domingo, 21 de novembro de 2021

Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo.

 Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – Paróquia de  Ramalde

Leitura (Daniel 7,13-14)

Leitura da profecia de Daniel.
7 13 “Olhando sempre a visão noturna, vi um ser, semelhante ao filho do homem, vir sobre as nuvens do céu: dirigiu-se para o lado do ancião, diante de quem foi conduzido.
14 A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído”.
Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 92/93

Deus é rei e se vestiu de majestade,
glória ao Senhor!


Deus é rei e se vestiu de majestade,
revestiu-se de poder e de esplendor!

Vós firmastes o universo inabalável,
vós firmastes vosso trono desde a origem,
desde sempre, ó Senhor, vós existis!

Verdadeiros são os vossos testemunhos,
refulge a santidade em vossa casa
pelos séculos dos séculos, Senhor!

Leitura (Apocalipse 1,5-8)

Leitura do livro do Apocalipse.
1 5 Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue
6 e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém.
7 Ei-lo que vem com as nuvens. Todos os olhos o verão, mesmo aqueles que o traspassaram. Por sua causa, hão de lamentar-se todas as raças da terra. Sim. Amém.
8 “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Dominador”.
Palavra do Senhor.

Evangelho (João 18,33-37)

Aleluia, aleluia, aleluia.
É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor; e o reino que vem seja bendito; ao que vem e a seu reino, o louvor! (Mc 11,9s)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo: 18 33 Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: “És tu o rei dos judeus?”
34 Jesus respondeu: “Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?”
35 Disse Pilatos: “Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?”
36 Respondeu Jesus: “O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo”.
37 Perguntou-lhe então Pilatos: “És, portanto, rei?” Respondeu Jesus: “Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”.
Palavra da Salvação.

Reflexão

Meditação. — 1. O que significa para nós, católicos, celebrar, neste domingo, a solenidade de Cristo Rei? Ainda é possível falar em monarquia quando, em praticamente todos os países do mundo, o sistema republicano domina, e às figuras monárquicas restou apenas um papel simbólico e decorativo? De fato, soa estranho falar de um reinado social de Cristo, como pontificou Pio XI na encíclica Quas Primas, justo agora que essa forma de governo aparentemente caducou.

Para compreender a solenidade de hoje, o católico precisa ir às fontes da natureza humana, lá na origem das civilizações, quando o homem, embora já marcado pelo pecado, ainda se orientava pela liderança dos mais virtuosos. Em todas as sociedades antigas, desde as indígenas às africanas, os povos se organizavam naturalmente pelo reconhecimento das excelências humanas. Trata-se de uma lei da natureza. Para sobreviver, as populações se aliavam àqueles que tinham verdadeiras habilidades de governo; organizavam-se como uma família e se submetiam aos conselhos do rei, cujo papel remetia à figura paterna. As sociedades tinham, sim, um patriarca.

Falar de Cristo Rei, portanto, significa voltar para essa natureza humana, a fim de que todos os homens se coloquem debaixo do governo desse pai “manso e humilde de coração”, que outra coisa não deseja senão a salvação dos seus filhos. Diante de nossos fardos e tribulações, Ele nos chama para si, toma as nossas dores, e nos ensina o caminho correto para a felicidade: “Aprendei de mim”, diz o Senhor, “e achareis repouso para vossas almas” (Mt 11, 29).

2. A doença da sociedade atual tem origem, entre outras coisas, na perda do senso natural da realidade. As pessoas vivem uma ficção. Por isso, os governos já não são organizados como famílias, segundo um modelo naturalmente monárquico, mas por meio da propaganda demagógica, que forja falsas lideranças. Não se trata de líderes realmente habilitados para dirigir paternalmente uma nação, mas de oportunistas, que dissimulam uma falsa autoridade apenas para desfrutar das benesses do poder. Daí os escândalos políticos de corrupção tão comuns hoje em dia.

Nunca o mundo precisou tanto de um rei como agora. Por isso, a Igreja insiste no anúncio do reinado de Cristo, entendendo que é a partir da submissão a esse Deus amoroso que podemos, verdadeiramente, superar as seduções do diabo, as maquinações do mundo e a rebeldia da carne. O sacrifício de Cristo na cruz serviu exatamente para nos libertar da escravidão da morte e, ipso facto, colocar-nos debaixo de um jugo suave e um fardo leve. Se, antes da ressurreição de Jesus, a morte era nossa senhora, agora, que Deus a derrotou, Ele é o nosso único e autêntico Senhor.

Muitas tiranias têm se abatido sobre a consciência daqueles que, erroneamente, se apartaram de Deus: drogas e outros vícios; ideologias maquiavélicas; corrupção e violência generalizada. Tudo isso está destruindo a sociedade atual. Ou seguimos Jesus, ou nos tornamos reféns de nossas paixões. A Igreja, por isso mesmo, cumpre o seu papel de despertar as almas, encorajando-as para o combate e a resiliência diante das adversidades, a fim de que vivamos e sirvamos à caridade antes de servir às leis humanas positivas. Uma nação regida nesses termos certamente terá um destino diferente das demais. Sim, que Cristo reine sobre nós agora e para sempre. Amém.

Oração. Reinai, Senhor Jesus, em minha casa, trabalho e, sobretudo, em meu coração. Não desejo servir a outro Senhor que não seja a vossa augustíssima Pessoa. Fazei de mim, vosso servo, um verdadeiro combatente pelo vosso reinado, a fim de que as hostes infernais não tenham vez nem voz nestas terras de Santa Cruz. Assim seja.

 

 

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sábado, 20 de novembro de 2021

Liturgia Diária - Seremos “filhos da ressurreição”.

 Quem eram os Fariseus? E quais eram suas doutrinas?

Primeira Leitura: 1 Macabeus 6,1-13

Leitura do primeiro livro dos Macabeus – Naqueles dias, 1o rei Antíoco estava percorrendo as províncias mais altas do seu império quando ouviu dizer que Elimaida, na Pérsia, era uma cidade célebre por suas riquezas, sua prata e ouro, 2e que seu templo era fabulosamente rico, contendo véus tecidos de ouro e couraças e armas ali deixadas por Alexandre, filho de Filipe, rei da Macedônia, que fora o primeiro a reinar entre os gregos. 3Antíoco marchou para lá e tentou apoderar-se da cidade para saqueá-la, mas não o conseguiu, pois seus habitantes haviam tomado conhecimento do seu plano 4e levantaram-se em guerra contra ele. Obrigado a fugir, Antíoco afastou-se acabrunhado e voltou para a Babilônia. 5Estava ainda na Pérsia quando vieram comunicar-lhe a derrota das tropas enviadas contra a Judeia. 6O próprio Lísias, tendo sido o primeiro a partir de lá à frente de poderoso exército, tinha sido posto em fuga. E os judeus tinham-se reforçado em armas e soldados, graças aos abundantes despojos que tomaram dos exércitos vencidos. 7Além disso, tinham derrubado a Abominação que ele havia construído sobre o altar de Jerusalém. E tinham cercado o templo com altos muros e ainda fortificado Betsur, uma das cidades do rei. 8Ouvindo as notícias, o rei ficou espantado e muito agitado. Caiu de cama e adoeceu de tristeza, pois as coisas não tinham acontecido segundo o que ele esperava. 9Ficou assim por muitos dias, recaindo sempre de novo numa profunda melancolia, e sentiu que ia morrer. 10Chamou então todos os amigos e disse: “O sono fugiu de meus olhos e meu coração desfalece de angústia. 11Eu disse a mim mesmo: A que grau de aflição cheguei e em que ondas enormes me debato! Eu, que era tão feliz e amado quando era poderoso! 12Lembro-me agora das iniquidades que pratiquei em Jerusalém. Apoderei-me de todos os objetos de prata e ouro que lá se encontravam e mandei exterminar sem motivo os habitantes de Judá. 13Reconheço que é por causa disso que estas desgraças me atingiram e com profunda angústia vou morrer em terra estrangeira”.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 9A(9)

Cantarei de alegria, ó Senhor, pois me livrastes!

1. Senhor, de coração vos darei graças, / as vossas maravilhas cantarei! / Em vós exultarei de alegria, / cantarei ao vosso nome, Deus altíssimo! – R.

2. Voltaram para trás meus inimigos, / perante a vossa face pereceram. / Repreendestes as nações e os maus perdestes, / apagastes o seu nome para sempre. – R.

3. Os maus caíram no buraco que cavaram, / nos próprios laços foram presos os seus pés. / Mas o pobre não será sempre esquecido, / nem é vã a esperança dos humildes. – R.

Evangelho: Lucas 20,27-40

Aleluia, aleluia, aleluia.

Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; / fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 27aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negam a ressurreição, 28e lhe perguntaram: “Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se alguém tiver um irmão casado e este morrer sem filhos, deve casar-se com a viúva a fim de garantir a descendência para o seu irmão’. 29Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu sem deixar filhos. 30Também o segundo 31e o terceiro se casaram com a viúva. E assim os sete: todos morreram sem deixar filhos. 32Por fim, morreu também a mulher. 33Na ressurreição, ela será esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela”. 34Jesus respondeu aos saduceus: “Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se, 35mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; 36e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram. 37Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. 38Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele”. 39Alguns doutores da Lei disseram a Jesus: “Mestre, tu falaste muito bem”. 40E ninguém mais tinha coragem de perguntar coisa alguma a Jesus. 

Palavra da salvação.

Reflexão

No Evangelho de hoje, S. Lucas nos apresenta uma das últimas controvérsias entre Nosso Senhor, prestes a ser crucificado, e os líderes religiosos de Israel. Aqui, trata-se especificamente dos saduceus, que, ao contrário da facção oposta —  a dos fariseus —, não criam na ressurreição dos mortos. Jesus, porém, deixa fora de dúvida qual é a fé católica: “Na vida futura”, diz Ele, os homens “já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram”. Este ensinamento está presente nos três sinóticos, mas tem em Lucas, como se vê, algumas particularidades textuais muito reveladoras. Mateus e Marcos, com efeito, põem na boca de Cristo que, no século futuro, os que forem julgados dignos da ressurreição serão “como anjos” (cf. Mt 22, 30, Mc 12, 25); em Lucas, por seu turno, Cristo afirma de modo mais rotundo que eles serão “iguais aos anjos”, e para especificar em que sentido se há de entender essa igualdade, acrescenta em seguida: “porque são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição” (gr. ‘υἱοί εἰσιν θεοῦ τῆς ἀναστάσεως υἱοὶ ὄντες’). 

Essa última cláusula, que traduz melhor o particípio presente ‘τῆς ἀναστάσεως υἱοὶ ὄντες’, permite compreender o alcance desta igualdade com os anjos: na ressurreição, os homens irão assemelhar-se aos anjos bons porque (a) “já não poderão morrer” e (b) serão em plenitude “filhos de Deus”, mas tudo isso (c) “sendo filhos da ressurreição”, e é neste ponto que terminam as semelhanças. Pois ao contrário dos anjos, que são puros espíritos, os homens da vida futura, depois da segunda vinda de Cristo, serão alma e corpo novamente. 

Os que forem justos, entrarão no céu com seus corpos glorificados; os que forem maus, retomarão sua carne para com ela sofrer os tormentos do inferno. Essa é a fé constante da Igreja, cimentada na S. Escritura e na Tradição divino-apostólica, reiterada inúmeras vezes pelo Magistério eclesiástico, custódio fidelíssimo da verdade revelada: “A sacrossanta Igreja Romana crê firmemente e com firmeza afirma que, no dia do juízo, todos os homens comparecerão, com seus corpos, diante do tribunal de Cristo e prestarão contas de suas ações” (II Concílio de Lião, sessão 4.ª, de 6 jul. 1274: DH 859). Renovemos hoje essa mesma fé, sem a qual ninguém pode agradar a Deus, firmes na esperança de que Ele, misericordioso remunerador, nos fará um dia amá-lo no céu com tudo o que somos.

 

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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Liturgia Diária - A santa ira de Cristo.

  Jesus purifica o templo - O comércio é pecado - 113
Leitura (1 Macabeus 4,36-37.52-59)

Leitura do segundo livro dos Macabeus.
4 36Judas e seus irmãos disseram então: "Eis que nossos inimigos estão aniquilados; subamos agora a purificar e consagrar de novo os lugares santos".
37Reunido todo o exército, subiram à montanha de Sião.
52No dia vinte e cinco do nono mês, isto é, do mês de Casleu, do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram muito cedo,
53 e ofereceram um sacrifício legal sobre o novo altar dos holocautos, que haviam construído.
54Foi no mesmo dia e na mesma data em que os gentios o haviam profanado, que o altar foi de novo consagrado ao som de cânticos, das harpas, das liras e dos címbalos.
55Todo o povo se prostrou com o rosto em terra para adorar e bendizer no céu aquele que os havia conduzido ao triunfo.
56Prolongaram por oito dias a dedicação do altar, oferecendo com alegria holocaustos e sacrifícios de ações de graças e de louvores.
57Adornaram a fachada do templo com coroas de ouro e com pequenos escudos, consagraram as entradas do templo e os quartos, nos quais colocaram portas.
58Reinou uma alegria imensa entre o povo e o opróbrio das nações foi afastado.
59Foi estabelecido por Judas e seus irmãos, e por toda a assembléia de Israel que os dias da dedicação do altar seriam celebrados cada ano em sua data própria, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, e isto com alegria e regozijo.
Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 1Cr 29

Queremos celebrar o vosso nome glorioso.

Bendito sejais vós, ó Senhor Deus,
Senhor Deus de Israel, o nosso pai,
desde sempre e por toda a eternidade!

A vós pertencem a grandeza e o poder,
toda a glória, esplendor e majestade,
pois tudo é vosso: o que há no céu e sobre a terra!

A vós, Senhor, também pertence a realeza,
pois sobre a terra, como rei, vos elevais!
Toda glória e riqueza vêm de vós!

Sois o Senhor e dominais o universo,
em vossa mão se encontra a força e o poder,
em vossa mão tudo se afirma e tudo cresce!

Evangelho (Lucas 19,45-48)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
19 45 Naquele tempo, Jesus entrou no templo e começou a expulsar os mercadores.
46 Disse ele: "Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões".
47 Todos os dias ensinava no templo. Os príncipes dos sacerdotes, porém, os escribas e os chefes do povo procuravam tirar-lhe a vida.
48 Mas não sabiam como realizá-lo, porque todo o povo ficava suspenso de admiração, quando o ouvia falar.
Palavra da Salvação.

Reflexão 

Pela assunção da natureza humana na unidade de sua divina pessoa, o Filho de Deus encarnado tomou para si uma alma racional e sensitiva com todos os seus movimentos passionais, sem contudo o que neles pode haver de pecaminoso, desordenado e imperfeito. É o que vemos, de modo particular, nos dois episódios narrados no Evangelho de ontem, em que o Senhor, tocado de terníssimo amor, chorara a indiferença de Jerusalém, e no do de hoje, em que, acendido de santa ira, expulsa do Templo uns vendilhões sacrílegos. Não devemos pensar, no entanto, que a cólera de Cristo seja como a nossa, irracional e desmedida; antes, a ira de Deus é precisamente uma expressão de seu infinito amor

Os chicotes que Jesus empunha hoje não são mais do que uma última tentativa de corrigir os que não se quiseram atar pelos laços de sua caridade. Ele se apresenta aqui como um pai que, depois de tantos conselhos e repreensões, já vê outro meio de evitar a ruína do filho senão pelo castigo, pela dureza, pelo trato rigoroso, mas contido, moderado. Em todas as obras de Deus, com efeito, justiça e misericórdia andam juntas, de maneira que, por amar-nos, Ele não nos priva dos castigos devidos e, ao castigar-nos, não nos deixa nunca de amar, ao ponto de permitir que soframos muito menos do que merecíamos. O Jesus que chora por nós é, pois, o mesmo que pega do látego para converter-nos, reivindicar os direitos do Pai e a santidade do seu Templo. Que saibamos corresponder aos sentimentos de seu SS. Coração e, em tudo submetidos à sua vontade, não procuremos nunca desprezar o seu tão imenso amor por nós.

 

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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Liturgia Diária - O pranto sobre Jerusalém.

  Grupo de Oração Semeando a Paz: Liturgia Diária - Jesus em Nazaré.
Leitura (1 Macabeus 2,15-29)

Leitura do primeiro livro dos Macabeus.
2 15 Sobrevieram enviados do rei a Modin, para impor a apostasia e obrigar a sacrificar.
16 Muitos dos israelitas uniram-se a eles, mas Matatias e seus filhos permaneceram firmes.
17 Em resposta disseram-lhe os que vinham da parte do rei: "Possuis nesta cidade notável influência e consideração, teus irmãos e teus filhos te dão autoridade.
18 Vem, pois, como primeiro, executar a ordem do rei, como o fizeram todas as nações, os habitantes de Judá e os que ficaram em Jerusalém. Serás contado, tu e teus filhos, entre os amigos do rei; a ti e aos teus filhos o rei vos honrará, cumulando-vos de prata, de ouro e de presentes".
19 Matatias respondeu-lhes: "Ainda mesmo que todas as nações que se acham no reino do rei o escutassem, de modo que todos renegassem a fé de seus pais e aquiescessem às suas ordens,
20 eu, meus filhos e meus irmãos, perseveraremos na Aliança concluída por nossos antepassados.
21 Que Deus nos preserve de abandonar a lei e os mandamentos!
22 Não obedeceremos a essas ordens do rei e não nos desviaremos de nossa religião, nem para a direita, nem para a esquerda".
23 Mal acabara de falar, eis que um judeu se adiantou para sacrificar no altar de Modin, à vista de todos, conforme as ordens do rei.
24 Viu-o Matatias e, no ardor de seu zelo, sentiu estremecerem-se suas entranhas. Num ímpeto de justa cólera arrojou-se e matou o homem no altar.
25 Matou ao mesmo tempo o oficial incumbido da ordem de sacrificar e demoliu o altar.
26 Com semelhante gesto mostrou ele seu amor pela lei, como agiu Finéias a respeito de Zamri, filho de Salum.
27 Em altos brados Matatias elevou a voz então na cidade: "Quem for fiel à lei e permanecer firme na Aliança, saia e siga-me".
28 Assim, com seus filhos, fugiu em direção às montanhas, abandonando todos os seus bens na cidade.
29 Então, uma grande parte dos que procuravam a lei e a justiça, encaminhou-se para o deserto.
Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 49/50

A todos os que procedem retamente
eu mostrarei a salvação que vem de Deus.


Falou o Senhor Deus, chamou a terra,
do sol nascente ao sol poente a convocou.
De Sião, beleza plena, Deus refulge.

“Reuni à minha frente os meus eleitos,
que selaram a aliança em sacrifícios!”
Testemunha o próprio céu seu julgamento,
porque Deus mesmo é juiz e vai julgar.

Imola a Deus um sacrifício de louvor
e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo.
Invoca-me no dia da angústia,
e então te livrarei e hás de louvar-me.

Evangelho (Lucas 19,41-44)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

Naquele tempo, 19 41 aproximando-se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo:
42 “Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas não, isso está oculto aos teus olhos.
43 Virão sobre ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados;
44 destruir-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada”.
Palavra da Salvação.

 Reflexão 

O Evangelho que nesta quinta-feira nos é proclamado apresenta uma das duas únicas ocasiões em que vemos a Nosso Senhor chorar; a outra, narrada por São João, foi a morte de Lázaro (cf. Jo 11, 33-35.38), amigo a quem Ele tanto amava (cf. Jo 11, 5. 36). Ora, a razão por que hoje o Senhor se entristece é a necedade e ignorância de Jerusalém: "Tu não reconheceste", diz, "o tempo em que foste visitada". A expressão de que se servem os originais gregos, ὁ καιρὸς τῆς ἐπισκοπῆς, significa o tempo oportuno, o tempo da visitação de Deus. A vida humana, com efeito, para além de sua dimensão meramente cronológica, possui também "estações" próprias, tempos de graça em que Deus vem ao nosso encontro para, como Senhor de sua messe, chamar-nos a colher os frutos de sua visita. É o tempo da consolação, dos benefícios, das alegrias, dos sucessos; mas é também, e de modo ainda mais profundo, o tempo das provações, das renúncias, dos sacrifícios, das tentações, das dores. É em tais oportunidades que Ele nos chama a atenção para que, arrependidos, mudemos o mau rumo que talvez venhamos seguindo e tomemos o caminho certo, ou para que retifiquemos as atitudes e os hábitos que nos fazem pouco cristãos. Aproveitemos, pois, estes momentos, nos quais às vezes nos sentimos abandonados, a fim de não deixarmos de amar o Deus que nos visita e que chora pela ruína que seus próprios filhos, perdendo o tempo desta vida, preparam para si.

 

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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Liturgia Diária - O tesouro do Evangelho.

  A ilustração das dez minas | Vida de Jesus
Leitura (2 Macabeus 7,1.20-31)

Leitura do segundo livro dos Macabeus.
7 1Havia também sete irmãos que foram um dia presos com sua mãe, e que o rei por meio de golpes de azorrage e de nervos de boi, quis coagir a comerem a proibida carne de porco. 20Particularmente admirável e digna de elogios foi a mãe que viu perecer seus sete filhos no espaço de um só dia e o suportou com heroísmo, porque sua esperança repousava no Senhor.
21Ela exortava a cada um no seu idioma materno e, cheia de nobres sentimentos, com uma coragem varonil, ela realçava seu temperamento de mulher.
22"Ignoro", dizia-lhes ela, "como crescestes em meu seio, porque não fui eu quem vos deu nem a alma, nem a vida, e nem fui eu mesma quem ajuntou vossos membros.
23Mas o criador do mundo, que formou o homem na sua origem e deu existência a todas as coisas, vos restituirá, em sua misericórdia, tanto o espírito como a vida, se agora fizerdes pouco caso de vós mesmos por amor às suas leis".
24Receando, todavia, o desprezo e temendo o insulto, Antíoco solicitou em termos insistentes o mais jovem, que ainda restava, prometendo-lhe com juramento torná-lo rico e feliz, se abandonasse as tradições de seus antepassados, tratá-lo como amigo, e confiar-lhe cargos.
25Como o jovem não deu importância alguma, o rei mandou que a mãe se aproximasse e o exortasse com seus conselhos, para que o adolescente salvasse sua vida;
26como ele insistiu por muito tempo, ela consentiu em persuadir o filho.
27Inclinou-se sobre ele e, zombando do cruel tirano, disse-lhe na língua materna: "Meu filho, compadece-te de tua mãe, que te trouxe nove meses no seio, que te amamentou durante três anos, que te nutriu, te conduziu e te educou até esta idade.
28Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra; reflete bem: tudo o que vês, Deus criou do nada, assim como todos os homens.
29Não temas, pois, este algoz, mas sê digno de teus irmãos e aceita a morte, para que no dia da misericórdia eu te encontre no meio deles".
30Logo que ela acabou de falar, o jovem disse: "Que estais a esperar? Não atenderei às ordens do rei; eu obedeço àquele que deu a lei a nossos pais por intermédio de Moisés.
31Mas tu, que és o inventor dessa perseguição contra os judeus, não escaparás à mão de Deus".
Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 16/17

Ao despertar, me saciará vossa presença, ó Senhor!

Ó Senhor, ouvi a minha justa causa,
escutai-me e atende o meu clamor!
Inclinai o vosso ouvido à minha prece,
pois não existe falsidade nos meus lábios!

Os meus passos eu firmei na vossa estrada,
e por isso os meus pés não vacilaram.
eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis,
inclinai o vosso ouvido e escutai-me.

Protegei-me qual dos olhos a pupila
e guardai-me à proteção de vossas asas.
E verei, justificado, a vossa face,
e, ao despertar, me saciará vossa presença.

Evangelho (Lucas 19,11-28)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu vos escolhi a fim de que deis, no meio do mundo, um fruto que dure (Jo 15,16).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
19 11Como Jesus estava perto de Jerusalém, alguns se persuadiam de que o Reino de Deus se havia de manifestar brevemente; ele acrescentou esta parábola:
12Um homem ilustre foi para um país distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar.
13Chamou dez dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: Negociai até eu voltar.
14Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores, para protestarem: Não queremos que ele reine sobre nós.
15Quando, investido da dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado.
16Veio o primeiro: Senhor, a tua mina rendeu dez outras minas.
17Ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades.
18Veio o segundo: Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas.
19Disse a este: Sê também tu governador de cinco cidades.
20Veio também o outro: Senhor, aqui tens a tua mina, que guardei embrulhada num lenço; 21pois tive medo de ti, por seres homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste.
22Replicou-lhe ele: Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei...
23Por que, pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado com juros.
24E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.
25Replicaram-lhe: Senhor, este já tem dez minas!...
26Eu vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver, ser-lhe-á tirado até o que tem.
27Quanto aos que me odeiam, e que não me quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na minha presença.
28Depois destas palavras, Jesus os foi precedendo no caminho que sobe a Jerusalém.
Palavra da Salvação.

Reflexão

No Evangelho de hoje, Nosso Senhor nos conta uma parábola que diz respeito, em primeiro lugar, a si mesmo e à sua missão redentora: um certo nobre, diz, partira para uma longínqua terra, a fim de lá ser corado rei. É importante notar, aliás, que Jesus narra esta história estando quase às portas de Jerusalém; momentos antes, pois, de ser coroado de espinhos e, por sua morte, ressurreição e ascensão, sentar-se definitivamente à direita do Pai como o único e legítimo Rei do universo. Ora, do mesmo modo como o nobre da parábola confiara a alguns servos uma bolsa de dinheiro, assim também o Senhor deixou a nós, membros de sua Igreja, um precioso tesouro, o Evangelho, e uma missão inadiável, difundi-lo pelos quatro cantos da terra e ensiná-lo a todas as gentes, chamadas a formar um só rebanho no Senhor: "Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16, 15), ordena aos discípulos o Messias Ressuscitado. Temos de "fazer render" o dom da fé e espalhar a luz da doutrina verdadeira, esta chama que somos chamados a portar, lançando-nos ao mundo, a fim de que o mundo, iluminado pela Palavra de Deus, veja os caminhos que conduzem à vida eterna.

O Senhor nos revela na leitura desta 4.ª-feira uma aspecto fundamental e irrenunciável da vida cristã: a vocação ao apostolado, ao anúncio da Boa-nova. Não somos nós a luz (cf. Jo 1, 8); somos, porém, a tocha de que se serve Deus para alumiar as escuridões desta humanidade perdida, extraviada, assim como os servos do nobre, embora eles mesmos não fossem ricos, receberam contudo uma soma que deveria render, dar frutos, e não ficar ociosa, "guardada num lenço." Se somos cristãos, temos, sim, o grave dever de fazer cristãos; não se trata, portanto, de uma opção ou de um passatempo: porque, tal como Cristo livremente nos procurou e quis meter-se em nossas vidas, transformando-a desde dentro, do mesmo modo Ele nos chama a levá-lo a todas as outras pessoas, a fim de reinar também em seus corações. Peçamos a Deus a graça de sermos apóstolos fiéis, zelosos pelo tesouro que nos foi confiado, e façamos nossa aquela oração de São Josemaria Escrivá: "Ó Jesus…, fortalece as nossas almas, aplaina o caminho e, sobretudo, embriaga-nos de Amor! Converte-nos assim em fogueiras vivas, que incendeiem a terra com o fogo divino que Tu trouxeste." Semeemos os dons de Cristo e ajudemos a fazer nascer para o Céu muitas outras almas.

 

 

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