quinta-feira, 2 de abril de 2015

A TRAIÇÃO DENUNCIADA POR UM BEIJO DE PAZ


 

A vida de Jesus foi pontilhada de experiências humanas dramáticas. A infidelidade de seus amigos mais íntimos foi, sem dúvida, uma das que mais o fizeram sofrer. 
Afinal, o chamado, a missão que lhe confiara e os ensinamentos partilhados eram sinais da sua benevolência e amizade.
A denúncia da futura traição de Judas e da negação de Pedro revelam a consciência de Jesus em relação ao grupo de discípulos. 
Ele deve ter intuído que estes não estavam preparados para enfrentar a provação que se avizinhava.
Judas tinha ideais não totalmente compatíveis com os do Mestre. 
Os evangelhos frisam seu mau caráter e falta de escrúpulos com os donativos oferecidos para o sustento do grupo. 
Pedro tinha uma personalidade impulsiva, com arroubos de entusiasmo, mas reticente na hora de defrontar-se com o perigo.
A situação de Judas e a de Pedro não eram isoladas. 
Os demais discípulos padeciam da mesma insegurança. Assim, na medida em que se aproximava a hora de Jesus, foram também entrando em pânico e acabaram fugindo, deixando o Mestre no mais total abandono.
A vida de Jesus parecia estar fadada a concluir-se com uma enorme frustração. 
Traído, negado e abandonado pelos amigos, viu ruir um projeto acalentado com muita esperança.

Oração
 
Senhor Jesus, dá-me forças para permanecer contigo na hora da provação, sem cair na tentação de escolher o caminho fácil da fuga.

LITURGIA DIÁRIA - O SERVIÇO É O CENTRO DO AMOR.

 
Primeira Leitura (Êx 12,1-8.11-14)



Leitura do Livro do Êxodo:

Naqueles dias: 1O Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: 2”Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa.

4Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro.

5O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito: 6e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de Israel reunida o imolará ao cair da tarde.

7Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem. 8Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas.

11Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘Passagem’ do Senhor!

12E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor.

13O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua.

Responsório (Sl 115)

— O cálice por nós abençoado/ é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.

— O cálice por nós abençoado/ é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.



— Que poderei retribuir ao Senhor Deus/ por tudo aquilo que ele fez em meu favor?/ Elevo o cálice da minha salvação,/ invocando o nome santo do Senhor.

— É sentida por demais pelo Senhor/ a morte de seus santos, seus amigos./ Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,/ mas me quebrastes os grilhões da escravidão!

— Por isso oferto um sacrifício de louvor,/ invocando o nome santo do Senhor./ Vou cumprir minhas promessas ao Senhor/ na presença de seu povo reunido.

Segunda Leitura (1Cor 11,23-26)



Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 23O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”.

25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. 26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.

Anúncio do Evangelho (Jo 13,1-15)



— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + escrito por João.

— Glória a vós, Senhor.



1Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.

2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.

6Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” 7Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”.

8Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. 9Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”.

10Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”.

11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”.

12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.

Reflexão

Na 5ª Feira Santa inicia-se o tríduo pascal que significa três dias: o dia da paixão, o dia da sepultura e o dia da Ressurreição. Por isso, a Missa da Ceia, com a instituição da Eucaristia, a instituição do sacerdócio, a proclamação do mandamento novo e o rito do lava-pés, é a celebração sacramental daquilo que Jesus realizaria na sua carne: o dom da Sua entrega, no corpo dado e no sangue derramado.
O texto de São João evangelista não se refere à Eucaristia, não por esquecimento porque realmente não era o seu objetivo, e nem à páscoa dos judeus, mas sim à Páscoa de Jesus. A verdadeira páscoa é a que Jesus celebrará com sua morte na cruz. Inaugura aqui uma nova era, a Páscoa de Jesus. Para ele, a Páscoa consiste em passar deste mundo para o Pai.
Jesus está plenamente consciente que sua hora está chegando. Não o vai fazer obrigado, mas consciente de que abre o caminho de chegada ao Pai e por amor, pela perfeição do seu amor: “Amou-os até o fim”, Jesus “nos amou até às últimas consequências” isto é, até o fim, até a morte, até a perfeição do amor, entregando livremente sua vida pela salvação de todos.
Jesus quer tomar refeição com seus apóstolos e ainda lhes dar os últimos conselhos e fazer sua despedida. Tomar refeição juntos é sinal de comunhão e partilha. Jesus vive esse clima familiar com os seus apóstolos, mas vai além. Consciente de estar realizando o projeto de Deus, Jesus mostra como esse projeto se traduz em ações concretas, que serão a norma da comunidade: despoja-se do manto (sinal de dignidade do “senhor”) e pega o avental (toalha, “ferramenta” do servo). É o Senhor que se torna servo. Despojar-se do manto significa dar a vida sob a forma de serviço.
Os judeus tinham o costume de lavar as mãos antes e durante a refeição e quem fazia isso eram os escravos, pois era indigno um judeu lavar outro judeu.
Jesus se faz escravo de todos. Jesus faz tudo sozinho: derrama água, lava, enxuga. Mais adiante, ao vestir novamente o manto, não se diz que ele tenha deposto o avental. Dá-se a entender que ele tenha vestido o manto por cima. Isso significa que seu serviço continuará, culminando na cruz quando Ele diz: “Tudo está consumado” (19,30). O lava-pés de Jesus, portanto, se prolonga até a cruz, e nela tem seu ponto culminante.
Com esse ato consciente, deixa claro a ideia de que Deus é o servidor da humanidade (5,17). O episódio do Lava-pés caracteriza o projeto do Pai revelado em Jesus.  Jesus revela a verdadeira face de Deus. Um Deus que se põe de joelhos diante dos homens, o Onipotente se prostra diante deles para servir. Com isso Jesus revela que Deus não é castigador, prepotente, que se assenta no trono para mandar e ser servido.
Fazendo-se servo, torna senhores os seus seguidores, mas senhores enquanto conscientemente lavam os pés uns dos outros.
Jesus lava os pés dos apóstolos para mostrar a humildade e o serviço e mostra que maior é aquele que serve. E nos dá um novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.
Lavar os pés de alguém significa por-se a serviço do irmão, fazer brilhar para ele a luz da fé, o consolo da esperança a alegria da salvação. Assim como Jesus serviu a todos sendo servo, nós também devemos ser como Ele.
A lição que Jesus nos dá é dupla:
A primeira é uma lição de humildade e de caridade para com o próximo. Ele nos deu o exemplo para que também nós façamos o mesmo.
A segunda, no sentido espiritual, a purificação, que é a necessidade de lavarmos a nossa alma, antes de sentarmos para o banquete da Ceia do Senhor, da Sagrada Eucaristia. Eis porque Jesus comunicou aos seus apóstolos o poder de perdoar os pecados em seu nome. O sacerdote é o Ministro de Deus que pode perdoar os pecados.
 O lava-pés aponta para o compromisso cristão de servir o próprio semelhante. Não se trata apenas de um gesto simbólico, a ser ensaiado na missa de Quinta-Feira Santa: trata-se do compromisso de serviço contínuo aos necessitados.
Meus irmãos e irmãs, o tempo da Quaresma termina na quinta-feira pela manhã. Celebrar a CEIA DO SENHOR é motivo de Fé, Alegria, Amor e GRATIDÃO. Nela vamos reviver os gestos de Jesus e seus ensinamentos, antes da morte d’Ele. Com essa celebração, inicia-se o Tríduo Pascal, que são os três dias que antecedem a maior festa da nossa Igreja – a Páscoa, a Ressurreição de Jesus. O centro da celebração da Quinta-Feira Santa, é o mistério da redenção da humanidade pela morte e ressurreição de Cristo. De modo especial celebramos a Nova Aliança, a instituição da Eucaristia, o Sacerdócio ministerial e o mandamento do amor-serviço fraterno.
Celebrar a Quinta-Feira Santa é aprender e praticar o que Jesus nos ensinou: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.
 Como Jesus, precisamos lavar os pés dos irmãos. Lavar os pés de alguém significa por-se a serviço do irmão, fazer brilhar para ele a luz da fé, o consolo da esperança, a alegria da salvação. Assim como Jesus serviu a todos sendo servo, nós também devemos ser como Ele.
Ofereçamos ao Senhor a nossa vida de serviço aos irmãos, pois queremos crescer pela graça desta Páscoa. A autêntica conversão a Jesus é assumir o projeto do Pai, tornando-o realidade no amor-serviço aos outros. Somos todos chamados à missão, ao serviço, com o Cristo e por Ele!
Abraços em Cristo!

Maria de Lourdes

quarta-feira, 1 de abril de 2015

"LÚCIFER NO VATICANO" E A EXPLORAÇÃO DA IGNORÂNCIA.

Na Vigília Pascal, toda a Igreja saúda Jesus como “astro da manhã”. Mas, para um grupo de protestantes, a cerimônia é um “canto gregoriano” que “exalta Lúcifer”.


 
Chega às raias da irracionalidade o ódio que muitas seitas protestantes nutrem pela Igreja Católica – ódio preenchido com acusações injustas e acessos de fúria injustificados. Quem nunca foi chamado de "idólatra" simplesmente por amar a Virgem Maria e os santos? Ou nunca ouviu apelidos, um mais absurdo que o outro, referindo-se à Igreja e ao Papa? Portais de notícias sempre trazem alguma reportagem recente de algum evangélico que invadiu uma igreja e profanou imagens de santos – ainda que essa não represente a atitude da maioria dos protestantes. 

A verdade é que tanta balbúrdia e dedos em riste não passam, em grande parte, de ignorância. Um vídeo que circula desde 2013 no YouTube, intitulado "Canto Gregoriano Exalta Lúcifer no VATICANO", exemplifica muito bem isso. No hangout, alguns protestantes se reúnem para comentar o vídeo de um diácono católico que menciona a palavra latina "lucifer" na Basílica de São Pedro, em Roma. O editor do vídeo, que alega trazer a "verdade final revelada", é antecedido por um senhor chamado Sebastião. "Eles invocam Satanás dentro do Vaticano e não tem como nenhum católico negar aquilo", diz ele. "Se eles quiserem continuar adorando, quando eles terminam o cântico, toda a congregação, ela diz 'Amém'."
O que dizer deste vídeo, senão que se trata de um curioso retrato da ignorância protestante? A cerimônia exibida no Vaticano é um extrato do Precônio Pascal, cantado em toda Vigília de Sábado Santo, no mundo inteiro. O cântico Exsultet – que não é um "canto gregoriano" – é concluído com os seguintes versos, em latim: "Flammas eius lucifer matutinus inveniat / Ille, inquam, lucifer, qui nescit occasum / Christus Filius tuus, / qui, regressus ab inferis, / humano generi serenus illuxit, / et vivit et regnat in saecula saeculorum. / Amen.", cuja tradução litúrgica – sem distorções fantasiosas – é: "Que ele [o círio pascal] brilhe ainda quando se levantar o astro da manhã, / aquele astro que não tem ocaso, / Jesus Cristo, vosso Filho, / que, ressuscitando dentre os mortos, / iluminou o gênero humano com a sua luz e a sua paz / e vive glorioso pelos séculos dos séculos. / Amém."
Ora, que um grupo de protestantes desconheça o significado de algumas frases em latim, é bastante compreensível. Que retoquem o que leem ou escutam para difamar a Igreja, porém, é uma atitude de muita desonestidade intelectual.
No texto em questão, a palavra " lucifer" não se refere a Satanás, o príncipe dos demônios. Trata-se de um nome comum, que significa "portador da luz" ou "estrela da manhã". É "lucifer" com "l" minúsculo, diferentemente do nome próprio, "Lúcifer". A propósito, essa não é a única ocasião em que o termo "lucifer" é usado com tal sentido. A Vulgata de São Jerônimo traz, no livro de Jó, a palavra "lucifer" (cf. Jó 11, 17), que é traduzida por "alva" na própria edição João Ferreira de Almeida. Nas mesmas Sagradas Escrituras, São Pedro, ao fazer referência à voz de Deus Pai confirmando a missão de Jesus, pede que se mantenham firmes as palavras da profecia, "donec dies illucescat, et lucifer oriatur in cordibus vestris – até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações" (2 Pd 1, 19). No canto litúrgico exibido no vídeo, também, é Nosso Senhor quem é denominado como "astro da manhã", "aquele astro que não tem ocaso" – não o Seu inimigo.
Na verdade, o nome próprio "Lúcifer" não foi usado desde o começo para se referir ao demônio. Antes, a palavra era usada tão somente em seu significado comum, tanto que um bispo com esse nome, Lúcifer de Cagliari, do século IV, é santo católico celebrado pela liturgia. Uma referência do Autor Sagrado ao rei da Babilônia, no entanto, passou a ser usada para o anjo decaído – "Como despencaste das alturas do céu, tu, estrela da manhã (a Vulgata traz, novamente, ' lucifer'), clarão da madrugada?" (Is 14, 12) – e o que era simplesmente um astro luminoso se transformou em sinônimo de Satanás.
Portanto, não, a Igreja Católica não adora, não exalta e nem invoca o príncipe das trevas em sua liturgia. É voltada a Cristo e em Seu nome que ela termina todas as suas orações, como mostra a bela composição do Exsultet, cantada todos os anos em nossas igrejas.
A propósito, tomem cuidado. No Sábado Santo que se aproxima, Nosso Senhor Jesus Cristo será novamente chamado de "astro da manhã" no Vaticano. Estejam prontos para separar a luz da verdade das trevas do erro e da ignorância. Nestes tempos difíceis, poucas coisas são tão urgentes e tão necessárias. 










Por Equipe Christo Nihil Praeponere

QUEM É O POSSÍVEL TRAIDOR?



“Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”.
 Nestes dias precisamos estar atentos ao que Deus nos fala. Jesus colocou em cheque à amizade e a fidelidade de todos os discípulos, e todos se questionavam: “Acaso, serei eu, Senhor?” Porque Jesus diz “é aquele que come comigo”, mas todos estavam comendo com Ele na Ceia derradeira, portando cada um deles poderia ser o possível traidor.

O mais importante àquele que o traiu não conseguiu experimentar, apesar do meu pecado o Senhor me ama e o seu amor é infinitamente superior ao meu erro e traição.
O maior pecado de Judas não foi a traição, foi o desespero em não confiar na infinita misericórdia de Deus!

A traição de Judas está pautada com alusão a passagem do Profeta Zacarias 11,12 que diz: “o preso da venda de um escravo ou de um mês de trabalho”, de uma vida que deveria ter um preso muito alto, mas na verdade quem estava comprando a nós era o Senhor com o preço de sua Vida.

A figura de Judas faz com que a gente tente imaginar o processo interno que ele viveu, e não foi fácil. A Igreja desde seus primórdios, via na lembrança da traição um exame de consciência, pois a resposta pessoal de Jesus pode dirigir-se de novo a novos traidores de sua Pessoa.

Aqui a Igreja não dá nenhuma sentença sobre Judas, ele está entregue a infinita misericórdia de Deus. Nós é que precisamos fazer o nosso exame de consciência, pois trazemos dentro de nós potenciais traidores, quando pecamos ou quando negamos a Deus e a nós mesmos.
Judas não chama Jesus de Senhor como os outros discípulos, mas o chama de Rabi, que quer dizer mestre. (cf. Mateus 26,25).
Mestre, professor, qualquer um poderia ter muitos naquela época, mas Senhor somente um, ou seja, Jesus era somente mestre de Judas e não Senhor de sua vida.

O “ai” do narrador do evangelho, não é somente compaixão por Jesus, mas a dor pelo fato de que entre os doze haja um traidor.
 A Palavra de Deus é uma contradição, como relatar um fato de fracasso tão grande como esse entre os discípulos de Jesus.

Fazendo um exame de consciência, agora eu e você podemos nos perguntar: “Acaso, serei eu, Senhor?”.

É preciso deixar vir para fora os pequenos e grandes pecados que possam me tornar um outro Judas. Mesmo diante deste fato de perceber um traidor dentro de mim, eu não posso perder a chance de confessar e receber de Deus a misericórdia destinada para o Coração arrependido.
Pedro também negou e traiu Jesus, só que Pedro reconheceu o seu pecado e chorou amargamente lavando-se na Misericórdia do Senhor, enquanto Judas, na sua soberba e falta de esperança não acreditou que poderia ser perdoado de pecado tão grande.
Pois, não conhecendo verdadeiramente a Deus Judas deixou-se afogar pelo seu pecado.
___________________________________________

Oração: Senhor, diante da minha traição, dos meus pecados está as minhas lágrimas de dor como as de Pedro por não ter reconhecido tamanho amor e misericórdia. Reconheço que meus pecados e fraquezas são grandes, mas nunca maiores do que a chance de começar de novo, reconhecer, levantar a cabeça e confiar que não há pecado tão grande, que seja maior que Teu perdão e mereça a Tua misericórdia. Jesus não permita que o pecado me segue a ponto do desespero tomar conta do meu coração, daí me a virtude da esperança, que alimenta a minha fé e a fortaleza no Teu Espírito para não me entregarão mal. E mesmo quando for surpreendido pela minha fraqueza eu possa disser como Pedro: “Senhor, Tu sabes tudo, sabes que eu Te amo”! Amém
 
 
 
 
 
 
 
 
blogpadreemiliocarlos

LITURGIA DIÁRIA - JUDAS TRAI JESUS.

Primeira Leitura (Is 50,4-9a)

Leitura do Livro do Profeta Isaías.
4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo.
5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é o meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. 8A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. 9aSim, o Senhor Deus é meu Auxiliador; quem é que me vai condenar?

Responsório (Sl 68)

— Respondei-me pelo vosso imenso amor, neste tempo favorável, Senhor Deus.
— Respondei-me pelo vosso imenso amor, neste tempo favorável, Senhor Deus.

— Por vossa causa é que sofri tantos insultos, e o meu rosto se cobriu de confusão; eu me tornei como um estranho a meus irmãos, como estrangeiro para os filhos de minha mãe. Pois meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram com fogo abrasador: e os insultos de infiéis que vos ultrajam recaíram todos eles sobre mim!
— O insulto me partiu o coração; Eu esperei que alguém, de mim tivesse pena; procurei quem me aliviasse e não achei! Deram-me fel como se fosse um alimento, em minha sede ofereceram-me vinagre!
— Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria! Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos.
 
Evangelho (Mt 26,14-25)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “Que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
17No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”.
19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?”
23Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.

Reflexão
 
Na Quarta-Feira Santa, a Igreja nos propõe meditar o Evangelho de Jesus segundo Mt 26, 14-25. Essa leitura nos apresenta a traição de Judas. Ela nos descreve como Judas foi ter com os chefes dos sacerdotes e se oferece para trair Jesus. Aceita trinta moedas de prata como recompensa de sua traição. Por apenas trinta moedas de prata, um dos Doze entrega o Mestre! Por quantas moedas tens tu vendido Jesus? É chegada a hora das trevas!
Com um simples beijo Judas planeja vender o seu mestre. Por trinta moedas traça-se o poder financeiro, material e finito pela vida, dom de Deus. Uma verdadeira contradição, o dono de tudo é trocado pelo dinheiro. Ontem como hoje a opção pelo dinheiro e a rejeição da vida tem falado mais alto. Assim como Judas que passa a servir os poderosos que, para manterem seus privilégios e suas riquezas, desprezando a vida e promovendo a morte, nas nossas sociedades de hoje continua, Jesus, nos pobres, nos órfão e nas viúvas, nos andarilhos, tem teto e excluídos sendo vendido pelas riquezas passageiras. Digo isso porque a sociedade neoliberal globalizada tem esta característica, e o grande império deste mundo e seus aliados fazem à guerra e destroem a vida movidos pela ambição do dinheiro. Eles produzem uma ideologia e uma cultura de ambição e violência que passa a ser assimilada por muitos.
Voltemos para o nosso texto para meditar melhor o conteúdo da Semana Santa. Estamos hoje diante da agonia de Jesus no Monte das Oliveiras quando, diante do sofrimento que passaria nas próximas horas, Jesus, numa tristeza mortal, num gesto humano suplica ao Pai: “Meu Pai, se possível, que este cálice passe de mim” (Mt 26, 39). Mas imediatamente, como cordeiro que vai para o matadouro, diz: “Contudo, não seja feito como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26, 39). É a Vítima perfeita que se entrega, é o Cordeiro Pascal, é aquele que tira o pecado do mundo por amor! O Bom Pastor, aquele que dá a vida por suas ovelhas!
São Mateus nos revela hoje o modo como Jesus foi traído por um dos seus homens de confiança. O evangelho destaca que o gesto estava inserido num contexto maior do desígnio divino sobre o destino do Messias. Nem por isso sua responsabilidade foi menor. As palavras terríveis que recaíram sobre ele não deixam dúvida a este respeito: “Seria melhor que nunca tivesse nascido!” Só Judas age na contramão da vontade do Mestre, mesmo que sua decisão, já estivesse no contexto da vontade de Deus.
A atitude cristã, que devemos ter, é a de corresponder com a graça divina, e não desprezá-la, traindo o amor de Cristo, como fez Judas. Peçamos ao Senhor que nos conceda uma fé firme e permanente a ponto de fazermos à diferença neste mundo cheio de ganância e uma busca constante de privilégios e, sobretudo, onde parecendo que não ainda o grito de Maquiavel “o fim justifica os meios” continua ditando normas. Tira-se a vida em troca de Poder, Prazer e Posse.

Jesus faz do dom de sua vida entregue, doada livremente por nós, a Nova e eterna Aliança com o Pai celeste. Afim de que livres do pecado, vivemos agora na liberdade de filhos e filhas de Deus.







CN