segunda-feira, 28 de maio de 2018

Os 5 argumentos que indicam a existência de Deus, segundo S. Tomás de Aquino

GRASS IN THE BREEZE
Jose Melendez | CC BY SA 2.0

Que tipo de "prova científica" é razoável pretender que exista a respeito da existência de um Ser que não tem natureza material?

Em seu famoso livro “Deus, um delírio”, o ateu proselitista Richard Dawkins afirma que a questão da existência de Deus depende de evidências científicas e não pode ser provada. Ele considera que algum dia talvez saibamos a resposta, mas, enquanto isso, podemos afirmar a forte probabilidade de que Deus não existe.
Um primeiro ponto de atenção neste processo de raciocínio está no perigo de facilmente extrapolá-lo para a falácia de pensar que, se algo ainda não foi provado, é sinal de que não existe. A vida extraterrestre, por exemplo, nunca foi provada, mas desta premissa não é válido afirmar como conclusão que ela não exista.
Mas há outro ponto de atenção muito mais sutil nesse terreno de mistura entre suposta argumentação científica e especulações baseadas em opinião pessoal: a discussão sobre as provas. Que tipo de “prova científica” é razoável pretender que exista a respeito da existência de um Ser que não tem natureza material?
Se o próprio conceito de Deus implica a Sua imaterialidade, e, se além disso, Ele próprio é o Criador de toda a natureza e, portanto, é maior que ela, então a suposta prova da Sua existência não pode ser reduzida aos limites da natureza, precisando-se que seja deduzida pela razão.
De fato, um dos maiores filósofos da história, S. Tomás de Aquino, refletiu e escreveu sobre 5 argumentos racionais que apontam para a necessidade da existência de Deus. São eles:

1° argumento: o “primeiro motor imóvel”

O movimento existe: isto é evidente aos nossos sentidos. Ora, se aquilo que se move é movido por alguma força, por algum motor, não é intelectualmente satisfatório pensar que cada motor de cada movimento seja movido ele próprio por outro motor, sendo este, por sua vez, movido por outro motor, que seria movido por mais outro, e assim indefinidamente ao infinito: é razoável que exista uma origem primeira do fenômeno do movimento, ou um motor que move sem ser movido. Esse primeiro motor imóvel teria que ser Deus, o Criador de todo movimento.

2° argumento: a “causa primeira”

Se todo efeito tem uma causa e cada causa é, por sua vez, o efeito de outra causa, caímos no mesmo ciclo indefinido e infinito do problema anterior, o que não é satisfatório para uma honesta busca intelectual de respostas claras. Qual seria a causa primeira das outras causas, uma causa que não seja causada por nenhuma outra?

3° argumento: o “ser necessário”

Se todos os seres são finitos e contingentes, isto é, “são e deixam de ser”, então todos os seres deixariam de ser e, em determinado momento, nada existiria, o que é tão absurdo quanto afirmar que aquilo que existe passou a existir a partir do nada, sem qualquer causa primeira e sem qualquer motor não movido. Acontece que a própria existência dos seres contingentes implica a de um Ser necessário, que simplesmente “é”: Deus.

4° argumento: o “ser perfeitíssimo”

Podemos claramente perceber que uma coisa é maior ou menor que outra, ou menos ou mais verdadeira que outra, o que significa que somos capazes de compreender que os seres finitos têm algum grau de perfeição, mas nenhum é a perfeição absoluta ou a suma causa de todas as perfeições – esta, no entanto, precisa existir, dado que há seres que a possuem em algum grau. Necessariamente, o grau sumo da perfeição do ser teria que ser Deus.

5° argumento: a “inteligência ordenadora”

Todos os seres tendem a uma finalidade que não é obra do mero acaso, mas de uma inteligência que os dirige. Logo, é preciso que exista um ser inteligente que ordene a natureza e a encaminhe para a sua finalidade: esse ser inteligente teria que ser Deus.

Fé e razão andam juntas

O Concílio Vaticano I afirma que a fé e a razão não são apenas compatíveis, mas se apoiam mutuamente, o que também é enfaticamente reiterado pela célebre encíclica Fides et Ratio, de São João Paulo II:
“A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”.
É verdade que o que Deus é em si está além da nossa capacidade natural de saber. Fomos criados por Deus, mas não somos iguais a Ele e não podemos conhecê-lo totalmente pelas nossas próprias forças.
O Vaticano I diz que Deus é substância espiritual completamente simples e imutável – pela Sua natureza, Deus é diferente de qualquer coisa criada.
A fé, porém, é um dom de Deus que nos permite conhecê-lo, ainda que imperfeitamente, já que o próprio conceito de Deus supera a nossa capacidade limitada de compreensão.
Além disso, saber quem é Deus é diferente de saber que Ele existe. Nós somos capazes de deduzir que Ele existe a partir da estrutura do mundo criado, usando a nossa racionalidade para descobrir na criação os indícios que apontam para a sua origem: o primeiro motor, a causa primeira, o Ser supremo.






E se Deus tirasse férias de nós?


Trabalha-se muito hoje, corre-se muito; o estresse e as preocupações tomam conta da nossa cabeça às vezes por 24 horas ao dia... 
 
Nosso tempo está cada vez mais escasso, queimando um tempo demasiado fora de casa e prejudicando o tempo para Deus, o tempo para cada um, o tempo para a família, tempo para o descanso e o lazer. 
 
Priorizar coisas e pessoas na vida não é uma tarefa fácil, mas sempre necessária e exigente.

Muitos, sem dúvida, mesmo durante este tempo de trabalho não deixam de ter tempo para Deus, tempo para as Missas, para as orações diárias, de tal modo que o seu trabalho, as suas preocupações constituem também uma oração diária e de entrega a Deus, com Ele colaborando, na sua obra criadora do mundo. 
 
Outros, entretanto, se servem do trabalho, da carreira profissional, como desculpa para não ter tempo para Deus, para não perceberem que a vida é dom de Deus e que o trabalho que lhes é dado e sai das suas mãos, pode e é também sinal de Deus para eles e para os outros. 
 
O tempo passa e o que fica na vida? 
                                                E o que ficará para a eternidade?
 As férias LOGO ESTÃO AÍ  e devem ser vividas como tempo de descanso, tempo de família, tempo necessário para cada um, tempo de descontração e lazer, mas sobretudo tempo para rezar mais e ler mais sobre a doutrina, sobre a História da Igreja, sobre a Igreja... 
 
Como posso querer ter tempo para mim, para descansar, para estar em família, para me restaurar, e não fazer desse tempo um tempo de Deus e para Deus? 
 
Não se tira férias de Deus nem das nossas orações.
 
E se Deus tirasse férias de nós?
 
 
 
 
 
Pe Emilio Carlos

domingo, 27 de maio de 2018

Solenidade da Santíssima Trindade

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1a Leitura - Deuteronômio 4,32-34.39-40
Leitura do livro de Deuteronômio.
4 32 “Escuta os tempos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem na terra. Pergunta se houve jamais, de uma extremidade dos céus à outra, uma coisa tão extraordinária como esta, e se jamais se ouviu coisa semelhante.
33 Houve, porventura, um povo que, como tu, tenha ouvido a voz de Deus falando do seio do fogo, sem perder a vida?
34 Algum deus tentou jamais escolher para si uma nação do meio de outra, por meio de provas e de sinais, de prodígios e de guerras, com mão poderosa e braço estendido, e de prodígios espantosos, como o Senhor, vosso Deus, fez por vós no Egito diante de vossos olhos?
39 Sabe, pois, agora, e grava em teu coração que o Senhor é Deus, e que não há outro em cima no céu, nem embaixo na terra.
40 Observa suas leis e suas prescrições que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e prolongues teus dias para sempre na terra que te dá o Senhor, teu Deus”.
Palavra do Senhor.

Salmo - 32/33
Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança. 
Reta é a palavra do Senhor,
e tudo o que ele faz merece fé.
Deus ama o direito e a justiça,
transborda em toda a terra a sua graça. 

A palavra do Senhor criou os céus,
e o sopro de seus lábios, as estrelas.
Ele falou e toda a terra foi criada,
ele ordenou e as coisas todas existiram. 

Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem
e que confiam, esperando em seu amor,
para da morte libertar as suas vidas
e alimenta-los quando é tempo de penúria. 

No Senhor nós esperamos confiantes,
porque ele é nosso auxílio e proteção!
Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,
da mesma forma que em vós nós esperamos!

2a Leitura - Romanos 8,14-17
Leitura da carta de são Paulo aos Romanos.
8 14 Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
15 Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai!
16 O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.
17 E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados.
Palavra do Senhor.

Evangelho - Mateus 28,16-20
Aleluia, aleluia, aleluia.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito divino, ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém (Ap 1,8).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
28 16 Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado.
17 Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda.
18 Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
19 Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
20 Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.
Palavra da Salvação.

 Reflexão

A Trindade Santa é um mistério da nossa fé que nos foi revelado pelo próprio Jesus Cristo, assim:

DEUS PAI – Jesus por várias vezes se referiu ao Pai, dizendo que o que Ele dizia foi o que Ele ouviu do Pai que o enviou a Terra. Ele disse: “Eu e o Pai somos um”.

DEUS FILHO – Jesus se referiu ao Pai COMO UM FILHO,  por várias vezes, inclusive em suas orações, Ele disse: “Eu te louvo ó Pai”... “Pai, perdoai-lhes por que não sabem o que fazem...” entre muitas outras.  
E disse que a Ele foi dado, pelo Pai, é claro, todo o poder no Céu e na Terra...

ESPÍRITO SANTO – A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade foi anunciada  por várias vezes pelo próprio Jesus, que prometeu enviar o Espírito Santo como aconteceu no dia de Pentecostes.
E o dia em que o Espírito de Deus desceu sobre os apóstolos, foi um fato histórico, cujos efeitos foram comprovados por judeus e estrangeiros que visitavam o Templo, os quais, pelo poder do Espírito Santo, ouviram o discurso de Pedro cada um em sua própria língua.

O mistério da Santíssima Trindade é inconcebível através da nossa inteligência, assim como não podemos assimilar pela razão pura e lógica. Mas felizmente, podemos captar, assimilar, aceitar, entender e crer nesse mistério por meio da nossa fé. 

Mistério esse que não foi escrito ou inventado e publicado por nenhum homem mortal, mas sim, pelo próprio Deus.  Foi o próprio Filho de Deus encarnado e ressuscitado, quem nos disse que em Deus existem três pessoas. Foi Ele quem nos disse  que Deus é uno e trino, que existe o Pai, o Filho e o Espírito Santo.    Foi o próprio Jesus que mandou os apóstolos batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.   E o  que Jesus disse é inquestionável!  Do contrário, a nossa fé também é fica questionável. 
Se nós acharmos que alguma coisa dita pelo Filho de Deus merece ser examinada, investigada, questionada, na verdade, é a nossa fé que está precisando de uns reparos de uns consertos. 
Porque   JESUS É DEUS FEITO HOMEM,  e Ele provou isso pelo milagres!
Ou você acredita ou não acredita.  "Ou és por mim ou és contra mim" .  Ou és quente ou és frio!  Ou você está do lado de Jesus ou está do lado de fora jogando pedras em quem está dentro.        
Certa vez vimos na televisão a notícia de um "católico" que fazia curas, através de cirurgias espirituais,  em nome  de Deus.  Também estamos sabendo de que muitos dos que vão à missa frequentam  ao espiritismo.  Aí vem a pergunta:  Você é católico mesmo? Tem certeza disso? Qual o espírito que você segue? Você segue o Espírito Santo? Em nome de qual espírito as curas são feitas? O espírito de Deus ou o outro espírito?  São cirurgias espirituais, ou truques? Por que a câmera do repórter não mostrou a faca fazendo o corte no rosto daquela pessoa apresentada como doente? Cortes sem dor!  Cadê o sangue?  São curas reais ou tudo é combinado, com o objetivo de FAZER PROPAGANDA?  

Desculpe se feri a sua crença, mas só estamos questionando procedimentos que não foram mostrados claramente. Só estamos questionando por que cremos em um só DEUS UNO E TRINO, criador do Céu e da Terra.        
Mas mesmo diante de tantas coisas que acontecem no mundo de hoje, não fiquemos preocupados. Pois o Espírito Santo estará conosco até o fim dos tempos.  E isso nos acontecerá desde que observemos tudo o que Jesus nos ordenou.  E também desde que deixemos Deus entrar na nossa vida, e  QUE DECIDIMOS  QUAL  O ESPÍRITO DEVEMOS SEGUIR.        
Jesus nos recomenda a observar tudo o que Ele nos ordenou. E isso significa viver a nossa fé. E viver a fé é praticar os mandamentos, os ensinamentos de Cristo.
        
Cristo nos mandou amar a Deus com todas as nossas forças. Portanto, quem é jovem tem mais forças, por isso pode praticar muito mais a sua fé, ajudando na paróquia em tudo o que for preciso. Já aquele que está velho e adoentado, não tem tanta força para ser um cristão presente em todos os eventos da paróquia, principalmente aqueles eventos que exigem muito da sua disponibilidade física.        
Desse modo, não podemos exigir de um idoso, que ele seja disponível como um jovem ou adulto em pleno vigor físico, sob pena de não estar vivendo a sua fé. Por que nesse caso, quem não está vivendo a sua fé, é aquele que exige  disponibilidade sem a devida caridade para  com os enfraquecidos pelo tempo.
        
Jesus disse: Ame a Deus segundo o teu entendimento... ”...Não julgueis e não sereis julgados." E portanto, o julgamento da má vivência da fé não compete a ninguém, mas sim, a Jesus. Pois podemos nos achar os tais, preparados para entrar no reino dos Céus, e na hora "H", podemos ouvir de Jesus dizendo: "Não vos conheço. Ide para o fogo eterno...".  
É, meus irmãos, minhas irmãs. Precisamos rever a vivência da nossa fé, e nunca ficar nos comparando com quem achamos que não está vivendo-a  como o faziam os fariseus.
        
Esforcemo-nos para viver em paz com Deus, em paz conosco, mas também em paz com o irmão, e com a irmã.  E para isso é preciso coerência, é preciso fazer  introspecção ou auto reflexão, isto é. Olhar para dentro de nós mesmo constantemente, e perguntar: Eu sou mesmo um cristão de verdade? Eu acolho a Trindade Santa? Eu acolho o meu irmão e a minha irmã do jeito que eles são? Ou faço tudo para que eles sejam do jeito que eu quero que sejam?
 
 



  José Salviano

sábado, 26 de maio de 2018

Liturgia Diária - Ser como Criança - (VII Semana do Tempo Comum)


 



Resultado de imagem para Evangelho - Marcos 10,13-16
1a Leitura - Tiago 5,13-20
Leitura da carta de são Tiago.
5 13 Alguém entre vós está triste? Reze! Está alegre? Cante.
14 Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.
15 A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados.
16 Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia.
17 Elias era um homem pobre como nós e orou com fervor para que não chovesse sobre a terra, e por três anos e seis meses não choveu.
18 Orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra deu o seu fruto.
19 Meus irmãos, se alguém fizer voltar ao bom caminho algum de vós que se afastou para longe da verdade,
20 saiba: aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados.
Palavra do Senhor.

Salmo - 140/141
Minha oração suba a vós como incenso!
Senhor, eu clamo por vós, socorrei-me;
quando eu grito, escutai minha voz!
Minha oração suba a vós como incenso,
e minhas mãos, como oferta da tarde!

Ponde uma guarda em minha boca, Senhor,
e vigias às portas dos lábios!
A vós, Senhor, se dirigem meus olhos,
em vós me abrigo: poupai minha vida!


Evangelho - Marcos 10,13-16
Aleluia, aleluia, aleluia.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 10 13 apresentaram-lhe então crianças para que as tocasse; mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.
14 Vendo-o, Jesus indignou-se e disse-lhes: "Deixai vir a mim os pequequinos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham.
15 Em verdade vos digo: todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará."
16 Em seguida, ele as abraçou e as abençoou, impondo-lhes as mãos.
Palavra da Salvação.
 
 
As palavras de Jesus nos fazem compreender quão diferente dos reinos do mundo é o reino de Deus! Ter um coração de criança, dependente de Deus, é deixar-se tocar por Ele com confiança sem nada exigir! Deixar-se ser amado (a)!  Esta é a receita que Jesus nos prescreve para que façamos parte do Seu Reino de Amor.  O reino dos céus é um estado de espírito! É uma vivência do Senhorio de Jesus e somente os que se fazem como crianças têm a capacidade de compreendê-lo. Se fizermos muitos cálculos e quisermos entender com a nossa mente como ele acontece, nunca conseguiremos alcançá-lo. Entrar no reino de Deus é deixar-se tocar e ser conduzido por Jesus como uma criancinha que não duvida, mas confia e depende totalmente Dele. Quem entra no reino dos céus não precisa mais fazer perguntas, porque já o experimenta. Jesus mostra que a criança deve ser nosso modelo, não na infantilidade, na criancice, mas na entrega, na espera, no abandono e na confiança. Deixe-se abraçar por Jesus como uma criança e receba as bênçãos do reino que se manifesta dentro do seu coração de criança. – Você já fez esta experiência? – Você tem se deixado tocar por Jesus? – Como você definiria o reino de Deus que acontece no seu coração?  - Peça a alguém para tocar você e orar como Jesus fez com as criancinhas.     
 
 
 
 
Helena Serpa

Como enfrentar o pecado?

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Conheça dois ingredientes essenciais nesta empreitada cristã

São Tomás de Aquino, na Exposição do Credo, diz que há duas mortes: a primeira é a do corpo, física, quando a alma se separa dele; a segunda, é a da alma, espiritual, quando esta se separa de Deus. A pior é a segunda, e tem como causa o pecado.

O que é pecado?

Antes de nos determos na análise dos pecados capitais, conheçamos um pouco daquilo que a Igreja nos ensina sobre a natureza do pecado.
O grande Agostinho de Hipona dizia que “o mal consiste em abusar do bem”, e ainda: “O pecado é o motivo da tua tristeza. Deixa a santidade ser o motivo da tua alegria.”
O Catecismo começa dizendo: “O pecado é uma falta contra a razão, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro, para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens.” (CIC, §1849)
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino viam-no como uma “desordem”, e diziam que é “uma palavra, um ato ou um desejo contra a lei eterna” (Faust. 22; S.Th.1-2, 71,6).
Ainda para Santo Agostinho ele é fruto do “amor de si mesmo até o desprezo de Deus”. (Civita Dei14,21) Jesus ensina que a raiz do pecado está no coração do homem:
“Com efeito, é do coração que procedem más inclinações, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São essas coisas que tornam o homem impuro”. (Mt 15,19-20)

Pecado mortal

Segundo a sua gravidade, a Igreja classifica os pecados em veniais e mortais, seguindo a sua própria Tradição.
O pecado mortal leva o pecador a perder o estado de graça, isto é, a graça santificante. O Catecismo afirma: “Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso.” (§1861)
O Catecismo ainda ensina que “o pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus, desvia o homem de Deus, que é seu fim último e bem aventurança, preferindo um bem inferior.”
São Tomás de Aquino assim explica:
“Quando a vontade se volta para uma coisa contrária à caridade pela qual estamos ordenados ao fim último, há no pecado, pelo seu próprio objeto, matéria para ser mortal… quer seja contra o amor a Deus, como a blasfêmia, o perjúrio etc., ou contra o amor ao próximo, como o homicídio, o adultério etc. Por outro lado, quando a vontade do pecador se dirige às vezes a um objeto que contém em si uma desordem, mas não é contrário ao amor a Deus e ao próximo, como por exemplo palavra ociosa… tais pecados são veniais.” (S. Th. 1,2, 88,2; CIC §1856)
É bom notar que para haver o pecado mortal é preciso que a pessoa queira deliberadamente, isto é, sabendo e querendo, uma coisa gravemente contrária à lei de Deus e ao fim último do homem.
Portanto, para que haja pecado mortal deve haver pleno conhecimento e consentimento; e quem peca deve ter consciência do caráter pecaminoso do ato a praticar, e de sua ofensa à Lei de Deus. A ignorância involuntária, isto é, aquela que a pessoa não tem culpa, pode diminuir ou até eliminar a culpa diante de uma falta mesmo grave, mas é bom lembrar que Deus imprimiu nas consciências dos homens, a Lei natural, isto é, os princípios da moral. (cf. CIC §1860). A Igreja reconhece que os movimentos da sensibilidade da pessoa, bem como o mecanismo das paixões, as pressões exteriores, as perturbações patológicas etc., em certos casos, podem , diminuir o caráter voluntário e livre do pecado cometido, e consequentemente a sua culpa. (cf. CIC §1860).
O Catecismo lembra: “O pecado por malícia, por opção deliberada do mal, é o mais grave.” (§ 1860)
Acontece a malícia quando há uma intenção maldosa, uma “exploração do mal”, por sagacidade, sátira, comércio etc. É diferente o pecado daquele que sucumbiu por fraqueza, daquele que explorou o pecado. Por exemplo, é muito mais grave explorar a prostituição do que cair nela, eventualmente, por fraqueza, embora ambas as quedas sejam graves.
“É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente.” (§1857; RP,17)
“A matéria grave é precisada pelos dez mandamentos segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: ‘Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe’ (Mc 10,19).” (CIC§ 1858)
Portanto, a gravidade dos pecados pode ser maior ou menor conforme o dano provocado por ele. Também a qualidade da pessoa ofendida entra em consideração. Ofender o pai é mais grave que ofender um estranho. Santo Afonso de Ligório, doutor da Moral, diz que o “pecado mortal é um monstro tão horrível, que não pode entrar numa alma que por, longo tempo, o detestou, sem se fazer claramente conhecido.”
Dizia ainda o santo doutor que o pecado mortal é aquele que se comete de “olhos abertos”; isto é, sem dúvidas do mal que se está praticando.

Pecado venial

O pecado venial acontece quando não se observa a lei moral em matéria leve, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, sem perfeito conhecimento ou consentimento (cf. CIC §1862). Não nos torna contrários à vontade de Deus e à sua amizade; não quebra a comunhão com Ele, e portanto, não priva da graça de Deus e do céu.
Contudo, não se deve descuidar dos pecados veniais, pois, eles enfraquecem a caridade, impedem a alma de crescer na virtude, e, quando é aceito deliberadamente e fica sem arrependimento, leva a pessoa, pouco a pouco, ao pecado mortal.
Santo Agostinho lembra que “o acúmulo dos pequenos vícios traz consigo a desesperança da conversão”. “O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideres insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então a nossa esperança? Antes de tudo a confissão…” (Ep. Jo 1,6; CIC §1863)

O que é o pecado contra o Espírito Santo?

Muitos perguntam o que é o pecado contra o Espírito Santo. A Igreja ensina que é o daquele que rejeita livremente acolher, pelo arrependimento, a misericórdia de Deus, “rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo”. É o endurecimento do coração, a tal ponto, que leva a pessoa a rejeitar até a penitência final. Se morrer neste triste estado, experimentará a perdição eterna. (cf. CIC §1864)
O pecado gera na pessoa uma tendência ao próprio pecado. Podemos dizer que quanto mais se peca, mais se está predisposto ao pecado. A repetição torna-se vício. E assim, nasce na pessoa a inclinação à perversão, obscurece-se a consciência, e vai se perdendo o discernimento entre o bem e o mal. Não foi sem razão que o Papa Paulo VI disse certa vez que, o pior pecado deste mundo é achar que o pecado não existe. A prática do pecado, continuamente, faz com que a pessoa perca a noção da sua gravidade. No entanto, por pior que seja, o pecado não consegue, de todo, “destruir o senso moral até a raiz.” (CIC §1864)
Diante de nossos pecados, não adianta se desesperar ou desanimar; a única atitude correta é enfrentá-los com boa disposição interior e com a graça de Deus. São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja, dizia que não adianta ficar “pisando a própria alma”, depois de ter caído no pecado.
Até mesmo os nossos pecados, aceitos com humildade, podem nos ajudar a crescer espiritualmente. Santo Afonso de Ligório dizia:
“Mesmo os pecados cometidos podem concorrer para a nossa santificação na medida que a sua lembrança nos faz mais humildes, mais agradecidos às graças que Deus nos deu, depois de tantas ofensas”.



(via Canção Nova)