sábado, 14 de maio de 2022

4ª semana da Páscoa - Festa de São Matias.

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Leitura (Atos 1,15-17.20-26)

Leitura dos Atos dos apóstolos.

1 15 Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembleia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse:

16 “Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus.

17 Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério.

20 Pois está escrito no livro dos Salmos: ‘Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo’.

21 Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós,

22 a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição”.

23 Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.

24 E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste

25 para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar.

26 Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 112/113

O Senhor fez o indigente assentar-se com os nobres.

Louvai, louvai, ó servos do Senhor,

louvai, louvai o nome do Senhor!

Bendito seja o nome do Senhor,

agora e por toda a eternidade!

Do nascer do sol até o seu ocaso,

louvado seja o nome do Senhor!

O Senhor está acima das nações,

sua glória vai além dos altos céus.

Quem pode comparar-se ao nosso Deus,

ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono

e se inclina para olhar o céu e a terra?

Levanta da poeira o indigente

e do lixo ele retira o pobrezinho,

para fazê-lo assentar-se com os nobres,

assentar-se com os nobres do seu povo.

Evangelho (João 15,9-17)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu vos designei para que vades e deis frutos e o vosso fruto permaneça (Jo 15,16).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

15 9 Disse Jesus: “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor.

11 Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.

12 Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.

13 Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.

14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando.

15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai.

16 Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.

17 O que vos mando é que vos ameis uns aos outros”.

Palavra da Salvação.

Reflexão

Fazendo hoje memória de S. Matias, proclama-nos a Igreja um Evangelho que, se bem não o tenha ouvido o Apóstolo escolhido às sortes para ocupar o lugar de Judas (cf. At 1, 26), foi ele chamado a vivê-lo integralmente, como também o somos nós neste dia, e até o último de nossas vidas: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi”. Por isso, “já não vos chamo servos […], eu vos chamo amigos”. “Permanecei”, portanto, “no meu amor”. Chama-nos hoje o Senhor seus amigos e explica-nos, para que sejamos nós amigos dele, algumas das propriedades que toda amizade verdadeira há-de possuir. 

a) A primeira é que seja fruto de eleição racional: “Fui eu que vos escolhi”, fundada sobre a comunicação de algum bem honesto, como o são as virtudes entre os homens retos e, entre os que somos cristãos, o amor e a reverência ao mesmo Deus e às leis da mesma Igreja. Pois há entre o amor de amizade e o amor que chamam de concupiscência esta diferença, e é que a primeira convém apenas aos que se amam segundo o bem e a verdade, ao passo que a outra se dá também entre os animais: “A amizade”, com efeito, “nasce da razão e da justa estima entre as pessoas; o desejo, do afeto e do ímpeto das paixões” (Forcellini, Lexicon, 1861, t. 2, p. 244b). —

b) A segunda é que seja manifesta, aberta e não oculta: “Eu vos chamo amigos”, isto é, que não seja mera e benévola simpatia, mas que se afirme e reforce com sinais e gestos concretos de mútua consideração. — 

c) E daí, em último lugar, que seja efetiva: “Permanecei no meu amor”, pois os que são amigos não se limitam a saber-se queridos nem a desejar bem ao outro, mas a fazê-lo realmente: “Que outra coisa é amar, do qual verbo se originou o nome ‘amizade’, senão querer cumular o amigo dos maiores bens, ainda que com o risco de os não poder reaver?” (Cícero, De finibus, II, 24). Se, revestida dessas qualidades, é já excelente entre os homens uma tal amizade, na ordem natural, qual e quão grande não será ela, na ordem da graça, entre os homens e Deus? E se Deus nos escolheu, quis e amou até o fim, não sejamos nós tão ingratos a ponto de não corresponder a este seu amor de amizade para conosco. Amemos a Deus, porque Ele “nos amou primeiro” (1Jo 4, 19). 

É verdade que, sendo Ele perfeitíssimo e fonte de todo bem, nada lhe podemos desejar e fazer que Ele já não tenha ou dele não tenhamos recebido: “Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído?” (Rm 11, 35). Podemos, no entanto, escolhê-lo como a nosso mais querido amigo, e não haverá eleição mais racional que essa; podemos manifestar-lhe o nosso amor, nele pensando, a Ele aspirando e com Ele falando; e podemos amá-lo na prática, obedecendo ao que Ele com tanto encarecimento hoje nos manda: “Permanecei no meu amor”. E como? Guardando “os meus mandamentos” e amando-nos “uns aos outros, assim como eu vos amei”. Assim seremos verdadeiros amigos daquele que verdadeiramente o é nosso: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos”. Amém.

 

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sexta-feira, 13 de maio de 2022

4ª Semana da Páscoa - Corações imperturbáveis.

 Métodos e Ensinos de Jesus – Cristo Nossa Justiça

Leitura (Atos 13,26-33)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

13 26 “Irmãos, filhos de Abraão, e os que entre vós temem a Deus: a nós é que foi dirigida a mensagem de salvação.

27 Com efeito, os habitantes de Jerusalém e os seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-o, cumpriram os oráculos dos profetas, que cada sábado são lidos.

28 Embora não achassem nele culpa alguma de morte, pediram a Pilatos que lhe tirasse a vida.

29 Depois de realizarem todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, puseram-no num sepulcro.

30 Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos.

31 Durante muitos dias apareceu àqueles que com ele subiram da Galiléia a Jerusalém, os quais até agora são testemunhas dele junto ao povo.

32 Nós vos anunciamos: a promessa feita a nossos pais,

33 Deus a tem cumprido diante de nós, seus filhos, suscitando Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: ‘Tu és meu Filho, eu hoje te gerei’."

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 2

Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei!

 

“Fui eu mesmo que escolhi este meu rei

e, em Sião, meu monte santo, o consagrei!”

O decreto do Senhor promulgarei,

foi assim que me falou o Senhor Deus:

“Tu és meu filho, e eu hoje te gerei!”

 

Podes pedir-me e, em resposta, eu te darei

por tua herança os povos todos e as nações,

e há de ser a terra inteira o teu domínio.

Com cetro férreo haverás de dominá-los

e quebrá-los como um vaso de argila!

 

E agora, poderosos, entendei;

soberanos, aprendei esta lição:

com temos servi a Deus, rendei-lhe glória

e prestai-lhe homenagem com respeito!

 

Evangelho (João 14,1-6)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14,6)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

14 1 Disse Jesus: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.

2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar.

3 Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais.

4 E vós conheceis o caminho para ir aonde vou”.

5 Disse-lhe Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?”

6 Jesus lhe respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Palavra da Salvação.

Reflexão

Após anunciar os eventos que precederão a sua Paixão, Cristo pede aos Apóstolos que não se perturbem: Ele deverá partir em breve, ser traído por Judas e negado três vezes por Pedro; no entanto, apesar destes revezes, o coração dos discípulos, já visivelmente agitados, tem de permanecer sereno. A perturbação a que se refere o Senhor neste trecho nada mais é do que aquela tristeza que provém do mundo (cf. 2Cor 7, 10) e se apodera das almas sem fé. Os espíritos pouco enraizados em Deus, ao serem confrontados pelas vicissitudes da vida, deixam-se levar como folhas numa tempestade. O vento das mais leves dificuldades os arranca do solo em que pareciam ter-se firmado; e é justamente aqui, em meios às agitações e descontroles de um coração à beira do desespero, que se revela a sua falta de confiança e abandono à Providência.

Há, contudo, uma tristeza santa e sadia: trata-se daquela perturbação que lança raízes numa profunda esperança no triunfo certo de Deus sobre todos os males, ainda que o momento presente, do ponto de vista estritamente humano, pareça irremediável ou desalentador. É um tristeza suscitada não pela desesperança, mas pelas misérias em que nos vemos imersos, pelas inúmeras ofensas que são, dia após dia, lançadas à cara do nosso amantíssimo Pai do Céu. É desta tristeza, movida pela caridade, que fala São João ao escrever: "Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito" (Jo 13, 21). É a tristeza dos santos, cujo coração, estando imperturbavelmente repousado no colo do Senhor, se perturba por amor, por ânsia de desagravos, de penitências, de conversão, de fazer reinar nas demais almas aquela paz que somente uma fé firme e bem enraizada pode comunicar.

 

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quinta-feira, 12 de maio de 2022

4ª Semana da Páscoa - Um Sangue derramado por todos

 Servos e amigos de Deus

Primeira Leitura: Atos 13,13-25

Leitura dos Atos dos Apóstolos – 13Paulo e seus companheiros embarcaram em Pafos e chegaram a Perge da Panfília. João deixou-os e voltou para Jerusalém. 14Eles, porém, partindo de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia. E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se. 15Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os chefes da sinagoga mandaram dizer-lhes: “Irmãos, se vós tendes alguma palavra para encorajar o povo, podeis falar”. 16Paulo levantou-se, fez um sinal com a mão e disse: “Israelitas e vós que temeis a Deus, escutai! 17O Deus deste povo de Israel escolheu os nossos antepassados e fez deles um grande povo quando moravam como estrangeiros no Egito; e de lá os tirou com braço poderoso. 18E, durante mais ou menos quarenta anos, cercou-os de cuidados no deserto. 19Destruiu sete nações na terra de Canaã e passou para eles a posse do seu território 20por quatrocentos e cinquenta anos aproximadamente. Depois disso, concedeu-lhes juízes, até o profeta Samuel. 21Em seguida, eles pediram um rei, e Deus concedeu-lhes Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim, que reinou durante quarenta anos. 22Em seguida, Deus fez surgir Davi como rei e assim testemunhou a seu respeito: ‘Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que vai fazer em tudo a minha vontade’. 23Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus. 24Antes que ele chegasse, João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. 25Estando para terminar sua missão, João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede, depois de mim vem aquele do qual nem mereço desamarrar as sandálias'”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 88(89)

Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor.

1. Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, / de geração em geração eu cantarei vossa verdade! / Porque dissestes: “O amor é garantido para sempre!” / E a vossa lealdade é tão firme como os céus. – R.

2. “Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, / e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. / Estará sempre com ele minha mão onipotente, / e meu braço poderoso há de ser a sua força. – R.

3. Não será surpreendido pela força do inimigo, / nem o filho da maldade poderá prejudicá-lo. / Diante dele esmagarei seus inimigos e agressores, / ferirei e abaterei todos aqueles que o odeiam. – R.

4. Minha verdade e meu amor estarão sempre com ele, / sua força e seu poder por meu nome crescerão. / Ele, então, me invocará: ‘Ó Senhor, vós sois meu Pai, / sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontro a salvação!'” – R.

Evangelho: João 13,16-20

Aleluia, aleluia, aleluia.

Jesus Cristo, a fiel testemunha, / primogênito dos mortos, / nos amou e do pecado nos lavou / em seu sangue derramado (Ap 1,5). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: 16“Em verdade, em verdade vos digo, o servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou. 17Se sabeis isso e o puserdes em prática, sereis felizes. 18Eu não falo de vós todos. Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se realize o que está na Escritura: ‘Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar’. 19Desde agora vos digo isso, antes de acontecer, a fim de que, quando acontecer, creiais que eu sou. 20Em verdade, em verdade vos digo, quem recebe aquele que eu enviar me recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Uma coisa nos recorda hoje o Evangelho e a outra nos exorta o exemplo de Cristo.  Leva-nos o evangelista S. João para dentro do Cenáculo, onde poucas horas antes de ser preso lavou o Senhor os pés aos Apóstolos. Todos conhecemos a cena, de que fazemos memória anual na celebração de Quinta-feira Santa. Mas o de que poucos nos lembramos é que, entre os discípulos a quem Jesus lavou os pés, estava ninguém menos do que Judas, que dali a pouco levantaria o calcanhar, como traidor ingrato, contra quem lho estava a lavar como amigo querido. E esta circunstância, a que damos tão pouca atenção, o primeiro que nos recorda é o quanto vale para Deus uma única alma, ainda que seja a pior e mais pecadora. Se o episódio do Cenáculo não basta para no-lo convencer, vejamos então o que fez o Senhor no deserto ao ser tentado por Satanás. Ofereceu-lhe o demônio todos os reinos e principados da terra, com a condição de que, caído de joelhos, o adorasse: Si cadens, adoraveris me, “se, prostrando-te diante de mim, me adorares” (Mt 4, 9). Quis assim o demônio ver a Cristo ao pé de si, pensando que o poderia comprar ao preço do mundo; mas o que não sabia o inimigo, que nem sempre é bom negociador, é que bastara tirar-lhe uma só alma para o ter prostrado em terra. Porque o Senhor, que não quis ajoelhar-se diante do demônio nem se com isto ganhasse todo o mundo, não resistiu pôr-se aos pés de Judas, em cujo coração se havia metido o mesmo diabo: “Cum diabolus jam misisset in corde ut traderet eum” (Jo 13, 2), se com isto lhe lucrasse a alma. Tendo amado os seus até o fim, não se envergonhou Nosso Senhor de cair de joelhos aos pés de Judas revestido de demônio, para que a todos ficasse claro que uma única alma tem para Ele mais valor do que o mundo inteiro: porque este lhe custou uma palavra no início do mundo, enquanto cada um de nós lhe merecemos o preço de todo o seu Sangue. Ora, “se o mundo custa uma só palavra de Deus, e alma custa todo o sangue de Deus”, julguemos “se vale mais uma alma, que todo o mundo” (Pe. Antônio Vieira, Serm. da 1.ª Dominga da Quaresma, de 1653, §2). É bem verdade que nem todos, apesar de valermos o mesmo preço infinito, alcançaremos a salvação que o Senhor nos mereceu, não pela ineficácia do seu Sangue, que bastaria para redimir mil mundos, mas pela inconstância e dureza de nossa vontade; isso porém não é motivo para deixarmos de rezar por todos, e ainda pelos que mais perdidos parecem. 

É a isto que nos exorta o mesmo Cristo por meio do mesmo exemplo: Ele, se sabia que Judas não se havia de salvar, nem por isto lhe deixou de lavar os pés, porque a todos os homens deixou abertas as portas da sua misericórdia e a nenhum deles nega a graça de quererem um dia purificar-se nas águas do Batismo. E nós, que não sabemos quem se vai a salvar nem se nos vamos a salvar, devemos ter sempre o propósito de rezar por todos os homens, sobretudo pelos mais pecadores, pois a todos, se se abrirem à ação da graça, quer ser ajoelhar o Senhor para os limpar com o Sangue e livrá-los dos laços do demônio. Não sejamos, pois, baixos estimadores do que valemos nem percamos a esperança de alcançarem a salvação os que parecem tomados do diabo e armados em guerra contra Nosso Senhor: Orate pro invicem ut salvemini, “orai uns pelos outros para serdes curados” (Tg 5, 16).

 

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quarta-feira, 11 de maio de 2022

4ª Semana da Páscoa - Os gritos do Redentor.

 Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum – Aumenta a nossa fé – São Lucas 17,  5-10 – Dia 06 de outubro de 2019 | Ide e Anunciai

Primeira Leitura: Atos 12,24-13,5

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 24a Palavra do Senhor crescia e se espalhava cada vez mais. 25Barnabé e Saulo, tendo concluído seu ministério, voltaram de Jerusalém, trazendo consigo João, chamado Marcos. 13,1Na Igreja de Antioquia havia profetas e doutores. Eram eles: Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado junto com Herodes, e Saulo. 2Um dia, enquanto celebravam a liturgia em honra do Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei”. 3Então eles jejuaram e rezaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo e deixaram-nos partir. 4Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e daí navegaram para Chipre. 5Quando chegaram a Salamina, começaram a anunciar a Palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Eles tinham João como ajudante. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 66(67)

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, / que todas as nações vos glorifiquem.

1. Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, / e sua face resplandeça sobre nós! / Que na terra se conheça o seu caminho / e a sua salvação por entre os povos. – R.

2. Exulte de alegria a terra inteira, / pois julgais o universo com justiça; / os povos governais com retidão / e guiais, em toda a terra, as nações. – R.

3. Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, / que todas as nações vos glorifiquem! / Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, / e o respeitem os confins de toda a terra! – R.

Evangelho: João 12,44-50

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou a luz do mundo; / aquele que me segue / não caminha entre as trevas, / mas terá a luz da vida (Jo 8,12). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 44Jesus exclamou em alta voz: “Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. 45Quem me vê, vê aquele que me enviou. 46Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. 47Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a palavra que eu falei o julgará no último dia. 49Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50E eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que eu digo, eu o digo conforme o Pai me falou”. – Palavra da salvação.

Reflexão

"Jesus exclamou em alta voz". O Evangelho de hoje começa com um brado de Cristo, que faz um apelo veemente à fé de Seus discípulos: "Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou"; que os conclama à contemplação de Si próprio: "Quem me vê, vê aquele que me enviou"; e que, repetindo o Prólogo de São João, reafirma o caráter luminoso de Sua mensagem, enquanto enviado do Pai: "Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas".

As consequências dessas verdades são enunciadas, em seguida, pelo próprio Redentor: "Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo". Com Sua primeira vinda, de fato, Cristo veio instaurar o tempo da misericórdia. Isso não diminui o fato de que Ele virá para julgar os vivos e os mortos "no último dia". Até lá, porém, Ele grita em altos brados ao nosso coração, quase suplicando a nossa mudança de vida, enquanto podemos ser salvos. Não deixemos que a graça de Deus passe por nós em vão: aceitemos o Cristo na fé, e não deixemos que aquele dia caia sobre nós como um ladrão. 

 

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terça-feira, 10 de maio de 2022

4ª Semana da Páscoa - O que motiva a sua fé?

 CANTOS P/ A MISSA DO 5º DOMINGO COMUM – ano B – Grupo Ruah

Primeira Leitura: Atos 11,19-26

Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 19aqueles que se haviam espalhado por causa da perseguição que se seguiu à morte de Estêvão chegaram à Fenícia, à ilha de Chipre e à cidade de Antioquia, embora não pregassem a Palavra a ninguém que não fosse judeu. 20Contudo, alguns deles, habitantes de Chipre e da cidade de Cirene, chegaram a Antioquia e começaram a pregar também aos gregos, anunciando-lhes a Boa-nova do Senhor Jesus. 21E a mão do Senhor estava com eles. Muitas pessoas acreditaram no Evangelho e se converteram ao Senhor. 22A notícia chegou aos ouvidos da Igreja que estava em Jerusalém. Então enviaram Barnabé até Antioquia. 23Quando Barnabé chegou e viu a graça que Deus havia concedido, ficou muito alegre e exortou a todos para que permanecessem fiéis ao Senhor, com firmeza de coração. 24É que ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E uma grande multidão aderiu ao Senhor. 25Então Barnabé partiu para Tarso, à procura de Saulo. 26Tendo encontrado Saulo, levou-o a Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando juntos naquela Igreja e instruíram uma numerosa multidão. Em Antioquia os discípulos foram, pela primeira vez, chamados com o nome de cristãos. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 86(87)

Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes.

1. O Senhor ama a cidade / que fundou no monte santo; / ama as portas de Sião / mais que as casas de Jacó. / Dizem coisas gloriosas / da cidade do Senhor. – R.

2. “Lembro o Egito e Babilônia / entre os meus veneradores. / Na Filisteia ou em Tiro † ou no país da Etiópia, / este ou aquele ali nasceu.” / De Sião, porém, se diz: † “Nasceu nela todo homem; / Deus é sua segurança”. – R.

3. Deus anota no seu livro, † onde inscreve os povos todos: / “Foi ali que estes nasceram”. / E por isso todos juntos / a cantar se alegrarão; / e, dançando, exclamarão: / “Estão em ti as nossas fontes!” – R.

Evangelho: João 10,22-30

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam minha voz, / eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27). – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – 22Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do templo. Era inverno. 23Jesus passeava pelo templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus rodeavam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”. 25Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; 26vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna, e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão. 29Meu Pai, que me deu essas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”. – Palavra da salvação.

Reflexão

Perguntam hoje a Cristo se é o Messias: “Dize-nos abertamente”, e Ele não só responde com um rotundo sim: “Já vo-lo disse”, mas oferece as razões de sua resposta: “As obras que eu faço dão testemunho de mim”, e denuncia a causa por que muitos, diante de afirmações tão claras, confirmadas com sinais tão evidentes, ainda não creem: “Vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas”. Três coisas, portanto, se devem notar neste Evangelho. A primeira é que Jesus, contra o que afirmam alguns modernistas, não só tinha consciência de ser o Filho de Deus como o ensinou de maneira explícita a todo o povo: “Eu e o Pai somos um”, isto é, somos uma só coisa ou temos em comum a mesma substância. A segunda é que Jesus confirmou, com sinais certíssimos e adequados à inteligência de todos, sua missão e filiação divinas, de modo que não pudessem alegar desculpa alguma para a própria incredulidade as testemunhas oculares de seus milagres: “As obras que eu faço dão testemunho de mim”. A terceira e última, consequência da anterior, é que o ato de fé salutar, embora conte — como é conforme à razão humana — com argumentos externos de credibilidade, não é causado nem tem por motivo próprio estes sinais exteriores, mas depende da abertura interior do coração à graça atual preveniente com que Deus inspira a vontade e ilumina a inteligência para assentir internamente ao que não pode, sem culpa, negar externamente. É por isso que diz aos fariseus: “Vós não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas”, pois “as minhas ovelhas escutam a minha voz”, isto é, não rejeitam a moção da graça interna, mas se deixam guiar por ela, como ovelhas que seguem, não a voz mercenária das paixões, mas a doce e suave do Bom Pastor. Aí temos uma radiografia do que é a fé verdadeira e um mapa para sabermos que caminho estamos trilhando, ou seja, se temos fé pelo motivo certo, que é a palavra de Deus, ou se a temos rejeitado, porque nos recusamos a escutar o que Eles nos tem gritado internamente com o auxílio de suas graças externas.

 

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