quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Cuidando do lado humano dos padres

No último ano, tivemos morte suicida de 17 padres no Brasil. O que está acontecendo?

Entre o ano de 2017 a 2018, tivemos morte suicida de 17 padres no Brasil. A sequência de suicídios de padres católicos chama nossa atenção pelos vários motivos que podem tê-los levado a tirar a vida.
Fiquei angustiado e preocupado com a morte do Monsenhor Orlando, da diocese de Quixadá, ocorrido recentemente, com quem tive um convívio pastoral em 2009. Meus sentimentos a toda diocese de Quixadá, a todo clero.
A vida religiosa não dá superpoderes aos padres, pelo contrário, eles são tão falíveis quanto qualquer leigo. Em muitos casos, a fé pode não ser forte o suficiente para superar um momento difícil da vida.
O psicólogo William Castilho, que vai estar em nossa diocese em julho deste ano, autor do livro “Sofrimento Psíquico dos Presbíteros”, destaca que “O grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade. Qualquer deslize, por menor que seja, vira alvo de crítica e julgamento. Por medo, culpa ou vergonha, muitos preferem se matar a pedir ajuda”.
Além disso, eu destaco que o excesso de trabalho, a falta de lazer, a perda de motivação pastoral e a falta de fraternidade presbiteral, são possíveis fatores que podem levar os padres ao suicídio.
Segundo os psicólogos, nós, padres diocesanos, somos mais propensos a sofrer de estresse do que os religiosos que vivem reclusos. Um dos fatores mais estressantes da vida religiosa é a falta de privacidade. Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes: os padres têm de estar à disposição dos fiéis 24 horas por dia, sete dias por semana, férias nem pensar, passeio nem se fala, descansar não faz parte da vida do padre.
Meus caríssimos irmãos no sacerdócio, cuidemos mais de nossa vida, de nosso bem-estar, como também de nossos trabalhos pastorais. Aconselho-vos que devem pedir ajuda ao bispo sempre que sentirem tensão psicológica ou esgotamento físico: “Os padres não estão sozinhos. Fazemos parte de uma família. E, nesta família, cabe ao bispo desempenhar o papel de pai e zelar pelas necessidades dos filhos”.
Não se afaste do convívio clerical; tire suas férias anuais; procure sempre fazer  check-up médico; dê prioridades às suas horas de descanso; intensifique suas orações pessoais; peça sempre orações aos seus fiéis, cuide de si e do outro também.
Que Deus abençoe nossa vida sacerdotal, nosso clero de Brejo, nosso bispo Dom Valdeci, nós que somos esses homens comuns, no corpo e na alma, tão semelhantes a milhares de outros homens, mas que possuímos  uma marca, um sinal, uma destinação honrosa e necessária para levar a salvação a todos que nos procuram! Homens acolhidos e ungidos por Deus!
Meus queridos padres, somos uma só família!
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Pe. James Teixeira da Costa
Diocese de Brejo

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