terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

É Tempo Favoravél!

                                   “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho!” (Mc.1,5) 

1. Este é um apelo, cheio de atualidade e de significado, sobretudo para nossas comunidadesestas comunidades que iniciam, significativamente, a sua Quaresma, todo este «tempo privilegiado de peregrinação interior»  será, para nós, como que um caminho de regresso, às fontes da Palavra de Deus!
Primeiro apelo: Arrependei-vos!
Em todo este tempo favorável, seremos convocados e provocados, em ordem a uma conversão da mente, do coração e da vida. E com quem nos havemos de confrontar nós, para fazermos um sério discernimento da própria vida? 

Obviamente, com a Palavra de Deus. Por isso, esta Palavra, será entronizada, no próximo Domingo, 1 º da Quaresma em que Jesus é tentado a desviar-se e  desviar-se de sua própria missão logo a Palavra que é o pão a nos alimentar deve sempre estar perto de nós e diante de nós, como um espelho (Tg.1,24), a apontar a figura do que somos e do que somos chamados a ser.
Segundo apelo: Acreditai no Evangelho!
Donde vem a fé? 
A vem de ouvir a Palavra de Deus! (cf. Rom.10,17) 
E como hão de ouvi-la se não tiverem quem a anuncie? (Rom.10,15). 
De fato, a primeira e mais preciosa contribuição que a Igreja pode oferecer ao desenvolvimento do homem e dos povos é o anúncio da verdade de Cristo, da sua Palavra. 
A sua Palavra é a Verdade! 
Esta Palavra será semeada com abundância, ao longo deste tempo, nas vossas casas, na nossa casa. Centraremos então a nossa Quaresma, na Palavra de Deus, a qual, uma vez escutada com o coração gera a fé, constrói a comunhão e nos revela os caminhos da caridade e da missão! 

2. Que meios nos podem ajudar a valorizar, na prática, a Palavra de Deus? 

Na Tradição da Igreja apontam-se três atitudes fundamentais, que podem favorecer o primado da Palavra de Deus na nossa Vida.
2.1. A Palavra escutada: Oração
Antes de mais, a Palavra anunciada, precisa de ser escutada. Jesus falava-nos da Oração. 
Da Oração, feita não de muitas palavras, como a dos pagãos (cf. Mt.6,7), mas daquela Oração, que é, no fundo, escuta e resposta à Palavra de Deus. 
Se alguns encontros bíblicos se fazem na casa de cada um, isso significa que somos chamados, aí precisamente, no segredo do nosso quarto, a encontrar espaço para rezar ao Pai em segredo. 
E como nos fala o Pai em segredo? 
Responde-nos o Concílio: «Nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro dos seus filhos para conversar com eles» (Dei Verbum, 21). 
Em casa, na reunião da assembleia, nos encontros bíblicos, nos encontros do «Rezar com a Bíblia»,  podemos sempre escutar a Palavra de Deus. Fechai a porta do vossoquarto, não fecheis os vossos corações!
2.2. A Palavra saboreada: o jejum
Em segundo lugar, o jejum. A relação entre o jejum e a Palavra é clara na advertência de Moisés ao Povo de Deus: «O Senhor te humilhou e fez passar fome; depois, alimentou-te com esse maná, que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te ensinar que nem só de pão vive o homem; mas de toda a Palavra que sai da boca do Senhor é que o homem viverá» (Deut.8,3). 
A prioridade, que queremos dar à Palavra, obrigar-nos-á, porventura, a silenciar muitas outras palavras, para as quais os nossos ouvidos estão bem mais dispostos e predispostos! 
É dessas «palavras», do ruído de outras vozes, com que as revistas, a rádio e sobretudo a televisão nos distraem, que precisamos agora de jejuar, para nos oferecermos ao Senhor, como um Povo bem disposto (Lc.1,17) faminto da Sua Palavra!
2.3. A Palavra vivida: a Caridade
Por último, a esmola ou a caridade. De fato, a Palavra de Deus, que escutamos, revela-nos o Amor de Deus e impele-nos sempre à Caridade para com o próximo. 
Pois «quem ama, cumpre toda a Lei» (Rom.3,8). Mas se a Palavra de Deus, nos conduz à Caridade, e nos fortalece no amor, também a Caridade, por sua vez, nos impele ao anúncio da Palavra de Deus. Devemos, anunciar esta Palavra aos outros, na consciência de que «a maior pobreza do homem e dos povos, é desconhecer Cristo» (Beata Teresa de Calcutá, cit. por Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2006).
Ora “Quem desconhece as Escrituras ignora Cristo” (S. Jerônimo) e essa ignorância é verdadeiramente uma pobreza, que reclama a caridade do anúncio da Palavra. 

Como os Apóstolos Pedro e João (cf. Act.3,1-11), nós não temos a esmola, o ouro ou a prata, que sobra do bolso, para dar a quem pede, à porta do Templo. Mas `”em nome de Cristo”, damos a sua Palavra a comer! 
Pois “quem não dá Deus, dá demasiado pouco” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2006).
A nossa Caridade, nesta Quaresma, será sobretudo a mesa posta e proposta da Palavra de Deus!
 
 
 

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