terça-feira, 3 de março de 2015
JULGAR O OUTRO É FÁCIL, MAS E A SI MESMO? PERGUNTA O PAPA FRANCISCO.
É fácil julgar os outros, mas seguimos adiante no caminho cristão
somente se temos a sabedoria de acusar a si mesmo: foi o que disse hoje o
Papa Francisco retomando, após os exercícios espirituais, a celebração
da Santa Missa na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.
LITURGIA DIÁRIA - ELES FALAM E NÃO PRATICAM.
Primeira Leitura (Is 1,10.16-20)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.
10Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 16Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva. 18Vinde, debatamos — diz
o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão
brancos como a neve. Se forem vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão
como lã. 19Se consentirdes em obedecer, comereis as coisas boas da terra. 20Mas se recusardes e vos rebelardes, pela espada sereis devorados, porque a boca do Senhor falou!
Responsório (Sl 49)
— A todos que procedem retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
— A todos que procedem retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
— Eu
não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus
holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que
estão nos teus rebanhos.
— Como
ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu
que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras
dos meus lábios!
— Diante
disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É
disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos.
— Quem
me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade.
A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de
Deus.
Evangelho (Mt 23,1-12)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram
pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não
estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.
5Fazem todas as
suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas,
com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas
franjas.
6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.
Reflexão
Neste
Evangelho, Jesus nos pede coerência entre o que falamos e ensinamos, e o nosso
próprio procedimento. Devemos dar testemunho da verdade e da justiça, não só
pelas nossas palavras, mas também pela nossa vida.
E
Jesus cita alguns contra testemunhos dos mestres da Lei e dos fariseus, cujo
procedimento era bem diferente do que diziam e da “santidade” que mostravam.
Também nós, freqüentemente nos apresentamos como justos, bons cidadãos e bons
cristãos, sendo que, às escondidas, não somos nada disso: enganamos, mentimos
etc.
Eles
gostavam de ser chamados com títulos de honra e de ocupar lugares de honra nas
festas e até na sinagoga. Entretanto, “Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua
graça aos humildes” (Tg 4,6; Pr 3,34). Se queremos receber as graças de Deus,
precisamos ser humildes.
A
falta de humildade na sociedade leva-a a nunca dizerem a verdadeira causa dos
problemas sociais. Por exemplo, por que existem os menores abandonados? A culpa
está toda em nós adultos. A criança em si é boa. São os adultos que lhes
ensinam as coisas erradas.
Também
nas Comunidades cristãs, quantas vezes falta humildade! Por exemplo, o líder de
uma pastoral sofre uma humilhação, ou é vítima de uma fofoca, pronto, desanima
e quer largar tudo. Imagine se Jesus tivesse feito assim! Logo no início de sua
vida pública já teria desistido, e nós receberíamos esta Vida Nova em que
vivemos pelo batismo!
“Nada
façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um considere os
outros como superiores a si e não cuide somente do que é seu, mas também do que
é dos outros” (Fl 2,3-4).
“O
maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será humilhado,
e quem se humilhar será exaltado.”
Campanha
da fraternidade. A paz é fruto da justiça. Podemos dizer também: a paz é fruto
da santidade. Se nós nos convertemos e nos santificamos, a paz aumenta ao nosso
redor e vai se expandindo como as ondas de um lago, quando jogamos uma pedra no
meio dele. Somos injustos em relação aos nossos irmãos e irmãs que moram nas
favelas, colocando neles, de antemão, o “selo” de bandidos, sendo que nas
favelas estão as melhores famílias do nosso país.
Certa
vez, um pequeno País resolveu por em prática aquelas palavras que Maria disse
no seu hino Magnificat: “A minha alma engrandece o Senhor... Ele derrubou do
trono os poderosos e elevou os humildes; encheu de bens os famintos e despediu
os ricos de mãos vazias...”
Foi
tudo feito democraticamente, através de impostos altos aos ricos, aplicando os
recursos aos mais pobres e outras estratégias.
Aconteceu
que um dia estava, em uma casa de carnes, uma fila esperando abrir para comprar
carne. Um senhor muito rico disse, em tom de revolta contra o governo: “Eu
nunca imaginei que um dia estaria numa fila para comprar carne!” Uma senhora
velhinha que estava um pouco atrás, disse também: “Eu nunca imaginei que um dia
estaria numa fila para comprar carne!”
A
frase é a mesma, mas os sentidos são contrários. Para o rico foi uma expressão
de revolta devido à humilhação de ter de entrar numa fila, coisa que antes não
acontecia devido aos privilégios que a riqueza lhe concedia. Já para a mulher
foi uma expressão de alegria, pois antes não tinha condições de comer carne e
agora tem.
Maria
Santíssima era uma pessoa humilde. Ela nunca se promoveu a si mesma. Quando se
referiu a ela mesma, chamou-se de escrava: “Eis aqui a escrava do Senhor”. As
escravas eram as mulheres mais humildes da época.
Nas
horas de triunfo de Jesus, ela não aparecia. Por exemplo, na multiplicação dos
pães, quando o povo queria fazê-lo rei, o Evangelho não fala da presença de
Maria. Certamente ela estava por ali, mas escondida.
Já
na cruz, no meio daquela fúria do povo, lá estava ela, de pé, bem visível a
todos, enfrentando as zombarias e humilhações, próprias de uma mãe de
condenado.
É
interessante que Maria era humilde, mas, como vimos no seu hino Magnificat, não
enterrava seus talentos, numa falsa humildade, minha a cabeça erguida e falava
o que devia, na hora certa e para a pessoa certa.
Está
aí o verdadeiro sentido da humildade: é a verdade. Vamos pedir a Nossa Senhora
que nos ensine a ser humildes, mas que tenhamos uma humildade bem ativa e
transformadora, principalmente praticando tudo aquilo que falamos para os
outros.
Pe QUeiroz
segunda-feira, 2 de março de 2015
APRENDER A PERDOAR.

"Querem
conhecer a Deus? Aprendam a compreender as fraquezas e imperfeições dos
irmãos. Mas, como se pode conhecer a fraqueza alheia, se não se
reconhece a própria? Como se pode ver o sentido das próprias limitações
se não se recebeu de Deus a misericórdia que nos dá o conhecimento Dele e
de nós mesmos? Não basta perdoar: é preciso perdoar com humildade e
compaixão. Perdoar sem humildade é um escárnio, que nos supõe melhores
do que os outros. Jesus desceu aos abismos da nossa degradação a fim de
perdoar-nos, após descer, em certo sentido, mais baixo do que nós todos.
Não nos compete perdoar a outros do alto de tronos sublimes, como se
fôssemos deuses a olha-los de cima dos céus. Nosso dever é perdoá-los
nas chamas do seu próprio inferno, pois Cristo, através do nosso perdão,
desce mais uma vez para apagar a chama vingadora. Mas Ele não o pode
fazer se não perdoarmos com a compaixão do Cristo. Ele não pode amar sem
sentimento e sem coração. Seu amor é humano e divino ao mesmo tempo, e a
nossa caridade será uma caricatura do seu amor se ela pretende ser
apenas divina, e não consente em ser também humana."
Homem algum é uma ilha, Thomas Merton (Editora Agir), 1968, pág.177-178
SER FIEL À ALIANÇA PARA VENCER A INDIFERENÇA.
Entramos
no tempo da Quaresma, escola de treinamento para a liberdade cristã, de
repensar nosso projeto de vida e de assumir mais plenamente nossa
aliança batismal. O primeiro Domingo deste período de quarenta dias para
preparar a maior festa cristã: a ressurreição do Senhor, nos leva ao
cenário do Monte das Tentações.
Nesta montanha Jesus realiza um jejum
de quarenta dias antes de iniciar seu ministério público, sendo tentado
pelo Maligno. A grande tentação é desviá-lo do projeto salvador e
libertador do Pai, através das idolatrias do ter, prazer e poder, que
sempre estarão presentes na vida de cada cristão. Na mensagem quaresmal
deste ano, o Papa Francisco nos alertou sobre a tentação da indiferença
diante do sofrimento e da miséria, tentação cristalizada num sistema e
numa tendência mundial: a globalização da indiferença, que nos torna
egoístas e fechados em nós mesmos.
Na Quaresma somos tocados e revestidos
pela misericórdia e bondade do Pai, que nos conduz pelo caminho da
fidelidade a sua Aliança amorosa. Neste tempo mergulhamos de cheio na
proposta da filiação divina que nos faz renascer a uma vida nova e
abundante. Aprendemos com Jesus Cristo a vencer as tentações que nos
fragmentam e isolam com a escuta obediente a Palavra de Deus, a
humildade e determinação de servir a Deus e ao seu Reino, e a oração
profunda de comunhão que nos leva a cumprir sempre a vontade de Deus.
Ainda neste tempo de penitência com
ajuda e o estímulo da Campanha da Fraternidade 2015, assumimos nossa
missão de servir a humanidade, no diálogo, cooperação e partilha,
animando a construção de uma sociedade justa e solidária. Com um coração
fortalecido e impregnado pelo Espírito, seremos capazes de nos empenhar
na tarefa de uma evangelização encarnada e profética, geradora de uma
civilização da ternura, da sobriedade e do serviço solidário.
Testemunharemos de forma autêntica e
efetiva a aliança da paz e da vida, que nos propõem as leituras desta
Quaresma, protagonizando a mudança de coração e de toda nossa
existência, a verdadeira conversão que vence a indiferença, a corrupção e
toda opressão. Que cheguemos plenamente renovados e fortalecidos para
as festas pascais. Deus seja louvado!
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos /RJ
Bispo de Campos /RJ
LITURGIA DIÁRIA - PERDOAI E SEREIS PERDOADOS.
Primeira Leitura (Dn 9,4b-10)
Leitura da Profecia de Daniel.
4b“Eu
te suplico, Senhor, Deus grande e terrível, que preservas a aliança e a
benevolência aos que te amam e cumprem teus mandamentos; 5temos pecado, temos praticado a injustiça e a impiedade, temos sido rebeldes, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; 6não
temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas, que, em teu nome,
falaram a nossos reis e príncipes, a nossos antepassados e a todo o povo
do país.
7A
ti, Senhor, convém a justiça; e a nós, hoje, resta-nos ter vergonha no
rosto: seja ao homem de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo
Israel, seja aos que moram perto e aos que moram longe, de todos os
países, para onde os escorraçaste por causa das infidelidades cometidas
contra ti.
8A nós, Senhor, resta-nos ter vergonha no rosto: a nossos reis e príncipes, e a nossos antepassados, pois que pecamos contra ti; 9mas a ti, Senhor, nosso Deus, cabe misericórdia e perdão, pois nos temos rebelado contra ti, 10e
não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, indicando-nos o caminho de sua
lei, que nos propôs mediante seus servos, os profetas”.
Responsório (Sl 78)
— O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas.
— O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas.
— Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo.
— Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!
— Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer!
— Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos.

Evangelho (Lc 6,36-38)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 36“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. 37Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. 38Dai
e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será
colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os
outros, vós também sereis medidos”.
Reflexão
Neste
Evangelho, Jesus nos pede para sermos misericordiosos. E explica o que isso
significa: Não julgar ninguém, não condenar ninguém, perdoar a todos que nos
ofendem e partilhar os nossos bens com os que precisam.
O
exemplo ou modelo que ele nos apresenta é o próprio Deus Pai, que nos perdoa,
nos ajuda e é misericordioso conosco.
Misericórdia
é a compaixão suscitada pela miséria alheia. Vem do latim: “mittere + cor” =
Jogar o coração. Misericórdia é mais que simples sentimento de compaixão. É a
compaixão levada à ação; é fazer alguma coisa para ajudar a pessoa da qual
sentimos compaixão.
A
pessoa misericordiosa “tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Sempre descobre o
lado bom das pessoas. Afinal, todos nós, mesmo os maiores criminosos, no fundo,
somos bons, pois fomos criados por Deus e ele só faz coisas boas.
No
catecismo, as crianças decoram as catorze obras de misericórdia, sete corporais
e sete espirituais. As corporais são: dar de comer a quem tem fome, dar de
beber a quem tem sede, vestir os nus, dar abrigo aos peregrinos, visitar os
doentes e encarcerados, libertar os escravizados e sepultar os mortos. Elas
seguem, quase literalmente, Mt 25,31-46, onde Jesus nos diz o que vai cobrar de
nós no Juízo Final. Portanto, se trata de coisa séria, pois está em jogo a
nossa salvação.
As
espirituais são: dar bom conselho, ensinar os que não sabem, corrigir os que
erram, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar as fraquezas do
próximo e orar pelos vivos e falecidos.
A
pessoa misericordiosa tem um amor compreensivo. É muito comum essas pessoas
usarem a expressão: “Coitado!”
“Perdoai
e sereis perdoados.” É o que rezamos no Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas
ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Todos nós somos
pecadores e temos dívidas com Deus. Só entraremos no céu se ele nos perdoar.
Acontece que o perdão de Deus a nós é do tamanho do nosso perdão aos nossos
irmãos.
O
perdão faz feliz não só quem é perdoado, mas também quem perdoa. Quanto mais
reconhecemos que somos pecadores, mais sentimos a necessidade de perdoar os
outros, a fim de sermos também perdoados por Deus. Temos dois caminhos: ou
abrimos o nosso coração à generosidade e à misericórdia, ou nos fechamos na
nossa própria mesquinhez e intransigência.
“Dai
e vos será dado. Uma medida calcada, sacudida e transbordante será colocada no
vosso colo.” Jesus usa como comparação a medida de grãos, usada nos armazéns
antigos. Por exemplo, se uma pessoa queria comprar cinco litros de feijão, o
balconista enchia a vasilha de cinco litros, depois sacudia (abaixava um
pouco), socava (abaixava mais), em seguida punha mais feijão até derramar. Isso
é generosidade! É assim que Deus faz para recompensar as nossas obras de
misericórdia.
Jesus,
quando estava na cruz, deu-nos um belo exemplo de amor misericordioso, quando
rezou: “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem!” Também quando disse ao
bom ladrão: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Que exemplo para nós!
Não
temos outra opção: ou aceitamos os outros com as suas limitações humanas, ou
nos fechamos na nossa pequenez e egoísmo. Está aí uma grande oportunidade de
conversão nesta quaresma.
E
não vale o “perdôo mas não esqueço”, porque seria perdão pela metade. Se a
fraqueza cometida por nosso irmão chegar à nossa memória, que seja rebatida com
a virtude da misericórdia.
Sobre
a Campanha da Fraternidade – economia e vida – lembramos que justiça não é “dar
a cada um o que lhe pertence” ou “pagar pelo trabalho que fez”, mas é dar a
cada um o necessário para viver dignamente. Que os bens que vêm de Deus sejam
distribuídos para todos os seus filhos e filhas, sem excluir ninguém. Economia
significa, literalmente, administração da casa. Que esta grande casa de Deus, o
planeta terra, seja bem administrado, colocando a vida em primeiro lugar. Há
cidades que estão usando, em vez do conhecido saquinho de supermercado, sacolas
de papel, que são biodegradáveis e não poluem a natureza. Que a economia esteja
a serviço da vida, não o contrário, a vida a serviço da economia.
Havia,
certa vez, um operário de construção que todos os dias comia a mesma coisa:
sanduíche de queijo. Os outros operários esperavam com alegria o toque da
sirene para o almoço, quando se dirigiam ao galpão, onde haviam guardado suas
refeições. Uns esquentavam, outros não. Quase sempre feijão, arroz e um pedaço
de carne. Todos comiam com visível prazer. Mas aquele trabalhador comia seu
sanduíche de queijo reclamando. Todos os dias ele dizia: “Detesto sanduíche de
queijo”. Comia silenciosamente e no final amassava o papel, jogava-o no lixo e
repetia a ladainha: “Detesto sanduíche de queijo”.
Um
dia, um dos colegas sugeriu: “Por que você não pede a sua esposa que faça um
sanduíche diferente?” Ele respondeu: “Quem disse que é a minha esposa quem
prepara o sanduíche? Sou eu mesmo que o preparo”.
Já
pensou? Cada um colhe aquilo que planta; cada um come o sanduíche que preparou.
À semelhança desse caso, muitas vezes as nossas desavenças nascem de nós
mesmos. Somos nós que fazemos uma imagem do outro, que não corresponde à
realidade. Depois começamos a nos desentender com o próximo, baseados numa
imagem dele que nós mesmos criamos.
Maria
Santíssima, no Magnificat, cantou a misericórdia de Deus: “A sua misericórdia
de estende de geração em geração”. “Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida,
doçura e esperança nossa, salve!”
Pe Queiroz
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