terça-feira, 4 de março de 2014

LITURGIA DIÁRIA - O SENHOR FEZ CONHECER A SUA SALVAÇÃO

 
Primeira Leitura (1Pd 1,10-16)
Leitura da Primeira Carta de São Pedro.
Caríssimos, 10esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada. 11Procuraram saber a que época e a que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória consequente.
12Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós, estavam ministrando estas coisas, que agora são anunciadas a vós por aqueles que vos pregam o evangelho em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; revelações essas, que até os anjos desejam contemplar! 13Por isso, aprontai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. 14Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. 15Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. 16Pois está na Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo”.

Responsório (Sl 97)
— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.
— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.
— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.
— O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.
— Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Acalmai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!
 
Evangelho (Mc 10,28-31)
Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”29. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.


 Reflexão

Para melhor compreendermos o ensinamento desse evangelho vamos lembrar-nos daquele evangelho em que um homem descobriu um tesouro no campo, voltou para casa,abriu mão de tudo o que tinha e  voltando comprou o campo onde estava o tesouro. Em outras palavras não trocou  Seis por Meia Dúzia,  mas investiu tudo o que tinha para ficar com algo que era muito superior e mais valioso do que suas posses.
Tem muito cristão que não consegue acompanhar esse raciocínio e ainda pensa que, ser cristão é perder algo ou deixar de ganha. A alegria de pertencermos ao Reino de Deus, é absolutamente superior a qualquer alegria que este mundo ou mesmo as pessoas mais  queridas, possam nos oferecer. Qualquer fortuna,mesmo a maior que alguém possa ter neste mundo, qualquer relação afetiva com as pessoas, por mais forte, poderosa e importante, nada é, diante de Jesus e seu Reino. O Apóstolo  Paulo  chamou de “lixo” tudo o que era e tinha, antes de conhecer o Evangelho de Cristo.
Este cêntuplo, ainda nesta vida, deve ser bem compreendido, não pode ser  confundido com alguma recompensa de ordem material, religião não pode ser um investimento como apregoa certa linha neo-pentecostal,  mesmo a oferta do nosso dízimo, que é primeiramente um grande ato de gratidão,  por tudo o que Deus já nos deu, e não para o que elevai nos dar, pois a Salvação é dom gratuito e imerecido.

Cêntuplo nesta vida é sentir que nossa Vida está em Deus, e a Vida Nova que ele nos oferece em Cristo Jesus,já está em nós.A partir disso,mesmo a nossa Vida Terrena tem um outro sentido para nós. Tudo é novo e na Fé olhamos para as pessoas e os acontecimentos com um olhar diferente. Só por isso  a nossa adesão ao  Reino de Deus já terá valido apena, e depois, quando chegar a velhice ou mesmo antes dela,vier a morte de improviso, veremos o Vale de Lágrimas transformar-se em  prados e  campinas verdejantes e de maneira consciente, iremos perceber naquela hora, que a nossa pessoa é imortal e será acolhida na Plenitude do Reino Eterno.


segunda-feira, 3 de março de 2014

FAZ SENTIDO COMEMORAR O CARNAVAL HOJE EM DIA?

Os dias de carnaval podem ser aproveitados para divertir-se ou devem ser condenados? Entenda o sentido desta comemoração.

Hoje, o carnaval é comemorado como uma festa a mais do calendário, sem a relação com a Quaresma, que lhe dava sentido; só mantém as datas, mas não segue os motivos de antes.
Qual é a origem desta festa? Como ela foi se modificando? Que sentido tem hoje? É positivo comemorá-la? Quem conversa sobre este tema com a Aleteia é o professor de História Moderna Jesús María Usunáriz, da Universidade de Navarra.

Qual é a origem do carnaval?

É comum ouvir que sua origem se perdeu na noite dos tempos. Mas, se nos baseamos nos testemunhos, vemos que os romanos já celebravam as “saturnalias”, festas semelhantes às que conhecemos como carnaval.

Há muitos precedentes do carnaval, mas, assim como ele é entendido hoje, está inserido em uma cultura cristã, responde a certas características do mundo ocidental cristão.
Desconhecemos a data exata em que o carnaval teria começado assim, o que corresponde a uma determinada forma de entender o calendário anual. Em concreto, vem de um período que vai do final do Natal até o início da Quaresma, a Quarta-Feira de Cinzas.

De onde vem esta palavra?

“Carnaval” parece ter relação etimológica com a palavra “carne” e se refere ao momento prévio ao período de jejum e proibição de comer carne da Quaresma.

Como sua comemoração foi se transformando?

O carnaval, como conhecemos hoje, está muito estendido por todos os povos do Ocidente. Os costumes são muito similares em todos os casos. Há dias especiais até chegar à terça-feira de carnaval.
Desde os séculos XVI, XVII e XVIII, houve tentativas cada vez mais claras de controlar as manifestações de carnaval, por considerarem que ele envolve uma série de excessos que precisariam ser controlados. No século XIX, ele continua sendo comemorado, mas houve épocas em que foi taxativamente proibido.

E o que dizer do famoso carnaval do Brasil?

O carnaval do Brasil – e de boa parte da América Latina – é uma herança da cultura ocidental adaptada às circunstâncias de cada território.

No Brasil, ele tem características mais de espetáculo que de carnaval. A motivação é divertir-se, sair da rotina e aproveitar a ocasião para a crítica social, política e econômica. Alguns carnavais têm este conteúdo, mas outros às vezes são mais como festivais.

Faz sentido que um católico comemore esta festa?

Há uma frase de Júlio Caro Baroja, em seu livro “O carnaval”: “O carnaval não tem sentido sem a Quaresma”. Afinal, por que existe o carnaval? Porque existe o período da Quaresma. Eles estão unidos, fazem parte de uma maneira de entender o calendário anual, que é de tradição judaico-cristã.
Eu considero que faz sentido comemorá-lo, sim, com moderação, pois ele faz parte do calendário ocidental cristão. Outra coisa é cometer excessos nas manifestações populares.
O carnaval se adapta estética e animicamente a um determinado calendário: antes do recolhimento quaresmal, temos a explosão carnavalesca, que é, de alguma maneira, preparatória para o jejum e o recolhimento que correspondem à Quaresma e à Semana Santa. E o período festivo voltará com a Páscoa da Ressurreição.

Então o carnaval é uma festa positiva?

Depende de quem o festeja e como festeja – como tudo na vida. O futebol, por exemplo, é positivo? Sim. A violência nele? Não. Os excessos no carnaval podem ser controlados.
Mas em si é uma festa positiva, porque quebra a rotina; talvez tivesse mais sentido em outras épocas, porque há mais momentos de ruptura, de lazer... Em seu momento, tinha sua razão de ser e obedecia a certas necessidades.

E atualmente?

Eu não sei se hoje o carnaval se adapta bem aos tempos. Muitas vezes, ele responde a características de uma sociedade que já não é como a de antigamente; tornou-se uma festa turística, um negócio, um entretenimento; então, o sentido deste
carnaval pode ser completamente diferente do de antes.

Hoje se faz carnaval sem Quaresma e esta é a grande diferença com relação ao carnaval de antes. Em boa parte do século XX, o carnaval estava acompanhado da Quaresma; agora ele existe, mas não se vive a Quaresma.

O que a Igreja diz sobre a diversão do carnaval?

Antigamente, tentava-se evitar os excessos. Todos nós recordamos que, nas paróquias e igrejas, rezava-se pelos excessos do carnaval.
Ao longo da história, houve medidas restritivas do carnaval, tanto por parte da autoridade eclesiástica como da civil, porque pode haver excessos que levam à desordem social, ou por desordens e críticas contra o poder eclesiástico. E isso sim se tentou controlar.
Até que ponto a autoridade eclesiástica tem competência hoje para deter excessos assim? Por outro lado, o poder civil o considera como um elemento a mais. 

 

 

 

Patricia Navas González

LITURGIA DIÁRIA - O JOVEM RICO.

Primeira Leitura (1Pd 1,3-9)
Leitura da Primeira Carta de São Pedro.
3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, 4para uma herança incorruptível, que não estraga, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus.
5Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. 6Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. 7Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira — mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo — e alcançará louvor, honra e glória, no dia da manifestação de Jesus Cristo. 8Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.

Responsório (Sl 110)
— O Senhor se lembra sempre da Aliança!
— O Senhor se lembra sempre da Aliança!
— Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!
— Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações.
— Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor.
 
Evangelho (Mc 10,17-27)
Naquele tempo, 17quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele, e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” 18Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. 19Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!”
20Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. 21Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” 22Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. 23Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” 24Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” 26Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” 27Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”.

 Reflexão


Jesus no Evangelho de hoje nos quer ensinar o que devemos ser neste mundo, para conseguirmos chegar à vida eterna. Quando perguntado por um homem: “Que devo fazer para alcançar a vida eterna?” Ao que Jesus responde-lhe:- “Não mates, não roubes, não cometas adultério, não levantes falso testemunho, não defraudes, honra teu pai e tua mãe”. Ao que o homem lhe diz: - “Sim, mestre; tudo isso tenho cumprido à risca. ”Daí, Jesus continua:- “Então, tudo bem, só falta-lhe uma coisa , vai vende tudo o que é teu e dá aos pobres e segue-me.” O homem ficou muito triste e afastou-se, desistindo de segui-lo.
Jesus, então, comenta com os apóstolos: - “Como é difícil para quem é rico na terra, conseguir um lugar no céu.”. O apego ao dinheiro e às coisas materiais, só constitui para eles, os maiores obstáculos para conseguirem o céu. O coração fica embrutecido e sem sensibilidade para descobrir e aumentar a sua fé nas palavras de Jesus, como Deus que habitou entre nós e, morreu na cruz, somente para salvar a humanidade inteira, que o Pai Criador colocou na terra que , como o seu sonho, deveria ser um paraíso, onde correriam leite e mel. E, Jesus termina a sua explicação aos apóstolos dizendo-lhes: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no reino do céu.” Quer dizer, realmente a vida voltada somente para o que é material, empobrece o espírito, esvaziando-se das riquezas que só Deus pode nos dar, através da nossa fé.
E’, realmente “pobre” aquele que não tem fé em Deus. Na sua infinita bondade Deus, depois de tentar muitas vezes, através dos profetas, que eram os portadores dos seus avisos sobre a salvação e a vida eterna, Ele fez-se homem em seu próprio filho Jesus Cristo e, veio viver entre nós, para que acreditássemos, através das suas palavras e dos seus exemplos e, que assim ele pudesse levar a humanidade pelo caminho da salvação, que é o cume do Seu plano. Deus, na sua extrema bondade procurou trazer ao mundo a felicidade que já não existia, porque o seu povo O vem expulsando do seu convívio. Porém mesmo assim, os homens não entenderam nada e, ainda hoje uma grande maioria ainda não entende se apega às coisas materiais e expulsam Deus dos seus lares.
Muitos são os que vivem voltados e “enroscados” só no que é material, tornando-se verdadeiros escravos deste mundo deshumanizado , em que vivemos nestes tempos. As coisas materiais adquiriram valores que as transformam em verdadeiros “deuses”, para a maioria que vive pautada nos esquemas de políticas sócio - econômicas protecionistas , onde a minoria dita normas e conduz, ao seu bel prazer, os destinos de todos; numa gritante e injusta divisão social, massacrando as classes tão sofridas, que vivem, sempre, das migalhas que sobram dessas divisões.. Realmente fica muito difícil o céu, a vida eterna, para os que não crêem e não vivem segundo os ensinamentos de Jesus.
Senhor, eu vos agradeço a generosidade de tantos que vos seguem incondicionalmente. Guardai-os em seus caminhos, no matrimônio ou no celibato, como leigos ou no ministério. Dai-me um pouco dessa generosidade, para que eu vos possa seguir. Ajudai-me nas dificuldades, iluminai-me para tomar as decisões certas. Dai-me alegria, mesmo se não tiver onde pousar a cabeça.

sábado, 1 de março de 2014

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM - TER FÉ É CONFIAR NA PROVIDÊNCIA DIVINA.

A liturgia deste 8º Domingo do Tempo Comum propõe-nos uma reflexão sobre as nossas prioridades. Recomenda que dirijamos o nosso olhar para o que é verdadeiramente importante e que libertemos o nosso coração da tirania dos bens materiais. De resto, o cristão não vive obcecado com os bens mais primários, pois tem absoluta confiança nesse Deus que cuida dos seus filhos com a solicitude de um pai e o amor gratuito e incondicional de uma mãe.
O Evangelho convida-nos a buscar o essencial (o “Reino”) por entre a enorme bateria de coisas secundárias que, dia a dia, ocupam o nosso interesse. Garante-nos, igualmente, que escolher o essencial não é negligenciar o resto: o nosso Deus é um pai cheio de solicitude pelos seus filhos, que provê com amor às suas necessidades.
A primeira leitura sublinha a solicitude e o amor de Deus, desta vez recorrendo à imagem da maternidade: a mãe ama o filho, com um amor instintivo, avassalador, eterno, gratuito, incondicional; e o amor de Deus mantém as características do amor da mãe pelo filho, mas em grau infinito. Por isso, temos a certeza de que Ele nunca abandonará os homens e manterá para sempre a aliança que fez com o seu Povo.
Na segunda leitura, Paulo convida os cristãos de Corinto a fixarem o seu olhar no essencial (a proposta de salvação/libertação que, em Jesus, Deus fez aos homens) e não no acessório (os veículos da mensagem).
 
LEITURA I – Is 49, 14-15
A primeira leitura apresenta-nos, hoje, um trecho do Deutero-Isaías, o profeta da esperança. O Deutero-Isaías é um profeta que exerce a sua missão entre os exilados judeus na Babilónia, na fase final do Exílio (por volta de 550/540 a.C.); a sua missão consiste em consolar um povo decepcionado e desiludido, porque a libertação tarda. Os capítulos que recolhem a sua mensagem (Is 40-55) chamam-se, por isso, “Livro da Consolação”.
A mensagem de “consolação” do Deutero-Isaías desenrola-se à volta de duas grandes coordenadas: na primeira (cap. 40-48), o profeta anuncia a libertação do cativeiro e um “novo êxodo” do Povo de Deus em direção à Terra Prometida; na segunda (cap. 49-55), o profeta fala aos exilados da reconstrução e da restauração de Jerusalém.
O nosso texto pertence à segunda parte. Faz parte de um quadro com três cenas (cf. Is 49,14-26), nas quais Jahwéh responde às questões postas por Jerusalém (aqui apresentada na figura de uma mulher). Na primeira (Is 49,14-20), Jahwéh procura demonstrar que não esqueceu nem abandonou Sião; na segunda (Is 49,21-23), Jahwéh promete o regresso dos exilados; na terceira (Is 49,24-26), respondendo à questão da viabilidade desse projeto, Jahwéh, o poderoso de Jacob, o “goel” (“vingador”) de Israel, garante a sua concretização.
O Exílio na Babilónia representa uma experiência bem dramática, que abala a fé e as convicções mais profundas do Povo de Deus. O drama nem reside tanto na derrota e no exílio em si; mas reside, sobretudo, no desmoronamento de todas as certezas e de todas as convicções em que o Povo se apoiava. Porque é que Deus permitiu a derrota e o exílio? Jahwéh abandonou o seu Povo? O Senhor rompeu a aliança que fizera com Israel? Ainda mais: Jerusalém, a cidade do Templo e, portanto, o lugar da residência de Deus no meio do seu Povo, foi reduzida a um montão de ruínas. Pode, ainda, confiar-se em Jahwéh? Porque é que Ele não protegeu nem salvou a sua morada? Ele não tinha feito uma aliança eterna com o seu Povo? A aliança continua válida, ou Deus abandonou para sempre o seu Povo?
O profeta/poeta põe na boca da “mulher” Jerusalém (o nome “Sião” é sinónimo de Jerusalém; e a mulher/Jerusalém representa, na linguagem profética, a mulher/Povo de Deus) um lamento sentido porque, depois de quarenta anos, continua reduzida a ruínas e Jahwéh não parece ter qualquer plano para trazer de novo à sua cidade o esplendor antigo.
“O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim” (vers. 14). Tanto o verbo “abandonar” como o verbo “esquecer” situam-nos no âmbito da aliança: são utilizados na literatura profética para definir o quadro da infidelidade de Israel em relação a Deus (cf. Jr 22,9; Os 2,15; 8,14; 13,6; Is 17,10; Jr 2,32; 13,25…). Sugerem, portanto, que Jahwéh abandonou a aliança e repudiou a sua esposa (Israel). A ideia que está por detrás deste versículo parece ser a seguinte: já que Israel abandonou Jahwéh e enveredou por caminhos de pecado e de injustiça, Deus repudiou o seu Povo e rompeu definitivamente a aliança. Isto será verdade? É desta forma que as coisas se passam? O amor de Deus segue a lógica do “olho por olho, dente por dente”?
Ao lamento de Sião, Deus responde de forma dramática: pode uma mãe abandonar a criança que amamenta e a quem ama ternamente? (vers. 15).
Para definir o amor da mãe pelo filho, o profeta utiliza o verbo “raham” (“amar ternamente”). Ele expressa o apego quase instintivo de um ser a outro, um amor que vem das “entranhas” (“rehem”: “entranhas”), um amor especial e gratuito que nenhuma vicissitude pode destruir e que é feito de ternura, de misericórdia, de compaixão, de fidelidade, de eternidade. Este amor encontra, de facto, a sua expressão mais feliz no amor que a mãe tem pelo seu filho, pois da unidade que liga a mãe ao filho, brota uma particular ligação com ele, um amor especial que é total, absoluto, único, avassalador, gratuito e não fruto de qualquer merecimento.
A pergunta é, portanto, retórica: é evidente que uma mãe que ama o filho não o pode esquecer… No entanto, mesmo que por hipótese absurda isso acontecesse, Deus não esqueceria o seu Povo e a sua cidade. A conclusão é óbvia: Deus ama o seu Povo, ainda mais do que uma mãe ama o seu filho. Como o amor da mãe, também o amor de Deus é ternura, misericórdia, compreensão, bondade, amor inquebrantável e eterno, apego instintivo e gratuito; mas o amor de Deus por Israel é tudo isso em grau infinito.
O amor total, inquebrantável, eterno, que Deus tem pelo seu Povo traduz-se, concretamente, na aliança. Não têm, portanto, qualquer razão de ser os lamentos da cidade/Povo: a aliança não acabou nem acabará, pois Jahwéh não cessou nem cessará nunca de amar o seu Povo.
 
ATUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir das seguintes pistas:
• A um Povo que vive numa situação dramática de frustração, de desorientação, de total incerteza em relação ao futuro, que olha à volta e não vê Deus presente na sua caminhada, que começa a duvidar do amor e da fidelidade de Deus, o profeta diz: “não desanimeis: apesar da aparente ausência, Deus ama-vos ainda mais do que uma mãe ama o filho; por isso, Ele continua comprometido convosco, continua a percorrer convosco esse caminho histórico que, dia a dia, vos leva ao encontro da vida plena”. É uma mensagem eterna, consoladora e repousante… Num mundo em que as referências se alteram rapidamente, em que o futuro é incerto e a humanidade não sabe exatamente para onde caminha, em que o terrorismo, a guerra, as ameaças ambientais, o totalitarismo dos bens materiais ameaçam o frágil equilíbrio da humanidade, somos convidados a descobrir o amor materno de Deus, a sua solicitude nunca desmentida, a sua presença protetora. Temos medo de quê, se Deus é a mãe que nos ama de forma absoluta, que vigia o berço onde nós dormimos, que vela e nos serena com a sua presença e a sua solicitude maternal?
• A fotografia de Deus que o profeta nos apresenta convida-nos a descobrir um Deus que não é interesseiro, chantagista, negociante… O nosso Deus é um Deus que nos ama, gratuitamente, de forma absoluta e eterna – como uma mãe ama o filho, mesmo quando ele é rebelde. Qual é, na verdade, o Deus em quem acreditamos?

• O amor de Deus não é condicional e não espera nada em troca. É este amor desinteressado que procuramos testemunhar, ou os nossos gestos de bondade, de amizade, de misericórdia são um negócio em que esperamos ganhar?
 
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 61 (62)
Refrão: Só em Deus descansa, ó minha alma.
Só em Deus descansa a minha alma,
d’Ele me vem a salvação.
Ele é meu refúgio e salvação,
minha fortaleza: jamais serei abalado.
Minha alma, só em Deus descansa:
d’Ele vem a minha esperança.
Ele é meu refúgio e salvação,
minha fortaleza: jamais serei abalado.
Em Deus está a minha salvação e a minha glória,
o meu abrigo, o meu refúgio está em Deus.
Povo de Deus, em todo o tempo ponde n’Ele a vossa confiança,
desafogai em sua presença os vossos corações.
 
LEITURA II – 1 Cor 4, 1-5
O texto que nos é proposto como segunda leitura é a parte final da argumentação de Paulo sobre a questão das divisões na comunidade de Corinto (cf. 1 Cor 1,10-4,21). Os coríntios transportaram para a comunidade cristã os esquemas das escolas filosóficas gregas, elegeram os seus mestres preferidos (seduzidos pelo brilho do discurso e pela elegância das palavras), dividiram-se em grupos, cada um deles com o seu guia e o seu mentor… Dessa forma, a fé cristã corria o risco de se transformar numa aposta em pessoas, em linguagens, em filosofias, em lugar de se tornar uma adesão a uma proposta de salvação apresentada por Jesus. Diante disto, Paulo sente que tem de dar um “murro na mesa”, pois é a essência da experiência cristã que está a ser adulterada.
Paulo não utiliza meias palavras: os mensageiros do Evangelho são apenas “servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (vers. 1). Eles não são os protagonistas da mensagem; são, apenas, os veículos de que Deus se serve, a fim de que a sua Boa Nova chegue aos homens. A missão destes veículos da Palavra não é colocar-se no centro do palco e atrair sobre si próprios a atenção das multidões; mas é levar os homens a aderir ao Evangelho e a acolher a proposta de salvação que, em Jesus, Deus lhes faz.
De resto, os mensageiros da Palavra não devem estar preocupados com a forma como as pessoas os vêem, mas devem apenas preocupar-se em transmitir, com fidelidade, a proposta de Deus (vers. 2).
Por sua parte, Paulo está de consciência tranquila. Ele nunca usou o Evangelho para servir interesses próprios ou para promover a sua pessoa. Não lhe interessa se os coríntios acharam ou não brilhantes as suas palavras. Ele apenas procurou anunciar o Evangelho com integridade, com verdade e sem adoçar a mensagem. A este respeito, os coríntios podem julgá-lo da forma que entenderem; a Paulo só interessa o juízo de Deus.
 
ATUALIZAÇÃO
Para a reflexão, considerar os seguintes dados:
• A reflexão de Paulo convida-nos, em primeiro lugar, a tomar consciência daquilo que é essencial na nossa fé: a proposta de salvação/libertação que, em Jesus, Deus oferece aos homens. É isso e apenas isso que deve atrair o nosso olhar e encher o nosso coração. Não convém perder isto de vista: o cristianismo não é a adesão a uma determinada filosofia ou estilo de vida, nem a aceitação de uma moda que agora está “in” mas a qualquer momento pode ficar “out”; mas é o abrir o coração à oferta de salvação que, em Jesus, Deus nos faz.
• Portanto, não interessam muito os “invólucros”, através dos quais a proposta de salvação de Deus nos chega: se o padre é simpático ou não, se o seu discurso é cativante ou não, se temos razões de queixa contra ele ou não, se ele tem muitos defeitos ou muitas virtudes… O essencial é a mensagem; os mensageiros são apenas veículos mais ou menos imperfeitos dessa mensagem eterna.
• Os veículos da mensagem – sejam eles padres ou leigos – devem ter consciência de que não estão a anunciar-se a si próprios… Por isso, devem evitar atrair sobre si as luzes da ribalta; devem apresentar a proposta salvadora de Deus com fidelidade e coerência – sem adoçar as palavras e sem procurar fazer jogos de “charme”; devem assumir-se como discretos e fiéis “servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus”.
• Paulo refere o seu desinteresse em relação ao julgamento dos homens; só lhe interessa o julgamento de Deus. Estas palavras, no entanto, não podem servir para justificar comportamentos arbitrários ou prepotentes por parte dos animadores das comunidades cristãs (“faço o que me apetece e não tenho de dar satisfações a ninguém”…). Devem ser entendidas no contexto em que se apresentam: Paulo está, apenas, a dizer que não lhe interessam os juízos dos homens acerca do seu jeito para brilhar com as palavras; só lhe interessa ser fiel à missão que Deus lhe confiou.
ALELUIA – Heb 4, 12
Aleluia. Aleluia.
A palavra de Deus é viva e eficaz, conhece os pensamentos e intenções do coração.
 
EVANGELHO – Mt 6, 24-34
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24“Ninguém pode servir a dois senhores; pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
25Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso?
28E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29Porém, eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?
31Portanto, não vos preocupeis, dizendo: ‘O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? 32Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso.
33Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.
34Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas”.
 
Estamos, ainda, no contexto do “sermão da montanha” (cf. Mt 5-7). Jesus continua aqui a apresentar a “nova Lei” (como, no Antigo Testamento, Deus apresentou ao seu Povo, na montanha do Sinai a antiga Lei) que deve guiar a comunidade cristã na sua caminhada histórica.
O Evangelho que hoje nos é proposto começa com um “dito” de Jesus (vers. 24) que, em rigor, faz parte da secção anterior (cf. Mt 6,19-24: é aí que aparecem os “ditos” ou “sentenças” de Jesus que advertem os discípulos para o uso das riquezas). Depois, na sequência, Mateus apresenta uma “instrução” (vers. 25-34), na qual se procura definir (a partir das lições das “sentenças” anteriores) a atitude vital e o caminho do cristão.
O “dito” do vers. 24 afirma a incompatibilidade entre o amor a Deus e o amor aos bens materiais (o termo utilizado por Mateus – “mamonas” – personifica o dinheiro como um poder que domina o mundo). Qual a razão dessa incompatibilidade?
Em primeiro lugar, Deus deve ser o centro à volta do qual o homem constrói a sua existência, o valor supremo do homem… Mas, sempre que a lógica do “ter” domina o coração, o dinheiro ocupa o lugar de Deus e passa a ser o ídolo a quem o homem tudo sacrifica. O verdadeiro Deus passa, então, a ocupar um lugar perfeitamente secundário na vida do homem; e o dinheiro – ídolo exigente, ciumento, exclusivo, que não deixa espaço para qualquer outro valor – é promovido à categoria de motor da história e de referência fundamental para o homem.
Em segundo lugar, o amor do dinheiro fecha totalmente o coração do homem num egoísmo estéril e não deixa qualquer espaço para o amor aos irmãos. O homem deixa de ter lugar, na sua vida, para aqueles que o rodeiam; e, por amor do dinheiro, torna-se injusto, prepotente, corrupto, explorador, autossuficiente…
Na “instrução” (vers. 25-34) que se segue aos “ditos” sobre a riqueza, Mateus procura responder às seguintes questões: como deve ser ordenada a hierarquia de valores dos discípulos de Jesus? Os membros da comunidade cristã não se devem preocupar minimamente com as suas necessidades básicas?
Para os discípulos de Jesus, o “Reino” deve ser o valor mais importante, a principal prioridade, a preocupação mais séria, aquilo que dia a dia “faz correr” o homem e que domina todo o seu horizonte (“procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”).
E as preocupações mais “primárias” da vida do homem: a comida, a bebida, a roupa, a segurança? São valores secundários, que não devem sobrepor-se ao “Reino”. De resto, não precisamos de viver obcecados com essas coisas, pois o próprio Deus Se encarregará de suprir as necessidades materiais dos seus filhos (“tudo o mais vos será dado por acréscimo” – ver. 33). Aliás, quem aceita o desafio do “Reino” descobre rapidamente que Deus é esse Pai bondoso que preside à história humana, que cuida dos seus filhos, que vela por eles com amor, que conhece as suas necessidades: se Deus, cada dia, veste de cores os lírios do campo e alimenta quotidianamente as aves do céu, não fará o mesmo – ou até mais – pelos homens?
O crente que escolheu o “Reino” passa, então, a viver nessa serena tranquilidade que resulta da confiança absoluta no Deus que não falha.
A proposta de Jesus será um convite a viver na alegre despreocupação, na inconsciência, na passividade, no comodismo, na indiferença? Não. As palavras de Jesus são um convite a pôr em primeiro lugar as coisas verdadeiramente importantes (o “Reino”), a relativizar as coisas secundárias (as preocupações exclusivamente materiais) e, acima de tudo, a confiar totalmente na bondade e na solicitude paternal de Deus. De resto, viver na dinâmica do “Reino” não é cruzar os braços à espera que Deus faça chover do céu aquilo de que necessitamos; mas é viver comprometido, trabalhando todos os dias, a fim de que o sonho de Deus – o mundo novo da justiça, da verdade e da paz – se concretize.
 
ATUALIZAÇÃO

A atualização da Palavra pode fazer-se a partir das seguintes linhas de reflexão:
• A primeira grande questão que, neste texto, Jesus nos coloca é a questão das nossas prioridades. Dia a dia somos bombardeados com um conjunto de propostas mais ou menos aliciantes, que nos oferecem a chave da felicidade e da vida plena: o dinheiro, o êxito profissional, a progressão na carreira, a beleza física, os aplausos das multidões, o poder… E estes ou outros valores semelhantes – servidos por técnicas de publicidade enganosa – tornam-se o “objetivo final” na vida de tantos dos nossos contemporâneos. No entanto, Jesus garante-nos que a vida plena não está aqui e que, se estes valores se tornam a nossa prioridade fundamental, a nossa vida terá sido um tremendo equívoco. Para Jesus, é no “Reino” – isto é, na aposta incondicional em Deus e no acolhimento do seu projeto de salvação/libertação – que está o segredo da nossa realização plena. Quais são as minhas prioridades? Em que é que eu tenho apostado incondicionalmente a minha vida?
• As propostas equívocas de felicidade criam, muitas vezes, desorientação e confusão. Ao encherem o coração do homem de ídolos com pés de barro, afastam o homem de Deus e deixam-no perdido e sem referências, só diante de um mundo hostil – como criança perdida, indefesa, impotente. Jesus lembra-nos, porém, que Deus é um Pai cheio de solicitude e de amor, permanentemente atento às necessidades dos filhos (Ele até veste os lírios do campo e alimenta as aves do céu…). Ele convida-nos a colocar a nossa confiança e a nossa esperança nesse Pai que nos ama e a enfrentar o dia a dia com essa serena confiança que nos vem da certeza de que Deus é nosso Pai, conhece as nossas dores e necessidades e nos pega ao colo nos momentos mais dramáticos da nossa caminhada.
• A referência à incompatibilidade entre Deus e o dinheiro convida-nos a uma particular reflexão neste campo… O dinheiro é, hoje, o verdadeiro centro do poder no mundo. Ele compra consciências, poder, bem-estar, projeção social, reconhecimento e até compra amor. Por ele mata-se, calcam-se aos pés os valores mais fundamentais, renuncia-se à própria dignidade, envenena-se o ambiente (que interessa o buraco do ozono, a poluição dos rios, o desaparecimento das florestas, se isso fizer mais ricos os donos do mundo…), escravizam-se os irmãos. Quando a lógica do “ter mais” entra no coração do homem e o domina, o homem torna-se escravo e, por sua vez, leva a escravidão aos outros homens. Torna-se injusto, prepotente e explorador, passa indiferente ao lado dos irmãos que vivem abaixo do limiar da dignidade humana, deixa de ter tempo para gastar com aqueles que ama (o amor do dinheiro sobrepõe-se a todos os outros amores), relega Deus para a lista dos valores secundários, acha o “Reino” proposto por Jesus “uma absurda quimera”. Como nos situamos face a isto? Se tivermos que optar (não em termos teóricos, mas nas situações concretas da vida) entre o dinheiro e os valores do “Reino”, qual é que escolhemos?