domingo, 4 de outubro de 2020

Liturgia Diária - Os vinhateiros homicidas.

Lời Chúa (Mc 12, 1-12): Thứ Hai Tuần IX Thường Niên – huyha.net

1a Leitura - Isaías 5,1-7
Leitura do livro do profeta Isaías.

5 1 Eu quero cantar para o meu amigo seu canto de amor a respeito de sua vinha: meu amigo possuía uma vinha num outeiro fértil.
2 Ele a cavou e tirou dela as pedras; plantou-a de cepas escolhidas. Edificou-lhe uma torre no meio, e construiu aí um lagar. E contava com uma colheita de uvas, mas ela só produziu agraço.
3 E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e minha vinha.
4 Que se poderia fazer por minha vinha, que eu não tenha feito? Por que, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu agraço?
5 Pois bem, mostrar-vos-ei agora o que hei de fazer à minha vinha: arrancar-lhe-ei a sebe para que ela sirva de pasto, derrubarei o muro para que seja pisada.
6 Eu a farei devastada; não será podada nem cavada, e nela crescerão apenas sarças e espinhos; vedarei às nuvens derramar chuva sobre ela.
7 A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta de sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro.
Palavra do Senhor.

Salmo - 79/80
A vinha do Senhor é a casa de Israel.


Arrancastes do Egito esta videira
e expulsastes as nações para plantá-la;
até o mar se estenderam seus sarmentos,
até o rio os seus rebentos se espalharam.

Por que razão vós destruístes sua cerca,
para que todos os passantes a vindimem,
o javali da mata virgem a devaste
e os animas do descampado nela pastem?

Voltai-vos para nós, Deus do universo!
Olhai dos altos céus e observai.
Visitai a vossa vinha e protegei-a!
Foi a vossa mão direita que a plantou;
protegei-a, e ao rebanho que firmastes!

E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus!
Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!
Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo,
e sobre nós iluminai a vossa face!
Se voltardes para nós, seremos salvos!

2a Leitura - Filipenses 4,6-9
Leitura da carta de são Paulo aos Filipenses.

Irmãos, 4 6 não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças.
7 E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus.
8 Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos.
9 O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da paz estará convosco.
Palavra do Senhor.

Evangelho - Mateus 21,33-43

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu vos escolhi foi do meio do mundo, a fim de que deis um fruto que dure. Eu vos escolhi foi do meio do mundo. Amém! Aleluia, aleluia! (Jo 15,16).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Naquele tempo, Jesus disse aos sumo sacerdotes e aos anciãos do povo: 21 33 "Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.
34 Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.
35 Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro.
36 Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo.
37 Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: ‘Hão de respeitar meu filho’.
38 Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: ‘Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!’
39 Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.
40 Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?"
41 Responderam-lhe: "Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo".
42 Jesus acrescentou: "Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos?’
43 Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele".
Palavra da Salvação.

 Reflexão

No evangelho que a liturgia deste Domingo nos apresenta, Jesus continua criticando duramente os líderes religiosos do seu tempo. E na intenção de desmascará-los, conta-lhes uma parábola, na qual eles são os vilões.  Porém, fechados em si mesmos, esses líderes, não  assimilaram os personagens desta parábola, como sendo eles, o que podemos constatar, na resposta que eles dão a pergunta de Jesus: “Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?" Eles responderam: "Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhes entregarão os frutos no tempo certo.” Com estas palavras, esses líderes, assinam a própria sentença, pois estes arrendatários perversos, eram eles mesmos.

O texto chama a nossa atenção, sobre a responsabilidades que nós, como Igreja missionária, nascida da ressurreição de Jesus, devemos ter para com  a vinha do Senhor, que é o povo!

Ao assumirmos o nosso compromisso, em cuidar do que é de Deus, nós nos tornamos os novos vinhateiros, e como tal, temos que devolver ao dono da vinha, os frutos da missão que a nós foi confiada.   

Como discípulo missionário, devemos dar testemunho de Jesus, partilhando a vida, acolhendo o irmão na compreensão e na misericórdia.  Não podemos nos limitar em práticas religiosas, no legalismo, que é um instrumento de alienação e de opressão. Mais do que tudo, precisamos   cuidar da vida, que é o bem mais precioso para Deus!

Somos corresponsáveis pela vida do outro, até mesmo pelos os frutos que eles hão de produzir. Se não tivermos preocupação com o bem do outro, não seremos colaborados fieis à prosperidade da vinha, e consequentemente seremos advertidos por Jesus, como foram advertidos os arrendatários citados na parábola! Estes, não cuidaram devidamente da vinha, além de não entregarem os frutos pertencentes ao proprietário, quiseram apoderar-se  da vinha, matando todos os que vinham recolher os frutos, isto é, os profetas e até mesmo o Filho do dono da vinha, que é Jesus!

Infelizmente, ainda hoje, existem muitos líderes, que se dizem religiosos, bem parecidos com os do tempo de Jesus, pessoas que ao invés de servir, servem-se do povo, transformando-o em   propriedade sua, desagradando assim, o proprietário da vinha.

Como povo de Deus, pertencemos a uma só vinha!  Entre nós, há diferenças, mas como filhos do mesmo Pai, devemos estar sempre unidos, ligados a seiva que é Jesus, pois somente irmanados, produziremos frutos em abundância, dando assim, a nossa resposta de fidelidade ao dono da vinha.

 

 Olivia Coutinho

São Francisco de Assis.

 04 de Outubro | Dia Mundial dos animais e Dia de São Francisco de Assis –  Rádio Clube Joinville 1590 AM

Com apenas 44 anos de idade, a 3 de outubro de 1226, morria no chão nu da Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, proximidades de Assis, o autêntico arauto da perfeição evangélica, São Francisco. Com idade de 24 anos, tinha se despojado de tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade. Nascido numa cidade de comércio, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai. Aos vinte anos, quis alistar-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo papa, mas em Spoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo. Voltando a Assis, dedicou-se ao serviço dos doentes e pobres e num dia do outono de 1205, enquanto meditava extasiado na igrejinha de São Damião, pareceu-lhe ter ouvido uma voz saída do crucifixo: “Vá escorar a minha Igreja, que está desabando”. Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Na primeira etapa vemos Francisco em hábito de eremita, levando vida solitária e errante, até que uma frase luminosa do Evangelho impeliu-o à pregação e à constituição do primeiro núcleo da Ordem dos Frades Menores, cuja regra foi aprovada pelo Papa Inocêncio III. Esse segundo capítulo da vida do santo é caracterizada por uma intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, frequentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de paz e bem. Após ter-se aventurado a uma viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egito, em 1220 voltou para Assis e tratou de pôr em ordem a própria casa, redigindo a segunda Regra, aprovada por Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos sobre o Monte Alverne a 14 de setembro de 1224. Autor do Cântico do Irmão Sol, um dos santos mais amados pelo mundo inteiro, São Francisco foi canonizado dois anos após a morte. Em 1939, Pio XII tributou um ulterior reconhecimento oficial ao “mais italiano dos santos e mais santo dos italianos”, proclamando-o padroeiro principal da Itália.

Outros Santos do mesmo dia: São Amão, Santo Petrônio, Santo Damarides, Santa Aurea, Beato Alfredo Pellicer Munoz, Beato Francisco Xavier Seelos, Beato Tomás de Celano, Beato Henrique Morat Pellicer, Beato José Canet Giner, Beato José Gafo Muñiz.

 

sábado, 3 de outubro de 2020

Liturgia Diária - A volta dos setenta e dois discípulos.


Vangelo del 6 ottobre Lc 10, 17-24 – Una sola cosa….. sulle orme del  maestro. " Venite in disparte, in un luogo solitario e riposatevi un pò "

1a Leitura - Jó 42,1-3.5-6.12-16
Leitura do livro de Jó.

42 1 Jó respondeu ao Senhor nestes termos:
2 “Sei que podes tudo, que nada te é muito difícil.
3 Quem é que obscurece assim a Providência com discursos ininteligíveis? É por isso que falei, sem compreendê-las, maravilhas que me superam e que não conheço.
5 Meus ouvidos tinham escutado falar de ti, mas agora meus olhos te viram.
6 É por isso que me retrato, e arrependo-me no pó e na cinza”.
12 O Senhor abençoou os últimos tempos de Jó mais do que os primeiros, e teve Jó quatorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.
13 Teve também sete filhos e três filhas:
14 chamou a primeira Jêmina, a segunda Quetsia e a terceira Queren-Hapuc.
15 Em toda a terra não poderiam ser encontradas mulheres mais belas do que as filhas de Jó. E seu pai lhes destinou uma parte da herança entre seus irmãos.
16 Depois disso, Jó viveu ainda cento e quarenta anos, e conheceu até a quarta geração dos filhos de seus filhos.
Palavra do Senhor.


Salmo - 118/119

Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo
E ensinai-me vossas leis e mandamentos.

Dai-me bom senso, retidão, sabedoria,
Pois tenho fé nos vossos santos mandamentos!

Para mim foi muito bom ser humilhado,
Porque assim eu aprendi vossa vontade!

Sei que os vossos julgamentos são corretos,
E com justiça me provastes, ó Senhor!

Porque mandastes, tudo existe até agora;
Todas as coisas, ó Senhor, vos obedecem!

Sou vosso servo: concedei-me inteligência,
Para que eu possa compreender vossa aliança!

Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina,
Ela dá sabedoria aos pequeninos.

Evangelho - Lucas 10,17-24
Aleluia, aleluia, aleluia.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

Naquele tempo, 10 17 voltaram alegres os setenta e dois discípulos, dizendo: “Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome!”
18 Jesus disse-lhes: “Vi Satanás cair do céu como um raio.
19 Eis que vos dei poder para pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do inimigo.
20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos nos céus”.
21 Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: “Pai, Senhor do céu e da terra, eu te dou graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-te porque assim foi do teu agrado.
22 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
23 E voltou-se para os seus discípulos, e disse: “Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes,
24 pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram”.

Palavra da Salvação.

 Reflexão

A palavra de Deus, que chega até a nós, no evangelho de hoje, começa falando-nos do retorno dos 72 discípulos enviados por Jesus em missão. Com muita alegria, eles prestam conta à Jesus, da missão realizada com sucesso! Jesus se alegra com eles, mas lhes faz um alerta, no sentido de que eles não se envaidecessem com o poder que lhes fora dado por Ele: “Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu.”

Ao  constatar, que o projeto de Deus, começava a se desenvolver no mundo, através dos pequenos, seus primeiros discípulos, pessoas simples, sem nenhuma escolaridade, Jesus exultou no Espírito Santo dizendo: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes,
e as revelaste aos pequeninos.”

O texto chama a nossa intenção, sobre a importância da humildade, o cargo que exercemos em nossas comunidades é para o serviço a Deus e não para sermos condecorados...

Com a sua vida, Jesus nos mostrou o caminho da humildade, caminho este, que Ele  percorreu, se misturando aos pequenos...

O Reino de Deus, começou e continua se expandindo aqui na terra, através da fidelidade e da disposição dos pequenos, daqueles que se prontificam a trabalhar para o crescimento do Reino... Os pequenos, representados neste texto, pelos os 72 discípulos, foram os primeiros a responderem positivamente ao anuncio do Reino,  a absorverem a mensagem salvífica de Jesus, não, pela a inteligência, mas pela a abertura do coração à graça de Deus!

Ao esconder dos sábios e entendidos as maravilhas do Reino e revelá-las aos pequenos, Deus assegurou que a sua palavra, não somente permanecesse no mundo, como também, frutificasse no mundo de geração a geração. Se revelada aos “sábios e entendidos” a palavra de Deus poderia seria distorcida, pois haveria o risco de eles interpretá-la, segundo as suas conveniências...

A palavra de Deus, anunciada por Jesus, só pode ser Interpretada à luz da fé, do contrário, ela será sufocada como uma planta nascida no espinheiro. Esta palavra de vida, só encontra resposta, no coração de quem se faz pequeno...

 


 Olivia Coutinho

Mártires de Cunhau e Uruaçu.

  PRIMEIROS MÁRTIRES BRASILEIROS | Pe. José Artulino Besen
Em 16 de junho de 1645, o padre André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis estavam participando da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú, no município de Canguaretama (RN). O que motivou a chacina? A intolerância calvinista dos invasores que não admitiam a prática da religião católica: isso custou-lhes a própria vida.
 
A chacina de Cunhaú
 
O movimento de insurreição contra o domínio holandês já começara em Pernambuco, mas, na capitania do Rio Grande do Norte, tudo parecia normal. Bastou, porém, a presença de uma só pessoa para que o clima se tornasse tenso: Jacó Rabe, um alemão a serviço dos holandeses. Ele chegara a Cunhaú no dia 15 de julho de 1645.
Rabe era um personagem por demais conhecido dos moradores de Cunhaú. Suas passagens por aquelas paragens eram freqüentes, sempre acompanhado dos ferozes tapuias, semeando por toda parte ódio e destruição. A simples presença de Rabe e dos tapuias era motivo para suspeitas e temores.

"Além dos tapuias, Jacó Rabe trazia, desta vez, alguns potiguares e soldados holandeses. Ele dizia-se portador de uma mensagem do Supremo Conselho Holandês, do Recife, aos moradores de Cunhaú.
No dia 16 de julho, Domingo, um grande número de colonos estava na igreja, para a missa dominical celebrada pelo Pároco, Pe. André de Soveral. Jacó Rabe mandara afixar nas portas da igreja um edital, convocando a todos para ouvirem as Ordens do Supremo Conselho, que seriam dadas após a missa.
Como havia um certo receio pela presença de Jacó Rabe, alguns preferiram ficar esperando na casa de engenho.

Chegou a hora da missa. Os fiéis, em grupos de familiares ou de amigos, dirigiram-se à igrejinha de Nossa Senhora das Candeias. Levados apenas por cumprir o preceito religioso, os fiéis não portavam armas, mas só alguns bastões que encostaram nas paredes do pórtico.
O padre André inicia a celebração. Após a elevação da hóstia e do cálice, erguendo o Corpo do Senhor, para a adoração dos presentes, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da Igreja e se deu início à terrível carnificina.
Foram cenas de grande atrocidade: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelo flamengos com a ajuda dos tapuias e potiguares.
Ao perceber que iam ser mesmo sacrificados, os fiéis não se rebelaram. Ao contrário, 'entre mortais ânsias se confessaram ao sumo sacerdote Jesus Cristo, pedindo-lhe, com grande contrição, perdão de suas culpas", enquanto o padre André estava 'exortando-os a bem morrer, rezando apressadamente o ofício da agonia" (Verdonk).

Chacina de Uruaçu
 
  Três meses depois aconteceu o martírio de mais 80 pessoas, e sempre pelas mãos dos calvinistas holandeses. Entre elas estava o camponês Mateus Moreira, que teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". Isso aconteceu na Comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante (a 18 km de Natal).

Contam os cronistas que as notícias dos graves e dolorosos acontecimentos de Cunhaú se espalharam rapidamente por toda a capitania do Rio Grande do Norte e capitanias vizinhas. A população ficou assustada e temia novos ataques dos tapuias e potiguares, instigados pelos holandeses.
Também desta vez tudo aconteceu sob o comando de Rabe, ajudado pelo chefe potiguar Antônio Paraopaba.

Os índios já tinham sido avisados das intenções dos dois e lá estava o chefe potiguar com os seus comandados: mais de duzentos índios, bem armados.
Logo que desceram dos batéis, os flamengos ordenaram aos moradores que se despissem e se ajoelhassem. A um sinal dado por eles, os índios, que estavam emboscados, saíram dos matos e cercaram os indefesos colonos.
Teve início, então, a terrível carnificina, descrita com impressionante realismo pelos cronistas portugueses. Nas descrições, nota-se o contraste entre a crueldade dos algozes e a resignação e o perdão das vítimas:
"Começaram a dar tão desumanos e atrozes tormentos aos homens que já muitos dos que padeciam tomavam por mercê a morte. Mas os holandeses usaram da última crueldade entregando-os aos tapuias e potiguares, que ainda vivos os foram fazendo em pedaços, e nos corpos fizeram anatomias incríveis, arrancando a uns os olhos, tirando a outros as línguas e cortando as partes verendas e metendo-lhas nas bocas..." (Santiago).
A descrição da morte de Mateus Moreira é o ponto mais expressivo de toda a narrativa de Uruaçu e constitui um dos mais belos testemunhos de fé na Eucaristia, confessada na hora do martírio.
"Os algozes arrancaram-lhe o coração pelas costas, e ele morreu exclamando: 'Louvado Seja o Santíssimo Sacramento

 

"A fumaça de Satanás entrou na Igreja": o que o Papa quis dizer com isso?

 lobo cordeiro fumaça

Os tormentos de um pontífice, manifestados numa carta que permaneceu inédita até há poucas semanas.

Estamos no começo da década de 1970. São tempos agitados, no mundo e na Igreja. Vivemos a imediata época pós-Concílio Vaticano II. O Papa Paulo VI escreve uma carta que permanecerá inédita até 2018, quando o conteúdo é revelado no livro “La barca di Paolo” (“A barca de Paulo“), do pe. Leonardo Sapienza, regente da Casa Pontifícia.

É 29 de junho de 1972. Paulo VI tem cada vez mais nítida a impressão de que existe algo de profundo e de negativo que aflige a Igreja crescentemente. O caminho da secularização e a falta de unidade interna estão se tornando dois grandes problemas para a Igreja no mundo inteiro.

Escreve, inquieto, o Papa:

“…Diríamos que, por alguma fresta misteriosa – não, não é misteriosa; por alguma fresta, a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus. Há dúvida, há incerteza, há problemática, há inquietação, há insatisfação, há confronto”.

“Não se confia mais na Igreja. Confia-se no primeiro profeta profano que vem nos falar em algum jornal, para correr atrás dele e lhe perguntar se tem a fórmula para a vida verdadeira. Entrou, repito, a dúvida em nossa consciência. E entrou por janelas que deviam estar abertas à luz: a ciência!”.

Nuvens de tempestade

Sentem-se chagas no pós-Concílio:

“…Acreditava-se que, depois do Concílio, viriam dias ensolarados para a história da Igreja. Advieram, porém, jornadas de nuvens, de tempestade, de escuridão, de busca, de incerteza… Tentamos cavar abismos em vez de preenchê-los…”.

Terror e êxtase

Que o Papa não estava tranquilo, percebe-se ainda por outro pensamento que ele tinha escrito oito dias antes, em 21 de junho de 1972. O título, por si, já é perturbador: “O terror e o êxtase“.

Talvez o Senhor

me tenha chamado a este serviço

não já para que eu tome nele alguma atitude,

ou para que eu governe e salve a Igreja das suas dificuldades,

mas para que eu sofra algo pela Igreja

e seja claro que é Ele, e ninguém mais,

quem a guia e quem a salva.

21 de junho de 1963: exatos nove anos antes de escrever esse pensamento, Giovanni Montini era eleito Papa. E, a respeito, tinha escrito:

“…Espero que todos acreditem quando digo que não apenas nunca aspirei como sequer formulei a hipótese de ser eleito para este formidável ofício…”.

Anos depois, em conversa no turbulento 1968 com o escritor francês Jean Guitton, seu amigo, o Papa confidenciava:

“…Eu tive o terror e o êxtase de ser eleito…”.

Uma vez aceito o peso do pontificado, porém, Paulo VI lhe consagrou todas as forças, em meio aos incontáveis obstáculos que, a ele e a qualquer outro pontífice, teriam feito, certamente, pensar na renúncia.

É gravemente pesado o fardo do Vigário de Cristo, porque é o fardo do pastor chamado a dar a vida pelas ovelhas. Oremos pelo Papa e pela Igreja, sob as nuvens de tempestade.

 

 

Gelsomino Del Guercio

Via Aleteia