer dizer, das tribulações e contrariedades — as seca e queima, quia non habebant radicem, "porque não tinham raiz". Outros grãos, enfim, caíram em meio aos espinhos; aqui estão simbolizados, pois, aqueles corações que, já tendo superado a secura do terreno, são todavia sufocados por cuidados mundanos, à semelhança de Marta, tão inquieta e ocupada com diversos afazeres (cf. Lc 10, 40ss).

O nosso coração, no entanto, deve ser como a terra boa e virgem, ou seja, como o coração das crianças, que se lançam sem preocupações ao colo do Pai, com aquela confiança de verdadeiros filhos e filhas do Altíssimo. Ora, para chegarmos a dar os frutos que o Senhor deseja colher, temos de percorrer o itinerário que Ele mesmo nos indica hoje: antes de tudo, acolher e meditar a sua Palavra, a fim de que as aves do céu e os ventos de doutrina (cf. Ef 4, 14) não a roubem de nós; em seguida, entregar-se com generosidade à ascese e, com especial empenho, ao apostolado; por fim, ser alma de profunda e perseverante oração, imitando o exemplo de Maria de Betânia, que se deliciava em "perder tempo" aos pés de Cristo, o nosso Único necessário. Roguemos, pois, à Virgem Santíssima que regue e proteja o nosso seco coração e nos ajude, com o seu poderosíssimo auxílio, a ser figueiras repletas de frutos de fé e de amor: Qui habet aures audiendi audiat!

 

https://padrepauloricardo.org

terça-feira, 19 de julho de 2022

16ª Semana do Tempo Comum - O prérequisito para ser irmão de Jesus.

Evangelho do Dia – Página: 2 – Oratório São Luiz – 120 Anos
Leitura (Miqueias 7,14-15.18-20)

Leitura da profecia de Miqueias.

7 14 Conduzi com o cajado o vosso povo, o rebanho de vossa herança que se encontra espalhado pelas brenhas, para o meio de vergéis; que ele paste como outrora em Basã e em Galaad.

15 Como nos dias em que saístes do Egito, fazei-nos ver prodígios.

18 Qual é o Deus que, como vós, apaga a iniquidade e perdoa o pecado do resto de seu povo, que não se ira para sempre porque prefere a misericórdia?

19 Uma vez mais, tende piedade de nós! Esquecei as nossas faltas e jogai nossos pecados nas profundezas do mar!

20 Mostrai a vossa fidelidade para com Jacó, e vossa piedade para com Abraão, como jurastes a nossos pais desde os tempos antigos!

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 84/85

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade.

Favorecestes, ó Senhor, a vossa terra,

libertastes os cativos de Jacó.

Perdoastes o pecado ao vosso povo,

encobristes toda a falta cometida;

retirastes a ameaça que fizestes,

acalmastes o furor de vossa ira.

 

Renovai-nos, nosso Deus e salvador,

esquecei a vossa mágoa contra nós!

ficareis eternamente irritado?

Guardareis a vossa ira pelos séculos?

Guardareis a vossa ira pelos séculos?

 

Não vireis restituir a nossa vida,

para que em vós se rejubile o vosso povo?

Mostrai-nos, Senhor, vossa bondade,

concedei-nos também vossa salvação!

Evangelho (Mateus 12,46-50)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,23).

 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

12 46 Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar.

47 Disse-lhe alguém: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te”.

48 Jesus respondeu-lhe: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”

49 E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos.

50 Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Reflexão

Palavra da Salvação.

De acordo com a Bíblia, Jesus teve quatro irmãos (Tiago, José, Simão e Judas) e também algumas irmãs (Mateus 12,46-50; 13,55-56; João 2,12; 7,3-10; Atos 1,14; 1 Coríntios 9,5; Gálatas 1,19). Por causa do mito de que Maria foi uma virgem perpétua, foi inventada a teoria que estes "irmãos" de Jesus são, de fato, apenas primos. Esta explicação é conveniente, mas contrária à evidência. Esta palavra "irmão" é usada 346 vezes no Novo Testamento e nunca significa "primo". Havia uma palavra para primo, usada em Colossenses 4,10, mas não é a que foi usada nos textos acima.
É verdade que a palavra "irmão" é usada para a irmandade espiritual, mas todas as vezes que "irmão" é usada no Novo Testamento para uma relação de família física, ela simplesmente significa irmão. Se irmão significasse primo, em Lucas 8,19-21, Jesus estaria dizendo que sua mãe e seus "primos" eram aqueles que ouvem a palavra e a cumprem.
Portanto, fazer a vontade de Deus é o prérequisito que Jesus nos apresenta para também sermos considerados seus irmãos e irmãs. Portanto, membros da Sua família. Por isso, podemos dizer que fomos também escolhidos por Jesus Cristo para participar da Sua família, quando nós fazemos a vontade do Pai que está no céu.
O exemplo de Maria foi dado por Jesus às multidões naquele tempo, e hoje é dado para nós, com a finalidade de nos clarear a mente e o coração para que percebamos que todos nós somos chamados a fazer parte da família de Jesus. Portanto, não é difícil para nós imaginarmo-nos membros da linhagem de Jesus.
Somos participantes da graça de filhos, de irmãos e irmãs, se, como a Mãe de Jesus, estivermos abertos a fazer tudo conforme Deus nos manda realizar. Assim como estendeu a mão para os Seus discípulos e os considerou na mesma qualidade de mãe e de irmãos seus, Jesus nos aponta a Sua mão e nos acolhe como membros da sua família, se, estivermos dispostos (as) a fazer a vontade de Deus a qual se expressa na Sua Palavra.
E a vontade do Pai é que todos nós, pela Fé em Jesus Cristo, alcancemos a salvação e a vida eterna sem fim. Não devemos nos admirar da expressão que Jesus usou quando se referiu à Sua Mãe e aos Seus irmãos: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”
Ele aproveitou a oportunidade para também nos enquadrar como pessoas especiais, discípulos e discípulas dignos de ser chamados filhos de Deus Pai, tendo Maria como Mãe, irmãos de Jesus Cristo e motivados pelo poder do Espírito Santo, a fazer a vontade de Deus.
Você também se considera da família de Jesus Cristo? O que você entende por fazer a vontade de Deus? Você é discípulo de Jesus? O que falta para que você faça a vontade do Pai aqui na terra do jeito que ela acontece no céu? 
 
 
 
 Pe. Bantu Mendonça katchipwi Sayla

segunda-feira, 18 de julho de 2022

16ª Semana do Tempo Comum - A malícia dos fariseus.

  Quem eram os Fariseus? E quais eram suas doutrinas?
Leitura (Miqueias 6,1-4.6-8)

Leitura da profecia de Miqueias.

6 1 Ouvi o que diz o Senhor: “Vamos, advoga tua causa diante das montanhas, ouçam as colinas a tua voz!”

2 Ouvi, montanhas, o processo do Senhor, e vós, fundamentos perenes da terra. Porque o Senhor entrou em juízo com seu povo, ele vai pleitear com Israel:

3 “Povo meu, que te fiz, ou em que te contristei? Responde-me.

4 Fiz-te sair do Egito, livrei-te da escravidão, e mandei diante de ti Moisés, Aarão e Maria”.

5 “Povo meu, lembra-te dos desígnios de Balac, rei de Moab, e a resposta que lhe deu Balaão, filho de Beor; lembra-te (da etapa) entre Setim e Gálgala, para reconheceres os benefícios do Senhor.

6 Com que me apresentarei diante do Senhor, e me prostrarei diante do Deus soberano? Irei à sua presença com holocaustos e novilhos de um ano?”

7 Agradar-se-á, porventura, o Senhor com milhares de carneiros, ou com milhões de torrentes de óleo? Sacrificar-lhe-ei pela minha maldade o meu primogênito, o fruto de minhas entranhas por meus próprios pecados?

8 Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 49/50

A todo homem que procede retamente

eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

“Reuni à minha frente os meus eleitos,

que selaram a aliança em sacrifícios!”

Testemunha o próprio céu seu julgamento,

porque Deus mesmo é juiz e vai julgar.

 

Eu não venho censurar teus sacrifícios,

pois sempre estão perante mim teus holocaustos;

não preciso dos novilhos de tua casa

nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

 

“Como ousas repetir os meus preceitos

e trazer minha aliança em tua boca?

Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos

e deste as costas às palavras dos meus lábios!

 

Diante disso que fizeste, eu calarei?

Acaso pensar que eu sou igual a ti?

É disso que te acuso e repreendo

e manifesto essas coisas aos teus olhos.

 

Quem me oferece um sacrifício de louvor,

este sim, é que me honra de verdade.

A todo homem que procede retamente

eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.

Evangelho (Mateus 12,38-42)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

12 38 Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: “Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre”.

39 Respondeu-lhes Jesus: “Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas:

40 do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.

41 No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.

42 No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão”.

Palavra da Salvação.

Reflexão

"Uma geração má e adúltera busca um sinal" — diz Jesus aos fariseus no Evangelho de hoje —, "mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas". Donde essa dureza do Senhor? Por que Ele, que quer misericórdia e não sacrifício, dirige palavras tão ásperas àqueles homens curiosos? Para compreendermos essa atitude do Senhor diante dos mestres da Lei, precisamos compreender primeiramente a diferença entre um pecado de malícia e um pecado de fraqueza. Os pecados de fraqueza são os que praticamos devido à debilidade de nossas forças para resistir às más inclinações e aos nossos apetites desordenados; trata-se, em resumo, de uma falta cometida em decorrência de uma violenta paixão. Entretanto, para que o pecado seja de fraqueza, essa paixão a cujo impulso nossa vontade (enfraquecida pelo pecado original) acaba por ceder deve ser antecedente, ou seja, anterior ao nosso livre consentimento. Do contrário, ter-se-á o pecado dito de malícia, proveniente da maldade do nosso coração, que livre e intencionalmente escolhe pecar.

É neste último caso que se enquadram os fariseus e é justamente por isso que Jesus os repreende de forma dura e severa. Esses mestres e doutores, gente devota e bem comportada, conhece o conteúdo da Lei, sabe o que anunciaram os profetas, veem a olhos vistos os milagres e prodígios de Cristo, ouvem a sublimidade do Evangelho, e no entanto, por maldade e dureza de coração, rejeitam o Filho do Homem. Eles pedem hoje ao Senhor um milagre a mais; mas de que lhes aproveitará, se já tomaram partido, se já se decidiram por desprezá-lO? Jesus trouxera Lázaro, podre e mal cheiroso, de volta à vida; e o que armaram os fariseus? A morte do ressuscitado! "Mestre", dizem, "queremos ver um sinal realizado por ti". E vem-lhes a justa resposta: "Geração má e adúltera", que até contra o Deus que dizem adorar ousam investir com malícia e ardis! Que o nosso coração esteja, pois, longe do dos fariseus; não consintamos de forma nenhuma com o pecado, por "mínimo" que seja, nem façamos dele um projeto de vida. Peçamos também à Virgem Imaculada que nos preserve do veneno da malícia e nos alcance de seu Filho a força para, resistindo às tentações, superarmos com o auxílio da graça a debilidade desta nossa pobre condição. 

 

https://padrepauloricardo.org