quinta-feira, 25 de novembro de 2010

LITURGIA DIÁRIA - SINAIS DOS TEMPOS


Primeira Leitura: Apocalipse 18, 1-2.21-23; 19, 1-3.9-

Leitura do livro do Apocalipse de São João - Eu,João, 1Depois disso, vi descer do céu outro anjo que tinha grande poder, e a terra foi iluminada por sua glória. 2Clamou em alta voz, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, a Grande. Tornou-se morada dos demônios, prisão dos espíritos imundos e das aves impuras e abomináveis, 21Então um anjo poderoso tomou uma pedra do tamanho de uma grande mó de moinho e lançou-a no mar, dizendo: Com tal ímpeto será precipitada Babilônia, a grande cidade, e jamais será encontrada. 22Já não se ouvirá mais em ti o som dos citaristas, dos cantores, dos tocadores de flauta, de trombetas. Nem se encontrará em ti artífice algum de qualquer espécie. Não se ouvirá mais em ti o ruído do moinho, 23não brilhará mais em ti a luz de lâmpada, não se ouvirá mais em ti a voz do esposo e da esposa; porque teus mercadores eram senhores do mundo, e todas as nações foram seduzidas por teus malefícios. 1Depois disso, ouvi no céu como que um imenso coro que cantava: Aleluia! A nosso Deus a salvação, a glória e o poder, 2porque os seus juízos são verdadeiros e justos. Ele executou a grande Prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição, e pediu-lhe contas do sangue dos seus servos. 3Depois recomeçaram: Aleluia! Sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos. - Palavra do Senhor.

Evangelho: Lucas 21, 20-28

- Naquele tempo, 20Quando virdes que Jerusalém foi sitiada por exércitos, então sabereis que está próxima a sua ruína. 21Os que então se acharem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade retirem-se; os que estiverem nos campos não entrem na cidade. 22Porque estes serão dias de castigo, para que se cumpra tudo o que está escrito. 23Ai das mulheres que, naqueles dias, estiverem grávidas ou amamentando, pois haverá grande angústia na terra e grande ira contra o povo. 24Cairão ao fio de espada e serão levados cativos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos pagãos, até se completarem os tempos das nações pagãs. 25Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. 26Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. 27Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. 28Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação. - Palavra da salvação.


Estamos vivendo o tempo que precede o Advento, tempo de espera e arrependimento. Ocasião propicia para que estejamos conscientes das nossas ações e atentos ao que podem significar as coisas que acontecem ao nosso redor. Jesus nos adverte dos fenômenos que acontecerão no mundo e com as pessoas antes da Sua vinda gloriosa. Se prestarmos atenção, muitos sinais já se fazem notar hoje, no mundo. A maioria das pessoas se apavora quando ouve falar desses prognósticos, porém, os que têm a percepção dos ensinamentos evangélicos, compreendem que as palavras de Jesus vêm nos edificar e nos ajudam a manter a esperança na nossa libertação.

O mundo à nossa volta se angustia e sofre. Muitas pessoas passam por dificuldades e se sentem perdidas, no entanto, isto é prenúncio de libertação. Jesus mesmo nos esclarece quando diz: “Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. Jesus já veio como homem e chegou para nós por meio do seio de Maria, se entregou por nós, foi crucificado, morto e ressuscitado para a nossa Salvação. Não podemos mudar os prognósticos de Jesus, todos esses fatos já estão acontecendo. Porém, o que nós podemos fazer é assumir o nosso posto de guardiões da fé sem temor, na certeza de que o tempo da libertação se aproxima e deixando que a manifestação da vida de Jesus aconteça no nosso coração primeiro.

Expressão retomada por todos os Evangelhos Sinóticos numa retomada da profecia de Daniel 9,27 sobre as 70 Semanas. Cremos que este mundo, conforme a profecia de Jesus está caminhando para o fim? O que Jesus fala sobre o fim dos tempos, o dia do julgamento e a destruição de Jerusalém não era novidade para os judeus. Jesus alerta sim para a iminência da destruição de Jerusalém pela rejeição do Evangelho. Segundo o historiador Josefo mais de um milhão de pessoas morreram quando os romanos destruíram Jerusalém com seu templo no ano 70. A ruína de Jerusalém deveu-se à sua indiferença diante da visita de Deus, na pessoa do Senhor Jesus Cristo (Lc 19,44).
A abominação é o termo específico para condenar os ídolos, como também a profanação e a apostasia que eles trazem consigo. Por isso, Jesus fala também do julgamento do fim do mundo. Só a cegueira espiritual nos pode impedir de reconhecer os claros sinais que anunciam o dia do julgamento para os que recusam a palavra de Deus a respeito da graça e da salvação. S.Cipriano e S. Agostinho afirmam que neste dia final não se salvarão os que carecem de fé, embora permaneçam na comunidade dos fiéis e participem dos sacramentos. Aliás, a palavra desolação, segundo a etimologia da palavra grega, significa tornar um deserto, vazio da vida de Deus.

Jesus tinha dito aos discípulos o que lhes custaria segui-lo. E prometeu que jamais os deixaria sozinhos, mesmo no tempo de tribulação. Os santos e mártires que foram submetidos aos tormentos e à morte fizeram da prisão um templo de oração e acesso para o trono da glória de Deus. Eles reconheceram a presença salvadora de Jesus em suas vidas em todas as circunstâncias. O discípulo que seguia Jesus podia perder sua vida corporal, mas não sua alma.

O maior dom que nos é dado é o de nossa redenção e de adoção como filhos de Deus. Jesus nos redimiu da escravidão do pecado, do medo da morte e da destruição final. Somos gratos porque nossa esperança está no céu e na promessa que Jesus retornará para estabelecer seu reino de paz e de justiça. Sua segunda vinda será marcada por sinais que todos reconhecerão. Seu julgamento é um sinal de esperança para os que confiaram nele.

Qual é a percepção que você tem das palavras de Jesus? Você se atemoriza quando ouve falar desses acontecimentos? As coisas que você vê acontecer no mundo, hoje, já confirmam isto? - Jesus já veio para você?
Pe Bantu

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

UM BILHÃO DE FAMINTOS


A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Agricultura (FAO) lançou recentemente uma campanha de ajuda aos cerca de um bilhão de famintos, ou subalimentados no mundo, sobretudo na África e Ásia, mas também na América Latina. É muita gente! Será pela falta de alimentos, ou porque a terra é incapaz de produzi-los em quantidade suficiente?

Em áreas desérticas ou semi-áridas, é provável que essas duas hipóteses sejam verdadeiras. Mas olhando o mundo como um todo, não se pode afirmar que faltem alimentos, ou que a terra seja incapaz de produzi-los. Há até sobra de alimentos e muita capacidade produtiva não aproveitada. Os verdadeiros problemas são outros e nos levam à reflexão sobre algumas questões básicas da convivência entre os povos, já abordadas em diversos Documentos da Doutrina Social da Igreja: A adoção de um adequado conceito de desenvolvimento e a revisão dos parâmetros das relações entre os povos, para integrar novos critérios éticos, sem os quais a fome, a pobreza, a violência e as injustiças locais e internacionais não serão resolvidas.
No Dia Mundial da Alimentação, 15 de outubro passado, em carta dirigida ao Diretor-Geral da FAO, Jacques Diouf, o papa Bento XVI recordou que o primeiro compromisso dos indivíduos, das Organizações internacionais e dos Estados deve ser o de libertar da fome todos os membros da família humana. E convidou a comunidade internacional a estar unida nesta luta. Infelizmente, não é isso que se vê quando programas da agricultura voltada para a produção de alimentos não recebem o apoio e estímulo, que são dados a setores mais rentáveis da ocupação e da economia. Produção e distribuição de alimentos deveriam merecer atenção prioritária, em vista do bem social que delas depende: O elementar direito à alimentação. Estes setores poderiam oportunizar trabalho a milhões de desempregados e espaço para o progresso tecnológico.

Mas aqui se coloca outra questão de fundo: Que tipo de desenvolvimento e quais prioridades? Estimular setores tecnológicos da produção de supérfluos, coisas interessantes, mas não indispensáveis, que trazem lucro mais rápido e em maior volume, ou matar a fome do povo e satisfazer outras necessidades básicas como a moradia, saúde e educação? Questão de escolha. É espantoso que em certos países, como a Índia e o próprio Brasil, convivam setores tecnológicos de ponta com situações da mais dura miséria.

Na sua encíclica Caritas in Veritate (A Caridade na Verdade, 2009), o papa Bento XVI convida os povos e seus governantes a buscarem um autêntico desenvolvimento humano, baseado na idéia de pessoa como unidade de corpo, alma e espírito; a satisfação das necessidades materiais com o acesso à tecnologia e aos bens de consumo não é tudo. O desenvolvimento humano integral vai além da posse de bens e se expressa na adesão aos valores antropológicos e éticos mais elevados, como a fraternidade, a solidariedade e o bem comum. Tais valores são sumamente importantes quando se trata de debelar a fome; quando o desenvolvimento econômico local e globalizado integra esses imperativos éticos ele é capaz de favorecer o bem comum mais que os interesses de parte; a constante afirmação dos interesses fechados de países, grupos e setores, conseguidos pela pressão de quem já é mais forte, até mesmo pelas armas, produziu o mundo que vemos: de um lado, mesas abarrotadas e gente superalimentada; de outro, multidões famintas a se baterem por escassas migalhas. Tem jeito de mudar isso?

O Papa indica mais questões do desenvolvimento humano integral: Somos parte de uma grande família e precisamos superar a indiferença diante das necessidades do próximo, seja ela pessoa, povo ou país. A humanidade é uma única família e todos estão no mesmo barco, para o bem e para o mal: Ou vai pra frente esse barco, com todos dentro, ou afundam todos juntos. O bem de um é o bem de todos; a falta de paz de um é a falta de paz de todos. Quando se levar a sério a consciência dessa responsabilidade de uns pelos outros, de um povo pelo outro, dos fartos pelos famintos, será possível combinar de forma nova as regras da convivência neste condomínio familiar maravilhoso que o Criador colocou à nossa disposição.
A solução para o problema da fome está menos na roça e nas mãos calejadas dos agricultores que nos gabinetes e fóruns das decisões políticas, econômicas, financeiras e comerciais. A fome será superada mais pela ponta da caneta do que pelo cabo da enxada. Uma renovada fraternidade e solidariedade são urgentes necessidades morais na família humana, onde é direito que os mais sadios e fortes olhem pelos mais fracos e doentes. Não dá para continuar a fazer de conta que o problema é apenas dos outros. De fato, a atual migração de milhões de pessoas para países ricos ou regiões mais desenvolvidas mostra que as pessoas vão atrás do pão: Se o pão não chega onde as pessoas estão, elas vão lá onde o pão se encontra. O problema é de todos.

A eliminação da fome e da subalimentação requer a superação das barreiras do egoísmo, da insensibilidade e da indiferença, sinais preocupantes de um subdesenvolvimento humano e moral, e a abertura para uma fecunda gratuidade na relação de pessoas, organizações e povos. Gratuidade é uma das mais nobres disposições humanas e leva a pensar de modo desinteressado no bem do próximo; é expressão de fraternidade verdadeira na família humana. Planos e programas continuam sendo necessários, assim como o respeito pelas regras e pela justiça; mas tudo isso será animado por disposições novas, capazes de dar brilho a um bilhão de olhares famintos no mundo.


Por: Cardeal Odilo Pedro Scherer

Fonte: CNBB

VIVER O ADVENTO


À luz da liturgia da Igreja e de seus conteúdos podemos resumir algumas linhas do pensamento teológico e da vivência existencial deste tempo de graça.
1. Advento, tempo de Cristo: a dupla vinda
A teologia litúrgica do Advento se encaminha, nas duas linhas enunciadas pelo Calendário romano: a espera da Parusia, revivida com os textos messiânicos escatológicos do AT e a perspectiva de Natal que renova a memória de algumas destas promessas, já cumpridas, ainda que não definitivamente.

O tema da espera é vivido na Igreja com a mesma oração que ressoava na assembléia cristã primitiva: o Marana-tha (Vem Senhor) ou Maran-athá (o Senhor vem) dos textos de Paulo (1 Cor 16,22) e do Apocalipse (Ap 22,20), que se encontra também na Didaché e, hoje, em uma das aclamações da oração eucarística. Todo o Advento ressoa como um "Marana-thá" nas diferentes modulações que esta oração adquire nas preces da Igreja.
A palavra do Antigo Testamento convida a repetir na vida a espera dos justos que aguardavam o Messias; a certeza da vinda de Cristo na carne estimula a renovar a espera da última aparição gloriosa na qual as promessas messiânicas terão total cumprimento já que até hoje se cumpriram só parcialmente. O primeiro prefácio de Advento canta esplendidamente esta complexa, mas verdadeira realidade da vida cristã.

O tema da espera do Messias e a comemoração da preparação para este acontecimento salvífico atinge o auge nos dias que precedem o Natal. A Igreja se sente submersa na leitura profética dos oráculos messiânicos. Lembra-se de nossos Pais na Fé, patrísticos e profetas, escuta Isaías, recorda o pequeno núcleo dos anawim de Yahvé que está ali para esperá-lo: Zacarias, Isabel, João, José, Maria.
O Advento é, pois, como uma intensa e concreta celebração da longa espera na história da salvação, como o descobrimento do mistério de Cristo presente em cada página do AT, do Gênesis até os últimos livros Sapienciais. é viver a história passada voltada e orientada para o Cristo escondido no AT que sugere a leitura de nossa história como uma presença e uma espera de Cristo que vem.

Hoje na Igreja, Advento é como um redescobrir a centralidade de Cristo na história da salvação. Recordam-se seus títulos messiânicos através das leituras bíblicas e das antífonas: Messias, Libertador, Salvador, Esperado das nações, Anunciado pelos profetas... Em seus títulos e funções Cristo, revelado pelo Pai, se converte no personagem central, a chave do arco de uma história, da história da salvação.

2. Advento tempo por excelência de Maria, a Virgem da espera
É o tempo mariano por excelência do Ano litúrgico. Paulo VI expressa isso com toda autoridade na Marialis Cultus, nn. 3-4.
Historicamente a memória de Maria na liturgia surgiu com a leitura do Evangelho da Anunciação antes do Natal naquele que, com razão, foi chamado o domingo mariano prenatalício.
Hoje o Advento recupera plenamente este sentido com uma serie de elementos marianos da liturgia, que podemos sintetizar da seguinte maneira:
- Desde os primeiros dias do Advento há elementos que recordam a espera e a acolhida do mistério de Cristo por parte da Virgem de Nazaré.
- a solenidade da Imaculada Conceição se celebra como "preparação radical à vinda do Salvador e feliz principio da Igreja sem mancha nem ruga ("Marialis Cultus 3).
- dos dias 17 a 24 o protagonismo litúrgico da Virgem é muito característico nas leituras bíblicas, no terceiro prefácio de Advento que recorda a espera da Mãe, em algumas orações, como a do dia 20 de dezembro que nos traz um antigo texto do Rótulo de Ravena ou na oração sobre as oferendas do IV domingo que é uma epíclesis significativa que une o mistério eucarístico com o mistério de Natal em um paralelismo entre Maria e a Igreja na obra do único Espírito.
Em uma formosa síntese de títulos. I. Calabuig apresenta nestas pinceladas a figura da Virgem do Advento:
- é a "Cheia de graça", a "bendita entre as mulheres", a "Virgem", a "Esposa de Jesus", a "serva do Senhor".
- é a mulher nova, a nova Eva que restabelece e recapitula no desígnio de Deus pela obediência da fé o mistério da salvação.
- é a Filha de Sião, a que representa o Antigo e o Novo Israel.
- é a Virgem do Fiat, a Virgem fecunda. É a Virgem da escuta e acolhe.
Em sua exemplaridade para a Igreja, Maria é plenamente a Virgem do Advento na dupla dimensão que a liturgia tem sempre em sua memória: presença e exemplaridade. Presença litúrgica na palavra e na oração, para uma memória grata d'Aquela que transformou a espera em presença, a promessa em dom. Memória de exemplaridade para uma Igreja que quer viver como Maria a nova presença de Cristo, com o Advento e o Natal no mundo de hoje.
Na feliz subordinação de Maria a Cristo e na necessária união com o mistério da Igreja, Advento é o tempo da Filha de Sião, Virgem da espera que no "Fiat" antecipa o Marana thá da Esposa; como Mãe do Verbo Encarnado, humanidade cúmplice de Deus, tornou possível seu ingresso definitivo, no mundo e na história do homem.

3. Advento, tempo da Igreja missionária e peregrina
A liturgia com seu realismo e seus conteúdos põe a Igreja em um tempo de características e expressões espirituais: a espera, a esperança, a oração pela salvação universal.
Preparando-nos para a festa de Natal, nós pensamos nos justos do AT que esperaram a primeira vinda do Messias. Lemos os oráculos de seus profetas, cantamos seus salmos e recitamos suas orações. Mas nós não fazemos isto pondo-nos em seu lugar como se o Messias ainda não tivesse vindo, mas para apreciar melhor o dom da salvação que nos trouxe. O Advento para nós é um tempo real. Podemos recitar com toda verdade a oração dos justos do AT e esperar o cumprimento das profecias porque estas ainda não se realizaram plenamente; se cumprirão com a segunda vinda do Senhor. Devemos esperar e preparar esta última vinda.
No realismo do Advento podemos recolher algumas atualizações que oferecem realismo à oração litúrgica e à participação da comunidade:
- a Igreja ora por um Advento pleno e definitivo, por uma vinda de Cristo para todos os povos da terra que ainda não conheceram o Messias ou não reconhecem ainda ao único Salvador.
- a Igreja recupera no Advento sua missão de anúncio do Messias a todas as gentes e a consciência de ser "reserva de esperança" para toda a humanidade, com a afirmação de que a salvação definitiva do mundo deve vir de Cristo com sua definitiva presença escatológica.
- Em um mundo marcado por guerras e contrastes, as experiências do povo de Israel e as esperas messiânicas, as imagens utópicas da paz e da concórdia, se tornam reais na história da Igreja de hoje que possui a atual "profecia" do Messias Libertador.
- na renovada consciência de que Deus não desdiz suas promessas -confirma-o o Natal!- a Igreja através do Advento renova sua missão escatológica para o mundo, exercita sua esperança, projeta a todos os homens um futuro messiânico do qual o Natal é primícia e confirmação preciosa.
À luz do mistério de Maria, a Virgem do Advento, a Igreja vive neste tempo litúrgico a experiência de ser agora "como uma Maria histórica" que possui e dá aos homens a presença e a graça do Salvador.
A espiritualidade do Advento resulta assim uma espiritualidade comprometida, um esforço feito pela comunidade para recuperar a consciência de ser Igreja para o mundo, reserva de esperança e de gozo. Mais ainda, de ser Igreja para Cristo, Esposa vigilante na oração e exultante no louvor do Senhor que vem.


Fonte:encontrocomcristo.com.br
19/11/2010

LITURGIA DIÁRIA - PERSEGUIÇÕES E SOFRIMENTOS


Primeira Leitura: Apocalipse 15, 1-4

Leitura do livro de Apocalipse de São João - Eu, João , 1Vi ainda, no céu, outro sinal, grande e maravilhoso: sete Anjos que tinham os sete últimos flagelos, porque por eles é que se deve consumar a ira de Deus. 2Vi também como que um mar transparente, irisado de fogo, e os vencedores, que haviam escapado à Fera, à sua imagem e ao número do seu nome, conservavam-se de pé sobre esse mar com as cítaras de Deus. 3Cantavam o cântico de Moisés, o servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus Dominador. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! 4Quem não temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? Só tu és santo e todas as nações virão prostrar-se diante de ti, porque se tornou manifesta a retidão dos teus juízos. - Palavra do Senhor.


Evangelho: Lucas 21, 12-19

- Naquele tempo, 12Mas, antes de tudo isso, vos lançarão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença dos reis e dos governadores, por causa de mim. 13Isto vos acontecerá para que vos sirva de testemunho. 14Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa, 15porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários. 16Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parentes e vossos amigos, e matarão muitos de vós. 17Sereis odiados por todos por causa do meu nome. 18Entretanto, não se perderá um só cabelo da vossa cabeça. 19É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação. - Palavra da salvação.

Jesus Cristo, o Filho de Deus, Aquele no qual nós cremos e seguimos, disse muito claramente e de várias maneiras que aqueles que o seguirem serão perseguidos. Atenção, não que eles podem ser perseguidos, mas que o serão decerto. Eis algumas das suas palavras a tal propósito: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5,11-12).
A perseguição e o sofrimento do discípulo são tidos por Jesus como sinais premonitórios do fim. O testemunho de seu Nome atrairia de tal forma a ira dos inimigos que estes lançariam mão de toda sorte de maldade contra os seguidores do Mestre. Sofrimento, perseguição, prisões, acusações na sinagoga, morte e ódio era o que lhes aguardava. Até mesmo, a perseguição por parte dos próprios familiares. Tudo isso por causa da fidelidade ao Mestre Jesus. Era preciso, pois, avivar neles a chama da perseverança.
Tarefa desafiadora! Não obstante isso, nos momentos mais difíceis os discípulos receberiam a ajuda divina, de forma que não precisariam preparar a própria defesa. Receberiam, também, uma sabedoria tão sublime, capaz de levá-los a convencer seus adversários. Além da perseverança, os discípulos necessitarão de uma grande fé em Deus. “Nem um só cabelo cairá de vossa cabeça” - garante Jesus ao grupo dos discípulos, facilmente contamináveis pelo medo. A luta, afinal de contas, é do Mestre. Os discípulos são unicamente seus mediadores. O Pai os protege, preservando-os do mal, porque é o Senhor. Ninguém como Deus tem nas mãos a vida dos discípulos, e, por conseguinte, tem o poder de livrá-los do mal.
Os verdadeiros cristãos sempre foram perseguidos em qualquer época e lugar que tenham vivido. Algumas vezes a perseguição será mais forte outras vezes menos forte, mas a perseguição haverá sempre.
Meu irmão, minha irmã, no meio das perseguições permaneça firme na fé não negando o Senhor, sabendo que, como disse o Senhor Jesus, com a vossa perseverança ganhareis as vossas almas (cfr. Lucas 21,19). Lembrai-vos destas palavras de Paulo: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há-de ser revelada” (Rom. 8,18), e também destas: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas” (2 Cor. 4,17-18).
Estas palavras são de grande consolação, pois fazem perceber como após o sofrimento, a nós, cristãos, nos espera a glória, uma eterna glória, diante da qual os sofrimentos são coisa pouca. Certo, o sofrimento, justamente porque é um sofrimento, faz-nos sofrer de várias maneiras, mas, aliás, é justo que nós soframos porque também Jesus Cristo sofreu muito por nós. Por que não haveríamos nós de sofrer por amor do seu Nome? E, além disso, as aflições cooperam para o nosso bem porque, como diz Paulo, produzem em nós paciência (cfr. Rom. 5,3) e a paciência cumpre perfeitamente a obra de Deus em nós (cfr. Tiago 1,2-4). Portanto, não murmuremos contra Deus no meio das aflições, mas oremos encomendando as nossas almas ao fiel Criador, fazendo o bem (cfr. Tiago 5,13 e 1 Ped. 4:19).
Não desanimeis, portanto, é normal, justo e útil aquilo que vos sucede. Alegrai-vos de serdes julgados dignos de ser menosprezados e perseguidos pelo Nome de Jesus.



Padre Bantu

terça-feira, 23 de novembro de 2010

CARISMAS CONFIRMADOS


"Confirmai, Senhor, o que em nós realizastes"
(Preces das Laudes do dia de hoje, 15/10/2010Dia de Santa Teresa Doutora)

"Meu filho: não é a água que confirma o mar. A onda, o sal e a profundidade progressiva denunciam que aquelas águas são diferentes das demais" (Locução interior desta manhã de 15/10/2010)

Um carisma não sobrevive nessa terra senão for confirmado na vida das pessoas envolvidas com ele.Um carisma "cura o seu tempo" e, o tempo curado deve confirmar o carisma e o chamado. Caso contrário, tudo é utopia ou esforço humano que com certeza se esvaziará e desaparecerá.
Realmente não é fácil entender "o que Deus quer". Não estamos vivendo um plano humano, fácil de se explicar. Estamos sob a Graça de Deus e, Graça não se explica, se vive.
Assim é um carisma. Ele deve "viver" e se desenrolar na vida daqueles que foram agraciados com tal presente. E, a autenticidade deste dom deve ser confirmado na pessoas que vivem sob este carisma e nas pessoas que "de longe" vivem esta Graça.
Confirmar é tornar firme e, firmar um carisma na própria vida pode levar anos. Não se confirma o carisma que eu tenho em alguns dias ou meses.Leva-se tempo e gasta-se paciência. Quem tem um carisma consigo nunca conseguirá fazer economia de esperança.
O começo de um carisma é como o nascimento de uma criança: dá medo, mas é gostoso. Todos (papai, mamãe, titio, vovó, padrinho, madrinha) se "juntam" para celebrar o nascimento e contemplar o neném. Mas, os dias vazios, as noites cansativas e meses de esforço que sucedem o nascimento vão "complicando" e, naturalmente há um afastamento daqueles que não "compõe aquela família". E é justamente este o momento inicial do processo de confirmação do carisma. Se ele realmente for meu carisma eu fico e cuido. Se não for, não consigo suportar.

Observação: é fato. Pessoas que não tem o mesmo carisma, muitas vezes, desenvolvem doenças dentro de uma comunidade. Nas mulheres costumam se desenvolver problemas nos ovários, descontrole menstrual e terríveis dores de cabeça. Nos homens, surge uma "raiva" e uma "rebeldia" descontroladas.Tudo isso, somados ao estresse e solidão causados pela "forçação de barra"
Comprovar o nosso carisma supõe pregações, momentos de oração ou serviços de evangelização e pastoral. O carisma se manifesta nestes momentos mas, a confirmação do carisma não se dá através do que eu faço. Antes de tudo, ele deve se confirmar através daquilo que eu sou, na descoberta de mim mesmo e no processo de santidade que se desenrola a partir da revelação do carisma.

Manter um carisma não é fácil. Sozinho não se vai tão longe. Como o mar precisa do vento para produzir as ondas, assim é um povo que recebe um carisma: necessita do vento da Graça, o Espírito Santo, para confirmar que fazem parte de uma "água diferente" e para movimentar a Graça na praia da vida das pessoas.
A confirmação de um carisma se dá por duas vias: a via Divina e a via humana.
A via divina é Deus confirmando um carisma na vida das pessoas através de provações, dificuldades, solidão, tristeza... mas também fulgor, alegria, paz, unidade, brincadeiras, fraternidade, missão enfim.

Já na via humana, a confirmação do carisma se dá através de perseguições, frustrações, não entendimentos, relações conturbadas... mas também em frutos do Espírito na vida das pessoas que convivem com este carisma, em suas vidas de oração, num ânimo espiritual, na santidade e na descoberta daqueles "mistérios" que O Senhor revela somente àquele carisma...Tudo pode ser motivo de confirmação de um carisma. Todas as coisas concorrem para nosso bem (Rm. 8,28). Mas, somente o tempo e a fidelidade do fundador (a) e dos pioneiros verificam e confirmam a autenticidade daquele Dom.
Antes de perder o ânimo é bom que observemos todos os acontecimentos, todos os movimentos Divinos e toda manifestação humana. Nosso carisma, quando quer se confirmar em nossa vida, usa de todos os meios para que isso aconteça: fracassos, tristezas, velórios, decepções, família, perseguições familiares...E é bom que tenhamos uma convicção: o carisma não nos confirma somente uma vez. Todo dia é dia de confirmação. Atente-se a todos os movimentos e deixe que O "Deus Fiel até o fim" confirme Sua Santa Vontade em cada um de nós."Vós, que em Cristo nos chamastes para uma missão profética, dai-nos a graça de proclamarmos sem temor as maravilhas do Vosso poder" (Laudes do dia).http://www.silvinhoz.blogspot.com/


com minha benção
Padre Emílio Carlos+