segunda-feira, 9 de maio de 2022

4ª Semana da Páscoa - O único caminho que leva a Deus.

 Jesus pode ser considerado o bom Pastor?

Leitura (Atos 11,1-18)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 11 1 os apóstolos e os irmãos da Judéia ouviram dizer que também os pagãos haviam recebido a palavra de Deus.

2 E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis que eram da circuncisão repreenderam-no:

3 "Por que entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles?"

4 Mas Pedro fez-lhes uma exposição de tudo o que acontecera, dizendo:

5 "Eu estava orando na cidade de Jope e, arrebatado em espírito, tive uma visão: uma coisa, à maneira duma grande toalha, presa pelas quatro pontas, descia do céu até perto de mim.

6 Olhei-a atentamente e distingui claramente quadrúpedes terrestres, feras, répteis e aves do céu.

7 Ouvi também uma voz que me dizia: ‘Levanta-te, Pedro! Mata e come’.

8 Eu, porém, disse: De nenhum modo, Senhor, pois nunca entrou em minha boca coisa profana ou impura.

9 Outra vez falou a voz do céu: ‘O que Deus purificou não chames tu de impuro’.

10 Isto aconteceu três vezes e tudo tornou a ser levado ao céu.

11 Nisso chegaram três homens à casa onde eu estava, enviados a mim de Cesareia.

12 O Espírito me disse que fosse com eles sem hesitar. Foram comigo também os seis irmãos aqui presentes e entramos na casa de Cornélio.

13 Este nos referiu então como em casa tinha visto um anjo diante de si, que lhe dissera: ‘Envia alguém a Jope e chama Simão, que tem por sobrenome Pedro’.

14 Ele te dirá as palavras pelas quais serás salvo tu e toda a tua casa.

15 Apenas comecei a falar, quando desceu o Espírito Santo sobre eles, como no princípio descera também sobre nós.

16 Lembrei-me então das palavras do Senhor, quando disse: ‘João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo’.

17 Pois, se Deus lhes deu a mesma graça que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, com que direito me oporia eu a Deus?"

18 Depois de terem ouvido essas palavras, eles se calaram e deram glória a Deus, dizendo: "Portanto, também aos pagãos concedeu Deus o arrependimento que conduz à vida!"

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 41/42

Minha alma suspira por vós, ó meu Deus.

Assim como a corça suspira

pelas águas correntes,

suspira igualmente minha alma

por vós ó meu Deus!

 

A minha alma tem sede de Deus

e deseja o Deus vivo.

Quando terei a alegria de ver

a face de Deus?

 

Enviai vossa luz, vossa verdade:

elas serão o meu guia;

que me levem ao vosso monte santo,

até a vossa morda!

 

Então irei aos altares do Senhor,

Deus da minha alegria.

Vosso louvor cantarei ao som da harpa,

meu Senhor e meu Deus!

Evangelho (João 10,1-10)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou o bom pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim fala o Senhor (Jo 10,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

Naquele tempo, disse Jesus: 10 1 “Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.2 Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem. 4 Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz. 5 Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. 6 Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar. 7 Jesus tornou a dizer-lhes: “Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. 9 Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem. 10 O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância”.

Palavra da Salvação.

Reflexão

O Evangelho desta segunda-feira dá continuidade ao tema central da liturgia de ontem, 4.º Domingo depois da Páscoa, em que o Senhor se nos apresenta sob a figura do bom pastor de nossas almas. A primeira coisa que convém ter presente é que Jesus, em sentido estrito, não nos fala aqui por meio de parábolas, mas, sim, de metáforas. Ele se identifica ora com o pastor, ora com a porta do redil das ovelhas, contrapondo-se assim à figura do ladrão e do mercenário. O discurso que Ele hoje nos dirige, portanto, não consiste em uma história, em uma narrativa de tipo parabólico, mas em uma série de comparações que servem para destacar o seu papel de Salvador. Ele, Deus feito carne, é a única porta pela qual podemos ir ao Pai. É por meio de sua humanidade santíssima, unida à divina pessoa do Verbo, que trilhamos o caminho que Deus mesmo escolheu para nos salvar e levar-nos à união consigo na glória do céu. É por isso, aliás, que a Igreja conclui todas as suas preces e súplicas com as seguintes palavras: “Por Nosso Senhor Jesus Cristo”, já que não existe nenhum outro nome pelo qual possamos ser salvos. Esta é a razão por que devemos sempre, por um lado, ter uma grandíssima devoção à humanidade de Cristo e, por outro, resistir à pretensão de querer chegar a Deus fora da única via que a Ele conduz: o seu Filho unigênito. Que Deus Pai nos conceda, pois, ternos e profundos sentimentos de adoração por seu Filho encarnado, que sem deixar de ser o que era assumiu o que não era, a fim de que nós, mortos para o pecado, nascêssemos para a vida e, glorificados em nossa humanidade no último dia, participássemos finalmente dos esplendores de sua divindade.

 

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domingo, 8 de maio de 2022

4º Domingo da Páscoa - Jesus, o bom Pastor, dá a vida por você.

 Reflexão da Palavra | 4º Domingo da Páscoa – Ano C – CEBs do Brasil

Primeira Leitura: Atos 13,14.43-52

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, Paulo e Barnabé, 14partindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se. 43Muitos judeus e pessoas piedosas convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé. Conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus. 44No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a Palavra de Deus. 45Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e, com blasfêmias, opunham-se ao que Paulo dizia. 46Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: “Era preciso anunciar a Palavra de Deus primeiro a vós. Mas como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos. 47Porque esta é a ordem que o Senhor nos deu: ‘Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra'”. 48Os pagãos ficaram muito contentes quando ouviram isso e glorificavam a Palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna abraçaram a fé. 49Desse modo, a Palavra do Senhor espalhava-se por toda a região. 50Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés e foram para a cidade de Icônio. 52Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 99(100)

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, / nós somos seu povo e seu rebanho.

1. Aclamai o Senhor, ó terra inteira, † servi ao Senhor com alegria, / ide a ele cantando jubilosos! – R.

2. Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, † ele mesmo nos fez e somos seus, / nós somos seu povo e seu rebanho. – R.

3. Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, † sua bondade perdura para sempre, / seu amor é fiel eternamente! – R.

Segunda Leitura: Apocalipse 7,9.14-17

Leitura do livro do Apocalipse de São João – Eu, João, 9vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 14Então, um dos anciãos me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro. 15Por isso, estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda. 16Nunca mais terão fome nem sede. Nem os molestará o sol nem algum calor ardente. 17Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”. – Palavra do Senhor.

Evangelho: João 10,27-30

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; / eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem a mim (Jo 10,14). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus: 27“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna, e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Neste domingo, dia do Senhor, recebemos essa Palavra do Evangelho que retrata a nossa relação com Jesus, o bom Pastor. Ele diz: “Essas ovelhas escutam a minha voz”, ou seja, existe uma reciprocidade. E a reciprocidade é tão necessária no nosso relacionamento com Jesus, não é só Jesus quem precisa ouvir as nossas preces, as nossas súplicas, mas nós precisamos escutar a voz do nosso Senhor. E isso é o que marca a nossa relação com Jesus: interiorizar a Palavra, guardar a Palavra no coração, praticar com zelo a Palavra de Jesus. Porque quem me fala? É Cristo quem me fala e eu preciso escutar a Sua voz, preciso dar o meu coração para Cristo, porque Ele quer falar comigo.

Depois, o Senhor diz: “Eu as conheço”. Veja a relação que o bom Pastor tem com as suas ovelhas: “Eu as conheço”. Não é um conhecimento contábil, não é um conhecimento de cartório porque não estamos registrados apenas como números, mas o nosso nome está gravado na palma da mão de Deus. Então, é uma relação pessoal porque o amor de Deus é pessoal, é uma relação profunda que o Senhor tem conosco. Tudo de mim interessa a Jesus, tudo de você interessa a Jesus, Ele nos conhece. Até as coisas mais banais estão no coração de Cristo, Ele não despreza nada daquilo que nos pertence.

Jesus está ao nosso lado porque Ele é o bom Pastor e dá a vida pelas suas ovelhas

Jesus diz: “Elas me seguem”, porque, escutar a voz de Jesus, depois, precisa ser colocado em prática a obediência à Palavra de Jesus. “Dou-lhes a vida eterna”, o que é a vida eterna senão a vida de Deus, Ele nos dá Deus. Jesus nos introduz na Santíssima Trindade, naquela circularidade de amor entre Pai, Filho e Espírito Santo. Essa é a vida eterna que o Senhor nos dá! Depois: “Ninguém vai arrancá-las da minha mão” porque Jesus nos defende, Ele nos protege, Ele é a proteção do Pai porque os dois são uma coisa só — “Eu e o Pai somos um” — então, a proteção de Deus se manifesta no cuidado de Jesus, o bom Pastor.

Existe esse cuidado de Jesus que nos defende contra todos os perigos, contra aqueles lobos vorazes que querem macular a nossa vida, que querem macular a nossa fé, que querem ferir o nosso coração, mas Jesus está ao nosso lado porque Ele é o bom Pastor e dá a vida pelas suas ovelhas, Ele dá a vida por todos nós!

Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!


Padre Donizete Ferreira

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sábado, 7 de maio de 2022

3ª Semana da Páscoa - Nada mais certo do que a fé.

 Momento Catequético: Sábado da 3ª semana da Páscoa, Jo 6, 60-69 – Diocese  de São Carlos

Primeira Leitura: Atos 9,31-42

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 31a Igreja vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo. 32Pedro percorria todos os lugares; e visitou também os fiéis que moravam em Lida. 33Encontrou aí um homem chamado Eneias, que estava paralítico e há oito anos jazia numa cama. 34Pedro disse-lhe: “Eneias, Jesus Cristo te cura! Levanta-te e arruma a tua cama!” Imediatamente Eneias se levantou. 35Todos os habitantes de Lida e da região do Saron viram isso e se converteram ao Senhor. 36Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, nome que quer dizer Gazela. Eram muitas as boas obras que fazia e as esmolas que dava. 37Naqueles dias ela ficou doente e morreu. Então lavaram seu corpo e o colocaram no andar superior da casa. 38Como Lida ficava perto de Jope, e ouvindo dizer que Pedro estava lá, os discípulos mandaram dois homens com um recado: “Vem depressa até nós!” 39Pedro partiu imediatamente com eles. Assim que chegou, levaram-no ao andar superior, onde todas as viúvas foram ao seu encontro. Chorando, elas mostravam a Pedro as túnicas e mantos que Tabita havia feito quando vivia com elas. 40Pedro mandou que todos saíssem. Em seguida, pôs-se de joelhos e rezou. Depois, voltou-se para o corpo e disse: “Tabita, levanta-te!” Ela então abriu os olhos, viu Pedro e sentou-se. 41Pedro deu-lhe a mão e ajudou-a a levantar-se. Depois chamou os fiéis e as viúvas e apresentou-lhes Tabita viva. 42O fato ficou conhecido em toda a cidade de Jope, e muitos acreditaram no Senhor. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 115(116B)

Que poderei retribuir ao Senhor Deus / por tudo aquilo que ele fez em meu favor?

1. Que poderei retribuir ao Senhor Deus / por tudo aquilo que ele fez em meu favor? / Elevo o cálice da minha salvação, / invocando o nome santo do Senhor. – R.

2. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor / na presença de seu povo reunido. / É sentida por demais pelo Senhor / a morte de seus santos, seus amigos. – R.

3. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, † vosso servo que nasceu de vossa serva; / mas me quebrastes os grilhões da escravidão! / Por isso oferto um sacrifício de louvor, / invocando o nome santo do Senhor. – R.

Evangelho: João 6,60-69

Aleluia, aleluia, aleluia.                                             

Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; / só tu tens palavras de vida eterna! (Jo 6,63.68) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 60muitos dos discípulos de Jesus que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isso vos escandaliza? 62E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. 65E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67Então, Jesus disse aos doze: “Vós também quereis ir embora?” 68Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus”. 

Palavra da salvação.

Reflexão

O sermão eucarístico que Nosso Senhor veio desenvolvendo ao longo dos últimos dias conduz seus discípulos a uma encruzilhada: é necessário agora decidir-se por Jesus, ou seja, aceitar ou não com fé a sua palavra, às vezes tão dura de ouvir. Lembremo-nos que, no início de todo este discurso, boa parte dos que seguiam o Senhor buscavam nele uma solução rápida e eficaz para os próprios problemas mundanos. Era a fome — o desejo de pão, particularmente — o que motivava tantos a acompanhá-lo pelos desertos de Israel. Jesus pede-lhes então uma obra distinta: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou” (Jo 6, 29). Esta fé, por sua vez, torna-se alimento, pão de vida, fruto de um sacrifício redentor e de amor: “Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6, 35). A reação do povo, no entanto, é de rechaço, descrença, indisposição: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” (Jo 6, 60). Dura para os que não querem crer, mas verdadeira, certíssima e vivificante para os que a ela se abrem. As palavras de Cristo, se acolhidas com fé, e não com as suspeitas ingênuas e maliciosas dos nossos tempos, fazem agir em nós um princípio superior, o Espírito Santo, que nos infunde uma vida nova — a sua própria vida divina — e transformam profundamente o nosso ser. Que Ele nos ajude, pois, a dar esse passo da fé, a fim de trilharmos o caminho percorrido pelos santos e humildes de coração, e não a vida da infidelidade e da falta de fé, distante do único que tem palavras de vida eterna.

 

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sexta-feira, 6 de maio de 2022

3ª Semana da Páscoa - A fé cristã é fé eucarística.

 Por quanto tempo Jesus permanece conosco na Eucaristia depois que  comungamos? - ChurchPOP Português

Primeira Leitura: Atos 9,1-20

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 1Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao sumo sacerdote 2e pediu-lhe cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho. 3Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. 4Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” 5Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. 6Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer”. 7Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. 8Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. 9Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu. 10Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: “Ananias!” E Ananias respondeu: “Aqui estou, Senhor!” 11O Senhor lhe disse: “Levanta-te, vai à rua que se chama Direita e procura, na casa de Judas, por um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está rezando”. 12E, numa visão, Saulo contemplou um homem chamado Ananias entrando e impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista. 13Ananias respondeu: “Senhor, já ouvi muitos falarem desse homem e do mal que fez aos teus fiéis que estão em Jerusalém. 14E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, recebidos dos sumos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome”. 15Mas o Senhor disse a Ananias: “Vai, porque esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. 16Eu vou mostrar-lhe quanto ele deve sofrer por minha causa”. 17Então Ananias saiu, entrou na casa e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: “Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu quando vinhas no caminho, ele me mandou aqui para que tu recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”. 18Imediatamente caíram dos olhos de Saulo como que escamas e ele recuperou a vista. Em seguida, Saulo levantou-se e foi batizado. 19Tendo tomado alimento, sentiu-se reconfortado. Saulo passou alguns dias com os discípulos de Damasco 20e logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 116(117)

Ide por todo o mundo, / a todos pregai o Evangelho.

1. Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, / povos todos, festejai-o! – R.

2. Pois comprovado é seu amor para conosco, / para sempre ele é fiel! – R.

Evangelho: João 6,52-59

Aleluia, aleluia, aleluia.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue / em mim permanece, e eu vou ficar nele (Jo 6,56). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 52os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”. 59Assim falou Jesus, ensinando na sinagoga em Cafarnaum. – Palavra da salvação.

Reflexão

O Evangelho desta sexta-feira coloca-nos no centro do discurso eucarístico de Nosso Senhor, e não há nenhum outro lugar das SS. Escrituras que nos fale com tanta clareza do que a Igreja sempre creu e pregou a respeito deste divino mistério do que os versículos que ela hoje nos proclama, extraídos diretamente dos lábios do Redentor: “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida”. A expressão que encontramos nos originais gregos, e que a nossa tradução verte corretamente por “verdadeira”, é ἀληθής. Isso implica que as palavras de Cristo não devem ser entendidas em sentido metafórico ou simbólico, e Ele mesmo fez questão de o reforçar, ao dizer não uma, mas duas vezes de sua carne e seu sangue: “É verdadeira comida” (‘ἀληθής ἐστιν βρῶσις’), “é verdadeira bebida” (‘ἀληθής ἐστιν πόσις’). O texto é claro, e somente a falta de fé e o desejo de adaptar a doutrina evangélica a certas pré-concepções “teológicas” pode explicar que tantos dos que se dizem cristãos o rejeitem, apelando a explicações uma mais abstrusa que a outra. Mas a confusão que tantos hereges sentem ao ouvir falar da presença real de Nosso Senhor na Eucaristia, confessada sem perturbações pela nossa santa fé católica, não é novidade nem heresia moderna, pois a sentiram e defenderam já os primeiros judeus chamados a ter a mesma fé que, por graça, temos nós: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?”, perguntaram-se eles, confirmando com isto, por um lado, que era literal o sentido que Jesus dava ao seu ensinamento, e testemunhando, por outro, que a razão por que muitos não creem no mistério é por quererem primeiro explicá-lo antes de o aceitar. “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?”, e vão eles acumulando arrazoados que ficam bonitos no papel, e que uns chamam de “empanação”, outros de “consubstanciação”, estes de “transignificação”, aqueles de simples “memória”, de forma que todos, sendo tão vários de opinião, são concordes em rejeitar a mesma verdade, que o próprio Cristo quis sublinhar duas vezes, prevendo talvez as duas mil que a negariam: “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida”. Foi esta a primeira pedra em que tropeçaram os judeus, foi esta a ocasião em que possivelmente Judas perdeu a fé, e é este mistério em que hoje a Igreja nos chama a crer com todas as forças do nosso coração e com todo o rebaixamento da nossa inteligência. Que o Pai dos céus seja servido de nos comunicar a graça e a luz do seu Espírito para crermos que, “no sublime sacramento da santa Eucaristia, depois da consagração do pão e do vinho, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, está contido verdadeira, real e substancialmente sob a aparência das coisas sensíveis” (Concílio de Trento, 13.ª sessão, de 11 out. 1551, c. 1 [DH 1636]), e não como um mero sinal externo e simbólico de sua presença espiritual entre os fiéis (cf. Pio XII, Encíclica “Humani generis”, de 12 ago. 1950 [DH 3891]).

 

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quinta-feira, 5 de maio de 2022

3ª Semana da Páscoa - Atraídos pelo Pai.

 Evangelho do Dia: O pão do céu (Jo 6, 30-35) – Oratório São Luiz – 120 Anos

Primeira Leitura: Atos 8,26-40

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 26um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: “Prepara-te e vai para o sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto”. Filipe levantou-se e foi. 27Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia, e administrador-geral do seu tesouro, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém. 28Ele estava voltando para casa e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. 30Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo?” 31O eunuco respondeu: “Como posso, se ninguém mo explica?” Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele. 32A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: “Ele foi levado como ovelha ao matadouro; e qual um cordeiro diante do seu tosquiador, ele emudeceu e não abriu a boca. 33Eles o humilharam e lhe negaram justiça; e seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arrancada da terra”. 34E o eunuco disse a Filipe: “Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?” 35Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou Jesus ao eunuco. 36Eles prosseguiram o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. Então o eunuco disse a Filipe: “Aqui temos água. O que impede que eu seja batizado?”(37) 38O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água, e Filipe batizou o eunuco. 39Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria. 40Filipe foi parar em Azoto. E, passando adiante, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesareia. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 65(66)

Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.

1. Nações, glorificai ao nosso Deus, / anunciai em alta voz o seu louvor! / É ele quem dá vida à nossa vida / e não permite que vacilem nossos pés. – R.

2. Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: / vou contar-vos todo bem que ele me fez! / Quando a ele o meu grito se elevou, / já havia gratidão em minha boca! – R.

3. Bendito seja o Senhor Deus, que me escutou, † não rejeitou minha oração e meu clamor / nem afastou longe de mim o seu amor! – R.

Evangelho: João 6,44-51

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou o pão vivo descido do céu, / quem deste pão come sempre há de viver (Jo 6,51). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44“Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Na liturgia pascal desta quinta-feira, em que continuamos a leitura do capítulo sexto do Evangelho de São João, Nosso Senhor, Sabedoria Eterna, afirma: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai" (v. 44). Reveladoras do agir divino, engana-se quem pensa que essas palavras estão de alguma forma desligadas do seu contexto eucarístico, notadamente dramático e decisivo, uma vez que, ao final, narra-nos o evangelista que muitos dos discípulos do Senhor se retiraram e já não andavam mais com Ele (cf. Jo 6, 66). De fato, diante do discurso do Pão da Vida, da Carne e do Sangue de Cristo para a salvação do mundo (cf. Jo 6, 51-56), muitos dos seus ouvintes começaram a murmurar e a considerar insuportável aquele discurso (Jo 6, 41-43, 60-61). Mas, por que motivo não o aceitaram e desprezaram o Pão vivo descido do Céu? Porque se fecharam à voz do Pai que, desde dentro, no íntimo do coração, a todos ensina. "Todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim" (v. 45). Com efeito, todos quantos receberam o sopro da vida do Criador, do qual são "imagem e semelhança", têm dentro de si esse Mestre divino que convida ao conhecimento e amor do Filho Unigênito de Deus, de tal modo que o fechar-se a esse convite torna inútil qualquer discurso, escrito ou palavra externa, mesmo aquele cuja fonte é os lábios benditos do Verbo encarnado.

À luz do Evangelho de hoje, portanto, devemos examinar-nos seriamente e fazer um sincero propósito de emenda. Pois a nossa surdez à Revelação interna do Pai é o que nos faz, por exemplo — ainda que em estado de graça e comungando o Santíssimo Corpo do Senhor todos os dias —, continuar apegados aos prazeres e comodidades mundanos, buscando honras e riquezas perecíveis. Rezemos, por isso, ao Senhor e Lhe peçamos, neste dia, a graça de uma autêntica vida de oração, a fim de que, recolhendo-nos frequentemente para meditar os mistérios da nossa fé, à procura da Voz interna do Pai, tenhamos a inteligência alumiada pela Luz que ilumina todo homem (cf. Jo 1, 9) e a vontade convidada à intimidade do Seu Amor.

 

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