sexta-feira, 28 de outubro de 2011

É BOM FAZER PROMESSAS?


Em síntese: O presente artigo analisa a prática das promessas feitas a Deus ou aos santos por pessoas desejosas de obter alguma graça. Tal prática tem fundamentado na própria Bíblia (cf. Gn 28,20-22; 1Sm 1,11). Todavia verifica-se que os autores bíblicos faziam advertências aos fiéis no sentido de não prometerem o que não pudessem cumprir (cf. Ecl 5,4). No Novo Testamento São Paulo quis submeter-se às obrigações do voto do nazireato (cf. At 18,18; 21,24). Estas ponderações mostram que a prática das promessas como tal não é má. É certo, porém, que as promessas não movem o Senhor Deus a nos dar o que Ele não quer dar, pois Deus já decretou desde toda a eternidade dar o que Ele nos dá no tempo, mas as promessas contribuem para afervorar o orante, excitando neste maior amor. Acontece, porém, que muitas vezes os cristãos não têm noção clara do porquê das promessas ou prometem práticas que eles não podem cumprir. Daí surgem duas obrigações para quem tem o encargo de orientar os irmãos: 1) mostre-lhes que as promessas nada têm de mágico ou de mecânico, nem se destinam a dobrar a vontade de Deus, como se o Senhor se pudesse deixar atrair por promessas, à semelhança de um homem; 2) procure incutir a noção de que o cristão é filho do Pai e, por isto, não precisa de prometer ao Pai; o amor filial com que o cristão reze a Deus, é mais eloqüente do que a linguagem das promessas, que podem ter um sabor “comercial” ou muito pouco filial.

Comentário: Entre os fiéis católicos não é raro fazerem-se promessas a Deus ou a algum santo,… promessas de algum ato heróico a ser cumprido caso a pessoa receba a graça que deseja. Em conseqüência, fala-se de “pagar promessas”. Não raro os fiéis que prometem, depois de atendidos, não têm condições físicas, psíquicas ou financeiras para pagar as suas promessas. Sentem-se então angustiados, pois receiam que algo de mau ou um castigo lhes sobrevenha da parte de Deus por não cumprirem as suas “obrigações”. O problema é tormentoso e merece ser analisado desde as suas raízes, ou seja, a partir do conceito mesmo de piedade que os fiéis cristãos devem alimentar. É o que vamos fazer nas páginas subseqüentes, examinando: 1) a fundamentação bíblica, 2) a justificativa teológica das promessas, 3) a casuística ocasionada, 4) uma conclusão final.

1. Fundamentação bíblica
O costume de fazer promessas ou, segundo linguagem mais bíblica, votos tem origem na piedade popular anterior a Cristo. É documentado pela própria Bíblia, que nos mostra como pessoas, em situações difíceis necessitando de um auxílio de Deus, prometeram fazer ou omitir algo, caso fossem ajudadas pelo Senhor. Foi, por exemplo, o que aconteceu com Jacó, que, ao fugir para a Mesopotâmia, exclamou: “Se Deus estiver comigo, se me proteger durante esta viagem, se me der pão para comer e roupa para vestir e se eu regressar em paz à casa de meu pai,… esta pedra… será para mim casa de Deus e pagarei o dízimo de tudo quanto me concederdes” (Gn 28, 20-22). Ana, estéril, mas futura mãe de Samuel, fez a seguinte promessa: “Senhor dos exércitos, se vos dignardes olhar para a aflição da vossa serva e… lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor durante todos os dias de sua vida e a navalha não passará sobre a sua cabeça” (1Sm 1,11). Alguns salmos exprimem os votos ou as promessas dos orantes de Israel; assim os de número 65. 66. 116; Jn 2,3-9.
A própria Escritura, porém, dá a entender que, entre os membros do povo de Deus, houve abusos no tocante às promessas: algumas terão sido proferidas impensadamente: “É melhor não fazer promessas do que fazê-las e não as cumprir” (Ecl 5,4). Havia também quem quisesse cumprir as suas promessas oferecendo o que tinha de menos digno ou valioso em vez de levar ao Templo as suas melhores posses; é o que observa o Senhor por meio do profeta Malaquias: “Trazeis o animal roubado, o coxo ou o doente e o ofereceis em sacrifício. Posso eu recebê-lo de vossas mãos com agrado?… Maldito o embusteiro, que tem em seu rebanho um animal macho, mas consagra e sacrifica ao Senhor um animal defeituoso” (Ml 1, 13s). Com o tempo os mestres de Israel procuravam restringir a prática das promessas, pois podiam tornar-se um entrave para a verdadeira piedade. No Evangelho Jesus supõe que certos filhos se subtraiam ao dever de assistir aos pais, alegando que tinham consagrado a Deus todo o dinheiro disponível:
“Vós por que violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Com efeito, Deus disse: “Honra teu pai e tua mãe” e “Aquele que maldisser pai ou mãe, certamente deve morrer”. Vós, porém, dizeis: “Aquele que disser ao pai ou à mãe: Aquilo que de mim poderias receber, foi consagrado a Deus, esse não está obrigado a honrar pai ou mãe”. Assim invalidastes a Palavra de Deus por causa da vossa tradição” (Mt 15, 3-6).
Todavia não consta que o Senhor Jesus tenha condenado o costume de fazer promessas como tal; ao contrário, os escritos do Novo Testamento atestam a prática de S. Paulo, que terá sido a dos cristãos da Igreja nascente e posterior:
“Paulo embarcou para a Síria… Ele havia rapado a cabeça em Cencréia por causa de um voto que tinha feito” (At 18,18).
“Disseram os judeus a Paulo: “Temos aqui quatro homens que fizeram um voto… Purificar-te com eles, e encarrega-te das despesas para que possam mandar rapar a cabeça. Assim todos saberão que são falsas as notícias a teu respeito, e que te comportas como observante da Lei” (At 21, 23s).
Em síntese, a praxe das promessas não é má, pois a S. Escritura não a rejeita, mas, ao contrário, torna-se objeto de determinações legais, como se depreende dos textos abaixo:
Lv 7,16: “Se alguém oferecer uma vítima em cumprimento de um voto ou como oferta voluntária, deverá ser consumida no dia em que for oferecida, e o resto poderá ser comido no dia imediato”.
Nm 15,3: “Se oferecerdes ao Senhor alguma oferenda de combustão, holocausto ou sacrifício, em cumprimento de um voto especial ou como oferta espontânea…”.
Nm 30,4-6: “Se uma mulher fizer um voto ao Senhor ou se impuser uma obrigação na casa de seu pai, durante a sua juventude, os seus votos serão válidos, sejam eles quais forem. Se o pai tiver conhecimento do voto ou da obrigação que se impôs a si mesma será válida. Mas, se o pai os desaprovar, no dia em que deles tiver conhecimento, todos os seus votos… ficarão sem valor algum. O Senhor perdoar-lhe-á, porque seu pai se opôs”.
Dt 12,5s: “Só invocareis o Senhor vosso Deus no lugar que Ele escolher entre todas as vossas tribos para aí firmar o seu nome e a sua morada. Apresentareis ali os vossos holocaustos,… os vossos holocaustos,… os vossos votos…”
Verifica-se, porém, que a prática dos votos nem sempre é salutar, merecendo por isto advertências da parte dos autores sagrados.

2. Qual a justificativa das promessas?
É certo que as promessas não são feitas para atrair Deus como se atrairia um homem poderoso, capaz de ser aliciado por dádivas e “pagamentos”; Deus não muda de desígnio; desde toda a eternidade Ele já determinou irreversivelmente dar-nos o que Ele nos concede dia por dia. Todavia, ao determinar que nos daria as graças necessárias, Deus quis incluir no seu desígnio a colaboração do homem que se faz mediante a oração; com outras palavras: Deus quer dar…, e dará…, levando em conta as orações que Lhe fazemos. Sobre este fundo de cena as promessas têm valor não tanto para Deus quanto para nós, orantes; sim, as promessas nos excitam a maior fervor; são o testemunho e o estímulo da nossa devoção; supõe-se que quem promete e cumpre a sua promessa, exercita em seu coração o amor a Deus; ora isto é valioso. Por conseguinte, quem vive a instituição das promessas em tal perspectiva, pode estar fazendo algo de bom, pois concebe mais amor e fervor. Diz o Senhor no Evangelho, referindo-se à pecadora que lhe lavou os pés pecados lhe estão perdoados” (Lc 7,47). Paralelamente diríamos, pode estar-se abrindo mais plenamente à misericórdia e à liberalidade do Senhor Deus.

3. E a casuística das promessas?
Há pessoas que, depois de receber o dom de Deus, se vêem embaraçadas para cumprir as suas promessas, porque não têm condições de saúde, de tempo ou de bens materiais para executar o que prometeram.
Que fazer?
- Antes do mais, afastem a hipótese, às vezes comunicada por religiões não cristãs, de que, se não “pagarem as suas obrigações”, estarão sujeitos a graves desgraças; na verdade, Deus não é vingativo nem é policial que pune contravenções, mas é Pai…, de tal modo que pensar em Deus deve despertar no cristão sentimentos de paz, confiança e alegria. Isto, porém, não quer dizer que o cristão despreocupadamente deixe de cumprir as suas promessas. Quem não as pode executar, procure um sacerdote e peça-lhe que troque a matéria da promessa. Esta solução condiz com os textos bíblicos que, de um lado, exortam a não deixar de cumprir o prometido (cf. Ecl 5,3), e, de outro lado, prevêem a insolvência dos fiéis e a possibilidade de comutação dos votos (ou promessas) por parte dos sacerdotes:
“Se aquele que fizer um voto não puder pagar a avaliação, apresentará a pessoa diante do sacerdote e este fixá-la-á; o valor será fixado pelo sacerdote de acordo com os meios de quem fizer voto” (Lv 27, 8; cf. Lv 27,13s.18.23).
Poderá acontecer que, em certos casos, o padre julgue oportuno dispensar, por completo, de certa promessa o fiel cristão.
A propósito convém incutir que, se alguém quer fazer uma promessa, evite propor certas práticas que são um tanto irracionais (como ocorre na peça “O pagador de promessas”); procure, ao contrário, prometer práticas não somente exeqüíveis e razoáveis, mas também úteis à santificação do próprio sujeito ou ao bem do próximo. Não tem sentido prometer algo que outra pessoa deverá cumprir, como é o caso de pais que prometem vestir o seu filho “de São Sebastião” no dia da festa do Santo; esta prática como tal não fomenta o amor a Deus e ao próximo. Quanto aos ex-voto (cabeças, braços, pernas… de cera), que se oferecem em determinados santuários, podem ter seu significado, pois contribuem para testemunhar a misericórdia de Deus derramada sobre as pessoas agraciadas; assim levarão o povo de Deus a glorificar o Senhor; mas é preciso que as pessoas agraciadas saibam por que oferecem tais objetos de cera, e não o façam por rotina ou de maneira inconsciente. Entre as práticas que mais se podem recomendar, apontam-se as três clássicas que o Evangelho mesmo propõe: a oração, a esmola e o jejum (cf. Mt 6,1-18). Com efeito, a S. Missa é o centro e o manancial, por excelência, da vida cristã, vida cristã que se nutre outrossim mediante a oração; a esmola e a colaboração com o próximo recobrem a multidão dos pecados (cf. 1Pd 4,8; Tg 5,20; Pr 10,12); o jejum e a mortificação purificam e libertam das paixões o ser humano, possibilitando-lhe mais frutuoso encontro com Deus através dos véus desta vida. Se a prática das promessas levar o cristão ao exercício destas boas obras, poderá ser salutar. Requer-se, porém, que os pastores de almas e os catequistas instruam devidamente os fiéis a fim de que compreendam que as promessas nada têm que ver com as “obrigações” dos cultos afro-brasileiros, mas hão de ser expressões do amor filial e devoto dos cristãos ao Senhor Deus.

4. Conclusão
Como se vê, a prática das promessas pode ser fundamentada na própria Bíblia. Verifica-se, porém, que já os autores sagrados lhe faziam certas restrições. Hoje em dia nota-se que freqüentemente alimenta uma mentalidade religiosa “comercial” ou amedrontada e doentia, gerando facilmente o escrúpulo mórbido. Muitas pessoas se sobrecarregam com promessas e mais promessas que elas não conseguem cumprir; em vez de fomentar a vida cristã, as promessas a prejudicam não raras vezes. Por isto é de sugerir que os cristãos reconsiderem tal costume, que de resto parece mais fundado numa concepção antropomórfica de Deus (concebido como o Grande Banqueiro, cuja benevolência é preciso cativar) do que na autêntica visão que o Cristianismo tem de Deus. Este é Pai, Aquele que nos amou primeiro, antes mesmo que O pudéssemos amar (cf. 1Jo 4,19.9s; Rm 5,7s); por conseguinte, somos seus filhos, certos de que o amor do Pai é irreversível ou não volta atrás, cientes também de que, antes que Lhe peçamos alguma coisa, Ele já decretou dar-nos tudo o que seja condizente com o nosso verdadeiro bem; diz São Paulo: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos terá dado tudo com Ele?” (Rm 8,32).



Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb.
Nº 262 – Ano 1982 – Pág. 202.

ELE DESTRUIU O MURO...


Foto de parte do Muro de Berlim em 1986

De dois povos fez um só e destruiu o muro de separação (Cf. Ef 2,14)



A Palestina, no tempo de Jesus, era um pequeno território sob domínio do império romano (desde 63 a.C.) e onde fervilhavam muitas religiões e cultos pagãos. Judeus (monoteístas) e pagãos (politeístas) guerreavam-se mas Cristo veio unir estes dois povos, formando um só, o Povo de Deus. Assim no-lo diz São Paulo, na carta aos Efésios: Cristo "anulou a lei, que contém os mandamentos em forma de prescrições, para, a partir do judeu e do pagão, criar em si próprio um só homem novo, fazendo a paz, e para os reconciliar com Deus, num só Corpo, por meio da cruz, matando assim a inimizade" (Ef 2,15-16).


Na verdade, Cristo não veio para revogar a lei, mas para a levar à perfeição (Cf. Mt 5,17), isto é, para, antes de mais, lhe devolver a simplicidade original porque muitos grupos religiosos, sobretudo os fariseus e os doutores da Lei, teimavam em carregar os homens com prescrições legais, fardos demasiado pesados que eles próprios não carregavam. Por isso lhes disse Jesus: "ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho e desprezais o mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade!" (Mt 23,23).


Mas não só os fariseus e os doutores da Lei mas também outros grupos religiosos de então como os saduceus, os samaritanos e os zelotas impunham aos seus fiéis um conjunto de preceitos que, naturalmente, teriam como objectivo ajudá-los a reconhecer a sua natureza frágil e o seu pecado perante Deus e a purificar-se mas que, pelo contrário, eram, muitas vezes, meramente rituais e cultuais, prestando pouco importância ao espírito com que eram vividos; por isso diz o Senhor: "este povo aproxima-se de mim só com palavras e honra-me só com os lábios, pois o seu coração está longe de mim e o culto que me presta é apenas preceito humano e rotineiro" (Is 29,13).


E também por isso é que João Batista, "cheio do Espírito Santo já desde o ventre da sua mãe" (Lc 1, 15b) os convidava a produzir frutos de sincero arrependimento (Cf. Lc 3,8), como diz o salmo: "sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido" (Sl 51,19a). Também Jesus, logo no início da sua vida pública, em Cafarnaúm, começou a pregar a CONVERSÃO (Cf. Mt 4,17) para logo de seguida, como nota o evangelista Mateus, subir a um monte e proclamar a nova Lei do Reino onde OS PACIFICADORES SERÃO CHAMADOS FILHOS DE DEUS (Cf. Mt 5,9).

Assim, a conversão surge como um primeiro passo necessário para a construção da paz porque favorece RELAÇÕES MAIS PROFUNDAS, TRANSPARENTES E VERDADEIRAS, ao contrário das relações entre muitos dos povos que habitavam aquela estreita faixa de terra entre o Jordão e o Mediterrâneo, onde imperava a atenção ao culto e à lei, e que se afastavam uns dos outros chamando-se mutuamente de impuros (a este respeito pode ler-se todo o capítulo 23 de São Mateus). Criavam-se, assim, divisões e muros praticamente intransponíveis: os judeus deviam abster-se de todo o contacto com os samaritanos (Cf. Jo 4,9), aqueles que não jejuavam eram criticados (Cf. Lc 5,33-35), bem como aqueles que não lavavam as mãos antes de comer (Cf. Mc 7,1-4), não era permitido colher espigas (Cf. Mc 2,23-28) ou curar (Cf. Mc 3,1-6) ao sábado, etc. No tempo de Jesus, só as ‘sentenças' dos rabinos contavam-se por 613 regras, sendo que a grande maioria se referiam ao puro e ao impuro.


Ao longo de toda a sua vida pública, Jesus, aparecerá como um destruidor desses muros
, não ao jeito recente de alguns países que, em nome da luta anti-terrorista, provocam e levam a cabo terríveis guerras com todas as consequências que daí advêm, mas com uma pedagogia única que Ele se propõe ensinar: "aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" (Mt 11,29-30). Jesus foi ungido para anunciar a Boa-Nova aos pobres, dar a vista aos cegos e proclamar a liberdade aos oprimidos (Cf. Lc 4,18), por isso, ao contrário dos fariseus e dos doutores da Lei, Ele acolhe e come com cobradores de impostos e pecadores (Cf. Lc 15,1-2), permite que as prostitutas se aproximem dele (Cf. Lc 7,37-38), perdoa aos pecadores arrependidos (Cf. Lc 7,36-50), cura os estrangeiros (Cf. Lc 17,11-19), dá uma grande importância à mulher num tempo em que ela era religiosa e socialmente discriminada (Cf. Lc 8,1-3; 10,38-42), convida todos a amarem os inimigos (Cf. Mt 5,43-48), tem um olhar bondoso e misericordioso para com todos, mesmo com aqueles que o negam (Cf. Lc 22,56-62) e oferece a vida eterna a uma samaritana (Cf. Jo 4,14). Vejamos alguns exemplos:

JESUS ESCOLHE MULHERES COMO SUAS DISCÍPULAS: "Em seguida, Jesus ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Acompanhavam-no os Doze e algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras, que os serviam com os seus bens" (Lc 8,1-3).


ENTRA EM CASA DE UM CHEFE DE COBRADORES DE IMPOSTOS
e consegue a sua conversão: Jesus disse a Zaqueu: "‘Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.' Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus, cheio de alegria. Ao verem aquilo, murmuravam todos entre si, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um pecador. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: ‘Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei alguém em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais.' Jesus disse-lhe: ‘Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão; pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido'" (Lc 19,5b-10).


PERMITE QUE UMA PROSTITUTA LHE LAVE E BEIJE OS PÉS:
"(...) certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. (...) E Jesus disse à mulher: ‘A tua fé te salvou. Vai em paz'" (Lc 7,37-38.50).


PERDOA A UMA MULHER ADÚLTERA
em vez de a apedrejar como era normal naquela época: "(...) os doutores da Lei e os fariseus trouxeram-lhe certa mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio e disseram-lhe: ‘Mestre, esta mulher foi apanhada a pecar em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou-nos matar à pedrada tais mulheres. E Tu que dizes?' Faziam-lhe esta pergunta para o fazerem cair numa armadilha e terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se para o chão, pôs-se a escrever com o dedo na terra. Como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes: ‘Quem de vós estiver sem pecado atire-lhe a primeira pedra!' E, inclinando-se novamente para o chão, continuou a escrever na terra. Ao ouvirem isto, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher que estava no meio deles. Então, Jesus ergueu-se e perguntou-lhe: ‘Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?' Ela respondeu: ‘Ninguém, Senhor.' Disse-lhe Jesus: ‘Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar'" (Jo 8, 3-11).


A conversão e a ADEQUAÇÃO DO NOSSO AGIR AO DE JESUS faz de nós, necessariamente, CONSTRUTORES DE PAZ e destruidores de muros.
E hoje continuam a ser muitos os muros a dividir os homens e os povos: o muro que separa os países ricos dos países pobres, o muro que esconde a violência doméstica e o trabalho infantil, o muro que impede o acesso de todos à educação, à saúde e a um emprego com dignidade, o muro que, nalguns países, proibe a liberdade religiosa e o acesso das mulheres a cargos políticos, o muro que impede o acesso dos portadores de deficiência a uma vida com dignidade, etc.

Temos ainda os muros de betão armado que rapidamente se constroem mas dificilmente se derrubam: ainda estará na memória de todos o muro que, depois da II Guerra Mundial, durante muitos anos, separou a República Democrática Alemã da República Federal Alemã, bem como muitos milhares de famílias. Também os frequentes muros erguidos na faixa de Gaza parecem perpetuar um conflito e condenar os sonhos de paz de milhares de pessoas. E, ainda não refeitos de tantos muros, uma lei aprovada em 2006 nos Estados Unidos da América determinou o reforço de um muro de 1.226 quilómetros na fronteira com o México. Mas ele será, muito provavelmente, insuficiente para resolver o problema da imigração ilegal e levará muitos mexicanos, que não desistirão de procurar uma nova oportunidade de vida, a arriscar-se ainda mais para entrar em território americano, por exemplo, através do deserto do Arizona. Pode parecer estranho como é que uma sociedade que nasceu com a imigração não é capaz de criar políticas migratórias eficazes, mas, na verdade, isto acontece porque no mundo HÁ FALTA DE HOMENS COM A PEDAGOGIA E O AMOR DE JESUS.


Duas pessoas não se podem abraçar quando estão separadas por um muro
, por isso, é necessário que mais pessoas aprendam de Jesus manso e humilde e, convertidas, procurem, como Francisco de Assis e tantos outros, ser instrumentos de ‘PAZ E BEM'.

O trabalho de alguns destes homens e mulheres em prol da paz e do respeito pelos direitos humanos, é anualmente reconhecido pela comunidade internacional através da atribuição do prémio NOBEL DA PAZ. O Nobel da Paz é um legado do sueco Alfred Nobel. De acordo com a sua vontade, o prémio deveria distinguir "a pessoa que tivesse feito a maior ou melhor acção pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz".

Assim, por exemplo, em 1979, Madre Teresa de Calcutá, ganhou o Nobel pela luta contra a pobreza na Índia; em 1990 foi a vez de Mikhail Gorbachev (antiga URSS), pela sua contribuição para o fim da Guerra-fria; em 2004 a laureada foi Wangari Maathai, ambientalista e activista dos direitos humanos queniana; e em 2006 foi a vez de Muhammad Yunus (Bangladesh) e do seu banco de microcrédito, Banco Grameen, por ajudar milhares de famílias nos países mais pobres a conseguirem financiamento para montarem o seu próprio negócio.

Em 1996, foi a vez de dois timorenses, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, bispo católico, e José Ramos-Horta, pelo seu contínuo esforço para terminar com a opressão vigente em Timor-Leste, esperando que "o prémio despolete o encontro de uma solução diplomática para o conflito em Timor-Leste com base no direito dos povos à autodeterminação."

Talvez nunca nenhum de nós chegue a ganhar o Nobel da Paz mas também não corremos atrás de uma coroa corruptível (Cf. 2Tm 9,25) porque a nossa herança é incorruptível e imaculada, e está reservada no Céu para nós (Cf. 1Pe 1,4). Talvez nunca nenhum de nós chegue a ganhar o Nobel da Paz mas ninguém nos liberta da obrigação, como baptizados, de nos tornarmos destruidores de muros e de tudo quanto afasta e divide os irmãos. Talvez nunca nenhum de nós chegue a ganhar o Nobel da Paz mas Jesus deixou-nos a promessa de, também nós, com ou sem prémio Nobel, nos chamarmos FILHOS DE DEUS, se nos tornássemos pacificadores (Cf. Mt 5,9). Temos uma grande oportunidade para o fazer, tornando-nos instrumentos de paz onde quer que estejamos e seja qual for a nossa condição...

Hermano Filipe



A†Ω

O PEDREIRO.



Um velho pedreiro que construía casas há muito tempo,estava pronto para se aposentar.
Ele informou o chefe,do seu desejo de se aposentar e passar mais tempo com sua familia.
Ele ainda disse que sentiria falta do salário,mas realmente queria se aposentar.
A empresa não seria afetada pela saída dele.Mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário partindo,então ele pediu ao pedreiro para trabalhar em um último projeto,como um favor.
O pedreiro não gostou,mas acabou concordando.Foi fácil ver que ele não estava entusiasmado com a idéia.
Assim o pedreiro prosseguiu fazendo o trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados.
Quando o pedreiro acabou,o chefe veio fazer a inspeção da casa construída.Depois de inspecioná-la,deu a chave da casa ao pedreiro e disse: " Esta é a sua casa.Ela é o meu presente para você. "
O pedreiro ficou muito surpreendido.
Que pena!
Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa,teria feito tudo diferente.
O mesmo acontece conosco.Nós construímos nossa vida,um dia de cada vez,e muitas vezes fazendo menos que o melhor possível na sua construção.
Depois,com surpresa,nós descobrimos que precisamos viver na casa que nós construimos.
Se pudéssemos fazer tudo de novo,faríamos tudo diferente.Mas agora não podemos voltar atrás.
Você é o pedreiro.
Todo dia martela pregos,ajusta tábuas e constrói paredes.
Alguém já te disse: " A vida é um projeto que você mesmo constrói."
Tuas atitudes e escolhas de hoje estão construindo a "casa" em que você vai morar amanhã.
Portanto construa com sabedoria.
 
 

A†Ω
pemiliocarlos

LITURGIA DIÁRIA - A ELEIÇÃO DOS DOZE.

Primeira Leitura: Efésios 2, 19-22
 SANTOS SIMÃO E JUDAS
APÓSTOLOS
(vermelho, glória, pref. dos apóstulos - ofício da festa)

Leitura da carta de são Paulo aos Efésios - Irmãos, 19já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, 20edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. 21É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor. 22É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus. - Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial(18)
REFRÃO: Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.
1. Narram os céus a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. O dia ao outro transmite essa mensagem, e uma noite à outra a repete. - R.
2. Não é uma língua nem são palavras, cujo sentido não se perceba, porque por toda a terra se espalha o seu ruído, e até os confins do mundo a sua voz; aí armou Deus para o sol uma tenda. - R.
Evangelho: Lucas 6, 12-19

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 12Naqueles dias, Jesus retirou-se a uma montanha para rezar, e passou aí toda a noite orando a Deus. 13Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos: 14Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, 15Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador; 16Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor. 17Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e ser curadas das suas enfermidades. 18E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres. 19Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos. - Palavra da salvação.
catolicanet.com
Homilia - Pe Bantu

Jesus nunca subestimou a Sua missão. Ele sabia da grande responsabilidade que era a de escolher dentre muitos, os doze apóstolos que seriam os continuadores da Sua obra aqui na terra. Portanto, Ele subiu à montanha para em oração ao Pai fazer o discernimento. Quando desceu Ele estava seguro de que os Seus escolhidos eram aqueles a quem o Pai havia destinado para pôr em prática o Seu Projeto salvífico. Até Judas teve o seu papel específico no plano de Salvação de Deus Pai. Muitas vezes nós também rezamos, fazemos o discernimento e no primeiro sinal de que algo não vai muito bem, nós começamos a duvidar da nossa oração e do direcionamento do Senhor. Fica para nós o exemplo: Jesus ainda não sabia que entre os escolhidos havia um traidor, mas nunca duvidou de que fez a escolha certa segundo a vontade do Pai.

Para muitas coisas na vida nós nos preparamos, nós nos aprimoramos, nós nos adestramos. Porém nas tomadas de decisões nós nos confundimos e não temos o mesmo cuidado. Agimos por impulso, por sentimento, por preferências pessoais. Jesus veio ao mundo não apenas para nos salvar da morte eterna. Ele veio nos ensinar a viver a vida em harmonia com o pensamento de Deus e, assim descobrir o que é ou não agradável ao Pai a fim cumprir no mundo a missão que nos é proposta.
Ele nos instrui sobre o que fazer antes de tomar qualquer decisão, de resolver qualquer problema, de escolher, de fazer opções, enfim, antes de enfrentar as multidões. “…foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus,” a fim de escolher os doze apóstolos a quem Ele entregaria a Sua Igreja. Ao amanhecer Ele já sabia o que fazer: Entre muitos Ele escolheu somente doze. Unicamente depois de escutar o Pai foi que Jesus tomou a iniciativa de reunir os Seus discípulos e fazer a escalação conforme o Pai lhe havia segredado. Será que Jesus escolheu os melhores, os mais preparados, os mais capazes, os mais obedientes? Dentre os doze, havia traidores, descrentes, pretensiosos, nenhum deles era exemplo de santidade. Porém, Jesus tinha a convicção de que aqueles lá eram os eleitos do Pai e por isso não relutou em chamá-los.

Muitas vezes nós também nos prostramos aos pés do Pai e pedimos orientação para a nossa caminhada. Falta-nos, no entanto, a paciência para esperar o fruto das escolhas que fazemos sob a orientação do Espírito. No primeiro contratempo nós já estamos nos decepcionando e nos frustrando, achando que fizemos as escolhas erradas e culpamos a Deus pelos acontecimentos. Jesus sabia que na Sua Missão Ele teria que enfrentar dificuldades também com os Seus escolhidos. Sabia que estaria lidando com homens cheios de defeitos, mas mesmo assim não desistiu e foi com eles, até o fim. Precisamos também nós, estarmos firmes e convictos em tudo quanto nos for revelado pelo Pai, em oração.

A Sua Palavra é a garantia para confirmar o que Ele nos confidenciar durante a oração. Não tenhamos medo de confiar na força do Espírito Santo quando precisarmos de orientação. Jesus é o nosso modelo, o nosso Mestre e com Ele nós aprendemos a viver, sem temor, o que Deus nos mandar fazer.
Quando nós também subirmos à montanha para orar estejamos certos de que lá o Senhor nos dará a orientação segura para que possamos descer e enfrentar a multidão e até os traidores com serenidade e segurança. O que você faz quando tem que tomar uma decisão importante; pede o conselho dos homens, ou o conselho de Deus? Você se reúne com alguém em oração para fazer suas opções de vida? Você pede ajuda a pessoas que têm intimidade com Deus? – Você costuma orar pedindo discernimento para suas ações? Quando você reza e as coisas não acontecem de acordo com o que você esperava, qual é a sua reação? Você confia que o Senhor sempre dá o direcionamento seguro mesmo que haja algum contratempo em algum momento? Peça ao senhor a graça da perseverança na oração.
O seu irmão em Cristo Jesus lhe envia  benção do alto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O INACABADO QUE HÁ EM MIM.


Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.
Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro.
O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas.
Também recebo afluentes e com eles me transformo,
O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim?
Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado.

O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos.
Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.
Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.
Melhor mesmo é continuar na esperança confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão. Eu sou inacabado. Preciso continuar.


Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia.
Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.




Padre Fabio


A†Ω