segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO


O Dogma da Imaculada Conceição


Escrito por Pe. José Jacinto Ferreira de Farias, scj


1. O dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 8 de dezembro de 1854 por Pio IX (Bula "Ineffabilis Deus"), declara a santidade da Virgem Santa Maria desde o primeiro momento da sua existência, desde a sua Conceição, ou seja, que ela foi preservada desde sempre da mácula do pecado original, no qual nascem todos os filhos de Adão. Enquanto estes estão privados da graça divina, a Virgem Maria foi toda pura, santa e imaculada desde o início da sua vida. Esta foi desde sempre a convicção profunda da Igreja, que viu na Virgem Maria a 'Nova Eva' (Sto. Irineu).
2. Apesar da sua reconhecida devoção a Nossa Senhora, homens como S. Bernardo, Sto. Alberto Magno, São Boaventura e São Tomás tiveram dificuldade em admitir a Imaculada Conceição, porque difícil de conciliar com o dogma da universalidade da Redenção. Proclamar a Imaculada Conceição parecia implicar retirar a Virgem Maria da órbita da Redenção em Jesus Cristo, a qual, por ser necessária e absoluta, era tão universal como o pecado original. Se a Virgem Maria não estivesse incluída no número dos que contraíam o pecado de Adão, ficava então igualmente excluída da redenção, e esta não seria universal, pois não abrangeria todos os descendentes de Adão. Perante esta alternativa, foram como que obrigados a negar o privilégio de Maria até ser possível conciliá-lo com o dogma da universalidade da redenção em Cristo.
3. A solução do problema foi dada pelo beato Duns Escoto (séc. XIV), segundo o qual a Imaculada Conceição não exclui a Virgem Maria da redenção, porque ela foi preventivamente redimida pelo seu próprio Filho. Ela foi antecipadamente redimida e por conseguinte preparada para a sua divina maternidade. Esta explicação acabou por ser recebida na teologia e nas declarações do magistério.
4. Como todos os dogmas, também a 'Imaculada Conceição' foi a solene proclamação da fé do povo de Deus, do sentir da Igreja, do que nós poderíamos chamar a 'devoção popular'. A 'Imaculada Conceição' caracteriza o catolicismo em Portugal, tendo sido sob esta invocação Nossa Senhora proclamada por D. João IV Rainha e Padroeira de Portugal, no dia 25 de Março de 1646, título que nenhum regime, mesmo o republicano e o que surgiu de Abril de 1974, foi capaz de abolir. Na Universidade de Coimbra, ela é a Padroeira, ainda hoje, e houve tempos em que defender esta verdade da fé era título de honra e compromisso de todo o lente daquela Universidade! Mas que significa para nós hoje este admirável mistério?
5. O dogma da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria foi a solene confirmação do mistério central da fé. A Virgem Maria foi pensada por Deus como a mediadora do mistério da Encarnação. Porque chamada a ser a mediadora deste mistério, a Virgem Maria não podia ser pensada senão como a primeira totalmente redimida, e como a primeira redimida é que ela concebeu sem pecado o Filho de Deus, porque sem pecado foi concebida. Ao acolher a Palavra do Anjo, a Virgem Maria permitiu que a Palavra eterna de Deus assumisse a carne do pecado e por causa desta assunção ela foi previamente redimida pelo seu próprio Filho. Por ela o Verbo de Deus entra na história, inaugurando o tempo da Graça e da Liberdade dos filhos de Deus. A Virgem Maria abriu a porta do mundo para o Advento do Deus redentor, na carne da humanidade. Ela é por excelência a primeira na ordem da Redenção. O dogma da Imaculada Conceição proclama que Ela, desde o início do seu ser, não foi apenas envolvida pelo mistério da Graça da redenção prometida, mas a primeira redimida pelo seu Filho que ia gerar; este dogma toca, portanto, no centro do mistério da Redenção. A 'Imaculada Conceição' mostra a Virgem Maria como a primeira na ordem da Redenção, Redenção esta que não pode acontecer sem ela. Sem a Imaculada Conceição da Virgem Maria não seria pensável a redenção, como vitória divinizante da natureza humana sobre o pecado do mundo.

6. A Virgem Maria é a primeira redimida: depois dela e por meio dela, todos são chamados a participar na vitória da redenção, através do batismo, pelo qual o homem é regenerado, e chamado também a ser santo e imaculado na presença de Deus. A Imaculada Conceição eleva a Virgem Maria ao paradigma da antropologia cristã. Ela manifesta de um modo eminente a transfiguração do homem que se opera pela participação no mistério de Cristo, com o qual, por graça, o homem é chamado a configurar-se. A Imaculada Conceição da Virgem Maria revela a ontológica transfiguração do ser e da existência na relação com o Verbo de Deus encarnado. Paradigma da antropologia cristã, a Imaculada Conceição é o caso eminente da redenção pela graça, a que ela corresponde, na plena liberdade do 'ecce ancilla', no mistério da Anunciação. Não apenas do 'homem novo', mas também da Igreja. Mariano, com certeza, o dogma da 'Imaculada Conceição' é também eclesial, porque nela se espelha o que é o mistério da Igreja a qual, tendo na Virgem Imaculada a sua figura excelsa (cf. LG 53; 63), é também santa e imaculada, Mãe e Virgem puríssima dos seus filhos gerados nas águas do batismo. Por isso, com o pensamento na 'Imaculada Conceição', a Igreja e todos os fiéis exultam de alegria, talvez como em nenhum outro dia, porque aí está o exemplo das maravilhas de Deus na história, do que Ele pode fazer na Igreja e na vida de cada fiel; como a Virgem Santa Maria, se cada um se colocar na mesma atitude de filial obediência e de amor, naquele cujo Nome é grande e que grandes coisas realizou na sua humilde serva! Bem-aventurada a nação que se honra por tê-la como Mãe e Padroeira!

Fonte: encontrocomcristo.com.br

O MUNDO NÃO SE ABRIU NEM CONVERTEU AINDA O EVANGELHO.


Através das profecias, a figura do Messias vai-se perfilando com maior transparência: Brotará uma vara do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes (Is 11,1). Quando a dinastia davídica parecer já extinta, semelhante a um tronco ressequido, da Virgem humilde de Nazaré, desposada com José, descendente de David, nascerá o Salvador. Isaías apresenta-O repleto do Espírito Santo, enriquecido com os Seus dons e enviado para julgar os pobres com justiças (Is 11,4), para levantar o ânimo dos humildes e oprimidos que encontrarão um lugar privilegiado na sua missão salvifica. Mais adiante, sob a alegoria da convivência pacífica entre os animais, inimigos por instinto, o profeta fala da paz que o Messias trará ao mundo, ensinando os homens a vencer as paixões que os fazem ferozes uns contra os outros e a amarem-se como verdadeiros irmãos.
Então o rebento da raiz de Jessé, posto por estandarte dos povos, será procurado pelas nações e será gloriosa a sua morada (Is 11,10). É este o ambiente geral da salvação universal, sobre o qual insistirá, mais tarde, São Paulo, citando quase literalmente este último versículo de Isaías (Rom 15,12).

Cristo, afirma o Apóstolo, veio para salvar todos os homens: realizou a Sua obra, primeiramente em favor do povo hebreu, do qual Se fez servidor (Rom 15,8), para demonstrar a fidelidade de Deus às promessas feitas aos Patriarcas; no entanto, não rejeitou os pagãos, mas acolheu-os para que neles se manifestasse a sua imensa misericórdia (Rom 15,9). Volta a falar novamente do amor mútuo: Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu para glória de Deus (Rom 15,7).

O exemplo do Senhor, que acolhe e salva todos os homens, é o fundamento das relações de benevolência que devem existir entre eles. O amor, a concórdia e a paz anunciadas pelos profetas, como prerrogativas da era messiânica, são, na verdade, o centro da mensagem de Cristo; e, no entanto, após tantos séculos de cristianismo, a humanidade está ainda despedaçada por ódios, discórdias e lutas fratricidas.
O mundo não se abriu nem converteu ainda ao Evangelho. Por isso, soa ainda hoje, e mais atual do que nunca, a voz de João Batista que ecoa no Advento: Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus (Mt 3,2). Todos os profetas tinham pregado a conversão, mas só o Precursor pode repisar a sua urgência ao anunciar a iminência da vinda do reino dos céus, com a presença do Messias no mundo.
Apresentou-O aos que acudiam a escutar as suas palavras com as palavras seguintes: Eu batizo-vos em água...; mas Aquele que vem depois de Mim é mais poderoso do que eu...; Ele batizar-vos-á com o fogo do Espírito Santo (Mt 3,11). Jesus veio e instituiu o batismo no fogo do Espírito Santo, fruto da Sua Paixão, Morte e Ressurreição; mas, quantos batizados se converteram a Ele verdadeiramente, ao Seu Evangelho, ao Seu mandamento de amor?
O Advento convida-nos a todos a uma conversão mais profunda porque está próximo o reino dos céus. Mais próximo hoje do que ontem, porque Cristo está presente no mundo há séculos, atuando nele com a Sua graça, com os sacramentos; nós, porém, não O recebemos em plenitude nem Lhe entregamos ainda totalmente o nosso coração e a nossa vida.


Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena

"Ó Senhor: se eu Te amasse com todas as minhas forças, em virtude desse amor, amaria também o meu próximo como a mim mesmo. Mas, pelo contrário, mostro sempre a minha indiferença perante os seus males quando sou tão sensível para com os meus, ainda que insignificantes. Sou frio em compadecer-me do próximo, lento para o socorrer, tíbio para o consolar... Onde está o ardor e a ternura de um São Paulo? Chorar com quem chora, alegrar-se com quem se alegra, ser fraco com os fracos, sofrer, como colocados no fogo para serem queimados, quando algum deles sofre o escândalo. Ó meu Deus; se nada disto tem o meu coração, devo concluir que não amo o meu próximo como a mim mesmo e que não Vos amo com todas as minhas forças, com todo o meu coração... Fazei-me compreender, meu Deus, a minha enfermidade e a necessidade que tenho de Vós para empregar bem as minhas forças, querendo realmente o que quero e começando a praticá-lo".


com minha benção.

Pe.Emílio Carlos+

UM JEITO DIFERENTE DE SE PREPARAR O NATAL


A preparação que nós fazemos será a do coração, da vida.


A arrumação que nós faremos será das atitudes. Eis que se aproxima o tempo Santo do Natal. Quanta alegria para nós celebrarmos a encanarnação do Filho de Deus, a manifestação da bondade, da generosidade de Deus para com uma humanidade enfraquecida, escarnecida pelo pecado.Aproxima-se para nós a manifestação da LUZ que brilha sob todo ser humano, o sol da justiça que traz para nós, todos nós, a salvação. Aproxima-se para nós o tempo da graça, Deus veio, Ele mesmo, nos visitar, nos trazer esperança, novo vigor.Para isto, para celebrarmos bem o tempo Santo do Natal, a Igreja, em sua sagrada liturgia, nos oferece um outro tempo, um tempo que nos prepara para o Natal do Senhor chamado Advento (do latim adventus: “chegada”, do verbo Advenire: “chegar a”). Realmente, no tempo Santo do Advento nos preparamos aguardando a feliz chegada do Senhor que vem. Todavia, essa preparação não deverá nunca ser de qualquer jeito, não deverá ser nunca da roupa nova, também da casa nova ou de novos móveis, não.

A preparação que nós fazemos será a do coração, da vida. A arrumação que nós faremos será das atitudes. No advento, rezando, meditando a Palavra de Deus, celebrando a novena do Natal, participando do sacramento da Confissão nos preparamos, de verdade, para o Natal d´Aquele que vem. No advento, abrindo-nos à graça de Deus que nos consola, converte e enche as nossas mentes de santas expectativas aguardamos o Senhor. Mas nesse tempo santo do Advento devemos ter cuidados especiais, cuidados cristãos. Não troquemos o nosso Advento pelas preocupações consumistas, por tantas coisas “novas”. Pois o comércio está aí, nos ensinado tronxamente que nos preparamos bem para o Natal quando também compramos bem, compramos muito. As ofertas ditas de “natal”, o do comércio, são tentadoras, contagiantes e contaminantes. Cuidado, não enveredemos por este caminho.Celebrar bem o advento e por consequência o Natal significa celebrar rezando, sempre rezando. Meditando os textos bíblicos que a liturgia da palavra nos indica, nos faz saborear o projeto salvífico de Deus para nós, nos aproxima do mistério da encarnação, nos edifica.


Não esqueçamos dos enfeites de natal, eles, de forma artística e artesanal nos falam suavemente do tempo da graça. Por isso preparemos, desde já, o presépio, as luzes, as cores, pois eles evidenciam que é natal.Atentemos, porém, para o grande risco do dito “papai Noel”, pois ele tem a sutil missão de destronar o pequeno rei, nascido pobre, muito pobre na doce e santa Gruta de Belém. Portanto, celebremos o advento como verdadeiros cristãos, esperando a feliz chegada de Jesus, o nosso salvador e redentor, que sutilmente entrou na nossa história e deu sentido, muito sentido, às nossas vidas, que dá pleno e perfeito sentido à nossa humanidade.
Pe. Valmir Galdino
Fonte:pemiliocarlos

LITURGIA DIÁRIA - A CURA DO PARALÍTICO


Primeira leitura (Isaías 35,1-10)

Leitura do Livro do Profeta Isaías.1Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. 2Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus.3Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. 4Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”.5Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. 7A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água; nas cavernas onde viviam dragões crescerá o caniço e o junco.8Ali haverá uma vereda e um caminho; o caminho se chamará estrada santa: por ela não passará o impuro; mas será uma estrada reta em que até os débeis não se perderão. 9Ali não existem leões, não andam por ela animais depredadores, nem mesmo aparecem lá; os que forem libertados poderão percorrê-la, 10os que o Senhor salvou voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto”. - Palavra do Senhor.


Evangelho (Lucas 5,17-26)

.6,17Um dia Jesus estava ensinando. À sua volta estavam sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E a virtude do Senhor o levava a curar.18Uns homens traziam um paralítico num leito e procuravam fazê-lo entrar para apresentá-lo. 19Mas, não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o desceram com o leito no meio da assembleia diante de Jesus. 20Vendo-lhes a fé, ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”.21Os escribas e fariseus começaram a murmurar, dizendo: “Quem é este que assim blasfema?” Quem pode perdoar pecados senão Deus?” 22Conhecendo-lhes os pensamentos, Jesus respondeu, dizendo: “Por que murmurais em vossos corações? 23O que é mais fácil dizer: ‘teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘levanta-te e anda’? 24Pois, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar pecados — disse ao paralítico — eu te digo: levanta-te, pega o leito e vai para casa”. 25Imediatamente, diante deles, ele se levantou, tomou o leito e foi para casa, louvando a Deus. 26Todos ficaram fora de si, glorificavam a Deus e cheios de temor diziam: “Hoje vimos coisas maravilhosas!” - Palavra da Salvação.


Jesus, achava-se um dia numa reunião com os escribas e fariseus em uma casa e, de repente, algo incrível começa a acontecer: ali, várias pessoas trouxeram um paralítico em cima de uma maca, para que Jesus o curasse. Não havendo condições de entrarem no recinto por estar completamente lotado, não existindo outra maneira para cumprirem a sua missão, os quatro homens, decididamente, subiram a maca para cima do telhado e, tirando as telhas, abriram um vão e passaram a maca, amarrada em cordas, descendo o paralítico à frente de Jesus dentro da casa. Jesus sensibilizou-se e foi dizendo ao homem: “Meu amigo, os teus pecados estão perdoados”. Os fariseus e escribas começaram a pensar: “Quem é este homem que profere tais blasfêmias?”. E Jesus, lendo os seus pensamentos lhes disse: “O que é mais fácil dizer, os teus pecados estão perdoados ou… Levanta-te e anda? Para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, disse para o paralítico: ‘Levanta-te, pega a tua maca e vai para a tua casa’ “. Imaginemos o que aconteceu, quando o povo viu o paralítico, que vivia há 40 anos numa cama, passar carregando a sua maca nas costas e, gritando sem parar, bendizendo ao Senhor? Claro que aos olhos daquela gente foi um fato muito grandioso e até incompreensível.
Como nós, em nossos dias, se procurarmos seguir os ensinamentos de Jesus, teremos a capacidade através da graça que recebemos desde o nosso batismo, de perceber a atuação do Espírito Santo de Deus, agindo no meio de nós, em momentos sublimes de sua ação, revelando-se através de acontecimentos iguais ou até maiores do que aquele da cura do paralítico. Este fato, narrado por Lucas, quer nos mostrar que a perseverança, alicerçada na fé nas palavras de Jesus, nos tornam capazes de presenciar milagres como aquele que os amigos do paralítico conseguiram provocar, não se intimidando com a dificuldade de introduzir a maca dentro do recinto em que Jesus estava. É essa a missão do cristão que tem fé, que crê em Jesus como filho de Deus, que desceu dos céus para nos salvar. Por isso, Ele nos diz: “Se tiverdes a fé do tamanho de um grão de mostarda, conseguireis fazer coisas maiores das que Eu faço”.
Hoje, temos liberdade de expressão e de culto religioso; ninguém pode nos impedir ou perseguir, por proclamarmos a nossa fé. Lá, naquele tempo, os cristãos eram perseguidos, presos e assassinados, pelos meios mais absurdos e dolorosos, a fim de desestimular os outros. Mesmo assim, eles permaneceram na fé do Salvador e, a Igreja, fundada por Jesus Cristo, está mais viva do que nunca no mundo inteiro, graças à coragem daqueles que continuaram inspirados na luz do Espírito Santo. E muitas vezes achamos difícil seguir as palavras de Jesus, mesmo nada havendo que nos proíba; simplesmente somos impedidos pela nossa própria vontade, quando nos prendemos à uma existência fundamentada em princípios materialistas, visando as coisas criadas pelos homens, o conforto, o dinheiro, a diversão, a vida “boa”; tudo no sentido de satisfação pessoal, diferente daquela que Jesus nos ensina.
Jesus nos dá esta satisfação verdadeira que tem que ser capaz de atingir uma família, uma vila, um bairro, uma cidade, um Estado, um país… o mundo inteiro até! Jesus morreu por todos, não foi só por aquele povo com o qual conviveu. Foi para a humanidade inteira o Seu sacrifício como homem, para que pudesse sentir as dores atrozes e sofrer, como Deus, para redimir todos os pecados que poriam a perder todas as criaturas do Criador. Não podemos acomodar a nossa vida só às coisas que gostamos e que queremos; é preciso saber aceitar, também, aquilo que não gostamos e não queremos, porque não conseguiremos fazer a vontade do Pai se só quisermos a nossa vontade e não a de Deus nosso Pai!
Espírito que cura interiormente, toca o mais íntimo de meu ser, para que eu consiga superar o meu egoísmo e seja capaz de levar os benefícios de Deus a quem precisa de mim.


Pe Bantu

domingo, 5 de dezembro de 2010

LITURGIA DIÁRIA - CONVERTEI-VOS


Primeira leitura (Isaías 11,1-10)


Leitura do Livro do profeta Isaías: Naqueles dias, 1nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; 2sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e temor de Deus; 3no temor do Senhor encontra ele seu prazer. Ele não julgará pelas aparências que vê nem decidirá somente por ouvir dizer; 4mas trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos; fustigará a terra com a força da sua palavra e destruirá o mau com o sopro dos lábios. 5Cingirá a cintura com a correia da justiça e as costas com a faixa da fidelidade. 6O lobo e o cordeiro viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leão comerão juntos e até mesmo uma criança poderá tangê-los. 7A vaca e o urso pastarão lado a lado, enquanto suas crias descansam juntas; o leão comerá palha como o boi; 8a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa; e o menino desmamado não temerá pôr a mão na toca da serpente. 9Não haverá danos nem mortes por todo o meu santo monte; a terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar. 10Naquele dia, a raiz de Jessé se erguerá como um sinal entre os povos; hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada.


Segunda leitura (Romanos 15,4-9)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos: Irmãos: 4Tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela nossa constância e pelo conforto espiritual das Escrituras, tenhamos firme esperança. 5O Deus, que dá constância e conforto, vos dê a graça da harmonia e concórdia, uns com os outros, como ensina Cristo Jesus. 6Assim, tendo como que um só coração e a uma só voz, glorifiqueis o Deus e Pai do Senhor nosso, Jesus Cristo. 7Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu, para a glória de Deus. 8Pois eu digo: Cristo tornou-se servo dos que praticam a circuncisão, para honrar a veracidade­ de Deus, confirmando as promessas feitas aos pais. 9Quanto aos pagãos, eles glorificam a Deus, em razão da sua misericórdia, como está escrito: “Por isso, eu vos glorificarei entre os pagãos e cantarei louvores ao vosso nome.


Evangelho (Mateus 3,1-12)


1Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia: 2“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 3João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!”4João usava uma roupa feita de pêlos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo. 5Os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. 6Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 7Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? 8Produzi frutos que provem a vossa conversão. 9Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão.10O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo. 11Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”. - Palavra da Salvação.


Estamos a celebrar o segundo domingo do Advento. A liturgia de hoje nos propõe o convite que João Baptista, aparecendo no deserto fez a beira do rio Jordão: Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus. Durante toda a sua vida ele pregou aos homens e mulheres o arrependimento, preparando assim o caminho do Senhor que estava por chegar, Aquele que vinha trazer a Salvação. Suas palavras ressoavam para romper todas as barreiras injustas e, sobretudo àquelas que nos impediam de enxergar o Cristo que nos faz verdadeiramente coherdeiros com Ele da glória do Céu.
Após as suas narrativas de infância de Jesus, com acentuado caráter teológico, Mateus apresenta João Batista com seu anúncio e seu batismo como marcos iniciais do ministério de Jesus. João Batista era filho de Zacarias, sacerdote do Templo de Jerusalém. Este sacerdócio era hereditário, porém João rompe com tal tradição. Ele se afasta de Jerusalém e do Templo e, como profeta, faz seu anúncio nas regiões desérticas da Judéia. Com sua pregação ele atrai a si o povo, esvaziando assim o Templo e o sacerdócio de Jerusalém. Aos líderes religiosos, saduceus e fariseus que vêm a ele para espioná-lo, adverte que não se sintam justificados por se considerarem filhos de Abraão.
A primeira leitura é tirada do livro de Isaías 11,1-10. É um pouco difícil datar este oráculo, mas a alusão ao tronco e à raiz de Jessé faz supor o estado de destruição da dinastia davídica. Nesse sentido, o oráculo assegura, na continuidade da dinastia, a fidelidade divina às promessas. O que Deus espera é os bons frutos, os frutos da justiça, é a restauração da primeira criação, onde a Paz reinará eternamente.
Já na segunda leitura, são os bons frutos que Paulo propõe a seus discípulos. As comunidades unidas em um só coração, no acolhimento, na compaixão e na misericórdia, são as sementes do projeto do mundo novo querido por Deus. Elas deverão eliminar do seu meio todas as barreiras discriminatórias no meio dela.
No Evangelho segundo Mt 3,4-12, Mateus apresenta João Batista como um dos antigos profetas e oferece estrutura ordenada, pedagógica e eclesial. Estabelece três etapas fundamentais do processo evangelizador: a pregação, a conversão e depois o baptismo.
Só o homem que perante a palavra pregada se converter, tomando a consciência da nova realidade dada pela presença do Reino e a faz sua pode ser batizado. Diante do Reino não há privilêncios de raça, porque a vinda do Senhor é também um juízo do mundo e cada um será julgado segundo tiver escutado acolhida a palavra de Deus. Os que a aceitam serão purificados com o espírito e o fogo. Os que não se convertem são destinados a um fogo exterminador.
A pregação de João continua a realizar-se nos dias de hoje em nossas comunidades, no mundo e em cada um de nós afim de que sejamos acolhedores da Redenção de Cristo. Diante dele precisamos tomar nossa decisão e para isso, é preciso à conversão.


Pe Bantu