sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

4ª Semana do Tempo Comum - A vaidade de Herodes.

 Martírio de São João Batista (29.08) - O Recado Editora

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e do meio das nações nos congregai, para ao vosso nome agradecer e para termos nossa glória em vos louvar! (Sl 105,47)

Incontáveis são as possibilidades de fazer o bem ao próximo ao longo do dia. Importante é não desanimarmos e nos mantermos nesse propósito, apesar dos obstáculos. Busquemos motivações e força na Palavra de Deus, que nos convida: “Perseverai no amor fraterno”.

Primeira Leitura: Hebreus 13,1-8

Leitura da carta aos Hebreus – Irmãos, 1perseverai no amor fraterno. 2Não esqueçais a hospitalidade, pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos sem o perceber. 3Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! 4O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha, porque Deus julgará os imorais e adúlteros. 5Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”. 6De modo que podemos dizer, com ousadia: “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?” 7Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a Palavra de Deus, e, considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. 8Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 26(27)

O Senhor é minha luz e salvação!

1. O Senhor é minha luz e salvação; / de quem eu terei medo? / O Senhor é a proteção da minha vida; / perante quem eu tremerei? – R.

2. Se contra mim um exército se armar, / não temerá meu coração; / se contra mim uma batalha estourar, / mesmo assim confiarei. – R.

3. Pois um abrigo me dará sob o seu teto / nos dias da desgraça; / no interior de sua tenda há de esconder-me / e proteger-me sobre a rocha. – R.

4. Senhor, é vossa face que eu procuro; / não me escondais a vossa face! / Não afasteis em vossa ira o vosso servo, † sois vós o meu auxílio! / Não me esqueçais nem me deixeis abandonado. – R.

Evangelho: Marcos 6,14-29

Aleluia, aleluia, aleluia.

Felizes os que observam a Palavra do Senhor de reto coração / e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 14 o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. 15Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”. 16Ouvindo isso, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” 17Herodes tinha mandado prender João e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. 23E lhe jurou, dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. 24Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram. – Palavra da salvação.

Reflexão

Lemos no Evangelho desta 6.ª-feira a respeito martírio de São João Batista, degolado por causa da vaidade de Herodes. Vemos, pois, a imensidade deste pecado, o seu poder destrutivo, a sua força corruptora. O tetrarca, de fato, se comprazia em ouvir as pregações do Batista: gostava de o escutar, "embora ficasse embaraçado" ao ver-se tão pecador e, ao mesmo tempo, tão indisposto ao arrependimento. Envergonhava-se, quem sabe, de ver-se como efetivamente era: mesquinho e pecador; não se envergonhava, contudo, de sua mesquinharia e de seus pecados. Com efeito, Herodes se agradava ao ouvir a Palavra de Deus; não estava preocupado, porém, em ele próprio agradar ao Senhor. Eis aqui a raiz de sua iniquidade, eis o princípio de suas ações terríveis. Ora, por ser cheia de verdade e justiça, a Palavra de Deus atrai os corações, ilumina as inteligências; mas de nada adianta ouvi-la se não se está disposto a pagar o preço da conversão que ela nos exige.

Chegara, enfim, o "tempo oportuno". Em meio à destemperança de teus festejos, ó Herodes, ainda que o tenhas feito a contragosto, preferiste dar cabo do Batista a desagradar aos convivas. Preferiste tirar a vida de um justo a perder o aplauso dos ímpios. Como poderias crer, ó Herodes, tu que, ainda que te deleites com pregações e homilias, recebes a glória dos teu fâmulos, e não buscas a glória que é de Deus (cf. Jo 5, 44)? Daqui se vê o que realmente separa o justo de um ímpio. O primeiro quer agradar a Deus; o segundo, apenas a si mesmo. O justo vai à Igreja por amor e renúncia; o ímpio, por vaidade e passatempo. O primeiro, arrependido de suas faltas, escuta: "Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão", e vai logo fazer penitência, deixando para trás a sujeira de sua velha vida; o segundo, ao ouvir a mesma pregação, decide fazer-se de surdo e matar o pregador. Se a Igreja admoesta o justo com incômodas verdades, logo ele se conforma ao que lhe manda a Esposa de Cristo; o ímpio, ao contrário, se não lhe apraz este ou aquele ponto da doutrina, antes julga melhor repreender a Igreja e conformá-la às suas próprias loucuras.

Que Herodes seja para nós, igrejeiros tão pouco cristãos, um aviso sério de que uma vida de verdadeira santidade é muito mais do que devoções ou piedades. Temos de estar dispostos a querer agradar a Deus acima de todas as vanglórias humanas, de todos os olhares deste mundo, ainda que isto nos custe o sangue, nos custe amizades, nos custe a "boa fama" que poderíamos construir. Que o bem-aventurado Precursor do Senhor, com o exemplo de seu martírio, nos evangelize hoje e nos faça livres da "beatice" superficial e maquilada de um Herodes Agripa. Seja o nosso amor pronto a tudo entregar por Deus, a tudo sofrer por Deus, a tudo perder por Deus.

 

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Memória, São Paulo Miki e companheiros mártires.

 Homilia Dominical - Mc 6,7-13 - Rede Nazaré de Comunicação

Alegram-se nos céus os santos que seguiram os passos de Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; por isso, com ele exultam eternamente.

A Palavra de Deus afirma que temos acesso a “Jesus, mediador da Nova Aliança”. Essa é a certeza que, no século 16, moveu o religioso jesuíta Paulo Miki e seus 25 companheiros a propagar o cristianismo em terras japonesas. Morreram crucificados. Que o testemunho desses mártires nos anime a vencer os obstáculos da caminhada e da missão cristã, à qual o Senhor nos envia.

Primeira Leitura: Hebreus 12,18-19.21-24

Leitura da carta aos Hebreus – Irmãos, 18vós não vos aproximastes de uma realidade palpável: “fogo ardente e escuridão, trevas e tempestade, 19som da trombeta e voz poderosa”, que os ouvintes suplicaram não continuasse. 21Eles ficaram tão espantados com esse espetáculo, que Moisés disse: “Estou apavorado e com medo”. 22Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste; da reunião festiva de milhões de anjos; 23da assembleia dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus; de Deus, o juiz de todos; dos espíritos dos justos, que chegaram à perfeição; 24de Jesus, mediador da Nova Aliança, e da aspersão do sangue mais eloquente que o de Abel. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 47(48)

Recordamos, ó Senhor, vossa bondade / em meio ao vosso templo.

1. Grande é o Senhor e muito digno de louvores / na cidade onde ele mora; / seu monte santo, esta colina encantadora / é a alegria do universo. – R.

2. Monte Sião, no extremo norte situado, / és a mansão do grande rei! / Deus revelou-se em suas fortes cidadelas / um refúgio poderoso. – R.

3. Como ouvimos dos antigos, contemplamos: / Deus habita esta cidade, / a cidade do Senhor onipotente; / que ele a guarde eternamente! – R.

4. Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade / em meio ao vosso templo; / com vosso nome vai também vosso louvor / aos confins de toda a terra. – R.

Evangelho: Marcos 6,7-13

Aleluia, aleluia, aleluia.

Convertei-vos e crede no Evangelho, / pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1,15) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 7Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. 8Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. 9Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. 10E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. 11Se em algum lugar não vos receberem nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés como testemunho contra eles!” 12Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. 13Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo. – Palavra da salvação.

No Evangelho de hoje, Jesus chama seus doze Apóstolos e os envia em missão, ordenando-os a que sigam um estilo de vida desafiador, completamente diferente do jeito mundano de viver. O Senhor quer deles uma atitude de desprendimento, de desapego dos bens terrenos, seja da comida, da comodidade ou das honrarias e vaidades humanas. Trata-se, com efeito, de um estilo de vida em que se cumprem os três conselhos evangélicos: a obediência, a pobreza e a castidade. Os Apóstolos, embaixadores de Cristo, têm de imitá-lo em sua obediência à vontade do Pai, em sua perfeitíssima pobreza, em sua imaculada pureza de corpo, de alma e de olhar. Eis aí a nota distintiva dos Apóstolos e daqueles que, por disposição divina, os sucedem no governo da Igreja: para ser apóstolo de verdade, não basta pregar a palavra; é preciso também sacrificar a própria vida, pois foi isso o que fez Nosso Senhor. Além de anunciar o Evangelho, Ele se deu por completo àqueles que viera salvar com seu Sangue. Sem esse sacrifício constante que caracteriza a vida de um verdadeiro discípulo, todo apostolado se torna vão, infrutífero, estéril, “conversa da boca para fora”. Que os nosso bispos e padres possam viver com integridade e radicalidade a vida a que foram chamados, em tudo conformes à imagem do Filho encarnado, que passou pelo mundo fazendo o bem e doando-se sem reservas aos que a Ele acudiam com fé e humildade de coração.


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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

27ª Semana do Tempo Comum - Por que não recebemos o que pedimos?

 Evangelio del día: jueves 6 de octubre de 2022 - Paz Estereo FM 88.8

Ao vosso poder, Senhor, tudo está sujeito, e não há quem possa resistir à vossa vontade, porque sois o criador de todas as coisas, do céu e da terra e de tudo que eles contêm; vós sois o Senhor do universo (Est 4,17).

Chamados pelo Mestre divino a valorizar a oração na nossa vida cristã, deixemo-nos conduzir pelo seu Espírito, o maior dom que o Pai celeste pode nos conceder. A celebração desta Eucaristia nos fortaleça nos caminhos da justiça e da santidade.

Primeira Leitura: Gálatas 3,1-5

Leitura da carta de São Paulo aos Gálatas1Ó gálatas insensatos, quem é que vos fascinou? Diante de vossos olhos, não foi acaso representado, como que ao vivo, Jesus Cristo crucificado? 2Só isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pela prática da Lei ou pela fé através da pregação? 3Sois assim tão insensatos? A ponto de, depois de terdes começado pelo espírito, quererdes terminar pela carne? 4Foi acaso em vão que sofrestes tanto? Se é que foi mesmo em vão! 5Aquele que vos dá generosamente o Espírito e realiza milagres entre vós faz isso porque praticais a Lei ou porque crestes, através da pregação? – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: Lc 1

Bendito seja o Senhor Deus de Israel, / porque a seu povo visitou e libertou!

1. Fez surgir um poderoso salvador / na casa de Davi, seu servidor, / como falara pela boca de seus santos, / os profetas desde os tempos mais antigos. – R.

2. Para salvar-nos do poder dos inimigos / e da mão de todos quantos nos odeiam. / Assim mostrou misericórdia a nossos pais, / recordando a sua santa aliança. – R.

3. E o juramento a Abraão, o nosso pai, / de conceder-nos que, libertos do inimigo, / a ele nós sirvamos sem temor, † em santidade e em justiça diante dele, / enquanto perdurarem nossos dias. – R.

Evangelho: Lucas 11,5-13

Aleluia, aleluia, aleluia.

Abri-nos, ó Senhor, o coração / para ouvirmos a Palavra de Jesus! (At 16,14) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 5“Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, 6porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, 7e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’, 8eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. 9Portanto, eu vos digo, pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. 10Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e para quem bate, se abrirá. 11Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 12Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!” – Palavra da salvação.

Reflexão
 
O Evangelho de hoje, dando continuidade ao de ontem, fala-nos da oração cristã, mas de uma oração com uma finalidade bastante específica: pedir e receber o Espírito Santo, dom que o Pai do céu concede para transformar-nos interiormente. Na primeira petição do Pai-Nosso, com efeito, suplicamos a Deus que “venha a nós o vosso Reino”, e o que é esse reinado senão o derramamento do Espírito divino em nossos corações? De fato, como Deus irá reinar no mundo se não houver almas que lhe estejam submetidas, que reconheçam o seu senhorio, que o entronizem no seu coração, pondo-o acima de todo e qualquer bem? A oração cristã, neste sentido, deve supor em nós uma profunda disponibilidade a mudar, a reorientar nossos valores e atitudes mais fundamentais, a deixar que Deus aja soberanamente, purificando-nos como for do seu agrado. Ele quer fazer-nos participantes da sua divindade, da sua própria capacidade de amar; e isso só é possível se pedirmos, contínua e constantemente, que o fogo do Espírito Santo incendeie nossas entranhas e, abrasando-nos como ferro na fornalha, nos eleve acima do que somos e nos torne semelhantes ao que Ele mesmo é. Isso, repitamos, só é possível se pedirmos, e pedirmos sem desanimar. É verdade que o Pai quer e pode dar-nos essa graça, ainda que não lha peçamos; mas Ele espera também o nosso pedido e, portanto, o nosso livre desejo, sinal de que temos o coração largo o bastante para receber a infusão do Espírito Santo. Que a nossa oração seja, a partir de hoje, mais humilde, mais perseverante e mais confiante; que a ela nunca falte a “importuna” insistência de quem bate à porta de um amigo em plena madrugada, confiante em que há de receber dele a ajuda de que tanto necessita. Não desanimemos, pois “o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”


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terça-feira, 8 de outubro de 2024

27ª Semana do Tempo Comum - Só uma coisa não nos será tirada.

 Por causa de um certo Reino: REFLEXÃO PARA O XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM -  LUCAS 10,38-42

Ao vosso poder, Senhor, tudo está sujeito, e não há quem possa resistir à vossa vontade, porque sois o criador de todas as coisas, do céu e da terra e de tudo que eles contêm; vós sois o Senhor do universo (Est 4,17).

Diante da nossa experiência com Deus e da presença do seu Reino entre nós, não há por que ficarmos distraídos com coisas passageiras e secundárias. Ao contrário, escolhendo “a melhor parte”, fixemos nosso coração na sua Palavra, que ilumina os caminhos da nossa história, transformando-a em serviço aos irmãos e irmãs. Dispostos a celebrar com alegria a páscoa do Senhor, somos convidados por ele a passar da escuta dos seus ensinamentos para a ação transformadora.

Primeira Leitura: Gálatas 1,13-24

Leitura da carta de São Paulo aos Gálatas – Irmãos, 13certamente ouvistes falar como foi outrora a minha conduta no judaísmo, com que excessos perseguia e devastava a Igreja de Deus 14e como progredia no judaísmo mais do que muitos judeus de minha idade, mostrando-me extremamente zeloso das tradições paternas. 15Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça 16se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos, não consultei carne nem sangue 17nem subi logo a Jerusalém para estar com os que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, parti para a Arábia e, depois, voltei ainda a Damasco. 18Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias. 19E não estive com nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. 20Escrevendo estas coisas, afirmo, diante de Deus, que não estou mentindo. 21Depois, fui para as regiões da Síria e da Cilícia. 22Ainda não era pessoalmente conhecido das Igrejas da Judeia que estão em Cristo. 23Apenas tinham ouvido dizer que “aquele que antes nos perseguia está agora pregando a fé que antes procurava destruir”. 24E glorificavam a Deus por minha causa. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 138(139)

Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

1. Senhor, vós me sondais e conheceis, / sabeis quando me sento ou me levanto; / de longe penetrais meus pensamentos, † percebeis quando me deito e quando eu ando, / os meus caminhos vos são todos conhecidos. – R.

2. Fostes vós que me formastes as entranhas, / e no seio de minha mãe vós me tecestes. / Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, † porque de modo admirável me formastes! / Que prodígio e maravilha as vossas obras! – R.

3. Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis; / nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis; / quando eu era modelado ocultamente, / era formado nas entranhas subterrâneas. – R.

Evangelho: Lucas 10,38-42

Aleluia, aleluia, aleluia.

Feliz quem ouve e observa a Palavra de Deus! (Lc 11,28) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 38Jesus entrou num povoado e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. 40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!” 41O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42Porém uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada”. – Palavra da salvação.

Reflexão

O Evangelho de hoje é o evangelho de Marta e de Maria. Jesus, hospedado na casa dessas duas irmãs, chama a atenção de Marta: “Tu te inquietas e te agitas com muitas coisas; uma só coisa é necessária”.

Muitas vezes se interpreta este Evangelho como uma contraposição entre a vida contemplativa e a vida ativa, mas existe algo de muito mais profundo aqui. O problema de Marta não é ela ser ativa; o problema de Marta é ela não ter o foco no único necessário, e isto é verdadeiramente algo que Jesus precisava corrigir, para que Marta não se perdesse. 

Enxerguemos isso na nossa vida. Eu sei que você ama Jesus, eu sei que você quer ir para o Céu; mas o fato é o seguinte: você se esquece daquilo que é o mais importante na sua vida. Ora, nós estamos aqui nesta vida para ir para o Céu, e não há outra coisa; o resto é detalhe, o resto é adereço. Nós estamos aqui nesta vida para nos unir a Jesus e, nos unindo a Ele, chegar ao Céu. Essa é a única coisa necessária e, como diz Jesus, é a única que não nos será tirada.

Com o que você se preocupa? Com o que você ocupa o seu tempo o dia inteiro? Se você passa o tempo todo pensando em dinheiro, o dinheiro vai ser tirado de você.

Coloque-se no momento da morte. De que vai adiantar?… Quanta gente preocupada em ganhar dinheiro! Mas esse dinheiro não vai lhe dar mais vida e, o que é pior, depois desta vida o dinheiro não irá subsistir.

A pessoa se preocupa com a saúde. Claro, é bom, é justo que você cuide da sua saúde; mas você vai perdê-la. Lembre-se disso. Casa, comida, tantas coisas… tudo aquilo com que nós nos preocupamos e nos agitamos, tudo isso nos será tirado.

Não é necessário que você, agora, de repente, se faça um monge e vá para um mosteiro, renunciando a tudo para ser santo; mas é necessário que todos nós sejamos, de alguma forma, monges; ou seja, de alguma forma focados nesse único necessário, que não nos será tirado: o relacionamento com Jesus.

Então, se nós estivermos focados nesse único necessário, poderemos estar no meio das panelas da cozinha, poderemos realizar os nossos deveres do dia a dia, obedecendo aos Mandamentos de Deus, cumprindo nossos deveres de estado, cuidando da esposa, do esposo, dos filhos, trabalhando, pagando dívidas, cuidando da saúde, tudo isso…

Você pode realizar tudo isso olhando constantemente para aquele foco, para aquele único necessário. Fazer tudo com atos de amor, atos de um verdadeiro voltar-se para o único necessário. É olhar para esse mundo com outros olhos.

A grande diferença entre Marta e Maria não é que uma é mais ativa e a outra, mais contemplativa. A grande diferença entre Marta e Maria é o fato de que nós, nas atividades desta vida, precisamos contemplar o único necessário o tempo todo.

Esquecer isso é uma grande ingratidão e uma grande tragédia. Jesus é Deus e veio a este mundo para nos levar para viver a sua felicidade. Para isso Ele pagou um alto preço: morreu por nós na Cruz. Ele derramou o seu sangue para que nós participássemos da sua felicidade, a felicidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Que ingratidão imensa sermos amados assim e sermos esquecidos assim, esquecidos do único necessário.

 

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domingo, 6 de outubro de 2024

27º Domingo do Tempo Comum.

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Primeira Leitura (Gn 2,18-24)

Leitura do Livro do Gênesis

O Senhor Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele". 19 Então o Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu, e trouxe-os a Adão para ver como os chamaria; todo o ser vivo teria o nome que Adão lhe desse. 20 E Adão deu nome a todos os animais domésticos, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens; mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. 21 Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. 22 Depois, da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. 23 E Adão exclamou: "Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada 'mulher' porque foi tirada do homem". 24 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Responsório Sl 127(128),1-2.3.4-5.6 (R. cf. 5)

— O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

— O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

— Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem!

— A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa.

— Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida,

— Para que vejas prosperar Jerusalém, e os filhos dos teus filhos. Ó Senhor, que venha a paz a Israel, que venha a paz ao vosso povo! 

Segunda Leitura (Hb 2,9-11)

Leitura da Carta aos Hebreus

Irmãos: 9 Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos, nós o vemos coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte. Sim, pela graça de Deus em favor de todos, ele provou a morte. 10 Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. 11 Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Evangelho (Mc 10,2-16)

— Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— Se amarmos uns aos outros, Deus em nós há de estar; e o seu amor em nós se aperfeiçoará.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 2 Alguns fariseus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. 3 Jesus perguntou: "O que Moisés vos ordenou?" 4 Os fariseus responderam: "Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la". 5 Jesus então disse: "Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. 6 No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. 7 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. 8 Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9 Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!" 10 Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. 11 Jesus respondeu: "Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. 12 E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério". 13 Depois disso, traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14 Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: "Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. 15 Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele". 16 Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Reflexão

O evangelho deste XXVII Domingo do Tempo Comum inicia denunciando a intenção dos fariseus, como afirma Marcos: “tentando-o”, quando perguntam a Jesus se “É certo (lícito, conforme a Lei) ao homem repudiar a sua mulher”.  Não é a primeira vez que este grupo de opositores procura colocar Jesus à prova (grego: peirazo, fazer cair na armadilha). Evidentemente, essa estratégia tem como finalidade arranjar motivos para acusá-lo e, consequentemente, levá-lo à morte (Mc 3,6). 
Na língua hebraica a palavra tentador, adversário, é Satanás (Satã: o acusador dos homens diante de Deus: 1Cr 21,1; Jó 1,6s; Zc 3,1; Ap 12,10), o que traduzido para o grego ficou diabo (aquele que separa).  Portanto, os fariseus, tentando Jesus, assumem o papel não apenas de simples opositores, mas de verdadeiros agentes da destruição do projeto de Deus. Pois tornam-se colaboradores daquele que desde o princípio tenta separar a criação e a humanidade do seu Criador. E isto se concretiza tanto na formação de mentalidades distorcidas como na indução a atitudes permissivas. No evangelho de Marcos, além dos fariseus, também encontramos outros personagens, por exemplo Pedro (8,33), que desempenham este papel de separar Jesus de sua missão, de induzir à mentira, ao erro, tentando convencer que a verdade é mentira e vice-versa. Astúcia tão antiga quanto nova! 
Os evangelhos sinóticos, logo após a narração do Batismo de Jesus, apresentam a famosa cena da Tentação no Deserto (Mt 4,13-17; Mc 1,12-13; Lc 3,21-27). Em síntese, as investidas do Satã têm como objetivo provocar uma separação entre Jesus (Filho de Deus) e a sua missão (Messias sofredor). Partem sempre de uma afirmação verdadeira: “Se és Filho de Deus”, mas exigindo como comprovação desta verdade, uma mentira que a contradiz e destrói: “Transformar pedra em pão”, “Atirar-se no precipício...”, “Prostrar-se diante do tentador, para adorá-lo”. O Tentador quer a todo custo que Jesus se torne um adversário do projeto do Pai. E começa propondo que o Filho de Deus destrua o que o Pai criou, isto é, que Jesus transforme o seu poder em força mágica e arbitrária, e mude a própria natureza das coisas criadas para o seu benefício próprio (transformar pedra em pão diante da fome). Derrotado pela obediência de Jesus à Palavra do Pai, Satã prossegue a sua investida apelando para uma leitura fundamentalista das Sagradas Escrituras, a fim de que Jesus, aderindo a esta sua leitura, destrua a Palavra do Pai. E, por fim, faz a sua mais sedutora e atraente proposta: “Tudo isto te darei”. Mas com o altíssimo preço: a destruição da filiação divina. Prostrando-se diante do adversário, Jesus reconhecê-lo-á, de agora em diante, o seu deus, por conseguinte, o seu pai. Assim, o projeto de destruição estaria garantido, pois teria a ajuda de um magnífico e potente colaborador: o Filho, adversário do Pai. Reino dividido, destruição garantida.
 
Contudo, a fidelidade ao Pai, ao seu plano e desígnio eternos, derrotou o tentador. Por outro lado, mesmo derrotado, ele não desistiu, continuou tentando o Filho de Deus durante toda a sua vida, até a sua derrota final na cruz.
Marcos nos apresenta dois fatos bem ilustrativos dessas tentativas tentadoras cujos protagonistas são os fariseus: uma diz respeito à tentativa de destruição da criação cujo auge se deu na Encarnação, quando exigiram um sinal vindo do céu, pois rejeitavam o grande sinal vindo do céu que era o próprio Jesus (8,11). Portanto, se tivessem conseguido, teriam destruído o projeto eterno do Pai realizado agora no envio do seu Filho. Jesus se recusa a obedecê-los. A outra ocasião, é justamente a tentativa de exigir de Jesus um posicionamento que destrua a Palavra primordial do Pai, que “desde o princípio da criação os fez homem e mulher. Por isso o homem deixará o seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne... Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”.  
Sabemos que a união matrimonial tem a sua principal base não apenas no aspecto jurídico-canônico, ainda que este seja importante, pois garante e defende a realidade objetiva da união. Mas o fundamento da indissolubilidade reside na Revelação de Deus que conhecemos pela Escritura e está inscrito na própria natureza humana. A institucionalização da tentação da separação não é simplesmente uma tentativa de solucionar casos insustentáveis, mas uma investida sutil para destruir o plano do Criador: “Com essa atitude, o homem comete um novo pecado, aquele pecado contra Deus Criador… Deus colocou o homem e a mulher no topo da criação e confiou a eles a terra… O projeto do Criador está escrito na natureza” (Papa Francisco). 
O vínculo matrimonial, quando autêntico e real, não depende das comodidades individuais nem muito menos dos humores e sensações do momento. O ser humano cresce à medida que assume a sua vida com liberdade e responsabilidade, e por isso, precisa empenhar-se com todas as forças para restaurar as relações, assumidas livremente, e não destruí-las quando se tornam frágeis. Distorcer os princípios para acomodar-se aos defeitos de percurso é um lento e eficaz processo de destruição de valores fundamentais para a vida do ser humano em sociedade.
Como fizeram os adversários de Jesus de ontem, hoje também se verificam investidas semelhantes para separar o que Deus uniu. Um exemplo claríssimo é a tão difundida ideologia de gênero. Uma falácia perigosa que está sendo aceita como verdade por muitas pessoas, inclusive por quem diz ser cristão, mas rejeitando o que era desde o começo, coloca-se como verdadeiro adversário e, portanto, separando o que Deus uniu, colabora com a sua destruição. O Papa Francisco afirma: “A ideologia de gênero é um erro da mente humana que provoca muita confusão...Portanto, a família está sendo atacada”. A tentativa de destruir a Criação, negando a verdade da natureza, e a distorção da Palavra de Deus para garantir situações aparentemente mais cômodas, é um grande atentado à vida do ser humano, a começar pelos próprios filhos, que constituem a grande bênção do matrimônio: “O Senhor abençoa os pais nos filhos” (Sl 127). Por esta razão, Jesus conclui o seu ensinamento sobre o que Deus uniu, abençoando os frutos dessa união: as crianças trazidas a Ele.
 
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Dom André Vital Félix da Silva, SCJ
Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana