terça-feira, 26 de junho de 2018

Liturgia Diária - A porta que leva à vida

Resultado de imagem para Evangelho - Mateus 7,6.12-14
1a Leitura - 2 Reis 19,9-11.14-21.31-36
Leitura do segundo livro dos Reis.
19 9 O rei ouviu dizer de Taraca, rei da Etiópia: Ele acaba de sair para combater contra ti. Senaquerib mandou novamente mensageiros a Ezequias para dizer-lhe:
10 “Isto direis a Ezequias, rei de Judá: ‘Não te deixes enganar pelo Deus no qual puseste a tua confiança, pensando que Jerusalém não será entregue nas mãos do rei da Assíria’.
11 Ouviste contar como os reis da Assíria trataram todos os países, e como os devastaram: só tu, pois, haverias de escapar?”
14 Ezequias tomou a carta das mãos dos mensageiros e leu-a; subiu depois ao templo e abriu-a diante do Senhor,
15 rogando-lhe: “Senhor, Deus de Israel, que estais sentado sobre querubins, só vós sois o Deus de todos os reinos da terra. Vós fizestes os céus e a terra.
16 Inclinai, Senhor, os vossos ouvidos e ouvi! Abri, Senhor, os vossos olhos e vede! Ouvi a mensagem de Senaquerib, que mandou blasfemar o Deus vivo!
17 É verdade, Senhor, que os reis da Assíria destruíram as nações e devastaram os seus territórios,
18 atirando ao fogo os seus deuses, mas isso porque não eram deuses, e sim objetos feitos pelas mãos do homem, objetos de madeira e de pedra: por isso foram destruídos.
19 Mas vós, Senhor, nosso Deus, salvai-nos agora das mãos de Senaquerib, a fim de que todos os povos da terra saibam que vós, o Senhor, sois o único Deus”.
20 Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: “Eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: Ouvi a oração que me fizeste a respeito de Senaquerib, rei da Assíria.
21 Eis o oráculo do Senhor contra ele: ‘A virgem, filha de Sião, despreza-te e zomba de ti. A filha de Jerusalém meneia a cabeça por trás de ti.
31 Pois de Jerusalém surgirá um resto e do monte Sião sobreviventes. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos’.
32 Por isso, eis o oráculo do Senhor ao rei da Assíria: ‘Não entrará nesta cidade nem atirará flechas contra ela, não lhe oporá escudo nem a cercará de trincheiras.
33 Mas voltará pelo caminho por onde veio, sem entrar na cidade - oráculo do Senhor.
34 Protegerei esta cidade para salvá-la, por minha causa e de Davi, meu servo’”.
35 Ora, nessa mesma noite o anjo do Senhor apareceu no campo dos assírios e feriu cento e oitenta e cinco mil homens. No dia seguinte pela manhã só havia cadáveres.
36 Senaquerib, rei da Assíria, retirou-se, tomou o caminho de sua terra e deteve-se em Nínive.
Palavra do Senhor.


Salmo - 47/48
O Senhor estabelece sua cidade para sempre.
Grande é o Senhor e muito digno de louvores
na cidade onde ele mora;
seu monte santo, esta colina encantadora
é a alegria do universo.

Monte Sião, no extremo norte situado,
és a mansão do grande rei!
Deus revelou-se, em suas fortes cidadelas,
um refúgio poderoso.

Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade
em meio ao vosso templo;
com vosso nome vai também vosso louvor
aos confins de toda a terra.

Evangelho - Mateus 7,6.12-14
Aleluia, aleluia, aleluia. Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7 6 “Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem.
12 Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.
13 Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram.
14 Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram”.
Palavra da Salvação.

 Reflexão

A Palavra de Deus é um tesouro e ao mesmo tempo uma arma que Deus coloca a nosso favor, para que possamos enfrentar as diversas situações da nossa vida. Precisamos sempre estar fundamentados nos Seus ensinamentos para vivermos em harmonia com Deus e os irmãos. Algumas pessoas confundem os ensinamentos do Evangelho e vulgarizam a Palavra de Deus de acordo com as suas conveniências. Neste Evangelho Jesus nos ensina a ter coerência nas nossas atitudes para não desperdiçarmos o bem precioso que temos nas mãos. Somos cristãos, carregamos em nós a riqueza do Espírito Santo que nos dá dons preciosos para nossa caminhada, por isso, não devemos nos expor às investidas da mentalidade mundana sem estarmos preparados.  Muitas vezes nós banalizamos as coisas de Deus e perdemos o nosso precioso tempo discutindo e medindo forças com pessoas que não têm conhecimento de Deus e querem nos influenciar e destruir a nossa fé e a nossa esperança nas promessas divinas. Assim fazendo nós estamos dando aos porcos as nossas pérolas.  Precisamos, portanto, aproveitar bem a Palavra que o Senhor colocou à nossa disposição. Quando nós preservamos os ensinamentos do Evangelho nós aprendemos a desejar para o outro aquilo que desejaríamos também para nós.  As nossas atitudes com os nossos irmãos, as nossas ações diante dos apelos do mundo que nos acena com as coisas fáceis e ilusórias mostram se estamos realmente fazendo o itinerário do caminho que nos leva à vida. A porta estreita é a porta dos ensinamentos evangélicos, é a vivência do amor, é o amor vivido em atos concretos, difíceis de vivenciarmos, mas que nos leva à vida eterna.  A porta larga é o egoísmo, o querer só para si esquecendo que a Lei e os Profetas consistem em amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. O homem que tem uma vida “fácil” perde-se também com facilidade, porque coloca a sua alma naquilo que só dá prazer. Muitas vezes queremos seguir o caminho mais fácil, que nos custa menos, no entanto, é a estrada que nos leva a perdição. – Você costuma banalizar a Palavra de Deus dizendo que as coisas mudaram?- Você brinca com as coisas santas? – Você conta anedotas que vulgarizam as coisas santas – O que você faz quando as pessoas o (a) desestimulam, e questionam a ação de Deus na sua vida? – Você confia no Senhor mesmo quando todos à sua volta dizem o contrário? – Você costuma discutir as coisas de Deus com pessoas alheias ao assunto, querendo convence-las?

Helena Colares Serpa

Cardeal, bispo, arcebispo, cônego, monsenhor: qual a diferença?

CARDINAL,BISHOPSCarolus | CC BY 2.5
 

Curiosidades sobre a Igreja Católica

Bispos, Arcebispos e Cardeais
Todos são ordenados, no grau máximo do sacramento da Ordem. Todos são bispos, palavra que deriva do grego epíscopos, que significa supervisor. Para chamá-los usa-se o título de Dom, abreviatura do latim dominus, senhor. Com o Papa à frente, os bispos do mundo inteiro formam o Colégio Apostólico, que sucede ao grupo dos apóstolos, os quais tinham a Pedro como seu líder. Assim, a Igreja é guiada pela história afora pelos mesmos pastores escolhidos por Jesus Cristo.
O Bispo é o pastor da Igreja particular, responsável pelo ensinamento da Palavra de Deus, pela celebração da Eucaristia e demais sacramentos e pela animação e organização dos carismas e ministérios do Povo de Deus. Ele é obrigado a fazer a visita “ad limina apostolorum” a Roma, e ao Papa, de quatro em quatro anos, quando então apresenta à Santa Sé um relatório de sua diocese e é recebido pelo Papa. Os bispos são, em suas dioceses, o princípio visível e o fundamento da unidade com as outras dioceses e com a Igreja universal. É obrigado pelo Código de Direito Canônico da Igreja a pedir renúncia ao completar 75 anos.
Arcebispo é o bispo de uma Arquidiocese, o titular da sede metropolitana, que é a diocese mais antiga de uma Província Eclesiástica, que é formada pelo conjunto de diversas dioceses. Ele é responsável pelo zelo da fé e da disciplina eclesiástica e pela presidência das reuniões dos bispos da Província. Mas não intervém diretamente na organização e na ação pastoral das demais dioceses (sufragâneas) da arquidiocese. O arcebispo usa, nos limites de sua Província, durante as funções litúrgicas, como sinal de unidade de sua Província com a Igreja em todo o mundo, o pálio, que lhe é entregue pelo Papa, no dia da festa de S. Pedro e S. Paulo, 29 de junho: uma faixa branca decorada de cruzes pretas que cobre os ombros, confeccionada com a lã de um cordeiro.
Cardeais são geralmente bispos de importantes dioceses do mundo. Mas também padres ou diáconos podem ser cardeais. São escolhidos pessoalmente pelo Papa, como representantes da Igreja em todo o mundo, para formarem o Colégio dos Cardeais. São responsáveis pela assessoria direta ao Papa na solução das questões organizativas e econômicas da Santa Sé, na coordenação dos diversos Dicastérios (uma espécie de ministério do Vaticano) que compõem o serviço da Santa Sé em favor da comunhão em toda a Igreja e da justiça para com os pobres do mundo todo. São também os responsáveis pela eleição do novo Papa enquanto não completarem 80 anos. A reunião dos Cardeais se chama Consistório e acontece quando o Papa a convoca.
Padre, Cônegos e Monsenhores
Pelo sacramento da Ordem, não há nenhuma diferença entre padre, cônego ou monsenhor. Todos são ordenados, no segundo grau desse sacramento. Todos são presbíteros do Povo de Deus.
Hoje, os títulos de cônego e monsenhor são honorários e não indicam a posse de nenhum cargo ou posição na Igreja. Antes das reformas conciliares, eles formavam o cabido diocesano, para a função de conselheiros do bispo, o governo da diocese durante a vacância e o esplendor das funções litúrgicas na catedral. Hoje, o bispo conta com diversos Conselhos, que são formados por representantes de todo o clero e do laicato. Não contam os títulos, mas a disposição para o serviço comum e comunitário da evangelização. Hoje, cônego e monsenhor são títulos de homenagem e reconhecimento por serviços prestados à Igreja. Além disso, o título de monsenhor é também usado para o padre que foi eleito bispo. Enquanto ele não é ordenado bispo, é chamado de monsenhor.




(via Felipe Aquino)

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Liturgia Diária - A trave que encobre o nosso olhar

 Resultado de imagem para Evangelho - Mateus 7,1-5
1a Leitura - 2 Reis 17,5-8.13.18
Leitura do segundo livro dos Reis.
17 5 Depois atacou Samaria e assediou-a por três anos.
6 No ano nono do reinado de Oséias, o rei da Assíria apoderou-se de Samaria e deportou os israelitas para a Assíria, estabelecendo-os em Hala, às margens do Habor, rio de Gozan, e nas cidades da Média. Causas da ruína de Israel
7 Assim aconteceu porque os filhos de Israel tinham pecado contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito e libertado da opressão do faraó, rei dos egípcios. Eles adoraram outros deuses,
8 adotaram os costumes das nações que o Senhor tinha expulsado diante dos israelitas e seguiram os costumes estabelecidos pelos reis de Israel.
13 O Senhor tinha advertido Israel e Judá pela boca de seus profetas e videntes: “Renunciai às vossas más ações; guardai meus mandamentos e minhas leis; observai toda a lei que prescrevi a vossos pais e que vos transmiti pelos meus servos, os profetas”.
14 Mas eles não o quiseram ouvir, e endureceram o seu coração, como o tinham feito seus pais, que se tornaram infiéis ao Senhor, seu Deus.
15 Desprezaram os seus preceitos e a aliança estabelecida com seus pais, não atenderam às advertências que lhes tinha feito, e seguiram as vaidades, tornando-se eles mesmos vaidades; apesar de ter-lhes o Senhor proibido seguir as pisadas dos povos que os cercavam,
18 Por isso, o Senhor ficou profundamente indignado contra os israelitas e lançou-os para longe de sua face. Só a tribo de Judá subsistiu.
Palavra do Senhor.


Salmo - 59/60
Vossa mão nos ajude, ouvi-nos, Senhor! 
Rejeitastes, ó Deus, vosso povo
e arrasastes as nossas fileiras;
vós estáveis irado; voltai-vos! 

Abalastes, partistes a terra,
reparai suas brechas, pois treme.
Duramente provastes o povo
e um vinho atordoante nos destes. 

Quem me leva à cidade segura,
e a Edom quem me vai conduzir
se vós, Deus, rejeitais vosso povo
e não mais conduzis nossas tropas? 

Dai-nos, Deus, vosso auxílio na angústia;
nada vale o socorro dos homens!
Mas com Deus nós faremos proezas,
e ele vai esmagar o opressor.

Evangelho - Mateus 7,1-5
Aleluia, aleluia, aleluia. A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração (Hb 4,12).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
7 1 Disse Jesus: “Não julgueis, e não sereis julgados.
2 Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.
3 Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?
4 Como ousas dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar a palha do teu olho’, quando tens uma trave no teu?
5 Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão”.
Palavra da Salvação.

Reflexão 
 
Neste Evangelho Jesus nos mostra a regra de ouro para a nossa vivencia aqui na terra: não julgar o nosso próximo. Por isso, Ele nos adverte que seremos julgados com o mesmo julgamento que usamos para julgar e medidos com a mesma medida que utilizamos para medir as ações alheias. Tudo o que queiramos dos outros precisamos também vivenciar. Geralmente nós nos acostumamos a cobrar das outras pessoas coisas que desejaríamos também realizar e não o conseguimos. Quando olhamos para o outro e logo “enxergamos” as suas falhas, nós, inconscientemente, estamos descobrindo, também, as nossas limitações, por isso, o erro do outro desperta tanto a nossa atenção e tem tanto peso para nós. A nossa maneira de julgar torna-se, então, um motivo para que sejamos também julgados (as). A começar em mim é para nós a receita para os nossos julgamentos. A rigidez com que olhamos para os defeitos dos outros, deve ser adotada para com os nossos.  Na mesma medida em que medimos as ações dos outros, também seremos medidos (as). Precisamos estar conscientes de que todos nós temos limitações e precisamos de ajustes. Todos nós temos a capacidade para grandes transformações, assim sendo, precisamos ajuizar somente a nós e às nossas atitudes com o intuito de melhorar nas nossas relações com os nossos irmãos – Você se acha autossuficiente e incapaz de cometer “grandes pecados”? – O que você considera um grande pecador? – Você tem o costume de fazer julgamentos mesmo que sejam no seu interior? – Como você acha que será julgado (a), assim como você julga? – Faça hoje esta reflexão, para o seu crescimento.
 
 
 
 
Helena Serpa

A fé pode aumentar ou diminuir e se perder: como ocorre cada possibilidade?

ROSARIES
helga tawil souri-(CC BY-NC-SA 2.0)

Quem explica é o prior de um mosteiro francês do século XIX

O pe. Emmanuel-André foi prior do mosteiro francês de Mesnil-Saint-Loup, no século XIX, e escreveu diversas e relevantes obras de espiritualidade católica. Um de seus livros se chama “Cartas sobre a fé” e é da carta número 4 que vem o extrato reproduzido a seguir:
* * *
A Fé pode aumentar, a Fé pode diminuir e se perder. A Fé, consistindo essencialmente na adesão de nosso espírito à verdade revelada, aumenta ou diminui segundo seja a adesão mais ou menos firme.
Ora, sendo a alma humana ativa por natureza, é indispensável que sua Fé aumente ou diminua. Ela aumenta se a alma avança no conhecimento do Pai e do Filho e do Espírito Santo, se a alma penetra melhor nas verdades do Credo, em uma palavra, se a alma progride no caminho da verdade.
Mas como a Fé requer, juntamente com assentimento do espírito, o movimento de piedade da vontade que quer crer, evidentemente a Fé também pode e deve crescer pelo caminho da vontade que se submete cada vez mais docilmente, cada vez mais amorosamente à verdade divina. Assim, duas coisas ajudarão singularmente a Fé em seu progresso, a saber: a instrução e a piedade. A instrução, o cristão a encontrará na pregação, no Catecismo, nas leituras santas; a piedade consistirá sobretudo na fidelidade às promessas do batismo; o cristão ajudado pela oração e pelos sacramentos, crescerá na Fé.
Todo cristão que quer crescer na Fé, deve vigiar com redobrada atenção contra tudo que for capaz de enfraquecer a Fé. Ele deve tomar cuidado para não se deixar levar pelas máximas deste mundo, pois o mundo, enquanto mundo, só se ocupa das coisas sensíveis; a Fé, ao contrário, nos mostra o preço inestimável das coisas invisíveis. O mundo só vê o presente; a Fé, que nos esclarece tanto sobre o passado quanto sobre o presente, nos faz velar principalmente sobre o futuro. O mundo está todo voltado para os gozos da terra; a Fé nos ensina que este é o tempo das privações e das penitências e nos mostra que Deus é o único bem verdadeiro em que podemos repousar nossas almas e esperar os verdadeiros gozos.
É preciso pois velar para permanecer fiel, quer dizer, crente. E quem assim velar, verá infalivelmente crescer em sua alma as luzes tão doces, tão serenas da verdade eterna; e quanto mais entrar nesta luz, mais ele provará o quanto o Senhor é doce, o quanto é precioso e inestimável o dom da Fé. Ao contrário, toda alma que não velar, que se deixar embalar pelas promessas insignificantes de um mundo que nada tem, que nada sabe, que nada pode, toda alma que não velar, verá sua Fé diminuir para em seguida se perder completamente.
Se tivéssemos olhos para ver o lamentável espetáculo das almas que perdem a Fé, não teríamos lágrimas que chegassem para chorar tão grande infelicidade.
Alguns perdem a Fé logo depois do batismo; esses não receberam a instrução cristã necessária, e suas almas nunca fizeram o ato de Fé. Privado de seu ato, o hábitus posto em suas almas no dia do batismo foi facilmente reduzido a nada. É muito raro que as almas que perderam a Fé nestas condições a tornem a encontrar. Elas tornam-se estranhas a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo e vivem apenas uma vida terrestre, triste prelúdio de uma morte eterna.
Outros perdem a Fé pouco depois da primeira comunhão. Esses entram em um mundo descrente do qual não desconfiam, e imaginam que eles é que foram ingênuos por terem acreditado um pouco. Se chega o pecado mortal, coisa fácil de acontecer, será fácil também perder a Fé e fechar os olhos à pura luz que os havia tornado tão felizes no dia de sua primeira comunhão.
Ainda outros perdem a Fé nas escolas. Tanto escolas primárias como escolas superiores, fazem freqüentemente os batizados perderem a Fé. Aí não se ensina a conhecer o único e verdadeiro Deus, a saber o Pai e o Filho e o Espírito Santo; as escolas primárias têm como principal objetivo a formação do plural e do sistema métrico; às superiores só interessa o diploma de bacharel e de doutor. Sem falar daquelas onde se ensina consciente e propositadamente a impiedade, o indiferentismo ou mesmo o ateísmo.
Finalmente, há os que perdem a Fé pelos interesses materiais. Preocupados demais com os negócios, entregues inteiramente a especulações financeiras, esquecem seu batismo, negligenciam o cuidado com sua alma, não vivem mais da Fé, não velam mais para que sua Fé seja alimentada e perdem-na, talvez mesmo sem sentir.
Ó Deus, Deus meu, vós que por vossa graça nos haveis dado a Fé, por esta mesma graça conservai-nos na Fé!







domingo, 24 de junho de 2018

12º Domingo do Tempo Comum - Solenidade da Natividade de João Batista

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1a Leitura - Isaías 49,1-6
Leitura do livro do profeta Isaías.

49 1 Ilhas, ouvi-me; povos de longe, prestai atenção! O Senhor chamou-me desde meu nascimento; ainda no seio de minha mãe, ele pronunciou meu nome.
2 Tornou minha boca semelhante a uma espada afiada, cobriu-me com a sombra de sua mão. Fez de mim uma flecha penetrante, guardou-me na sua aljava.
3 E disse-me: "Tu és meu servo, (Israel), em quem me rejubilarei".
4 E eu dizia a mim mesmo: "Foi em vão que padeci, foi em vão que gastei minhas forças. Todavia, meu direito estava nas mãos do Senhor, e no meu Deus estava depositada a minha recompensa".
5 E agora o Senhor fala, ele, que me formou desde meu nascimento para ser seu Servo, para trazer-lhe de volta Jacó e reunir-lhe Israel, (porque o Senhor fez-me esta honra, e meu Deus tornou-se minha força).
6 Disse-me: "Não basta que sejas meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel; vou fazer de ti a luz das nações, para propagar minha salvação até os confins do mundo".
Palavra do Senhor.

Salmo - 138/139
Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,
porque de modo admirável me formastes!

Senhor, vós me sondais e conheceis,
sabeis quando me sento ou me levanto;
de longe penetrais meus pensamentos;
percebeis quando me deito e quando eu ando,
os meus caminhos vos são todos conhecidos.

Fostes vós que me formastes as entranhas
e, no seio de minha mãe, vós me tecestes.
Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,
porque de modo admirável me formastes!

Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis;
nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis
quando eu era modelado ocultamente,
era formado nas entranhas subterrâneas.

2a Leitura - Atos 13,22-26
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, Paulo disse: 13 22 "Depois, Deus o rejeitou e mandou-lhes Davi como rei, de quem deu este testemunho: ‘Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades’.
23 De sua descendência, conforme a promessa, Deus fez sair para Israel o Salvador Jesus.
24 João tinha pregado, desde antes da sua vinda, o batismo do arrependimento a todo o povo de Israel.
25 Terminando a sua carreira, dizia: ‘Eu não sou aquele que vós pensais, mas após mim virá aquele de quem não sou digno de desatar o calçado’.
26 Irmãos, filhos de Abraão, e os que entre vós temem a Deus: a nós é que foi dirigida a mensagem de salvação".
Palavra do Senhor.

Evangelho - Lucas 1,57-66.80
Aleluia, aleluia, aleluia.

Serás chamado, ó menino, o profeta do Altíssimo: irás diante do Senhor, preparando-lhe os caminhos (Jo 1,7; Lc 1,17).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
56 Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.
57 Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho.
58 Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe manifestara a sua misericórdia, e congratulavam-se com ela.
59 No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias.
60 Mas sua mãe interveio: "Não", disse ela, "ele se chamará João".
61 Replicaram-lhe: "Não há ninguém na tua família que se chame por este nome".
62 E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse.
63 Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: "João é o seu nome". Todos ficaram pasmados.
64 E logo se lhe abriu a boca e soltou-se-lhe a língua e ele falou, bendizendo a Deus.
65 O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos; o fato divulgou-se por todas as montanhas da Judéia.
66 Todos os que o ouviam conservavam-no no coração, dizendo: "Que será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele.
80 O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.
Palavra da Salvação.
 
 Reflexão
 
Jesus, Maria e João Batista, são celebrados pela Igreja, pelos seus nascimentos. Ou seja, pela data de seus nascimentos. Por que, o resto dos demais santos, suas festas são celebradas nas datas das suas mortes.
Hoje celebramos o nascimento milagroso de João Batista, isto porque para Deus, nada é impossível. Milagroso por que a esposa de Zacarias era idosa e estéril!
O nascimento de João foi parecido com o de Jesus. Assim como um anjo apareceu a Maria e anunciou que ela iria dará Luz a um Filho, também Zacarias quando estava no Templo, recebeu a visita de um anjo que lhe deu a bela notícia de a sua mulher embora estéril e velha, conceberia e daria a luz a um filho, que ele deveria por o nome de João.
João já nasceu com uma grande missão o esperando: A de anunciar a chegada do Messias, e apontar o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. João foi o último dos profetas.
João Batista foi muito importante na História da salvação. O a sua pessoa é lembrado todos os dias em todas as missas, quando o Padre elevando a Hóstia consagrada, repete a frase que um dia saiu da sua boca: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira os pecados do mundo”
 Hoje celebramos a solenidade do nascimento daquele que foi, segundo as palavras do próprio Jesus, o maior de todos os mortais nascidos de uma mulher: João Batista.
São João é celebrado e comemorado pelos brasileiros  nas festas  juninas, onde  nós nos alegramos, porém, infelizmente nem todos sabem da grande importância de São João o Batista.
Infelizmente, temos a lamentar mais uma vez,  a triste realidade que vem acontecendo nas festas juninas no Nordeste brasileiro.  Região tradicionalmente de povo humilde e devoto, sofrido pelas agruras das secas continuadas, é o lugar onde as comemorações juninas são mais fortes que o carnaval no sul do Brasil.  É uma estrondosa festa, onde todos são envolvidos naquela alegria contagiante.
Porém,  com o passar dos tempos, com a influência da mídia, e com a destruição dos valores, as comemorações de São João  Batista no Nordeste brasileiro tomou um rumo inesperado, lamentável, tomou  uma  outra  figura, tomou  uma outra direção.
Os jovens daquela região, sedentos de diversão, transformaram a solenidade ou comemoração  das festas juninas, em motivos de pura diversão, onde rola muita bebida, sexo irresponsável, e muito outros tipos de libertinagens, lamentáveis, para um povo de uma região que era tão devota e amada por Deus. 
Isso tudo somado com a falta de padres naquela região, contribui para que as festividades juninas fiquem  cada ano menos santas e mais mundanas.   
Caríssimos! Que podemos fazer além de rezar por essa triste realidade? Será que não podemos interferir  de alguma maneira, e mostrar àqueles jovens que eles estão profanando, ou misturando as coisas? 
Reconhecemos que os jovens precisam de diversão, mais não por causa disso que podem  transformar as Festas de São João em um imenso bordel público de promiscuidade!  Isso é um grande sacrilégio! Será que alguém pode fazer alguma coisa aí?
João Batista, foi grande diante do Senhor, e cheio do Espírito Santo desde o seu  período intra-uterino, e todos os amigos da família se alegraram com o seu nascimento.
É assim que Deus age. Anteriormente ao nosso nascimento, Ele  já nos escolhe para a nossa missão. Assim, já nascemos prontos, pela mão do Pai. Só resta descobrirmos qual a nossa missão. De que maneira vamos anunciar o Reino de Deus pelo mundo afora.  Porque o Espírito Santo age em nós, e nos proporciona a disposição de amar a Deus, mesmo sem tê-Lo visto. 
Assim como Zacarias acreditou no anúncio de Deus que sua esposa teria um filho, por que Zacarias sabia que para Deus nada é impossível, nós também venceremos todas as dificuldades, todas as barreiras, que possamos enfrentar na tarefa da evangelização, pois Aquele que tudo pode estará sempre do nosso lado nos guiando, nos inspirando, nos protegendo, e colocando em nossas bocas a palavra certa, na hora certa para as pessoas certas.
A figura de João Batista grande profeta, contemporâneo de Jesus  Cristo, homem corajoso e destemido, que veio preparar a vinda do Messias, é aquele de deve ser imitado por todos nós.
        

  José Salviano.