segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Papa Francisco reconhece que Igreja está ‘ferida por seu pecado’

 

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Alberto Pizzoli / AFP
(Photo by Alberto PIZZOLI / AFP)
 

No penúltimo dos cinco dias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o líder do Vaticano celebrou uma missa na catedral Santa María La Antigua

O papa admitiu, neste sábado (26), que a Igreja católica está “ferida por seu pecado”, em uma mensagem à comunidade religiosa reunida no Panamá, antes de uma crucial reunião de bispos convocada por Francisco para tratar dos escândalos por abusos sexuais e seu acobertamento.
No penúltimo dos cinco dias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o líder do Vaticano celebrou uma missa na catedral Santa María La Antigua, na qual alertou para um “cansaço da esperança”.
Esse cansaço “nasce ao constatar uma Igreja ferida por seu pecado e que tantas vezes não soube escutar tantos gritos”, declarou o pontífice argentino, de 82 anos.
Francisco fez este chamado no momento em que o Vaticano se prepara para receber uma reunião de bispos que tratará dos abusos sexuais, uma tema que abalou a credibilidade dessa instituição milenar.
O porta-voz da Santa Sé, Alessandro Gisotti, expressou nesta sexta que o papa espera sair deste encontro – que ocorrerá de 21 a 24 de fevereiro no Vaticano – com “medidas concretas” para combater este flagelo.
“Será uma ocasião sem precedentes para enfrentar (…) o problema e encontrar realmente medidas concretas para que, quando os bispos voltem de Roma para suas dioceses, possam enfrentar esta praga, esta praga terrível”, declarou o diretor interino do gabinete de imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti.
Assistiu à missa boa parte da cúpula da Igreja centro-americana, incluindo o influente cardeal hondurenho Óscar Rodríguez Maradiaga, assim como o presidente panamenho, Juan Carlos Varela, e sua mulher.
Ao fim da cerimônia, o papa visitou o Seminário Mayor de San José e almoçou em privado com dez jovens, dois de cada um dos cinco continentes.
Depois da refeição compartilhada com Francisco, Brenda Noriega, uma jovem nascida no México que vive na Califórnia (Estados Unidos), contou em entrevista coletiva que o sumo pontífice descreveu como “um crime terrível” os casos de pedofilia no clero.
– ‘Cansaço paralisante’ –
A visita ao Seminário foi uma oportunidade para tratar da crise vocacional do catolicismo.
Durante a cerimônia eclesiástica mais cedo, Francisco também se referiu a um “cansaço paralisante” que levou a Igreja católica – religião com maior número de fiéis na América Latina – a não saber “como reagir diante da intensidade e da perplexidade das mudanças que estamos atravessando como sociedade”.
A situação colocou “em dúvida, em muitos casos, a própria viabilidade da vida religiosa no mundo de hoje”, reconheceu o pontífice.
De acordo com o Vaticano, havia 414.969 padres católicos no mundo no fim de 2016. Em 2015, eram 415.656 e, em 2014, 415.792. A tendência é parecida entre os seminaristas, com 116.160 em 2016, frente a 116.843 em 2015.
– Vigília com a juventude –
Francisco lidera ainda uma vigília ao ar livre diante de milhares de jovens que foram à JMJ.
Com isso, o papa volta a se reunir com a nova geração – sobretudo de latino-americanos – no Metro Park, um campo de três quilômetros de extensão que se encontra entre a Cidade do Panamá e o aeroporto internacional de Tocumen, onde uma multidão esperava por ele.
No domingo, Francisco conclui sua 26ª viagem ao exterior desde que foi eleito papa, em 2013, com a missa de conclusão da JMJ no Metro Park, rebatizado como Campo São João Paulo II.
Em 1983, João Paulo II passou um dia no Panamá durante uma turnê pela América Central.


(AFP)

domingo, 27 de janeiro de 2019

3° Domingo do Tempo Comum - "O Espírito do senhor está sobre mim"

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1a Leitura - Neemias 8,2-6.8-10
Leitura do livro de Neemias.
8 2 O sacerdote Esdras trouxe a lei diante da assembléia de homens, mulheres e de todas (as crianças) que fossem capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês.
3 Esdras fez então a leitura da lei, na praça que ficava diante da porta da Água, desde a manhã até o meio-dia, na presença dos homens, mulheres e das (crianças) capazes de compreender; todos escutavam atentamente a leitura. 4 O escriba Esdras postou-se num estrado de madeira que haviam construído para a ocasião; a seu lado encontravam-se, à direita, Matatias, Semeías, Anias, Urias, Helcias e Maasias; à esquerda, Fadaías, Misael, Melquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mosolão. 5 Esdras abriu o livro à vista do povo todo; ele estava, com efeito, elevado acima da multidão. Quando o escriba abriu o livro, todo o povo levantou-se. 6 Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus; ao que todo o povo respondeu, levantando as mãos: “Amém! Amém!” Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor com a face por terra. 8 Liam distintamente no livro da lei de Deus, e explicavam o sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. 9 Depois Neemias, o governador, Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo, disseram a toda a multidão:” Este é um dia de festa consagrado ao Senhor, nosso Deus; não haja nem aflição, nem lágrimas”. Porque todos choravam ao ouvir as palavras da lei. 10 Neemias disse-lhes: “Ide para as vossas casas, fazei um bom jantar, tomai bebidas doces, e reparti com aqueles que nada têm pronto; porque este dia é um dia de festa consagrado ao nosso Senhor; não haja tristeza, porque a alegria do Senhor será a vossa força”.
Palavra do Senhor.

Salmo - 18B/19
Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida!

A lei do Senhor Deus é perfeita,
conforto para a alma!
O testemunho do Senhor é fiel,
sabedoria dos humildes.

Os preceitos do Senhor são precisos,
alegria ao coração,
o mandamento do Senhor é brilhante,
para os olhos é uma luz.

É puro o temor do Senhor,
imutável para sempre.
Os julgamentos do Senhor são corretos
e justos igualmente.

Que vos agrade o cantar dos meus lábios
e a voz da minha alma;
que ela chegue até vós, ó Senhor,
meu rochedo e redentor!

2a Leitura - 1 Coríntios 12,12-30
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios.
12 12 Carríssimos! Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo.
13 Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. 14 Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos. 15 “Se o pé dissesse: Eu não sou a mão”; por isso, não sou do corpo, acaso deixaria ele de ser do corpo? 16 E se a orelha dissesse: “Eu não sou o olho”; por isso, não sou do corpo, deixaria ela de ser do corpo? 17 Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? 18 Mas Deus dispôs no corpo cada um dos membros como lhe aprouve. 19 Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20 Há, pois, muitos membros, mas um só corpo. 21 O olho não pode dizer à mão: “Eu não preciso de ti”; nem a cabeça aos pés: “Não necessito de vós”. 22 Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem os mais fracos, são os mais necessários. 23 E os membros do corpo que temos por menos honrosos, a esses cobrimos com mais decoro. Os que em nós são menos decentes, recatamo-los com maior empenho, 24 ao passo que os membros decentes não reclamam tal cuidado. Deus dispôs o corpo de tal modo que deu maior honra aos membros que não a têm, 25 para que não haja dissensões no corpo e que os membros tenham o mesmo cuidado uns para com os outros. 26 Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; e se um membro é tratado com carinho, todos os outros se congratulam por ele. 27 Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros. 28 Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas. 29 São todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? 30 Fazem todos milagres? Têm todos a graça de curar? Falam todos em diversas línguas? Interpretam todos?
Palavra do Senhor.

Evangelho - Lucas 1,1-4;14-21
Aleluia, aleluia, aleluia.
Foi o Senhor quem me mandou boas notícias anunciar; ao pobre, a quem está no cativeiro, libertação eu vou proclamar! (Lc 4,18)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
1 1 Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós,
2 como no-los transmitiram aqueles que foram desde o princípio testemunhas oculares e que se tornaram ministros da palavra. 3 Também a mim me pareceu bem, depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo, 4 para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido. 14 Jesus então, cheio da força do Espírito, voltou para a Galiléia. E a sua fama divulgou-se por toda a região. 15 Ele ensinava nas sinagogas e era aclamado por todos. 16 Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. 17 Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito: 18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, 19 para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor”. 20 E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Ele começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir”.
Palavra da Salvação.


A liturgia deste domingo está consagrada à vida da Igreja. É são Paulo que a identifica como Corpo de Cristo, onde todos estão unidos à cabeça e se amam uns aos outros. É a profecia de Neemias que consagra a importância da Lei na vida da comunidade. E, é, finalmente, Lucas que convida a comunidade cristã a uma missão extraordinária: “Dar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos oprimidos, a alegria aos que sofrem” (Lc. 4,18). Tem-se aprofundado muito o estudo da Igreja para ter dela um conhecimento maior e todos os cristãos nela se sentirem inseridos. O Concílio de Trento falava da sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, “dos batizados, que professam a fé em Jesus Cristo, cumprem os mandamentos e obedecem aos pastores” (são Roberto Belarmino). Os estudos bíblicos do princípio do séc. XX levaram a repensar a Igreja como Corpo místico de Cristo. Esta visão da Igreja centrava-se no 12º capítulo da primeira carta aos Coríntios. Facilmente se compreendeu que, na Igreja, todos os cristãos permanecem unidos à cabeça que é Cristo. Mas, também os cristãos estão unidos uns aos outros pela caridade como membros do mesmo Corpo que é Jesus. Com o Concílio Vaticano II foi-se muito mais longe no estudo da Igreja, reconheceu-se ser ela um mistério que não é possível entender completamente. Dá-se dela, porém, uma imagem extremamente bela. Diz o Concílio que a Igreja é o Povo de Deus, tendo como referência a pessoa de Jesus Cristo, como condição a dignidade e liberdade dos filhos de Deus, como mandamento único o amor, como projeto a felicidade vivida no tempo e na eternidade. Há hoje muitos cristãos que não conhecem a Igreja e que ainda não compreenderam que não podem amar Cristo sem amar a Igreja. É certo que a Igreja é santa e pecadora. Santa no mistério de Cristo de que participa, pecadora na realidade humana dos seus membros. Quanto mais dificuldades a Igreja sentir face ao mundo atual, mais merece dos cristãos um extraordinário amor na comunhão com o Papa, na relação de unidade com o Bispo na diocese e na partilha fraterna e amiga dentro da comunidade cristã a que se pertence. A liturgia deste domingo permite compreender o mistério da Igreja e convida a uma fidelidade e amor total à Igreja de que fazemos parte.
 
 
 
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”

sábado, 26 de janeiro de 2019

Liturgia Diária - A colheita é grande!


 
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1a Leitura - 2 Timóteo 1,1-8
Leitura da segunda carta de são Paulo a Timóteo.
1 1 Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus para anunciar a promessa da vida que está em Jesus Cristo,
2 a Timóteo, filho caríssimo: graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor!
3 Dou graças a Deus, a quem sirvo com pureza de consciência, tal como aprendi de meus pais, e me lembro de ti sem cessar nas minhas orações, de noite e de dia.
4 Quando me vêm ao pensamento as tuas lágrimas, sinto grande desejo de te ver para me encher de alegria.
5 Conservo a lembrança daquela tua fé tão sincera, que foi primeiro a de tua avó Lóide e de tua mãe Eunice e que, não tenho a menor dúvida, habita em ti também.
6 Por esse motivo, eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos.
7 Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria.
8 Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus.
Palavra do Senhor.

Salmo - 95/96
Anunciai entre as nações os grandes feitos do Senhor!

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!
Cantai e bendizei seu santo nome!

Dia após dia anunciai sua salvação,
manifestai a sua glória entre as nações
e, entre os povos do universo, seus prodígios!

Ó família das nações, dai ao Senhor,
nações, dai ao Senhor poder e glória,
dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!

Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”
ele firmou o universo inabalável,
e os povos ele julga com justiça.

Evangelho - Lucas 10,1-9
Aleluia, aleluia, aleluia.
O Espírito do Senhor repousa sobre mim e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho (Lc 4,18).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
10 1 Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir.
2 Disse-lhes: “Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.
3 Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos.
4 Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho.
5 Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa!’
6 Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.
7 Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.
8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.
9 Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘O Reino de Deus está próximo’”.
Palavra da Salvação.

 Reflexão

O Evangelho de hoje nos mostra Jesus escolhendo 72 leigos como eu e você para sair por todos os lugares e anunciar  a palavra da salvação.
Para que possamos anunciar a pessoa de Jesus, que é a pureza em pessoa, é indispensável que estejamos também  puros como Ele, ou seja, é interessante, indispensável que estejamos em ESTADO DE GRAÇA. 
Os apóstolos receberam de Jesus muitos poderes, e os receberam de graça. Por tanto, não podiam cobrar por uma cura, por exemplo.
Do mesmo modo, É UM VERDADEIRO ABSURDO, ALGUÉM COBRAR PARA REZAR POR OUTRAS PESSOAS!
Como o próprio nome está dizendo, a palavra GRAÇA, significa que não temos ou não tivemos de pagar nada por alguma coisa que recebemos. O pai ou a mãe que deu ao filho ou filha um dinheiro para suas necessidades, sem lhe cobrar nenhuma devolução por esse favor, esse referido dinheiro não pode ser usado como empréstimo a juros para outra pessoa. Se você recebeu de graça o  dom da cura, você deve curar sem cobrar nada.
Do mesmo modo a GRAÇA SANTIFICANTE, que se chama ESTADO DE GRAÇA, é fruto da bondade de Deus que nos chamou a viver em sua amizade. Compete a nós dizer SIM, ao seu chamado a conversão, e então desfrutar dessa maravilha que é viver na presença de Deus, isto, é, viver sem pecado grave, viver em estado de graça!...
Deus nos deu tanta coisa de graça, sem nos cobrar nada, que até nos esquecemos. A própria vida, a beleza física, nossos talentos, etc.
Foi por isso que Jesus disse: “De graça recebeste, de graça devereis dar”.  Então os dons que recebemos de Deus, não podem ser usados para explorar o próximo. Exemplo: Você é um homem muito forte. (E esta fortaleza lhe foi dada por Deus).  Então  você não pode sair por aí, esmurrando, chutando e humilhando a torto e a direito, os seus irmãos fisicamente mais  fracos.
Nós até podemos viver da graça recebida para sobreviver, como é o caso dos cantores que receberam de graça o dom da voz bonita. Porém, o que não é certo, é usar desse dom para humilhar, explorar, excluir, a irmã ou o irmão.
Deus permitiu que você nascesse, ou conseguisse ser rico.  Você não pode usar sua fortuna para subjugar, prejudicar, e dominar o seu irmão pobre. Pelo contrário, essa riqueza deve ser usada em benefício dos irmãos. Gerando empregos para muitos, matando a fome dos famintos, e abrigando os sem tetos, por exemplo.
Deus é bondade infinita, e nos deixou muitos recursos para a nossa salvação. O sacramento da confissão, o sacerdote que nos perdoa, e todos os demais sacramentos da Igreja.  Porém, por mais santos que possamos ser, nunca merecemos ser salvos. A nossa salvação acontecerá pela graça, pela bondade de Deus. Isso não significa que devemos ficar acomodados e não buscar a aproximação com a perfeição, mas sim, buscar sempre o certo e evitar o errado, tendo a consciência de que nunca atingiremos a perfeição.
Deus, que vê tudo, observa o nosso esforço, o nosso empenho de fazer o bem e evitar o mal, e nos recompensará no dia do julgamento, no dia do juízo, nos concedendo de GRAÇA, a graça da salvação eterna. Assim esperamos.
Porém,  roguemos ao Pai que nos dê a grande graça de morrermos em estado de graça! Amém!




 José Salviano.

É preciso fazer silêncio na alma

orandohomemNo silêncio, Ele nos escuta, Ele nos fala…
Rezar é muito difícil, quando não se sabe como rezar, mas é preciso que nós nos ajudemos a rezar.
A coisa mais importante é o silêncio. As almas de oração são almas de silêncio profundo. Nunca poderemos pôr-nos diretamente na presença de Deus sem impor-nos um silencio interior e exterior. Por isso é que precisamos acostumar-nos ao silencio do espírito, dos olhos e da língua.

Deus é amigo do silêncio. Nós precisamos encontrar Deus, mas não podemos descobri-lo nem no ruído, nem na agitação. Vejam como a natureza, as árvores, as flores e a erva crescem em profundo silêncio. Vejam como as estrelas, a lua e o sol deslocam-se em silêncio.
Nossa missão não é dar Deus aos pobres das ruas? Não um Deus morto, mas um Deus vivo, um Deus de Amor… Os apóstolos dizem: “Nós vamos consagrar-nos continuamente à oração e ao ministério da palavra”.
Quanto mais recebermos em nossa oração silenciosa, tanto mais poderemos dar em nossa vida ativa. O silêncio nos prenda com um olhar novo para todas as coisas. Nós precisamos deste silêncio a fim de mover as almas. O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus nos diz e o que diz por nosso intermédio.
Jesus sempre nos espera em silêncio. Neste silêncio, escutar-nos-á; ai é que Ele falará às nossas almas. E aí nós ouviremos sua voz; o silêncio interior é muito difícil, mas nós devemos fazer o esforço de orar. Neste silêncio, nós encontraremos uma energia nova e uma unidade real. A energia de Deus se tornará nossa, a fim de bem cumprirmos todas as coisas. Unidade de nossos pensamentos com seus pensamentos, unidade de nossas preces com suas preces, unidade de nossos atos com seus atos, de nossa vida com sua vida…
Todas as nossas palavras serão inúteis, se não provierem do fundo do coração; as palavras que não transmitem a luz de Cristo só aumentam a escuridão…
Esforçai-vos por caminhar na presença de Deus, por ver Deus em todos aqueles que encontrardes, por viver ao correr de todo o dia a vossa meditação matutina. Mormente nas ruas, resplandeça em vós a alegria de pertencer a Deus, de viver com Deus, de serdes d’Ele. Por este motivo, nas ruas, nas favelas e em vosso trabalho, silêncio que Jesus guardou durante trinta anos em Nazaré e ainda guarda constantemente no tabernáculo, a interceder por nós. Rezai como rezou Maria, pois ela conservou tudo em seu coração, pela oração e pela meditação, e continua e fazê-lo sem cessar, já que é a medianeira de todas as graças.
Tão simples é o ensinamento de Cristo que até uma criancinha pode balbucia-lo. Os apóstolos disseram: “Ensina-nos a orar”. E Jesus respondeu: “Quando orardes, dizei: Pai nosso…”.




Retirado do livro: “Trago-vos o Amo”. Madre Teresa de Calcutá.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Liturgia Diária - Ai demim se eu não evangelizar!

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Primeira Leitura (At 22,3-16)
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, Paulo disse ao povo: 3“Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui criado aqui nesta cidade. Como discípulo de Gamaliel, fui instruído em todo o rigor da Lei de nossos antepassados, tornando-me zeloso da causa de Deus, como acontece hoje convosco. 4Persegui até à morte os que seguiam este Caminho, prendendo homens e mulheres e jogando-os na prisão. 5Disso são minhas testemunhas o Sumo Sacerdote e todo o conselho dos anciãos. Eles deram-me cartas de recomendação para os irmãos de Damasco. Fui para lá, a fim de prender todos os que encontrasse e trazê-los para Jerusalém, a fim de serem castigados. 6Ora, aconteceu que, na viagem, estando já perto de Damasco, pelo meio-dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim. 7Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ 8Eu perguntei: ‘Quem és tu, Senhor?’ Ele me respondeu: ‘Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu estás perseguindo’. 9Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que me falava. 10Então perguntei: ‘Que devo fazer, Senhor?’ O Senhor me respondeu: ‘Levanta-te e vai para Damasco. Ali te explicarão tudo o que deves fazer’. 11Como eu não podia enxergar, por causa do brilho daquela luz, cheguei a Damasco guiado pela mão dos meus companheiros. 12Um certo Ananias, homem piedoso e fiel à Lei, com boa reputação junto de todos os judeus que aí moravam, 13veio encontrar-me e disse: ‘Saulo, meu irmão, recupera a vista!’ No mesmo instante, recuperei a vista e pude vê-lo. 14Ele, então, me disse: ‘O Deus de nossos antepassados escolheu-te para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires a sua própria voz. 15Porque tu serás a sua testemunha diante de todos os homens, daquilo que viste e ouviste. 16E agora, o que estás esperando? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o nome dele!’”
— Palavra do Senhor.

Responsório (Sl 116)
— Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
— Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
— Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!
— Pois comprovado é o seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!


Evangelho (Mc 16,15-18)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, 15e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura! 16Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. 17Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Hoje a Igreja celebra a conversão de Paulo apóstolo. Aquele que de perseguidor dos cristãos, passou a ser o pregador  dos ensinamentos de Jesus Cristo.

Com esse fato histórico, podemos perceber que Deus por vezes escolhe aqueles a quem não botamos nenhuma fé. Assim, longe de nós a atitude de nos julgar os santos, os merecedores de todas as graças de Deus, e de julgar aqueles e aquelas que não estão do nosso lado, trabalhando na paróquia, ou mesmo os que nem vão à missa.  E também que não nos espantemos se um dia encontrarmos alguém como Hitler no Céu...

Pois a justiça de Deus não é como a nossa.  Quem diria que Jesus fosse escolher a Paulo, um perseguidor dos cristãos para anunciar o Evangelho?  Mais foi exatamente isso o que aconteceu.  E a escolha de Paulo por Jesus foi algo estarrecedor,  e de grande impacto. Paulo estava indo na estrada de Damasco numa missão de captura de muitos cristãos, quando Jesus lhe interrompeu a viagem e lhe disse: Saulo, por que me persegue?  (O seu nome antes da escolha não era Paulo).

Isso também nos mostra que quando perseguimos algum irmão, é a Jesus que perseguimos. Pense muito bem nisso. Você já perseguiu a Jesus? Você já maltratou, ofendeu, machucou a pessoa de Jesus? Não! É claro que você vai dizer que não!

Pois no Evangelho de hoje, Jesus nos diz que quando fizermos qualquer mal a um irmão, é a Ele que fazemos...

Ai de mim se eu não evangelizar!  Paulo disse isso por que ele tinha plena certeza da sua escolha por Deus para evangelizar  a Boa Nova a quantos conseguisse atingir. Paulo foi um incansável missionário! Sem ele, talvez a Igreja hoje não fosse o que é. Isso afirmam algumas pessoas, ao analisar o gigantesco trabalho de Paulo.

Pedro e Paulo são as duas colunas mestras que sustentam a Igreja, foram eles que espalharam por toda parte o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, iniciando assim, a comunidade Católica ou Universal.

Paulo percorreu mais de 22 mil  quilômetro quase sempre a pé ou de barco.  Escapou de naufrágios pela graça de Deus, numa doação total de si mesmo. E ainda dizia: Ai de mim se eu não evangelizar!

E eu? E você? Estamos evangelizando? Estamos imitando a Paulo? Quantos quilômetros ou metros já percorremos para levar o Evangelho aos nossos irmãos e irmãs sedentos de Deus?

Paulo não se vangloriava do seu trabalho, nunca pregou a si mesmo.  Pelo contrário, ele reconhecia publicamente as suas limitações, os seus pecados.  Falava do espinho da carne. Dizia que ele fazia o mal que não queria...

Ele pregava somente a Jesus Cristo. Abandonou o seu apego às leis para colocar toda a sua certeza em Jesus e em seu amor.

A pessoa de Paulo é um grande desafio para cada um de nós. Não podemos nem devemos nos contentar com o nosso pequeno trabalho nas pastorais da nossa paróquia. Podemos e devemos fazer mais. Muito mais. Pois o poder de Deus está sobre nós.  Basta termos fé. Jesus garantiu que se tivermos fé de verdade, poderemos fazer coisas extraordinárias, como: Expulsar demônios, curar os doentes,  não morreremos se formos picados de serpentes, e outras coisas mais.

 

 

 

 

José Salviano.