quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Tempo do Natal antes da Epifania - Eis um verdadiero Israelita.

 ONDE ESTÁ O MEU NATANAEL?

Primeira Leitura: 1 João 3,11-21

Leitura da primeira carta de São João – Caríssimos, 11esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns aos outros, 12não como Caim, que, sendo do maligno, matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do seu irmão eram justas. 13Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. 14Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida. E vós sabeis que nenhum homicida conserva a vida eterna dentro de si. 16Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos. 17Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas diante dele fecha o seu coração, como pode o amor de Deus permanecer nele? 18Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! 19Aí está o critério para saber que somos da verdade e para sossegar diante dele o nosso coração, 20pois, se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. 21Caríssimos, se o nosso coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 99(100)

Aclamai o Senhor, ó terra inteira! 

1. Aclamai o Senhor, ó terra inteira, † servi ao Senhor com alegria, / ide a ele, cantando jubilosos! – R.

2. Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, † ele mesmo nos fez, e somos seus, / nós somos seu povo e seu rebanho. – R.

3. Entrai por suas portas dando graças † e em seus átrios com hinos de louvor; / dai-lhe graças, seu nome bendizei! – R.

4. Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, † sua bondade perdura para sempre, / seu amor é fiel eternamente! – R.

Evangelho: João 1,43-51

Aleluia, aleluia, aleluia.

Um dia sagrado brilhou para nós: / nações, vinde todas adorar o Senhor, / pois hoje desceu grande luz sobre a terra. – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 43Jesus decidiu partir para a Galileia. Encontrou Filipe e disse: “Segue-me”. 44Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. 45Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”. 46Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” 47Jesus viu Natanael, que vinha para ele, e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: ‘Eu te vi debaixo da figueira’? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Uma das coisas fascinantes do evangelho de João, é que ele nos apresenta muitas histórias de vidas transformadas por Jesus. São vidas de pessoas simples com as quais podemos facilmente nos identificar. Uma dessas pessoas é Natanael.

Se tu ler cuidadosamente os 4 evangelhos perceberás que Natanael não é mencionado por Mateus, Marcos ou Lucas. João foi o único que se deu o trabalho de registrar algo sobre Natanael. Talvez porque a vida daquele homem aparentemente não significasse muita coisa, mas João é assim. Ele nos dá detalhes que os outros evangelistas não apresentam

Bom, analisemos hoje o chamado de Jesus a Natanael. Este incidente é um drama em três actos: o convite, a benção e a promessa.

No primeiro ato, Filipe encontra a Natanael e diz:

“… Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e a quem se referiram os profetas, Jesus, o Nazareno, filho de José”. João 1:45. Tu não precisas mais passar pela vida sem esperança. Ninguém precisa mais lhe humilhar. O sofrimento, a dor, o vazio do coração, tudo, chegou ao fim, porque achamos o Messias.

Este é o convite a uma nova experiência. Sair da morte para a vida, das trevas para a luz, da tristeza para a alegria. E note bem, o convite não vem diretamente de Jesus a Natanael. Filipe foi o instrumento que Deus usou para alcançar um homem perdido na confusão de suas limitações humanas.

Deus sempre usa instrumentos humanos para alcançar outros seres humanos. Primeiro tu tens um encontro pessoal com Cristo, sua vida muda e então você parte em busca de outras pessoas para contar as maravilhas que Jesus operou em sua vida. Quem diria que aquele dia, o testemunho fiel de Filipe levaria a notícia da vinda do Messias a todo Israel? E o que teria sido de Natanael se Filipe tivesse sentido medo de falar ou estivesse tão ocupado com outras coisas, que não tivesse tido tempo para procurar um amigo e falar de Jesus?

O chamado de Natanael nos ensina também a grande lição de que Jesus nunca buscou pessoas sem dúvidas, interrogações e questionamentos, portanto se você, neste momento, está lendo esta palestra com dúvidas, você é uma das pessoas que Jesus está buscando. Por que não abrir o coração para Ele?

Jesus viu Natanael aproximar-se. Aqui está a figura do Pai que viu o filho pródigo aproximar-se sujo, imundo e cheirando a porco. Jesus disse: “Eis um verdadeiro israelita”. Para entender isto, precisamos tirar luz do Velho Testamento. O primeiro israelita foi Jacó depois que Deus lhe mudou o nome. Jacó queria dizer usurpador, enganador, mentiroso, falsário. Mas a diferença do velho Jacó, em Natanael não há dolo, seu passado está completamente apagado. Suas raízes foram esquecidas. Sua história começou de novo. Esta é uma das coisas maravilhosas que o evangelho tem. Não importa quem foi você, nem como você viveu quando não conhecia a Cristo. Tua vida começa quando você entrega o coração a Jesus. Tu entendes? Neste momento, você pode ter todo seu passado apagado pela graça de Jesus.

Ele estava apenas reconhecendo o que Natanael era ou estava descrevendo o que pela sua graça poderia chegar a ser?

Na realidade, Deus viu Natanael antes dele nascer, desde o ventre de sua mãe. Ah querido, Deus conhece tudo. Às vezes, quando as sombras desta vida nos envolvem, quando tudo dá errado e nos sentimos sozinhos, a tendência humana é pensar: “Deus me abandonou, Ele se esqueceu de mim, Ele ignora o que está acontecendo comigo”. Mas isso não é verdade. Deus conhece você desde o momento de sua concepção e o melhor de tudo é que Ele tem um plano extraordinário para sua vida.

Mas tu precisas cair aos pés de Jesus como Natanael e exclamar: “Rabi tu és o filho de Deus, tu és rei de Israel”. Perceba estes dois conceitos que vão juntos, Filho de Deus e Rei.

Enquanto Natanael não reconhecia Jesus como Filho de Deus, por que iria adorá-Lo? No momento em que reconheceu a natureza divina do Filho, imediatamente O aceitou também como rei. É Jesus o rei de tua vida? Pense antes de responder: por que um rei, reina? Jesus reina absoluto e soberano em tua vida?

Que grande dia aquele para Natanael! De manhã não passava de um homem cético, preconceituoso, vazio, desajustado e sem perspectivas futuras. Mas Jesus o buscou através de Filipe. O achou, tocou sua vida, apresentou-lhe o convite, deu-lhe a benção e mostrou-lhe a promessa. Natanael caiu aos pés de Jesus e O reconheceu como Deus e Rei, e a partir daí, novos horizontes se abriram para o jovem israelita.

Estás sentado como Natanael? Teu coração treme mesmo não querendo? Tua mente luta para aceitar? Tuas dúvidas, interrogações e questionamentos parecem pedras que dificultam o caminho em direção a Jesus? Clame por ajuda, aí onde estás.

 

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Tempo do Natal antes da Epifania - Eis o Cordeiro de Deus!

Segundo Domingo do Tempo Comum – Jesus respondeu: “Vinde ver” – São João 1,  35 a 42 – Dia 14 de janeiro de 2018 | Ide e Anunciai

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu (Is 9,2).

O cristão “não pode pecar porque nasceu de Deus”. Somos convidados a entender que não pecar não é realidade adquirida, mas conquista pessoal a realizar-se dia a dia, na medida em que somos fiéis no seguimento de Jesus, o Cordeiro de Deus.

Primeira Leitura: 1 João 3,7-10

Leitura da primeira carta de São João – 7Filhinhos, que ninguém vos desencaminhe. O que pratica a justiça é justo, assim como ele é justo. 8Aquele que comete o pecado é do diabo, porque o diabo é pecador desde o princípio. Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo. 9Todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado, porque a semente de Deus fica nele; ele não pode pecar, pois nasceu de Deus. 10Nisto se revela quem é filho de Deus e quem é filho do diabo: todo o que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama o seu irmão. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 97(98)

Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. – R.

2. Aplauda o mar com todo ser que nele vive, / o mundo inteiro e toda gente! / As montanhas e os rios batam palmas / e exultem de alegria. – R.

3. Na presença do Senhor, pois ele vem, / vem julgar a terra inteira. / Julgará o universo com justiça / e as nações com equidade. – R.

Evangelho: João 1,35-42

Aleluia, aleluia, aleluia.

Depois de ter falado, no passado, / aos nossos pais, pelos profetas, muitas vezes, / em nossos dias Deus falou-nos por seu Filho (Hb 1,1s). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 35João estava de novo com dois de seus discípulos 36e, vendo Jesus passar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!” 37Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. 38Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: “O que estais procurando?” Eles disseram: “Rabi (que quer dizer mestre), onde moras?” 39Jesus respondeu: “Vinde ver”. Foram, pois, ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde. 40André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. 41Ele foi logo encontrar seu irmão Simão e lhe disse: “Encontramos o Messias” (que quer dizer Cristo). 42Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer pedra). – Palavra da salvação.

Reflexão

Ao apontar hoje para Cristo como o Cordeiro de Deus, S. João Batista nos apresenta Jesus como aquele que, desde o início dos séculos, era esperado como sacerdote de reconciliação entre Deus e os homens, de um lado, e vítima de expiação pelos pecados do mundo, de outro. Isso significa, entre outras coisas, que Nosso Senhor quis vir a este mundo para, feito um de nós, entregar livremente a própria a vida a nosso favor; Ele, noutras palavras, nasceu para morrer, viveu como Cordeiro à espera de ser imolado. Nisto consistiu a sua missão, e a isto se resume a nossa vocação mais íntima. Incorporados a Ele pelo batismo e feitos participantes dos mistérios de sua vida, também nós nascemos para morrer, para entregar nossa vida, para, associados ao amor redentor do Cordeiro de Deus, dar tudo o que temos e somos. Pois nisso, com efeito, consiste o que chamamos amor, em dar tudo e dar-se a si mesmo. É o único meio, neste mundo em que impera a dor e o egoísmo, de dar verdadeiro sentido ao sofrimento, que a todos atinge, ricos ou pobres. É, pois, em união com o amor salvífico de Cristo que faremos da nossa dor amor, da nossa vida sacrifício, da nossa tristeza alegria, da nossa tribulação conversão. Acolhamo-nos hoje sob os braços daquele que nos diz: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28), confiantes na eficácia de sua graça e no poder transformante de sua caridade.


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terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Tempo do Natal antes da Epifania

 Eis o Cordeiro de Deus!» – PALAVRA DE AMOR, PALAVRA!
Primeira Leitura: 1 João 2,29-3,6

Leitura da primeira carta de São João – Caríssimos, 29já que sabeis que ele é justo, sabei também que todo aquele que pratica a justiça nasceu dele. 3,1Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. 4Todo o que comete pecado comete também a iniquidade, porque o pecado é a iniquidade. 5Vós sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados e que nele não há pecado. 6Todo aquele que peca mostra que não o viu nem o conheceu. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 97(98)

Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. – R.

2. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus. / Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / alegrai-vos e exultai! – R.

3. Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa / e da cítara suave! / Aclamai, com os clarins e as trombetas, / ao Senhor, o nosso rei! – R.

Evangelho: João 1,29-34

Aleluia, aleluia, aleluia.

A Palavra se fez carne, entre nós ela habitou; / e todos os que a acolheram, de Deus filhos se tornaram (Jo 1,14.12). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – 29No dia seguinte, João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim. 31Também eu não o conhecia, mas, se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. 32E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba, do céu e permanecer sobre ele. 33Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, esse é quem batiza com o Espírito Santo’. 34Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus!” – Palavra da salvação.

Reflexão 

“Eis o Cordeiro de Deus”, diz o sacerdote todos os dias durante a celebração da Santa Missa. A expressão é retirada das páginas do Evangelho, em que São João Batista aponta para Jesus como aquele “que tira o pecado do mundo”. Neste Segundo Domingo do Tempo Comum do Ano A, a Liturgia da Igreja traz para nós uma meditação sobre essa mesma cena, descrita por São João Evangelista. São palavras simples -- com as quais já estamos habituados --, mas que escondem um profundo mistério: o Deus encarnado, a vítima imolada, o nosso redentor.

Por várias vezes as palavras “cordeiro de Deus” aparecem na Santa Missa. No famoso canto Agnus Dei, a comunidade se dirige a Deus, elevando aos céus súplicas por Sua piedade. Trata-se de uma oferta. A expressão “o cordeiro de Deus” remete-nos para o sacrifício pascal, atualizado na celebração eucarística pelas mãos do sacerdote. No Egito, durante as dez pragas com as quais Deus puniu o faraó, os hebreus sacrificam um cordeiro e passam o sangue dele em suas portas, a fim de terem os filhos poupados pelo anjo exterminador. O “cordeiro de Deus” é, portanto, aquele que dá seu sangue pela vida de seus filhos. O cordeiro imolado na cruz.

Todo o Evangelho de São João contempla esse paralelo entre o cordeiro do Egito e o cordeiro crucificado. Em seu relato, vemos que Jesus é condenado à morte no mesmo instante em que os sacerdotes se preparavam para matar os cordeiros da páscoa. Segue-se a isso a narrativa dos soldados perante os três crucificados. Eles desejam quebrar as pernas dos malfeitores, mas aos ossos de Cristo não fazem mal algum, cumprindo o que se predizia nas Escrituras: “nenhum dos seus ossos será quebrado” (Cf. Ex 12, 46).

O estimado teólogo luterano Joachim Jeremias propõe-nos algo interessante a esse respeito. Refletindo sobre as possíveis traduções da palavra cordeiro (talya, em aramaico), o teólogo nos faz notar que João Batista podia estar se referindo a dois sentidos: "servo" ou "cordeiro" 01

Ainda assim, o "cordeiro de Deus" de que fala o Evangelho também pode nos recordar do "cordeiro do Apocalipse". É a constatação que faz o teólogo e ex-pastor protestante Scott Hahn, no famoso relato de sua conversão ao catolicismo. No livro "O banquete do cordeiro" 02

O "cordeiro de Deus" é, portanto, o "cordeiro pascal", o "servo sofredor" e "o cordeiro do Apocalipse".

Vemos em todas essas interpretações uma sombra da cruz, por assim dizer, que nos faz identificar a realidade do sacrifício. Cristo morre na cruz para nos libertar. O pecado nos fez escravos do demônio. Era preciso então que essa ferida fosse redimida 03

[...] Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos foi manifestado por amor de vós.

A narração do Evangelho deste domingo nos coloca diante da realidade do sacrifício, algo que fica ainda mais em evidência quando contraposto com a leitura da semana passada, em que celebrávamos o Batismo de Jesus. Jesus é batizado por São João Batista, e recebe o Espírito Santo em forma de pomba. Qual é o significado disso? Ora, todo sacrifício necessita do fogo. O Espírito Santo é, pois, esse fogo que vem converter a dor em amor.

Chegamos então ao ponto fulcral da nossa reflexão: o Espírito Santo é quem transforma o sofrimento em amor. Com efeito, uma vez que pelo batismo fomos introduzidos no Corpo de Cristo, no sacrifício da cruz também estamos presentes; também somos transformados pelo amor do Espírito Santo, no instante em que Jesus diz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito." (Cf. Lc 23, 46). É a dinâmica pascal; somos convidados a entrar nessa dinâmica do Espírito Santo. Jesus olha para nós, assim como olhou para os discípulos de São João Batista, e nos diz: "vinde e vede" (Cf. 1, 39).

É o caminho da conversão: seguir com “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Não se espantar com a dor mas deixar-se tocar pela graça, reclinando a cabeça no peito de Cristo, assim com o fez São João Evangelista. Só dessa maneira a nossa dor poderá se converter em amor, o amor que brota da cruz.


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Referências

  1. Dicionário Bíblico-Teológico, p. 71
  2. HAHN, Scott. O Banquete do Cordeiro. São Paulo: Edições Loyla
  3. A Resposta Católica: Por que foi necessária a morte de Jesus?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

 Evangelho de hoje (Jo 1,19-28) - Egídio Serpa | Egídio Serpa - Diário do  Nordeste

Primeira Leitura: 1 João 2,22-28

Leitura da primeira carta de São João – Caríssimos, 22quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? O anticristo é aquele que nega o Pai e o Filho. 23Todo aquele que nega o Filho também não possui o Pai. Quem confessa o Filho possui também o Pai. 24Permaneça dentro de vós aquilo que ouvistes desde o princípio. Se o que ouvistes desde o princípio permanecer em vós, permanecereis com o Filho e com o Pai. 25E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. 26Escrevo isso a respeito dos que procuram desencaminhar-vos. 27Quanto a vós mesmos, a unção que recebestes da parte de Jesus permanece convosco, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine. A sua unção vos ensina tudo, e ela é verdadeira e não mentirosa. Por isso, conforme a unção de Jesus vos ensinou, permanecei nele. 28Então, agora, filhinhos, permanecei nele. Assim poderemos ter plena confiança quando ele se manifestar e não seremos vergonhosamente afastados dele quando da sua vinda. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 97(98)

Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. – R.

2. O Senhor fez conhecer a salvação, / e às nações, sua justiça; / recordou o seu amor sempre fiel / pela casa de Israel. – R.

3. Os confins do universo contemplaram / a salvação do nosso Deus. / Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / alegrai-vos e exultai! – R.

Evangelho: João 1,19-28

Aleluia, aleluia, aleluia.

Depois de ter falado, no passado, / aos nossos pais, pelos profetas, muitas vezes, / em nossos dias Deus falou-nos por seu Filho (Hb 1,1s). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – 19Este foi o testemunho de João quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” 20João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. 21Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o profeta?” Ele respondeu: “Não”. 22Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” 23João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’ – conforme disse o profeta Isaías”. 24Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25e perguntaram: “Por que então andas batizando se não és o Messias, nem Elias, nem o profeta?” 26João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis 27e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. 28Isso aconteceu em Betânia além do Jordão, onde João estava batizando. – Palavra da salvação.

Reflexão

Dando continuidade ao prólogo de Evangelho de São João, a leitura de hoje nos apresenta o testemunho do Batista. Tendo ouvido falar respeito dele, os fariseus enviam-lhe de Jerusalém alguns sacerdotes e levitas para perguntar-lhe quem afinal ele era. Sem meias palavras, João nega contundentemente ser o Messias: "Eu não sou o Cristo", diz aos que se mostravam tão preocupados em descobrir a identidade daquele penitente que, de rins cingidos, atraía uma multidão de corações vindos "de Jerusalém, da Judeia e de toda a circunvizinhança do Jordão" (Mt 3, 5). Qual seria, então, o motivo dessa insistência em saber quem de fato era João? Devemo-nos lembrar aqui da promessa que em Dt 18, 15-18 o Senhor fizera a Moisés: "Eu lhes suscitarei um profeta como tu dentre os teus irmãos". Anuncia-se, pois, a vinda de um profeta que, tal como Moisés, veria a Deus face a face (cf. Ex 33, 11; Nm 12, 8; Dt 5, 4 e 34, 10) e, sob sua inspiração, daria a conhecer aos homens os seus desígnios.

Por isso, o Batista confessa não ser o Esperado: "Não sou", porque não via ao Senhor. É, na verdade, o próprio Evangelista João quem declara, alguns versículos antes, a quem se refere a promessa de Deus: "Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou" (Jo 1, 18). É Jesus que, estando voltado para a intimidade do Pai, veio revelar-nos os segredos do "único que habita em luz inacessível, a quem nenhum homem viu, nem pode ver" (1Tm 6, 16); é Jesus o único que, não por ouvir dizer, mas porque é um com Ele (cf. Jo 10, 30), pode revelar ao homem a vontade do Pai. E "este é o testemunho de João": Nosso Senhor é mais do que um profeta; Ele é a própria Palavra eterna e substancial do Pai que, superando-as, realiza as profecias feitas ao povo eleito.

Daí que, diante da grandeza de Cristo, ao Batista não caiba outra coisa senão deixar-se desaparecer: "Eu não sou o Cristo [...]. Importa que Ele cresça e eu diminua" (Jo 3, 28.30). Essa humildade do Precursor deixa transparecer-se inclusive quando, instado pelos sacerdotes e levitas, ele dá respostas cada vez mais curtas, à semelhança de um eco que se vai aos poucos esvanecendo: "Eu não sou o Cristo"; "Não sou"; "Não". Ao fim e cabo, o que sobre diante da majestade de Jesus é uma voz, uma voz que ecoa uma Palavra que a transcende, que a supera. João é a voz que ecoa, que vai desaparecendo aos poucos; Jesus é o Verbo, que permanece para sempre, que, vindo do Pai, fala a linguagem do Pai (cf. Jo 3, 34) e é o único que, sendo o caminho, a verdade e a vida (cf. Jo 14, 6), pode dar aos homens o poder de se tornarem filhos dAquele que tudo entregou em suas mãos (cf. Jo 3, 35).

 
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domingo, 1 de janeiro de 2023

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

 LITURGIA DA PALAVRA: LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 2,1-14 - 25.12.2014 -  Hoje, nasceu para vós um Salvador.

Salve, ó Santa Mãe de Deus, vós destes à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos (Sedúlio).

Embora sob o peso das consequências da longa pandemia e das polarizações, com esperança no coração nos reunimos para a primeira celebração do novo ano civil. Amados e acolhidos com afeto materno pela Mãe de Deus, peçamos-lhe que nos acompanhe ao longo do novo ano. Que ela nos ajude, em espírito de Igreja sinodal, a superar o ciclo da intolerância e nos anime a construir uma sociedade mais justa, pacífica e solidária.

Primeira Leitura: Números 6,22-27

Leitura do livro dos Números – 22O Senhor falou a Moisés, dizendo: 23“Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: 24‘O Senhor te abençoe e te guarde! 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! 26O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’ 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 66(67)

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção.

1. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, / e sua face resplandeça sobre nós! / Que na terra se conheça o seu caminho / e a sua salvação por entre os povos. – R.

2. Exulte de alegria a terra inteira, / pois julgais o universo com justiça; / os povos governais com retidão / e guiais, em toda a terra, as nações. – R.

3. Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, / que todas as nações vos glorifiquem! / Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, / e o respeitem os confins de toda a terra! – R.

Segunda Leitura: Gálatas 4,4-7

Leitura da carta de São Paulo aos Gálatas – Irmãos, 4quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, 5a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai! 7Assim já não és escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça de Deus. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Lucas 2,16-21

Aleluia, aleluia, aleluia.

De muitos modos, Deus outrora nos falou pelos profetas; / nestes tempos derradeiros, nos falou pelo seu Filho (Hb 1,1s). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 16os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. 17Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. 18E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. 19Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração. 20Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. 21Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido. – Palavra da salvação.

Reflexão
 
A solenidade de Nossa Senhora, Mãe de Deus, celebrada no dia 1.º de janeiro, dá fim à Oitava do Natal e início a mais um ano civil, posto sob os auspícios maternais daquela que, segundo a doutrina defendida pelo Concílio de Éfeso contra a ímpia heresia de Nestório, é verdadeiramente Teótoco (Θεοτόκος), isto é, Mãe de Deus, por ter gerado e dado à luz segundo a carne o próprio Filho de Deus feito carne. A Igreja dirige hoje o nosso olhar para a Mãe do Salvador, não porque Jesus seja menos importante, mas porque Maria SS., na economia da redenção determinada ab æterno por Deus, era necessária para que o Filho de Deus se tornasse Filho do Homem. A Virgem bendita, nesse sentido, não é um “apêndice” nem um detalhe de somenos na história da salvação, mas, antes, uma peça-chave, sem a qual Deus não quis entrar na história e da qual Ele mesmo assumiu a carne para poder-se chamar realmente Emanuel. Com efeito, o Senhor mesmo, enquanto caminhou no meio de nós, fez questão de ressaltar várias vezes (cerca de 78, se consideramos as passagens paralelas) que Ele, Filho eterno do Pai, era também Filho do Homem (gr. ὁ υἱὸς τοῦ ἀνθρώπου, hebr. bar ’enash), expressão da qual se servia não somente por ser conhecida dos hebreus e remeter espontaneamente à profecia messiânica de Daniel (cf. Dn 7, 13s), mas também por indicar que Ele recebeu toda a sua humanidade de uma única carne, de um único ser humano, isto é, das entranhas puríssimas e nunca profanadas da Virgem Imaculada. Ele, com efeito, é Filho do Homem, homem como nós em tudo, menos no pecado, justamente por ser Filho de Maria, não no sentido de que ela tenha dado origem à divindade com que o seu Filho é antes dela e de todos os séculos, mas porque o Espírito Santo a fecundou para que dela assumisse a natureza humana Aquele que, sendo Deus eterno, a criou no tempo, e para que ela mesma gerasse e desse à luz, permanecendo intacta a sua virgindade, Aquele que é o próprio e sempiterno unigênito do Genitor eterno (cf. S. Leão Magno, Ad Flav., c. 2; DH 291). A grandeza admirável dessa geração singular, pela qual o Filho eterno do Pai se fez Filho de Maria, supera em tal medida todo entendimento criado que a moderação de um santo da estatura de Tomás de Aquino chegou a afirmar que, por sua divina maternidade, a Virgem SS. foi elevada a uma dignidade quase infinita. Que também nós possamos encher-nos da mesma admiração que levou o Aquinate a cantar os louvores da Mãe do Criador. Renovando hoje nossa consagração total a ela, peçamos à Virgem SS. que nos guarde sob o seu amparo ao longo de todo este ano que se inicia e se digne interceder por nós junto ao seu Filho, a quem seja toda toda honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.
 
 
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