quarta-feira, 21 de setembro de 2022

25ª Semana do Tempo Comum - São Mateus, Apóstolo

 A BÍBLIA, O PT E O MINISTÉRIO PÚBLICO – Portal Ambiente Legal

Primeira Leitura (Ef 4,1-7.11-13)

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

Irmãos, 1eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: 2com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. 3Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz.

4Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. 5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, 6um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos. 7Cada um de nós recebeu a graça na medida em que Cristo lhe deu. 11E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres.

12Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo, 13até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude.

- Palavra do Senhor.- Graças a Deus.

Salmo Responsorial (Sl 18)

Seu som ressoa e se espalha em toda a terra!

Seu som ressoa e se espalha em toda a terra!

Os céus proclamam a glória do Senhor,/ e o firmamento, a obra de suas mãos;/ o dia ao dia transmite esta mensagem,/ a noite à noite publica esta notícia!

Não são discursos nem frases ou palavras,/ nem são vozes que possam ser ouvidas;/ seu som ressoa e se espalha em toda a terra,/ chega aos confins do universo a sua voz!

Evangelho (Mt 9,9-13)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 9Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos.

11Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” 12Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

— Palavra da Salvação.— Glória a vós, Senhor.

O Evangelho de hoje nos apresenta a vocação de S. Mateus. Lembremo-nos, antes de mais, do contexto em que este episódio está inserido. Segundo o Evangelho escrito pelo mesmo Mateus, Jesus deu início ao seu ministério público com o Sermão da Montanha, compreendido nos capítulo 5, 6 e 7. Em seguida, antes da escolha e do envio oficial dos doze Apóstolos, há uma espécie de intermezzo em que o Senhor realiza algumas curas e milagres, além de chamar para o seguirem de mais perto algumas pessoas em especial, e é precisamente nesta altura da vida de Cristo que nos encontramos hoje. Uma dessas vocações, pois, é a de Levi, a quem Jesus vai buscar no lugar mais inesperado: na própria coletoria em que o futuro Apóstolo praticava, dia após dia, a sua corrupção. Jesus não o vai buscar no Templo, não o vai buscar em casa; não o encontra inquieto por causa de seus pecados nem, muito menos, preocupado pelo destino de sua alma. Com a ousadia da graça, Cristo o vai buscar na escuridão, para dali o tirar e pô-lo sob a luz de uma vida nova: “Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus”.

Porque a graça de Deus não conhece obstáculo de lugares ou condições; ela age nas circunstâncias que os nossos cálculos humanos, tão “pastorais” e, ao mesmo tempo, tão pouco misericordiosos, julgariam as mais inconvenientes e inapropriadas. Assim sucedeu com Levi, a quem Jesus foi resgatar “sentado na coletoria de impostos”, não para o deixar ali, metido nos seus negócios fraudulentos, mas para o arrancar de uma vez para sempre do pecado: “E disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus” sem nunca mais olhar para trás. Que seja assim a nossa conversão, decidida e corajosa, e que assim seja o nosso apostolado. Não tenhamos receios de “incomodar” quem ainda vive no pecado, pois não há maior misericórdia do que conduzir à vida da graça a quem vive apenas em aparência, por já estar morto interiormente: “E disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus”.

 

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terça-feira, 20 de setembro de 2022

Liturgia Diária - A verdadeira família de Jesus.

 Evangelho do Dia: Minha mãe e meus irmãos (Lc 8, 19-21) – Oratório São Luiz  – 120 Anos
Primeira Leitura: Provérbios 21,1-6.10-13

Leitura do livro dos Provérbios1O coração do rei nas mãos do Senhor é como água corrente; ele o dirige para onde quer. 2O homem pensa que o seu caminho é sempre reto, mas é o Senhor quem sonda os corações. 3Praticar a justiça e o direito é mais agradável ao Senhor do que os sacrifícios. 4Olhar arrogante e coração orgulhoso, a lâmpada dos malvados não é senão o pecado. 5Os projetos do homem aplicado produzem abundância, mas todos os apressados só alcançam indigência. 6Tesouros adquiridos com língua mentirosa são ilusão passageira dos que procuram a morte. 10A alma do malvado deseja o mal, ele olha sem piedade para o seu próximo. 11Quando se castiga o zombador, aprende o imbecil, e, quando o sábio é instruído, ele adquire mais saber. 12O justo observa a casa do ímpio e leva os ímpios à desgraça. 13Quem tapa os ouvidos ao clamor do pobre também há de clamar, mas não será ouvido. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 118(119)

Guiai-me, Senhor, no caminho de vossos preceitos!

1. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, / que na lei do Senhor Deus vai progredindo! – R.

2. Fazei-me conhecer vossos caminhos, / e então meditarei vossos prodígios! – R.

3. Escolhi seguir a trilha da verdade, / diante de mim eu coloquei vossos preceitos. – R.

3. Dai-me o saber, e cumprirei a vossa lei, / e de todo o coração a guardarei. – R.

4. Guiai meus passos no caminho que traçastes, / pois só nele encontrarei felicidade. – R.

5. Cumprirei constantemente a vossa lei; / para sempre, eternamente, a cumprirei! – R.

Evangelho: Lucas 8,19-21

Aleluia, aleluia, aleluia.

Feliz quem ouve e observa a Palavra de Deus! (Lc 11,28) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 19a mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se, mas não podiam chegar perto dele por causa da multidão. 20Então anunciaram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver”. 21Jesus respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”. – Palavra da salvação.

Reflexão:

Quem primeiro ouviu e praticou a Palavra de Deus foi Maria, a Mãe de Jesus. Ela foi a primeira discípula-missionária. A verdadeira família de Jesus vive da Palavra. A Palavra de Deus gera laços de fraternidade e paz. Nos dizeres do papa Francisco: “Jesus formou uma nova família, já não baseada nos vínculos de sangue, mas na fé nele, no seu amor que nos acolhe e nos une, no Espírito Santo. Aquela resposta de Jesus não é uma falta de respeito para com a sua Mãe e os seus familiares. Aliás, para Maria é o maior reconhecimento, pois precisamente ela é a discípula perfeita que obedeceu em tudo à vontade de Deus. Que a Virgem Mãe nos ajude a viver sempre em comunhão com Jesus, reconhecendo a obra do Espírito Santo que age nele e na Igreja, regenerando o mundo para a vida nova”.

 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

25ª Semana do Tempo Comum - Como lâmpadas num candelabro.

 PE. JOÃO CARLOS - BLOG DA MEDITAÇÃO DA PALAVRA: OUVIR JESUS
Primeira Leitura: Provérbios 3,27-34

Leitura do livro dos Provérbios – Meu filho, 27não recuses um favor a quem dele necessita, se tu podes fazê-lo. 28Não digas ao próximo: “Vai embora, volta amanhã, então te darei”, quando podes dar logo! 29Não trames o mal contra o próximo quando ele vive contigo cheio de confiança. 30Não abras processo contra alguém sem motivo, se não te fez mal algum! 31Não invejes o homem violento e não escolhas nenhum de seus caminhos, 32porque o Senhor detesta o perverso, mas reserva sua amizade aos íntegros. 33O Senhor amaldiçoa a casa do ímpio, mas abençoa a morada dos justos. 34Ele zomba dos zombadores, mas concede o seu favor aos humildes. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 14(15)

O justo habitará no monte santo do Senhor.

1. “Senhor, quem entrará em vossa casa?” † Aquele que caminha sem pecado / e pratica a justiça fielmente; / que pensa a verdade no seu íntimo / e não solta em calúnias sua língua. – R.

2. Que em nada prejudica o seu irmão / nem cobre de insultos seu vizinho; / que não dá valor algum ao homem ímpio, / mas honra os que respeitam o Senhor. – R.

3. Não empresta o seu dinheiro com usura † nem se deixa subornar contra o inocente. / Jamais vacilará quem vive assim! – R.

Evangelho: Lucas 8,16-18

Aleluia, aleluia, aleluia.

Vós sois a luz do mundo; / brilhe a todos vossa luz. / Vendo eles vossas obras, / deem glória ao Pai celeste! (Mt 5,16) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 16“Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz. 17Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto; e tudo o que está em segredo deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto. 18Portanto, prestai atenção à maneira como vós ouvis! Pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. – Palavra da salvação.

 Reflexão

 
"Prestai atenção à maneira como vós ouvis", adverte-nos o Senhor no Evangelho desta segunda-feira. Dando remate à parábola do semeador, Jesus conclui hoje o seu pensamento e se dirige de modo bastante específico a nós que, regenerados pelo lavacro do Batismo, nos dizemos seus discípulos. Com efeito, uma vez ouvida e recebida a Palavra de Deus, temos de fazê-la frutificar, "pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais"; precisamos recebê-la com um coração aberto à verdade, que vem quase sempre desmanchar nossas fantasias e trazer-nos à realidade. Não podemos, pois, tê-lo à maneira de um solo seco e estéril, onde a semente da Palavra cai, mas não dá fruto; onde até germina, mas é sufocada pelo sol de nossas preocupações. Os frutos da Boa-Nova de Jesus têm de manifestar-se em nossa vida concreta, dia após dia, como um lâmpada acesa num candelabro, a fim de que todos, vendo-a brilhar, glorifiquem o nosso Pai, que está nos céus. Os cristãos devemos ser luz do mundo, e não luzimos; devemos ser sal da terra, mas não salgamos. Prestemos, portanto, atenção à maneira com que ouvimos e vivemos o Evangelho no qual acreditamos. Obedientes às palavras do Salvador e cumprindo, com o auxílio de sua graça, os mandamentos da Lei, enxuguemos hoje, aniversário de sua aparição em La Salette, as lágrimas maternais de Nossa Senhora. 

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domingo, 18 de setembro de 2022

25ª Domingo do Tempo Comum - A ilusão de sermos felizes neste mundo.

 25º Domingo do Tempo Comum – Ano C - Músicas para Missa

Primeira Leitura: Amós 8,4-7

Leitura da profecia de Amós4Ouvi isto, vós que maltratais os humildes e causais a prostração dos pobres da terra; 5vós que andais dizendo: “Quando passará a lua nova, para vendermos bem a mercadoria? E o sábado, para darmos pronta saída ao trigo, para diminuir medidas, aumentar pesos e adulterar balanças, 6dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias, e para pôr à venda o refugo do trigo?” 7Por causa da soberba de Jacó, jurou o Senhor: “Nunca mais esquecerei o que eles fizeram”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 112(113)

Louvai o Senhor, que eleva os pobres!

1. Louvai, louvai, ó servos do Senhor, / louvai, louvai o nome do Senhor! / Bendito seja o nome do Senhor, / agora e por toda a eternidade! – R.

2. O Senhor está acima das nações, / sua glória vai além dos altos céus. / Quem pode comparar-se ao nosso Deus, † ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono / e se inclina para olhar o céu e a terra? – R.

3. Levanta da poeira o indigente / e do lixo ele retira o pobrezinho, / para fazê-lo assentar-se com os nobres, / assentar-se com nobres do seu povo. – R.

Segunda Leitura: 1 Timóteo 2,1-8

Leitura da primeira carta de São Paulo a Timóteo – Caríssimo, 1antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças por todos os homens; 2pelos que governam e por todos os que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade. 3Isso é bom e agradável a Deus, nosso salvador; 4ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. 5Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, 6que se entregou em resgate por todos. Esse é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, 7e para esse testemunho eu fui designado pregador e apóstolo, e – falo a verdade, não minto – mestre das nações pagãs na fé e na verdade. 8Quero, portanto, que em todo lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Lucas 16,1-13 ou 10-13

[A forma breve está entre colchetes.]

Aleluia, aleluia, aleluia.

Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre por amor, / para que sua pobreza nos, assim, enriquecesse (2Cor 8,9). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas [Naquele tempo, 1Jesus dizia aos discípulos:] “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. 2Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isso que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’. 3O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. 4Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. 5Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ 6Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te depressa e escreve cinquenta!’ 7Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’. 8E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. 9E eu vos digo, usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. [10Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. 11Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? 13Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.]Palavra da salvação.

Reflexão

O Evangelho nos narra neste domingo a Parábola do Administrador Infiel que, antevendo sua demissão, começa a defraudar o patrão para garantir o próprio futuro. Surpreendentemente, Nosso Senhor elogia a atitude do mordomo, evidentemente não por sua desonestidade, senão por sua prudência: "E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza". Santo Agostinho, comentando essa passagem, escreve: "O administrador prestes a ser demitido é louvado pelo senhor porque estava provendo o próprio futuro. Não devemos porém procurar imitá-lo em tudo, cometendo fraude contra nosso senhor para da mesma fraude distribuírmos esmolas" (Catena Aurea in Lucam, XVI, 2).

"Os filhos deste mundo", prossegue Jesus, "são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz". Com isso, Nosso Senhor divide a humanidade em duas facções — uma que põe suas aspirações nas riquezas deste mundo perecível, e outra que deposita sua esperança nos bens eternos. O que Ele lamenta, porém, é que os filhos das trevas sejam mais astutos que os seus discípulos. A "Imitação de Cristo" põe nos lábios do Senhor esse mesmo lamento (III, 1, 3-4), que deveria comover-nos:

"O mundo promete apenas coisas temporais e mesquinhas e é servido com grande ardor; eu prometo bens sublimes e eternos, e só encontro frieza nos corações dos mortais. [...] Por um pequeno salário se empreendem grandes viagens, e pela vida eterna muitos nem dão um passo sequer. Busca-se o lucro vil; por um vintém, às vezes, há torpes brigas; por uma ninharia e promessa mesquinha não se teme a fadiga, nem de dia, nem de noite. Mas que vergonha! Pelo bem imutável, pelo prêmio inestimável, para honra suprema e pela glória sem fim, o menor esforço nos cansa. Envergonha-te, pois, servo preguiçoso e murmurador, por serem os mundanos mais solícitos para a perdição que tu para a salvação."

Ainda na distinção entre "filhos do mundo" e "filhos da luz", é possível dizer que estes usam das coisas materiais para chegar às celestes, enquanto aqueles se servem das espirituais para conquistar prosperidade mundana. As palavras de Cristo, no entanto, são claras: "Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas". A vida eterna é o fim, portanto; o dinheiro e as outras coisas desta vida, que vão acabar, não passam de meios. Daí Santo Agostinho dizer que "dinheiro injusto são todas as riquezas terrenas, venham de onde vierem". "Riquezas verdadeiras são aquelas de que Jó estava repleto quando, mesmo estando nu, tinha o seu coração cheio de Deus", ensina o doutor. "As outras, no entanto, chamam-se iníquas porque falsas, sendo cheias de pobreza e passíveis de perda: se fossem verdadeiras, ofereceriam segurança" (Ibid.).

Eis aí, portanto, uma importante lição a tirarmos desse Evangelho: se fossem bens verdadeiros, as coisas deste mundo ofereceriam segurança. Tudo aquilo de que dispomos nesta vida, no entanto, é certo que perderemos. Resta-nos, portanto, ou nos desapegarmos por completo das criaturas e corrermos em direção ao Criador, ou abraçarmos as riquezas caducas da terra — e perecermos com elas. Tertium non datur.

 

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sábado, 17 de setembro de 2022

24ª Semana do Tempo Comum - Que espécie de solo você ê?

 VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DO CARMO DE SERGIPE: Sábado XXIV do Tempo Comum

Primeira Leitura (1Cor 15,35-37.42-49)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.

Irmãos, 35alguém perguntará? Como ressuscitam os mortos? 36Insensato! O que semeias não nasce

sem antes morrer. 37E, quando semeias, não semeias o corpo da planta, que há de nascer, mas o simples grão, como o de trigo, ou de alguma outra planta.

42Pois assim será também a ressurreição dos mortos. Semeia-se em corrupção e ressuscita-se em incorrupção. 43Semeia-se em ignomínia, e ressuscita-se em glória. Semeia-se em fraqueza, e ressuscita-se em vigor. 44Semeia-se um corpo animal, e ressuscita-se um corpo espiritual. Se há um corpo animal, há também um espiritual.

45Por isso está escrito: o primeiro homem, Adão, “foi um ser vivo”. O segundo Adão é um espírito vivificante. 46Veio primeiro não o homem espiritual, mas o homem natural; depois é que veio o homem espiritual. 47O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo homem vem do céu. 48Como foi o homem terrestre, assim também são as pessoas terrestres; e como é o homem celeste, assim também vão ser as pessoas celestes. 49E como já refletimos a imagem do homem terrestre, assim também refletiremos a imagem do homem celeste.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Salmo Responsorial (Sl 55)

Na presença do Senhor, andarei na luz da vida.

Na presença do Senhor, andarei na luz da vida.

— Meus inimigos haverão de recuar/ em qualquer dia em que eu vos invocar;/ tenho certeza:/ o Senhor está comigo.

—Confio em Deus e louvarei sua promessa;/ é no Senhor que eu confio e nada temo:/ que poderia contra mim um ser mortal?

Devo cumprir, ó Deus, os votos que vos fiz,/ e vos oferto um sacrifício de louvor,/ porque da morte arrancastes minha vida/ e não deixastes os meus pés escorregarem,/ para que eu ande na presença do Senhor,/ na presença do Senhor na luz da vida.

Evangelho (Lc 8,4-15)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 4reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola:

5“O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. 7Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos, e a sufocaram. 8Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um”. Dizendo isso, Jesus exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.

9Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola. 10Jesus respondeu: “A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas aos outros, só por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam. 11A parábola quer dizer o seguinte: A semente é a Palavra de Deus. 12Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. 13Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás. 14Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo, são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. 15E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança”.

Palavra da Salvação.

Refelxão

Jesus contou frequentemente, por parábolas, histórias sobre os acontecimentos do dia-a-dia que ele usava para ilustrar verdades espirituais. Uma das mais importantes destas parábolas é a que Lucas nos apresenta no dia de hoje. Esta história fala de um fazendeiro que lançou sementes em vários lugares com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo. A importância desta parábola é salientada por Jesus em Marcos 4,13: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas? Jesus está dizendo que esta parábola é fundamental para o entendimento das outras. Esta é uma das três únicas parábolas registradas em mais do que dois evangelhos, e também é uma das únicas que Jesus explicou especificamente. Precisamos meditar cuidadosamente nesta história.

O trabalho do semeador é colocar a semente no solo. Uma vez que a semente for deixada no celeiro, nunca produzirá uma safra, por isso seu trabalho é importante. Mas a identidade pessoal do semeador não é. O semeador nunca é chamado pelo nome nesta história. Nada nos é dito sobre sua aparência, sua capacidade, sua personalidade ou suas realizações. Ele simplesmente põe a semente em contato com o solo. A colheita depende da combinação do solo com a semente.

Aplicando-se espiritualmente, os seguidores de Cristo devem estar ensinando a palavra. Quanto mais ela é plantada nos corações dos homens, maior será a colheita. Mas a identidade pessoal dele não tem importância. Porque ele o faz em nome de Jesus! Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coIsa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento (1 Coríntios 3:6-7). Em nossos dias, o semeador tornou-se a figura principal e a semente é bastante esquecida. A propaganda das campanhas religiosas frequentemente contém uma grande fotografia do orador e dá grande ênfase ao seu nível escolar, sua capacidade pessoal e o desenvolvimento de sua carreira; o Evangelho de Cristo que ele se supõe estar pregando é mencionado apenas naquelas letrinhas, lá no canto. Não devemos exaltar os homens, mas sim, completamente ao Senhor!

A semente é a Palavra de Deus. Cada conversão é o resultado do assentamento do Evangelho dentro de um coração puro. A palavra gera, salva, regenera, liberta, produz fé, santifica e nos atrai a Deus. Como o Evangelho se espalhava no primeiro século, foi-nos dito muito pouco sobre os homens que o divulgaram, porém, muito nos foi dito sobre a mensagem que eles disseminaram. A importância das Escrituras deve ser ressaltada ao máximo.

Isto significa que o professor tem que ensinar a palavra. Não há substitutos permitidos. Frequentemente, pessoas raciocinam que haveria uma colheita maior se alguma outra coisa fosse plantada. Então, igrejas começam a experimentar outros meios, de modo a conseguir mais adeptos. Não é nosso trabalho analisar o solo e decidir plantar alguma outra coisa, esperando receber melhores resultados. A colheita do Evangelho pode ser pequena, mas Deus só nos deu permissão para plantar a palavra. Somente plantando a Palavra de Deus nos corações dos homens o Senhor receberá o fruto que Ele espera. Ou, usando uma figura diferente: as Escrituras são a “isca” de Deus para atrair o peixe que Ele quer salvar. Precisamos aprender a ficar satisfeitos com seu plano.

Aqui há uma lição para o ouvinte também. O fruto produzido depende da resposta à Palavra. É decididamente importante ler, estudar e meditar sobre as Escrituras. A Palavra tem que vir habitar em nós, para ser implantada em nosso coração. Temos que permitir que nossas ações, nossas palavras e nossas próprias vidas sejam formadas e moldadas pela Palavra de Deus.

Uma safra sempre depende da natureza da semente, não do tipo da pessoa que a plantou. Um pássaro pode plantar uma castanha: a árvore que nascer será um castanheiro, e não um pássaro. Isto significa que não é necessário tentar traçar uma linhagem ininterrupta de fiéis cristãos, recuando até o primeiro século. Há força e autoridade próprias da Palavra para produzir cristãos como aqueles do tempo dos apóstolos. A Palavra de Deus contém força vivificante. O que é necessário são homens e mulheres que permitam que a Palavra cresça e produza frutos em suas vidas; pessoas com coragem para quebrar as tradições e os padrões religiosos em volta deles, para simplesmente seguir o ensinamento da Palavra de Deus. Hoje em dia, a Palavra de Deus tem sido frequentemente misturada com tanta tradição, doutrina e opinião que é quase irreconhecível. Mas, se pusermos de lado todas as inovações dos homens e permitirmos que a Palavra trabalhe, podemos tornar-nos fiéis discípulos de Cristo justamente como aqueles que seguiram Jesus há quase 2000 anos atrás. A continuidade depende da semente.

É perturbador notar que a mesma semente foi plantada em cada tipo de solo, mas os resultados foram muito diferentes. A mesma Palavra de Deus pode ser plantada em nossos dias; mas os resultados serão determinados pelo coração daquele que ouve.

Alguns de nós somos solos de beira de estrada, duro, impermeável. Eles não têm uma mente aberta e receptiva para permitir que a Palavra de Deus os transforme. O Evangelho nunca transformará corações como estes porque eles não lhe permitem entrar.

As raízes das plantas, no solo pedregoso, nunca se aprofundam. Durante os tempos fáceis, os brotos podem parecer interessantes, mas abaixo da superfície do terreno, as raízes não estão se desenvolvendo. Como resultado, se vem uma pequena temporada seca ou um vento forte, a planta murcha e morre. Os cristãos precisam desenvolver suas raízes por meio da fé em Cristo e do estudo da Palavra cada vez mais profundo. Tempos difíceis virão, e somente aqueles que tiverem desenvolvido suas raízes abaixo da superfície sobreviverão.

Quando se permite que ervas daninhas cresçam junto com a semente pura, nenhum fruto pode ser produzido. As ervas disputam a água, a luz solar e os nutrientes e, como resultado, sufocam a boa planta. Existe uma grande tentação a permitir que interesses mundanos dominem tanto nossa vida que não nos resta energia para devotar ao crescimento do Evangelho em nossas vidas.

Então, há o bom solo que produz fruto. A conclusão desta parábola é deixada para cada um responder a esta pergunta. Que espécie de solo você é? Esta parábola, por um lado, revela a força divina da Palavra de Deus, e, por outro, convida os que a escutam a oferecerem à sementeira dela a terra de um bom coração.

 

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