segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PESQUISA:34 MIL FIÉIS POR DIA SE UNEM À IGREJA CATÓLICA.

Segundo o estudo anual "Status of global missions" realizado este ano, a Igreja Católica reúne um bilhão e 160 milhões de fiéis em todo mundo e a cada dia 34 mil pessoas ingressam nela.

Conforme informou a agência católica argentina AICA, os dados do relatório –difundidos pela agência Analisis Digital– afirmam que existem no mundo um 2 bilhões de pessoas, do total de 7 bilhões de habitantes do planeta, que nunca chegaram a ouvir a mensagem do evangelho.

Outros 2 bilhões 680 milhões ouviram falar dele alguma vez ou o conhecem em certa medida, mas não são cristãos.

"Embora Jesus Cristo tenha fundado uma única Igreja e pouco antes de morrer orava ‘que todos sejam um’, existem cada vez mais denominações cristãs diferentes: eram 1.600 ao início do século XX, 34 mil ao princípio do século XXI e 42 mil no presente ano de 2011", indica o estudo.

Por sua parte, os protestantes carismáticos chegam 612 milhões. Os protestantes "clássicos" somam 426 milhões e crescem em 20 mil por dia. As igrejas ortodoxas reúnem 271 milhões de batizados e ganham 5 mil adeptos a cada dia.

Os anglicanos, centrados sobre tudo na África e Ásia, chegam a 87 milhões, com 3 mil novos adeptos cada dia. Os que o estudo chama "cristãos da margem" (Testemunhas de Jeová, Mórmons, os que duvidam da Trindade ou da divindade do Jesus, etc.) são 35 milhões e crescem em 2 mil novos seguidores pro dia.

"A forma mais singela de crescer é ter muitos filhos e aderi-los à própria tradição religiosa. A conversão é menos comum, mas ocorre em milhões de pessoas anualmente, a mais comum é a de um cônjuge à religião do outro", acrescenta o estudo.

Em 2011, os cristãos de todas as denominações terão posto em circulação 71 milhões de bíblias a mais pelo mundo (já há 1.74 bilhões, algumas de forma clandestina).

Além disso, este ano serão enviados 409 mil cristãos a um país diferente do seu para evangelizá-lo, organizados em 4 800 entidades missionárias distintas.

por
ACI Digital

ANGELUS: " O VERDADEIRO DONO DO MUNDO NÃO É O HOMEM, MAS DEUS"


Bento XVI conduziu a oração mariana do Angelus, deste I Domingo do Advento, na Praça São Pedro, no Vaticano, repleta de fiéis e peregrinos que ouviram as palavras proferidas pelo Papa.

O Santo Padre iniciou o Angelus destacando o início do novo Ano Litúrgico: "Um novo caminho de fé que deve ser vivido junto com as comunidades cristãs, mas também, como sempre, um caminho que dever ser percorrido dentro da história do mundo, para abri-la ao mistério de Deus, para a salvação que vem de seu amor. O Ano Litúrgico se inicia com o Tempo do Advento: tempo maravilhoso em que se desperta nos corações a espera do retorno de Cristo e a memória de sua primeira vinda, quando se despojou de sua glória divina para assumir a nossa carne mortal."

O Papa frisou que o apelo de Jesus no Evangelho de hoje a vigiar é um convite dirigido não só aos seus discípulos, mas a todos nós: "É um convite salutar para nos lembrar que a vida não tem apenas a dimensão terrena, mas é projetada rumo ao além, como uma plantinha que brota da terra e se abre para o céu. Uma plantinha pensante, o ser humano, dotada de liberdade e responsabilidade, por isso cada um de nós será chamado a prestar contas de como viveu, como utilizou suas capacidades: se as guardou para si ou as fez frutificar em favor do bem dos irmãos."

O Santo Padre recordou que Isaías, o Profeta do Advento, nos faz refletir hoje com uma oração sincera, dirigida a Deus em nome do povo. "Ele reconheceu as falhas do seu povo e disse: Não há quem invoque o teu nome, quem acorde para em ti se apoiar, pois escondeste de nós a tua face, deixaste que, como onda, a força dos nossos pecados nos arrastasse" – disse Bento XVI citando o Profeta Isaías.

Segundo o Papa, tal descrição parece refletir certos panoramas do mundo pós-moderno: "As cidades onde a vida tornou-se anônima e horizontal, em que Deus parece estar ausente e o homem o único senhor, como se ele fosse o criador e o diretor de tudo: as construções, o trabalho, a economia, os transportes, as ciências, a tecnologia, tudo parece depender somente de homem. E às vezes, neste mundo que parece quase perfeito, acontecem coisas chocantes, ou na natureza, ou na sociedade, que nos leva a pensar que Deus tenha se retirado, nos tenha abandonado."

"Na realidade, o verdadeiro dono do mundo não o homem, mas Deus. O Tempo do Advento chega a cada ano para nos lembrar isso, a fim de que a nossa vida reencontre sua orientação justa, em direção à face de Deus. A face não de um patrão, mas de um Pai e amigo" – concluiu o Papa, que concedeu a todos a sua bênção apostólica.


por
Rádio Vaticano

JOGADORES COMPULSIVOS.

BBCBBC
O psicólogo britânico Mark Griffiths, professor da Nottingham Trent University, vem estudando o jogo compulsivo há 25 anos e diz acreditar “enfaticamente” que o ato de jogar e apostar, se levado ao extremo, é tão viciante quanto qualquer droga
“Os efeitos sociais e de saúde da jogatina extremada são muitos e têm muita coisa em comum com os efeitos de vícios mais tradicionais, entre eles mau humor, problemas de relacionamento, absenteísmo do trabalho, violência doméstica e ir à falência.
Os efeitos para a saúde – para jogadores e seus parceiros e parceiras – incluem ansiedade, depressão, insônia, problemas intestinais, enxaquecas, stress, problemas estomacais e pensamentos suicidas.
Se comportamentos como a jogatina podem se tornar um vício genuíno, não existe razão em teoria que impediria alguém de se viciar em atividades como videogames, trabalho ou exercícios físicos.
Pesquisas sobre jogadores compulsivos relatam que eles sofrem ao menos um efeito colateral quando passam por períodos de abstinência, como insônia, dores de cabeça, perda de apetite, fraqueza física, palpitações cardíacas, dores musculares, dificuldades de respiração e calafrios.
Abstinência
Na verdade, jogadores compulsivos aparentam sofrer mais sintomas de abstinência física quando tentam cortar o vício do que viciados em drogas.
Mas quando é exatamente que um entusiasmo saudável se transforma em um vício?
Comportamento excessivo por si só não significa que alguém seja viciado.
Eu consigo pensar em muitas pessoas que se envolvem em atividades excessivas, mas eu não as classificaria como viciadas, já que elas parecem não sofrer qualquer efeito negativo ao apresentar tal comportamento.
Em essência, a diferença fundamental entre o excesso de entusiasmo e o vício é que os entusiastas saudáveis adicionam vida às atividades desprovidas dela.
Para qualquer comportamento ser definido como viciante, é preciso que existam consequências específicas como se tornar a atividade mais importante na vida de uma pessoa ou ser o meio pelo qual o humor dela pode melhorar.
Eles podem também começar a precisar fazer mais e mais da atividade ao longo do tempo para sentir seus efeitos e sentir sintomas físicos e psicológicos de abstinência se eles não conseguem fazê-lo.
Isso pode levar a conflitos com o trabalho e com responsabilidades pessoais e muitos podem até viver recaídas se tentam largar o vício.
A maneira pela qual os vícios se desenvolvem – sejam eles químicos ou comportamentais – é complexa.
Vícios ocultos’
O comportamento viciante se desenvolve a partir de uma combinação de predisposição biológica e genética de uma pessoa, o ambiente social em que elas cresceram e sua constituição psicológica, como traços de personalidade, atitudes, experiências e crenças e a própria atividade.
Muitos vícios comportamentais são vícios ”ocultos”. Diferentemente do alcoolismo, o viciado em trabalho não apresenta a fala embolada ou sai tropeçando.
Mas, no entanto, o vício comportamental é um tema relativo a saúde que precisa ser levado a sério por todos os profissionais das áreas médicas ou de saúde.
Se o principal objetivo dos profissionais da área médica é garantir a saúde de seus pacientes, então ter consciência sobre o vício comportamental e os temas que o cercam deveriam ser tão importantes quanto o conhecimento básico e o treinamento.
Diversos vícios comportamentais podem ser tão graves quanto vícios em drogas.”


carmadelio

LITURGIA DIÁRIA - JESUS CURA O EMPREGADO DO OFICIAL ROMANO.

Primeira Leitura: Isaías 2, 1-5

I SEMANA DO ADVENTO
(roxo, pref.do advento I - ofício do dia)


Leitura do livro do profeta Isaías- 1Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e Jerusalém. 2No fim dos tempos acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. Para aí acorrerão todas as gentes, 3e os povos virão em multidão: Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó: ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas. Porque de Sião deve sair a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor. 4Ele será o juiz das nações, o governador de muitos povos. De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se arrastarão mais para a guerra. 5Casa de Jacó, vinde, caminhemos à luz do Senhor. - Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial(121)

REFRÃO: Que alegria quando me disseram: / "Vamos à casa do Senhor!"
1. Cântico das peregrinações. De Davi. Que alegria quando me vieram dizer: Vamos subir à casa do Senhor... Eis que nossos pés se estacam diante de tuas portas, ó Jerusalém! - R.

2. Jerusalém, cidade tão bem edificada, que forma um tão belo conjunto! Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor, segundo a lei de Israel, para celebrar o nome do Senhor. - R.

3. Por amor de meus irmãos e de meus amigos, pedirei a paz para ti. Por amor da casa do Senhor, nosso Deus, pedirei para ti a felicidade. - R.

Evangelho: Mateus 8, 5-11

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus - Naquele tempo, 5Entrou Jesus em Cafarnaum. Um centurião veio a ele e lhe fez esta súplica: 6Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito. 7Disse-lhe Jesus: Eu irei e o curarei. 8Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado. 9Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz... 10Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel. 11Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó, - Palavra da salvação.
catolicanet.com

Homilia - Pe Bantu

Lucas tem, ao escrever o evangelho e os Atos, um fio condutor que permeia as duas obras: trata-se da nova história que Jesus inaugurou com os pobres e oprimidos e que continua na práxis dos primeiros cristãos. A nova história não passa pelos poderosos deste mundo, que perseguem Jesus e seus discípulos. O evangelista apresenta o fim desse sistema e a caminhada resistente dos que aderiram a Jesus para construir com ele história e sociedade novas. Esses versículos foram chamados de “discurso escatológico”. O autor escreve em estilo apocalíptico, forma privilegiada, naquele tempo, para suscitar ânimo e resistência nos momentos em que os conflitos se tornam mais agudos.


Já vimos no versículos 5 -11 o fim do sistema injusto e o disciernimento em tempos de tribulações. Quando Lucas escreveu o evangelho, Jerusalém e o Templo já haviam sido destruídos pelos romanos. Aquele sistema opressor – instalado no Templo e sustentado pelo Sinédrio, que levou Jesus à morte e perseguiu os primeiros cristãos – havia acabado. É próprio da linguagem apocalíptica tomar fatos passados e mostrá-los como ainda não acontecidos, com a finalidade de animar a resistência dos que são perseguidos diante de novos conflitos. Disso nasce uma constatação: a comunidade cristã que, a exemplo do Mestre, pôs o centro de atenção nos pobres e oprimidos, sobrevive àquela catástrofe que se abateu sobre o suporte da sociedade injusta, ou seja, sobrevive à destruição do Templo e de Jerusalém. Assim, a perspectiva futura fica aberta: cedo ou tarde todos os sistemas iníquos virão abaixo. Resta saber até quando continuará a sucessão desses sistemas.

Os ouvintes do Mestre querem saber quando os sistemas de morte vão deixar de existir e qual vai ser o sinal de que essas coisas estão para acontecer. Mas Jesus não veio satisfazer a curiosidade das pessoas. Ao quando ele responde com um convite ao discernimento: “Cuidado para não enganarem a vocês, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ – e ainda: ‘O tempo chegou!’ Não sigam essa gente!” O discernimento supõe posicionamento diante das catástrofes descritas nos: em primeiro lugar, elas não são o fim do mundo; em segundo lugar, expressam o desejo latente nos povos por liberdade e vida: “Um povo lutará contra outro povo, um país atacará outro país”. Além disso, essa afirmação de Jesus quer mostrar que os sistemas baseados na força e na intimidação acabarão se destruindo mutuamente. Em terceiro lugar, fazem nascer a esperança numa sociedade fraterna e justa. De fato, na linguagem apocalíptica, os abalos cósmicos - terremotos etc - não são anúncio de catástrofes naturais. Pelo contrário, são indicações de que algo totalmente novo está sendo gestado na história, e esse novo não tardará em se manifestar.

Agora Ele fala da resistência inteligente desmonta os sistemas de morte. “Antes que essas coisas aconteçam, vocês serão presos e perseguidos; serão entregues aos tribunais dos judeus e postos na prisão; serão levados diante de reis e governadores por causa do meu nome”. A resistência inteligente dos discípulos de Jesus tem poder de desmontar os sistemas que geram opressão e morte. Escrevendo o evangelho, Lucas tem presente o que já aconteceu com as primeiras comunidades: os discípulos diante do Sinédrio, a morte de Estêvão e Tiago, a resistência de Paulo etc. Esses acontecimentos, apesar de terem custado a vida de alguns, apontam para a nova sociedade que vai tomando corpo: “Assim vocês poderão reafirmar a sua fé”.

A resistência dos cristãos há que ser inteligente e cheia de esperança, pois Jesus está com eles, dando-lhes uma linguagem à qual nenhum inimigo poderá resistir ou rebater. Isso faz lembrar a criatividade de nossos movimentos populares, que geram uma sociedade alternativa com seu modo de ser e de agir. Há que ser, também, uma resistência solidária na comunidade dos que têm fé, a nova família de Jesus (cf. 8,21), pois os cristãos correm o risco de ser entregues pelos familiares. É, ainda, uma resistência realista, consciente de que “todos vão odiá-los e matar alguns de vocês”. Há que ser, finalmente, uma resistência esperançosa, pois é permanecendo firmes que iremos ganhar a vida .

domingo, 27 de novembro de 2011

ROTEIRO HOMILÉTICO - I DOMINGO DO ADVENTO.


RITOS INICIAIS
Salmo 24,1-3
ANTÍFONA DE ENTRADA: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

Introdução ao espírito da Celebração

O homem está marcado por ritmos que organizam e desenvolvem o tempo na sua existência: o dia e a noite, o trabalho e o descanso, as estações do ano, as semanas, os meses e os anos.
A manifestação da nossa fé segue também alguns destes ritmos, sendo exemplo disso a celebração dominical e o ano litúrgico. O mistério de Cristo, desde o seu nascimento até à ascensão que celebramos ao longo de cada ano, faz-nos avançar na experiência do Senhor e na prática da vida cristã.
Hoje iniciamos um novo ano litúrgico com o tempo do Advento. Este não se limita a preparar-nos para o Natal, mas insere-nos em toda a História da Salvação. Faz-nos viver a esperança da espera do Messias vivida pelo Povo de Deus, mas, ao mesmo tempo, relembra-nos que Ele já veio e voltará no fim dos tempos.
Manifestemos, pois, a nossa confiança em Deus e peçamos que nos perdoe a falta de convicção que talvez nos tenha faltado durante o passado ano.
ORAÇÃO COLECTA: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Primeira Leitura

Monição: O profeta Isaías aponta o que é o homem quando está afastado de Deus. Recorda também a oração do Povo eleito que almejava ardentemente a vinda do Salvador. Através de palavras cheias de confiança lembra que Deus é Pai e Redentor.
Isaías 63, 16b-17.19b; 64, 2b-7
13bVós, Senhor, sois nosso Pai e nosso Redentor, desde sempre, é o vosso nome. 17Porque nos deixais, Senhor, desviar dos vossos caminhos e endurecer o nosso coração, para que não Vos tema? Voltai, por amor dos vossos servos e das tribos da vossa herança. 19bOh, se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes! 2bMas Vós descestes e perante a vossa face estremeceram os montes. 3Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. 4Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos. Estais indignado contra nós, porque pecámos e há muito que somos rebeldes, mas seremos salvos. 5Éramos todos como um ser impuro, as nossas acções justas eram todas como veste imunda. Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. 6Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. 7Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos.



O texto desta leitura, tirado do Terceiro Isaías (Is 56 – 66), é um veemente e comovente apelo à misericórdia de Deus, de grande afinidade com alguns Salmos, e também um hino ao seu amor de Pai.
16b «Nosso Pai». Já no A. T. Deus é designado Pai, mas é no N. T. que se revela o sentido profundo da sua paternidade e sobretudo a nossa condição de «filhos no Filho». «E nosso Redentor» (goél, em hebraico). A Deus é dado o mesmo nome que se dava ao parente mais próximo encarregado de defender a pessoa oprimida e necessitada: o goél tinha obrigação de resgatar quem caísse na escravidão, de resgatar uma propriedade, de vingar o sangue dum parente assassinado, e até de obviar à falta de filhos de uma viúva dum parente, casando com ela. Quando se designa a Deus Redentor (goél) de Israel, indica-se que Yahwéh é o responsável pela defesa do povo que elegeu para si. Chamar-lhe Redentor é apelar para a sua segura defesa e protecção.
19 «Oh, se rasgásseis os céus e descêsseis!» A Liturgia do Advento aplica este texto à vinda de Deus à terra no mistério da Incarnação: Jesus Cristo é o próprio Deus que vem resgatar-nos do pecado e da perdição eterna.
1-2a.5-6 «Pecámos». Os primeiros versículos do capítulo 64 são obscuros, traduzidos de diversos modos (a versão litúrgica atém-se basicamente ao texto oficial da Neovulgata). Uma ideia, porém, fica clara: o reconhecimento das culpas é o ponto de partida para o veemente apelo do Profeta à misericórdia divina. Também não se poderia exprimir com mais veemência a repugnante situação de impureza do pecador perante Deus: «as nossas acções justas eram todas como veste imunda» (a Vulgata traduz à letra o original hebraico bem expressivo e realista – «pannus menstruatæ» –, que, para não ferir a sensibilidade de algum leitor, a Neovulgata suavizou para «pannus inquinatus», «um trapo sujo»). A confissão humilde dos nossos pecados é também uma atitude básica para preparar o Natal, aliás este poderia ficar reduzido a um bonito folclore, mas vazio.
8 «Nós o barro…» Esta imagem tão frequente na Escritura (cf. Is 29, 16; 30, 14; 45, 9; Jer 18, 1-6; 19, 1-13; Sir 33, 13; Rom 9, 9-20-21) é muito expressiva, pois, por um lado, exprime a fragilidade do homem, por outro, o domínio total de Deus sobre nós. Pode-se tirar partido da imagem para falar da docilidade à acção do Espírito Santo na alma, a fim de que Deus possa moldar-nos segundo a imagem de Cristo, que quer «nascer» em nós.

Salmo Responsorial

Sl 79, 2ac e 3b, 15-16.18-19 (R.4)



Monição: No salmo pedimos ao Senhor que venha de novo, a fim de n’Ele encontrarmos a salvação.
Refrão: SENHOR NOSSO DEUS, FAZEI-NOS VOLTAR,
MOSTRAI-NOS O VOSSO ROSTO E SEREMOS SALVOS.



Pastor de Israel, escutai,
Vós que estais sentado sobre os Querubins, aparecei.
Despertai o vosso poder
e vinde em nosso auxílio.



Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.
Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.



Estendei a mão sobre o homem que escolhestes,
sobre o filho do homem que para Vós criastes;
e não mais nos apartaremos de Vós:
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.



Segunda Leitura

Monição: S. Paulo fala-nos da manifestação de Cristo e aconselha-nos a que permaneçamos fiéis, a fim de não recearmos a Sua vinda.
1 Coríntios 1, 3-9
Irmãos: 3A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. 5Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; 6e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo. 7De facto, já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. 8Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. 9Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.
S. Paulo, nas suas cartas, utiliza o formulário epistolar greco-romano. A leitura de hoje contém a segunda parte (vv. 3-9) do início (a præscriptio) da sua carta, deixando de parte os vv. 1-2 (o remetente, asuperscriptio – «Paulo e Sóstenes», e os destinatários, a adscriptio: «à Igreja de Deus que está em Corinto…»). A nossa leitura começa no v. 3, com a saudação (salutatio). A saudação judaica era «a paz!» (a que muitas vezes acrescentavam «a bênção»; a sudação entre os gregos era «alegra-te!» khaire / khairein; entre os romanos era «tem saúde!, salutem). Paulo utiliza simultaneamente a saudação grega e a judaica, mas dando-lhes um novo sentido, o sentido cristão; assim não diz khairein (alegria), mas sim kháris (graça); e a sudação «paz» é especificada acrescentando «da parte de Deus… e do Senhor Jesus», pondo assim em evidência o dom gratuito da salvação que vem de Deus por Jesus. Como era corrente à saudação segue-se um agradecimento, mas aqui é «a Deus» que Paulo agradece os dons concedidos à comunidade de Corinto (vv. 4-7).
7-8 «Esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo». É a manifestação que corresponde ao «dia de Nosso Senhor Jesus Cristo», o dia da segunda e última vinda de Jesus, para o julgamento final de todos os homens (cf. Mt 25, 31-46). Em cada festa de Natal toda a Igreja recorda e revive a primeira vinda do Senhor e antecipa e prepara a sua segunda vinda (a parusía, assim chamada noutros lugares), oumanifestação [apokálypsis]. Pensa-se que S. Paulo, nalgum momento, poderia mesmo ter chegado a participar da esperança que havia entre os primeiros cristãos de uma vinda próxima de Jesus; com efeito, sendo estes conscientes de que em Jesus se dava o culminar da história da salvação, não podiam imaginar que Ele pudesse tardar a sua manifestação definitiva; com efeito, do plano teológico era fácil resvalar para o plano cronológico; mas isto nunca foi objecto propriamente do ensino apostólico.

Aclamação ao Evangelho

Salmo 84 (85), 8
Monição: Só no Senhor pode residir a nossa confiança, pois a Sua misericórdia proporciona-nos a salvação.

ALELUIA

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia e dai-nos a vossa salvação.



Evangelho

São Marcos 13, 33-37
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33«Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. 34Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. 35Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; 36não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 37O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!»



O texto evangélico de hoje é o final do discurso escatológico de S. Marcos (Mc 13, 1-37), o Evangelista do ano B.
33 «Vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento». O momento em que Jesus «de novo há-de vir a julgar os vivos e os mortos» é-nos absolutamente desconhecido. Esta ignorância não nos deve assustar, mas sim estimular-nos a aproveitar bem o tempo, com sentido de urgência e a estar sempre preparados para comparecer diante do nosso Salvador, que aparecerá como Juiz remunerador; também aqui bem se aplica o célebre aforismo de «douta ignorância» (Sto. Agostinho). No seu Comentário ao Diatéssaron, 18, 15-17, Santo Efrém diz que o Senhor «quis ocultar-nos isto a fim de permanecermos vigilantes e para que cada um de nós possa pensar que este acontecimento se produzirá durante a sua vida. Ele disse muito claramente que há-de vir, mas sem precisar em que momento. E assim todas as gerações O esperam ardentemente». E a Liturgia do Advento desperta em nós esta atitude de espera ansiosa.
Sugestões para a homilia
Fragilidades e falta de coragem
Convidam à vigilância
Para permanecermos fiéis
Fragilidades e falta de coragem
Os israelitas exilados na Babilónia, recolhidos em oração, descobrem que a causa das suas desgraças fora motivada por terem abandonado a Deus. O profeta Isaías, com palavras cheias de confiança, lembra ao Povo escolhido que, apesar de toda a fragilidade e falta de coragem, Deus continua a ser o seu Pai e Redentor.
Em muitas ocasiões também nós nos encontramos em situações parecidas com a dos israelitas. Seduzidos pelas falsas promessas do mal, abandonamos a Deus e deixamo-nos deslumbrar por muitas fragilidades pensando alcançar a felicidade. Tais fraquezas levam-nos a decepções, isolamento, desonra, vergonha e angústia profunda. Sentimo-nos, então, sós e com falta de coragem.
Por que não repetir na oração, a súplica que o profeta nos sugere?
O tempo do Advento é convite à esperança e estímulo para nos aproximarmos do Senhor preparando com vigilância e atenção o encontro definitivo do segundo Advento.
Convidam à vigilância
O Evangelho aponta também para esta perspectiva da segunda vinda do Senhor pois nos alerta: acautelai-vos e vigiai!
Quem está de vigia vive em atitude permanente de cuidado ao seu dever, não se deve deixar abater pelo sono, não se pode distrair.
O cristão nunca pode adormecer, não pode agir como aqueles que se abandonam à corrupção, ao inebriamento, às aventuras. Tal atitude não constitui uma maneira negativa de quem se protege da imperfeição. Deve ser a regra de quem aproveita todas as circunstâncias para realizar o plano de Deus, daquele que sabe descobrir a protecção do Senhor e está atento a tudo o que acontece à sua volta, a fim de permanecer fiel.
Para permanecermos fiéis
Por isso, S. Paulo fala-nos da manifestação de Cristo e adverte-nos de que devemos permanecer fiéis, para não temermos a Sua vinda.
Quando nós, todavia, pensamos na nossa fragilidade, somos tentados a deixar-nos vencer pelo desalento e convencemo-nos de que nunca seremos capazes de colaborar para a construção dum mundo novo. Os Coríntios, a quem Paulo escreve esta carta, também tinham muitos defeitos. Contudo eles são-nos apresentados como modelo de quem espera o Senhor.
Deus não nos priva da sua graça, apenas espera que abramos o nosso coração aos seus dons.
Por isso, saibamos estar atentos e vigilantes para permanecermos fiéis ao nosso baptismo. Esperemos com toda a confiança a vinda do Senhor, que se mostra ao bater à nossa porta em cada situação da vida em que qualquer irmão solicita a nossa ajuda.
Fala o Santo Padre
«O Advento está impregnado de esperança e de expectativa espiritual.»
Com o domingo hodierno tem início o Advento, um tempo de grande sugestão religiosa, porque está impregnado de esperança e de expectativa espiritual: todas as vezes que a Comunidade cristã se prepara para fazer memória do nascimento do Redentor, sente em si um frémito de alegria que, em certa medida, se transmite a toda a sociedade. No Advento, o povo cristão revive o duplo movimento do espírito: por um lado, eleva o olhar rumo à meta final da sua peregrinação na história, que é a vinda gloriosa do Senhor Jesus; por outro, recordando com emoção o seu nascimento em Belém, inclina-se diante do Presépio. A esperança dos cristãos orienta-se para o futuro, mas permanece sempre bem arraigada num acontecimento do passado. Na plenitude dos tempos, o Filho de Deus nasceu da Virgem Maria: «Nasceu de uma mulher, submetido à lei», como escreve o Apóstolo Paulo (Gl 4, 4).
Hoje, o Evangelho convida-nos a permanecer vigilantes, na expectativa da última vinda de Cristo. «Vigiai!», diz Jesus, «porque não sabeis quando o dono da casa vai voltar» (Mc 13, 35.37). A breve parábola do homem que partiu para uma viagem, e dos servos encarregados de fazer as suas vezes, põe em evidência como é importante estar prontos para acolher o Senhor quando, de repente, Ele chegar. A Comunidade cristã espera com ansiedade a sua «manifestação», e o Apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, exorta-os a confiar na fidelidade de Deus e a viver de maneira a serem encontrados «irrepreensíveis» (cf. 1 Cor 1, 7-9) no dia do Senhor. Por isso, muito oportunamente, no início do Advento a liturgia coloca nos nossos lábios a invocação do Salmo: «Senhor, mostra-nos o teu amor, concede-nos a tua salvação» (Sl 85 [84], 8). […]
Bento XVI, Angelus, 27 de Novembro de 2005
LITURGIA EUCARÍSTICA
ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.
Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698]
SANTO
Monição da Comunhão
A comunhão do Corpo e Sangue de Jesus é dom precioso de Deus nosso Pai. Que a sua recepção seja para nós motivo de alerta vigilante para a vinda quotidiana de Cristo, a fim de que se torne para nós semente e penhor da felicidade eterna.
Salmo 84, 13
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.
ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.
RITOS FINAIS
Monição final
Que o Senhor nos ajude a encontrar a luz que nos esclareça ao longo da vida e nos ensine a dar o justo valor às coisas e aos acontecimentos, para que, com vigilância permanente, continuemos fiéis a aguardar com toda a confiança a vinda de Cristo.