sexta-feira, 5 de junho de 2015

MAD MAX: QUANDO A PERDA DE DEUS LEVA À LOUCURA..

Uma interessante reflexão sobre o longa-metragem considerado "o filme do ano"

 

O filme é uma clara sequência dos três filmes lançados em 1979 e 1985, “Mad Max“, “Mad Max 2” e “Mad Max, Além da Cúpula do Trovão“, todos estrelados por Mel Gibson. Mas após 30 anos de lançamento do último, chegamos ao filme mais eletrizante da série e sem a presença do ator original, sendo já considerado como o “filme do ano”. Será que vale o título?

Sinopse: Max, um ex-policial e agora guerreiro das estradas (Tom Hardy), acaba capturado por um perigoso grupo de guerreiros dos desertos apocalípticos da Austrália. Quando ele tem a oportunidade de fugir, precisa decidir se vai ajudar a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) a resgatar um grupo de garotas mantidas como escravas.

O enredo se passa em um período em que a humanidade está em colapso dentro de uma visão pós-apocalíptica, onde as pessoas lutam por suas necessidades, sendo a primeira delas, a sobrevivência. Perderam-se os mínimos valores que sustentam uma sociedade e os mais fortes são aqueles que dominam. O mundo entra em uma grande confusão, a ponto das pessoas acreditarem cegamente que, se morrerem, irão para Valhalla (que na mitologia nórdica é um majestoso e enorme salão situado em Asgard dominado pelo deus Odin) e acreditam no deus “V8″ (que é uma referência ao motor de carros), e os seus seguidores creem que deverão dar a vida para merecerem entrar com honras no grande salão após a morte. Além disso, para os poderosos, todos se tornaram objetos para atender uma utilidade específica.

O que podemos ver no filme é um mundo sem Deus, sem qualquer traço de justiça, caridade e compaixão e que, eventualmente, aparece em algumas pessoas. A sociedade caiu, retiraram Deus de seu lugar e colocar outros deuses. Para alguns, resta apenas tentar sobreviver, para outros, ainda existe alguma esperança mas, para muitos, resta apenas a loucura.

O Papa Bento XVI já nos alertou do perigo de um mundo sem Deus (homilia do dia 15 de agosto de 2012):
 

“E deste modo fé, esperança e amor combinam-se entre si. Hoje existem muitas palavras sobre um mundo melhor a esperar: seria a nossa esperança. Se e quando este mundo melhor virá, nós não o sabemos, eu não sei. Obviamente, um mundo que se afasta de Deus não se torna melhor, mas pior. Somente a presença de Deus pode garantir também um mundo bom.”

É verdade que se trata de uma ficção, mas nos serve de alerta quanto aos riscos de nos afastarmos de Deus!

Quanto ao filme, a produção é fantástica, merecendo a qualificação como filme do ano (pelo menos até agora), com cenas e sequências de tirar o fôlego, além de uma criatividade brilhante na criação dos veículos e suas utilidades. Merece ser visto em 3D tranquilamente.

Para quem gosta de grandes produções, diríamos que deve ser obrigatoriamente visto, de preferência, no cinema. No entanto, levando em conta o critério de avaliação do Projeções de Fé, a qualificação é “esse vale conferir”. 
 
 
 
 
 
 
sources: Projeções de Fé

 

LITURGIA DIÁRIA - JESUS, O ETERNO SACERDOTE.

 
Primeira Leitura (Tb 11,5-17)

Leitura do Livro de Tobias.
Naqueles dias, 5Ana estava sentada, observando atentamente o caminho por onde devia chegar seu filho. 6Percebeu que ele se aproximava e disse ao pai: “Teu filho está chegando, e com ele o homem que o acompanhou”. 7Antes que Tobias se aproximasse do pai, Rafael lhe disse: “Estou certo de que seus olhos se abrirão. 8Aplica-lhe nos olhos o fel do peixe. O remédio fará com que as manchas brancas se contraiam e se desprendam de seus olhos. Teu pai vai recuperar a vista e enxergará a luz”. 9Ana correu, atirou-se ao pescoço do filho e disse: “Voltei à ver-te, meu filho, agora posso morrer!” E chorou. 10Tobit levantou-se e, tropeçando, atravessou a porta do pátio. 11Tobias foi ao seu encontro, tendo na mão o fel do peixe. Soprou-lhe nos olhos e, segurando-o, disse: “Confiança, pai!” Derramou o remédio e esfregou-o. 12Depois, com ambas as mãos, tirou-lhe as películas dos cantos dos olhos. 13Então Tobit caiu-lhe ao pescoço, chorando e dizendo: “Eu te vejo, meu filho, luz de meus olhos!” 14E acrescentou: “Bendito seja Deus! Bendito seja o seu grande nome! Benditos sejam todos os seus santos anjos por todos os séculos! 15Porque, se ele me castigou, agora vejo o meu filho Tobias!” A seguir, Tobit entrou com Ana em sua casa, louvando e bendizendo a Deus em alta voz, por tudo o que lhes tinha acontecido. E Tobias contou ao pai como tinha sido boa a viagem deles, por obra do Senhor Deus, como haviam trazido dinheiro e como se tinha casado com Sara, filha de Ragüel. Aliás, ela já se aproximava das portas de Nínive. 16Tobit e Ana alegraram-se muito e saíram ao encontro da nora, às portas da cidade. Vendo-o andar a passos largos e com toda a firmeza, sem que ninguém o conduzisse pela mão, os ninivitas se admiraram. 17E diante deles Tobit louvava e bendizia a Deus em alta voz, por ter sido misericordioso para com ele e por lhe ter aberto os olhos. E, aproximando-se de Sara, mulher de seu filho Tobias, abençoou-a e disse: “Bem-vinda sejas, minha filha. E bendito seja o teu Deus, filha, que te trouxe para junto de nós! Abençoado seja o teu pai, abençoado o meu filho Tobias e abençoada sejas tu, minha filha! Entra em tua casa com saúde, a ti bênção e alegria! Entra, minha filha!” E naquele dia foi grande o contentamento entre todos os judeus que se encontravam em Nínive.

Responsório (118)

Os que amam vossa lei têm grande paz!
Os que amam vossa lei têm grande paz!

Tantos são os que me afligem e perseguem, mas eu nunca deixarei vossa Aliança! Vossa palavra é fundada na verdade, os vossos justos julgamentos são eternos.
Os poderosos me perseguem sem motivo; meu coração, porém, só teme a vossa lei.
Os que amam vossa lei têm grande paz, e não há nada que os faça tropeçar.
Ó Senhor, de vós espero a salvação, pois eu cumpro sem cessar vossos preceitos.
Serei fiel à vossa lei, vossa Aliança; os meus caminhos estão todos ante vós.
 
Evangelho (Mc 12,35-37)

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 35Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.

 Reflexão

Ensinando no Templo, Jesus perguntou: “Como os mestres da Lei dizem que Cristo é filho de Davi?”. Jesus apontou para uma questão aparentemente sem resposta, e Ele mesmo a respondeu, citando as palavras do Rei Davi: “O Senhor disse ao meu Senhor: ‘Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos debaixo de teus pés'”.Olhemos com cuidado o que Davi está dizendo: O Senhor disse “ao meu Senhor”.
As palavras citadas são do Salmo 110,1. Ao falar sobre a expectativa do Senhor que vem, Davi chama Jesus de “Senhor”, o ungido de Deus. Portanto, Davi está falando do Senhor dele quando se refere ao esperado Cristo.
Com essa pergunta, Jesus leva os mestres da Lei a um impasse: o Messias não poderia ser meramente “filho de Davi”, se este O chamou de “Senhor”. O verdadeiro Cristo (o Messias) deveria ser mais do que somente um descendente de Davi.
A Epístola aos Hebreus nos revela a visão dos apóstolos. O escritor da Epístola nos apresenta Jesus como sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, sacerdócio sem início e sem fim.
Segundo a visão de Hebreus, Jesus, descendente de Davi, representava as duas linhas em uma pessoa só: Filho de Davi e Sacerdote.
O escritor da Carta aos Hebreus começa seu esboço com as palavras: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou nestes últimos dias pelo Filho”.
Os mestres da Lei não aceitaram ouvir Jesus sendo chamado “Filho de Davi”, pois a expressão lhes designava o Cristo. Jesus lhes havia demonstrado que o “Filho de Davi” também era o “Senhor” de Davi e eles não souberam contestá-Lo porque, na verdade, Jesus é Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Ele é o eterno Sacerdote.
 
 
 
 
 
 
Padre Bantu Mendonça


terça-feira, 2 de junho de 2015

O GUARDIÃO DA CASTIDADE É O AMOR.

Porque o guardião da castidade é o amor, é praticamente impossível falar de pureza para uma civilização que virou as costas para Deus.


Não é novidade alguma que a mensagem do Evangelho sobre a sexualidade cause escândalo às pessoas. C. S. Lewis escreve, com razão, que " a castidade é a menos popular das virtudes cristãs" [1], e, ainda no século XIII, Santo Tomás de Aquino – considerando que, "na fé cristã, são expostas as virtudes que excedem todo o intelecto humano, os prazeres são contidos e se ensina o desprezo das coisas do mundo" – sublinhava que é grande "milagre e claro efeito da inspiração divina que os espíritos humanos tenham concordado com tudo isto" [2].
Algumas épocas, no entanto, são particularmente insensíveis à virtude da castidade. É o caso da nossa geração, que ainda experimenta os frutos amargos da Revolução Sexual. O advento da pílula anticoncepcional – e o consequente divórcio entre o prazer e a geração dos filhos –, as chamadas "uniões livres", bem como a adoção do divórcio em várias legislações mundo afora, fortaleceram a ideia de que o ser humano poderia fazer de sua sexualidade o que bem entendesse, não dando a mínima para as leis inscritas pelo Criador em seu próprio coração. 

A destruição ocorrida nas últimas décadas, no entanto, é apenas reflexo de um mal muito maior: o afastamento de Deus. É praticamente impossível falar de pureza para uma civilização que abandonou os valores eternos. A castidade é, por assim dizer, a "cereja do bolo" do cristianismo. Sem amor, ela se torna apenas uma norma a mais dentro um "moralismo" vazio. Santo Agostinho, por exemplo, fazia notar que o que se louva nas virgens "não é o fato de serem virgens, mas o estarem consagradas a Deus por uma santa continência" [3]. Ou seja, a grandeza da castidade está no amor com que é praticada, ou, como resumiu o próprio Agostinho: "A guardiã da virgindade é a caridade" [4].
Tome-se como modelo a vida da Beata Teresa de Calcutá. Mesmo em tempos de descrença como os nossos, são muitas as pessoas a admirar o testemunho dessa santa religiosa, inclusive fora da Igreja. E o que tornou reluzente a sua figura, fazendo com que os próprios chefes das nações a estimassem, e homens de letras, sem nenhum vínculo com a fé cristã, a respeitassem? Como pode ser que uma consagrada a Deus – e, por si só, "sinal de contradição" ( Lc 2, 34) – tenha conquistado tanta simpatia por onde passou? A resposta está na caridade, que dá forma a todas as obras e virtudes [5]. Por seu grande amor a Deus, Madre Teresa encheu de sentido todas as ações que realizava: desde a oração e vivência fiel dos votos religiosos até o extraordinário cuidado que tinha pelos doentes e miseráveis.
Tirando Deus do centro, porém, o que resta? O escritor britânico G. K. Chesterton, que viu o começo do século XX decretar "a morte de Deus", profetizou, ainda em 1926: " A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente à moral sexual" [6]. Dito e feito. Não foi preciso nem meio século para que a barbárie invadisse as universidades, as igrejas e os lares. Pregou-se abertamente a destruição da família; abandonou-se largamente a vida religiosa; instaurou-se, enfim, no lugar onde deveriam reinar a ordem e a concórdia, uma verdadeira "luta de classes". 

Também em seu tempo, São Paulo identificava a degradação sexual como consequência do afastamento e do abandono do verdadeiro Deus: "Apesar de conhecerem a Deus", os homens "não o glorificaram como Deus nem lhe deram graças". Como consequência, "Deus os entregou, dominados pelas paixões de seus corações, a tal impureza que eles desonram seus próprios corpos" (Rm 1, 21.24). Quando se despreza o Criador, não impressiona que as criaturas profanem os templos do Espírito Santo, que são os seus corpos (cf. 1 Cor 6, 19), e envenenem a própria fonte que dá origem ao ser humano. "Creatura enim sine Creatore evanescitDe fato, a criatura, sem o Criador, se esvai" [7].
Para que se devolva a saúde moral à nossa civilização, portanto, nada mais eficaz que mostrar ao mundo a beleza do amor de Cristo, que é o que dá brilho à tão esquecida virtude da castidade. Lembremo-nos das muitas mulheres que consagraram a sua virgindade a Deus e que, no fim da vida, foram coroadas com a palma do martírio. "Águeda e Luzia, Inês, Cecília, Anastásia": a sua caridade era tão ardente, que não contentes em oferecer ao Senhor o seu corpo, ofertaram-Lhe também as suas almas. Elas preferiram enfrentar os mais terríveis suplícios a perder a Santíssima Trindade que habitava em seus corações.
Que também nós, auxiliados pela graça, possamos dar ao mundo paganizado do século XXI um testemunho de Deus. Vale a pena gastar-se inteiramente por Ele, entregando mesmo a própria vida. Afinal, "ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos" ( Jo 15, 13). 
















Por Equipe Christo Nihil Praeponere 

 Referências
  1. LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. Martins Fontes: São Paulo, 2005. p. 37.
  2. Suma contra os Gentios, I, 6, 2.
  3. Sobre a Virgindade, 11: PL 40, 401.
  4. Ibidem, 51: PL 40, 426.
  5. Cf. Suma Teológica, II-II, q. 23, a. 8.
  6. The Next Heresy. G. K.'s Weekly: June 19, 1926.
  7. Constituição Pastoral Gaudium et Spes (7 de dezembro de 1965), n. 36.

CONSELHOS DO PADRE PIO PARA VIVER A SANTA MISSA.

 Leia a famosa carta na qual o santo dá dicas práticas para viver a Missa com devoção.

 

Uma carta do Padre Pio para Annita Rodote 

Pietrelcina, 25 de julho de 1915.

Amada filha de Jesus,

Que Jesus e nossa Mãe sempre sorriam em sua alma, obtendo disso, a partir de seu mais Santo Filho, todos os carismas celestiais!

Estou escrevendo para você por dois motivos: para responder mais algumas perguntas de sua última carta e para lhe desejar um feliz dia no mais doce Jesus, cheio de todas as mais especiais graças celestiais. Oh! Se Jesus atender minhas orações por você ou, melhor ainda, se ao menos as minhas orações forem dignas de serem atendidas por Jesus! No entanto, aumentá-las-ei cem vezes para vossa consolação e salvação, suplicando a Jesus atendê-las, não para mim, mas através do coração de sua bondade paternal e infinita misericórdia.

A fim de evitar irreverências e imperfeições na casa de Deus, na igreja – que o divino Mestre chama de casa de oração -, exorto-vos no Senhor a praticar o seguinte.

Entre na igreja em silêncio e com grande respeito, considerando-se indigno de aparecer diante da Majestade do Senhor. Entre outras considerações piedosas, lembre-se que nossa alma é o templo de Deus e, como tal, devemos mantê-la pura e sem mácula diante de Deus e seus anjos. Fiquemos envergonhados por termos dado acesso ao diabo e suas armadilhas muitas vezes (com a sua sedução para o mundo, a sua pompa, seu chamado para a carne) por não sermos capazes de manter nossos corações puros e os nossos corpos castos; por termos permitido aos nossos inimigos insinuarem-se em nossos corações, profanando o templo de Deus que nos tornamos através do santo batismo.

Em seguida, pegue água benta e faça o sinal da cruz com cuidado e lentamente.

Assim que você estiver diante de Deus no Santíssimo Sacramento, faça uma genuflexão devotamente. Depois de ter encontrado o seu lugar, ajoelhe-se e renda o tributo de sua presença e devoção a Jesus no Santíssimo Sacramento. Confie todas as suas necessidades a Ele junto com as dos outros. Fale com Ele com abandono filial, dê livre curso ao seu coração e dê-lhe total liberdade para trabalhar em você como ele achar melhor.

Ao assistir à Santa Missa e as funções sagradas, fique muito composta, quando em pé, ajoelhada e sentada, e realize todos os atos religiosos, com a maior devoção. Seja modesta no seu olhar, não vire a cabeça aqui e ali para ver quem entra e sai. Não ria, por respeito para com este santo lugar e também por respeito para aqueles que estão perto de você. Tente não falar com ninguém, exceto quando a caridade ou a estrita necessidade pedirem isso.

Se você rezar com os outros, diga as palavras da oração nitidamente, observe as pausas e nunca se apresse.

Em suma, comporte-se de tal maneira que todos os presentes sejam edificados, bem como, através de você, sejam instados a glorificar e amar o Pai celestial.

Ao sair da igreja, você deve estar recolhida e calma. Em primeiro lugar peça a permissão de Jesus no Santíssimo Sacramento; peça perdão pelas falhas cometidas em sua presença divina e não O deixe sem pedir e ter recebido a Sua bênção paterna.

Assim que estiver fora da igreja, seja como todo ser seguidor do Nazareno deveria ser. Acima de tudo, seja extremamente modesta em tudo, pois esta é a virtude que, mais do que qualquer outra, revela os sentimentos do coração. Nada representa um objeto mais fielmente ou claramente do que um espelho. Da mesma forma, nada mais amplamente representa as más ou as boas qualidades de uma alma do que a maior ou menor regulação do exterior, como quando alguém parece mais ou menos modesta. Você deve ser modesta em discurso, modesta no riso, modesta no seu porte, modesta ao caminhar. Tudo isso deve ser praticado, não por vaidade, a fim de mostrar a si mesma, nem com hipocrisia a fim de aparecer boa aos olhos dos outros, mas sim, pela força interna da modéstia, que regulamenta o funcionamento exterior do corpo. 
Portanto, seja humilde de coração, circunspecta nas palavras, prudente em suas resoluções. Seja sempre econômica em sua fala, assídua na boa leitura, atenta em seu trabalho, modesta em sua conversa. Não seja desagradável com ninguém, mas seja benevolente para com todos e respeitosa para com os mais velhos. Que qualquer olhar sinistro fique longe de você, que nenhuma palavra ousada escape de seus lábios, que você nunca realize qualquer ação indecente ou de alguma forma gratuita; nunca especialmente uma ação gratuita ou um tom de voz petulante.

Em suma deixe que todo seu exterior seja uma imagem vívida da compostura de sua alma.

Sempre mantenha a modéstia do divino Mestre diante de seus olhos, como um exemplo; este Mestre que, segundo as palavras do Apóstolo aos Coríntios, colocou a modéstia de Jesus Cristo em pé de igualdade com a mansidão, que era a sua virtude particular e quase a sua característica: “Agora eu, Paulo, vos rogo, pela mansidão e humildade de Cristo”, e de acordo com tal modelo perfeito reforme todas as suas operações externas, que devem ser reflexos fiéis revelando os afetos do seu interior.

Nunca se esqueça deste modelo divino, Annita. Tente ver uma certa majestade adorável em sua presença, uma certa agradável autoridade no seu modo de falar, uma certa agradável dignidade no andar, no contemplar, no falar, ao conversar; uma certa doce serenidade do rosto. Imagine aquela extremamente composta e doce expressão com a qual ele chamou a multidão, fazendo com que eles deixassem cidades e castelos, levando-os para as montanhas, as florestas, para a solidão e as praias desertas do mar, esquecendo totalmente da comida, da bebida e de seus deveres domésticos.

Assim, vamos tentar imitar, tanto quanto nos for possível, tais ações modestas e dignas. E vamos fazer o nosso melhor para ser, tanto quanto possível, semelhantes a Ele na terra, a fim de que possamos ser mais perfeitos e mais semelhantes a Ele por toda a eternidade na Jerusalém celeste.

Termino aqui, como eu sou incapaz de continuar, recomendando que você nunca se esqueça de mim diante de Jesus, especialmente durante esses dias de extrema aflição para mim. Espero que a mesma caridade da excelente Francesca para quem você vai ter a gentileza de dar, em meu nome, meus protestos de extremo interesse em vê-la crescer sempre mais no amor divino. Espero que ela me faça a caridade de fazer uma novena de Comunhões pelas minhas intenções.

Não se preocupe se você é incapaz de responder à minha carta no momento. Eu sei de tudo então não se preocupe.

Eu me despeço de você no ósculo santo do Senhor. Eu sou sempre seu servo.







Frei Pio, capuchinho 

LITURGIA DIÁRIA - TEMOS DADO A DEUS O QUE É DE DEUS?

Primeira Leitura (Tb 2,9-14)

Leitura do Livro de Tobias.
Eu, Tobias, na noite de Pentecostes, depois de ter sepultado um morto, 9tomei banho, entrei no pátio de minha casa e deitei-me, junto à parede do pátio, deixando o rosto descoberto por causa do calor. 10Não sabia que, na parede, por cima de mim, havia pardais aninhados. Seu excremento quente caiu nos meus olhos e provocou manchas brancas. Fui procurar os médicos para me tratarem. Quanto mais remédios me aplicavam, mais meus olhos se obscureciam com as manchas, até que fiquei completamente cego. Durante quatro anos estive privado da vista. Todos os meus irmãos se afligiram por minha causa. Aicar cuidou do meu sustento, durante dois anos, até que partiu para Elimaida.
11Naquela ocasião, Ana, minha mulher, dedicou-se a trabalhos femininos, tecendo lã. 12Entregava o produto aos patrões e estes lhe pagavam o salário. No sétimo dia do mês de Distros, ela separou a peça de tecido que estava pronta, e mandou-a aos patrões. Estes pagaram-lhe todo o salário e ainda lhe deram um cabrito para a mesa.
13Quando entrou em minha casa, o cabrito começo a balir. Chamei minha mulher e perguntei-lhe: “De onde vem este cabrito? Não terá sido roubado? Devolve-o a seus donos, pois não temos o direito de comer coisa alguma roubada”. 14Ela respondeu-me: “É um presente que me foi dado além do salário”. Mas não acreditei nela e insisti que o devolvesse aos patrões, ficando bastante contrariado por causa disso. Ela então replicou: “Onde estão as tuas esmolas? Onde estão as tuas obras de justiça? Vê-se bem em ti o que elas são!”

Responsório (SI 111)

O coração do justo é firme e confiante no Senhor.
O coração do justo é firme e confiante no Senhor.

Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!
Ele não teme receber notícias más: confiando em Deus, seu coração está seguro. Seu coração está tranquilo e nada teme, e confusos há de ver seus inimigos.
Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder.
 
Evangelho (Mc 12,13-17)

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes, para apanharem Jesus em alguma palavra. 14Quando chegaram, disseram a Jesus: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?”
15Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: “Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja”. 16Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e a inscrição que estão nessa moeda?” Eles responderam: “De César”. 17Então Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. E eles ficaram admirados com Jesus.

 Reflexão

Estamos na última semana da vida de Jesus. Ele atua como mestre no pórtico de Salomão ao oriente da esplanada do Templo. Seus inimigos estão à espreita para ver como apanhá-lo em suas palavras e, por isso, propõem diversas questões – que eram discutidas na época – com o intuito de ver seus conhecimentos e até de poder acusá-lo diante das autoridades por sua discrepância da Lei ou sua oposição às autoridades romanas.
Um destes episódios é o de hoje: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?”
É lícito significa se está de acordo com a Lei. Pagar o tributo a César seria, segundo os zelotas e os fariseus, dar dinheiro a um representante de um deus pagão. Seria manter o princípio de propriedade do Estado Romano sobre terras que Javé-Deus tinha dado a Israel a título inalienável. Segundo os juristas romanos, o povo de Israel tinha unicamente o usufruto destas terras. Por isso, a taxação era uma escravidão evidente segundo o povo eleito.
Diante deste fato, a resposta se fosse favorável aos romanos atrairia o desprezo do povo sobre Jesus. Mas, se a resposta de Jesus fosse contrária ao pagamento do tributo, poderia ser causa suficiente para tratar Jesus como zelota e os herodianos acusá-lo-iam às autoridades – como realmente o fizeram – de impedir o pagamento do tributo a César (Lc 23,2).
Jesus pede a moeda onde estava escrita ao redor da efígie do César: César Tibério, do divino Augusto filho, ele mesmo Augusto Pontifice Máximo. A moeda foi cunhada em Roma – como todas as moedas em ouro ou prata. Todos, tanto fariseus como herodianos, usavam a moeda, o que era de fato aceitar o domínio de César. A tradução mais exata da resposta de Jesus seria: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
Sem dúvida, Jesus aponta para uma dívida que temos tanto com as autoridades civis como para com Deus:
1º – Ele estabelece uma clara distinção entre os deveres cívicos e os religiosos, não confundindo as áreas, mas separando-as.
2º – Toda autoridade da qual nos servimos – como se serviam do denário os judeus – tem origem divina, como Ele respondeu a Pilatos: “Nenhuma autoridade terias sobre mim se de cima não te fosse dada”. (Jo 19,11)
Deus quer ser representado na autoridade do homem, como diz Paulo, independentemente dessa autoridade ser boa ou má. Em Rm 3,1 afirma: “Não há autoridade que não proceda de Deus e as autoridades que existem foram por Ele instauradas”.
No mundo moderno não interrogamos Jesus sobre o tributo a César, mas interrogamos a Igreja sobre o Jesus que está mostrando ao mundo: O homem oprimido tem substituído a mensagem evangélica sobre o verdadeiro Jesus, Filho de Deus, Redentor e Salvador. Do Evangelho tomamos unicamente a mensagem sobre a justiça e igualdade. E a fé, fundamento da vida cristã, fica diluída em termos humanos. O homem substitui o Deus encarnado.
Em Jesus queremos ver um revolucionário e, na revolução, um remédio universal, uma redenção necessária embora dolorosa. Portanto, devemos favorecê-la e acompanhá-la com ilusão e até propagá-la como remédio dos males modernos. Da frase eu vim evangelizar os pobres reduzimos o Evangelho a uma simples conclusão de semelhante afirmação. O resto da boa notícia não interessa.
É por isso que os milagres de Jesus ou são silenciados ou são negados e, entre eles, a Ressurreição. A vida eterna do Evangelho é traduzida como vida melhor na terra por uma repartição mais justa das riquezas. O sobrenatural é substituído pelo natural. O pão de cada dia desloca o Pão Eucarístico necessário para a verdadeira vida.
A política tem tomado o lugar da religião. Damos a César o que é de César. Mas não damos a Deus o que é de Deus, embora esse Deus moderno seja o grande arquiteto que anula o Cristo do qual temos recebido o nome. A fé se reduz a uma ideia mais conforme com a filosofia natural do que com a dos versículos dos Evangelhos.
Temos que nos perguntar se damos a Deus o que é de Deus. Porque, embora sabendo que Ele é o verdadeiro Senhor de nossas vidas, muitas vezes O temos relegado a um segundo plano quando nos declaramos independentes ou buscamos nosso próprio bem, no lugar da vontade que é absoluta no céu e que deveria ser também soberana na terra, como rezamos no Pai Nosso.
 
 
 
 
 
 
 
Padre Bantu Mendonça