segunda-feira, 25 de setembro de 2023

25ª Semana do Tempo Comum - Como lâmpadas num candelabro.

 


Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre.

Admirável e necessário é o empenho da comunidade em preparar um digno espaço para Deus e o culto divino. O aspecto exterior pode favorecer a participação plena dos que aí se reúnem para manter acesa a luz da fé, a qual somos chamados a manifestar a todos.

Primeira Leitura: Esdras 1,1-6

Início do livro de Esdras – 1No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor moveu o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: 2“Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. 3Quem, dentre vós todos, pertence ao seu povo? Que o Senhor, seu Deus, esteja com ele, e que se ponha a caminho e suba a Jerusalém, e construa o templo do Senhor, Deus de Israel, o Deus que está em Jerusalém. 4E a todos os sobreviventes, onde quer que residam, as pessoas do lugar proporcionem prata, ouro, bens e animais, além de donativos espontâneos para o templo de Deus, que está em Jerusalém”. 5Então se levantaram os chefes de família de Judá e de Benjamim, os sacerdotes e os levitas, todos aqueles que se sentiram inspirados por Deus para ir edificar o templo do Senhor, que está em Jerusalém. 6E todos os seus vizinhos lhes trouxeram toda espécie de ajuda em prata, ouro, bens, animais e objetos preciosos, sem falar em todas as doações espontâneas. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 125(126)

Maravilhas fez conosco o Senhor!

1. Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, / parecíamos sonhar; / encheu-se de sorriso nossa boca, / nossos lábios, de canções. – R.

2. Entre os gentios se dizia: / “Maravilhas fez com eles o Senhor!” / Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, / exultemos de alegria! – R.

3. Mudai a nossa sorte, ó Senhor, / como torrentes no deserto. / Os que lançam as sementes entre lágrimas / ceifarão com alegria. – R.

4. Chorando de tristeza, sairão, / espalhando suas sementes; / cantando de alegria, voltarão, / carregando os seus feixes! – R.

Evangelho: Lucas 8,16-18

Aleluia, aleluia, aleluia.

Vós sois a luz do mundo; / brilhe a todos vossa luz. / Vendo eles vossas obras, / deem glória ao Pai celeste! (Mt 5,16) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 16“Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz. 17Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto; e tudo o que está em segredo deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto. 18Portanto, prestai atenção à maneira como vós ouvis! Pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. – Palavra da salvação.

Reflexão
"Prestai atenção à maneira como vós ouvis", adverte-nos o Senhor no Evangelho desta segunda-feira. Dando remate à parábola do semeador, Jesus conclui hoje o seu pensamento e se dirige de modo bastante específico a nós que, regenerados pelo lavacro do Batismo, nos dizemos seus discípulos. Com efeito, uma vez ouvida e recebida a Palavra de Deus, temos de fazê-la frutificar, "pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais"; precisamos recebê-la com um coração aberto à verdade, que vem quase sempre desmanchar nossas fantasias e trazer-nos à realidade. Não podemos, pois, tê-lo à maneira de um solo seco e estéril, onde a semente da Palavra cai, mas não dá fruto; onde até germina, mas é sufocada pelo sol de nossas preocupações. Os frutos da Boa-Nova de Jesus têm de manifestar-se em nossa vida concreta, dia após dia, como um lâmpada acesa num candelabro, a fim de que todos, vendo-a brilhar, glorifiquem o nosso Pai, que está nos céus. Os cristãos devemos ser luz do mundo, e não luzimos; devemos ser sal da terra, mas não salgamos. Prestemos, portanto, atenção à maneira com que ouvimos e vivemos o Evangelho no qual acreditamos. Obedientes às palavras do Salvador e cumprindo, com o auxílio de sua graça, os mandamentos da Lei, enxuguemos hoje, aniversário de sua aparição em La Salette, as lágrimas maternais de Nossa Senhora.

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domingo, 24 de setembro de 2023

25º Domingo do Tempo Comum - A inveja da graça fraterna.

 


Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação, eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre.

Nesta liturgia buscamos o Senhor, que é bom e misericordioso e sempre está perto dos que o invocam. Dispostos a acolher o convite para sermos trabalhadores da sua vinha, reunimo-nos para receber seus dons e experimentar o amor que ele dedica igualmente a todos. Celebremos com alegria o dia da Bíblia, a Palavra que nos orienta para que façamos de Cristo o sentido maior de nossa vida.

Primeira Leitura: Isaías 55,6-9

Leitura do livro do profeta Isaías – 6Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto. 7Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão. 8Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor. 9Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos quanto está o céu acima da terra. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 144(145)

O Senhor está perto da pessoa que o invoca!

1. Todos os dias haverei de bendizer-vos, / hei de louvar o vosso nome para sempre. / Grande é o Senhor e muito digno de louvores, / e ninguém pode medir sua grandeza. – R.

2. Misericórdia e piedade é o Senhor, / ele é amor, é paciência, é compaixão. / O Senhor é muito bom para com todos, / sua ternura abraça toda criatura. – R.

3. É justo o Senhor em seus caminhos, / é santo em toda obra que ele faz. / Ele está perto da pessoa que o invoca, / de todo aquele que o invoca lealmente. – R.

Segunda Leitura: Filipenses 1,20-24.27

Leitura da carta de São Paulo aos Filipenses – Irmãos, 20Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte. 21Pois, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. 22Entretanto, se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que escolher. 23Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo – o que para mim seria de longe o melhor -, 24mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo. 27Só uma coisa importa: vivei à altura do Evangelho de Cristo. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Mateus 20,1-16

Aleluia, aleluia, aleluia.

Vinde abrir o nosso coração, Senhor; / ó Senhor, abri o nosso coração, / e então do vosso Filho a palavra / poderemos acolher com muito amor! (At 16,14) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: 1“O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia e os mandou para a vinha. 3Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça desocupados 4e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. 5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde e fez a mesma coisa. 6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’ 7Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. 8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!’ 9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro e pensavam que iam receber mais. Porém cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’. 13Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’ 16Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”. – Palavra da salvação.

Reflexão
A parábola narrada pelo Evangelho de hoje, em que o patrão concede, tanto aos que trabalharam desde o começo do dia quanto aos que chegaram mais tarde, a mesma recompensa, oferece uma oportunidade para refletirmos sobre um dos seis pecados do Espírito Santo, de acordo com a tradição da Igreja e o ensinamento de Santo Tomás de Aquino: a inveja da graça fraterna (cf. S. Th., II-II, q. 14, a. 2). Trata-se este pecado de uma reação negativa ao bem alheio: a prosperidade do próximo, ao invés de trazer alegria e satisfação, provoca no coração invejoso tristeza e amargura. Tal lógica genuinamente diabólica só ganha espaço, no entanto, em quem deixa de levar em conta o grande edifício espiritual de que todos fazemos parte enquanto membros do único Corpo Místico de Cristo. Dentro dessa comunhão que toca o Céu e a terra, na verdade, as pessoas deixam de ser indivíduos separados uns dos outros e a bênção concedida a um sempre redunda em benefício do próximo. As graças que os santos e santas de Deus recebem são ocasião de ganho para todas as partes que compõem a Igreja, mesmo as mais humildes e miseráveis, pelo que a inveja não passa de uma grande cegueira espiritual. Diante do trabalhador que recebeu a mesma recompensa do Céu, ainda que tendo alcançado essa graça ao anoitecer de sua vida, é necessário que nos alegremos, portanto, com a infinita misericórdia de Deus, que não quer absolutamente que ninguém se perca, mas deseja "que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2, 4).

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sábado, 23 de setembro de 2023

São Pio de Pietrelcina, presbítero - Memória - Que espécie de solo é você?

 


Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com inteligência e sabedoria (Jr 3,15).

Pio nasceu na Itália em 1887 e lá faleceu em 1968. Herdeiro espiritual de São Francisco de Assis, foi o primeiro presbítero a ter impressos no corpo os estigmas da crucificação. Empenhou-se pela evangelização e aliviou o sofrimento de muitas famílias, construindo o hospital denominado Casa Alívio do Sofrimento. Celebrando sua memória em torno da mesa da Palavra e da Eucaristia, peçamos ao Senhor a cura das enfermidades do nosso povo.

Primeira Leitura: 1 Timóteo 6,13-16

Leitura da primeira carta de São Paulo a Timóteo – Caríssimo, 13diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: 14guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até a manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. 15Essa manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 99(100)

Com canto apresentai-vos diante do Senhor!

1. Aclamai o Senhor, ó terra inteira,  servi ao Senhor com alegria, / ide a ele, cantando jubilosos! – R.

2. Sabei que o Senhor, só ele, é Deus.  Ele mesmo nos fez, e somos seus, / nós somos seu povo e seu rebanho. – R.

3. Entrai por suas portas dando graças,  e em seus átrios com hinos de louvor; / dai-lhe graças, seu nome bendizei! – R.

4. Sim, é bom o Senhor e nosso Deus,  sua bondade perdura para sempre, / seu amor é fiel eternamente! – R.

Evangelho: Lucas 8,4-15

Aleluia, aleluia, aleluia.

Felizes os que observam a Palavra do Senhor de reto coração / e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 4reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola: 5“O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. 7Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos e a sufocaram. 8Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um”. Dizendo isso, Jesus exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. 9Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola. 10Jesus respondeu: “A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas, aos outros, só por meio de parábolas, para que, olhando, não vejam e, ouvindo, não compreendam. 11A parábola quer dizer o seguinte: a semente é a Palavra de Deus. 12Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas depois vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. 13Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam, mas, na hora da tentação, voltam atrás. 14Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo, são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida e não chegam a amadurecer. 15E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra e dão fruto na perseverança”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Jesus contou frequentemente, por parábolas, histórias sobre os acontecimentos do dia-a-dia que ele usava para ilustrar verdades espirituais. Uma das mais importantes destas parábolas é a que Lucas nos apresenta no dia de hoje. Esta história fala de um fazendeiro que lançou sementes em vários lugares com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo. A importância desta parábola é salientada por Jesus em Marcos 4,13: Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas? Jesus está dizendo que esta parábola é fundamental para o entendimento das outras. Esta é uma das três únicas parábolas registradas em mais do que dois evangelhos, e também é uma das únicas que Jesus explicou especificamente. Precisamos meditar cuidadosamente nesta história.

O trabalho do semeador é colocar a semente no solo. Uma vez que a semente for deixada no celeiro, nunca produzirá uma safra, por isso seu trabalho é importante. Mas a identidade pessoal do semeador não é. O semeador nunca é chamado pelo nome nesta história. Nada nos é dito sobre sua aparência, sua capacidade, sua personalidade ou suas realizações. Ele simplesmente põe a semente em contato com o solo. A colheita depende da combinação do solo com a semente.

Aplicando-se espiritualmente, os seguidores de Cristo devem estar ensinando a palavra. Quanto mais ela é plantada nos corações dos homens, maior será a colheita. Mas a identidade pessoal dele não tem importância. Porque ele o faz em nome de Jesus! Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coIsa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento (1 Coríntios 3:6-7). Em nossos dias, o semeador tornou-se a figura principal e a semente é bastante esquecida. A propaganda das campanhas religiosas frequentemente contém uma grande fotografia do orador e dá grande ênfase ao seu nível escolar, sua capacidade pessoal e o desenvolvimento de sua carreira; o Evangelho de Cristo que ele se supõe estar pregando é mencionado apenas naquelas letrinhas, lá no canto. Não devemos exaltar os homens, mas sim, completamente ao Senhor!

A semente é a Palavra de Deus. Cada conversão é o resultado do assentamento do Evangelho dentro de um coração puro. A palavra gera, salva, regenera, liberta, produz fé, santifica e nos atrai a Deus. Como o Evangelho se espalhava no primeiro século, foi-nos dito muito pouco sobre os homens que o divulgaram, porém, muito nos foi dito sobre a mensagem que eles disseminaram. A importância das Escrituras deve ser ressaltada ao máximo.

Isto significa que o professor tem que ensinar a palavra. Não há substitutos permitidos. Frequentemente, pessoas raciocinam que haveria uma colheita maior se alguma outra coisa fosse plantada. Então, igrejas começam a experimentar outros meios, de modo a conseguir mais adeptos. Não é nosso trabalho analisar o solo e decidir plantar alguma outra coisa, esperando receber melhores resultados. A colheita do Evangelho pode ser pequena, mas Deus só nos deu permissão para plantar a palavra. Somente plantando a Palavra de Deus nos corações dos homens o Senhor receberá o fruto que Ele espera. Ou, usando uma figura diferente: as Escrituras são a “isca” de Deus para atrair o peixe que Ele quer salvar. Precisamos aprender a ficar satisfeitos com seu plano.

Aqui há uma lição para o ouvinte também. O fruto produzido depende da resposta à Palavra. É decididamente importante ler, estudar e meditar sobre as Escrituras. A Palavra tem que vir habitar em nós, para ser implantada em nosso coração. Temos que permitir que nossas ações, nossas palavras e nossas próprias vidas sejam formadas e moldadas pela Palavra de Deus.

Uma safra sempre depende da natureza da semente, não do tipo da pessoa que a plantou. Um pássaro pode plantar uma castanha: a árvore que nascer será um castanheiro, e não um pássaro. Isto significa que não é necessário tentar traçar uma linhagem ininterrupta de fiéis cristãos, recuando até o primeiro século. Há força e autoridade próprias da Palavra para produzir cristãos como aqueles do tempo dos apóstolos. A Palavra de Deus contém força vivificante. O que é necessário são homens e mulheres que permitam que a Palavra cresça e produza frutos em suas vidas; pessoas com coragem para quebrar as tradições e os padrões religiosos em volta deles, para simplesmente seguir o ensinamento da Palavra de Deus. Hoje em dia, a Palavra de Deus tem sido frequentemente misturada com tanta tradição, doutrina e opinião que é quase irreconhecível. Mas, se pusermos de lado todas as inovações dos homens e permitirmos que a Palavra trabalhe, podemos tornar-nos fiéis discípulos de Cristo justamente como aqueles que seguiram Jesus há quase 2000 anos atrás. A continuidade depende da semente.

É perturbador notar que a mesma semente foi plantada em cada tipo de solo, mas os resultados foram muito diferentes. A mesma Palavra de Deus pode ser plantada em nossos dias; mas os resultados serão determinados pelo coração daquele que ouve.

Alguns de nós somos solos de beira de estrada, duro, impermeável. Eles não têm uma mente aberta e receptiva para permitir que a Palavra de Deus os transforme. O Evangelho nunca transformará corações como estes porque eles não lhe permitem entrar.

As raízes das plantas, no solo pedregoso, nunca se aprofundam. Durante os tempos fáceis, os brotos podem parecer interessantes, mas abaixo da superfície do terreno, as raízes não estão se desenvolvendo. Como resultado, se vem uma pequena temporada seca ou um vento forte, a planta murcha e morre. Os cristãos precisam desenvolver suas raízes por meio da fé em Cristo e do estudo da Palavra cada vez mais profundo. Tempos difíceis virão, e somente aqueles que tiverem desenvolvido suas raízes abaixo da superfície sobreviverão.

Quando se permite que ervas daninhas cresçam junto com a semente pura, nenhum fruto pode ser produzido. As ervas disputam a água, a luz solar e os nutrientes e, como resultado, sufocam a boa planta. Existe uma grande tentação a permitir que interesses mundanos dominem tanto nossa vida que não nos resta energia para devotar ao crescimento do Evangelho em nossas vidas.

Então, há o bom solo que produz fruto. A conclusão desta parábola é deixada para cada um responder a esta pergunta. Que espécie de solo você é? Esta parábola, por um lado, revela a força divina da Palavra de Deus, e, por outro, convida os que a escutam a oferecerem à sementeira dela a terra de um bom coração.


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sexta-feira, 22 de setembro de 2023

24ª Semana do Tempo Comum - O que são os pecados capitais?


 Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: dai a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros (Eclo 36,18).

É falso evangelizador quem busca fama e dinheiro e provoca discórdia. O evangelizador verdadeiro “procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão”. Somos convidados à constante comunhão com Cristo e com os irmãos e irmãs na missão de anunciar a Boa-nova do Reino.

Primeira Leitura: 1 Timóteo 6,2-12

Leitura da primeira carta de São Paulo a Timóteo – Caríssimo, 2ensina e recomenda estas coisas. 3Quem ensina doutrinas estranhas e discorda das palavras salutares de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina conforme à piedade 4é um obcecado pelo orgulho, um ignorante que morbidamente se compraz em questões e discussões de palavras. Daí é que nascem invejas, contendas, insultos, suspeitas, 5porfias de homens com mente corrompida e privados da verdade, que fazem da piedade assunto de lucro. 6Sem dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, mas quando acompanhada do espírito de desprendimento. 7Porque nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada poderemos levar. 8Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos. 9Os que desejam enriquecer caem em tentação e armadilhas, em muitos desejos loucos e perniciosos que afundam os homens na perdição e na ruína, 10porque a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro. Por se terem deixado levar por ela, muitos se extraviaram da fé e se atormentam a si mesmos com muitos sofrimentos. 11Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. 12Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 48(49)

Felizes os humildes de espírito, / porque deles é o Reino dos Céus.

1. Por que temer os dias maus e infelizes, / quando a malícia dos perversos me circunda? / Por que temer os que confiam nas riquezas / e se gloriam na abundância de seus bens? – R.

2. Ninguém se livra de sua morte por dinheiro / nem a Deus pode pagar o seu resgate. / A isenção da própria morte não tem preço; / não há riqueza que a possa adquirir, / nem dar ao homem uma vida sem limites / e garantir-lhe uma existência imortal. – R.

3. Não te inquietes quando um homem fica rico / e aumenta a opulência de sua casa; / pois, ao morrer, não levará nada consigo, / nem seu prestígio poderá acompanhá-lo. – R.

4. Felicitava-se a si mesmo enquanto vivo: / “Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida!” / Mas vai-se ele para junto de seus pais, / que nunca mais e nunca mais verão a luz! – R.

Evangelho: Lucas 8,1-3

Aleluia, aleluia, aleluia.

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, / pois revelaste os mistérios do teu Reino / aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 1Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; 2e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam. – Palavra da salvação.

Reflexão
O Evangelho de hoje nos fala das piedosas mulheres que, curadas de maus espíritos e doenças, seguiam Jesus e, entre elas, menciona uma em especial: Maria, chamada Madalena, da qual expulsara o Senhor sete demônios. Ora, nestes sete espíritos malignos viu a tradição da Igreja uma referência aos chamados pecados capitais, cujos nomes toda a gente, católica ou não, sabe de cor: vanglória, inveja, avareza, ira, luxúria, gula e preguiça. Mas o que são, afinal, esses pecados? Pois bem, chamam-se capitais aqueles pecados dos quais brotam, como de sua raiz, e dependem, como de sua cabeça (caput, em latim), todos os outros pecados. Apesar de consagrada pelo uso, a palavra pecado não é, porém, a mais adequada para os designar, porque não se trata aqui de pecados propriamente ditos, mas antes de tendências ou propensões desordenadas, que, embora não constituam em si mesmas um pecado, nos induzem a ele e, pela repetição dos atos correspondentes, podem transformar-se em verdadeiros vícios. Os pecados capitais, nesse sentido, são como doenças espirituais que, em virtude do pecado original, nos afetam a todos em maior ou menor medida. Alguns, por exemplo, têm mais forte inclinação aos pecados de impureza, outros sentem maior atração pelos brilhos fingidos da avareza, alguns cedem com facilidade aos ímpetos da ira, outros ainda somente com muito esforço resistem às delícias da mesa etc. etc. Essas tendências, que todos trazemos marcadas em nossa carne, podem também ser estimuladas pelo mundo, com seus falsos atrativos e suas promessas de felicidade, e pelos demônios, que, com a penetração de sua inteligência angélica, bem conhecem os pendores desordenados que cada fiel tem para este ou aquele pecado. E, como o fizera a Maria Madalena, também a nós o Senhor quer curar destes maus espíritos: se bem é certo que, enquanto caminhamos neste mundo, teremos de lutar até o fim contra as solicitações da carne, do mundo e do demônio, temos a firme esperança de que chegaremos um dia, ajudados pela graça, à vitória definitiva e, coroados por Cristo, reinaremos com Ele, livres de uma vez para sempre de todo desejo impuro, de toda aspiração vaidosa, de toda rixa e inimizade.

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quinta-feira, 21 de setembro de 2023

São Mateus, Apóstolo e Evangelista - Festa - Cristo veio resgatar o pecador do pecado.

 

Ide e de todas as nações fazei discípulos, diz o Senhor, batizando-os e ensinando-os a observar todos os mandamentos que vos dei (Mt 28,19s).

Cobrador de impostos, Mateus respondeu imediatamente ao chamado de Jesus. Seu nome consta nas quatro passagens que trazem o elenco dos apóstolos. A ele é atribuída a autoria de um dos quatro Evangelhos, endereçado à comunidade judaico-cristã. Seu exemplo nos anime a dedicar-nos com entusiasmo à expansão do Reino de Deus.

Primeira Leitura: Efésios 4,1-7.11-13

Leitura da carta de São Paulo aos Efésios – Irmãos, 1eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: 2com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. 3Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. 4Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. 5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, 6um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos. 7Cada um de nós recebeu a graça na medida em que Cristo lha deu. 11E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. 12Assim, ele capacitou os santos para o ministério, para edificar o corpo de Cristo, 13até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 18(19A)

Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.

1. Os céus proclamam a glória do Senhor, / e o firmamento, a obra de suas mãos; / o dia ao dia transmite essa mensagem, / a noite à noite publica essa notícia. – R.

2. Não são discursos nem frases ou palavras, / nem são vozes que possam ser ouvidas; / seu som ressoa e se espalha em toda a terra, / chega aos confins do universo a sua voz. – R.

Evangelho: Mateus 9,9-13

Aleluia, aleluia, aleluia.

A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos; / vos louva, ó Senhor, o coro dos apóstolos. – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 9Jesus viu um homem, chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” 12Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”. – Palavra da salvação.

Reflexão
O Evangelho de hoje nos apresenta a vocação de S. Mateus. Lembremo-nos, antes de mais, do contexto em que este episódio está inserido. Segundo o Evangelho escrito pelo mesmo Mateus, Jesus deu início ao seu ministério público com o Sermão da Montanha, compreendido nos capítulo 5, 6 e 7. Em seguida, antes da escolha e do envio oficial dos doze Apóstolos, há uma espécie de intermezzo em que o Senhor realiza algumas curas e milagres, além de chamar para o seguirem de mais perto algumas pessoas em especial, e é precisamente nesta altura da vida de Cristo que nos encontramos hoje. Uma dessas vocações, pois, é a de Levi, a quem Jesus vai buscar no lugar mais inesperado: na própria coletoria em que o futuro Apóstolo praticava, dia após dia, a sua corrupção. Jesus não o vai buscar no Templo, não o vai buscar em casa; não o encontra inquieto por causa de seus pecados nem, muito menos, preocupado pelo destino de sua alma. Com a ousadia da graça, Cristo o vai buscar na escuridão, para dali o tirar e pô-lo sob a luz de uma vida nova: “Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus”. Porque a graça de Deus não conhece obstáculo de lugares ou condições; ela age nas circunstâncias que os nossos cálculos humanos, tão “pastorais” e, ao mesmo tempo, tão pouco misericordiosos, julgariam as mais inconvenientes e inapropriadas. Assim sucedeu com Levi, a quem Jesus foi resgatar “sentado na coletoria de impostos”, não para o deixar ali, metido nos seus negócios fraudulentos, mas para o arrancar de uma vez para sempre do pecado: “E disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus” sem nunca mais olhar para trás. Que seja assim a nossa conversão, decidida e corajosa, e que assim seja o nosso apostolado. Não tenhamos receios de “incomodar” quem ainda vive no pecado, pois não há maior misericórdia do que conduzir à vida da graça a quem vive apenas em aparência, por já estar morto interiormente: “E disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu a Jesus”.

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