quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

LITURGIA DIÁRIA - MARIA, SERVA DO SENHOR.


Primeira Leitura: Gênesis 3, 9-15.20

Imaculada Conceição de Maria

Leitura do livro do Gênesis - 9O Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: "Onde estás?" 10E ele respondeu: "Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim; tive medo, porque estou nu; e ocultei-me." 11O Senhor Deus disse: "Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?" 12O homem respondeu: "A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi." 13O Senhor Deus disse à mulher: Porque fizeste isso?" "A serpente enganou-me, respondeu ela e eu à comi." 14Então o Senhor Deus disse à serpente: "Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos; andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. 15Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar." 20Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes. - Palavra do Senhor.

Segunda Leitura: Efésios 1, 3-6.11-12

Leitura da carta de São Paulo aos Efésios - 3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, 4e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. 5No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, 6para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem-amado. 11Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio daquele que tudo realiza por um ato deliberado de sua vontade, 12para servirmos à celebração de sua glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo. - Palavra do Senhor.

Evangelho: Lucas 1, 26-38

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas - Naquele tempo, 26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. 29Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33e o seu reino não terá fim. 34Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? 35Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela. - Palavra da salvação.


Antes de pronunciar essas palavras Maria se chamara «a escrava do Senhor». Esta é a definição que Maria tem de si mesmo. No mesmo evangelho chamam-na os homens de Maria, Deus a conhece com o nome de cheia de graça e, finalmente, o nome que ela escolhe para si: escrava do Senhor.
A situação constituinte da vocação é oferta por Deus, mas ao mesmo tempo tem que se transformar em escolha pessoal, íntima, refletida. Quando alguém elege a disponibilidade para o serviço do Senhor tem que saber-se escravo, isto é, entrar no grupo dos anawins do Antigo Testamento, pertencer somente ao Senhor e d’Ele receber tudo. Quem deseja colocar-se a serviço de Deus tem que deixar que Deus o experimente: prepara o teu coração para a prova, sofre as demoras de Deus (cf. Eclo 2). O escravo não tem vontade própria, não escolhe trabalho, não pode ir atrás de seus gostos. Simplesmente deixa fazer. Por isso mesmo se vê a coerência do sentido que Maria tem de sua vocação quando, ao abandonar-se em escravidão ao plano misterioso de Deus, diz «faça-se em mim segundo a tua palavra». Maria, a serva do Senhor, aceita plenamente a sua Palavra, cooperando ativamente e de modo imediato à obra de Deus que o anjo anunciava. Dá um sim livre e consciente à concepção humana do Filho de Deus e vive, desse modo, aquele abandono grandioso que a fé pede.

Nela se cumpre fisicamente a Palavra de Deus. Torna-se, de agora em diante, portadora da Boa-Nova da salvação que Deus havia escondido no seu coração e que, agora, chegada a plenitude dos tempos, revelava através da humilde serva do Senhor.
Acolher a Palavra no coração e na vida: eis a grande lição que aprendemos do chamado de Maria. Gerou durante toda a sua vida a Palavra no seu coração e, por graça e eleição divinas, tornou-se sua Mãe.
Não é essa também a nossa missão? Não nos diz Jesus que temos que tornar-nos seus parentes quando diz que mãe e irmãos seus são aqueles que fazem a vontade do Pai que está nos céus? (cf. Mc 3,34). Desse modo, todo aquele que se torna imitador de Maria, buscando em tudo a vontade de Deus, conseqüentemente possui uma proximidade muito grande de Jesus. A tal ponto isso é verdade que Jesus os identifica como parentes muito próximos: mãe e irmãos seus. Jesus se compreende como aquele que faz em tudo a vontade do Pai: esse é o seu maior desejo (cf. Hb 10,7).

Assim, aprendemos com a Virgem Maria que a realização daquele que recebeu um chamado não tem nada a ver com compensações egoístas, mas é um verdadeiro lançar-se integralmente na busca da realização do querer divino. Pode-se dizer que é um verdadeiro e próprio casamento, uma aliança para realizar a Palavra divina que é-nos enviada para que Deus, através da nossa humilde colaboração, realize o seu desejo de salvação.

Ó humilde serva do Senhor, faze com que eu encontre na disponibilidade absoluta a Deus o verdadeiro sentido da minha vida e razão única de tudo aquilo que fizer de grande ou de pequeno nesse mundo.
Pe Bantu

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O PURGATÓRIO EXISTE?


Os católicos acreditam, mas a Bíblia não fala dele Os católicos acreditam na existência do purgatório, mas a Bíblia não fala dele. É verdade que na Sagrada Escritura não se encontra a palavra “purgatório”, como também não achamos nela as palavras “sacramento da confissão”, “Eucaristia” e “Crisma”. No entanto, a Bíblia descreve situações, estados ou lugares que se identificam com a ideia de purgatório.
Em II Macabeus 12,43-46 lemos: “Judas, tendo feito uma coleta, mandou duas mil dracmas e prata a Jerusalém, para se oferecer um sacrifício pelo pecado. Obra bela e santa, inspirada pela crença na ressurreição… Santo e salutar pensamento de orar pelos mortos. Eis porque ele ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres de seus pecados”. Ora, ser livre de seus pecados, depois da morte, pelo sacrifício expiatório, indica claramente a existência do purgatório.

Alguns biblistas percebem a confirmação do purgatório nas palavras de Jesus em Mateus 5,25-26: “Põe-te depressa de acordo com o teu adversário, enquanto estás ainda em caminho (da vida) com ele; a fim de que teu adversário não te entregue ao juiz, e o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares até o último centavo”. É claro que Jesus fala do justo juizo divino, depois da morte. Ora, sair dessa prisão depois da morte, depois de ter pago o último centavo (seja pelo sofrimento, seja pelas orações e expiações dos vivos) pode acontecer só no purgatório.
Outra alusão à existência do purgatório encontramos em I Coríntios 3,12-15: “[…] Aquele, cuja obra (de ouro, prata, pedras preciosas) sobre o alicerce resistir, esse receberá a sua paga, aquele, pelo contrário, cuja obra, (de madeira, feno, ou palha ), for queimada, esse há de sofrer o prejuízo; ele próprio, porém, poderá salvar-se, mas como que através do fogo.” Também aqui a Tradição Apostólica entendia fogo do purgatório.

Entre testemunhas cristãs dos primeiros séculos, escreve Tertuliano: “A esposa roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágios todos os dias aniversários de sua morte” (De Monogamia, 10).


Padre Anderson Marçal
http://blog.cancaonova.com/padreanderson/2010/10/25/o-purgat


PRESÉPIO ESPIRITUAL


Ter domínio próprio é fazer com que os sentimentos bons sejam fortalecidos e canalizados para que possam ser aperfeiçoados.

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O FENO

Feno é a forragem desidratada, isto é, com pouca umidade. Retirando-se a água da forragem, ela mantém todo seu valor nutritivo e pode ser armazenada por muito tempo sem se estragar.Em nosso meio, o feno pode ser feito no próprio campo, utilizando-se para a desidratação somente a energia do sol e do vento, sem necessidade de galpões ou máquinas secadoras.

Forneça feno à manjedoura do seu coração, dominando todos os sentimentos de orgulho, zanga ou inveja, cobiça, ódio, ambição.– Jesus, ensinai-me a conhecer e a corrigir os meus maiores pecados.Dai-me a graça do fruto da temperança!TEMPERANÇA é basicamente a virtude do ESPÍRITO SANTO que nos ajuda a ter domínio próprio; ou seja capacidade de dominar nossas ações em qualquer situação, seja no vestir ou no falar, ou no agir.

Não podemos esquecer,que a vida cristã é aquela vivida no Espírito Santo.Na verdade, a vida cristã só é possível no Espírito. Fora dEle, nossa vida é como a de qualquer pessoa.Entre as virtudes cristãs, elencadas pelo apóstolo Paulo, está a do domínio próprio.Quando relaciona as qualidades de um cristão, Paulo inclui o domínio próprio (Tito 1,8), junto com hospitalidade, benignidade, sobriedade, justiça e piedade.O apóstolo Pedro segue na mesma trilha, colocando como uma das virtudes a ser buscada pelo cristão, ao lado do conhecimento, da perseverança e da piedade. (2Pedro 1,6)Somos movidos pelos nossos sentimentos.Se, por exemplo, amamos, a Deus, ao próximo ou a nós mesmos, somos levados a querer bem, adorando a Deus, respeitando o outro e gostando de nós mesmos. Se, doutro lado, em nós o ódio é forte, seja a Deus pela figura do pai que representa, seja ao próximo, por ser a fonte de nosso sofrimento (o inferno são os outros, já dizia Sartre), seja a nós mesmos, pela incapacidade de ser o que gostaríamos de ser, somos levados ao vale do vazio.Ter domínio próprio é fazer com que os sentimentos bons sejam fortalecidos e canalizados para que possam ser aperfeiçoados.

Assim, o amor deve alcançar o seu objeto.Quando temos domínio sobre o sentimento do amor, fazemos com que ele se torne operativo.Quanto ao ódio, bem, simplesmente não devemos odiar e poderíamos encerrar a discussão aqui. No entanto, somos também capazes de odiar; este é um gigante da alma, como o descreveu um antigo psicólogo (Emílio Mira y Lopez).Se o Espírito Santo habita em nosso coração, ele não pode conviver com o ódio. Contudo, sabemos que, embora não o desejando, nós odiamos.O ódio é, portanto, um sentimento a ser controlado ou ele nos dominará e nos levará a fazer o que não queremos.A ambição é um sentimento que também deve ser controlado. Não devemos ser acomodados; antes, devemos querer o máximo para nós.A ambição destrói quando não vê métodos e se baseia na comparação com o que os outros são ou alcançaram. Controle a sua ambição e ela não controlará você.

A vaidade é um sentimento que também deve ser controlado. Não devemos nos achar que nada valemos e que os outros são melhores ou fazem as coisas melhores que nós.Nem sempre... A vaidade mata quando nos leva a nos achar onipotentes e oniscientes, acima da média humana. Controle a sua vaidade e ela não controlará você.Se os nossos sentimentos nos definem, nossos desejos nos constituem.Nós somos aquilo que desejamos.Como ensinou Jesus, onde estiver o nosso tesouro, isto é, os nossos desejos, aí estará também o nosso coração. (Mateus 6,21)Desejamos coisas legítimas e coisas ilegítimas. Nem todos os nossos desejos são pecaminosos.Sejam quais forem, no entanto, se eles nos controlarem, passam a ser pecaminosos.Além dos sentimentos e desejos, que nós podemos controlar, em grau maior ou menor, há as circunstâncias, aquelas situações que não criamos, mas que nos atingem.Quando nos enredam, elas provocam desânimo.

Diante delas, podemos perder o auto-controle, partindo para reações inadequadas, seja de desespero, seja com violência.Nossa reação mostra que, na verdade, estamos sendo controlados por elas.Podemos ser menores que as circunstâncias, mas Deus é maior do que elas.Embora seja difícil, é assim que devemos crer.Autocontrole é manter a esperança no Senhor da vida.Precisamos também aprender a lidar com as circunstâncias.Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, mesmo sacrificialmente, para mudar aquelas que nós podemos transformar. Diante daquelas que não podemos alterar, temos que aprender a conviver com elas, mesmo sob pretexto, para que não nos dominem.Adaptar-se não é aceitar conformisticamente as adversidades, mas saber que elas existem, mudá-las logo, mudá-las quando for possível e viver apesar delas.


com minha benção
Pe.Emílio Carlos+
Fonte:pemiliocarlos.blogspot.com

LITURGIA DIÁRIA - A OVELHA PERDIDA.


Primeira leitura (Isaías 40,1-11)


Leitura do Livro do Profeta Isaías.

1Consolai o meu povo, consolai-o! — diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados.3Grita uma voz: “preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada do nosso Deus. 4Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou”.6Dizia uma voz: “Grita!” E respondi: “Que devo gritar?” A criatura humana é feno, toda a sua glória é como flor do campo; 7seca o feno, murcha a flor ao soprar o Senhor sobre eles. Sim, o povo é feno. 8Seca o feno, murcha a flor, mas a palavra de nosso Deus fica para sempre. 9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: “Eis o vosso Deus, 10eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães”. - Palavra do Senhor.


Evangelho (Mateus 18,12-14)

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 12Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos. - Palavra da Salvação.

Esta parábola fala sobre o bom pastor que tendo cem ovelhas descobre que falta uma. É preciso ser mesmo bom para notar que num universo de 100 falte uma. Pois o bom pastor conhece as suas ovelhas. Ele sempre anda no meio das ovelhas e cuida delas. Das grandes e das pequenas. Ele conhece bem cada uma. O mau pastor não se interessa por isso e não sente a falta de uma ovelha perdida. Ele só se interessa por seus negócios. Ele cuida do rebanho, porque quer ganhar um salário, mas não por amor. As ovelhas são objetos, que ele quase não conhece. Ele não se interessa pelas vidas delas. O seu bem estar é mais importante. Por causa disso ele foge quando a sua vida é ameaçada. Ele não pensa em proteger o rebanho. Ele só pensa em salvar a sua vida. Não ama o rebanho.
O bom pastor ama o rebanho e também a ovelha perdida. Ele cuidou dela já desde o inicio. Cuidou dela quando era pequenina. Cuidou dela quando estava doente. Conhece as qualidades dela; conhece também as fraquezas dela. Ela estava fraca e andava sempre atrás na fila. Ela se extraviou e perdeu o contato com o rebanho.
O bom pastor logo reagiu com o coração. Ele amou esta ovelha. As noventa e nove estavam boas, mas esta ovelha sozinha estava em grande perigo! Sozinha, ela seria uma presa fácil para um lobo ou uma águia. Então, ele deixou as noventa e nove e começou a buscar a ovelha perdida. Isso nos mostra o coração do pastor. Não a mente do pastor.
Pois se ele considerasse as ovelhas como coisas, como objetos, que lhe podiam dar lucro. Ele não ia deixar as noventa e nove ovelhas para buscar aquela perdida. Ele faria uma cálculo e diria: não vou deixar as noventa e nove ovelhas para buscar aquelaperdida, que talvez não vá encontrar mais. É melhor perder uma do que perder noventa e nove ovelhas. É uma pena, mas vou deixar. Assim pensa o mercenário, o administrador, que só observa o valor das coisas. Mas o bom pastor não vai calcular. O coração dele domina o seu trabalho. Ele deixa as noventa e nove ovelhas e buscará aquela perdida. E se achá-la, ele terá uma grande alegria.
A alegria do pastor não é somente porque ele encontrou a ovelha extraviada, mas porque ela quer voltar para o rebanho. Ela não é rebelde, mas ela perdeu o caminho. Às vezes isso acontece: um adolescente se desvia do rebanho por que pensa que o capim no mundo é mais verde do que na igreja. Ela se afasta um pouquinho e depois ela se afasta mais, comendo os frutos do mundo. E num certo momento descobre que estes frutos são maus. O que parecia tão bom, era na verdade mal. Ela começa a pensar na sua vida antiga na igreja onde as pessoas a ajudavam; onde se sentia protegida; onde sentia uma paz. Mas ela sente também vergonha; como voltar? Pois nunca mais mostrou interesse para a igreja, sempre ignorava os convites dos irmãos. Como eles vão reagir? O pastor vai dizer o que? Mas o bom pastor não diz nada; se ele acha a ovelha perdida, ele ficará alegre. Pois ele sabe que há uma alegria no céu. Os anjos se alegram e Deus também.
Jesus disse: Assim também, não é da vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. Esta parte é a conclusão dessa parábola! Não é da vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.
Quem são estes ‘pequeninos’? São aqueles que foram mencionados anteriormente. São as crianças de Deus, são os filhos de Deus; são aqueles que crêem em Jesus Cristo (vs. 6); podem ser crianças, mas podem ser também adultos.
Deus não quer que um dos seus pequeninos se perca. E por causa disso Deus mandou o seu Filho único para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João disse isso em João 3,16. Mas Mateus diz isso também aqui em vs. 11 do nosso texto: “O Filho do Homem veio para salvar o que se havia perdido”. O filho do homem é Jesus Cristo, irmãos. Jesus veio para cumprir a vontade do Pai. Ele não queria que um destes pequeninos se perdesse. Por isso Jesus deu a sua vida na cruz. Assim age o bom pastor. Compare com João 10, 11-15! O bom pastor sacrifica a sua vida para salvar as ovelhas. Ele conhece as ovelhas e tem uma relação com elas. Ele ama as suas ovelhas. O estrangeiro não age assim. Ele cuida do rebanho por causa do dinheiro. As ovelhas são objetos. O bem estar das ovelhas não é importante. O seu bem estar é mais importante.
Por causa disso ele foge quando a sua vida é ameaçada. Ele não pensa em proteger o rebanho. Ele pensa em salvar a sua própria vida. Não ama o rebanho.
Mas Deus não é assim. Ele está buscando os pecadores. Já desde o início (Gênesis 3, 9; 12,1; Óséias 11,1; Mt. 1,21; Mt. 9,13; Mt. 15, 21-28; Mt. 28,19); Jesus veio para salvar o seu povo; ele buscou aqueles que foram expulsos das sinagogas: os publicanos, as prostitutas; ele os chamou para o arrependimento; ele veio para salvar as ovelhas perdidas de Israel; mas no final ele abre o curral e manda os apóstolos para buscar as outras ovelhas. João 10, 16 fala sobre isso. Jesus é o bom pastor. Ele cuida do rebanho de Israel, mas ele sabe que existem outras ovelhas, que não são dessa raça; ele buscará e chamará e elas ouvirão a voz do bom pastor e virão e se unirão com o rebanho de Cristo. É isso o que nós experimentamos hoje.
Nunca poderíamos imaginar que o nosso pecado e a nossa fraqueza nos levam para Deus. Pode até ser incoerente: mas a nossa culpa de certa forma é necessária para que nós possamos usufruir da misericórdia de Deus. “Bendita culpa que me trouxe tão grande Salvador!” O próprio Jesus nos garante que o Pai fica mais feliz ao nos resgatar porque estamos perdidos do que mesmo quando estamos sempre perto Dele. Na verdade, todos nós, em algum momento, somos ovelhas desgarradas, necessitadas de salvação e de abrigo em conseqüência do nosso pecado. Portanto, pode até ser absurdo, mas, devemos nos sentir felizes pelo nosso pecado, pois assim nós temos a oportunidade de que Deus nos manifeste a Sua grande misericórdia. Somos essas ovelhas fugidas querendo voltar e o Senhor está sempre de braços abertos para nos acolher. O Pai não quer que nenhum de nós se perca, portanto, deixemo-nos encontrar pelo Pastor, que é Jesus.


Padre Bantu

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O SOM DO CORAÇÃO


Quando vamos a um show, a uma apresentação de uma orquestra sinfônica ou até mesmo quando abraçamos o violão para tocar, nem sempre imaginamos o carinho com que o instrumento pode ter sido feito. Lembro-me da reportagem que fiz sobre o “luthier”, o profissional que fabrica instrumentos de corda de forma artesanal, como no princípio dos tempos musicais. Foi na minha cidade natal.

O homem de uns 50 anos tinha fama de ser o melhor de Campos dos Goitacazes (RJ) nessa arte. E a caminho de sua casa, fiquei me perguntando o que o fazia ser tão bom naquilo que se propôs a fazer. Ao chegar a sua casa tomei um susto. No quintal havia um monte de madeira, que parecia estar ali havia muito tempo. E logo o craque do assunto me explicou que esse era o primeiro passo para se fabricar um bom instrumento. É necessário que a madeira fique exposta ao tempo, na chuva e no sol intenso, no sereno e no vento, para que sofra todas as transformações. Rachar o que precisa rachar, empenar o que precisa empenar, ressecar o que precisa ser ressecado. Só depois de viver as quatro estações do ano, ela estará pronta para ser transformada.
Então vi o carinho com que esse artista se debruçava na madeira, cortando suas rachaduras, tornando plano e reto o que estava torto, lustrando e lubrificando o que estava seco. Os maiores tesouros materiais que este homem tinha eram suas ferramentas (as ferramentas eram os maiores tesouros que este homem tinha em suas mãos). Era com elas que ele transformava a madeira bruta em arte admirável. Era com elas que ele moldava o instrumento. As maiores realizações deste homem eram os instrumentos prontos e lindos de se ver. Violinos, violões, guitarras, baixos, cavaquinhos. Cada um com sua história pessoal com o artesão. Cada um com sua característica sonora. Cada um proporcionando satisfação às mãos de quem toca e aos ouvidos de quem se emociona com os acordes.
Neste dia quero convidá-lo para ser madeira bruta nas mãos do nosso "Luthier Divino". Permita que Ele arranque as rachaduras de seu coração, torne reto e plano o caminho que estava torto e encharque, com a água viva do Espírito Santo, todos os cantos do seu ser que foram ressecados pelas decepções da vida. E que ao ser moldado, você se transforme no mais belo instrumento capaz de alcançar os corações com o som que o Senhor toca em você.


Fonte: Canção Nova