quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

5ª Semana do Tempo Comum - Por que Deus privilegia a uns e não a outros?

 Deus tem os seus eleitos

Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemo-nos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor (Sl 94,6s).

No ato criador, Deus decide dar ao homem “uma auxiliar semelhante a ele”. Assim, cria a mulher, que o homem poderá amar e com a qual constituir a família. Esta liturgia nos ajude a seguir os mandamentos do Senhor com a fé e a confiança da mulher do Evangelho.

Primeira Leitura: Gênesis 2,18-25

Leitura do livro do Gênesis18O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. 19Então o Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu e trouxe-os a Adão, para ver como os chamaria; todo ser vivo teria o nome que Adão lhe desse. 20E Adão deu nome a todos os animais domésticos, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens, mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. 21Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. 22Depois, da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. 23E Adão exclamou: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ porque foi tirada do homem”. 24Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne. 25Ora, ambos estavam nus, Adão e sua mulher, e não se envergonhavam. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 127(128)

Felizes todos os que respeitam o Senhor.

1. Feliz és tu se temes o Senhor / e trilhas seus caminhos! / Do trabalho de tuas mãos hás de viver, / serás feliz, tudo irá bem! – R.

2. A tua esposa é uma videira bem fecunda / no coração da tua casa; / os teus filhos são rebentos de oliveira / ao redor de tua mesa. – R.

3. Será assim abençoado todo homem / que teme o Senhor. / O Senhor te abençoe de Sião / cada dia de tua vida. – R.

Evangelho: Marcos 7,24-30

Aleluia, aleluia, aleluia.

Acolhei docilmente a Palavra / semeada em vós, meus irmãos; / ela pode salvar vossas vidas! (Tg 1,21) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. 25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. 28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”. 29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela. – Palavra da salvação.

Reflexão

No Evangelho de hoje, Jesus exorciza um demônio de uma mulher de Tiro e Sidônia. É um Evangelho com vários aspectos interessantes de analisar.

Em primeiro lugar, é necessário esclarecer a geografia. Jesus está no norte da Terra Santa. Ele saiu das fronteiras da Terra Santa e partiu numa espécie de viagem, mas não se entende por que Ele saiu da região. Afinal, não parece que Ele tenha ido como missionário.

O fato, porém, é que uma mulher ouviu falar de Jesus e foi ao seu encontro pedir-lhe a graça da cura de uma filha oprimida pelo demônio. Jesus então diz algo desconcertante e enigmático: “Não é bom tirar dos filhos o alimento” — os filhos, claramente são o povo de Israel — “para o entregar aos cachorrinhos” — os cachorrinhos, é claro, são os pagãos e gentios, que não pertencem ao povo de Israel, portanto nós.

A humildade desconcertante da mulher, ao aceitar essa distinção, é exatamente a causa de Jesus então declarar: “Por causa do que disseste, podes ir; a tua filha foi libertada do poder do maligno”.

Aqui nós vemos, em primeiro lugar, uma coisa interessante: Deus privilegiou o povo de Israel, e a nossa atitude — nós, que não somos judeus — diante desta escolha de Deus, a eleição de um povo especial, deve ser a atitude humilde de quem compreende. Deus muitas vezes escolhe pessoas especiais e lhes dá graças que não dá a nós; mas Ele faz isso para o nosso bem. Sei que nós estamos numa cultura igualitária.

As pessoas não conseguem ver nada de bom no fato de uns serem privilegiados e outros não. Mas é que Deus, quando escolhe, dá algo mais aos outros. Ele faz isso exatamente para o nosso bem. Por exemplo, por que Deus deu tantas graças à Virgem Maria? Não foi para nós? Não fora tão mais importante e maravilhoso que tivéssemos uma Mãe assim?

Pois bem, quando vemos que alguém recebeu uma graça maior do que a que nós recebemos, devemos nos alegrar; mas para que isso aconteça, precisamos em primeiríssimo lugar da humildade desta mulher do Evangelho de hoje, humildade de ver que Deus tem suas escolhas, portanto Deus tem aqueles a quem Ele privilegia, escolhe e lhe dá por primeiro o alimento dos filhos. Ora, esse alimento que Ele dá aos filhos transborda, por isso o recebem também os que não são filhos.

A comparação com os cachorrinhos pode parecer ofensiva; mas, no fim das contas, todos nós nos tornamos filhos de Deus. Como nos tornamos filhos de Deus? O Pai, na sua infinita misericórdia, derramou a plenitude do amor no Filho: “Eis o meu Filho muito amado, no qual coloquei toda a minha complacência”, e dessa graça infinita derramada sobre o Filho encarnado, Jesus, transborda mais do que migalhas; transborda a abundância da graça para nós, admitidos à mesa dos filhos.

Eis aí como Deus age e opera a salvação. Ele escolhe alguns e os privilegia para que muitos recebam a graça. É simplesmente um sinal daquele que é o único método de Deus, escolher o seu único, Jesus, o Eleito, sobre o qual são derramadas as graças e do qual transbordam em abundância todas as graças que salvarão a humanidade.

 

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domingo, 9 de fevereiro de 2025

5º Domingo do Tempo Comum - Cristo revela o verdadeiro sentido de nossas vidas.

O chamado da graça

 Primeira leitura: Isaías 6, 1-8
Leitura do Livro do Profeta Isaías:

1No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono de grande altura; o seu manto estendia-se pelo templo. 2Havia serafins de pé a seu lado; cada um tinha seis asas. 3Eles exclamavam uns para os outros: 'Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória'. 4Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça. 5Disse eu então: 'Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos'. 6Nisto, um dos serafins voou para mim, tendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz, 7e tocou minha boca, dizendo: 'Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa, e teu pecado está perdoado'. 8Ouvi a voz do Senhor que dizia: 'Quem enviarei? Quem irá por nós?' Eu respondi: 'Aqui estou! Envia-me'.

- Palavra do Senhor
- Graças a Deus

Salmo 137 (138)
- Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me.

R:Vou cantar-vos, ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

- Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma.

R:Vou cantar-vos, ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

- Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa. Hão de cantar vossos caminhos e dirão: 'Como a glória do Senhor é grandiosa!'

R:Vou cantar-vos, ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

- Estendereis o vosso braço em meu auxílio e havereis de me salvar com vossa destra. Completai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!

R:Vou cantar-vos, ante os anjos, ó Senhor, e ante o vosso templo vou prostrar-me.

Segunda leitura: Coríntios 15, 1-11
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

1Quero lembrar-vos, irmãos, o evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão. 3Com efeito, transmití-vos em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo. 9Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10É pela graça de Deus que eu sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril: a prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos - não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo. 11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes.

 - Palavra do Senhor
- Graças a Deus


Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 5, 1-11

- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- "Vinde após mim!", o Senhor lhes falou, "e vos farei pescadores de homens".

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas:

Naquele tempo: 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: 'Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca'. 5Simão respondeu: 'Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes'. 6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem. 8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: 'Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!' 9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: 'Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens.' 11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.
- Palavra da Salvação
- Glória a Vós, Senhor

O Evangelho deste 5.º Domingo do Tempo Comum, retirado de São Lucas, capítulo 5 versículos do 1 ao 11,  narra com riqueza de detalhes a vocação de São Pedro, juntamente com outros pescadores que se tornaram Apóstolos de Jesus: Pedro, André, Tiago e João. Diferentemente dos Evangelhos de Mateus e Marcos, que relatam esse chamado de maneira mais resumida, sem mencionar a “pesca milagrosa”, São Lucas apresenta esse episódio com particular profundidade; ele dá ênfase à manifestação do poder de Cristo nesse momento decisivo.

O Evangelho de São Lucas situa-nos à margem do Lago de Genesaré, também chamado Mar da Galileia, uma região árida onde o Rio Jordão, nascido das geleiras do Líbano, alarga-se e se torna uma fonte de vida. Foi nesse cenário, próximo a Cafarnaum, cidade de Pedro, que Jesus iniciou sua pregação e ministério. Desse modo, à beira do lago, a multidão aglomera-se em torno de Nosso Senhor, dificultando a acústica da sua pregação. Vendo Pedro, então chamado Simão, com André, Tiago e João lavando as redes após uma noite de pesca, Jesus entra no barco de Simão, pede que se afaste um pouco da margem e começa a pregar.

Vejamos como Deus serve-se de situações que, à primeira vista, parecem simples coincidências. Após uma noite exaustiva de trabalho, Pedro certamente não esperava ouvir um sermão — provavelmente ele só queria descansar. No entanto, Jesus pede para usar sua barca, e, por cortesia, Pedro permite. Como consequência, acaba ouvindo a pregação, que começa a tocar profundamente seu coração.

Após concluir a pregação, Jesus diz a Pedro: “Avança para águas mais profundas e lança as redes”. Pedro, sem querer faltar com o respeito, dirige-se a Ele com o termo grego “Epistata”, traduzido como “mestre”, mas que significa mais do que um simples professor. O termo indica alguém de posição elevada, semelhante ao uso de “sensei” no âmbito das artes marciais japonesas — um título que expressa respeito e reconhecimento de autoridade.

Pedro responde a Jesus com respeito: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada pescamos, mas, por atenção à tua palavra, lançarei as redes”. No original grego, “rhēma” significa uma palavra de ordem, e Pedro obedece. E então, depois da pesca milagrosa, ocorre seu verdadeiro chamado. Agora, ele não vê Jesus apenas como um mestre respeitável, mas como “Kyrios”, Senhor. Diante desse reconhecimento, Pedro, tomado de espanto, exclama: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um homem pecador”. Apesar da infinita dignidade de Nosso Senhor — em contraste com a indignidade daquele pescador — Cristo o chama, dizendo: “Não tenhas medo. Doravante, tu serás pescador de homens”. Eis a vocação do Apóstolo. 

A primeira leitura deste domingo recorda a vocação do Profeta Isaías, que, embora diferente da de Pedro, guarda semelhanças. Isaías tem sua visão no Templo, onde vê serafins proclamando: “Santo, santo, santo. Senhor Deus dos exércitos celestes, a Terra está cheia da sua glória” — esse canto, repetido em todas as missas, também está presente nos ritos orientais. Diante da visão, Isaías reage como Pedro, reconhecendo sua indignidade: “Ai de mim estou perdido, sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o Rei, o Senhor dos exércitos”. A liturgia, ao apresentar essas passagens, destaca o paralelo entre os chamados de Isaías e de Pedro, mostrando como Deus transforma-os para sua missão.

Antes de tirarmos conclusões para a nossa vida, é importante compreender o verdadeiro significado de vocação. Frequentemente, associamos vocação apenas a uma profissão; mas, a bem da verdade, trata-se do caminho que Deus escolheu para nossa salvação. Ser médico, engenheiro ou pai de família não é um fim em si mesmo, senão um meio para alcançarmos o Céu. No caso de Pedro, sua vocação é clara: “Tu serás pescador de homens”. Ou seja, ao salvar os outros, ele também encontrará sua própria salvação — um aspecto essencial que muitas vezes passa despercebido.

Estamos neste mundo para levar os outros a Deus e, ao fazê-lo, também nos aproximamos d’Ele. Se queremos nos salvar, devemos ajudar os outros a encontrar o caminho do Céu. Esse é o grande segredo que muitos não percebem. Pedro, por exemplo, tinha uma profissão — era pescador para se sustentar. Mas, ao reconhecer sua pequenez diante de Nosso Senhor, sua vida ganha um novo sentido. Ele não tem mais apenas uma profissão, mas uma vocação: ser pescador de homens.

Não importa qual seja a nossa profissão — médico, engenheiro, mecânico, operário ou escritor — o essencial é vivê-la bem. Mas nossa vocação vai além do trabalho: envolve ser esposo, esposa, pai, mãe, e, sobretudo, buscar a santidade levando os outros a Deus. Se nos concentramos apenas na profissão, perdemos o verdadeiro propósito. Nossa vocação é ser santos onde estamos, transformando cada aspecto da vida em um meio de amar, servir e conduzir os outros à salvação.

No dia 24 de janeiro, celebramos São Francisco de Sales, que viveu na transição do século XVI para o XVII. Ele dedicou sua vida a mostrar que todos somos chamados à santidade, independentemente da nossa condição de vida. Em seu famoso livro “Introdução à Vida Devota”, São Francisco ensina que a verdadeira devoção deve estar alinhada com o chamado de cada pessoa, não importando sua situação. No capítulo 3 da primeira parte, ele escreve: 

“É um erro, se não até mesmo uma heresia, querer excluir a vida devota dos quartéis dos soldados, das oficinas dos operários, dos palácios dos príncipes, do lar das pessoas casadas. Confesso, porém, caríssima Filoteia, que a devoção puramente contemplativa, monástica e religiosa, de modo algum pode ser praticada em tais ocupações ou condições. Mas para além dessas três espécies de devoção, há muitas outras próprias para o aperfeiçoamento daqueles que vivem no estado secular. Portanto, onde quer que estejamos, devemos e podemos aspirar à vida perfeita”. 

Devemos aspirar à santidade em qualquer situação, pois essa é nossa verdadeira vocação. Todo homem maduro tem a vocação de ser um pai santo e levar seus filhos ao Céu, assim como toda mulher madura tem a vocação de ser mãe santa. Isso vale para todos, seja um monge, uma monja, ou uma mãe casada — cada um é chamado a viver a santidade em sua vocação, incluindo seu trabalho e vida familiar. Como diz São Francisco de Sales, é um erro dizer que essas pessoas não têm vocação; elas a têm, e essa vocação concretiza-se em seu papel de pais e mães, conduzindo seus filhos ao Céu.

A vocação acontece quando temos um encontro com Jesus, que nos leva para águas mais profundas. Antes, estávamos vivendo de forma superficial e desanimada, mas ao encontrar Cristo, nossa vida nunca mais será a mesma. Embora a vida exterior possa continuar parecida, há uma mudança interior radical. Se antes pescávamos peixes, agora vemos nossa profissão como meio de sustento, mas o verdadeiro propósito é “pescar” almas para Deus, levando outros e a nós mesmos à salvação e ao Céu.

O último ponto a refletir é que nunca seremos bons cristãos ou santos se não transmitirmos nossa fé e ajudarmos outros a serem santos, firmemente seguindo o caminho para o Céu. Se queremos preservar nossa fé, devemos compartilhá-la; se buscamos a santidade, precisamos ajudar os outros a alcançá-la. Todos somos chamados a ser pescadores de almas, independentemente da profissão que exercemos. Com efeito, a vocação não depende de mudar o trabalho, mas de encontrar o propósito de levar outros a Deus. Assim como Pedro foi encontrado pela vocação, devemos também nos lançar para alcançar a Deus, ajudando outros a chegar ao Céu. Como São Paulo diz: “Já que eu fui alcançado por Cristo, deixando o que está para trás, eu me lanço para alcançar aquele que me alcançou”.

 

 

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sábado, 8 de fevereiro de 2025

4ª Semana do Tempo Comum - “Porque eram como ovelhas sem pastor”

 “Porque eram como ovelhas sem pastor” (Homilia Diária.1391: Sábado da 4.ª  Semana do Tempo Comum)

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e do meio das nações nos congregai, para ao vosso nome agradecer e para termos nossa glória em vos louvar! (Sl 105,47)

Jesus, o “grande pastor das ovelhas”, está de prontidão para apresentar ao Pai celeste nossas boas obras. Em nosso Senhor, que é cheio de compaixão pelos mais vulneráveis, depositemos toda a nossa confiança. A ele demos “glória pelos séculos dos séculos”.

Primeira Leitura: Hebreus 13,15-17.20-21

Leitura da carta aos Hebreus – Irmãos, 15por meio de Jesus, ofereçamos a Deus um perene sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome. 16Não vos esqueçais das boas ações e da comunhão, pois esses são os sacrifícios que agradam a Deus. 17Obedecei aos vossos líderes e segui suas orientações, porque eles cuidam de vós como quem há de prestar contas. Que possam fazê-lo com alegria e não com queixas, que não seriam coisa boa para vós. 20O Deus da paz, que fez subir dentre os mortos aquele que se tornou, pelo sangue de uma aliança eterna, o grande pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus, 21vos torne aptos a todo bem, para fazerdes a sua vontade; que ele realize em nós o que lhe é agradável, por Jesus Cristo, ao qual seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém! – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 22(23)

O Senhor é o pastor que me conduz, / não me falta coisa alguma.

1. O Senhor é o pastor que me conduz; / não me falta coisa alguma. / Pelos prados e campinas verdejantes / ele me leva a descansar. / Para as águas repousantes me encaminha / e restaura as minhas forças. – R.

2. Ele me guia no caminho mais seguro, / pela honra do seu nome. / Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, / nenhum mal eu temerei. / Estais comigo com bastão e com cajado, / eles me dão a segurança! – R.

3. Preparais à minha frente uma mesa, / bem à vista do inimigo; / com óleo vós ungis minha cabeça, / e o meu cálice transborda. – R.

4. Felicidade e todo bem hão de seguir-me / por toda a minha vida; / e na casa do Senhor habitarei / pelos tempos infinitos. – R.

Evangelho: Marcos 6,30-34

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam minha voz, / eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham tempo nem para comer. 32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé e chegaram lá antes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. – Palavra da salvação.

Reflexão
 
No Evangelho de hoje, Nosso Senhor expressa todo seu amor para com o povo, providenciando-lhe pastores. Tal realidade está expressa de forma sucinta no último versículo: “Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6, 34). Essa frase apresenta-se como um eco dos fatos ocorridos com o povo de Deus no Antigo Testamento. No livro dos Números, quando Moisés estava prestes a morrer, Josué é escolhido como seu sucessor, a fim de que o povo de Israel não fosse “como um rebanho sem pastor” (Nm 27, 17). Posteriormente, quando Israel estava sob o reinado de Acab, o profeta Miquéias afirmou que todo o povo estava disperso “como um rebanho sem pastor” (1Rs 22, 17). Assim, desde o Antigo Testamento, o povo de Deus andava errante, sem alguém que os conduzisse por caminhos seguros. E é justamente nos Apóstolos de Cristo que ele encontra os pastores de que precisava. Por isso, no início do Evangelho, os Apóstolos se reúnem com Jesus para contar “tudo o que haviam feito e ensinado” (Mc 6, 30). Ou seja, como sacerdotes de Cristo, eles buscam estar unidos a Ele, ensinando a Palavra de Deus e administrando os sacramentos. O Evangelho também nos mostra a generosidade dos Apóstolos, que “não tinham tempo nem para comer” (Mc 6, 32), indicando que os pastores escolhidos por Jesus compreendiam que entregaram toda sua vida pela missão, gastando-se e desgastando-se por ela, sem instrumentalizá-la para se autopromover ou para obter privilégios e reconhecimento social. Oremos para que o coração dos nossos pastores, sucessores que são dos Apóstolos, seja configurado ao Sagrado Coração de Jesus, a fim de que, como Ele, que é o Bom Pastor, também eles derramem seu sangue pela salvação do rebanho que lhes foi confiado. 


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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

4ª Semana do Tempo Comum - A vaidade de Herodes.

 Martírio de São João Batista (29.08) - O Recado Editora

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e do meio das nações nos congregai, para ao vosso nome agradecer e para termos nossa glória em vos louvar! (Sl 105,47)

Incontáveis são as possibilidades de fazer o bem ao próximo ao longo do dia. Importante é não desanimarmos e nos mantermos nesse propósito, apesar dos obstáculos. Busquemos motivações e força na Palavra de Deus, que nos convida: “Perseverai no amor fraterno”.

Primeira Leitura: Hebreus 13,1-8

Leitura da carta aos Hebreus – Irmãos, 1perseverai no amor fraterno. 2Não esqueçais a hospitalidade, pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos sem o perceber. 3Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! 4O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha, porque Deus julgará os imorais e adúlteros. 5Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”. 6De modo que podemos dizer, com ousadia: “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?” 7Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a Palavra de Deus, e, considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. 8Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 26(27)

O Senhor é minha luz e salvação!

1. O Senhor é minha luz e salvação; / de quem eu terei medo? / O Senhor é a proteção da minha vida; / perante quem eu tremerei? – R.

2. Se contra mim um exército se armar, / não temerá meu coração; / se contra mim uma batalha estourar, / mesmo assim confiarei. – R.

3. Pois um abrigo me dará sob o seu teto / nos dias da desgraça; / no interior de sua tenda há de esconder-me / e proteger-me sobre a rocha. – R.

4. Senhor, é vossa face que eu procuro; / não me escondais a vossa face! / Não afasteis em vossa ira o vosso servo, † sois vós o meu auxílio! / Não me esqueçais nem me deixeis abandonado. – R.

Evangelho: Marcos 6,14-29

Aleluia, aleluia, aleluia.

Felizes os que observam a Palavra do Senhor de reto coração / e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 14 o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. 15Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”. 16Ouvindo isso, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” 17Herodes tinha mandado prender João e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. 23E lhe jurou, dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. 24Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram. – Palavra da salvação.

Reflexão

Lemos no Evangelho desta 6.ª-feira a respeito martírio de São João Batista, degolado por causa da vaidade de Herodes. Vemos, pois, a imensidade deste pecado, o seu poder destrutivo, a sua força corruptora. O tetrarca, de fato, se comprazia em ouvir as pregações do Batista: gostava de o escutar, "embora ficasse embaraçado" ao ver-se tão pecador e, ao mesmo tempo, tão indisposto ao arrependimento. Envergonhava-se, quem sabe, de ver-se como efetivamente era: mesquinho e pecador; não se envergonhava, contudo, de sua mesquinharia e de seus pecados. Com efeito, Herodes se agradava ao ouvir a Palavra de Deus; não estava preocupado, porém, em ele próprio agradar ao Senhor. Eis aqui a raiz de sua iniquidade, eis o princípio de suas ações terríveis. Ora, por ser cheia de verdade e justiça, a Palavra de Deus atrai os corações, ilumina as inteligências; mas de nada adianta ouvi-la se não se está disposto a pagar o preço da conversão que ela nos exige.

Chegara, enfim, o "tempo oportuno". Em meio à destemperança de teus festejos, ó Herodes, ainda que o tenhas feito a contragosto, preferiste dar cabo do Batista a desagradar aos convivas. Preferiste tirar a vida de um justo a perder o aplauso dos ímpios. Como poderias crer, ó Herodes, tu que, ainda que te deleites com pregações e homilias, recebes a glória dos teu fâmulos, e não buscas a glória que é de Deus (cf. Jo 5, 44)? Daqui se vê o que realmente separa o justo de um ímpio. O primeiro quer agradar a Deus; o segundo, apenas a si mesmo. O justo vai à Igreja por amor e renúncia; o ímpio, por vaidade e passatempo. O primeiro, arrependido de suas faltas, escuta: "Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão", e vai logo fazer penitência, deixando para trás a sujeira de sua velha vida; o segundo, ao ouvir a mesma pregação, decide fazer-se de surdo e matar o pregador. Se a Igreja admoesta o justo com incômodas verdades, logo ele se conforma ao que lhe manda a Esposa de Cristo; o ímpio, ao contrário, se não lhe apraz este ou aquele ponto da doutrina, antes julga melhor repreender a Igreja e conformá-la às suas próprias loucuras.

Que Herodes seja para nós, igrejeiros tão pouco cristãos, um aviso sério de que uma vida de verdadeira santidade é muito mais do que devoções ou piedades. Temos de estar dispostos a querer agradar a Deus acima de todas as vanglórias humanas, de todos os olhares deste mundo, ainda que isto nos custe o sangue, nos custe amizades, nos custe a "boa fama" que poderíamos construir. Que o bem-aventurado Precursor do Senhor, com o exemplo de seu martírio, nos evangelize hoje e nos faça livres da "beatice" superficial e maquilada de um Herodes Agripa. Seja o nosso amor pronto a tudo entregar por Deus, a tudo sofrer por Deus, a tudo perder por Deus.

 

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Memória, São Paulo Miki e companheiros mártires.

 Homilia Dominical - Mc 6,7-13 - Rede Nazaré de Comunicação

Alegram-se nos céus os santos que seguiram os passos de Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; por isso, com ele exultam eternamente.

A Palavra de Deus afirma que temos acesso a “Jesus, mediador da Nova Aliança”. Essa é a certeza que, no século 16, moveu o religioso jesuíta Paulo Miki e seus 25 companheiros a propagar o cristianismo em terras japonesas. Morreram crucificados. Que o testemunho desses mártires nos anime a vencer os obstáculos da caminhada e da missão cristã, à qual o Senhor nos envia.

Primeira Leitura: Hebreus 12,18-19.21-24

Leitura da carta aos Hebreus – Irmãos, 18vós não vos aproximastes de uma realidade palpável: “fogo ardente e escuridão, trevas e tempestade, 19som da trombeta e voz poderosa”, que os ouvintes suplicaram não continuasse. 21Eles ficaram tão espantados com esse espetáculo, que Moisés disse: “Estou apavorado e com medo”. 22Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste; da reunião festiva de milhões de anjos; 23da assembleia dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus; de Deus, o juiz de todos; dos espíritos dos justos, que chegaram à perfeição; 24de Jesus, mediador da Nova Aliança, e da aspersão do sangue mais eloquente que o de Abel. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 47(48)

Recordamos, ó Senhor, vossa bondade / em meio ao vosso templo.

1. Grande é o Senhor e muito digno de louvores / na cidade onde ele mora; / seu monte santo, esta colina encantadora / é a alegria do universo. – R.

2. Monte Sião, no extremo norte situado, / és a mansão do grande rei! / Deus revelou-se em suas fortes cidadelas / um refúgio poderoso. – R.

3. Como ouvimos dos antigos, contemplamos: / Deus habita esta cidade, / a cidade do Senhor onipotente; / que ele a guarde eternamente! – R.

4. Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade / em meio ao vosso templo; / com vosso nome vai também vosso louvor / aos confins de toda a terra. – R.

Evangelho: Marcos 6,7-13

Aleluia, aleluia, aleluia.

Convertei-vos e crede no Evangelho, / pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1,15) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 7Jesus chamou os doze e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. 8Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. 9Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. 10E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. 11Se em algum lugar não vos receberem nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés como testemunho contra eles!” 12Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. 13Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo. – Palavra da salvação.

No Evangelho de hoje, Jesus chama seus doze Apóstolos e os envia em missão, ordenando-os a que sigam um estilo de vida desafiador, completamente diferente do jeito mundano de viver. O Senhor quer deles uma atitude de desprendimento, de desapego dos bens terrenos, seja da comida, da comodidade ou das honrarias e vaidades humanas. Trata-se, com efeito, de um estilo de vida em que se cumprem os três conselhos evangélicos: a obediência, a pobreza e a castidade. Os Apóstolos, embaixadores de Cristo, têm de imitá-lo em sua obediência à vontade do Pai, em sua perfeitíssima pobreza, em sua imaculada pureza de corpo, de alma e de olhar. Eis aí a nota distintiva dos Apóstolos e daqueles que, por disposição divina, os sucedem no governo da Igreja: para ser apóstolo de verdade, não basta pregar a palavra; é preciso também sacrificar a própria vida, pois foi isso o que fez Nosso Senhor. Além de anunciar o Evangelho, Ele se deu por completo àqueles que viera salvar com seu Sangue. Sem esse sacrifício constante que caracteriza a vida de um verdadeiro discípulo, todo apostolado se torna vão, infrutífero, estéril, “conversa da boca para fora”. Que os nosso bispos e padres possam viver com integridade e radicalidade a vida a que foram chamados, em tudo conformes à imagem do Filho encarnado, que passou pelo mundo fazendo o bem e doando-se sem reservas aos que a Ele acudiam com fé e humildade de coração.


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