sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ÊXODO: UMA EXPERIÊNCIA DE FÉ.

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Êxodo (15,22-18,27)

A experiência de Israel que saindo da dura servidão no Egito, percorre o deserto rumo a Terra Prometida, não é significativa apenas para os judeus, mas também para nós, cristãos.

Na leitura do livro do Êxodo, uma primeira consideração importante, é o fato de que unido ao desejo de alcançar a Terra Prometida, onde Israel poderá finalmente gozar de liberdade e independência; está o desejo de "servir a Deus". A ordem que Deus transmite ao Faraó por meio de Moisés é: "Deixai partir o meu povo! Para que me sirva no deserto!" (Ex 7,16). Ao todo são quatro vezes que estas palavras se repetem (Ex 7,26; 9,1; 9,13; 10,3), demonstrando a importância do argumento.

O que se tem em vista não é somente a conquista da Terra Prometida, mas a possibilidade de servir a Deus como Ele quer ser servido. Israel parte, não para ser um povo como um outro qualquer, mas para servir a Deus. A meta que quer alcançar é a montanha de Deus, até então desconhecida, para nela poder servir o Senhor.

Alguém poderia dizer que este argumento fora utilizado por Moisés como estratégia para tirar o seu povo da dominação de Israel. Mas, acompanhando a longa caminhada do povo pelo deserto compreende-se que terra e culto estão intimamente ligados. A terra sonhada e esperada por Israel será a terra destinada ao serviço do Senhor, onde o povo que nela reside poderá viver como Deus deseja, na liberdade e na justiça.

No Sinai, porém, Deus dá ao seu povo não só as cláusulas da Aliança (os dez mandamentos), mas as normas que devem reger o culto a ser-Lhe oferecido (cf. Ex 20, 1-17; 24). Vida e culto estão intimamente ligados! Como diz Santo Irineu: "A glória de Deus é o homem vivo; a vida do homem significa olhar a Deus".

Esta constatação nos faz ver que o culto que Deus deseja do seu povo não se limita a gestos rituais (embora não prescinda deles), mas envolve toda a vida. A vida vivida na fé, na liberdade e no amor é a liturgia querida de Deus para o seu povo, em razão da qual Ele lhe dá a Sua Terra.

Um segundo aspecto que merece a nossa atenção é a experiência do deserto. No comentário que faz ao texto, na "Bíblia do Peregrino", Luís Alonso Schökel chama atenção ao fato de que o deserto é o "lugar desamparado, que reduz o povo às necessidades elementares da subsistência e o põe à prova, para que conquiste a partir de dentro a liberdade que lhe foi dada. Tempo intermédio de dilação, para forjar a resistência e cultivar a esperança, para viver da promessa depois de ter experimentado o primeiro favor", ao mesmo tempo: "Também essa etapa se torna padrão de futuras peregrinações por outros desertos, à conquista da liberdade e da esperança." (p.135)

Na longa peregrinação pelo deserto, Israel é levado a reconhecer o Senhor como o protagonista da sua história. Nas muitas provas que sofre é sempre Deus quem age e dá solução aos seus dramas: transforma a água salobra em água potável (Ex 15, 22-27), envia o maná como alimento (Ex 16), faz brotar água da rocha (Ex 17,1-7), garante a vitória sobre os seus inimigos (Ex 17, 8-16), e faz Moisés reencontrar com a sua família (Ex 18, 1-22).

Como Jetro, podemos, então, exclamar: "Bendito seja o Senhor, que vos livrou do poder dos egípcios e do Faraó. Agora sei que o Senhor é o maior de todos os deuses, pois, quando vos tratavam com arrogância, o Senhor liberta o povo do domínio egípcio." (Ex 18,11).

No encontro de Jetro com Moisés é importante ressaltar, o fato de que o que podia ter acabado num relato de viagem toma a forma de um ato litúrgico "quase como proto-eucaristia", como observa Schökel no comentário ao texto, na Bíblia do Peregrino. Jetro é apresentado como "sacerdote de Madiã" (18,1). O Lugar é "o monte de Deus" (5), o oficiante, é o próprio Jetro; que faz a memória (anamnese) de fatos como ações divinas: "tudo quanto fez Deus/o Senhor" (1.8.9); que se traduz em exultação e benção = ação de graças (eucaristia), por "todos os benefícios..." bendito Yhwh (9-10); num sacrifício e banquete sagrado (comunhão), "na presença de Deus" (12).

Ao fazermos nós a leitura destes capítulos, o fazemos à luz do Mistério da Páscoa de Jesus Ressuscitado. Os evangelistas falam dos êxodos praticados por Jesus: quando sobe decididamente a Jerusalém a fim de sofrer a Paixão (cf. Lc 9,51) e, quando entra no mistério da sua Paixão passando deste mundo para o Pai, depois de ter amado os seus até o fim (cf. Jo 13,1).

Sem retirar o valor que tem o relato do Êxodo para as comunidades que percorrem, ainda hoje, os caminhos do deserto, esperando alcançar a Terra Prometida, onde a liberdade e a vida plena sejam garantidas para sempre; compreendemos que o êxodo que devemos percorrer é o mesmo que percorreu Jesus, a fim de passar com Ele, da morte para a vida!

Israel encontra-se com o Deus que o fortalece na esperança, que o educa na fé e na confiança, que espera dele um culto que seja não só rito, mas também vida, expressão da fidelidade à Aliança (cf. Ex 15, 26). Nós também encontrando-nos com Jesus, vemos que as exigências que Ele faz aos seus discípulos (Mt 5-7) não são menores daquelas que Deus dá a seu povo na caminhada do deserto, ao revelar-lhes o Reino, cuja exigência é um culto "em espírito e vida" (cf. Jo 4,23).

Na "liturgia" de Jetro não é difícil vislumbrar um anúncio e profecia da Eucaristia, memorial da Nova e Eterna Aliança. Hoje, ao redor da mesa eucarística, fazemos também nós a experiência do encontro com o Senhor que liberta, que não dá somente água e pão para o seu povo, mas o Corpo e o Sangue do seu Filho, garantia da Páscoa definitiva, quando Deus será tudo em todos!

Nos muitos desertos do nosso tempo, somos convidados pelas palavras do Êxodo a experimentar o Deus próximo que ouve o clamor do seu povo e vê os seus sofrimentos (Ex 3,7-9), e envia o seu Filho para ser um "novo Moisés" a conduzir-nos à Terra Prometida, da justiça e da paz!

"Existem tantas formas de deserto. Há o deserto da pobreza, o deserto da fome e da sede, o deserto do abandono, da solidão, do amor destruído. Há o deserto da obscuridão de Deus, do esvaziamento das almas que perderam a consciência da dignidade e do caminho do homem. Os desertos exteriores multiplicam-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos. Por isso, os tesouros da terra já não estão ao serviço da edificação do jardim de Deus, no qual todos podem viver, mas tornaram-se escravos dos poderes da exploração e da destruição. A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo, devem pôr-se a caminho, para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude" (BENTO XVI, Homilia, 24-04-2005).

Valem para nós as palavras de Isaías: "O deserto e o ermo se regozijarão, a estepe florescerá de alegria... Fortalecei as mãos fracas, robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos covardes: Sede fortes, não temais, olhai o vosso Deus, que traz a desforra, vem em pessoa, ele vos ressarcirá e vos salvará." (Is 35,1a,3-4).

Caminhamos no deserto confiantes que um dia ele se transformará em jardim, certos de que toda amargura cederá lugar à verdadeira alegria.



Dom Milton Kenan Junior



por
Site Cléofas

O HOMEM NA JAULA.



Certa noite um rei estava de pé, perto de uma das janelas de seu palácio. Cansado da recepção a que acabara de comparecer, olhava para fora, com indiferença. De repente, seu olhar pousou sobre um homem que atravessava a praça, lá embaixo. Não dava para ver seu rosto ou perceber sua idade. Tudo indicava que era um homem comum. O rei começou a pensar como seria a vida daquele desconhecido. Imaginou-o chegando a casa. Provavelmente beijaria sua esposa e, enquanto estivesse comendo, perguntaria se, ao longo do dia, tudo havia corrido bem com as crianças. Depois, se sentaria para ler o jornal, iria dormir e, na manhã seguinte, se levantaria para trabalhar. Uma inesperada pergunta nasceu no coração do rei: o que aconteceria se aquele homem fosse preso e colocado em uma jaula, como os animais de um zoológico?
No dia seguinte, o rei chamou um psicólogo, falou-lhe de sua idéia e convidou-o a acompanhar a experiência que iria fazer. Em seguida, mandou trazer uma jaula do zoológico e nela colocou o tal homem que vira na noite anterior. A princípio, o enjaulado manifestou estar confuso, repetindo para o psicólogo, que o observava do lado de fora: “Preciso pegar o trem! Devo ir para o trabalho! Não posso chegar atrasado!” À tarde, mais consciente do que estava acontecendo, começou a protestar, de forma veemente: “O rei não pode fazer isso comigo! É injusto, é contra a lei!” Falava com voz forte e seus olhos faiscavam de raiva.
Durante a semana, continuou com suas reclamações. Quando, diariamente, o rei passava pela jaula, o homem protestava contra o monarca. Mas este lhe respondia: “Você está bem alimentado, tem boa cama e não precisa trabalhar. Estamos cuidando muito bem de você. Por que essas reclamações?” Após algumas semanas, elas começaram a diminuir e, passados alguns dias, cessaram por completo.
Mais algum tempo e o prisioneiro começou a discutir com o psicólogo se seria conveniente dar a alguém alimento e abrigo, só para se fazer uma experiência. Demonstrava estar mais conformado. Defendia a ideia de que o ser humano tinha de aceitar tudo passivamente. Assim, quando, dias depois, um grupo de professores e alunos veio observá-lo, o enjaulado os tratou cordialmente, explicando-lhes que escolhera aquela maneira de viver. Mais: havia grandes vantagens em estar assim protegido. Afinal, não precisava se preocupar com inúmeras coisas secundárias e podia concentrar sua atenção sobre o que lhe interessava. “Que coisa estranha e curiosa”, pensou o psicólogo. “Por que ele deseja tanto que os outros aprovem sua maneira de viver?”
Nos dias seguintes, cada vez que o rei passava diante dele, o homem preso se inclinava, reverenciando-o, ao mesmo tempo em que lhe agradecia pelo alimento e abrigo. Quando julgava que ninguém o observava, mostrava-se impertinente e mal-humorado. Se alguém tentasse conversar com ele, já não mais procurava demonstrar as vantagens de estar preso e ser bem tratado, mas limitava-se a repetir: “É o destino!” Ou, então, dizia simplesmente: “É!”
É difícil dizer quando falou a última frase com algum sentido, mas o psicólogo percebeu que, um dia, o rosto do homem não tinha mais expressão alguma; o sorriso deixara de ser subserviente e tornara-se vazio, sem sentido. Não mais usava a palavra “Eu”. Aceitara a jaula. Não sentia raiva ou ódio; não mais raciocinava. Estava louco.
Naquela noite, em seu gabinete, o psicólogo procurou escrever o relatório final da experiência. Não conseguia encontrar os termos corretos, pois sentia uma grande inquietação interior. Não conseguia afastar a ideia de que alguma coisa se perdera e fora roubada do universo, naquela experiência. E o que restara era o vazio.
A fábula acima está baseada em um texto do psicólogo Rollo May. Ela diz mais do que muitas páginas sobre a liberdade, o uso que dela fazemos e as prisões que criamos em torno de nós e dos outros. Mas ela é, sobretudo, um hino à vida – esse extraordinário dom que recebemos do Criador.

Dom Murilo S.R. Krieger, scj, Arcebispo de São Salvador da Bahia - BA

A

O DESAFIO A ESCOLHER.


O corpo do grande discurso de nosso Senhor na Montanha, sem erro, foi concluído em Mateus 7,12.
A natureza radical e não convencional do Reino, seus cidadãos e sua justiça foram clara e poderosamente traçados (5,3-7,12). Os demais versículos do Sermão (7,13-27) contêm o apelo de Jesus pelo compromisso de seus ouvintes.
Este notável discurso espiritual, que dá definição a toda verdadeira pregação do evangelho, não foi pretentido meramente para informar, mas para persuadir. O Sermão da Montanha toca nossa vontade, bem como nosso entendimento. É um chamado a escolha radical. E o Grande Pregador não pretende que escapemos dele ou de sua mensagem. Ele está dizendo, com efeito: "Meu Sermão está terminado. Agora você tem que decidir o que você fará a respeito dele. Pondere cuidadosamente. Escolha sabiamente. Vida e morte estão no rumo que você tomar."
O que é óbvio em tudo isto é o fato que, não obstante todo o poder de Deus, os homens podem rejeitar sua vontade. Seu longo e árduo trabalho redentor resulta, finalmente, não em um decreto irresistível (Atos 7:51; Hebreus 10:29); mas em um convite solene (Mateus 11:28-30). O homem não é um robô. Sua vontade, por determinação de Deus, é inviolável. Jesus pode suplicar, mas não pode compelir. Assim, ele nos ensina pacientemente e, então, insistentemente solicita.
Ao fazer seu apelo de encerramento, o Senhor fala só de duas alternativas: duas portas, dois tipos de fruto, dois fundamentos. A escolha pode ser difícil, porém não é complexa. Temos que decidir entre o caminho da submissão e da confiança e o caminho da rejeição e da rebelião. Ele insiste com seus ouvintes para que escolham entre estas alternativas, considerando não somente suas exigências, mas também suas conseqüências. Aonde esta estrada me levará? Que tipo de fruto esta árvore produzirá? Resistirá esta casa à mais violenta tempestade?
As exortações deste trecho final podem ser divididas em três unidades (7:13-14; 15-23; 24-27). Entre duas admoestações a escolher sabiamente, está inserido um aviso sobre o perigo da sábia escolha apresentada por falsos mestres.
O Caminho Estreito
"Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela" (Mateus 7:13-14). Aqui Jesus abertamente insiste com seus ouvintes para que escolham o caminho que é duro e apertado e rejeitem um trajeto mais fácil e mais confortável. Ele até deixa claro que a estrada à frente é tão inexoravelmente exigente quanto a porta pela qual nela se entra, e mais do que isso, pode ser, algumas vezes, um caminho solitário, uma vez que muitos homens não o acharão a seu gosto. O convite ao reino feito pelo Senhor, notavelmente honesto, torna excessivamente repugnantes os apelos carnais e as promessas açucaradas de alguns pregadores modernos.
Não há nada de surpreendente neste convite. É um convite a entrar num reino cuja feição mais saliente tem sido a estreiteza de sua visão e a singeleza de seu compromisso (5:48; 6:19-24,33). A porta estreita é a soberana autoridade do Senhor, e o caminho apertado a obediente submissão a sua vontade. Aqueles que entram não se encontrarão mais fazendo a coisa esperada, tradicional, óbvia. Seguindo o Filho de Deus, suas vidas serão tão diferentes como seus destinos.
Obviamente, há muitas coisas que aqueles que escolhem a estrada estreita do reino têm que deixar para trás. Estaremos abandonando a multidão despreocupada que nunca tem que perguntar se o que está fazendo é agradável a Deus. O que é mais importante, estaremos nos desfazendo de nossa velha personalidade, com seu modo arrogante, teimoso e egoísta e entregando a mente e o pensamento a um Soberano mais sábio e mais benevolente (Mateus 16:24-25; 2 Coríntios 10:4-5). Somente deste modo chegaremos a ser mansos e misericordiosos, pobres de espírito e puros de coração, capazes de amar nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem.
Mas se o caminho estreito do reino constringe o espírito obstinado e a mente voltada para si mesmo, ele não estreita o amor (Filipenses 1:9; Efésios 3:17-19); não constringe a paz (Filipenses 4:7); não seca a alegria (1 Pedro 1:8); não espreme a misericórdia (Efésios 2:4); não esmaga a bondade (2 Coríntios 9:8); não estrangula a esperança (Romanos 15:13). Tudo isto abunda na estrada estreita. A única coisa que a porta estreita arranca de nós é aquela impiedade que nos envenena e destrói. Somente o homem que ainda ama essa impiedade se sentirá oprimido e sufocado na estrada do Rei. O pecado é o ladrão que veio "roubar, matar e destruir", mas o "Bom Pastor" veio para que os homens tenham vida, e tenham-na abundantemente (João 10:10).





pemiliocarlos

LITURGIA DIÁRIA - JESUS CURA DOIS CEGOS.

Primeira Leitura: Isaías 29, 17-24

I SEMANA DO ADVENTO
(roxo, pref. do advento I - ofício do dia)

Leitura do livro do profeta Isaías - Assim fala o Senhor Deus: 17Acaso, dentro de mui pouco tempo, não será o Líbano convertido em vergel, e o vergel não passará por floresta? 18Naquele tempo os surdos ouvirão as palavras de um livro; e, livres da obscuridade e das trevas, os olhos dos cegos verão. 19Os humildes encontrarão cada vez mais ventura no Senhor e os homens mais pobres, graças ao Santo de Israel, estarão jubilosos. 20Pois não haverá mais tiranos, já terá desaparecido o cético, e todos os que planejavam o mal serão exterminados; 21os que, por uma palavra, acusam os outros; os que, à porta, procuram enganar o juiz e por um nada fazem o inocente perder sua causa. 22Por isso eis o que disse o Senhor, o Deus da casa de Jacó, que resgatou Abraão: Daqui em diante Jacó não será mais confundido, e seu rosto não mais empalidecerá, 23porque, quando virem nele minha obra, bendirão o meu nome. Glorificarão o Santo de Jacó e temerão o Deus de Israel. 24Os espíritos desencaminhados aprenderão sabedoria, e os que murmuravam receberão instrução. - Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial(26)
REFRÃO: O Senhor é minha luz e salvação!
1. De Davi. O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo? - R.
2. Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário. - R.
3. Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos! Espera no Senhor e sê forte! Fortifique-se o teu coração e espera no Senhor! - R.
Evangelho: Mateus 9, 27-31
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 27Partindo Jesus dali, dois cegos o seguiram, gritando: Filho de Davi, tem piedade de nós! 28Jesus entrou numa casa e os cegos aproximaram-se dele. Disse-lhes: Credes que eu posso fazer isso? Sim, Senhor, responderam eles. 29Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé. 30No mesmo instante, os seus olhos se abriram. Recomendou-lhes Jesus em tom severo: Vede que ninguém o saiba. 31Mas apenas haviam saído, espalharam a sua fama por toda a região. - Palavra da salvação.
catolicanet.com

Homilia - Pe Bantu

O local geográfico do episódio não é citado. Alguns estudiosos das sagradas escrituras o situam em Cafarnaum, em vista de estar, em Mateus, logo a seguir à ressurreição da filha de Jairo, e se dividem quanto à "casa" a que se refere o narrador, que diz apenas "entrando em casa". Todavia, supõe-se, que seja na casa de Pedro, ou então na de Mateus. Ou ainda que Jesus alugara um apartamento para si, independente, para ter a liberdade de movimento indispensável a um ministério como o seu". E essa dedução é feita porque em Mat. 8:14 é dito "foi à casa de Pedro", e em Mat. 13:1 "saiu de casa" ou "voltou a casa" (Mat. 13:36 e 17:25). Logo é a "sua casa". Não cremos haja Jesus abandonado a casa de Pedro, nem para trocá-la por uma mais rica (a de Mateus), nem para um apartamento próprio, onde teria o problema de quem lhe cuidasse das coisas, o que não faltava, com todo o amor, na casa de Pedro, com as esposas dele e de André, suas filhas e a própria sogra de Pedro, que fora curada por Jesus.

Pela cronologia geralmente aceita, a cura foi efetuada na Transjordânia, em sua estada depois da festa da dedicação.
Jesus passou os seus três anos de vida pública pregando o Reino do Pai e, operando milagres em benefício daquele povo que sofria muito, por pertencer a uma classe desprivilegiada, muito pobre e excluída, por isso, do convívio e costumes dos escribas e fariseus, descendentes do povo que Moisés (enviado por Deus), tirou da escravidão que viviam no Egito por 400 anos, para levá-los à terra prometida e, que acabaram, depois de tantas alianças propostas por Deus, vivendo como pagãos. Por isso Jesus veio, como Extremo recurso, para salvar aquele povo de "cabeça dura". e, nas suas andanças, Jesus, não foi aceito no meio daquela gente que até hoje espera pelo Messias, pelo Salvador que já veio. Eles achavam que o salvador deveria ser um grande forte e poderoso homem, que chegaria montado um belo cavalo e, que seria para eles o salvador que Javé havia prometido aos seus antepassados, os quais viviam dentro de esquemas cheios de leis, mais de 5000. Leis impostas aos pobres que não faziam parte do convívio com os ricos, senhores e doutores das leis, que os esploravam massacravam, desprezavam e nem eram dignos de terem algum contato com eles.

Um dia, Jesus passava pelas ruas e em determinado local passa por dois cegos, à beira do caminho , que gritam chamando-lhe a atenção. Os cegos acompanham Jesus "que vai saindo de lá", e vão "gritando", como são sempre apresentados os cegos nos Evangelhos. O título "Filho de David" designava o messias (cfs. Salmo 17:23, etc) e já fora empregado pela Cananéia. Não é plausível que eles soubessem que se tratava do messias. Mais viável que, desejando um favor, atribuíssem interessadamente, um título que honrava a pessoa: bem David. É mais da psicologia humana, não só daquele tempo, como de hoje: elogiar aquele de quem esperamos um favor.
Jesus primeiro pergunta se eles acreditam que Ele tenha a força de fazer isso. A resposta é singela: "Sim, Senhor", "meu senhor". Em resposta, Jesus lhes diz: "faça-se a vós segundo a vossa crença", e lhes toca os olhos, recuperando eles imediatamente a visão. Depois adverte-os, que ninguém saiba. Mas bastava olharem para eles, para verificar que haviam recuperado a visão, e eles tornam Jesus conhecido em toda a região.

Jesus chega até eles e lhes pergunta:- "Que quereis que vos faça? - "Que enxerguemos , Senhor! Tende piedade de nós!. Jesus coloca os dedos em seus olhos e diz" :Éntão, que vejam"! E, ficaram ,ambos curados. Saíram gritando e glorificando a Deus pela graça recebida, por toda aquela região. Daí, Jesus, com as suas pregações e o seu amor, começa a mudar a vida de muita gente que passa a segui-lo como discípulos; passando da apatia que os dominava, para a certeza em suas esperanças revividas por aquele homem que lhes falava ao coração e lhes trrazia a alegria do Senhor. Abriu-lhes os olhos para a realidade das propmessas feitas por Deus aos seus antepassados; que começava a ser cumprida ali, em cada encontro . Abriu os olhos a todos que a Ele se achegaram: os olhos do coração, os olhos da decência, os olhos da bondade, os olhos da partilha, os olhos do perdão, da mesma forma que fez aos olhos dos cegos. O povo que o ouvia foi crescendo, crescendo, que mesmo Ele sendo crucificado todos assumiram o seu lugar na Sua vida. E, passado todo aquele tempo da missão de Jesus, todos enxergaram limpidamente, com exceção dos que foram responsáveis por sua morte e, que até hoje esperam o messias, que já veio, chama-se Jesus e vive no meio de nós, pelo seu Espirito Santo que ele nos deixou como advogado e defensor. Por isso, todos os dias e a cada Natal, nós, cristãos, fazemos memória e trazemos Jesus à terra, para lhe demonstrarmos que o amamos, na comemoração do seu nascimento, apesar de sermos fracos, pequenos, mas lutadores e perseverantes para chegarmos até o fim, para recebermos, através da sua extrema Miseriórdia,o lugar no céu ,que Ele prometeu a todos que vivessem os seus ensinamentos.
Pai, cura-me da cegueira que me impede de reconhecer a presença de tua salvação na minha vida, realizada pela ação misericordiosa de teu Filho Jesus.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

LITURGIA DIÁRIA - OS DOIS ALICERCES.


Primeira Leitura: Isaías 26, 1-6
I SEMANA DO ADVENTO
(roxo, pref. do advento I ofício do dia)

Leitura do livro do profeta Isaías - Naqueles dias, 1Naquele tempo será cantado este cântico na terra de Judá: Nós vimos uma cidade forte, em que se pôs por proteção muro e antemuro. 2Abri as portas, deixai entrar um povo justo, que respeita a fidelidade, 3que tem caráter firme e conserva a paz, porque tem confiança em vós. 4Tende sempre confiança no Senhor, porque o Senhor é o rochedo perene. 5Ele derrubou os que habitavam nas alturas e destruiu a cidade soberba; derrubou-a por terra e ao nível do chão a reduziu. 6Ela é calcada aos pés pela plebe, sob os passos dos indigentes. - Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial(117)
 REFRÃO: Bendito é aquele que vem vindo em nome do Senhor!
1. Aleluia. Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia. - R.
2. Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar no homem. Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra. - R.
3. Abri-me as portas santas, a fim de que eu entre para agradecer ao Senhor. Esta é a porta do Senhor: só os justos por ela podem passar. Graças vos dou porque me ouvistes, e vos fizestes meu Salvador. - R.
4. Senhor, dai-nos a salvação; dai-nos a prosperidade, ó Senhor! Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Da casa do Senhor nós vos bendizemos. O Senhor é nosso Deus, ele fez brilhar sobre nós a sua luz. Organizai uma festa com profusão de coroas. E cheguem até os ângulos do altar. - R.
Evangelho: Mateus 7, 21.24-27

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 21Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 24Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. 26Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína. - Palavra da salvação.
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Homilia - Pe Bantu

Jesus inicia este evangelho dizendo: “Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus”.
Com essas palavras Ele quer nos alertar que devemos ser fiéis até o fim; que procuremos perseverar sempre nas Suas palavras e ensinamentos, todos os dias da nossa vida. Não basta dizer Senhor, Senhor, é necessário que consigamos, através do nosso contato diário com tudo o que é de Deus, de maneira sincera e, segundo os seus ensinamentos. Quando Ele nos coloca as suas palavras é para nos despertar, que é muito importante que fortifiquemos a nossa fé, através dos nossos atos de caridade com os irmãos e de piedade para com Ele. Somente aqueles que constroem a sua vida dia após dia; hora após hora, minuto a minuto e segundo a segundo, calcadas na sua Fé em Deus, certamente, se permanecerem até o fim, conseguirão o seu lugar reservado na casa do Pai. A casa sobre a rocha que Jesus usa como exemplo neste Evangelho; que a tempestade, as chuvas, os ventos impetuosos não conseguem derrubá-la, destruí-la; é a nossa vida que sendo construída com os alicerces da Fé em suas palavras, nunca se sentirá abalada pelos problemas, decepções, maldades, doenças e até pela morte; nada abalará as nossas estruturas, que estará repleta do amor de Deus; pois temos uma base sólida.

São Paulo nos fala em uma das suas cartas: “Quando me sinto fraco aí é que fico mais forte, porque a fé que trago no coração, me impulsiona para frente”. O cristão deve enfrentar a sua corrida parta alcançar os louros da vitória, sem nunca duvidar da sua força, que vem de Deus, essa força está ligada ao pedido que Jesus fez ao Pai em sua Oração em João, 17, 1-26; ali Jesus roga ao Pai por todos nós aqueles que seguirem as suas palavras. Por isso, S. Paulo também fala:-“nada me afastará do amor do Pai – nem as alturas, nem as profundezas, nem as angústias, nem as aflições, nem a miséria, nem a riqueza . . . nada, nada me afastará do amor de Deus.”
Não nos basta dizer Senhor, Senhor, quando às coisas apertam para o nosso lado. Lembrar d’Ele só quando tudo nos parece difícil, sem saída, sem solução. É preciso que nos acostumemos com a certeza da eterna fidelidade de Deus para conosco, seus filhos. Ele também espera, para o nosso bem, que não nos esqueçamos de louvá- lO, em reconhecimento pelo muito que recebemos do Seu grande amor. Muitos se lembram só para pedir e mesmo não vivendo como Ele pede, ficam bravos, batem os pés xingam e até blasfemam, ,porque acham que não foram atendidos.

Só Ele sabe o que pode e deve fazer e, quando é o momento certo para atender aos pedidos que fazemos. Nós mesmos não sabemos que aquela não é a hora de sermos atendidos e... por isso pedimos...e, por isso muitos se dizem decepcionados e se afastam até, do caminho do Senhor. É’ preciso pedir. Jesus mesmo nos diz “Tudo o que pedirdes ao Pai , em meu nome, Ele vos atenderá” . Jesus não mente; as Suas palavras significam tudo aquilo que representam, mas, não esqueçamos, que existe, também, a nossa parte a ser cumprida. Há uma aliança bilateral entre nós e Deus, para ser cumprida.
Pai livra-me de reduzir minha adesão a Jesus a mero palavreado. Ajuda-me a transformar os ensinamentos dele em norma de vida. Assim estarei fazendo a tua vontade.