segunda-feira, 8 de março de 2010

ESTRUTURA DE UM GRUPO DE ORAÇÃO.



Os grupos de oração, expressão máxima da RCC, para que possam em suas reuniões cultivar os vários aspectos da vivência do evangelho a partir da experiência do Batismo no Espírito Santo, necessitam de toda uma estrutura para lograr êxito em sua missão através de seus encontros semanais. Necessita de uma estrutura que trabalhando de forma coordenada, visa atingir sua objetivo: O Anúncio do Evangelho.
Abaixo mostraremos a estrutura do grupo de oração Semeando a Paz com seus ministérios e respectivos coodenadores, confirmado em núcleo.

GRUPO DE ORAÇÃO SEMEANDO A PAZ – ESTRUTURA


COODENAÇÃO GERAL

A coordenação geral é composta por coordenador e vice-coordenador por um período de dois anos passível de renovação, conforme dircenimento dos membros núcleo. A escolha deve ser realizada a partir de muita oração e escuta a Deus, que suscitará a estes os coordenadores gerais. A Coordenação Geral tem como atribuições:
· Pastoreio geral de todo o grupo;
· .Acompanhamento da caminhada humana e espiritual de cada membro;
· Confiar responsabilidades aos coordenadores de projetos, ministérios e missões;
· Ciência do planejamento, execução e controle de todas as atividades;
· Organizar as reuniões do núcleo de Serviço; e
· Ser representante do grupo na Paróquia e na Igreja.
coordenação: Pascoal e Klaus

NÚCLEO DE SERVIÇO

É formada pela coordenação geral do grupo juntamente com os membros responsáveis em coordenar os ministérios. É no núcleo de serviço que se planejam as atividades do grupo de oração, avaliam as reuniões e onde se tomam as decisões e os direcionamentos.
MINISTÉRIO DE INTERCESSÃO
É o ministério responsável em estar em constante oração por todo o grupo de oração, pelas intenções de cada participante, e por todas as necessidades que envolve o grupo. Se colocam diante de Deus para buscar em Seu Coração as graças e bênçãos para o grupo. Fazem a ponte entre nossas necessidades e Deus.
Coordenação: Gilma e Maria.
Membros: João, Helena, Elita, Raimunda, D. Santa, Margarida, Augusta, Augustinha e Vaneide.

MINISTÉRIO DE TERÇO
É o ministério que tem como missão ser a presença de Nossa Senhora no grupo de oração. Todos os Sábados antes da reunião do grupo, sua iniciação se dar com a oração do Terço. O Ministério de terço prepara então as contemplações de cada mistério do terço, bem como, de preparar antecipadamente àqueles que irão conduzir a oração naquela noite. Em sendo possível procurar-se-á rezar o terço nas casas dos participantes também.
Coodenação: Damião.
Membros: Todos os servosdo grupo, pois todos podem atuar na contemplação.

MINISTÉRIO DE ACOLHIMENTO
É o ministério que é responsável pela acolhida de todos na reunião do grupo. São para todos que entram pela porta do grupo, a face de Jesus acolhedor, sempre com um sorriso nos lábios desejando a sua Paz a todos. Hoje o ministério de acolhimento está vinculado ao ministério de terço do grupo. Ainda vinculado a este, o ministério de visitação e Pastoreio.

MINISTÉRIO DE MÚSICA
É o ministério que canta as glórias do Senhor no grupo de oração. Porta de entrada para a sintonia com as graças e benção. Não são uma banda, ou um grupo de músicos, mas ministros, onde com sua docilidade ao Espírito Santo entoam cantos de louvor, clamor e alegria ao Senhor, levando a todos do grupo a orar com a música.
Coordenação: Roberto.
Membros: Aline,Monailson, Glesiene, Zé Flávio, Eloísa.

MINISTÉRIO DE PREGAÇÃO
É o ministério da Palavra de Deus. Com todo o desassombro o ministério de pregação desempenha a missão de evangelizar a todos, e particularmente a juventude nestes tempos de incredulidade e desvios de valores. Tem ainda como objetivo, formar pregadores para toda boa obra.
Coordenação: Naiany
Membros: Klaus, Pascoal, Damião, Darci,Wellington, João, Monailson, Eloísa.

MINISTÉRIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E EVENTOS
É o ministério qual tem como missão difundir e cuidar da comunicação interna (desde os avisos a informações sobre agenda) e externa (marketing aplicado ao grupo), sendo também um elo entre a paróquia, pastorais, ministérios. Devendo usar todos os veículos de comunicação disponíveis, para contribuir no crescimento do Grupo. A ele, está vinculado o ministério de Eventos, é aquele que organiza as confraternizações, encontros, festas santas, retiros regionais do grupo de oração e movimento.
Coordenação: Damião

MINISTÉRIO DE FORMAÇÃO
É o ministério que contribui com a capacitação do servos e participantes através de conteúdo formativo, bem como, procurar ainda formar novos formadores para as missões. Busca repassar tal conteúdo fundamentado na Bíblia, Tradiçao e Magistério da Igreja, além, de fazer conhecer a identidade, estrutura e missão da Renovação Pentecostal Católica.
Coordenação:Wellington.
MINISTÉRIO FINANÇAS

É o ministério do Grupo de Oração que procura o controle e equilíbrio de toda e qualquer movimentação financeira (desde a aquisição de novos equipamentos, bem como, qualquer atividade que esteja relacionado a gastos, gerenciando suas movimentações financeiras.
Coordenação: Eloísa
Existem ainda vários outros ministérios como por exemplo, Cura e libertação, Família, Jovem, Fé e política, Promoção Humana, Crianças etc. "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos".(Mt 9,37). Destes outros ministérios, Deus já sonda alguns corações, como o ministério Jovem, Cura e libertação e Crianças, que possam ser confirmados e despertados esses corações.

sábado, 6 de março de 2010

PRÓXIMAS POSTAGENS



ESTRUTURA DE UM GRUPO DE ORAÇÃO.

SONHOS DE DOM BOSCO: VISITA AO INFERNO.

DOM DE LÍNGUAS.

AGUARDEM !!!

quinta-feira, 4 de março de 2010

DEVORADORES DO MEU POVO.


"Meu povo se perde por falta de conhecimento" (Os 4,6)

Ultimamente, questionamentos sobre formação de servos, não tem tido muitos espaços em pautas de núcleo de serviço dos grupos de oraçao. Parece não ter muita importância. Aliás, a realidade de muitos grupos hoje, são de ainda insistir em permanecer em babel, sem querer sair para o pentecostes. Seus coordenadores preferem falar em "linguas" que ninguém possa compreender, se tornando fontes geradoras de contendas, escândalos e desânimos no rebanho. São contra testemunhos, são pastores "Rainha da Inglaterra"(reina mas não governa), que no exercício do seu pastoreio, ainda cometem verdadeiras atrocidades com suas ovelhas, assassinando seus dons, cometendo verdadeiros crimes e impedindo o servo de exercer seu carisma. Infelizmente são realidades em muitos grupos de oração, e o grupo de oração reflete seu coordenador. Tornan-se devoradores do povo de Deus. Mas, o que poderia está errado ou em quem? Em nós, que por falta de conhecimento da verdadeira essência da espiritualidade carismática, da sua identidade, estrutura e missão dentro da igreja somos negligentes e medrosos e não tomamos as decisões corretas que deveriam ser tomadas, pelo fato de "A" saber mais do que eu sobre a RCC? De não ter atitude porque "B" é meu grande amigo e não posso discordar? Enquanto isso, vão fazendo do aprisco com o qual estão responsáveis e que um dia irão prestar contas, uma oportunidade para que lobos disfarçados de cordeiros(possíveis coordenadores no futuro) se infiltrem causando dispersões, desordens e trazendo danos irreparáveis para alguns do rebanho, como por exemplo esses atos criminosos do impedimento do exercício do dom.

Acredito que a falha está em nós mesmos, que já estamos ha 500 anos no movimento e dele nada sabemos (há irmãos que estão há dez ou mais anos dentro dos grupos de oração, e ainda não sabem definir Batismo no Espírito Santo). E, muitos de nós, assumimos coordenações sem esse preparo, toda autoridade atrai responsabilidade, isso não quer dizer que sou obrigado a ter uma formação acadêmica, que necessite ser diplomado em qualquer que seja o curso para que Deus possa me usar. Não. Mas, o profeta Oséias muito alertou ao povo do seu tempo (Os 4,6), sobre a imperiosa necessidade de se buscar o conhecimento para, que aquela geração tivessem sua natureza alimentada permitindo que o poder de Deus fosse manifestdo de forma profunda e esplendorosa. Uma natureza alimentada, conhecedora, com certeza estará dando condições para que a força do Espírito tenha uma ação ilimitada em nós. Por que essa doação da natureza humana ( e ela se dar em plenitude quando se tem consciência e conhecimento de causa, não se pode haver total doação se tenho dúvidas sobre a ação do Espírito ou até mesmo sobre o que e quando ele pode fazer em mim e através de mim), permite que tenhamos a graça de uma profunda e intensa manifestação desse mesmo espírito. O grito do profeta ressoa ainda nos tempos de hoje, mas, como no seu tempo, permanece sem escuta.

A importância de se ter o conhecimento, é imprescindível para a sustenção e permanência do cristão em sua fé. Sua importância está fundamentada por ser o único capaz de formar "sábios e santos". Aliás, o único diploma que deveriamos estar preocupados em possuir. Se dizemos ter fé, acreditamos em alguém ou alguma coisa. Saber o que realmente é aquilo em que acredito, se tem procedência, fundamento, requer conhecimento de causa. É um desejo natural na busca pela verdade e conhecer a verdade, é conhecer a libertação. (Jo 8,32). Quando conheço, tenho autoridade,pois, a partir do conhecimento saberei como proceder, o que fazer, como e quando fazer. Tenho opiniões próprias, atitudes para com humildade concordar e descordar, pois saberei exatamente sobre aquilo em que acredito.

Todos os anos existem as formações para coordenadores, mas quantos estão preocupados em participar. Talvez esteja na hora de uma cobrança diocesana mais efetiva, de uma exigência maior para com aqueles que lideram os pequenos rebanhos espalhados pelos prados da nossa região. Que passe a fazer parte da pauta de compromissos desse líderes, como uma imperiosa obrigação sua presença nessas formações. Assim, amenizaria o número de contravenções cometidas no exercício do pastoreio.

"Meus guardas estão todos cegos e não vêem nada; são cães mudos incapazes de latir, sonham estirados, gostam de cochilar; são cães vorazes e insaciáveis (são pastores que nada observam), cada qual segue seu caminho em busca de seu interesse". (Is 56,11)

O Profeta Isaias faz uma referência aos pastores do seu tempo sobre aqueles que deveriam vigiar e guardar o seu rebanho e no entanto permanecem inertes, estão adormecidos e nada veêm, pois estão entregues a indolência, preguiça, omissão. Já não se preocupa se a ovelha está ferida e precisa ser recuperada ,se com sede, com fome ou necessitando de segurança. Por isso tantas dispersões, por não haver por parte dos pastores,ocupação para com seu rebanho, mas, que com certeza, colherão as consequências do seus procedimentos.

"Não cessam de proclamar aos que me desprezam: Oráculo do Senhor: tudo irá bem para vós! e aos que seguem, obstinadamente, as tendências do coração dizem ainda: Nada de mal vos acontecerá". (Jr 23,17).

Pastores do nosso tempo não estão longe daqueles do tempo do profeta Jeremias. A história é a mesma, só trocaram os personagens, pois são aqueles mesmo que não ensinam o caminho do Senhor, não guardam seus apriscos, já não conduzem seu rebanho pelo caminho justo e seguro, pelo contrário, compactuam com erros absurdos e ainda dizem que fazem o que é certo e que tudo acabará bem. São uns vendedores de ilusões, enganam o rebanho, traem e ofendem ao Senhor.

Entretanto, ninguém poderá acusar (o povo), nem o repreender, mas eu censuro a ti, ó sacerdote.(Os 4,4).

O povo não terá culpabilidade por não conhecer, pois "Deus não leva em consideração o tempo de sua ignorância" (At 17,30), mas quanto aos pastores sim, pois estes são diretamente responsáveis por aqueles que lhe foram confiados, mas ainda insistem em permanecer inúteis, negligentes porque não ensinaram ao povo o conhecimento sobre Deus e sua Lei.


Sou bom pastor ovelhas guardarei Não tenho outro oficio nem terei Quantas vidas eu tiver eu lhes darei.

Maus pastores, num dia de sombra não cuidaram e o rebanho se perdeu Vou sair pelo campo reunir o que é meu conduzir e salvar.

Que essa letra possa vir a tornar-se um hino, uma bandeira para aqueles que tem a missão de guiar o povo de Deus pelo deserto.

Wellington Dantas - Ministério de Formação, GO Semeando a Paz.

quarta-feira, 3 de março de 2010

PREGAÇÃO NO GRUPO DE ORAÇÃO



Católicos que não participam da RCC podem pregar em Grupos de Oração e eventos da RCC?


Não é aconselhável, pois o principal objetivo do GO é levar seus participantes à experiência do batismo no Espírito Santo, elemento básico da espiritualidade da RCC, bem como experimentar o poder de Jesus Ressuscitado, capaz de gerar uma efetiva conversão. Ora, tais objetivos, por demais práticos, dificilmente seriam atingidos com pregações teóricas, desligadas de experiência vivida pelo pregador. Além disso, o pregador deve dominar o tripé de uma boa pregação: unção, técnica e conhecimento. É de todo preferível que o pregador seja alguém com formação que corresponda à vocação da RCC. Em regra tais pregadores são encontrados nos Grupos de Oração e nas comunidades que vivem em harmonia com as coordenações diocesanas. Entretanto há temas que não exigem prática, pois se encontram inteiramente no campo catequético. Para ministra-los, é possível que se convidem pessoas de outras espiritualidades, que pertençam a outros movimentos ou pastorais, especialmente diáconos, presbíteros e bispos. Quanto a temas catequéticos, ressalta-se que para o grupo de oração devem ser exceções, uma vez que o indicado para seus participantes são temas querigmáticos.

Fonte: Livro “RCC Responde 9 – Ministério de Pregação"

segunda-feira, 1 de março de 2010

OS DESAFIOS DA COORDENAÇÃO



A figura do coordenador desperta opiniões variadas entre os participantes da RCC, pois ele é uma pessoa fundamental para o bom andamento de um Grupo de Oração ou diocese. Mas por que será que ouvimos tantas queixas referentes a esse ministério? Por que tantas pessoas fogem dele ou o criticam? Há coordenadores que reclamam seus direitos, dizendo não ser compreendidos, não ter o apoio dos irmãos, sentem-se sozinhos, perseguidos, dizem ou pensam: “bom seria se terminasse logo este mandato pra me ver livre deste ‘peso’”, “por que fui aceitar este ministério?”, “acho que faltou discernimento quando me elegeram...”. Existem também aqueles que se apegam ao ministério, tomam ‘posse’ do ministério e não aceitam sair depois de um período. Tornam-se ‘donos’ do grupo e julgam-se os únicos ungidos capazes de coordenar.
Mas há também nos grupos de oração, dioceses e outras instâncias na Renovação, aqueles que não aceitam a ideia de serem coordenados, por quem não faça parte do seu ‘partido’. Formam-se verdadeiros guetos, tribos, grupos dentro de grupos, “dilacerando o Corpo de Cristo” . É estranho constatar que bons líderes, após o término de seus mandatos, não colaboram com a nova coordenação, afastam-se do Grupo e levam consigo outros membros, ou quando ficam, caem na tentação de fazer oposição ao novo coordenador. Corremos o risco de pensar que coordenação é um problema. Dessa forma, ninguém se sentiria atraído a este serviço, por isso é importante o aperfeiçoamento e a formação para coordenadores.
O ministério de coordenação é um caminho de solução objetiva para a vida prática do movimento. Dentre outros serviços, o coordenador exerce um papel de mediador. Espiritualmente entre Deus e o seu povo, como Moisés; eclesialmente, entre o clero e o movimento; estruturalmente, entre seu grupo e as demais instâncias de serviços. Essa mediação que une e entrelaça as diversas partes do movimento é um serviço necessário, especialmente para manter a unidade no direcionamento de todo o movimento.
Os limites no ministério de coordenação
“Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós” (II Cor 4, 7).
Coordenação não é profissão a ser buscada como carreira. Há quem busque auto-promoção na Renovação, pessoas com objetivos levianos, com finalidades alheias àquelas esperadas deste ministério. Acaba-se por instrumentalizar um cargo ou função na RCC, buscando favorecer interesses pessoais, financeiros e até mesmo interesses políticos de uma pessoa ou de um grupo de pessoas. São muitos os grupos, que beiraram o desaparecimento devido à instrumentalização do poder.
Existem auto-promoções, mas percebemos a sutileza do Espírito Santo ao escolher coordenadores dentro do movimento. Veja este texto de São Paulo aos Coríntios:
“Vede irmãos, o vosso grupo de eleitos: não há entre vós muitos sábios, humanamente falando, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são. Assim, nenhuma criatura se vangloriará diante de Deus” (I Cor 1, 26-28).
A comunidade, ao escolher uma nova coordenação, precisa usar de um discernimento criterioso, que passe pela escuta profética e pelo discernimento reflexivo, atentando para a vontade de Deus e a necessidade daquele Grupo. Critérios como carismas de liderança, pastoreio, administração, evangelização, empenho pela unidade e formação, são essenciais para uma coordenação atingir os objetivos ministeriais. O Espírito Santo é quem distribui estes dons e quem capacita aos fiéis, mas, cabe à comunidade observar tais critérios e discernir, sob a Sua ação, a coordenação mais adequada para aquele momento do Grupo de Oração, diocese, etc. É importante não esquecer que o Espírito Santo não improvisa, mas que também pode surpreender em suas escolhas...
Ao eleito cabe a humildade de reconhecer que, embora a comunidade tenha percebido nele alguns elementos que de certa forma justificam a escolha, tudo o que ele possui é na verdade gratuidade de Deus e que, portanto, a escolha não é fruto de méritos meramente humanos. Às vezes, a pessoa eleita é surpreendida pela escolha da comunidade, não se julgava ‘capacitada’ para tal serviço, mas ao ser eleita, experimenta uma força, um poder extraordinário do Espírito, que pode ser entendido como graça de estado (CIC 2003). A fragilidade humana não é capaz de ofuscar esta equipagem espiritual nova recebida no ato eletivo e, como diz o apóstolo Paulo, “o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza” (Rm 8, 26). Trazemos a fragilidade e a marca de nossas limitações, por isto o Espírito encontra a liberdade para manifestar Sua grandeza.
Conscientes de “sermos frágeis como o vaso de barro”, é preciso estar preparado para os momentos difíceis no ministério, em que ficarão evidentes nossas limitações. Muitos sonhos, desejos e planejamentos podem não acontecer durante o mandato de coordenação e isto pode trazer um sentimento de frustração muito grande ao coração do coordenador. Ninguém quer fracassar em sua missão. Não se trata de vaidade ou de desejar ser visto como a ‘melhor coordenação que o Grupo já teve’. É uma questão de querer corresponder de forma eficaz ao chamado de Deus. Mas na missão de coordenar sempre ficarão marcas de nossa imperfeição, pois somos limitados vasos de barro.Os nossos limites são garantias de que nunca estaremos desamparados, pois nossa fraqueza atrai o auxílio do alto, do Espírito. A escolha de Deus não depende de nosso estado de perfeição, mas de Sua livre e soberana vontade. Se nossos limites não são empecilhos para a missão assumida, também não podem ser usados como ‘desculpas’ para justificar atos. Esta limitação explica nossa impotência diante de muitas situações, mas não justificam a acomodação ou a falta de busca pelo crescimento.
Limitados, mas não acomodados
Inquieta-nos ver alguns coordenadores acomodados, inertes diante de um movimento tão dinâmico como o nosso. Grupos perdem o fervor e o caráter carismático evangelizador por terem a sua frente coordenadores que não reagem aos apelos da evangelização. Enquanto estamos em movimento nos mantemos aquecidos. Lembro-me de um fato que, embora trágico, ajuda-nos a ilustrar nossa reflexão. Certa vez, dentro de uma empresa frigorífica, dois trabalhadores ficaram presos durante certo período dentro de uma câmara fria, por descuido de outro funcionário que, não percebendo a presença deles ali dentro, fechou a porta e os trancou ali. Passadas algumas horas, ao perceber a ausência daqueles dois funcionários, saíram em sua busca e os encontram dentro daquela câmara fria. Infelizmente, um já estava morto e o outro conseguiu se manter vivo, pois, contava ele mais tarde, quando percebeu que não havia como sair daquele lugar, pôs-se a movimentar-se, passando todo o tempo em que ali esteve preso, transportando os pacotes de carne de um lado para o outro, procurando manter o ‘sangue quente’. Ele dizia que chegou a insistir com seu companheiro para que fizesse o mesmo, mas seu amigo dizia que ia esperar, na confiança de que alguém logo viesse tirá-los dali.
A reação deste homem diante do problema em que se encontravam, de ficar parado, esperando que viesse uma ajuda externa para livrá-los daquele lugar, pois sabia que a única maneira de saírem daquele lugar era com a ajuda externa, retrata o comportamento de muitas lideranças que enfrentam a frieza em seus grupos, mas sentam-se murmurando, reclamando os ‘porquês’ de tudo estar indo de mal a pior, acomodados e conformados com a situação, esperando chegar o seu próprio fim. O outro, embora soubesse que não conseguiria sair dali sozinho, também acredita que alguém irá socorrê-los, mas enquanto isto, procura se manter em movimento...
Há quem busque justificar esta inanição alegando os mais variados motivos, que prefiro nem citá-los agora. Ao invés de nos determos nos motivos de tal esfriamento, prefiro a resposta dada por Frei Raniero Cantalamessa: “Se descobrimos que estamos apagados, frios, apáticos, insatisfeitos com Deus e com nós mesmos, existe remédio, e é infalível: precisamos de um belo e santo Pentecostes!”²

¹ Fala de D. Francisco Manuel Vieira, bispo emérito da diocese de Osasco, SP, durante uma Assembléia diocesana. Dizia que “aquele que se isola, dilacera o Corpo de Cristo”.
² CANTALAMESSA, Raniero, O canto do Espírito, meditações sobre o Veni Creator, p. 137, 3ª Ed. – Loyola, Petrópolis, 1998.


Fonte: Por Rogério SoaresAssessoria nacional de Formação de Coordenadores
Fonte: Revista Renovação, ano 10, edição 58, de setembro/outubro de 2009.