quinta-feira, 5 de março de 2015

LITURGIA DIÁRIA - LÁZARO

Primeira Leitura (Jr 17,5-10)

Leitura do Livro do Profeta Jeremias.
5Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; 6como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada.
7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos.
9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo? 10Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras”.

Responsório (Sl 1)

— É feliz quem a Deus se confia!
— É feliz quem a Deus se confia!

Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.
Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.
Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersa pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
 
Evangelho (Lc 16,19-31)

O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.
20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
25Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
27O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’
30O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’. 

 Reflexão

Este Evangelho nos traz a parábola do rico e do Lázaro, aquele homem rico que se banqueteava todos os dias, sem nem ligar para o pobre Lázaro que ficava sentado no chão, à sua porta, querendo matar a fome com as sobras que caiam da mesa do rico.
Certamente lhe davam algumas migalhas, mas isso não foi suficiente para o rico entrar no céu. Na outra vida, Lázaro foi para o céu e o rico foi para o inferno.
Além disso, a situação se inverteu: Lázaro tem nome, o rico não. Lázaro tem advogado (Abraão), o rico não. Lázaro é cidadão, o rico é excluído.
O rico faz três pedidos, que lhe são negados:
1) “Molhar a ponta do dedo para lhe refrescar a língua.” Resposta: Recebeste teus bens na terra e Lázaro os males; agora ele encontra consolo e tu és atormentado. Além disso, há um abismo intransponível entre nós.
2) “Mande Lázaro à casa de meu pai, alertar meus cinco irmãos...” Resposta: Eles têm lá Moisés e os profetas, e os escutem!
3) “Não, pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter.” Resposta: Se não escutam a Moisés e aos profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos.
O nosso amor aos pobres é necessário para entrarmos no céu. Mas deve ser um amor prático, manifestado em obras de ajuda e de partilha do que temos. Em resumo, ver o necessitado como nosso irmão, nossa irmã.
Apesar desta clareza, alguns ainda têm dúvida sobre o caminho para entrarmos no céu!
A nossa sociedade é parecida com a casa daquele rico: o povo usa todo tipo de segurança para se prevenir dos Lázaros: chaves, portões eletrônicos, cães bravos, polícia, condomínios fechados. Ela quer os Lázaros bem distantes, para não vê-los. Assim, nem as migalhas eles ganham.
Vendo isso, os jovens, a nova geração que se prepara para entrar nessa sociedade, se revolta e parte para a droga ou a delinqüência.
“Moisés e os profetas”, lembrados por Abraão ao rico, são a Sagrada Escritura (Moisés) e os pastores da santa Igreja (profetas). Nós damos pouco valor à Palavra de Deus; entra por um ouvido e sai pelo outro. Moisés e os profetas são os últimos alertas de Deus a nós. A sua próxima manifestação a nós será no Juízo Final.
Quaresma. As festas litúrgicas não são simples recordações de fatos passados, como bodas de prata ou de ouro, celebração de aniversário etc. Na festa litúrgica o fato celebrado acontece de novo agora, em seus efeitos. Na celebração da páscoa – a passagem de Jesus da morte para a vida – todos os seus frutos salvíficos se derramam sobre a Assembléia cristã que a celebra. A celebração repete-se todos os anos porque cada ano a nossa situação é diferente e há nova necessidade de conversão. Daí a necessidade da preparação, para que a nossa páscoa vá além do ovo de páscoa.
A quaresma teve sua origem na preparação dos catecúmenos para o batismo, celebrado no sábado santo. A preparação foi estendida a todos os cristãos, a fim de reassumirmos os compromissos do nosso batismo.
Certa vez, um homem, depois de muita luta, conseguiu ficar rico: casa boa, carro bom, filhos na faculdade e vários imóveis alugados rendendo o suficiente para ele viver.
Mas o anjo da morte apareceu para ele e disse: “Vim buscar você”. Ele respondeu: “Ah, sr. anjo! Bem agora que eu ia começar a viver uma vida mais tranqüila! Deixe-me viver pelo menos mais três anos.” O anjo respondeu: “Não”.
O homem insistiu: “Por favor, sr. anjo, então me deixe viver apenas mais três dias! O anjo respondeu: “Também não”. “E três minutos de vida, o sr. me dá?” O anjo concordou.
Nesses três minutos o homem pegou um pincel e escreveu a seguinte frase: “Não seja bobo, empregue bem a sua vida!”
Jesus contou uma história bem parecida com essa, que está em Lc 12,16-21. Aquela homem que teve uma grande colheita, construiu novos celeiros e disse para si mesmo: “Agora vou comer, beber, gozar a vida”. Mas Deus lhe disse: “Tolo! Ainda nesta noite, sua vida será retirada”.
Maria Santíssima era bastante sensível aos pobres e necessitados do seu tempo. Socorreu os noivos, ajudou a prima necessitada... e uma das páginas mais veementes da Bíblia sobre este assunto é o seu hino Magnificat. Que ela nos ajude neste tempo de conversão!






Pe Queiroz



quarta-feira, 4 de março de 2015

PARA MUITO ALÉM DOS FILMES DE TERROR.

O risco de pecar, perder a própria alma e ser condenado ao fogo do inferno é um drama muito mais terrível – e real – que qualquer conto de terror.


 
Os "filmes de terror" dividem opiniões. Muitos não gostam, porque, depois que assistem, não conseguem dormir à noite. Alguns, impulsionados por uma curiosidade malsã, lançam-se de cabeça nas tramas cinematográficas, chegando a entrar no abismo sem fundo do ocultismo. Entre os dois extremos, há quem simplesmente assista às histórias, prevenido por um sadio ceticismo – não dando crédito a qualquer coisa que veja – e por uma dose de "senso comum" – sem preconceitos ou dogmas materialistas. Afinal, como escrevia Chesterton, "quando se trata de testemunho humano, há uma sufocante enxurrada de testemunhos em favor do sobrenatural" [1].
De fato, é inegável que os "filmes de terror" ajudam a colocar o homem diante de realidades espirituais. Gostos à parte, algumas produções do gênero têm o costume de abordar temas bastante caros à doutrina católica. O diretor do clássico "O Exorcista" ( The Exorcist, 1973) – única película de terror a ser indicada ao Oscar de melhor filme –, por exemplo, confessa ter feito o filme não para ser uma história "de terror", mas para retratar "o mistério da fé". Mesmo sendo agnóstico, William Friedkin explica que, na trama, "o objetivo do demônio não é a menina, mas o sacerdote que está perdendo a fé". O filme fez tanto sucesso nos Estados Unidos, que chegou mesmo a suscitar vocações para a vida sacerdotal.
Mais recentemente, "O Ritual" ( The Rite, 2011), estrelado por Anthony Hopkins, também está baseado na "crise vocacional" de um diácono que, depois de lidar com o ministério de um padre exorcista, acaba se tornando um católico devoto e fiel. A sua emocionante profissão de fé ao final da história ilustra como o contato com o mal pode conduzir as almas a um encontro com Cristo. Não se trata de dar primazia ou "importância excessiva" ao inimigo de Deus. É que, em um mundo materialista como o nosso, em que as realidades sobrenaturais são encaradas com desdém ou desprezo, tomar consciência da força efetiva do mundo espiritual – mesmo que em sua dimensão maligna – pode ser um primeiro passo para se aproximar de Nosso Senhor.
Algumas coisas, no entanto, ainda estão fora do lugar. O demônio existe, é verdade. As possessões, os rituais de exorcismo, o poder da água benta também são reais. Ao lado disso, porém, existem coisas como "tentação", "pecado" e "inferno" – e essas realidades não só estão vivas e ativas no mundo, como são muito mais graves e têm efeitos muito mais devastadores do que qualquer possessão diabólica. O problema é que ninguém fala sobre elas, nem nos cinemas, nem nos livros da moda e, tragicamente, nem nos púlpitos de nossas igrejas.
Alegações (fúteis) para não falar sobre o "pecado" ou o "inferno" são muitas. Alguns padres e teólogos, desejosos de agradarem o mundo, dizem que não se pode pregar certos conteúdos porque "causam medo" nas pessoas. A julgar pelo parecer deles, seria preciso censurar, talvez, o próprio Senhor, cujos discursos estão cheios dessas palavras "amedrontadoras": só nos Evangelhos Sinóticos, os termos "pecado", "inferno", "castigo eterno" e "fogo eterno" constam mais de 15 vezes; "Satanás" e "demônio", então, somam 42 referências. "Por isso hoje, quando se põe em dúvida a realidade demoníaca, é necessário fazer referência (…) à fé constante e universal da Igreja e à sua maior fonte: o ensinamento de Cristo", diz o documento Fé Cristiana y Demonología, da Congregação para a Doutrina da Fé. "Com efeito, a existência do mundo demoníaco se revela como um dado dogmático na doutrina do Evangelho e no coração da fé vivida." 

Não é que todos os padres que deixam de falar sobre esses assuntos sejam descrentes, hereges ou apóstatas. Não se trata disso, absolutamente. Uma fé que se hiberna e não é alimentada por atos concretos, porém, que fim terá? Como crê em Deus, por exemplo, quem vive como se Ele não existisse, sem ter uma vida de oração e de intimidade com Ele? Como crê na presença real de Cristo na Eucaristia quem não se ajoelha diante do Santíssimo ou não é capaz de fazer uma simples genuflexão quando passa em frente a um sacrário? Do mesmo modo, como uma sociedade pode odiar o pecado, combater o demônio e evitar o inferno, se a sua existência é ignorada no dia a dia das pessoas e se quem deveria falar sobre eles está sempre evitando o assunto?

É verdade que a pregação sobre a morte, o juízo e o inferno causa temor nas pessoas, o que não é uma coisa necessariamente ruim. Santo Tomás de Aquino, quando fala sobre o temor, inclui-o na seção prima secundae da Suma Teológica, no tratado sobre as paixões (cf. I-II, q. 41-44). O medo é, pois, uma paixão – um "sentimento", na linguagem vulgar. Isso quer dizer que, em si, é uma realidade neutra, nem boa, nem má. Não é verdade, portanto, que as pessoas não devam sentir medo de nada. Se Deus colocou o temor no homem, isso tem algum sentido, alguma finalidade.
A chave para compreender esse "sentimento" está em sua íntima relação com o amor, como o próprio Doutor Angélico ensina: " Todo temor vem de que amamos alguma coisa" [2], e também Santo Agostinho: "Não há outra causa de temor senão a de perdermos o objeto amado quando possuído, ou não possuí-lo quando esperado" [3]. Se não tememos as coisas certas, é porque não amamos as coisas certas – ou, talvez, até as amemos, mas na ordem errada.
Uma pessoa que possui muitos bens e tem o coração preso às suas propriedades, por exemplo, tem medo de perdê-los. Um profissional bem-sucedido que ama seu posto, teme ser despedido. Um artista de nome que ama seu sucesso, teme que sua fama seja denegrida, e os exemplos não cessam. O mesmo pode acontecer com relação às pessoas. Na família, marido e mulher, pais e filhos, irmãos e irmãs, justamente porque se amam, têm medo de que aconteça algo aos de seu próprio sangue, e os exemplos, novamente, são muitos.
Acontece que, para que todos esses amores não se transformem em idolatria, é preciso haver uma ordem [4], na qual Deus vem em primeiro lugar. "Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças" ( Dt 6, 5). Isso significa que, de todos os temores do homem, o maior deve ser o de perder a Deus. Por causa da graça que está em sua alma, o cristão deve estar disposto a abandonar tudo: seus bens, seu emprego, sua fama e mesmo a sua própria família, como está escrito no Evangelho: "Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E quem ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim" (Mt 10, 37).
Neste sentido, é preciso dizer que os "filmes de terror" – mesmo os mais equilibrados – geralmente inculcam nas pessoas um temor bobo e vazio. Zumbis não existem, assassinos em série não chegam para todos, e demônios, por sua vez, não saem por aí querendo possuir todo o mundo. Eles estão, é verdade, "como um leão a rugir, à procura de quem devorar" ( 1 Pd 5, 8). Para tanto, esses anjos decaídos não precisam do alarde de uma possessão. Quando um rapaz deita com sua namorada antes do casamento – ou com a mulher do outro, dentro do casamento –, quando um infeliz mata por vingança os seus desafetos, quando um jovem rebelde destrata o seu pai ou a sua mãe, aí está o demônio devorando as almas.
Portanto, que ninguém se engane. O risco de pecar, perder a própria alma e ser condenado ao fogo do inferno é um drama muito mais terrível – e real – que qualquer conto de terror. 














Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Ortodoxia, IX
  2. Summa Theologiae, I-II, q. 43, a. 1
  3. De Diversis Quaestionibus, XXXIII
  4. Cf. Summa Theologiae, II-II, q. 26, a. 1

MAS AFINAL, QUE NEGÓCIO É ESSE DE PECADO?

Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?

 

 

O que é o pecado?

O conceito de pecado é bastante simples: basicamente, o pecado é um ato de egoísmo exagerado. É preferir a si mesmo e antepor-se a Deus e aos outros, cedendo às paixões desordenadas que nos colocam no centro da nossa própria existência e negando a nossa natureza, que só se completa quando se abre ao próximo e a Deus. O pecado é a recusa a instaurar com Deus e com os outros uma relação de amor. O pecado é um "converter-se às criaturas" e "rejeitar o Criador". Em geral, o pecador só deseja os prazeres proporcionados pelas criaturas, e não necessariamente quer rejeitar o Criador. No entanto, ao se deixar seduzir por satisfações fugazes proporcionadas pelas criaturas, o pecador sabe, implicitamente, que está agindo contra o amor do Criador, pois sente que o prazer terreno não o preenche e, mesmo assim, não resiste a ele.

É por isso que o pecado fere o próprio pecador, afastando-o da plenitude oferecida por Deus. E é por isso que o pecado ofende a Deus: não porque Deus, como Deus, seja diminuído, mas porque nós próprios, ao pecar, nos diminuímos diante da grandeza que Deus nos oferece.

Para Jesus, o pecado nasce no interior do homem (cf. Mt 15, 10-20). É por isso que é necessária a transformação interior, do coração. Para Jesus, o pecado é uma escravidão: o homem se deixa ficar em poder do maligno, valorizando falsamente as coisas deste mundo, deixando-se arrastar pelo imediato, por satisfações sensíveis que não saciam a nossa sede de amor e de plenitude.

Quais são os tipos de pecado?

1 - O pecado original é a herança que todos recebemos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva: eles desconfiaram do amor de Deus Pai e cederam à tentação de deixá-lo de fora das suas escolhas pessoais. Como filhos de uma humanidade que perdeu a inocência, todos nós nascemos com a natureza caída de pecadores e precisamos da graça de Deus, mediante o sacramento do batismo, para purificar a nossa alma.

2 - O pecado atual ou pessoal é aquele que cometemos como indivíduos, voluntária e conscientemente. Pode ser cometido de quatro maneiras: com o pensamento, com as palavras, com as obras ou com as omissões. E pode ser contra Deus, contra o próximo ou contra nós mesmos. O pecado pessoal pode ser mortal ou venial:
 

2.1. O pecado venial ou leve é aquele que cometemos sem plena consciência ou sem pleno consentimento, ou então com plena consciência e consentimento, mas em matéria leve.
 
2.2. O pecado mortal ou grave é aquele que envolve três fatores simultâneos: plena consciência, pleno consentimento e matéria grave.

O que é matéria grave e matéria leve?

A "matéria" é o "fato" pecaminoso em si. É grave quando fere seriamente qualquer um dos dez mandamentos. Alguns exemplos: negar a existência de Deus, ofender a Deus, ofender os pais, matar ou ferir gravemente qualquer pessoa, colocar a si próprio em grave risco de morte sem justa razão, cometer atos impuros, roubar objetos de valor, caluniar, cometer graves omissões no cumprimento do dever, causar escândalo ao próximo.

Já a matéria leve é aquela que não fere seriamente nenhum dos dez mandamentos, ainda que consista num ato contrário a algum deles. Por exemplo: roubar é pecado, mas a gravidade desse pecado tem graus diversos. Furtar dez centavos não costuma prejudicar consideravelmente a vítima do furto; já o furto ou roubo de uma quantia cuja perda prejudica a vítima de modo considerável passa a ser matéria grave.

Quais são os efeitos do pecado?

O pecado mortal mata a vida da graça na alma, rompendo a relação vital com Deus; separa Deus da alma; faz com que percamos todos os méritos das coisas boas que fazemos; impede que a alma participe da eternidade com Deus. Como é perdoado o pecado mortal? Com uma boa confissão ou com um ato de contrição perfeito, unido ao propósito de confissar-se assim que for possível.

 Quanto ao pecado venial, ele enfraquece o amor a Deus, vai esfriando a relação com Ele, priva a alma de muitas graças que ela receberia de Deus se não pecasse, facilita o pecado grave. Como se apaga o pecado venial? Com o arrependimento e boas obras, como orações, missas, comunhão e obras de misericórdia.

E os pecados capitais, onde é que entram?

Os pecados capitais requerem especial atenção porque são causa de outros pecados. Podem ser veniais ou mortais, dependendo das condições explicadas acima. Sempre, porém, são "cabeças" de novos pecados e é daí que vem o termo "capital". São sete:
 
- Soberba: a estima exagerada de si mesmo e o desprezo pelos outros.
- Avareza: o desejo desmesurado de dinheiro e de posses.
- Luxúria: o apetite e uso desordenado do prazer sexual.
- Ira: o impulso desordenado a reagir com raiva contra alguém ou algo.
- Preguiça: a falta de vontade no cumprimento do dever e no uso do ócio.
- Inveja: a tristeza pelo bem do próximo, considerado como mal próprio.
- Gula: a busca excessiva do prazer pelos alimentos e pela bebida.
 
Há algum pecado que não pode ser perdoado?
 
Sim: o pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12, 30-32). Em que ele consiste? Na atitude permanente de desafiar a graça divina; em fechar-se a Deus, em recusar a sua mensagem. Essa atitude impossibilita o arrependimento. E, como Deus respeita a nossa liberdade e o nosso livre arbítrio, Ele próprio se deixa obrigar por nós a não nos dar o seu perdão, que depende da nossa aceitação voluntária. O pecado contra o Espírito Santo pode se manifestar, por exemplo, no desespero da salvação, na presunção de se salvar sem mérito, na luta contra a verdade conhecida, na obstinação em permanecer no pecado, na impenitência final na hora da morte.
 
Então qualquer outro pecado, bastando querermos sinceramente, pode ser perdoado?
 
É claro! Deus quer tanto a nossa plena realização junto dele que não hesitou em morrer na cruz para nos redimir! Deus nos espera sempre de braços abertos como um Pai que se esquece de todas as nossas ingratidões, como Ele mesmo deixa claro na belíssima parábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11ss). Basta querermos de verdade o Seu abraço!
 
 
 
 
 
 
 

(Com extratos do livro "Jesus Cristo", do pe. Antonio Rivero, LC)

LITURGIA DIÁRIA - PARA SEGUIR JESUS É PRECISO PASSAR PELA CRUZ.

Primeira Leitura (Jr 18,18-20)

Leitura do Livro do Profeta Jeremias.
Naqueles dias, 18disseram eles: “Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”.
19Atende-me, Senhor, ouve o que dizem meus adversários. 20Acaso pode-se retribuir o bem com o mal? Pois eles cavaram uma cova para mim. Lembra-te de que fui à tua presença, para interceder por eles e tentar afastar deles a tua ira.

Responsório (Sl 30)

Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!

Retirai-me desta rede traiçoeira, porque sois o meu refúgio protetor! Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel!
Ao redor, todas as coisas me apavoram; ouço muitos cochichando contra mim; todos juntos se reúnem, conspirando e pensando como vão tirar-me a vida.
A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor!
 
Evangelho (Mt 20,17-28)
O Senhor esteja convosco.
Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”.
20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “Que queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22Jesus, então, respondeu-lhe: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. 

Reflexão

A Paixão de Jesus está presente nas paixões de tantas pessoas que vivem nas comunidades, nas pastorais, nos movimentos sociais e testemunham, radicalmente, o projeto libertador de Jesus de Nazaré. Assim, os anúncios da Paixão se tornam o centro, o núcleo da fé cristã na perspectiva da Ressurreição. Esta é a força motivadora para superarmos as contradições, as dificuldades e os desafios da caminhada.
Estão subindo para Jerusalém e, embora já saibam qual será o destino de Jesus, acontece o anúncio: “…o Filho do Homem vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles O condenarão à morte e O entregarão aos pagãos. Vão caçoar d’Ele, cuspir n’Ele, torturá-Lo e matá-Lo. Depois de três dias, Ele ressuscitará”.
Esse último anúncio mostrará, claramente, que o seguimento de Jesus não tem privilégios como pensavam os discípulos, porque a caminhada não é marcada apenas de glória, mas pela coragem de deixar tudo para suportar a opção de vida que os levará ao longo do caminho. A estrada de Jesus será marcada de rejeição, perseguição, luta e sofrimento. Essas são as condições para chegar à glória. Para, definitivamente, segui-Lo é preciso estar curado da surdez e da cegueira que estavam presente durante todo o percurso. Essa era a razão pela qual os apóstolos tinham dificuldade de compreender a mensagem de  Cristo sobre Sua Paixão como condição para segui-Lo.
O Senhor nos anuncia que o seguimento a Ele deverá passar pela cruz, pois  seguimento e cruz são inseparáveis. Porém, os apóstolos não compreenderam e, entre si, discutiram quem era o maior (9,34).
Jesus lhes mostrará que o maior é aquele que serve; o primeiro deve ser o último, mudando assim, completamente, a lógica da caminhada.














Padre Bantu Mendonça

terça-feira, 3 de março de 2015

O CLUBE DO CARIMBO E O AUGE DA DEGRADAÇÃO SEXUAL.

A cruel e assustadora história do “clube do carimbo”, o grupo homossexual que dissemina o HIV propositalmente em casas noturnas.


Todas as épocas de acentuado declínio social estão marcadas por uma exploração desmedida da sensualidade. A corrupção moral foi a principal responsável pela queda do Império Romano, dizem os historiadores [1]. A banalização do homem tornou os romanos insensíveis a qualquer apelo da razão, abrindo caminho para o domínio bárbaro. Isso porque o ser humano, quando abandonado às suas paixões, fica incapaz de amar, isto é, enxergar o outro como pessoa. Uma sexualidade desregrada vê nos corpos instrumentos de prazer, objetos descartáveis sempre ao alcance dos desejos mais pervertidos da imaginação. Coube à Igreja a tarefa de restituir a dignidade humana frente a uma cultura de morte instalada na medula da sociedade.
Os Padres da Igreja sempre entenderam a união conjugal como uma relação em que se procura o bem do outro. O vínculo entre marido e mulher está radicado muito mais em um "empenho para com a outra pessoa", que em um sentimento vago ou em uma atração psicofísica. É justamente o que recordava São João Paulo II ao Tribunal da Rota Romana, em um discurso de 1999:
"O simples sentimento está ligado à mutabilidade do espírito humano; só a atração recíproca, depois, muitas vezes derivante sobretudo de impulsos irracionais e às vezes aberrantes, não pode ter estabilidade e, portanto, está facilmente, se não de maneira fatal, exposta a extinguir-se."
O matrimônio, embora também esteja ligado ao sentimento, fundamenta-se no compromisso do amor, de onde nasce a sua indissolubilidade. "A caridade jamais acabará", lembra o apóstolo (1 Cor 13, 28). E esse amor conjugalis que "tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" é a razão pela qual marido e mulher são capazes do sacrifício mútuo pela salvação da família.
A cultura hodierna, por outro lado, tende não somente a negar esse amor, como a ridicularizá-lo de todas as maneiras. Em nome de uma pseudoliberdade, a sociedade é induzida a considerar o corpo algo desprezível, "colocando-o, por assim dizer, fora do ser autêntico e da dignidade da pessoa". "O seu pressuposto — comenta o Papa Bento XVI — é que o homem pode fazer de si o que quer: o seu corpo torna-se assim uma coisa secundária, manipulável sob o ponto de vista humano, a ser utilizado como se deseja". Praticamente, todos os relacionamentos modernos — uniões livres, "casamentos" entre pessoas do mesmo sexo, namoros coloridos etc. — estão embasados nessa visão unilateral do "prazer sem freios". Não se busca o bem do outro, mas a autossatisfação imediata. Trata-se de sexo, não de amor.
Ora, não é preciso muito esforço para perceber as consequências nefastas disso tudo. "A crônica quotidiana — falava João Paulo II no mesmo discurso à Rota Romana — traz, infelizmente, amplas confirmações acerca dos miseráveis frutos que essas aberrações da norma divino-natural acabam por produzir". 

Há alguns dias, um jornal de grande circulação no país comentava o caso de "homens que passam o HIV de propósito". Segundo a reportagem, esses indivíduos se reúnem em blogs e outros sites da internet para darem dicas de como infectar o parceiro sexual propositalmente. "Não fez ainda? Faça, pois é bem provável que já tenham feito com você", incentivava um desses sites, ensinando a furar a camisinha durante o ato sexual. A prática tem o nome de bareback, que no linguajar homossexual significa "sexo anal sem camisinha". O termo originalmente vem do inglês e quer dizer "cavalgar em um cavalo sem cela". Em São Paulo, diz o jornal, uma casa noturna dedicada ao sexo gay chega a reunir mais de cem homens por dia, muitos adeptos do "clube do carimbo", como se chama o grupo dedicado a retransmitir o vírus da Aids. "Carimbar" faz referência direta à contaminação.
Um dos entrevistados da matéria justifica seu comportamento assim: "É um prazer incontrolável. Sem a camisinha o meu prazer triplica. Eu odeio a camisinha". O rapaz é empresário, soropositivo, tem 36 anos e frequenta casas noturnas, embora nunca se relacione sem avisar o parceiro sobre sua doença, garante. De acordo com o jornal, o "clube do carimbo" deve virar uma tendência no meio LGBT em dois ou três anos. "Hoje, a gente vive o auge dessa prática da contaminação", informa outro entrevistado. As orgias, comumente chamadas de "roleta-russa", mexem com o fetiche e a adrenalina, explicam os participantes; por isso, têm se tornado tão comuns. Há também uma falta de perspectiva somada a um sentimento libertário. O resultado: entre 2003 e 2013, o índice de infecção por HIV no meio homossexual aumentou para 29,1%; para os héteros, a variação foi de 1,7%.
Repetir o ensinamento católico acerca disso tudo é chover no molhado. O fato, porém, expõe diante dos olhos do público qual movimento é verdadeiramente homofóbico. Enquanto o Catecismo da Igreja diz que os homossexuais "devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza", a nova moda LGBT apregoa a disseminação de um vírus mortal, em nome de um "prazer incontrolável". "Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas" (Rm 1, 26). Os efeitos insidiosos da cultura da camisinha, do sexo livre e da libertinagem podem ser reconhecidos por qualquer pessoa de bom senso. Essa cultura de morte não procura o bem do outro, mas se desfazer dele como um lixo, como se descarta a seringa de uma droga qualquer após o uso. A Igreja, sempre na contramão das falsas ideologias, crê na sublime vocação do homem, tenha ele ou não a tendência homossexual, chamando-o a amar verdadeiramente: "Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã." A castidade não mata ninguém. O "clube do carimbo", sim.
Não se enganem: nenhum ser humano foi feito para viver como um brinquedinho de almas pervertidas. Nenhum ser humano foi feito para servir a "surras" e "pauladas", como sugere a mídia nestes dias cinzentos, nem para bareback, "clubes do carimbo", "roletas-russas" ou outras práticas suicidas. 












Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

Cf. Daniel-Rops. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. Quadrante: São Paulo, 1988