quarta-feira, 4 de maio de 2022

3ª Semana da Páscoa - A fé é o início de uma nova vida.

 O PÃO DA VIDA – JOÃO 6,24-35

Primeira Leitura: Atos 8,1-8

Leitura dos Atos dos Apóstolos – 1Naquele dia começou uma grande perseguição contra a Igreja de Jerusalém. E todos, com exceção dos apóstolos, se dispersaram pelas regiões da Judeia e da Samaria. 2Algumas pessoas piedosas sepultaram Estêvão e observaram grande luto por causa dele. 3Saulo, porém, devastava a Igreja: entrava nas casas e arrastava para fora homens e mulheres, para atirá-los na prisão. 4Entretanto, aqueles que se tinham dispersado iam por toda parte, pregando a Palavra. 5Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. 6As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. 7De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. 8Era grande a alegria naquela cidade. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 65(66)

Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.

1. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, / cantai salmos a seu nome glorioso, / dai a Deus a mais sublime louvação! / Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras! – R.

2. Toda a terra vos adore com respeito / e proclame o louvor de vosso nome!” / Vinde ver todas as obras do Senhor: / seus prodígios estupendos entre os homens! – R.

3. O mar ele mudou em terra firme, / e passaram pelo rio a pé enxuto. / Exultemos de alegria no Senhor! / Ele domina para sempre com poder! – R.

Evangelho: João 6,35-40

Aleluia, aleluia, aleluia.

Quem vê o Filho e nele crê, este tem a vida eterna, / e eu o farei ressuscitar no último dia, diz Jesus (Jo 6,40). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 35“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. 37Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. 38Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”. – Palavra da salvação.

Reflexão

O discurso eucarístico que estamos lendo nos últimos dias se articula, por assim dizer, em duas fases principais: na primeira, Jesus se apresenta como o pão da vida no qual é preciso crer, por ser Ele o enviado de Deus: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou”; na segunda, o Senhor finalmente se apresenta como o pão da vida que é preciso comer, por ser Ele a única fonte de vida: “O pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo […]. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”. No Evangelho de hoje, Cristo explica a conexão entre fé, Eucaristia e ressurreição, ao dizer a seus ouvintes: “Eu desci do céu […] para fazer a […] vontade […] daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas os ressuscite no último dia”. O tema da ressurreição pode até parecer deslocado neste contexto, mas tem tudo a ver com o conteúdo geral do sermão eucarístico. Com efeito, ao apresentar-se como pão da vida, Jesus faz alusão — como vimos há dias — não a qualquer vida, mas à vida eterna, que não é mais do que a vida do próprio Deus, da qual nos tornamos partícipes pela graça santificante. Isso significa que, se tivermos em nós a graça, unidos a Nosso Senhor Jesus Cristo, viveremos não apenas a vida humana que nos corresponde em virtude da nossa natureza, mas também a vida divina, que corresponde propriamente a Deus. Ora, para estar unido a Cristo e, portanto, à sua vida sobrenatural, há dois meios principais: o primeiro é pelo ato de fé; o segundo, pela Comunhão eucarística. 

É evidente, porém, que a fé é necessária para bem comungar e estar em contato com Cristo, não só física, mas sacramental e espiritualmente, pois de nada adianta comungar com a boca, mas sem o coração. A diferença entre um e outro meio é que, se comungamos bem, temos a Cristo presente sacramentalmente apenas durante alguns poucos minutos, ao passo que, se pomos em exercício a nossa fé, o temos em contato conosco espiritualmente, pelo toque do Espírito Santo, todas as vezes que repetimos o ato, pois “esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”. Por isso, se a Eucaristia se chama, com toda propriedade, penhor da vida eterna, por recebermos nela o Corpo e o Sangue vivos do Senhor ressuscitado, também se pode dizer que o ato de fé constitui, à sua maneira, uma preparação para a ressurreição, na medida em que, por meio dele, o mesmo Ressuscitado nos toca com sua graça e nos comunica, já agora, a vida que viveremos plenamente depois da morte.

 

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terça-feira, 3 de maio de 2022

São Felipe e São Tiago, Apóstolos - Festa

 Tomé vê o Cristo ressuscitado

Primeira Leitura: 1 Coríntios 15,1-8

Leitura da primeira carta de São Paulo aos Coríntios – 1Irmãos, quero lembrar-vos o Evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo, teríeis abraçado a fé em vão. 3Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras; 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 18(19)

Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.

1. Os céus proclamam a glória do Senhor, / e o firmamento, a obra de suas mãos; / o dia ao dia transmite esta mensagem, / a noite à noite publica esta notícia. – R.

2. Não são discursos nem frases ou palavras, / nem são vozes que possam ser ouvidas; / seu som ressoa e se espalha em toda a terra, / chega aos confins do universo a sua voz. – R.

Evangelho: João 14,6-14

Aleluia, aleluia, aleluia.

Sou o caminho, a verdade e a vida, diz Jesus; / Filipe, quem me vê, igualmente vê meu Pai! (Jo 14,6.9) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me, eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa dessas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que estas, pois eu vou para o Pai. 13E o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei”. – Palavra da salvação.

Reflexão

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, afirma Jesus por ocasião de uma dúvida de Tomé, que lhe perguntara: “Senhor, nós não sabemos para onde vais”. Nega o Apóstolo o que logo antes havia dito Cristo, a saber, que conheciam eles para onde deviam ir e o caminho para lá chegar: “Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. Tomé, no entanto, nega conhecer uma e outra coisa, embora as conhecesse sem se dar conta. Era verdade que o sabiam os discípulos, embora ignorassem sabê-lo. Muitas coisas, com efeito, sabiam os Apóstolos sobre o Pai e o Filho, todas aprendidas da boca de Cristo; ignoravam, porém, que era para o Pai que o Senhor voltava, e que era o Filho o caminho para lá chegarem. Não admira pois que, estando há tempos em companhia de Jesus, não tivessem compreensão plena de sua doutrina, porque, embora o conhecessem perfeitamente como homem, conheciam apenas imperfeitamente sua divindade, segundo aquilo de Jó: “A águia não conhece a vereda, nem o olho do abutre a enxergou” (Jó 28, 7). E acrescenta Tomé: “Como podemos conhecer o caminho?”, pois o conhecimento do caminho depende do conhecimento do destino. Por isso, afirma Cristo ser o Caminho, segundo a sua humanidade, e também a Verdade e a Vida, segundo a sua divindade, e por conseguinte tanto a via para o destino como o destino a que se chega por essa via. É o Caminho por sua humanidade, porque é pela fé nele, pelos méritos de sua Paixão e pela graça de seus sacramentos que alcançamos a salvação: “Tende fé em Deus, tende fé em mim também”; e é a Verdade e a Vida, por sua divindade e, portanto, a consumação de nossa existência quanto ao intelecto, que só se há de aquietar quando conhecer diretamente a Verdade completa, e quanto à nossa vontade, que só repousará tranquila no Bem quando tiver garantida uma vida interminável junto de Deus. E para chegarmos um dia a essa morada que o Filho encarnado nos tem preparada, não há outro meio senão Ele mesmo, sob cujo Nome havemos de ser salvos: “Ninguém vai ao Pai senão por mim” [1].

1. Cf. S. Tomás de Aquino, Super Io., c. 14, l. 2.

 

 

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Você conhece o santos apóstolos Filipe e Tiago?

 

 A Igreja recorda neste dia 3 de maio os santos apóstolos Filipe e Tiago, que morreram como mártires por causa de sua fé em Cristo.

São Filipe nasceu em Betsaida e foi discípulo de São João Batista. Foi um dos primeiros apóstolos chamados por Jesus. Foi ele quem perguntou a Jesus sobre a distribuição dos pães: “Como vamos dar de comer a tanta gente?” (Jo 6,5-7). E também foi a ele que recorreram os pagãos que queriam conhecer o Senhor (Jo 12 20-22). Além disso, Filipe pediu a Cristo na Última Ceia: “mostra-nos o Pai” (Jo 14,8-11).

Filipe foi também quem pediu permissão a Jesus para ir enterrar seu pai. “Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos” (Mt 8,22), respondeu-lhe o Senhor.

Depois da ascensão, Filipe recebeu o Espírito Santo em Pentecostes, junto com os outros apóstolos e a Virgem Maria. Mais tarde, foi evangelizar a região da Frígia, atual Turquia, Hungria, Ucrânia e Rússia oriental.

São Filipe foi martirizado e morreu crucificado e apedrejado em Hierápolis. No século VI, as relíquias do apóstolo foram levadas para Roma e colocadas na Basílica dos Doze Apóstolos. O Martirológio da Idade Média celebrava sua festa no dia 1º de maio, mas a data foi alterada para 3 de maio.

São Tiago é chamado de “filho de Alfeu” e também é conhecido como “o primo do Senhor”, porque sua mãe era parente da Virgem. A ele é creditada a autoria da primeira epístola católica. Um de seus mais profundos e famosos provérbios é: “A fé sem obras é morta”.

Também se encontra nos Atos dos Apóstolos referências ao apóstolo assinalando que era muito querido pela Igreja de Jerusalém e que o chamavam “o bispo de Jerusalém”. São Paulo o considera em sua carta aos Gálatas, junto com São Pedro e São João, um dos principais pilares da Igreja. Além disso, o apóstolo dos gentios diz que depois de sua conversão foi visitar Pedro, mas não encontrou nenhum discípulo a não ser São Tiago. Inclusive na última visita de São Paulo a Jerusalém, este foi direto para a casa de São Tiago, onde se reuniu com todos os líderes da Igreja de Jerusalém. (At 21,15).

Nos registros históricos da época, São Tiago é chamado “O Santo”. Os fiéis asseguravam que ele nunca tinha cometido um pecado grave, não bebia nem comia carne. O apóstolo passava muito tempo orando e, por isso, teve calos nos joelhos.

Em suas orações, pedia perdão a Deus pelos pecados do seu povo. Por essa razão, as pessoas o chamavam “O que intercede pelo povo”. Essas ações comoveram muitos judeus que, pelo exemplo de São Tiago, se converteram.

O êxito da sua evangelização provocou indignação entre os fariseus e os escribas. Portanto, em um dia de festa, o sumo sacerdote Anás II, aproveitando a multidão, disse: “Nós rogamos que já que o povo sente por ti grande admiração, apresente-se diante da multidão e lhes diga que Jesus não é o Messias ou redentor”. Frente a esse pedido, São Tiago respondeu: “Jesus é o enviado de Deus para a salvação dos que querem se salvar. E um dia o veremos sobre as nuvens, sentado à direita de Deus”.

Os sumos sacerdotes se enfureceram com essa resposta, pois temiam que todos os judeus se convertessem ao cristianismo. Então, tomaram São Tiago, levaram-no para a parte mais alta do templo para precipitá-lo lá de cima. De joelhos, ele rezava: “Deus Pai, eu te rogo que os perdoe, porque não sabem o que fazem”.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/hoje-a-igreja-celebra-os-santos-apostolos-filipe-e-tiago-77117

segunda-feira, 2 de maio de 2022

3ª Semana da Páscoa - A comunhão espiritual.

 3ª Semana da Páscoa – Segunda-feira « Paróquia Nossa Senhora das Dores

Primeira Leitura: Atos 6,8-15

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 8Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. 9Mas alguns membros da chamada Sinagoga dos Libertos, junto com cirenenses e alexandrinos e alguns da Cilícia e da Ásia, começaram a discutir com Estêvão. 10Porém não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. 11Então subornaram alguns indivíduos, que disseram: “Ouvimos este homem dizendo blasfêmias contra Moisés e contra Deus”. 12Desse modo, incitaram o povo, os anciãos e os doutores da Lei, que prenderam Estêvão e o conduziram ao sinédrio. 13Aí apresentaram falsas testemunhas, que diziam: “Este homem não cessa de falar contra este lugar santo e contra a Lei. 14E nós o ouvimos afirmar que Jesus Nazareno ia destruir este lugar e ia mudar os costumes que Moisés nos transmitiu”. 15Todos os que estavam sentados no sinédrio tinham os olhos fixos sobre Estêvão e viram seu rosto como o rosto de um anjo. 

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 118(119)

Feliz é quem na lei do Senhor Deus vai progredindo.

1. Que os poderosos reunidos me condenem; / o que me importa é o vosso julgamento! / Minha alegria é a vossa Aliança, / meus conselheiros são os vossos mandamentos. – R.

2. Eu vos narrei a minha sorte e me atendestes, / ensinai-me, ó Senhor, vossa vontade! / Fazei-me conhecer vossos caminhos / e então meditarei vossos prodígios! – R.

3. Afastai-me do caminho da mentira / e dai-me a vossa lei como um presente! / Escolhi seguir a trilha da verdade, / diante de mim eu coloquei vossos preceitos. – R.

Evangelho: João 6,22-29

Aleluia, aleluia, aleluia.

O homem não vive somente de pão, / mas de toda Palavra da boca de Deus (Mt 4,4). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Depois que Jesus saciara os cinco mil homens, seus discípulos o viram andando sobre o mar. 22No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar constatou que havia só uma barca e que Jesus não tinha subido para ela com os discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos. 23Entretanto, tinham chegado outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão depois de o Senhor ter dado graças. 24Quando a multidão viu que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus em Cafarnaum. 25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?” 26Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade eu vos digo, estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” 29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. 

Palavra da salvação.

Reflexão

Hoje, o Senhor dá início ao seu famoso discurso sobre o pão da vida. O povo que o vem seguindo, como sabemos, se alimentou do pão e dos peixes que Ele multiplicara há poucos dias; mas esse pão é ainda perecível, passageiro, cuja produção requer trabalho e esforço. Agora, o Senhor promete-nos um alimento que não se perde, mas “permanece até a vida eterna”. Também esse alimento, que poucos versículos à frente será identificado com o próprio Corpo de Cristo, supõe um trabalho, uma obra: crer naquele que o Pai enviou. A primeira das boas obras que, como cristãos, estamos chamados a praticar é, portanto, a obediência da fé. Trata-se, é claro, de uma obra motivada por um toque da graça: é o Senhor ressuscitado que, tocando a nossa alma, dá-nos força para crermos e, crendo, nos deixarmos alimentar do seu amor. É com essa fé que nos devemos aproximar da S. Eucaristia, sob cujas aparências Ele está verdadeiramente presente. É com essa mesma fé que, ao longo do dia e sobretudo nos momentos de oração, devemos elevar nosso espírito a Jesus, manifestando-lhe o desejo de o recebermos com pureza, humildade e devoção. Sem essa fé, sem essa firme adesão de alma e coração à verdade e ao amor de Cristo, estaremos malbaratando nossas comunhões sacramentais, estaremos recebendo o Senhor em nosso corpo, mas sem a disposição de lhe abrirmos nossa alma. Por isso, peçamos hoje a Nosso Senhor que nos infunda um espírito de fé, de uma fé mais firme e enraizada, para que possamos sentir o doce sabor espiritual que experimentam os que lhe comungam o Corpo e o Sangue, não por costume nem com indiferença, mas com aquela fé que tanto agrada o coração de Deus.

 

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domingo, 1 de maio de 2022

3º Domingo da Páscoa - O fogo do amor divino.

Pedro é restaurado por Jesus (Jo 21:15-19)

Aclamai a Deus, toda a terra, cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glória e louvor, aleluia! (Sl 65,1s)

Em comunhão com a Igreja celeste, somos reunidos pelo Espírito em torno do Cordeiro imolado, que vive para sempre. A ele glorifiquemos e demos graças, pois nos alimenta com a Palavra proclamada e o Pão partilhado. Desafiados a responder à pergunta “vocês me amam?”, queremos nos dispor a seguir o Senhor como testemunhas da ressurreição.

Primeira Leitura: Atos 5,27-32.40-41

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao sinédrio. 27O sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: 28“Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!” 29Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. 31Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o guia supremo e salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. 32E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”. 40Então mandaram açoitar os apóstolos e proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. 41Os apóstolos saíram do conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus. 

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 29(30)

Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes.

1. Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes / e não deixastes rir de mim meus inimigos! / Vós tirastes minha alma dos abismos / e me salvastes quando estava já morrendo! – R.

2. Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, / dai-lhe graças e invocai seu santo nome! / Pois sua ira dura apenas um momento, / mas sua bondade permanece a vida inteira; / se à tarde vem o pranto visitar-nos, / de manhã vem saudar-nos a alegria. – R.

3. Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! / Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! / Transformastes o meu pranto em uma festa, / Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos! – R.

Segunda Leitura: Apocalipse 5,11-14

Leitura do livro do Apocalipse de São João – Eu, João, vi 11e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos seres vivos e dos anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, 12e proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor”. 13Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”. 14Os quatro seres vivos respondiam: “Amém”, e os anciãos se prostraram em adoração daquele que vive para sempre. 

Palavra do Senhor.

Evangelho: João 21,1-19 ou 1-14

[A forma breve está entre colchetes.]

Aleluia, aleluia, aleluia.

Jesus Cristo ressurgiu, por quem tudo foi criado; / ele teve compaixão do gênero humano. – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – [Naquele tempo, 1Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: 2estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. 3Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. 4Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. 5Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”. 6Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca e achareis”. Lançaram, pois, a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. 7Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. 8Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. 9Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. 10Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. 11Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. 12Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. 13Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. 14Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.] 15Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. 16E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. 17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo, quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. 19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”. 

Palavra da salvação.

Reflexão

Há dois lugares, nas Escrituras, onde o detalhe curioso das “brasas acesas” é mencionado. O primeiro é no Evangelho de hoje, quando os Apóstolos retornam da pesca para encontrar o pão e o peixe aquecendo ao fogo.

O segundo é a cena no pátio do Sumo Sacerdote, na Quinta-feira Santa, quando Pedro, junto de alguns guardas e escravos, se aquecem, enquanto Jesus é interrogado lá dentro (João 18,18).

Diante do primeiro braseiro, Pedro negou conhecer Jesus por três vezes, como Jesus havia predito (João 13,38; 18, 15-18, 25-27).

A brasa acesa de hoje é cenário do arrependimento de Pedro, pois três vezes Jesus lhe pede para fazer uma profissão de amor. O tríplice mandato de Jesus, “apascenta as minhas ovelhas”, revela que Pedro foi indicado como o pastor de todo o rebanho do Senhor, a cabeça de Sua Igreja (Lucas 22, 32).

A pergunta de Jesus, “Tu me amas mais do que estes?” é um lembrete do compromisso de Pedro de entregar sua vida por Jesus, mesmo que os outros apóstolos enfraqueçam (João 13, 37; Mateus 26, 33; Lucas 22, 33).

Jesus então explica o que o amor e a liderança de Pedro exigirão, predizendo a sua morte por crucificação (“estenderás as mãos”).

Antes de sua própria morte, Jesus havia alertado os apóstolos de que seriam odiados como Ele foi odiado, e que sofreriam como Ele sofreu (Mateus 10, 16-19, 22; João 15, 18-20; 16, 2).

Vemos o começo dessa perseguição na primeira leitura de hoje. Açoitados como Jesus, os apóstolos, no entanto, “saíram do Conselho muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus.”

Sua alegria é baseada na fé de que Deus transformará o “seu pranto em uma festa”, como cantamos no Salmo de hoje. Por seus sofrimentos, eles bem o sabem, serão considerados dignos de permanecer, no Céu, diante do “Cordeiro que foi imolado”, uma cena vislumbrada na Segunda Leitura de hoje (ver também Apocalipse 6, 9-11).

 

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