sábado, 2 de novembro de 2013

COMEMORAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS.

 
Neste dia ressoa em toda a Igreja o conselho de São Paulo para as primeiras comunidades cristãs: “Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros que não tem esperança” ( 1 Tes 4, 13). 
 
Sendo assim, hoje não é dia de tristezas e lamúrias, e sim de transformar nossas saudades, e até as lágrimas, em forças de intercessão pelos fiéis que, se estiverem no Purgatório, contam com nossas orações.
O convite à oração feito por nossa Mãe Igreja fundamenta-se na realidade da “comunhão dos santos”, onde pela solidariedade espiritual dos que estão inseridos no Corpo Místico, pelo Sacramento do Batismo, são oferecidas preces, sacrificios e Missas pelas almas do Purgatório. No Oriente, a Igreja Bizantina fixou um sábado especial para orações pelos defuntos, enquanto no Ocidente as orações pelos defuntos eram quase geral nos mosteiros do século VII; sendo que a partir do Abade de Cluny, Santo Odilon, aos poucos o costume se espalhou para o Cristianismo, até ser tornado oficial e universal para a Igreja, através do Papa Bento XV em 1915, pois visava os mortos da guerra, doentes e pobres.
A Palavra do Senhor confirma esta Tradição pois “santo e piedoso o seu pensamento; e foi essa a razão por que mandou que se celebrasse pelos mortos um sacrifício expiatório, para que fossem absolvidos de seu pecado” (2 Mc 2, 45). Assim é salutar lembrarmos neste dia, que “a Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados” (Catecismo da Igreja Católica). 

Portanto, a alma que morreu na graça e na amizade de Deus, porém necessitando de purificação, assemelha-se a um aventureiro caminhando num deserto sob um sol escaldante, onde o calor é sufocante, com pouca água; porém enxerga para além do deserto, a montanha onde se encontra o tesouro, a montanha onde sopram brisas frescas e onde poderá descansar eternamente; ou seja, “o Céu não tem portas” (Santa Catarina de Gênova), mas sim uma providencial ‘ante-sala’.
“Ó meu Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem! Amém!”

LITURGIA DIÁRIA - UMA VIDA QUE SEJA ETERNA.

 
Primeira Leitura (Jó 19,1.23-27a)

Leitura do Livro de Jó:
1Jó tomou a palavra e disse:
23”Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27aEu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”.

Responsório (Sl 26)

(Se for cantado: Felizes os de coração puro,// porque verão a Deus!)

— O Senhor é minha luz e salvação.
— O Senhor é minha luz e salvação.
— O Senhor é minha luz e salvação;/ de quem eu terei medo?/ O Senhor é a proteção da minha vida;/ perante quem eu tremerei?
— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa,/ e é só isto que eu desejo:/ habitar no santuário do Senhor/ por toda a minha vida;/ saborear a suavidade do Senhor/ e contemplá-lo no seu templo.
— Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo,/ atendei por compaixão!/ É vossa face que eu procuro./ Não afasteis em vossa ira o vosso servo,/ sois vós o meu auxílio!
— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver/ na terra dos viventes./ Espera no Senhor e tem coragem,/ espera no Senhor!
Segunda Leitura (Fl 3,20-21)

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:
Irmãos: 20Nós somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. 21Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas a coisas.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!


Ou


Segunda Leitura (Rm 6,3-9)

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:
Irmãos: 3Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados?
4Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova. 5Pois, se fomos, de certo modo, identificados a Jesus Cristo por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição.
6Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado. 7Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado. 8Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. 9Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele.
 
Evangelho (Jo 11,17-27)

17Quando Jesus chegou a Betânia, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias. 18Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. 19Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa. 21Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. 23Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. 25Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto?” 27Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!
 Ou
  Evangelho (Jo 14,1-6)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
1“Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós 3e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho.
5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?”
6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.


 Reflexão

Antigamente, antes do consumismo que começou a explodir nos anos 80, a gente comprava objetos de uso pessoal, móveis e equipamentos, que duravam uma eternidade, mas com o consumismo, os bens duráveis tornaram-se descartáveis, só vou dar alguns exemplos, por aqueles tempos a gente tinha os consertadores de guarda chuva e sombrinha, e também sapateiros, consertadores de rádios, amoladores de faca, consertadores de relógios despertadores, não eletrônicos. Onde estão eles nas grandes cidades? Simplesmente não têm mais espaço na economia, esses objetos são de baixo custo, não compensa consertá-los e a maioria nem tem conserto, são produzidos para durar pouco, podem reparar os móveis compensados, que após seis meses de uso já começam a apresentar problemas nas gavetas e portas e mesmo os mais resistentes e caros, não duram a vida toda como antigamente.
Pois bem, do mesmo modo que o homem se ilude quando compra algo novo e pensa que vai durar bastante, assim também se pensa em relação a nossa existência. Queremos eternizar o que não é eterno, queremos que dure sempre, algo que é perecível, e quando o homem se depara com a sua finitude, entra em desespero e os que podem, tentam camuflar o envelhecimento, com cirurgias plásticas que esticam tudo e é até perigoso o umbigo vim parar na testa, silicones e lepto-aspiração, tingir os cabelos, cremes milagrosos para esconder as rugas e pés de galinha, enfim, tudo o que nos dá a ilusão de que a nossa matéria durará sempre, é utilizado pelo homem.
Jesus Cristo nos oferece algo muito melhor, algo que nos revestirá de imortalidade, algo que nos fará superar a nossa finitude, libertando-nos dos limites da nossa matéria. Ele nos dá uma Vida que é eterna,  não algo recauchutado, reformado, remendado, mas  novo e original, que é vontade do Pai, e que não acontece por nossos méritos, e muito menos com o nosso esforço, o homem não terá nunca a chave da morte. Ele até poderá prolongar sua existência, como hoje já acontece, com muitos superando os cem anos de vida, coisa que nos anos 60 ou 70 era um recorde, hoje o homem pode atingir tranquilamente 80 a 90 anos, apesar da qualidade de vida não ser das melhores. Mas Jesus tem a chave de algo que está fora do alcance do homem.
O Homem quer ter vida longa, Deus quer que o Homem seja eterno e por isso, vai esperá-lo no lugar do aniquilamento, do despojamento, quando este homem, purificado de todas as suas misérias se apresenta diante de Deus exatamente no momento da sua morte, naquilo que ele realmente é, uma pessoa na sua totalidade, livre da matéria que o limitava e que o fazia tão frágil. Ali Deus espera cada homem de braços abertos, para acolhê-lo e confirmar nele a sua imortalidade, fazendo-o mergulhar no infinito da eternidade, em uma comunhão plena e sem interrupções...
Jesus se encarna em nosso meio para realizar a vontade do Pai, basta crer nele e fazer dele a razão e o sentido da nossa vida, e quando chegar no último dia da nossa existência, quando pensarmos que tudo se acabou, Nele e com Ele seremos novas criaturas, eternas e imortais como é o desejo e a vontade de Deus.
Pensem nisso nesse dia de Finados, pranteamos nossos mortos, mas que essa esperança de que eles estão bem vivos, nos anime a prosseguir em nossa Vida de Fé, naquele que é a Ressurreição e a Vida!


Diác. José da Cruz

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

VIDA ALÉM DA MORTE: O MEU REDENTOT VIVE!

Para além da morte corporal, existe o Deus da vida, não sujeito às realidades precárias deste mundo. Ele nos chama a si, a confiar nele




Cardeal Odilo Scherer
Arquidiocese de São Paulo
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Na comemoração de Finados, como costuma acontecer todos os anos, os cemitérios vão encher-se de gente visitando os túmulos dos falecidos, deixando flores ou algum outro sinal do afeto e da saudade que continuam a unir quem segue vivendo com quem já não está mais aqui. Dia de reflexão, de procura de respostas para as muitas interrogações que a vida e a morte suscitam...

Também os fiéis católicos vão aos cemitérios, levam flores e manifestam seu pesar pela morte dos

familiares e amigos... Mas eles são convidados nessa ocasião, mais ainda neste Ano da Fé, a manifestar a fé da Igreja no que diz respeito à vida e à morte. Qual é a luz especial que nossa fé traz para iluminar esse lado da existência, sobre o qual pairam tantas dúvidas? As respostas da cristã são muitas e luminosas.

Antes de tudo, nós cremos no Deus vivo, também chamado “o Vivente”, que é a origem de toda vida, o “Amigo da vida”. Não cremos num deus “objeto” ou “coisa”, nem num deus “energia” ou força mecânica cega. Cremos no Deus que é “pessoa”, que se relaciona e se comunica, que ama e se compadece; que vive e que dá a vida. Ele concedeu ao homem também ter o “sopro da vida”.

Diz-nos ainda nossa fé que Deus nos chama à vida por um ato de bondade e benevolência. Não é o homem quem dá a vida a si mesmo: recebe-a. Por isso, acolhemos com profundo respeito e gratidão a vida que temos e também a vida do próximo. Não somos nós os senhores absolutos da vida e da nossa existência; somos agraciados por esse dom divino. Devemos, zelar o melhor que podemos pela vida, pela qual deveremos dar contas a Deus.

Nossa fé nos fala da morte corporal: ela pertence à presente ordem da realidade, na qual tudo ainda é precário e provisório; não vivemos a realidade definitiva de nossa existência, mas caminhamos para ela. Para além da morte corporal, existe o Deus da vida, não sujeito às realidades precárias deste mundo. Ele nos chama a si, a confiar nele, para recebermos dele o dom da vida eterna e da felicidade plena.

“Creio na ressurreição da carne e na vida eterna” – assim professamos no Credo da Igreja. Nossa fé não se refere apenas à sobrevivência da alma espiritual; a expressão “ressurreição da carne” fala da pessoa na sua inteira condição humana. “Toda carne verá a salvação de Deus” (cf. Lc 3,6) – isso significa que todos os seres humanos verão a salvação de Deus. Quando São João afirma, no prólogo de seu Evangelho, que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (cf. Jo 1,14), isso significa que o Filho eterno de Deus assumiu nossa condição de “carne”, ou seja, sujeitou-se à precariedade deste mundo e se fez solidário conosco.

Nossa fé na ressurreição da carne, baseia-se na fidelidade de Deus a si mesmo e à sua obra; Deus não nos chamou à vida para nos descartar, em seguida; mas, para que possamos ter vida em plenitude. E o Filho de Deus, Jesus Cristo, viveu “na carne” e passou à vida glorificada através da ressurreição “da carne”; Ele é a garantia da vida futura glorificada também para nós, que continuamos a viver na presente precariedade da existência.

Em Cristo ressuscitado, também nós, de alguma forma, já ressuscitamos para uma vida nova (cf. Ef 2,6). Por isso, os túmulos dos cristãos, geralmente, estão marcados por uma cruz, lembrando Cristo Salvador, mediante o qual nós esperamos ser salvos da morte para participar, com ele, da vida plena.

No Ano da Fé, não tenhamos receio de afirmar nossa fé no Dia de Finados e de dizer, como o justo Jó: “Eu creio que o meu Redentor vive e que, por fim, ele se levantará sobre o pó... E com meus olhos eu verei a Deus” (cf. Jó, 19, 25-27).





(Artigo publicado no Jornal O São Paulo, Ed. 2976 - 29 de outubro a 4 de novembro de 2013)

É POSSÍVEL ENCONTRAR DEUS NA DOR?

Entenda por que o sofrimento não tem a última palavra.

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Para o ser humano, é muito difícil compreender a dor e o sofrimento. Infelizmente, quem acaba no banco dos acusados é Deus, mesmo sendo o Amor infinito, que sempre quer o melhor para os seus filhos. Todo ser humano precisa encontrar um sentido para a dor, que inevitavelmente chega. Para os cristãos, é mais fácil encontrar este significado.
 
Quem gosta de sofrer? Supostamente ninguém. Mas é verdade que a vida, em seu caminho rumo à felicidade, está repleta de tropeços inesperados, alguns deles determinados pelo nosso agir como outros, alheios à nossa vontade. Este percurso é mais leve se o Senhor acompanhar cada passo nosso, já que a fé pode tudo.
 
Nada mais apropriado ao tema que o pensamento do Papa João Paulo II sobre a dor humana, expressado na carta apostólica "Salvifici doloris":
 
“No fundo de cada sofrimento experimentado pelo homem, como também na base de todo o mundo dos sofrimentos, aparece inevitavelmente a pergunta: por quê? É uma pergunta acerca da causa, da razão e também acerca da finalidade (para quê?); trata-se sempre, afinal, de uma pergunta acerca do sentido. Esta não só acompanha o sofrimento humano, mas parece até determinar o seu conteúdo humano, o que faz com que o sofrimento seja propriamente sofrimento humano."
 
E acrescenta: "É bem sabido que, quando se calcorreia o terreno desta pergunta, se chega não só a múltiplas frustrações e conflitos nas relações do homem com Deus, mas sucede até chegar-se à própria negação de Deus.”
 
O escritor Jesús David Muñoz também fala sobre o tema:
 
"É normal que nos façamos esta pergunta: por que Deus não eliminou o sofrimento do mundo? Por que deixou algo que nos incomoda tanto? No entanto, esta postura da criatura que julga o Criador não é nada justa. Dizer a Deus o que Ele deve ou não fazer parece até brincadeira, mas é muitas vezes a maneira como reagimos."
 
E completa: "Nossa atitude diante da dor não deve ser a de julgar Deus e dar-lhe conselhos sobre como ser Deus, e sim a de buscar encontrar o que Ele quer nos ensinar, as lições que Ele quer que tiremos. É possível extrair tanto bem das situações adversas e dos sofrimentos!"
 
O sofrimento em si mesmo não pode ser definido como algo bom, pois é difícil gostar de algo que causa tormento. No entanto, o que faz a diferença é a atitude do ser humano diante da dor, a maneira como ele a aproveita, a aprendizagem e as descobertas que se apresentam por meio dela; em suma, a dor é alimento espiritual por meio do amor de Deus.
 
Um exemplo disso foi a Madre Teresa: ela "não se sentou para contar quantos pobres havia na Índia e lamentar-se diante desta triste situação. Não. Ela começou a trabalhar e aprendeu a amar. (...) Diante da realidade da dor, podemos viver amargurados, negando ou odiando Deus pela vida inteira, ou podemos transformar o sofrimento em uma oportunidade de exercitar o amor".
 
"Deus é bom, mas isso não significa que não exista sofrimento ou dor. Deus é tão bom, que inclusive pode tirar do mal um bem maior. Sim, inclusive da dor mais atroz, Deus pode tirar algo melhor. É questão de estar atentos para descobrir isso."
 

 



(Fontes: "¿Un tesoro escondido en el sufrimiento?", de Jesús David Muñoz L.C., em "Virtudes y Valores", Catholic.net; Carta apostólica "Salvifici Doloris", de João Paulo II, 1984.)

LITURGIA DIÁRIA - JESUS FEZ UMA CURA EM DIA DE SÁBADO.

 
Primeira Leitura (Rm 9,1-5)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.
Irmãos, 1não estou mentindo, mas, em Cristo, digo a verdade, apoiado no testemunho do Espírito Santo e da minha consciência: 2Tenho no coração uma grande tristeza e uma dor contínua, 3a ponto de desejar ser eu mesmo segregado por Cristo em favor de meus irmãos, os de minha raça.
4Eles são israelitas. A eles pertencem a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas 5e também os patriarcas. Deles é que descende, quanto à sua humanidade, Cristo, o qual está acima de todos – Deus bendito para sempre! – Amém!

Responsório (Sl 147)
— Glorifica o Senhor, Jerusalém!
— Glorifica o Senhor, Jerusalém!
— Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.
— Glorifica o Senhor, Jerusalém!
— A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz.
— Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos, suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.
 
Evangelho (Lc 14,1-6)

1Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 2Diante de Jesus, havia um hidrópico. 3Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: “A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?” 4Mas eles ficaram em silêncio.
Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5Depois lhes disse: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado?” 6E eles não foram capazes de responder a isso.


 Reflexão

Um amigo muito espirituoso comentou comigo, sobre este evangelho, que Jesus parecia que gostava de “Cutucar a onça com vara curta”. Entrou na casa de um Fariseu notável em dia de sábado, para tomar uma refeição, estava sob a vigilância severa do grupo de Fariseus, e eis que ali estava um Homem Hidrópico. Há que se desconfiar até que os próprios Fariseus levaram este homem lá, para ver a reação de Jesus, achando que ele não teria o “topete” de fazer uma cura em dia de sábado, justo na casa de um Fariseu importante.
Não se sabe se foi armação dos Fariseus, pode até ser que sim, pois não era novidade que eles estavam “doidinhos” para pegar o Mestre em uma armadilha. Jesus, como sempre, manteve a serenidade e ainda perguntou se era permitido ou não, fazer curas em dia de Sábado. Os Fariseus nada disseram mas certamente com os olhares “fuzilaram” Jesus.
Se não fossem tão cegos e cabeças dura, se não tivessem um coração tão endurecido e fechado á Graça de Deus, e reconhecessem a Jesus como o Messias esperado e prometido, que viera para Salvar a Humanidade, poderiam dar uma linda resposta
“Olha mestre, ao Senhor tudo é permitido, pois hoje nós celebramos o repouso, o Dia em que nosso Deus Eterno e Poderoso criou todas as coisas, como o Senhor é op Filho Dele e Aquele que nós todos esperamos, tens o poder de restaurar e refazer todas as coisas, inclusive devolver a saúde a este nosso irmão, para nós será motivo de muita alegria e iremos dar Glórias a Deus. O Senhor nem precisava perguntar, és o Senhor da Vida e da História...”
Esta é a resposta que qualquer um de nós daria, se lá estivéssemos. Então mudemos a pergunta, em lugar dos Fariseus está um grupo de zelosos agentes da pastoral do Batismo, com uma larga caminhada e que sabem de cor cada regra ou norma da Igreja “Deve-se batizar o filho de uma mãe solteira, ou não?”. “Pode um casal em segunda união receber a Comunhão??” “Pode um evangélico visitar a Igreja Católica e vir em uma celebração?” Pode um católico ter amizade com um Espírita ou de outra religião, que não seja Cristã”? Tem outras perguntinhas iguais a essa, que a gente se engasga quando vai responder. Uma coisa é darmos uma resposta linda, estando lá, em lugar do Fariseu, outra é estarmos aqui, diante de situações onde, na maioria das vezes priorizamos a Lei, a Linha Pastoral, a norma, e esquecemos do mais importante: de acolher as pessoas, de ouvir suas histórias, de anunciarmos também a elas o Santo Evangelho que Liberta e dá a verdadeira Vida!
Jesus curou o homem enfermo e ainda fez uma pergunta muito provocante “Se o trabalho a ser feito, como tirar um Jumento do poço, for de interesse próprio, será que alguém vai pensar no Preceito Sabático?”. Ou seja, todo rigor e austeridade quando se aplica a Lei ao outro, quando for para o meu interesse, a lei sempre é mais branda.

A classe dos Fariseus há muito já se foi, mas o Espírito Farisaico está mais vivo do que nunca, principalmente nas comunidades que se dizem Cristãs.





Diác. José da Cruz