quinta-feira, 5 de outubro de 2023

26ª Semana do Tempo Comum - Apostolado e sacrifício.



 Senhor, tudo o que fizestes conosco com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia (Dn 3,31.29s.43-42).

Em torno da Palavra do Senhor, o povo se congrega e celebra as glórias do passado, as culpas, os sofrimentos e, ao mesmo tempo, sua viva esperança de um futuro melhor. Façamos de nossas liturgias oportunos momentos para celebrar a fé e a vida e reunir forças para a missão.

Primeira Leitura: Neemias 8,1-12

Leitura do livro de Neemias – Naqueles dias, 1todo o povo se reuniu como um só homem na praça que fica defronte da porta das Águas e pediu ao escriba Esdras que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor havia prescrito a Israel. 2O sacerdote Esdras apresentou a Lei diante da assembleia de homens, de mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. 3Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas, Esdras fez a leitura do livro, desde o amanhecer até o meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. E todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da Lei. 4Esdras, o escriba, estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim. 5Estando num lugar mais alto, ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé. 6Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as mãos: “Amém! Amém!” Depois, inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor com o rosto em terra. 7Os levitas explicavam a Lei ao povo, e cada um ficou em seu lugar. 8E leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. 9O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo disseram a todos: “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus! Não fiqueis tristes nem choreis”, pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei. 10E Neemias disse-lhes: “Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força”. 11E os levitas acalmavam todo o povo, dizendo: “Ficai tranquilos; hoje é um dia santo. Não vos aflijais!” 12E todo o povo se retirou para comer e beber. Distribuíram também aos outros e expandiram-se em grande alegria, pois haviam entendido as palavras que lhes tinham sido explicadas. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 18(19)

Os ensinos do Senhor são sempre retos, / alegria ao coração.

1. A lei do Senhor Deus é perfeita, / conforto para a alma! / O testemunho do Senhor é fiel, / sabedoria dos humildes. – R.

2. Os preceitos do Senhor são precisos, / alegria ao coração. / O mandamento do Senhor é brilhante, / para os olhos é uma luz. – R.

3. É puro o temor do Senhor, / imutável para sempre. / Os julgamentos do Senhor são corretos / e justos igualmente. – R.

4. Mais desejáveis do que o ouro são eles, / do que o ouro refinado. / Suas palavras são mais doces que o mel, / que o mel que sai dos favos. – R.

Evangelho: Lucas 10,1-12

Aleluia, aleluia, aleluia.

Convertei-vos e crede no Evangelho, / pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1,15) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. 10Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11‘Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’ 12Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”. – Palavra da salvação.

Reflexão
Depois de decidir resolutamente subir para a cidade santa de Jerusalém, o Senhor escolhe, como último esforço missionário, outros setenta e dois discípulos e os envia "dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir". Envia-os para que o povo se prepare para a vinda iminente do Reino de Deus, que se realizará, não com o triunfo do poder político de Israel sobre as demais nações, mas como reinado de verdade e de vida (Jo 10, 10; 14, 6; 18, 37), de santidade e de graça (cf. Jo 1, 14.16), de justiça, de amor e de paz (cf. Rm 2, 5s; 1Cor 13, 8; Is 9, 6; 32, 17). Trata-se, portanto, de um Reino eminentemente espiritual (cf. Jo 18, 36), do qual só há de participar quem renunciar a si mesmo e, tomando a própria cruz, seguir os passos do Redentor. Eis porque o missionário cristão, além da arma da palavra — escrita ou falada —, precisa de uma vida de sacrifício, de oblação, de configuração ao Senhor crucificado. É isso que torna fecundas as pregações e exortações, que dá eficácia ao anúncio de Cristo. Se por caridade para com Deus e com o próximo estamos todos obrigados a ser apóstolos e evangelizadores, ali mesmo onde vivemos e trabalhamos, não há meio mais eficaz de levarmos o Evangelho aos corações do que nos fazendo tudo para todos (cf. 1Cor 9, 2), derramando gota a gota o sangue do nosso tempo, oferecendo ao Pai, como reparação da desordem do pecado — nosso e alheio —, sacrifícios voluntários e um espírito desapegado: "Não leveis bolsa nem sacola nem sandálias". Que o Senhor nos dê força e ânimo para nos desfazermos por nosso irmãos, a fim de que todos sejamos santos a seus olhos e consigamos a vida que ele nos mereceu pela aspersão do seu sangue.

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quarta-feira, 4 de outubro de 2023

São Francisco de Assis - Memória

 


Francisco de Assis, homem de Deus, deixou sua casa e sua herança e se fez pobre e desvalido. O Senhor, porém, o acolheu com amor.

Francisco nasceu na Itália em 1182 e lá faleceu em 1226. Após ter participado da guerra entre burgueses e nobres, passou por intenso processo de conversão. Pôs-se a serviço dos mais pobres, cuidou de pessoas portadoras de hanseníase e vivia em constante harmonia com a mãe natureza. É patrono da ecologia e dos animais. A exemplo do “Pobrezinho de Assis”, neste dia em que se conclui o Tempo da Criação instituído pelo papa Francisco, proponhamo-nos dedicar total cuidado à criação e aos mais desprotegidos de nossa sociedade.

Primeira Leitura: Neemias 2,1-8

Leitura do livro de Neemias – 1Era o mês de Nisã, no vigésimo ano do rei Artaxerxes. Como o vinho estivesse diante do rei, eu peguei no vinho e ofereci-o ao rei. Como em sua presença eu nunca podia estar triste, 2o rei disse-me: “Por que estás com a fisionomia triste? Não estás doente. Isso só pode ser tristeza do coração”. Fiquei muito apreensivo e disse ao rei: 3“Que o rei viva para sempre! Como o meu rosto poderia não estar triste, quando está em ruínas a cidade onde estão os túmulos de meus pais e suas portas foram consumidas pelo fogo?” 4E o rei disse-me: “O que desejas?” Então, fazendo uma oração ao Deus do céu, 5eu disse ao rei: “Se for do agrado do rei e se o teu servo achar graça diante de ti, deixa-me ir para a Judeia, à cidade onde se encontram os túmulos de meus pais, a fim de que possa reconstruí-la”. 6O rei, junto de quem a rainha se sentara, perguntou-me: “Quanto tempo vai durar a tua viagem e quando estarás de volta?” Eu indiquei-lhe a data do regresso e ele autorizou-me a partir. 7Eu disse ainda ao rei: “Se parecer bem ao rei, sejam-me dadas cartas para os governadores de além do rio, para que me deixem passar, até que chegue à Judeia. 8E também outra carta para Asaf, guarda da floresta do rei, para que me forneça madeira de construção para as portas da cidadela do templo, para as muralhas da cidade e para a casa em que vou morar”. E o rei concedeu-me tudo, pois a bondosa mão de Deus me protegia. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 136(137)

Que se prenda a minha língua ao céu da boca / se de ti, Jerusalém, eu me esquecer!

1. Junto aos rios da Babilônia  nos sentávamos chorando, / com saudades de Sião. / Nos salgueiros por ali / penduramos nossas harpas. – R.

2. Pois foi lá que os opressores / nos pediram nossos cânticos; / nossos guardas exigiam / alegria na tristeza: / “Cantai hoje para nós / algum canto de Sião!” – R.

3. Como havemos de cantar  os cantares do Senhor / numa terra estrangeira? / Se de ti, Jerusalém,  algum dia eu me esquecer, / que resseque a minha mão! – R.

3. Que se cole a minha língua  e se prenda ao céu da boca / se de ti não me lembrar! / Se não for Jerusalém / minha grande alegria! – R.

Evangelho: Lucas 9,57-62

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu tudo considero como perda e como lixo / a fim de ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,8s) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 57enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. 58Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. 59Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. 61Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. 62Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. – Palavra da salvação.

Reflexão

No Evangelho de hoje, Cristo diz, a todos que O querem seguir, que "as raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça". Os discípulos do Senhor não têm em lugar algum a sua morada definitiva, como lembra a famosa e antiga "Epístola a Diogneto"; habitam este mundo na condição de peregrinos e, embora tendo os pés no chão, conservam seus olhos voltados para o alto, que é onde se encontra a sua verdadeira Pátria.

Colocando essa verdade, porém, à luz do mistério que celebramos em toda Santa Missa, não é verdade que os cristãos não possuam, em absoluto, um lugar no qual reclinar a cabeça. No sacramento da Comunhão, o Senhor quis ficar perpetuamente conosco, dando-nos a graça de repetir a experiência do apóstolo São João, que deitou a cabeça em seu peito e recebeu de sua humanidade santíssima a virtude para amá-lO e segui-lO até o fim de seus dias. Figurada nos pães ázimos do Antigo Testamento, com os quais os israelitas, fugindo da escravidão no Egito, saíram em peregrinação rumo à terra prometida pelo Senhor, a Eucaristia é esse alimento celeste que, de fato, refaz as nossas forças e nos impulsiona a buscar, com coragem e fervor sempre renovados, o Reino que Cristo já conquistou para nós com o seu sangue derramado na Cruz. Peçamos a Ele que nos dê a graça de comungar bem, preparando o nosso coração para o banquete definitivo que acontecerá na Pátria — o único após o qual, contemplando face a face Quem recebemos sob o véu do sacramento, seremos perfeitamente saciados.


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terça-feira, 3 de outubro de 2023

Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco e companheiros, mártires - Memória

 


Celebramos hoje os primeiros mártires do Brasil: os santos André de Soveral, Ambrósio Ferro e seus 30 companheiros, terrivelmente massacrados no século XVII nas mãos de calvinistas holandeses por se recusarem a abjurar da fé católica na Santíssima Eucaristia e renegar a única Igreja em que se preservam, incorruptos, a sucessão apostólica e os sacramentos que o Filho de Deus instituiu para a nossa santificação. Assista à homilia do Padre Paulo Ricardo para este sábado, dia 3 de outubro, e peçamos a estes santos heróis da fé que, por sua intercessão, nos deem a graça de sermos católicos firmes e convictos, dispostos a dar a própria vida em testemunho da verdade da Santa Igreja Romana.


Pelo amor de Cristo, o sangue dos mártires foi derramado na terra. Por isso sua recompensa é eterna.

Em 1645, no estado do Rio Grande do Norte, os padres André e Ambrósio, juntamente com 28 companheiros leigos, vítimas da invasão holandesa, selaram com o martírio sua fé em Cristo. Movidos por seu testemunho de coragem e fortaleza, renovemos nossa disposição de ser fiéis discípulos do Senhor Jesus.

Primeira Leitura: Zacarias 8,20-23

Leitura da profecia de Zacarias – 20Isto diz o Senhor dos exércitos: “Virão ainda povos e habitantes de cidades grandes, 21dizendo os habitantes de uma para os de outra cidade: ‘Vamos orar na presença do Senhor, vamos visitar o Senhor dos exércitos; eu irei também’. 22Virão muitos povos e nações fortes visitar o Senhor dos exércitos e orar na presença do Senhor”. 23Isto diz o Senhor dos exércitos: “Naqueles dias, dez homens de todas as línguas faladas entre as nações vão segurar pelas bordas da roupa um homem de Judá, dizendo: ‘Nós iremos convosco; porque ouvimos dizer que Deus está convosco'”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 86(87)

Nós temos ouvido que Deus está convosco.

1. O Senhor ama a cidade / que fundou no monte santo; / ama as portas de Sião / mais que as casas de Jacó. / Dizem coisas gloriosas / da cidade do Senhor. – R.

2. Lembro o Egito e Babilônia / entre os meus veneradores. / Na Filisteia ou em Tiro  ou no país da Etiópia, / este ou aquele ali nasceu. / De Sião, porém, se diz:  “Nasceu nela todo homem; / Deus é sua segurança”. – R.

3. Deus anota no seu livro,  onde inscreve os povos todos: / “Foi ali que estes nasceram”. / E por isso todos juntos / a cantar se alegrarão; / e, dançando, exclamarão: / “Estão em ti as nossas fontes!” – R.

Evangelho: Lucas 9,51-56

Aleluia, aleluia, aleluia.

Veio o Filho do Homem, a fim de servir / e dar sua vida em resgate por muitos (Mc 10,45). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 51Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém 52e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos para preparar hospedagem para Jesus. 53Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. 54Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?” 55Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. 56E partiram para outro povoado. – Palavra da salvação.

Reflexão
"Com firme decisão", relata o evangelista São Lucas, Jesus parte em direção a Jerusalém. Como que recapitulando toda a peregrinação por que passou o povo de Deus em seu itinerário até chegar à Terra Santa, o Senhor se dirige a partir de agora à Cidade Santa, a fim de, lá morrendo, lá de cima — do topo do Calvário — salvar o homem decaído. Sobe a passos largos a Jerusalém, para de lá ser levado para o seu Reino celeste, donde desceu para fazer-se carne humana; aceitando pois a vontade do Pai, Cristo não recusa fazer este sofrido percurso cujo término Lhe há de resultar em morte, mas cujo propósito, por Ele tão ansiado, é-nos trazer de volta a vida que, pelo pecados, havíamos perdido. O Senhor nos ensina, assim, que é pelo acolhimento amoroso e humilde do sofrimento, da cruz e de tribulação que nos vem a salvação, o remédio de que precisa o nosso egoísmo. Peçamos-Lhe hoje, em nosso momento reservado à oração, a graça de desejarmos que a nossa vontade se dobre à Sua; que possamos, com coração sincero, querer sofrer por Ele, assim como Ele se dignou sofrer por amor a nós.

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segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Memória - Santos Anjos da Guarda - A grandeza dos humildes.

 


Anjos todos do Senhor, bendizei o Senhor; cantai a sua glória, louvai-o eternamente (Dn 3,58).

No século 17 celebrava-se, na Espanha e na França, a memória dos Anjos da Guarda, que o papa Clemente 10º estabeleceu para toda a Igreja, fixando-a no dia 2 de outubro. Esta data foi confirmada definitivamente pelo papa São Pio 10º. Na história da salvação, Deus confia aos anjos o encargo de proteger os patriarcas, seus servidores e todo o povo eleito, conforme exprime o Salmo 90, próprio desta liturgia. Confiemos aos cuidados dos anjos da guarda todas as pessoas, principalmente as crianças.

Primeira Leitura: Êxodo 23,20-23

Leitura do livro do Êxodo – Assim diz o Senhor: 20“Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos ferezeus, dos cananeus, dos eveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 90(91)

O Senhor deu uma ordem aos seus anjos / para em todos os caminhos te guardarem.

1. Quem habita ao abrigo do Altíssimo / e vive à sombra do Senhor onipotente / diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, / sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”. – R.

2. Do caçador e do seu laço ele te livra. / Ele te salva da palavra que destrói. / Com suas asas haverá de proteger-te, / com seu escudo e suas armas, defender-te. – R.

3. Não temerás terror algum durante a noite / nem a flecha disparada em pleno dia; / nem a peste que caminha pelo escuro / nem a desgraça que devasta ao meio-dia. – R.

4. Nenhum mal há de chegar perto de ti, / nem a desgraça baterá à tua porta; / pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos / para em todos os caminhos te guardarem. – R.

Evangelho: Mateus 18,1-5.10

Aleluia, aleluia, aleluia.

Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, / seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102,21) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”. – Palavra da salvação.

Reflexão
No Evangelho que a Igreja hoje proclama, os discípulos perguntam a Cristo quem é o maior no Reino dos Céus. E a resposta é simples e clara: é o pobre e pequenino o maior aos olhos de Deus. Mas como entre as criaturas não há ninguém ao mesmo tempo mais perfeito e humilde do que a Virgem Maria, ela é, com justiça, não só o maior dos fiéis, mas ainda a Rainha do céu e da terra. Por ter-se humilhado e diminuído, submetendo-se com total obediência à vontade divina, ela mereceu ser exaltada (cf. Mt 23, 12) e posta sobre um sólio de maternal poder, donde rege e governa a herança conquistada pelo Sangue de seu Filho. À semelhança de nossa Mãe SS., também nós, quanto mais nos sujeitarmos sem murmúrios ao que é do agrado do Senhor, mais cresceremos aos seus olhos, ou seja, mais santos e conformes à imagem de Cristo seremos. Pois não há outro caminho para cima, isto é, para a glória do Céu, senão o rebaixar-se: por um lado, reconhecendo o pó miserável que somos e que havemos de tornar-nos depois da morte (cf. Gn 3, 19); por outro, meditando com frequência na humildade de Jesus, que, embora seja Deus, se despiu da própria glória e majestade e, por amor a nós, "foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniqüidades" (Is 53, 5). Foi por causa do rebaixamento dEle, com efeito, que temos agora a paz com Deus e acesso à graça (cf. Rm 5, 1s). Por isso, humilhemo-nos também nós, confiantes no auxílio da Virgem Maria, cuja liberalidade há de conceder-nos todos os auxílios necessários para imitarmos com perfeição o seu Filho, "que sofreu tantas contrariedades dos pecadores" (Hb 12, 3).

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domingo, 1 de outubro de 2023

26º Domingo do Tempo Comum - Soberba, “rainha de todos os vícios”

 


Senhor, tudo o que fizestes conosco com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia (Dn 3,31.29s.43.42).

É na comunhão do Espírito Santo que nos reunimos, abrindo-nos à ternura e à compaixão do Senhor, que acolhe os pecadoresA liturgia nos recorda que não nosso falar, mas nosso agir é que demonstra se cumprimos ou não a vontade de Deus. Celebremos em comunhão com a Igreja missionária, que neste mês realiza a primeira sessão da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, com o tema: “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”.

Primeira Leitura: Ezequiel 18,25-28

Leitura da profecia de Ezequiel – Assim diz o Senhor: 25“Vós andais dizendo: ‘A conduta do Senhor não é correta’. Ouvi, vós da casa de Israel: é a minha conduta que não é correta ou, antes, é a vossa conduta que não é correta? 26Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. 27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. 28Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 24(25)

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

1. Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos / e fazei-me conhecer a vossa estrada! / Vossa verdade me oriente e me conduza,  porque sois o Deus da minha salvação; / em vós espero, ó Senhor, todos os dias! – R.

2. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura / e a vossa compaixão, que são eternas! / Não recordeis os meus pecados quando jovem / nem vos lembreis de minhas faltas e delitos! / De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia / e sois bondade sem limites, ó Senhor! – R.

3. O Senhor é piedade e retidão / e reconduz ao bom caminho os pecadores. / Ele dirige os humildes na justiça / e aos pobres ele ensina o seu caminho. – R.

Segunda Leitura: Filipenses 2,1-11 ou 1-5

[A forma breve está entre colchetes.]

Leitura da carta de São Paulo aos Filipenses – [Irmãos, 1se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, 2tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. 3Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante 4e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. 5Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.] 6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Mateus 21,28-32

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam a minha voz, / minha voz estão elas a escutar; / eu conheço, então, minhas ovelhas, / que me seguem, comigo a caminhar! (Jo 10,27) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”. – Palavra da salvação.

Reflexão

A parábola dos dois filhos, que Jesus conta no Evangelho deste domingo, descreve dois tipos de atitude frente à vontade de Deus: a figura do primeiro filho, de um lado, representa aqueles que, inicialmente, se mostram hesitantes, mas depois mudam de opinião e se convertem; enquanto o segundo filho, do outro, revela a pertinácia daqueles que, se bem respondem: “Sim, senhor, eu vou”, terminam por declinar do convite, mantendo-se encastelados em suas próprias ideias. A estes Nosso Senhor associa os fariseus e àqueles, os cobradores de impostos e as prostitutas, por cuja conversão precederão os demais no Reino de Deus.

As personagens desse evangelho também aludem a três pecados capitais: a luxúria (as prostitutas), a avareza (os cobradores de impostos) e a soberba (os fariseus). Todas essas faltas graves estão bem presentes no mundo hodierno e numa proporção talvez nunca antes registrada. Vemos, de fato, o triunfo da pornografia e da economia de mercado, de modo que, mesmo entre não cristãos, já se fala em métodos e alternativas para coibir os vícios oriundos da prática habitual desses pecados. O que muitos não admitem, porém, é que o mal absoluto por trás de todo malogro social, hoje em dia, é justamente a soberba, a rainha de todos os vícios. A soberba é, sem dúvida, o pecado que conduz à condenação eterna.

Acontece que a soberba é geralmente confundida com um tipo de virtude, pelo que poucos se preocupam em combatê-la. Dá-se a impressão de que ser altivo e autossuficiente é coisa boníssima e desejável para qualquer pessoa. Mas, na verdade, o soberbo é incapaz de retroceder e reconhecer o próprio erro, como o segundo filho da parábola, que faz figura na frente do pai, mas se mantém irredutível na própria maneira de proceder. O primeiro filho, por sua vez, pode até vacilar um instante, mas acaba se dobrando diante da verdade, a exemplo das prostitutas e dos cobradores de impostos, que creram no testemunho de S. João Batista.

A mensagem do Evangelho é, por fim, um apelo fortíssimo à conversão. De frente para aqueles dois caminhos da parábola, somos alertados contra a soberba diabólica, a fim de que, em nossas comunidades, tenhamos, como nos pede S. Paulo, o mesmo sentimento [gr. φρονεῖτε] que existe em Cristo Jesus (cf. Fl 2, 5). Porque é apenas dessa maneira, ou seja, agindo humildemente, que poderemos acompanhar as prostitutas e os cobradores de impostos na entrada para o Reino dos Céus.

Oração. — Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


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