segunda-feira, 9 de setembro de 2024

23ª Semana do Tempo Comum - Quais são as nossas reais intenções?

 Lucas 6, 6-11: Levántate y quédate de pie delante de todos – Boosco.org

Primeira Leitura (1Cor 5,1-8)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

Irmãos, 1 é voz geral que está acontecendo, entre vós, um caso de imoralidade; e de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer: um dentre vós está convivendo com a própria madrasta. 2 No entanto, estais inchados de orgulho, ao invés de vestirdes luto, a fim de que fosse tirado do meio de vós aquele que assim procede? 3 Pois bem, embora ausente de corpo, mas presente em espírito, eu julguei, como se estivesse aí entre vós, esse tal que tem procedido assim: 4 Em nome do Senhor Jesus - estando vós e eu espiritualmente reunidos com o poder do Senhor nosso, Jesus - 5 entregamos tal homem a Satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor. 6 Vós vos gloriais sem razão! Acaso ignorais que um pouco de fermento leveda a massa toda? 7 Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma massa nova, já que deveis ser sem fermento. Pois o nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado. 8 Assim, celebremos a festa, não com velho fermento, nem com fermento de maldade ou de perversidade, mas com os pães ázimos de pureza e de verdade.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

Responsório Sl 5,5-6.7.12 (R. 9a)

— Na vossa justiça guiai-me Senhor!

— Na vossa justiça guiai-me Senhor!

— Não sois um Deus a quem agrade a iniquidade, não pode o mau morar convosco; nem os ímpios poderão permanecer perante os vossos olhos.

— Detestais o que pratica a iniquidade e destruís o mentiroso. Ó Senhor, abominais o sanguinário, o perverso e enganador.

— Mas exulte de alegria todo aquele que em vós se refugia; sob a vossa proteção se regozijem, os que amam vosso nome! 

Evangelho (Lc 6,6-11)

— Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— Minhas ovelhas escutam minha voz e eu as conheço e elas me seguem.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas

— Glória a vós, Senhor.

Aconteceu num dia de sábado 6 que Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. 7 Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para verem se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. 8 Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: "Levanta-te, e fica aqui no meio". Ele se levantou, e ficou de pé. 9 Disse-lhes Jesus: "Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?" 10 Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: "Estende a tua mão." O homem assim o fez e sua mão ficou curada. 11 Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Reflexão

É dia de sábado. Está Jesus na sinagoga, rodeado de judeus. Entre eles, há um de mão seca. Eis o cenário que todos veem; mas há algo que só Jesus pode enxergar: o segredo dos corações. Com efeito, ali também estavam os mestres da Lei, e o Senhor bem lhes conhecia a maldade, porque eles o observavam, para ver se, curando em dia de sábado aquele irmão doente, teriam motivo para o acusar de impiedade e desobediência. Jesus, porém, conhecendo esses pensamentos maliciosos, não tem medo de os enfrentar e, devolvendo a saúde à mão do homem, demonstrar a todos, de hoje e de então, que a caridade está acima até mesmo do preceito sabático. Não porque este não tenha importância, mas porque a sua finalidade, ao contrário do que pensavam os fariseus, não era uma inação absoluta, mas dispor o homem, mediante o culto divino, para a superabundância do amor a Deus e ao próximo. Apesar da boa obra que veem Jesus realizar, os doutores e mestres da Lei “ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Ele”. Essa atitude, por sua vez, mostra que nem sempre, quando pensamos estar cumprindo os Mandamentos de Deus e da Igreja, temos uma intenção totalmente reta. Os fariseus que aqui vemos, por exemplo, observavam os rituais da sua religião com uma fidelidade mais do que literal, e no entanto o coração e os pensamentos deles estavam longe de Deus. Também isso pode suceder conosco, quando a prática da nossa santa religião, de início até bem intencionada, se vai transformando pouco a pouco num culto a nós mesmos, onde Jesus só parece ter espaço como certo “adereço” piedoso, e não como centro ao qual convergem todos os nossos afetos e ações. Façamos, pois, um sincero exame de consciência e vejamos se, na nossa vida cristã, o que nos tem movido é o desejo de nos unirmos a Cristo, despojando-nos do que somos para sermos todos dele, ou a pretensão, oculta e silenciada, de cultuarmos a nossa própria imagem, fazendo Deus servir aos nossos caprichos. Deixemos que Cristo nos revele a nossa miséria e vergonha: “Levanta-te, e fica aqui no meio”, porque é só assim, com franqueza e humildade, que poderemos começar a dar-lhe o culto que Ele merece.

 

https://padrepauloricardo.org 

domingo, 11 de agosto de 2024

19º Domingo do Tempo Comum - Os dois efeitos do Pão da Vida em nós.

 Fé, início do novo Povo de Deus

Lembrai-vos, Senhor, da vossa aliança e nunca esqueçais a vida dos vossos pobres. Levantai-vos, Senhor, e julgai vossa causa, e não fecheis o ouvido ao clamor dos que vos procuram (Sl 73,20.19.22s).

Reunimo-nos em torno de Jesus, pão descido do céu. Sempre solidário conosco, ele se revela como pão indispensável para a manutenção do que é essencial em nossa vida cristã. A Eucaristia tem a força de formar em nós um coração de filhos e filhas dispostos a viver no amor. Celebremos em comunhão com os vocacionados à vida em família, em especial com os pais.

Primeira Leitura: 1 Reis 19,4-8

A Palavra de Deus nos alimenta e sustenta na caminhada cotidiana, ajudando-nos a fazer desaparecer a maldade do nosso meio e tornando-nos imitadores de Cristo, pão da vida. Ouçamos com atenção.

Leitura do primeiro livro dos Reis – Naqueles dias, 4Elias entrou deserto adentro e caminhou o dia todo. Sentou-se finalmente debaixo de um junípero e pediu para si a morte, dizendo: “Agora basta, Senhor! Tira a minha vida, pois não sou melhor que meus pais”. 5E, deitando-se no chão, adormeceu à sombra do junípero. De repente, um anjo tocou-o e disse: “Levanta-te e come!” 6Ele abriu os olhos e viu junto à sua cabeça um pão assado debaixo da cinza e um jarro de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. 7Mas o anjo do Senhor veio pela segunda vez, tocou-o e disse: “Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. 8Elias levantou-se, comeu e bebeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Horeb, o monte de Deus. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 33(34)

Provai e vede quão suave é o Senhor!

1. Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, / seu louvor estará sempre em minha boca. / Minha alma se gloria no Senhor; / que ouçam os humildes e se alegrem! – R.

2. Comigo engrandecei ao Senhor Deus, / exaltemos todos juntos o seu nome! / Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu / e de todos os temores me livrou. – R.

3. Contemplai a sua face e alegrai-vos, / e vosso rosto não se cubra de vergonha! / Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido, / e o Senhor o libertou de toda angústia. – R.

4. O anjo do Senhor vem acampar / ao redor dos que o temem e os salva. / Provai e vede quão suave é o Senhor! / Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! – R.

Segunda Leitura: Efésios 4,30-5,2

Leitura da carta de São Paulo aos Efésios – Irmãos, 30não contristeis o Espírito Santo, com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação. 31Toda amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda espécie de maldade. 32Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo. 5,1Sede imitadores de Deus, como filhos que ele ama. 2Vivei no amor, como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor. – Palavra do Senhor.

Evangelho: João 6,41-51

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou o pão vivo, descido do céu; / quem deste pão come sempre há de viver. / Eu sou o pão vivo, descido do céu, / amém, aleluia, aleluia! (Jo 6,51) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 41os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. 42Eles comentavam: “Não é este Jesus o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?” 43Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. – Palavra da salvação.

Reflexão

No Evangelho de hoje, Jesus declara que Ele é o Pão vivo que desceu do Céu e aquele que dele comer, terá a vida eterna. 

Todas as vezes que a palavra “vida” surge neste Evangelho, utiliza-se o termo grego “zoé”, ou seja, uma vida de uma qualidade superior, que não é biológica, natural, e sim divina. É aqui que compreendemos a ação da graça em nossas vidas. 

Quando Jesus veio a este mundo, Ele nos trouxe a graça que é, ao mesmo tempo, sanante e elevante. Pelo pecado original, aconteceu uma desordem na nossa natureza, que só se torna ordenada assim que Deus, com a sua graça, inspira nossa alma, para que ela possa manter o seu domínio sobre as paixões e sobre o corpo, para que haja a seguinte ordem hierárquica: Deus, alma, vida psíquica e passional, corpo. 

Entretanto, quando tirarmos a graça do controle dessa hierarquia, acontece uma desordem dentro de nós. Por isso, a primeira realidade que Jesus faz quando começamos a crer nele é colocar nossa alma em ordem. Mas, a partir do momento em que as coisas vão sendo organizadas em nosso interior, Ele também nos eleva, dando-nos a chance de participarmos de uma vida divina que não é nossa naturalmente, a vida da Trindade: do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 

Jesus, Deus encarnado que se fez Homem, tem dentro dele essa vida divina por meio de sua Ressurreição. Por isso, quando nos unimos a Ele, vamos nos transformando interiormente, assim como o ferro que, ao ser aquecido no fogo, tem os seus defeitos “sanados” e, depois de certo tempo, parece mais fogo do que ferro. É isso que Deus deseja fazer espiritualmente conosco. 

Cristo não quer somente purificar as impurezas da nossa natureza desordenada. Ele quer também nos elevar, a fim de que sejamos participantes da vida de Deus no Céu. Sabendo disso, devemos mudar nossa maneira de viver, buscando verdadeiramente as coisas do alto, porque existe uma felicidade maior do que aquela que teríamos neste mundo. 

Cristo não deseja apenas que sejamos felizes, ordenados e perfeitos como seres humanos, mas também que nos alegramos com a felicidade divina do Pai, do Filho e do Espírito Santo, participando da vida de Deus a partir da nossa união com o Pão Vivo, Jesus.

Portanto, quando Jesus diz que Ele é o Pão Vivo que desceu do Céu e que Ele nos dará a Vida eterna, Ele está nos prometendo a vida do próprio Deus, uma participação que só é possível através da sua graça.

 

https://padrepauloricardo.org 

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Memória - Santos Joaquim e Ana, pais da Bem-aventurada Virgem Maria.

 Memória de São Joaquim e Sant'Ana, pais de Nossa Senhora

Festejemos São Joaquim e Sant’Ana, pais da Virgem Maria, pois Deus lhes concedeu a bênção de todas as nações.

Alegremo-nos no Senhor, celebrando os pais da Virgem Maria: Joaquim e Ana. Esta memória nos faz recordar as promessas de Deus que se cumprem na vida do seu povo, passando pela história de muitas famílias até consumar-se a vinda do Cristo salvador. Neste dia, recordando os avós de Jesus, rezemos por todos os nossos avós e pessoas idosas.

Primeira Leitura: Eclesiástico 44,1.10-15

Leitura do livro do Eclesiástico 1Vamos fazer o elogio dos homens famosos, nossos antepassados através das gerações. 10Estes são homens de misericórdia; seus gestos de bondade não serão esquecidos. 11Eles permanecem com seus descendentes; seus próprios netos são a sua melhor herança. 12A descendência deles mantém-se fiel às alianças 13e, graças a eles, também os seus filhos. Sua descendência permanece para sempre, e sua glória jamais se apagará. 14Seus corpos serão sepultados na paz, e seu nome dura através das gerações. 15Os povos proclamarão a sua sabedoria, e a assembleia vai celebrar o seu louvor. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 131(132)

O Senhor vai dar-lhe o trono / de seu pai, o rei Davi.

1. O Senhor fez a Davi um juramento, / uma promessa que jamais renegará: / “Um herdeiro que é fruto do teu ventre / colocarei sobre o trono em teu lugar!” – R.

2. Pois o Senhor quis para si Jerusalém / e a desejou para que fosse sua morada: / “Eis o lugar do meu repouso para sempre, / eu fico aqui: este é o lugar que preferi!” – R.

3. “De Davi farei brotar um forte herdeiro, / acenderei ao meu ungido uma lâmpada. / Cobrirei de confusão seus inimigos, / mas sobre ele brilhará minha coroa!” – R.

Evangelho: Mateus 13,16-17

Aleluia, aleluia, aleluia.

Esperavam estes pais a redenção de Israel, / e o Espírito do Senhor estava sobre eles (Lc 2,25). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, desejaram ouvir o que ouvis e não ouviram”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Se estivesse em nosso poder escolher ou fazer nossa própria mãe, acaso não a formaríamos de tal modo que ela fosse, a um tempo, alheia ao defeito que mais nos aborrece  e enriquecida com as qualidades que mais nos enlevam? Pois à honra do filho, diz a Escritura, pertence a honra da mãe (cf. Pr 17, 6), nem há no mundo outra coisa que um homem estime mais do que sua mãe. Ora, Jesus Cristo, que escolheu para si uma Mãe desde a eternidade e no tempo a modelou com as próprias mãos, decerto a fez de tal índole que ela fosse completamente estranha ao pecado, que Ele detesta acima de tudo, e adornadíssima de todo gênero de virtudes, nas quais está o seu único contentamento. Ela foi, portanto, concebida sem pecado original, a única dentre os mortais a ser enriquecida com tamanho privilégio. Com efeito, não convinha que a Mãe do Deus puríssimo, a qual esmagaria a cabeça da serpente, fôra alguma vez escrava do diabo, inimiga de Deus e ré da Geena; mas que, assim como o primeiro Adão saíra de uma terra virgem e pura, ainda não sujeita a maldição alguma, também Cristo, segundo Adão, assumisse a carne da Virgem Mãe, livre de absolutamente toda mancha de pecado.

Ora, acaso não era grande a nobreza da Arca da aliança (cf. Ex 36), feita de paus de acácia incorruptíveis e revestida de ouro puríssimo por dentro e por fora, a fim de guardar as tábuas do Decálogo, a vara de Aarão que desabrochara e um ephi de maná? Com quanto esmero, por conseguinte, não quis o Senhor embelezar aquela Virgem de cujo puríssimo sangue o Deus de toda majestade formaria para si um corpo, em cujo útero moraria por nove meses, de cujos seios se alimentaria e com a qual viveria por trinta anos seguidos? Admiremos pois esta Virgem, fruto abençoado de S. Joaquim e Sant’Ana, a veneremos e amemos intensamente, esforçando-nos por dar a conhecer ao mundo as suas glórias; e a invoquemos com confiança, para que, por sua Imaculada Conceição, ela nos alcance de seu Filho caríssimo a purificação de todos os nossos pecados e nos conserve doravante imunes da menor mancha de pecado [1].

 https://padrepauloricardo.org

Referências

  1. O texto desta homilia é uma tradução levemente adaptada de uma meditação do Pe. Frans de Costere, S.J. (c. 1532-1619), in: A. J. Haehnlein (ed.), Mariologia. Wirceburgi, sumptibus Stahelianis, 1859, pp. 7-8. 

domingo, 23 de junho de 2024

12º Domingo do Tempo Comum - Acaso Deus está dormindo?

 Jesus acalma uma tempestade no mar cartazes para a parede • posters  discípulos, repreensão, Galiléia | myloview.com.br

O Senhor é a força do seu povo, é a fortaleza de salvação do seu Ungido. Salvai vosso povo, Senhor, abençoai vossa herança e governai-a pelos séculos (Sl 27,8s).

Em meio aos sofrimentos e às contrariedades da vida, que chegam como ondas perigosas, necessitamos da graça do Senhor, a fim de não sermos tragados e submersos pelo medo e pela falta de fé. Invoquemos a Jesus, nosso Mestre, nesta liturgia, para que venha em nosso socorro com a força do seu amor.

Primeira Leitura: Jó 38,1.8-11

Diante dos frequentes perigos que nos ameaçam, a Palavra de Deus nos anima e nos garante a presença do Senhor. Nele perdemos o medo e somos novas criaturas.

Leitura do livro de Jó 1O Senhor respondeu a Jó, do meio da tempestade, e disse: 8“Quem fechou o mar com portas quando ele jorrou com ímpeto do seio materno, 9quando eu lhe dava nuvens por vestes e névoas espessas por faixas; 10quando marquei seus limites e coloquei portas e trancas, 11e disse: ‘Até aqui chegarás, e não além; aqui cessa a arrogância de tuas ondas’?” – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 106(107)

Dai graças ao Senhor porque ele é bom, / porque eterna é a sua misericórdia!

1. Os que sulcam o alto-mar com seus navios, / para ir comerciar nas grandes águas, / testemunharam os prodígios do Senhor / e as suas maravilhas no alto-mar. – R.

2. Ele ordenou, e levantou-se o furacão, / arremessando grandes ondas para o alto; / aos céus subiam e desciam aos abismos, / seus corações desfaleciam de pavor. – R.

3. Mas gritaram ao Senhor na aflição, / e ele os libertou daquela angústia. / Transformou a tempestade em bonança, / e as ondas do oceano se calaram. – R.

4. Alegraram-se ao ver o mar tranquilo, / e ao porto desejado os conduziu. / Agradeçam ao Senhor por seu amor / e por suas maravilhas entre os homens! – R.

Segunda Leitura: 2 Coríntios 5,14-17

Leitura da segunda carta de São Paulo aos Coríntios – Irmãos, 14o amor de Cristo nos pressiona, pois julgamos que um só morreu por todos e que, logo, todos morreram. 15De fato, Cristo morreu por todos, para que os vivos não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16Assim, doravante, não conhecemos ninguém conforme a natureza humana. E, se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim. 17Portanto, se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Marcos 4,35-41

Aleluia, aleluia, aleluia.

Um grande profeta surgiu, / surgiu e entre nós se mostrou; / é Deus que seu povo visita, / seu povo meu Deus visitou (Lc 7,16). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – 35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!” 36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava, na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” 39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” 41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?” – Palavra da salvação.

Reflexão
A Liturgia de hoje nos propõe à meditação o Evangelho da tempestade acalmada. Jesus dorme tranquilamente na barca de Pedro, símbolo da Igreja, que, chacoalhada de um lado a outro pelas ondas do Mar da Galileia, parece estar a ponto de ir a pique. Diante de uma Igreja em crise, cujos átrios parecem encher-se d’água, fazemos eco à pergunta dos Apóstolos: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” É fácil ver como nesse Evangelho está presente a história do Corpo de Cristo ao longo dos séculos: seus problemas, suas crises, seus dilemas e a aparente “inatividade” de Jesus. O difícil é perceber quais são as conclusões que daí se podem tirar. Por que o Senhor parece às vezes estar adormecido, esquecido de sua Esposa, desatento às necessidades dela, como nos mostram tantos períodos dramáticos em que o pecado e a dissolução chegaram até mesmo ao trono de Pedro? E no entanto é justamente nestes momentos de dor, de fracasso, derrota, que Deus quer fazer surgir o triunfo e manifestar o poder de sua graça. O Cristo que desperta do sono e se levanta para acalmar a tempestade é o Jesus ressuscitado que, levantando-se do túmulo, vem acalmar a tempestade da nossa falta de fé. Ele, o guarda de Israel, não dorme nem cochila, senão que se demora, ainda que entrementes tenhamos de sofrer, para introduzir-nos ao fim numa vida nova. Peçamos a Maria SS., Mãe da Igreja, que nos dê grande confiança no poder, na presença e no cuidado constante que seu Filho não deixa nunca de nos dispensar.


https://padrepauloricardo.org

terça-feira, 18 de junho de 2024

11ª Semana do Tempo Comum - Amar quem não nos ama.

 Evangelho do Dia: Amar aos inimigos (Mt 5, 43-48) – Oratório São Luiz – 120  Anos

Escutai, Senhor, a voz do meu apelo. Sede meu amparo; não me rejeiteis nem me abandoneis, ó Deus, meu salvador (Sl 26,7.9).

Reunidos para celebrar a Eucaristia – banquete de gratuidade e amor sem medidas -, somos iluminados pelo agir de Deus e convidados a verificar se estamos amando verdadeiramente. O Evangelho nos anima a ir além da bondade para quem é bom conosco, sendo bons também com quem desgosta de nós. Acolhamos a proposta da liturgia para demonstrarmos, dia a dia, a força do amor divino, que vence as barreiras do ódio, da vingança e da discórdia.

Primeira Leitura: 1 Reis 21,17-29

Leitura do primeiro livro dos Reis – Após a morte de Nabot, 17a palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos: 18“Levanta-te e desce ao encontro de Acab, rei de Israel, que reina em Samaria. Ele está na vinha de Nabot, aonde desceu para dela tomar posse. 19Isto lhe dirás: ‘Assim fala o Senhor: Tu mataste e ainda por cima roubas!’ E acrescentarás: ‘Assim fala o Senhor: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o teu'”. 20Acab disse a Elias: ”Afinal, encontraste-me, ó meu inimigo?” Elias respondeu: “Sim, eu te encontrei. Porque te vendeste para fazer o que desagrada ao Senhor, 21farei cair sobre ti a desgraça: varrerei a tua descendência, exterminando todos os homens da casa de Acab, escravos ou livres, em Israel. 22Farei com a tua família como fiz com as famílias de Jeroboão, filho de Nabat, e de Baasa, filho de Aías, porque provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar. 23Também a respeito de Jezabel o Senhor pronunciou uma sentença: ‘Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezrael. 24Os da família de Acab que morrerem na cidade serão devorados pelos cães, e os que morrerem no campo serão comidos pelas aves do céu'”. 25Não houve ninguém que se tenha vendido como Acab para fazer o que desagrada ao Senhor, porque a isso o incitava sua mulher Jezabel. 26Portou-se de modo abominável, seguindo os ídolos dos amorreus que o Senhor tinha expulsado diante dos filhos de Israel. 27Quando Acab ouviu essas palavras, rasgou as vestes, pôs um cilício sobre a pele e jejuou. Dormia envolto num pano de penitência e andava abatido. 28Então a palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos: 29“Viste como Acab se humilhou diante de mim? Já que ele assim procedeu, não o castigarei durante a sua vida, mas nos dias de seu filho enviarei a desgraça sobre a sua família”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 50(51)

Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!

1. Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! / Na imensidão de vosso amor, purificai-me! / Lavai-me todo inteiro do pecado / e apagai completamente a minha culpa! – R.

2. Eu reconheço toda a minha iniquidade, / o meu pecado está sempre à minha frente. / Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei / e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! – R.

3. Desviai o vosso olhar dos meus pecados / e apagai todas as minhas transgressões! / Da morte como pena, libertai-me, / e minha língua exaltará vossa justiça! – R.

Evangelho: Mateus 5,43-48

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu vos dou novo preceito: / que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado (Jo 13,34). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. – Palavra da salvação.

Reflexão

"Amai os vossos inimigos". Esse mandamento do Senhor, decerto um dos mais exigentes do Evangelho, contém tanto um preceito, obrigatório para todos nós, quanto um conselho, a ser seguido pelos que, com ânimo heroico, almejam participar das perfeições do Pai celestial (cf. Mt 5, 48). Por ordem divina, temos de amar afetivamente aos nossos inimigos, ou seja, com aquele amor geral devido aos nossos semelhantes e que nos leva a manifestar-lhes, com sinceridade e discrição, sinais de respeito, atenção e cortesia. Estamos, por igual motivo, obrigados a orar pelos que nos desejam mal, segundo aquilo: "Rezai por aqueles que vos perseguem"; com efeito, excluí-los deliberadamente de nossas preces comuns e ordinárias seria um grave pecado contra a caridade. Além de desejar-lhe a salvação eterna, temos também o sério dever de socorrer a quem nos odeia sempre que tal pessoa se encontrar em estado de necessidade, quer física quer espiritual: não nos é lícito negar-lhe comida, esmola, conselho etc. nem, como é óbvio, privá-la de seus legítimos direitos. Afora esses casos, não temos o dever de lhes dar mostras de especial amizade.

Os que aspiram à santidade, no entanto, sentem-se impelidos a ir ainda mais longe. "Que recompensa tereis", interroga-nos Jesus, "se amais somente aqueles que vos amam? Que fazeis de extraordinário?" Auxiliando-nos com a sua graça, o Senhor nos convida também a amar nossos inimigos com aquela ardentíssima caridade de quem ama tanto a Deus e a tudo quanto lhe diz respeito que, esquecido dos ódios alheios, sente-se atraído com especial predileção por aqueles que o caluniam, perseguem e maltratam (cf. A. Royo Marín, Teología de la Perfección Cristiana, n. 363). Peçamos hoje ao Senhor que nos inspire desejos mais ardentes de perfeição e, com a sua ajuda, nos dê força para vivermos esse heroísmo que, embora não seja obrigatório, nos fará mais e mais semelhantes ao Pai. Ele, que nos amou quando éramos ainda pecadores e infensos à sua bondade (cf. Rm 5, 8), "faz chover sobre justos e injustos", cumula de bens indizíveis mesmo os que repudiam o seu paternal carinho e entrega todos os dias sobre os nossos alteres o maior dom que pode haver: seu próprio Filho Unigênito.

 

https://padrepauloricardo.org