terça-feira, 5 de setembro de 2023

22ª Semana do Tempo Comum - A autoridade da palavra de Cristo.

 Evangelho do Dia: Jesus e o possesso na sinagoga (Lc 4, 31-37) – Oratório  São Luiz – 120 Anos

Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam (Sl 85,3.5).

Como “filhos da luz e filhos do dia”, os cristãos não perdem tempo calculando quando Jesus virá. Porque o Senhor vem a todo instante, no cotidiano da vida e na conclusão da existência terrena. Celebremos sua bondade, que nos acompanha, e acolhamos a força de seus ensinamentos.

Primeira Leitura: 1 Tessalonicenses 5,1-6.9-11

Leitura da primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses – 1Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos, não há por que vos escrever. 2Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão, de noite. 3Quando as pessoas disserem: “Paz e segurança!”, então de repente sobrevirá a destruição, como as dores de parto sobre a mulher grávida. E não poderão escapar. 4Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. 5Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. 6Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios. 9Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. 10Ele morreu por nós para que, quer vigiando nesta vida, quer adormecidos na morte, alcancemos a vida junto dele. 11Por isso, exortai-vos e edificai-vos uns aos outros, como já costumais fazer. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 26(27)

Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver / na terra dos viventes.

1. O Senhor é minha luz e salvação; / de quem eu terei medo? / O Senhor é a proteção da minha vida; / perante quem eu tremerei? – R.

2. Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, / e é só isto que eu desejo: / habitar no santuário do Senhor / por toda a minha vida; / saborear a suavidade do Senhor / e contemplá-lo no seu templo. – R.

3. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver / na terra dos viventes. / Espera no Senhor e tem coragem, / espera no Senhor! – R.

Evangelho: Lucas 4,31-37

Aleluia, aleluia, aleluia.

Um grande profeta surgiu entre nós / e Deus visitou o seu povo (Lc 7,16). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 31Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e aí ensinava-os aos sábados. 32As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33Na sinagoga havia um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro, que gritou em alta voz: 34“O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” 35Jesus o ameaçou, dizendo: “Cala-te e sai dele!” Então o demônio lançou o homem no chão, saiu dele e não lhe fez mal nenhum. 36O espanto se apossou de todos, e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos impuros com autoridade e poder, e eles saem”. 37E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza. – Palavra da salvação.

Reflexão
 
No Evangelho de hoje, Jesus desce de Jerusalém para Cafarnaum e, tendo ali chegado, prega na sinagoga num dia de sábado. A reação dos ouvintes, diz o evangelista São Lucas, é de espanto e admiração, porque viam que os ensinamentos de Cristo, ao contrário dos fariseus e doutores da Lei, estavam cheios de autoridade. Pois Jesus, Verbo eterno do Pai, fala com poder e eficácia; a sua própria pessoa, como nos recorda a Constituição Dogmática Dei Verbum, é Revelação encarnada, de sorte que todas as suas palavras e obras, sinais e milagres, gestos e atitudes são, por si sós, a mais eloquente e profunda manifestação de Deus. Por isso, quem vê a Cristo, vê ao Pai (cf. Jo 14, 9) e, portanto, ao Deus que quer fazer-se conhecido dos homens pelo seu Filho feito carne, igual a nós em tudo, exceto no pecado (cf. Hb 4, 15). E o que nEle nos é dado a conhecer em muito supera o que, com as luzes naturais da razão, poderíamos deduzir a respeito da divindade. Porque, ao revelar-se em Cristo, Deus não se limita a transmitir-nos verdades de ordem sobrenatural, inacessíveis à inteligência humana; comunica-nos também os desígnios de salvação que Ele, antes da criação do mundo, decretou a nosso favor, chamando-nos a participar dos bens divinos, como diz o Concílio Vaticano I, e para fazer-nos herdeiros da bem-aventurança eterna. — Com o coração reconfortado por estas verdades, aproximemo-nos com mais confiança de Jesus, que pode expulsar demônios e ressuscitar os mortos com uma simples ordem, e digamos-lhe, repletos de fé e esperança: "Senhor, dizei uma só palavra, e serei salvo". 


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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

22ª SEMANA DO TEMPO COMUM - “O Espírito do Senhor está sobre mim”

 Jesus Cristo é a Palavra de Deus! - Blog Cristão do PCamaral

Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam (Sl 85,3.5).

Para o cristão, a morte não é separação de Deus. Nós ressuscitaremos. Essa esperança nasce da ressurreição de Cristo: concluída nossa vida terrena, “estaremos sempre com o Senhor”. A liturgia nos convida a viver, desde agora, unidos a Cristo e a seu projeto de libertação.

Primeira Leitura: 1 Tessalonicenses 4,13-18

Leitura da primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses – 13Irmãos, não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. 14Se Jesus morreu e ressuscitou – e esta é nossa fé -, de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. 15Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram. 16Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós que formos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor. 18Exortai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 95(96)

O Senhor vem julgar nossa terra.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, † manifestai a sua glória entre as nações / e, entre os povos do universo, seus prodígios! – R.

2. Pois Deus é grande e muito digno de louvor, / é mais terrível e maior que os outros deuses; / porque um nada são os deuses dos pagãos. / Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus. – R.

3. O céu se rejubile e exulte a terra, / aplauda o mar com o que vive em suas águas; / os campos com seus frutos rejubilem / e exultem as florestas e as matas. – R.

4. Na presença do Senhor, pois ele vem, / porque vem para julgar a terra inteira. / Governará o mundo todo com justiça / e os povos julgará com lealdade. – R.

Evangelho: Lucas 4,16-30

Aleluia, aleluia, aleluia.

O Espírito do Senhor repousa sobre mim / e enviou-me a anunciar aos pobres o Evangelho (Lc 4,18). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 16veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” 23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. 24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo, no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. 28Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. – Palavra da salvação.

Reflexão

São duas as verdades fundamentais de que nos fala o Evangelho desta segunda-feira, extraído não mais do texto de S. Mateus, mas do de S. Lucas. Hoje, encontrando-se na sinagoga de Nazaré, sua própria terra, o Senhor lê do profeta Isaías o seguinte vaticínio: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres”, que nele se cumpre plenamente:

a) “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção”. Neste pequeno versículo, de riquezas inesgotáveis, afirma-se a presença especial do Espírito Santo em Cristo. Nele, com efeito, o amor de Deus está presente não como em qualquer outro justo, mas por ser Cristo o próprio Verbo encarnado. A natureza humana de Nosso Senhor está, pois, unida substancialmente à pessoa do Filho de Deus por uma graça chamada de união, que é como uma unção que comunica a toda a humanidade santíssima de Jesus, em corpo e alma, a santidade incriada e infinita do próprio Verbo divino. Jesus é o Cristo, isto é, o Ungido pelo Espírito Santo, porque Deus nele está presente, não por uma consagração cerimonial, mas por ser Ele mesmo o próprio Deus, em cuja humanidade assunta o Espírito Santo está como que em sua morada própria. Eis por que o Pai, ao vê-lo batizado no Jordão, pode dizer: “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição” (Mt 3, 17).

b) “Para anunciar a Boa Nova aos pobres”. Este versículo, por seu turno, afirma não só a missão pública que Cristo foi encarregado de realizar, mas uma realidade ainda mais profunda, intimamente vinculada ao mistério da união hipostática: Cristo, sendo Homem-Deus, possui também uma graça chamada capital, que faz dele Cabeça do Corpo místico, que é a Igreja, de maneira que é dele, e somente dele, que recebemos por participação a unção do Espírito Santo: “Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça” (Jo 1, 16). Com efeito, toda a humanidade de Nosso Senhor, em sua alma e em seu corpo, assumidos em unidade de pessoa pelo Verbo de Deus, influi beneficamente em todos os homens do mundo, que dele recebem todas as riquezas da graça, “toda dádiva boa e todo dom perfeito” (Tg 1, 17), “como um óleo suave derramado sobre a fronte, e que desce para a barba, a barba de Aarão, para correr em seguida até a orla de seu manto” (Sl 132, 2).

 

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domingo, 3 de setembro de 2023

22º Domingo do Tempo Comum - “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”

 Não fuja da cruz!

Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam (Sl 85,3.5).

No encontro com Jesus, somos atraídos para a missão de testemunhá-lo, renunciando a tudo o que nos impede de segui-lo com fidelidade. Ele transforma nosso pensar e agir e nos ensina que ganhamos a vida quando a pomos a serviço do seu Evangelho. A Palavra de Deus, à qual dedicamos um carinho especial neste mês, ilumine nosso caminho sinodal de discípulos e discípulas de Cristo.

Primeira Leitura: Jeremias 20,7-9

Leitura do livro do profeta Jeremias – 7Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. 8Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. 9Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo: desfaleci, sem forças para suportar. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 62(63)

A minha alma tem sede de vós / como a terra sedenta, ó meu Deus!

1. Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! / Desde a aurora, ansioso vos busco! / A minha alma tem sede de vós, † minha carne também vos deseja, / como terra sedenta e sem água! – R.

2. Venho, assim, contemplar-vos no templo, / para ver vossa glória e poder. / Vosso amor vale mais do que a vida: / e por isso meus lábios vos louvam. – R.

3. Quero, pois, vos louvar pela vida / e elevar para vós minhas mãos! / A minha alma será saciada, / como em grande banquete de festa; / cantará a alegria em meus lábios / ao cantar para vós meu louvor! – R.

4. Para mim fostes sempre um socorro; / de vossas asas à sombra eu exulto! / Minha alma se agarra em vós; / com poder vossa mão me sustenta. – R.

Segunda Leitura: Romanos 12,1-2

Leitura da carta de São Paulo aos Romanos – 1Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Mateus 16,21-27

Aleluia, aleluia, aleluia.

Que o Pai do Senhor Jesus Cristo / nos dê do saber o espírito; / conheçamos, assim, a esperança / à qual nos chamou, como herança! (Ef 1,17s) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Temos, neste domingo, a alegria de poder meditar sobre tão augusto mistério, que também é o tema do nosso curso mais recente de Cristologia. Das palavras do Evangelho, recolhemos uma verdade da qual poucos se dão conta: a identidade de Jesus não pode ser realmente conhecida, senão pelo auxílio de uma luz sobrenatural. Nem os melhores historiadores, nem os melhores sociólogos, nem os mais sublimes teólogos, biblistas e exegetas podem conhecer, de fato, a Pessoa de Cristo, se não estiverem cobertos pela unção do Espírito Santo, como nos atesta S. Paulo (cf. 1Cor 12, 3).

2. O Evangelho nos mostra que o conhecimento natural não é suficiente para saber quem é Jesus. Se, por um lado, as suas ações demonstram um poder extraordinário — Ele faz milagres, anda por sobre as águas, conhece os corações —, por outro elas não nos levam a concluir, necessariamente, que aquele homem seja o Deus vivo, que se encarnou para nos salvar. Há uma desproporção enorme. Até os mais piedosos de seu tempo acreditavam que Jesus era apenas mais um profeta poderoso — como Moisés, que abriu o mar Vermelho, ou Elias, que foi arrebatado aos céus —, e não a segunda Pessoa da Beatíssima Trindade. Porque esse conhecimento, seja como for, só nos pode ser concedido pela Revelação. Trata-se, portanto, de algo que nem mesmo uma inteligência angélica poderia conhecer por si mesma.

Deve ser motivo de grande júbilo, nesse sentido, o fato de que Deus queira se revelar a nós, criaturas débeis e pouco instruídas. Mas essa graça só é concedida aos que a pedem com perseverança, conforme a promessa de Nosso Senhor: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem” (Lc 11, 13). Não significa que devamos ser, desde já, almas místicas de sétimas moradas; mas importa que sejamos, sim, homens e mulheres de oração, que tudo esperam de Deus, cuja graça “não está tampouco do outro lado do mar”, recordam-nos as Escrituras, mas “está perto de ti, na tua boca e no teu coração” (Dt 30, 13–14). 

3. Não obstante, nenhuma graça pode ser obtida por quem se mantém preso aos deuses mudos. Em sua professio fidei, S. Pedro destaca que Jesus é o “Filho do Deus vivo”, contrapondo-o aos ídolos mortos dos pagãos. A religião pagã tinha o costume nocivo de cultuar deuses cósmicos como as estrelas ou figuras míticas, desprovidas de verdadeira personalidade. Hoje em dia, esses falsos deuses estão presentes sob uma nova roupagem (o dinheiro, o sexo, a fama, a carreira, o entretenimento etc.) e têm a mesma influência negativa sobre nossos corações, fazendo-nos querer servir a dois senhores. No fim das contas, tornamo-nos reféns de nossas paixões e do nosso ego, agindo ora como cãezinhos feridos, lambendo as próprias vergonhas, ora como pavões vaidosos, exibindo glórias passageiras.

Com efeito, o Concílio Vaticano II explica que, em Cristo, não é só o mistério de Deus que se abre a nós, mas a nossa própria existência: “Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua sublime vocação” (Gaudium et Spes, n. 22). E, de fato, Jesus revelou a identidade mais profunda de Simão a partir daquela manifestação eloquente de fé. Desde então, o príncipe dos Apóstolos passou a se chamar Pedro, em referência à sua vocação de sustentar e confirmar a fé da Igreja de Cristo.

Neste domingo, peçamos a Nosso Senhor o dom de um conhecimento mais profundo de sua Pessoa divina, a fim de que não fiquemos mais vagando como indigentes neste mundo, mas, a exemplo de S. Pedro no Evangelho, sejamos apresentados à nossa verdadeira identidade e finalidade: a comunhão eterna com o Pai.

Oração. — Ó “Messias e Filho do Deus vivo”, cujo prêmio prometido aos vencedores “é uma pedrinha branca, na qual estará escrito um nome novo” (Ap 2, 17), tornai-nos dignos de professar a mesma fé de S. Pedro, a fim de que sejamos felizes pelo conhecimento do Pai do Céu e pela descoberta de nossa própria identidade e vocação. Amém.

 

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sábado, 2 de setembro de 2023

21ª Semana do Tempo Comum - Por que achamos que Deus é exigente?

 Parábola dos Talentos (uma análise de Mateus 25.14-30) - Site do Pastor

Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro (Sl 85,1ss).

O amor ao próximo não pode parar no nível das boas intenções, mas precisa descer a ações concretas. A medida do amor fraterno encontra-se em Cristo, que nos amou de modo extremo. Por isso a liturgia nos exorta a “progredir sempre mais”.

Primeira Leitura: 1 Tessalonicenses 4,9-11

Leitura da primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses – Irmãos, 9não é preciso escrever-vos a respeito do amor fraterno, pois já aprendestes de Deus mesmo a amar-vos uns aos outros. 10É o que já estais fazendo com todos os irmãos, em toda a Macedônia. Só podemos exortar-vos, irmãos, a progredirdes sempre mais. 11Procurai viver com tranquilidade, dedicando-vos aos vossos afazeres e trabalhando com as próprias mãos, como recomendamos. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 97(98)

O Senhor julgará as nações com justiça.

1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / porque ele fez prodígios! / Sua mão e o seu braço forte e santo / alcançaram-lhe a vitória. – R.

2. Aplauda o mar com todo ser que nele vive, / o mundo inteiro e toda gente! / As montanhas e os rios batam palmas / e exultem de alegria. – R.

3. Na presença do Senhor, pois ele vem, / vem julgar a terra inteira. / Julgará o universo com justiça / e as nações com equidade. – R

Evangelho: Mateus 25,14-30

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu vos dou novo preceito: / que uns aos outros vos ameis, / como eu vos tenho amado (Jo 13,34). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 14“Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida, viajou. 16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18Mas aquele que havia recebido um só saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. 21O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 22Chegou também o que havia recebido dois talentos e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? 27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas, daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!'” – Palavra da salvação.

Reflexão
 
O Evangelho de hoje apresenta-nos a conhecida parábola dos talentos, em algumas de cujas personagens vemos bem representada a principal ferida que o pecado original abriu no coração humano: a tendência a ver em Deus um inimigo, um adversário, um Senhor exigente e injusto que, nas palavras do servo mau e preguiçoso, colhe onde não plantou e ajunta onde não semeou — eis o “juízo” da humanidade contra o seu Autor. Lembremos que, no princípio da criação, o Senhor vivia em perfeita amizade com nossos primeiros pais. O escritor sagrado insinua-nos essa relação de comunhão ao notar que, à hora da brisa da tarde, Deus baixava ao jardim das delícias para entreter-se docemente com o primeiro casal (cf. Gn 3, 8). Mas, instigados pela serpente, após terem transgredido o preceito divino, Adão e Eva esconderam-se da face de Deus atrás dum arbusto, temendo que Ele, ao descer novamente, os visse nus (cf. Gn 3, 10). Essa amedrontada desconfiança, foi a serpente infernal que a inoculou no coração do homem, que se revoltou não só contra a mulher, que lhe dera de comer o fruto proibido, mas inclusive contra Deus, que lhe dera a esposa que o induzira a pecar: “A mulher que tu pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto” (Gn 3, 12). Assim somos nós hoje, descendentes de Adão, herdeiros das consequências tanto físicas como espirituais do seu pecado: desconfiantes, recriminadores, petulantes, para quem é aspereza a justiça divina e intolerável a sua verdade. Mas Deus nos ama e quer a nossa salvação, e é por isso que nos impõe obrigações e exigências, leis e proibições, pois um Pai amoroso jamais se furtaria ao dever de educar e corrigir seus filhos. Quando Ele nos dá, pois, os talentos de sua graça e nos manda multiplicá-los, é para o nosso bem, para que, amando, superemos o nosso egoísmo e remediemos, em união com Cristo, os efeitos desastrosos do pecado das origens. Ele só pede o que dá, e pede que lhe devolvamos generosamente tudo o que, por pura graça, já se tinha dignado conceder-nos. Trabalhemos pelo Reino, buscando a santidade que o Senhor tanto deseja formar em nossas almas.


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sexta-feira, 1 de setembro de 2023

21ª Semana do Tempo Comum - Como encher de óleo as nossas lâmpadas?

 → Parábola das Dez Virgens | Estudo e Esboço para Pregação

Inclinai, Senhor, o vosso ouvido e escutai-me; salvai, meu Deus, o servo que confia em vós. Tende compaixão de mim, clamo por vós o dia inteiro (Sl 85,1ss).

A liturgia aponta o caminho comum da comunidade cristã: “vivei na santidade”. Esta não consiste em obras extraordinárias, mas se manifesta, antes de tudo, na qualidade das relações com os outros. Aprendamos a ser previdentes e vigilantes, para agradar a Deus mediante uma vida santa.

Primeira Leitura: 1 Tessalonicenses 4,1-8

Leitura da primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses – 1Meus irmãos, eis o que vos pedimos e exortamos no Senhor Jesus: aprendestes de nós como deveis viver para agradar a Deus e já estais vivendo assim. Fazei progressos ainda maiores! 2Conheceis, de fato, as instruções que temos dado em nome do Senhor Jesus. 3Esta é a vontade de Deus: vivei na santidade, afastai-vos da impureza; 4cada um saiba tratar o seu parceiro conjugal com santidade e respeito, 5sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus. 6Que ninguém, nessa matéria, prejudique ou engane seu irmão, porque o Senhor se vinga de tudo, como já vos dissemos e comprovamos. 7Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade. 8Portanto, desprezar estes preceitos não é desprezar um homem, e sim a Deus, que nos deu o Espírito Santo. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 96(97)

Ó justos, alegrai-vos no Senhor!

1. Deus é rei! Exulte a terra de alegria / e as ilhas numerosas rejubilem! / Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, / que se apoia na justiça e no direito. – R.

2. As montanhas se derretem como cera / ante a face do Senhor de toda a terra; / e assim proclama o céu sua justiça, / todos os povos podem ver a sua glória. – R.

3. O Senhor ama os que detestam a maldade, † ele protege seus fiéis e suas vidas / e da mão dos pecadores os liberta. – R.

4. Uma luz já se levanta para os justos, / e a alegria, para os retos corações. / Homens justos, alegrai-vos no Senhor, / celebrai e bendizei seu santo nome! – R.

Evangelho: Mateus 25,1-13

Aleluia, aleluia, aleluia.

Vigiai e orai para ficardes de pé / ante o Filho do Homem! (Lc 21,36) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1“O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ 7Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. 10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ 12Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo, não vos conheço!’ 13Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora”. – Palavra da salvação.

Reflexão
No Evangelho de hoje, escutamos a parábola das dez virgens: cinco delas eram imprudentes e insensatas, e as outras cinco eram prudentes e precavidas. Admite esta parábola dois níveis de leitura. No primeiro, fala-nos ela da vigilância que todos devemos ter, por não sabermos nem o dia nem a hora em que o Senhor nos virá buscar desta vida. No segundo, refere-se ela não tanto ao dia da morte ou do juízo, mas à dinâmica normal da nossa vida espiritual. Nesse sentido, a parábola sublinha a necessidade de enchermos de óleo a nossa lâmpada, isto é, de preservarmos e fazermos crescer a chama da caridade sobrenatural que nos foi infundida quando do nosso Batismo. Isso, porém, só é possível mediante a vida de oração, que não é mais do que “um tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com Quem sabemos que nos ama” (S. Teresa d’Ávila, Vida VIII, 7). Deus, com efeito, depositou em nós a semente do seu amor, justamente por querer que o amemos, e o exercício continuado, progressivo, gradual, desse trato de amizade não é senão a vida de oração íntima. É pela oração diária, feita não por simples obrigação, mas com o ânimo de quem sabe estar em diálogo franco com seu melhor Amigo, que vamos enchendo de óleo a nossa lâmpada, de modo que o pouco de amor que hoje podemos dar a Deus irá, de oração em oração, de encontro em encontro, crescendo e se avivando como uma chama que não se deixa extinguir jamais. E, como prêmio desse cuidado perseverante, dessa prudência divina que nos faz guardar o dom mais precioso que temos, que é a caridade, o Senhor virá encontrar-nos vigilantes, para nos fazer entrar consigo “para a festa de casamento”, figura não apenas do céu, onde se celebram as bodas do Cordeiro, mas também da santidade que já nesta vida podemos ter, antessala e prelibação do amor perfeitíssimo a Deus que hemos de experimentar no paraíso celeste. — Que o Senhor nos conceda hoje a graça de vivermos a oração íntima, não como mera obrigação diária, mas como encontro amoroso, que dia após dia nos encha daquela santa insatisfação de não amar a Cristo com todo o amor possível. Não sejamos como as virgens imprudentes, que acham estar prontas para receber o Esposo sem ter bem abastecidas suas lâmpadas, isto é, sua alma exercitada no amor pela oração.


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