terça-feira, 3 de julho de 2018

Liturgia Diária - Meu Senhor, e meu Deus!

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1a Leitura - Efésios 2,19-22
Leitura da carta de são Paulo aos Efésios.
2 19 Conseqüentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus,
20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus.
21 É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor.
22 É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus.
Palavra do Senhor.

Salmo - 116/117
Ide por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes,
povos todos, festejai-o!

Pois comprovados é seu amor para conosco,
para sempre ele é fiel!


Evangelho - João 20,24-29
Aleluia, aleluia, aleluia.

Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que crêem sem ter visto (Jo 20,29)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
20 24 Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
25 Os outros discípulos disseram-lhe: “Vimos o Senhor”. Mas ele replicou-lhes: “Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!”
26 Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!”
27 Depois disse a Tomé: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé”.
28 Respondeu-lhe Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!”
29 Disse-lhe Jesus: “Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!”
Palavra da Salvação.
 
Reflexão
 
Tomé que até então não havia acreditado no depoimento dos discípulos sobre a ressurreição de Jesus. E, ao se ver diante do Mestre, e ao tocar as suas feridas, disse: Meus Senhor e meu Deus! e Tomé acreditou.
Tomé precisou ver o ressuscitado. Precisou tocá-lo para então crer.
Jesus disse que felizes somos nós, que acreditamos mesmo sem ter visto e tocado as feridas de Jesus.
Fé, é isso. É crer mesmo sem ver. Cremos nos mistérios da nossa fé, até mesmo sem ter visto com os olhos físicos. Pois vemos com os olhos da fé.
Isto por que a fé é um instinto, igual ao instinto que nos leva ao alimento, a beber água, a sentir sono e a dormir mesmo diante de um barulho, etc.
A fé é um dom que nos é dado pelo Criador. A fé deve ser cultivada, caso contrário, ficaremos como Tomé antes da experiência com o ressuscitado.
Sem o cultivo, a fé não cresce, não se desenvolve. Por isso é que a catequese é necessária. E é aí que entra o trabalho de todos aqueles e aquelas que são chamados para divulgar a palavra de Deus.
Não somente esses chamados a catequese direta, mas todos nós os batizados, pois podemos dizer que todos nós somos catequistas. Pelo nosso testemunho.
E é bom que lembremos que o testemunho, o bom exemplo, às vezes fala muito mais alto do que a catequese da palavra propriamente dita.
Aliás, a evangelização tem de ser acompanhada do exemplo e do testemunho pessoal, senão será como tiro sem bala. Não fará efeito uma catequese apenas com os lábios.
Minha irmã, como anda a sua fé? Você às vezes se sente como um Tomé? Por vezes você gostaria de ver um milagre acontecer para que possa acreditar?
Você ainda tem dúvidas sobre algum dos mistérios da nossa fé?
Então, quando bater a dúvida, o questionamento de fé, reze. Pense nos milagres de Jesus. Pense que um homem normal, um homem qualquer não faria o que Jesus fez.
E tenha toda certeza, de que Jesus foi a prova maior da existência de Deus. Jesus foi o retrato visível de Deus que é invisível.
Aliá, Deus não é tão invisível assim. Podemos “vê-lo” às vezes se aproximando de nós. Nós o sentimos. Falando conosco através dos acontecimentos, de pessoas e mesmo através de alguma desventura que nos acontece.
Deus não está distante, não está dormindo, não nos abandona nunca! Mais sim, Deus está no meio de nós, do nosso lado. Ele vê tudo. Até os seus pensamentos.
Aproveita e fale com Ele agora. Basta só elevar a sua mente até o Alto. Peça perdão, agradeça, e peça a solução dos seus problemas. Mas faça isso com muita fé. Não seja como Tomé.
 
 
 
 
José Salviano.

Cristo remiu-nos “não com sangue dos bodes ou bezerros, mas com o seu próprio sangue”: grandiosa realidade que, se fosse deveras compreendida, seria mais que suficiente para fazer de nós autênticos santos.

Cristo remiu-nos “não com sangue dos bodes ou bezerros, mas com o seu próprio sangue”: grandiosa realidade que, se fosse deveras compreendida, seria mais que suficiente para fazer de nós autênticos santos.
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Ó Jesus que me remistes com o Vosso Sangue, fazei que o Vosso Sangue produza em mim todo o Seu fruto.
Na liturgia de hoje [1] sobressai a majestosa figura de Jesus, como a de um rei que se apresenta ao povo no esplendor do seu manto real: “Quem é este — canta o Ofício do dia — que vem… com vestidos tingidos, esplendoroso na sua túnica?” (Breviário Romano). Mas o manto envergado por Cristo não é resplandecente pelo bisso ou pela púrpura, mas pelo sangue, pelo Seu Sangue, derramado pelos nossos pecados: “Está vestido com uma veste manchada de Sangue, e chama-se o Verbo de Deus” (ib.).
Aquele Sangue que o Verbo, ao incarnar, tomou da nossa natureza humana, todo no-lo devolveu como preço do nosso resgate. Não o fez obrigado por ninguém, mas livremente, porque quis, porque nos amou: “Cristo amou-nos e lavou-nos dos nossos pecados no seu sangue” (Ap 1, 5). Todos os mistérios da nossa redenção são mistérios de amor e todos, por isso, nos incitam ao amor; mas aquele que hoje meditamos tem uma nota particularmente comovedora, porquanto nos leva a considerar a Redenção sob o seu aspecto mais cruento: a efusão do Sangue de Jesus, que corre do Calvário tingindo de púrpura o mundo inteiro, rociando todas as almas.

Cristo remiu-nos “não com sangue dos bodes ou bezerros — exclama S. Paulo na Epístola (Hb 9, 11-15) — mas com o seu próprio sangue”: grandiosa realidade, realidade que se fosse deveras compreendida, seria mais que suficiente para fazer de nós autênticos santos. Devemos ter o “sentido” do Sangue de Cristo, do Sangue que Ele derramou por nós até à última gota, Sangue que, por meio dos sacramentos — da confissão, em particular — jorra continuamente para rociar as nossas almas, para as lavar, purificar e enriquecer com os méritos infinitos do Redentor. “Banhai-vos no Sangue, mergulhai no Sangue, revesti-vos do Sangue de Cristo”, era o grito incessante de Santa Catarina de Sena.
No Ofício do dia, S. Paulo convida-nos com ardor a correspondermos ao dom de Cristo: “Jesus, para santificar o povo com o seu sangue padeceu fora da porta [de Jerusalém]. Saiamos pois ao seu encontro… levando o seu opróbrio”. Se queremos que o Sangue de Cristo produza em nós todo o seu fruto, devemos unir-lhe o nosso. Somente o Seu é preciosíssimo, tão precioso que uma só gota era suficiente para salvar todo o mundo. Todavia Jesus quer, como sempre, que lhe juntemos a nossa parte, o nosso contributo de sofrimento, de sacrifício, “levando o seu opróbrio”.
Se formos sinceros temos de reconhecer que procuramos fugir quanto podemos aos opróbrios de Cristo; se às vezes uma falta de delicadeza, uma pequena ofensa ou uma palavrita mordaz basta para nos irritar, como poderemos dizer que somos capazes de partilhar as humilhações do Mestre divino? Ei-lO tratado como um malfeitor, arrastado pela soldadesca, entre escárnios grosseiros, para fora da porta de Jerusalém e aí crucificado no meio de dois ladrões. E nós, que parte tomamos na Sua Paixão? De que modo partilhamos os Seus opróbrios?
Foi para nos redimir que “Jesus sofreu a cruz sem fazer caso da ignomínia… E vós — censura S. Paulo — ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado” (Hb 12, 2 e 4). Poderemos dizer que somos capazes de lutar “até ao sangue” para vencer os nossos defeitos, o nosso orgulho, o nosso amor próprio? Oh! quão fracos e covardes somos na luta, quão indulgentes e compassivos para conosco, sobretudo para com o nosso orgulho! Jesus, inocentíssimo, castigou em Si mesmo os nossos pecados, a ponto de padecer uma morte sangrenta e ignominiosa; e nós, que somos culpados, não sabemos puni-los em nós mesmos, não digo até ao sangue, mas nem sequer até ao sacrifício do nosso amor próprio.
Eis o sangue que Jesus nos pede para juntar ao Seu: o sangue que brota da negação plena e sincera do nosso eu, da aceitação humilde e generosa de tudo o que mortifica, quebra e destrói o nosso orgulho. O Sangue preciosíssimo de Jesus dar-nos-á para isso a força “porque a alma que se inebria e se submerge no Sangue de Cristo, veste-se de verdadeiras e reais virtudes” (Santa Catarina de Sena).
Colóquio — “Ó Jesus, dulcíssimo amor, para fortalecerdes a minha alma e a libertardes da fraqueza em que havia caído pelo pecado, cercaste-a com um muro tendo amassado a cal com a abundância do Vosso Sangue, deste Sangue que une e confirma a alma na doce vontade e caridade de Deus! E como para unir as pedras se põe cal amassada com água, assim Vós, meu Deus, pusestes, entre Vós e as criaturas o Sangue do Vosso Unigênito Filho, amassado com a cal viva do fogo duma ardentíssima caridade; por isso não há Sangue sem fogo nem fogo sem Sangue. O Vosso Sangue, ó Cristo, foi derramado com o fogo do amor” (Sta. Catarina de Sena).
“Eu vos adoro, ó Sangue preciosíssimo de Jesus, flor da criação, fruto da virgindade, instrumento inefável do Espírito Santo, e exulto pensando que, provindo das gotas do sangue virginal, ao qual imprimiu movimento o eterno amor, fostes assumido pelo Verbo e deificado na Sua pessoa. Enterneço-me profundamente pensando que do Coração da Virgem passastes ao Coração do Verbo, e animado pelo sopro da divindade, vos tornastes digno de adoração por serdes Sangue de um Deus.
Eu vos adoro encerrado nas veias de Jesus, conservado na Sua Humanidade como o maná na arca de ouro, memorial da Redenção eterna, por Ele operada nos dias da Sua vida mortal. Adoro-vos, Sangue do Novo e eterno Testamento, irrompendo das veias de Jesus no Getsêmani, das Suas carnes flageladas no Pretório, das mãos e pés trespassados e do lado aberto no Gólgota. Adoro-vos nos sacramentos; adoro-vos na Eucaristia, onde sei que estais substancialmente contido…
Em vós deposito a minha confiança, ó adorável Sangue, nosso preço e nosso banho. Caí gota a gota, suavemente, nos corações transviados e abrandai a sua dureza. Limpai, ó Sangue adorável de Jesus, limpai as nossas manchas, salvai-nos da ira do anjo exterminador. Regai a Igreja: fecundai-a de taumaturgos e de apóstolos, enriquecei-a de almas santas, puras e radiantes de beleza divina” (S. Alberto Magno).




Referências

  • Extraído e levemente adaptado de “Intimidade Divina: Meditações sobre a Vida Interior para Todos os Dias do Ano”, 2.ª ed., Porto: Edições Carmelitanas, 1967, pp. 1456-1459.

Notas

  1. No calendário litúrgico antigo, a Igreja reservava para o dia 1.º de julho uma festa especial em honra do Preciosíssimo Sangue de Cristo. Infelizmente, no Novus Ordo, essa festa não existe mais, mas resta ainda aos sacerdotes, à medida que o permitirem as rubricas, a possibilidade de rezar Missas votivas em honra ao Preciosíssimo Sangue.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Liturgia Diária - As Raposas têm suas tocas


 
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1a Leitura - Amós 2,6-10.13-16
Leitura da profecia de Amós.
2 6 Oráculo do Senhor: “Por causa do triplo e do quádruplo crime de Israel, não mudarei meu decreto. Porque vendem o justo por dinheiro, e o pobre por um par de sandálias,
7 porque esmagam no pó da terra a cabeça do pobre, e transviam os pequenos, porque o filho e o pai dormem com a mesma jovem, o que é uma profanação do meu santo nome,
8 porque se estendem ao pé de cada altar sobre vestes recebidas em penhor, e bebem no templo do seu Deus o vinho dos que foram multados.
9 E, todavia, fui eu que exterminei diante deles os amorreus, cuja estatura se igualava à dos cedros, e que eram fortes como os carvalhos; destruí seus frutos de cima e suas riquezas de baixo;
10 fui eu que vos tirei do Egito e vos conduzi, através do deserto, durante quarenta anos, para vos dar a posse da terra dos amorreus;
13 Pois bem! Eis que eu vos vou fazer ranger como um carro carregado de feno.
14 Não haverá mais fuga possível para o homem ágil, o forte não encontrará mais sua força, o valente não salvará sua vida,
15 o arqueiro não poderá resistir, nem o homem de pés ligeiros poderá escapar, nem o cavaleiro salvará sua vida,
16 e o mais corajoso entre os valentes fugirá nu, naquele dia” - oráculo do Senhor.
Palavra do Senhor.

Salmo - 49/50
Entendei isto, todos vós que esqueceis o Senhor Deus!

“Como ousas repetir os meus preceitos
e trazer minha aliança em tua boca?
tu que odiaste minhas leis e meus conselhos
e deste as costas às palavras dos meus lábios!

Quando vias um ladrão, tu o seguias
e te juntavas ao convívio dos adúlteros.
Tua boca se abriu para a maldade
e tua língua maquinava a falsidade.

Assentado, difamavas teu irmão
e ao filho de tua mãe injuriavas.
Diante disso que fizeste, eu calarei?
Acaso pensar que eu sou igual a ti?
É disso que te acuso e repreendo
e manifesto essas coisas aos teus olhos.

Entendei isto, todos vós que esqueceis Deus,
para que eu não arrebate a vossa vida
sem que haja mais ninguém para salvar-vos!
Que me oferece um sacrifício de louvor,
este, sim, é que me honra de verdade.
A todo homem que procede retamente
eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.

Evangelho - Mateus 8,18-22
Aleluia, aleluia, aleluia.
Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
8 18 Certo dia, vendo-se no meio de grande multidão, ordenou Jesus que o levassem para a outra margem do lago.
19 Nisto aproximou-se dele um escriba e lhe disse: “Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores”.
20 Respondeu Jesus: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.
21 Outra vez um dos seus discípulos lhe disse: “Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar meu pai”.
22 Jesus, porém, lhe respondeu: “Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos”.
Palavra da Salvação.
 
Reflexão
 
 
Jesus arrastava as multidões.  Não só pelos seus milagres espetaculares, principalmente as curas libertadoras do sofrimento dos excluídos, mais também pelos seus discursos, embora às vezes nem todos entendessem onde Ele queria chegar com as suas comparações enigmáticas.
Mais a verdade é que muitos se empolgavam com a sua presença, com o seu poder nada visto antes, e demonstravam o seu desejo de segui-lo.
Ao dizer que as raposas têm suas tocas, Ele quis deixar bem claro, que o seu seguimento não seria motivo de enriquecimento, muito menos de prestígio pessoal. Pelo contrário, o fato de segui-lo, implicaria em largar tudo, renunciar a si mesmo, e enfrentar as contrariedades advindas dos opositores da verdade, e dos injustos que poderiam se sentir prejudicados com a denúncia dos seus abusos.
É, meus irmãos! O seguimento de Jesus é coisa séria! Porém, se por um lado não é fácil optar pelo Reino, por outro, a recompensa é muito grande.
E o próprio Jesus nos prometeu isso: Terá 100 vezes mais nessa vida, e mais a vida eterna, com direito a perseguições.
Jesus não enganou a ninguém que queria segui-lo. Ele avisou da falta de conforto, da necessidade da auto-negação, e das possíveis perseguições.
Porém, o melhor de tudo, foi a sua promessa de recompensa. (Terá 100 vezes mais...)
E quem está a serviço do Reino pode confirmar isso. Quem segue a Jesus e está empenhado em divulgar a sua palavra, sabe muito bem do que estamos falando aqui.
Nada, absolutamente nada, lhe faltará. Não se trata necessariamente de riqueza, de fortuna, mas o necessário lhe é abundante. Deus nos proporciona tudo o que necessitamos para poder continuar a nossa missão com fidelidade e dedicação.
Este Evangelho nos inspira a nos perguntar sobre a nossa coragem de seguir Jesus.
Este Evangelho de hoje está lhe perguntando:
Você é capaz de deixar tudo e seguir Jesus? Você é capaz de deixar a ambição exagerada, a tendência ao consumismo, as suas preferências nem sempre morais?
Você seria capaz de deixar o pecado? Aquele pecado?
Cada um de nós, ao fazer agora essas perguntas a si mesmo, poderia acrescentar: O QUE ESTÁ ME  PRENDENDO?
O que me prende de seguir a Jesus e trabalhar pelo Reino? Trabalhar pela salvação da humanidade e pela minha salvação?
 
 
 

  José Salviano.

O Papa é infalível em tudo o que diz ou faz?

POPES
Domaine Public

Muita gente tem sobre a infalibilidade do Papa uma noção que a Igreja nunca, e em parte alguma, ensinou. Neste texto, confira uma resposta às principais objeções que as pessoas têm a esse dogma.

Sinto, meus irmãos, que alguns gostariam de fazer certas objeções — objeções que ouviram, ou leram, contra a infalibilidade do Papa. Não se pode imaginar quanta ideia errônea circula por aí a respeito desse dogma e quanta gente há que levanta contra ele objeções, porque tem sobre a infalibilidade do Papa uma noção que a Igreja nunca, e em parte alguma, ensinou.
Ouçamos o que alguns dizem sobre essa questão.
1. “Tudo o que ouvimos até agora é certo. É preciso que seja assim. Não duvido. Mas que o Papa seja infalível em tudo, não posso crê-lo.”
Mas onde é que a Igreja ensina semelhante coisa, meus irmãos? Onde é que ela ensina que o Papa é infalível em tudo? É unicamente nas questões de fé e de moral, e, ainda, somente quando ele não se pronuncia como doutor particular [1], mas quando, oficialmente, como chefe da Igreja, proclama uma decisão que atinge toda a Igreja. É só então — e não noutros casos.
Suponhamos, por exemplo, que seja eleito Papa alguém que antes era um grande matemático. E eis que se apresenta a ele um professor de matemática e lhe diz: “Santíssimo Padre, há anos que lido com um problema, e agora consegui resolvê-lo. Vede se a solução está exata.” O Papa examina-a. “Está exata” — diz ele enfim. E agora a solução está certamente exata porque o “Papa infalível” assim a achou? De modo algum. Por quê? Porque Cristo não lhe deu a infalibilidade para isso. E por que não? Porque isso não interessa à salvação dos homens, e a infalibilidade não é necessária nesse caso.
Tomemos outro exemplo. O Papa Pio XI, antes do seu pontificado, era o sábio bibliotecário da biblioteca Ambrosiana em Milão. Suponhamos que um historiador fosse ter com ele, levando um velho manuscrito, e lhe dissesse: “Santíssimo Padre, descobri um manuscrito extremamente importante, mas não posso decidir se não é falsificado.” O Papa examina-o e responde: “O documento é autêntico.” É ele agora seguramente autêntico porque o “Papa infalível” o disse? Absolutamente não. E por quê? Porque Cristo não lhe deu a infalibilidade para isso.
Se o Papa calcula mal, ou engana-se em História, isso não interessa à salvação eterna dos fiéis. Mas quando decide em matéria de fé e de moral, não pode enganar-se. Porém, mesmo aqui, somente se ele toma uma decisão aplicável à Igreja universal, e na qualidade de chefe de toda a Igreja.
Interior da Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma. Detalhe das pinturas dos últimos Papas.
2. Outros apresentam outra objeção. Consideram inconveniente que o Papa, em virtude da infalibilidade, “seja elevado a uma glória sobre-humana”, como se “deixasse de ser mortal”, e até mesmo que esteja seguro da sua salvação eterna, visto como — dizem eles —, se ele é infalível, “então não pode mais pecar”.
Precisarei, irmãos, dizer-vos que absolutamente não se trata disto?
a) “O Papa está circundado de glória sobre-humana”? Quando o Papa é coroado, é conduzido solenemente em procissão à Basílica de São Pedro. Mas o mestre de cerimônias faz parar a procissão e, acendendo um punhado de estopa, diz ao Papa: Beatissime Pater, sic transit gloria mundi, que quer dizer: “Santo Padre, assim passa a glória do mundo”. A vossa também passará — mas sois infalível, porque as duas coisas são independentes.
b) “O Papa deixa de ser um mortal”? Na terça-feira gorda tem lugar o célebre carnaval italiano. Mas, no dia seguinte, as igrejas estão cheias de fiéis para receber as cinzas. Na capela do Vaticano um velho sacerdote, vestido de branco, está ajoelhado diante do altar; outro sacerdote desce do altar e, enquanto impõe as cinzas na fronte do Papa e o Papa inclina a cabeça branca, a Igreja pronuncia sobre ele a mesma fórmula que sobre os milhões de fiéis nesse dia: Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris, “Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás de tornar”. Também vós, Santíssimo Padre, volvereis ao pó — mas sois infalível, porque, as duas coisas são independentes.
c) “E o Papa não pode mais pecar”? A infalibilidade não significa isso. Ele não pode enganar-se em questões de fé e de moral, mas pode enganar-se na sua própria vida moral. As fraquezas da natureza humana subsistem no Papa, ele também pode cometer pecados e — ai! — a história narra tristes quedas morais relativamente a alguns. Cristo, que suportou até mesmo um Judas entre seus Apóstolos, não escolheu os Papas unicamente dentre os santos.
Sim, tem havido entre eles mais santos e personagens virtuosos do que em qualquer família reinante; mas houve também — infelizmente — um Alexandre VI. E não há Papa que ouse aproximar-se do altar sem recitar, nas orações ao pé do altar, o que todo padre recita: Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa, “Por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa”.
Uma tarde em cada semana, quando os derradeiros raios do sol poente iluminam as janelas do Vaticano, por trás de uma dessas janelas, um sacerdote de vestes brancas levanta-se da mesa de trabalho, percorre um corredor silencioso e bate a uma porta. Um simples padre levanta-se para lhe atender ao chamado. “Queria confessar-me”, e o Papa ajoelha-se no confessionário. Ao cabo de alguns minutos, sobre o Papa ajoelhado, sobre o Papa que se confessou, descem as palavras da absolvição: Ego te absolvo, “Eu te absolvo”. Então o Papa se confessa? Certamente. O Papa infalível também pode pecar? Sim, pode, pois as duas coisas são independentes.
Nós não fazemos, pois, do Papa “um ente sobrenatural”; o Papa não deixa de ser “um homem mortal, frágil e suscetível de cair”, apesar do que cremos e confessamos a seu respeito.

Referências

  • Extraído e levemente adaptado de A Igreja Católica. Rio de Janeiro: José Olympio, 1942, pp. 92-96.

Notas

  1. “O Papa se pronuncia ex cathedra, ou infalivelmente, quando ele fala: (1) como Doutor Universal; (2) em nome e com a autoridade dos Apóstolos; (3) em um ponto de fé e moral; (4) com o propósito de obrigar cada membro da Igreja a aceitar e acreditar em sua decisão.” (Cardeal John Henry Newman, The True Notion of Papal Infallibility)





(via Pe. Paulo Ricardo)

domingo, 1 de julho de 2018

Solenidade de São Pedro e São Paulo

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1a Leitura - Atos 12,1-11
Leitura dos Atos dos Apóstolos 12,1-11
12 1 Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar.
2 Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João.
3 Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento.
4 Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.
5 Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus.
6 Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere.
7 De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: “Levanta-te depressa”, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos.
8 O anjo ordenou: “Cinge-te e calça as tuas sandálias”. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: “Cobre-te com a tua capa e segue-me”.
9 Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando.
10 Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu.
11 Então Pedro tornou a si e disse: “Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus”.
Palavra do Senhor.

Salmo - 33/34
De todos os temores me livrou o Senhor Deus.
Bendirei o Senhor Deus em todo tempo,
seu louvor estará sempre em minha boca.
Minha alma se gloria no Senhor;
que ouçam os humildes e se alegrem!

Comigo engrandecei ao Senhor Deus,
exaltemos todos juntos o seu nome!
Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu
e de todos os temores me livrou.

Contemplai a sua face e alegrai-vos,
e vosso rosto não se cubra de vergonha!
Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido,
e o Senhor o libertou de toda angústia.

O anjo do Senhor vem acampar
ao redor dos que o temem e os salva.
Provai e vede quão suave é o Senhor!
Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

2a Leitura - 2 Timóteo 4,6-8. 17-18
Leitura da segunda carta de são Paulo a Timóteo.
4 6 Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima.
7 Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé.
8 Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição.
17 Contudo, o Senhor me assistiu e me deu forças, para que, por meu intermédio, a boa mensagem fosse plenamente anunciada e chegasse aos ouvidos de todos os pagãos. E fui salvo das fauces do leão.
18 O Senhor me salvará de todo mal e me preservará para o seu Reino celestial. A ele a glória por toda a eternidade!
Palavra do Senhor.

Evangelho - Mateus 16,13-19
Aleluia, aleluia, aleluia.
Tu és Pedro e sobre esta pedra eu irei construir a minha igreja; e as portas do inferno não irão derrotá-la (MT 16,18)
 
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, 16 13 chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: “No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?”
14 Responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas”.
15 Disse-lhes Jesus: “E vós quem dizeis que eu sou?”
16 Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”
17 Jesus então lhe disse: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.
18 E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
19 Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.
Palavra da Salvação. 

Reflexão 

Celebramos neste Domingo, a festa  de São Pedro e São Paulo, dois homens, que chegaram a Jesus, por caminhos diferentes e que são chamados de “colunas da Igreja.” Pedro, por ter sido o primeiro líder da Igreja, e Paulo, por transformá-la numa Igreja Missionária, sendo o primeiro a propagar o Reino de Deus entre os pagãos.
Vindos de realidades bem diferentes, estes dois líderes, Pedro, um simples pescador, e Paulo, um Judeu culto de origem romana, deixaram-se conquistar por Jesus, se entregando por inteiros a serviço do Reino de Deus, e como o próprio Jesus, deram a vida pela causa deste Reino, sendo fieis ao evangelho até as últimas consequências. 
O evangelho que a liturgia desta solenidade nos convida a refletir, narra o momento em que Jesus confere a Pedro o primado da sua Igreja.
 Ao longo do texto, vemos o caminho  usado por Jesus, para chegar  a esta escolha. Primeiro, Ele faz uma pergunta aos discípulos: “Quem dizem as pessoas ser o Filho do homem? Para esta pergunta, surgiram várias respostas, afinal, é fácil responder em nome do outro, não compromete! Já, quando esta mesma pergunta, é voltada para os próprios discípulos, aí, paira um silencio, desta vez, a pergunta feita por Jesus, requer uma resposta pessoal, o que exige comprometimento e ninguém arriscar, a não ser Pedro, ele  foi o único que respondeu, e respondeu com firmeza: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” Esta resposta  de Pedro, agradou Jesus, pois Ele sabia, que esta sua afirmação, era fruto da sua convivência com Ele! Por esta profissão de fé, Jesus convoca Pedro para uma missão desafiadora: conduzir a sua Igreja! “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja...”
Este episódio chama a nossa atenção, sobre a responsabilidade de quem afirma conhecer Jesus! Saber quem é Jesus é muito mais do que saber que Ele é Deus, afirmar que conhecemos Jesus implica em comprometimento com a sua causa, em dar testemunho Dele em qualquer circunstancia.
A narrativa chama a nossa atenção, sobre a importância de aprofundarmos no conhecimento a Jesus. Sem conhecer Jesus, não vamos entrar na dinâmica do Reino, e muito menos  compreender,  que, para ganhar a vida, é preciso passar pela cruz, como Ele passou.  
Olhando para a escolha de Pedro, vemos que Jesus, não entregou a responsabilidade de conduzir a sua igreja, a um homem  diplomado, visto com “grande” pela sociedade, mas a Pedro, um homem simples, frágil, sujeito a falhas que representa os homens de toda a história da Igreja: homens santos e pecadores! 
Antes de conferir a Pedro, esta missão tão grande, Jesus não questionou o seu passado, não lhe faz nenhuma exigência, a não ser, o seu compromisso de transformar o seu amor por Ele, em cuidado para com o que é de mais precioso para Deus que é o povo.
Ao escolher Pedro para a liderança da sua Igreja, fica evidente a compreensão de Jesus para com a fragilidade humana. Pedro era um homem de temperamento extremamente forte, Jesus sabia, que mais tarde ele o negaria, mas  mesmo assim, confia na sua fidelidade.
Como vemos, a escolha de quem conduziria a barca de Jesus, (Igreja) não caíra sobre um homem especial, e sim, sobre um homem comum, alguém dotado de virtudes e defeitos como qualquer um de nós. O que nos mostra, o quão é grande a diferença entre os critérios humanos e os critérios de Deus. Os homens escolhem pessoas capacitadas para cargos de lideranças, Deus, capacita os que Ele escolhe.
Com a volta de Jesus para o Pai, Pedro assume a liderança da igreja, uma Igreja fundamentada no amor de Jesus, conduzida pelo o seu Espírito. 
Sobre a liderança de Pedro, a Igreja começa a dar passos rumo a uma nova Jerusalém, tendo a grande colaboração de Paulo, que representa a igreja itinerante que não se limita a quatro paredes, mas que vai ao encontro do povo!
"A missão da Igreja consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza está na abertura a todos os povos e culturas!"
A Igreja é unidade, ela é guardiã e propagadora do amor do Pai, da fidelidade do Filho e do poder Santificador do Espírito Santo!
O amor a Jesus é o fundamento de toda comunidade cristã, por tanto, numa comunidade, cujo centro é Jesus, um líder não se destaca pela a sua autoridade, e sim, pelo o seu amor a Jesus transformado em serviço.
Pedro e Paulo, modelos de discípulos missionários com suas virtudes e fraquezas, mas sobre tudo, com o seu amor e fidelidade a Cristo e a sua Igreja.
Nesta solenidade, unamos em oração pelo o nosso Pastor, o sucessor de Pedro, o represente legítimo de Jesus Cristo aqui na terra: o Papa Francisco, um servo de Deus que preserva dentro de si, o amor de Jesus, a firmeza de Pedro e a flexibilidade de Paulo. 


 Olívia Coutinho