sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

4ª Semana do Advento - A graça quer-se fazer glória.

 Elisabete fica grávida — BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia

Primeira Leitura: Malaquias 3,1-4.23-24

Leitura da profecia de Malaquias – Assim fala o Senhor Deus: 1“Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2e quem poderá fazer-lhe frente no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos. 23Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia do Senhor, dia grande e terrível; 24o coração dos pais há de voltar-se para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais, para que eu não intervenha, ferindo de maldição a vossa terra”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 24(25)

Levantai vossa cabeça e olhai, / pois a vossa redenção se aproxima!

1. Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos / e fazei-me conhecer a vossa estrada! / Vossa verdade me oriente e me conduza, / porque sois o Deus da minha salvação! – R.

2. O Senhor é piedade e retidão / e reconduz ao bom caminho os pecadores. / Ele dirige os humildes na justiça, / e aos pobres ele ensina o seu caminho. – R.

3. Verdade e amor são os caminhos do Senhor / para quem guarda sua aliança e seus preceitos. / O Senhor se torna íntimo aos que o temem / e lhes dá a conhecer sua aliança. – R.

Evangelho: Lucas 1,57-66

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ó Rei e Senhor das nações e pedra angular da Igreja, / vinde salvar a mulher e o homem, que, um dia, formastes do barro. – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel e alegraram-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João”. 61Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” 62Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: “João é o seu nome”. 64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou e ele começou a louvar a Deus. 65Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. 66E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. – Palavra da salvação.

Reflexão
 
 

O Evangelho de hoje, dia em que cantamos a antífona Ó Emanuel, nos fala do nascimento do Batista e do modo milagroso como lhe foi dado o nome de João. Zacarias, por não ter acreditado nas palavras do anjo, passara toda a gestação de Isabel sem poder dizer uma palavra (cf. Lc 1, 20), ao que parece ter-se somado também uma surdez temporária. Mas eis que sua esposa, embora nada soubesse da profecia de Gabriel (cf. Lc 1, 19), decide dar ao menino exatamente o mesmo nome que fora revelado ao pai: “Tua mulher dar-te-á um filho, e chama-lo-ás João” (cf. Lc 1, 13), dissera o Arcanjo, e Isabel, movida pelo Espírito Santo, acaba por cumprir esse desígnio divino: “Ele vai chamar-se João”. Quando da circuncisão do filho, também Zacarias, explicando-se por sinais, dá testemunho desta grande misericórdia que o Senhor demonstrara à sua casa: ele “pediu uma tabuinha e escreveu: ‘João é o seu nome’”. Podemos imaginar o grande espanto que tomou os vizinhos e parentes, que não esperavam por aquela coincidência de pareceres, ainda mais extraordinária pela ausência de outros familiares com aquele nome na casa de Zacarias. “Que será este menino?”, perguntavam-se todos em seus corações.

Mas o verdadeiro prodígio não está tanto nestes acontecimentos inexplicáveis e espantosos quanto no caráter profético e, por assim dizer, autodescritivo do nome do Batista: João (יוחנן, Yochanan, em hebraico) significa “Deus é graça” ou “Deus é gracioso”. Além de ter recebido a graça antes de nascer, João foi uma graça tanto para os seus pais idosos, Zacarias e Isabel, como, sobretudo, para todo o povo de Israel: “Tu, menino” — canta o pai, enaltecido — “serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho, para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados” (Lc 1, 76-77). João, com efeito, é graça do alto, porque o Senhor o escolhera para aplainar as veredas do Messias: noutras palavras, ele é a graça que Deus quis conceder ao mundo para a chegada da grande e verdadeira Graça, Nosso Senhor Jesus Cristo. É o que nos diz o Apóstolo S. João, no prólogo do seu evangelho: “Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1, 6-9).

Por isso, o nome do Batista, mais do que falar de si, fala daquele que foi a razão não só de sua vida, mas de toda a sua existência: João nasceu por Cristo e para Cristo, para anunciar a Cristo e levar os outros a Cristo, e então desaparecer, qual uma voz que se vai fazendo cada vez mais distante, para que fique a substância, o que importa, que é Jesus, Nosso Senhor. Só neste recebemos graça sobre graça, porque só nele somos chamados a viver a felicidade que Deus nos tem reservada no céu. Jesus é, pois, a nossa grande Graça, o nosso grande presente de Natal, porque só Ele tem a nos dar o dom da graça santificante, pela qual somos elevados acima da nossa natureza e capacitados — não por nós mesmos, mas por Ele, que tudo obra em nós — para um dia, na glória eterna, contemplarmos a Deus tal como Ele é em si mesmo: “A vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste” (Jo 17, 3). Que saibamos neste Natal acolher o dom que Deus faz de si mesmo, deste Deus que é gracioso, por dar-se todo a nós e dar-nos tudo aquilo de que precisamos para um dia o possuirmos plenamente, sem fastio nem insegurança.

 

https://padrepauloricardo.org

4ª Semana do Advento - A “gestação” de Zacarias.

 

SỐNG TRONG NIỀM VUI - 23/12/2020 Thứ Tư Tuần IV Mùa Vọng (Lc 1,57-66) Ông  Gio-an Tẩy Giả ra đời, xóm làng chia vui (Lc 1,57-58) Mãn nguyệt khai hoa,  tới ngày

Primeira Leitura: Malaquias 3,1-4.23-24

Leitura da profecia de Malaquias – Assim fala o Senhor Deus: 1“Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2e quem poderá fazer-lhe frente no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos. 23Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia do Senhor, dia grande e terrível; 24o coração dos pais há de voltar-se para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais, para que eu não intervenha, ferindo de maldição a vossa terra”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 24(25)

Levantai vossa cabeça e olhai, / pois a vossa redenção se aproxima!

1. Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos / e fazei-me conhecer a vossa estrada! / Vossa verdade me oriente e me conduza, / porque sois o Deus da minha salvação! – R.

2. O Senhor é piedade e retidão / e reconduz ao bom caminho os pecadores. / Ele dirige os humildes na justiça, / e aos pobres ele ensina o seu caminho. – R.

3. Verdade e amor são os caminhos do Senhor / para quem guarda sua aliança e seus preceitos. / O Senhor se torna íntimo aos que o temem / e lhes dá a conhecer sua aliança. – R.

Evangelho: Lucas 1,57-66

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ó Rei e Senhor das nações e pedra angular da Igreja, / vinde salvar a mulher e o homem, que, um dia, formastes do barro. – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel e alegraram-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João”. 61Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” 62Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: “João é o seu nome”. 64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou e ele começou a louvar a Deus. 65Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. 66E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. – Palavra da salvação.

Reflexão

O Evangelho de hoje, dia em que cantamos a antífona Ó Emanuel, nos fala do nascimento do Batista e do modo milagroso como lhe foi dado o nome de João. Zacarias, por não ter acreditado nas palavras do anjo, passara toda a gestação de Isabel sem poder dizer uma palavra (cf. Lc 1, 20), ao que parece ter-se somado também uma surdez temporária. Mas eis que sua esposa, embora nada soubesse da profecia de Gabriel (cf. Lc 1, 19), decide dar ao menino exatamente o mesmo nome que fora revelado ao pai: “Tua mulher dar-te-á um filho, e chama-lo-ás João” (cf. Lc 1, 13), dissera o Arcanjo, e Isabel, movida pelo Espírito Santo, acaba por cumprir esse desígnio divino: “Ele vai chamar-se João”. Quando da circuncisão do filho, também Zacarias, explicando-se por sinais, dá testemunho desta grande misericórdia que o Senhor demonstrara à sua casa: ele “pediu uma tabuinha e escreveu: ‘João é o seu nome’”. Podemos imaginar o grande espanto que tomou os vizinhos e parentes, que não esperavam por aquela coincidência de pareceres, ainda mais extraordinária pela ausência de outros familiares com aquele nome na casa de Zacarias. “Que será este menino?”, perguntavam-se todos em seus corações.

Mas o verdadeiro prodígio não está tanto nestes acontecimentos inexplicáveis e espantosos quanto no caráter profético e, por assim dizer, autodescritivo do nome do Batista: João (יוחנן, Yochanan, em hebraico) significa “Deus é graça” ou “Deus é gracioso”. Além de ter recebido a graça antes de nascer, João foi uma graça tanto para os seus pais idosos, Zacarias e Isabel, como, sobretudo, para todo o povo de Israel: “Tu, menino” — canta o pai, enaltecido — “serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho, para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados” (Lc 1, 76-77). João, com efeito, é graça do alto, porque o Senhor o escolhera para aplainar as veredas do Messias: noutras palavras, ele é a graça que Deus quis conceder ao mundo para a chegada da grande e verdadeira Graça, Nosso Senhor Jesus Cristo. É o que nos diz o Apóstolo S. João, no prólogo do seu evangelho: “Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1, 6-9).

Por isso, o nome do Batista, mais do que falar de si, fala daquele que foi a razão não só de sua vida, mas de toda a sua existência: João nasceu por Cristo e para Cristo, para anunciar a Cristo e levar os outros a Cristo, e então desaparecer, qual uma voz que se vai fazendo cada vez mais distante, para que fique a substância, o que importa, que é Jesus, Nosso Senhor. Só neste recebemos graça sobre graça, porque só nele somos chamados a viver a felicidade que Deus nos tem reservada no céu. Jesus é, pois, a nossa grande Graça, o nosso grande presente de Natal, porque só Ele tem a nos dar o dom da graça santificante, pela qual somos elevados acima da nossa natureza e capacitados — não por nós mesmos, mas por Ele, que tudo obra em nós — para um dia, na glória eterna, contemplarmos a Deus tal como Ele é em si mesmo: “A vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste” (Jo 17, 3). Que saibamos neste Natal acolher o dom que Deus faz de si mesmo, deste Deus que é gracioso, por dar-se todo a nós e dar-nos tudo aquilo de que precisamos para um dia o possuirmos plenamente, sem fastio nem insegurança.

 
https://padrepauloricardo.org

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

4ª Semana do Advento - A “gestação” de Zacarias.

SỐNG TRONG NIỀM VUI - 23/12/2020 Thứ Tư Tuần IV Mùa Vọng (Lc 1,57-66) Ông  Gio-an Tẩy Giả ra đời, xóm làng chia vui (Lc 1,57-58) Mãn nguyệt khai hoa,  tới ngày

Primeira Leitura: Malaquias 3,1-4.23-24

Leitura da profecia de Malaquias – Assim fala o Senhor Deus: 1“Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2e quem poderá fazer-lhe frente no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos. 23Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia do Senhor, dia grande e terrível; 24o coração dos pais há de voltar-se para os filhos, e o coração dos filhos para seus pais, para que eu não intervenha, ferindo de maldição a vossa terra”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 24(25)

Levantai vossa cabeça e olhai, / pois a vossa redenção se aproxima!

1. Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos / e fazei-me conhecer a vossa estrada! / Vossa verdade me oriente e me conduza, / porque sois o Deus da minha salvação! – R.

2. O Senhor é piedade e retidão / e reconduz ao bom caminho os pecadores. / Ele dirige os humildes na justiça, / e aos pobres ele ensina o seu caminho. – R.

3. Verdade e amor são os caminhos do Senhor / para quem guarda sua aliança e seus preceitos. / O Senhor se torna íntimo aos que o temem / e lhes dá a conhecer sua aliança. – R.

Evangelho: Lucas 1,57-66

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ó Rei e Senhor das nações e pedra angular da Igreja, / vinde salvar a mulher e o homem, que, um dia, formastes do barro. – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel e alegraram-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João”. 61Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” 62Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: “João é o seu nome”. 64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou e ele começou a louvar a Deus. 65Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. 66E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. – Palavra da salvação.

Reflexão

O Evangelho de hoje, dia em que cantamos a antífona Ó Emanuel, nos fala do nascimento do Batista e do modo milagroso como lhe foi dado o nome de João. Zacarias, por não ter acreditado nas palavras do anjo, passara toda a gestação de Isabel sem poder dizer uma palavra (cf. Lc 1, 20), ao que parece ter-se somado também uma surdez temporária. Mas eis que sua esposa, embora nada soubesse da profecia de Gabriel (cf. Lc 1, 19), decide dar ao menino exatamente o mesmo nome que fora revelado ao pai: “Tua mulher dar-te-á um filho, e chama-lo-ás João” (cf. Lc 1, 13), dissera o Arcanjo, e Isabel, movida pelo Espírito Santo, acaba por cumprir esse desígnio divino: “Ele vai chamar-se João”. Quando da circuncisão do filho, também Zacarias, explicando-se por sinais, dá testemunho desta grande misericórdia que o Senhor demonstrara à sua casa: ele “pediu uma tabuinha e escreveu: ‘João é o seu nome’”. Podemos imaginar o grande espanto que tomou os vizinhos e parentes, que não esperavam por aquela coincidência de pareceres, ainda mais extraordinária pela ausência de outros familiares com aquele nome na casa de Zacarias. “Que será este menino?”, perguntavam-se todos em seus corações.

Mas o verdadeiro prodígio não está tanto nestes acontecimentos inexplicáveis e espantosos quanto no caráter profético e, por assim dizer, autodescritivo do nome do Batista: João (יוחנן, Yochanan, em hebraico) significa “Deus é graça” ou “Deus é gracioso”. Além de ter recebido a graça antes de nascer, João foi uma graça tanto para os seus pais idosos, Zacarias e Isabel, como, sobretudo, para todo o povo de Israel: “Tu, menino” — canta o pai, enaltecido — “serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho, para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados” (Lc 1, 76-77). João, com efeito, é graça do alto, porque o Senhor o escolhera para aplainar as veredas do Messias: noutras palavras, ele é a graça que Deus quis conceder ao mundo para a chegada da grande e verdadeira Graça, Nosso Senhor Jesus Cristo. É o que nos diz o Apóstolo S. João, no prólogo do seu evangelho: “Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1, 6-9).

Por isso, o nome do Batista, mais do que falar de si, fala daquele que foi a razão não só de sua vida, mas de toda a sua existência: João nasceu por Cristo e para Cristo, para anunciar a Cristo e levar os outros a Cristo, e então desaparecer, qual uma voz que se vai fazendo cada vez mais distante, para que fique a substância, o que importa, que é Jesus, Nosso Senhor. Só neste recebemos graça sobre graça, porque só nele somos chamados a viver a felicidade que Deus nos tem reservada no céu. Jesus é, pois, a nossa grande Graça, o nosso grande presente de Natal, porque só Ele tem a nos dar o dom da graça santificante, pela qual somos elevados acima da nossa natureza e capacitados — não por nós mesmos, mas por Ele, que tudo obra em nós — para um dia, na glória eterna, contemplarmos a Deus tal como Ele é em si mesmo: “A vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste” (Jo 17, 3). Que saibamos neste Natal acolher o dom que Deus faz de si mesmo, deste Deus que é gracioso, por dar-se todo a nós e dar-nos tudo aquilo de que precisamos para um dia o possuirmos plenamente, sem fastio nem insegurança.

 
https://padrepauloricardo.org

4ª Semana do Advento - O cântico de Nossa Senhora.

 O cântico do Coração de Maria

Primeira Leitura: 1 Samuel 1,24-28

Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 24Ana, logo que o desmamou, levou consigo Samuel à casa do Senhor, em Silo, e mais um novilho de três anos, três arrobas de farinha e um odre de vinho. O menino, porém, era ainda uma criança. 25Depois de sacrificarem o novilho, apresentaram o menino a Eli. 26E Ana disse-lhe: “Ouve, meu senhor, por tua vida, eu sou a mulher que esteve aqui orando ao Senhor, na tua presença. 27Eis o menino por quem eu pedi, e o Senhor ouviu a minha súplica. 28Portanto, eu também o ofereço ao Senhor, a fim de que só a ele sirva em todos os dias da sua vida”. E adoraram o Senhor. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 1Sm 2

Meu coração exultou no meu Senhor, salvador.

1. Exulta no Senhor meu coração, / e se eleva a minha fronte no meu Deus. / Minha boca desafia os meus rivais / porque me alegro com a vossa salvação. – R.

2. O arco dos fortes foi dobrado, foi quebrado, / mas os fracos se vestiram de vigor. / Os saciados se empregaram por um pão, / mas os pobres e os famintos se fartaram. / Muitas vezes deu à luz a que era estéril, / mas a mãe de muitos filhos definhou. – R.

3. É o Senhor quem dá a morte e dá a vida, / faz descer à sepultura e faz voltar; / é o Senhor quem faz o pobre e faz o rico, / é o Senhor quem nos humilha e nos exalta. – R.

4. O Senhor ergue do pó o homem fraco, / e do lixo ele retira o indigente, / para fazê-los assentar-se com os nobres / num lugar de muita honra e distinção. – R.

Evangelho: Lucas 1,46-56

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ó rei e Senhor das nações e pedra angular da Igreja, / vinde salvar a mulher e o homem, que, um dia, formastes do barro. – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. – Palavra da salvação.

Reflexão

Ouvimos hoje dos santos lábios de Nossa Mãe do Céu o belíssimo hino Magnificat, entoado com grande amor e discrição após as profecias de Santa Isabel sobre as quais meditamos na Liturgia de ontem. É curioso notar que, ao menos numa leitura superficial e apressada, este cântico de Maria pode parecer algo "soberbo": afinal, não estaria a Virgem Santíssima sendo um pouco orgulhosa ao dizer que todas as gerações haveriam de a proclamar bem-aventurada? Se bem considerado, todavia, este hino de louvor e agradecimento deixa transparecer a humildade e a simplicidade de um coração todo entregue a Deus. Já suas primeiras palavras, com efeito, demonstram como é Ele o verdadeiro engrandecido: "Minha alma glorifica o Senhor, e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador." A Virgem o enaltece, porque Ele "olhou para sua pobre serva." Fazendo eco, pois, aos júbilos de Ana, mãe de Samuel, a alegria entoada por Maria proclama a todas as gerações que "ninguém é santo como o Senhor" (1Sm 2, 2).

Nossa Senhora nos mostra aqui um perfeito equilíbrio, típico das almas enamoradas de Deus, entre duas virtudes à primeira vista opostas: de um lado, a humildade, pela qual, conscientes de nossas misérias, reconhecemos diante do Senhor a nossa pobreza, a nossa pequenez; de outro, a magnanimidade, que nos leva a aceitar que, embora sejamos um nada, um poço de pecados e indigências, Deus quer realizar em nós a sua obra de salvação e santificação. Não porque mereçamos, mas porque é Ele mesmo, "aquele que é poderoso", quem decide fazer em nós maravilhas. Ele quer gerar em nós o seu Verbo eterno, quer fazer de nós, pobres criaturas, grandes santos, participantes de sua natureza. Ele quer destronar a soberba de nossos corações para fazer reinar ali o seu Filho, a fim de um dia podermos dizer com São Paulo: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20). Humilhemo-nos, pois, para seremos exaltados; que a Virgem Santíssima nos ensine a abraçar a humildade de servos, a fim de sermos elevados à glória de filhos adotivos!

 
https://padrepauloricardo.org

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

4ª Semana do Advento - A profecia de Santa Isabel.

 Visitação: o serviço alegre de Maria -

Primeira Leitura: Cântico 2,8-14

Leitura do livro do Cântico dos Cânticos – 8É a voz do meu amado! Eis que ele vem saltando pelos montes, pulando sobre as colinas. 9O meu amado parece uma gazela ou um cervo ainda novo. Eis que ele está de pé atrás de nossa parede, espiando pelas janelas, observando através das grades. 10O meu amado me fala, dizendo: “Levanta-te, minha amada, minha rola, formosa minha, e vem! 11O inverno já passou, as chuvas pararam e já se foram. 12No campo aparecem as flores, chegou o tempo das canções, a rola já faz ouvir seu canto em nossa terra. 13Da figueira brotam os primeiros frutos, soltam perfume as vinhas em flor. Levanta-te, minha amada, formosa minha, e vem! 14Minha rola, que moras nas fendas da rocha, no esconderijo escarpado, mostra-me teu rosto, deixa-me ouvir tua voz! Pois a tua voz é tão doce, e gracioso o teu semblante”. – Palavra do Senhor.

Leitura opcional: Sofonias 3,14-18.

Salmo Responsorial: 32(33)

Ó justos, alegrai-vos no Senhor! / Cantai para o Senhor um canto novo!

1. Dai graças ao Senhor ao som da harpa, / na lira de dez cordas celebrai-o! / Cantai para o Senhor um canto novo, / com arte sustentai a louvação! – R.

2. Mas os desígnios do Senhor são para sempre, † e os pensamentos que ele traz no coração, / de geração em geração, vão perdurar. / Feliz o povo cujo Deus é o Senhor / e a nação que escolheu por sua herança! – R.

3. No Senhor nós esperamos confiantes, / porque ele é nosso auxílio e proteção! / Por isso o nosso coração se alegra nele, / seu santo nome é nossa única esperança. – R.

Evangelho: Lucas 1,39-45

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ó Emanuel, sois nosso rei e orientador: / vinde salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus! – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. – Palavra da salvação.

Reflexão

No Evangelho de hoje, contemplamos o mistério da visitação da Virgem Santíssima à sua prima Santa Isabel. Estando ainda com poucas semanas de gestação, Maria dirige-se pressurosa e cheia de caridade à região montanhosa — símbolo de recolhimento e oração — em que morava sua querida parenta, grávida em idade já bastante avançada. Levando em si o Filho de Deus, Maria traz à casa de Zacarias o primeiro milagre na ordem da graça com que Cristo daria testemunho de sua divina missão: o derramamento do Espírito Santo sobre São João Batista, o último dos profetas. Com efeito, Isabel, repleta do Amor de Deus, confessa à Mãe do Salvador: "Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre." Foi por meio duma palavra da Virgem Maria — uma intercessão singela, cheia de amor e delicadeza maternal — que a salvação entrou naquela pequenina casa de Judá.

Exultando no Espírito Santo, Isabel passa como que a profetizar pelo filho a quem ainda daria à luz: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!" Ela reconhece, pois, a presença do Messias no ventre puro daquela jovem cuja gravidez nem começara a dar seus primeiros sinais. Daí o espanto diante desta visita inesperada e envolta por tantas e tão maravilhosas bênçãos: "Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?" Movida pelo mesmo Espírito, a Igreja faz suas as palavras de Isabel, reconhecendo em cada Ave-Maria a grande dignidade da Virgem Santíssima, cuja fé generosa fez entrar no mundo o Redentor: "Feliz és tu", ó Mãe querida, "que creste" e, crendo, deu-nos a alegria de proclamar-te bem-aventurada! Felizes somos nós que, tendo a ti como modelo de fé e entrega a Deus, encontramos na tua vida e na tua humildade um caminho seguro ao Filho e, por Ele, ao Pai do Céu!

 

 https://padrepauloricardo.org